HL: The Other
4 Capítulo 3 - Fragmentos
Notas iniciais
Megan passou na frente da casa de Beatrice e notou que a porta estava estranhamente aberta. Preocupada, ela foi até a casa da amiga e chamou por alguém do lado de fora, porém, ninguém respondeu. Com isso, ela resolveu entrar e ficou pasma com o que encontrou ao entrar. Beatrice estava desacordada e encostada em uma parede. Megan se aproximou e viu que a amiga estava respirando.
— Beatrice! — Megan tentou acorda-la, mas sem sucesso. Foi quando ela viu Karol ali e gritou assustada. Ela se aproximou de Karol e viu que esta estava gelada e não respirava. Karol estava morta e aquilo deixou Megan ainda mais assustada. Foi quando ela pegou o celular e ligou para a emergência.
— Alô? Minha melhor amiga está desmaiada e tem uma garota morta aqui!
***
Beatrice acordou em uma cama de hospital. Aquela cena lhe era bastante familiar, o mesmo havia acontecido anos antes, quando havia sido atropelada. Do lado dela, estava Megan, que parecia aliviada quando viu Beatrice acordar.
— Graças a deus você acordou! — Megan disse ao ver a amiga acordar.
— O que aconteceu? — Beatrice perguntou confusa.
— Eu te encontrei desmaiada — Megan explicou. Beatrice se lembrou da Karol ter entrado na casa, mas não se lembrava de nada depois daquilo. — E a Karol...
— O que aconteceu com ela? — Beatrice tentava se lembrar, mas as memórias não lhe vinham à cabeça.
— Ela... — Megan não conseguia dizer, não era fácil. — Ela estava morta, e você estava lá.
— O quê? — Beatrice estava confusa.
— Você provavelmente viu o que aconteceu — Megan disse.
— Eu não me lembro — Beatrice só se lembrava de Karol ter entrado na casa dela. Foi quando uma mulher de terno entrou no quarto.
— Com licença — a mulher disse ao entrar. — Você é Beatrice Hargen?
— Sim — Beatrice confirmou.
— Quem é você? — Megan questionou.
— Investigadora Peters — ela se apresentou. — Se você estiver se sentindo bem o suficiente, tenho perguntas para fazer, para as duas. — A mulher se referia não apenas a Beatrice, como também a Megan, já que ela era quem havia encontrado Beatrice desmaiada e Karol morta.
— Na verdade, você não pode — Megan disse.
— Como é? — A investigadora questionou.
— Nós somos menores de idade, só podemos responder a alguma pergunta se os nossos responsáveis legais estiverem por perto, você é uma investigadora, tenho certeza que sabe disso.
— Sim, é claro — a investigadora concordou. — Quando eles tiverem aqui eu faço as perguntas. — Após dizer isso, a mulher saiu do quarto e Megan estava achando tudo aquilo muito estranho.
— Isso parece estranho — Megan comentou.
— Bom, ela é da polícia, e você mesma disse que eu posso ter visto o que aconteceu com a Karol, faz algum sentido que ela queira me interrogar — Beatrice respondeu.
— Ainda assim, você ainda está no hospital, não seria melhor esperar você sair para que conseguissem alguma informação? — Megan questionou. — Tem algo errado nessa história.
— Seja lá o que for, eu não quero nem saber — Beatrice respondeu, mas Megan não conseguia tirar aquilo da cabeça.
— Eu vou ver se a Wanessa chegou e já volto — Megan avisou. — Você vai ficar bem?
— Sim — Beatrice respondeu e Megan saiu do quarto. Ela olhou em volta e viu que a mulher que havia entrado no quarto antes e dito ser investigadora. Ela estava conversando com alguém no celular, Megan não conseguia ouvir a conversa direito por estar um pouco longe. Ela recebeu uma mensagem nova no celular, era Wanessa a avisando que estava na recepção. Megan foi até a recepção e encontrou a amiga ali.
— Como ela está? — Wanessa perguntou.
— Está melhorando — Megan respondeu. — Ela não se lembra muito bem o que aconteceu.
— Deve ser o trauma — Wanessa disse.
— Sim, mas a polícia quer falar comigo e com ela — Megan contou. — Isso está muito estranho.
— A Karol ter morrido? Sim, tá estranho, eu queria que ela morresse, mas não imaginava que Deus levaria isso muito a sério — Wanessa disse.
— Não é só isso — Megan disse. — Aquela investigadora, tem algo errado nela.
***
Mais tarde, os pais de Beatrice chegaram ao hospital e foram ver a filha no quarto, ela já estava melhor e seria provável que logo ela recebesse alta.
— E então doutor, quando a minha filha vai ter alta? — A mãe de Beatrice quis saber.
— Ela vai ter que passar a noite em observação, mas amanhã cedo ela deverá receber alta — o médico disse e aquilo frustrou Beatrice, tudo o que ela queria era sair do hospital.
— Com licença — a investigadora Peters os interrompeu. — Será que agora seria um bom momento para que eu fizesse algumas perguntas?
— Tudo bem para você. Beatrice? — A mãe de Bea perguntou.
— Sim — Beatrice concordou.
— Do que se lembra? — A Investigadora Peters perguntou.
— Não muito, as lembranças estão confusas — Beatrice respondeu.
— O que a Karoline estava fazendo na sua casa?
— Eu não sei, as memórias se apagam quando eu pergunto isso para ela — Beatrice respondeu.
— Há algum detalhe que se lembre?
— Não.
— Você foi encontrada fora da cadeira de rodas, com algumas escoriações nos pulsos e nos joelhos, provavelmente foi jogada da cadeira e tentou se arrastar — a Investigadora Peters contou. — Não há nada sobre isso que você lembre?
— Não — Beatrice se esforçava para lembrar, mas não conseguia nem nada, apenas alguns flashes confusos. A Investigadora fez mais algumas perguntas antes de finalmente ir embora.
— Bea, eu tenho que ir, já está ficando tarde — Wanessa avisou pouco tempo depois da Investigadora sair.
— Eu também — Megan completou. — Nos vemos amanhã?
— Sim, amanhã eu já recebo alta, ai encontro vocês depois do colégio — Beatrice respondeu. Wanessa e Beatrice foram até a porta do hospital e Wanessa foi embora em um carro com os pais dela. Megan já estava se preparando para ir embora quando foi abordada pela Investigadora Peters.
— Está indo embora? — A Investigadora perguntou.
— Sim — Megan perguntou.
— Posso te dar uma carona — Peters ofereceu.
— Eu não tenho certeza...
— Está tudo bem, tenho mesmo que te fazer algumas perguntas, e nada melhor do que fazê-las perto do seu responsável — Peters respondeu e Megan não conseguiu não aceitar a carona. Megan estranhou que a Investigadora não usava o carro da polícia e quando o carro estava começando a sair, ela resolveu finalmente fazer uma pergunta.
— Por que não usa o carro da polícia? — Megan perguntou.
— Porque não sou uma policial, sou uma investigadora, apenas junto os fatos — Peters respondeu enquanto dirigia.
— Investigadora Peters...
— Pode me chamar de Leona.
— Vocês têm alguma suspeita de quem matou a Karol? — Megan questionou.
— Como oficial da lei, eu não posso lhe dizer isso — Leona respondeu. — Quantos anos tem?
— 17 — Megan respondeu.
— Vive aqui há muito tempo? — Leona questionou.
— Acho que há dez anos — Megan respondeu.
— E os seus pais? — Leona perguntou.
— Eu não lembro muito deles, a tia Lovatelli disse que eles morreram — Megan respondeu.
— Lovatelli? — Leona questionou.
— Sim — Megan respondeu.
— Sobrenome interessante — Leona comentou.
— Por que quer saber tanto sobre mim? — Megan questionou.
— Apenas estou curiosa — Leona respondeu e logo elas chegaram na casa de Megan e as duas desceram do carro e entraram na casa de Megan.
— Está tudo bem com a Beatrice? — A Sra. Lovatelli perguntou.
— Sim, ela deve receber alta amanhã de manhã — Megan respondeu. — Essa é a Investigadora Leona Peters, ela quer me fazer algumas perguntas sobre o que aconteceu.
— Posso? — Leona perguntou.
— Se a Megan não tiver nenhum problema, por mim tudo bem — Lovatelli respondeu.
— Ótimo — Leona disse. — Podemos começar, Megan?
— Sim — Megan respondeu.
— Conte o que sabe — Leona disse.
— Eu passei na frente da casa da Beatrice e vi a porta meio aberta, achei aquilo estranho e resolvi ver se estava tudo bem — Megan contou. — Então fui até lá e chamei, mas não ouvi ninguém, então eu resolvi entrar. Foi ai... — Megan não conseguia terminar ao lembrar da cena horrível.
— Foi quando encontrou sua amiga desmaiada e a outra garota morta — Leona deduziu. — Você conhecia a outra garota?
— Sim, todos conheciam a Karol — Megan confirmou.
— Qual era a sua relação e a de Beatrice com a garota? — Leona perguntou.
— Bom, não éramos amigas dela, quase ninguém no colégio gostava dela, exceto talvez pela Tiffany, e pelo Jason — Megan respondeu.
— Soube que três dias atrás você e essa Karol brigaram — Leona disse.
— Sim — Megan confirmou.
— Você não tinha me falado sobre isso — Lovatelli estava surpresa.
— Estávamos no meio da festa e do nada a Karol começou a gritar com a Beatrice, eu perdi a cabeça e bati nela — Megan contou.
— Então, não se davam bem com a Karol — Leona disse.
— Ninguém se dava — Megan respondeu.
— Obrigada por colaborar — Leona agradeceu.
— Megan, será que eu posso conversar com ela? — Lovatelli perguntou e Megan subiu para o quarto. — Isso tem a ver com um neo-humano, não tem?
— Ex-agente Lovatelli, acertei? — Leona sabia quem Lovatelli era, apesar de nunca tê-la conhecido pessoalmente.
— Você é da Nêmesis — Lovatelli deduziu.
— Foi uma pena o que aconteceu com você, aquele acidente, as fraturas, deve ter sido duro não poder mais trabalhar no que gostava — Leona disse.
— Não precisa fingir simpatia para mim — Lovatelli disse. — Também não precisa colocar um alvo na minha cabeça, se tem uma coisa que sei muito bem, é que há coisas que não devo me meter, especialmente se tratando da Nêmesis.
— Espero que ensine isso a sua sobrinha também — Leona respondeu. — Ela seria um alvo muito fácil se bancar a intrometida.
— Então, estamos de acordo quanto a isso — Lovatelli concordou. — Mande minhas saudações a Nemesis.
— Mandarei — Leona respondeu.
— Há algo a mais que queira saber ou alertar?
— Não, é só manter a sua sobrinha no lugar dela e tudo estará certo — Leona respondeu.
— Ótimo — Lovatelli concordou e Leona saiu da casa e quando chegou no carro, ela pegou o celular e ligou para alguém.
— Precisamos ficar de olho na casa da ex-agente Lovatelli — Leona disse. — E também, tenho uma suspeita de quem possa ser a garota misteriosa que tanto procuramos.
***
A mãe de Beatrice, que passaria a noite no hospital com ela, havia acabado de sair do quarto e provavelmente voltaria em alguns minutos. Beatrice tentava dormir, mas a confusão em sua cabeça não a deixava em paz. De repente, um rapaz albino entrou no quarto e Beatrice se assustou.
— Me desculpa, eu entrei no quarto errado — o rapaz disse.
— Está tudo bem — Beatrice entendeu. — Você é paciente?
— Praticamente — o rapaz respondeu. — E você? Bom, que pergunta idiota, você está em uma cama de hospital então é óbvio que sim. O que aconteceu com você?
— É complicado — Beatrice respondeu. — E você?
— É complicado também — o rapaz respondeu. — Tem a ver com as suas pernas?
— O quê? — Beatrice não entendia como ele poderia saber sobre o problema dela nas pernas.
— É que você não mexeu nada da cintura para baixo desde que eu entrei — o rapaz notou e Beatrice achou aquilo estranho.
— Você é bem observador — Beatrice comentou. — Eu sou paraplégica.
— É por isso que você está aqui? — O rapaz questionou.
— Não dessa vez — Beatrice se lembrou de quando acordou no hospital após sofrer o acidente um ano antes. Na ocasião ela estava completamente assustada e não entendia o que estava acontecendo. Aquela era uma lembrança muito forte. — Dessa vez eu estava no lugar errado, na hora errada.
— Então, aconteceu a mesma coisa de quando ficou paraplégica? — O rapaz perguntou, Beatrice se lembrou de alguns flashes do atropelamento, teve a impressão de ver Jason dirigindo o carro que a atropelou, aquela era uma lembrança nova, até aquele momento ela nunca tinha se lembrado de quem a atropelou.
— Não — Beatrice negou.
— O que aconteceu? — O rapaz perguntou. Beatrice se lembrou de Karol entrando na casa dela, a derrubando da cadeira de rodas, a chutando e então... Ela apareceu. Tinha os cabelos cor de sangue e Beatrice não conseguia ver o rosto dela, apenas Karol sendo morta pela garota misteriosa. E então alguns flashes, e teve a impressão de ter visto o irmão, tocando a sua cabeça e fazendo algo com sua mente. E então, tudo se apaga. Aquelas lembranças haviam simplesmente aparecido. Elas apenas deixavam Beatrice ainda mais confusa.
— Eu não sei, eu desmaiei — Beatrice respondeu. — Devem estar te procurando.
— Sim — o rapaz confirmou. — Desculpe ter feito tantas perguntas.
— Tudo bem, de boa — Beatrice respondeu e ele saiu do quarto.
***
O rapaz andou até o encontro de Leona, que já estava o esperando com as informações que ele teria conseguido.
— O que conseguiu? — Leona perguntou.
— Ela não é a tal garota do cabelo vermelho — o rapaz albino respondeu. — Mas também não sabe quem ela é.
— Então tudo foi para nada — Leona disse.
— Nem tudo — o rapaz albino disse. — Alguém apagou parte da memória dela um pouco depois do ataque. O irmão dela apagou a memória dela.
— O que ele teria a ver com isso? — Leona não conseguia entender.
— Eu não sei — o rapaz albino respondeu. — Mas o irmão dela provavelmente está ligado a garota do cabelo vermelho.
***
Enquanto isso, no quarto de Beatrice. A garota já estava dormindo, e a mãe havia tirado um cochilo, mas já estava acordando. Quando acordou, a mulher resolveu sair um pouco do quarto para pegar um copinho de café, o que significava que Beatrice teria que ficar alguns minutos sozinha, o que não pareceria que seria um problema, já que ela estava dormindo.
Quando a mãe de Beatrice saiu, Jack aproveitou para entrar no quarto e ver a irmã. Ela estava dormindo tão silenciosamente, Jack achava que ela parecia um anjo. Ele queria ter a oportunidade de poder falar com ela, de dizer tudo, de leva-la com ele, que os dois pudessem viver como uma família, como já haviam um dia. Antes de tudo, antes da Nêmesis aparecer.
Ele pegou na mão da irmã cuidadosamente para não acorda-la. Ele tinha tão pouco tempo. Tudo o que queria era ficar ali, a noite inteira, mas sabia que era arriscado demais. Jack beijou a testa da irmã e saiu do quarto. Só ter ido ao hospital já havia sido muito arriscado. Ele estava se preparando para pegar o elevador, quando percebeu que algo estava errado.
Jack viu um dos médicos segurando uma arma. Eles haviam o achado. A Nêmesis havia o achado. Ele correu e começou a descer as escadas, mas no meio do caminho ele encontrou James, o rapaz albino. Jack tentou invadir a mente de James, mas ele o bloqueou e começou a sufocar Jack com a telecinese. De repente, um raio de energia jogou James contra a parede. Foi quando Jack viu que quem havia feito aquilo foi a garota dos cabelos vermelhos, que dessa vez, estava com uma máscara que cobria metade do rosto.
James se levantou e tentou sufocar a garota de maneira telecinética, mas ela jogou novamente um raio contra ele. James invadiu a mente da garota e a viu ainda criança, presenciando a morte dos pais. Na memória ela gritava desesperada e todos os vidros se quebravam. Jack, vendo o que estava acontecendo, invadiu a mente de James e conseguiu o tirar da mente da garota. A garota jogou novamente um raio de energia em James e dessa vez a pancada foi tão forte que ele desmaiou. Mais agentes chegaram e os cercaram na escada.
— Se segura! — A garota gritou. Ela causou uma explosão de energia tão forte, que todos os agentes foram jogados longe, Jack por pouco não caiu no chão por causa da explosão. Os dois correram escada abaixo e quando chegaram ao térreo, correram direto para a rua e foram cercados por mais agentes. — Como nos velhos tempos. — A garota bateu o pé esquerdo no chão e uma explosão jogou alguns dos agentes longe. A garota jogou alguns raios de energia contra outros agentes e causou uma explosão de energia, dessa vez ainda mais forte, que fez os agentes desmaiarem. — Parece que salvei sua vida.
— Isso não teria acontecido se não fosse por você — Jack acusou.
— Eu te salvo da Nêmesis e é assim que você me agradece? — A garota debochou.
— O garoto que você matou — Jack disse. — Aquela garota que matou do lado da Beatrice. Sabe o perigo em que a colocou?
— Eles mereceram aquilo! — A garota respondeu.
— Quem é você para decidir quem vive e quem morre? — Jack gritou.
— Alguém que salvou a vida de um ingrato — a garota respondeu e deu um beijo na bochecha de Jack. — Não se preocupe, eu até gosto de você, — A garota olhou para o alto de um prédio e desapareceu dali e reapareceu no alto do prédio.
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