HL: The Other

12 Capítulo 9 - Parte 3 - A Broken Heart


Notas iniciais
Aqui está a parte 3 o/ Semana que vem sai a parte 4 ;)

3 de janeiro de 2014

Beatrice e Wanessa estavam reunidas no quarto de Megan. Queriam saber tudo o que havia acontecido no ano novo. Cada vez que a Megan falava de alguns dos acontecimentos, elas ficavam cada vez mais surpresas.

— Como foi o seu primeiro beijo? — Beatrice estava curiosa, assim como Wanessa.

— Esquisito — fez uma careta. — Muito esquisito. — Ao ouvirem aquilo, as outras duas riram achando graça. Após isso, Beatrice tirou um colar de dentro do bolso e o entregou para Wanessa.

— Era para eu ter te dado no natal, mas como você estava viajando — então Wanessa encarou o colar e viu que ele tinha uma letra W. — Cada uma de nós tem um. — Então Bea e Megan mostraram os outros dois colares com as iniciais dos nomes delas. — Bom, eu tenho dois porque o Jack me deu um colar parecido. — Então riu fraco. Cada uma colocou seu respectivo colar. — O que achou?

— É lindo — Wanessa disse sorrindo.

***

Uma semana depois, as aulas voltaram e todos precisaram ir a escola para o segundo semestre das aulas. Tiffany organizava os livros em seu armário, enquanto Karol a fazia companhia.

— OI Tiffany — Jason disse ao passar por ela e então continuou seu caminho. Tiffany deu um leve sorriso antes de se voltar para a melhor amiga.

— Acho que vou entrar para o Comitê Estudantil — comentou e percebeu que Karol continuava fitando o nada, distraída. — Karol! — Chamou tirando-a de um devaneio.

— Sim.

— Vou entrar para o Comitê Estudantil — repetiu.

— Sério? — Karol fez uma careta. — Isso parece tão chato.

— Para mim parece legal, eles cuidam de vários eventos sociais da escola, além de cuidarem do anuário — disse. — É perfeito.

— Bom, você quem sabe.

***

Fevereiro de 2014

Era dia dos namorados nos Estados Unidos e vários casais estavam trocando presentes entre si. Entre os alunos do Colégio, o clima não era diferente. Durante o intervalo, havia uma troca de presentes e casais apaixonados para todo lado, até que Jason subiu em cima de uma mesa, o que fez com que todos parassem e o encarassem.

— Preciso da atenção de todos vocês — então olhou para Tiffany, que estava perto dali. — Tiffany Mason, você quer namorar comigo? — Naquele momento todos começaram a fazer pequenos gritinhos que deixou Tiffany ainda mais constrangida. Ela estava com as bochechas vermelhas e um sorriso tímido.

— Senhor Rochford — a diretora chamou a atenção dele. — Por mais que essa declaração esteja bonita, essa mesa é para refeições e não para que coloque seus pés nela, então desça ou serei obrigada a leva-lo para a diretoria.

— Sim senhora — ele então a obedeceu e desceu da mesa.

— Que isso não se repita — ela disse antes de se afastar. Então ele se aproximou de Tiffany, que ainda estava parada no mesmo lugar.

— Então, você aceita? — Logo que perguntou aquilo, ele recebeu um beijo da garota, que servia como resposta. Todos no refeitório começaram a aplaudir, mesmo Karol, que sorria de maneira fraca.

***

Março de 2014

Já era tarde da noite, quando o telefone da casa de Beatrice tocou. Ela correu para atendê-lo e se surpreendeu ao descobrir que era Jack.

— Jack? — A garota ficou preocupada. — Aconteceu alguma coisa?

— Você pode chamar a mamãe? — Pediu com a voz estranha. A garota correu até o quarto dos pais e acordou a mãe, que foi até a sala e pegou o telefone.

— Jack?

— Mãe, eu preciso de ajuda.

— O que aconteceu? — Ela perguntou preocupada e viu que Beatrice ainda estava ali. — Bea, vá para o quarto.

— Mas mãe...

— Agora! — Pediu e então a filha, mesmo a contragosto, a obedeceu. — Jack, o que aconteceu?

— Eu não sei como explicar, mãe. Eu... — Respirou fundo. — Sou um neo-humano.

— O quê? — Ficou surpresa.

— Um garoto que estava bravo comigo tentou me bater, mas acabei usando os meus poderes e agora ele está internado em coma no hospital — disse desesperado. — Eu não queria, eu juro que não queria.

— Jack...

— Se acontecer alguma coisa com ele... — A voz estava embargada. — Se descobrirem que fui eu…

— Jack, se acalme — pediu. — Eu e o seu pai vamos busca-lo, ok? Não faça nada, por favor.

***

Na manhã seguinte, os pais de Beatrice conversaram com Lovatelli e pediram para que ela cuidasse da garota, que ficaria na casa da mulher até que eles voltassem. Logo eles se despediram e foram embora. Megan esperou ficar sozinha com Beatrice para finalmente conversar com amiga.

— O que aconteceu com o seu irmão? — Quis saber, ela havia ouvido a conversa da mãe de Beatrice com a tia.

— Eu não sei, mas eles vão trazê-lo de volta.

***

Dois dias depois, o carro dos pais de Beatrice parou na frente da casa deles. A Sra. Hargen respirou bem fundo antes de se dirigir ao filho.

— Jack, está tudo bem — tentou tranquilizar o filho. — Estamos em casa.

— Eu sei — respirou fundo. — Não contem a Bea, por favor.

— Não contaremos — prometeu, mesmo não concordando com aquilo. — Mas acho que ela tem o direito de saber, afinal, existem chances de ela ser também.

— É melhor que isso fique entre nós — disse. — Seria perigoso demais se ela soubesse e isso se espalhasse. Pessoas ruins poderiam ir atrás dela.

— Eu entendo.

Então eles desceram do carro e foram na casa de Lovatelli para buscarem Beatrice, que logo voltou para a casa com os pais e o irmão. Quando finalmente entraram em casa, Beatrice os encarou.

— Agora podem me contar o que aconteceu? — Pediu.

— Jack se meteu em uma encrenca na universidade e foi expulso — a mãe deles mentiu.

— Expulso? — Achou aquilo estranho. — Isso não se parece com o Jack. — Então encarou novamente os pais e os irmãos. — Estão mentindo para mim.

— Não estamos mentindo — o pai interviu. — Seu irmão se envolveu em uma briga na qual saiu um ferido grave e decidiram por expulsa-lo.

— Isso é muito estranho.

— Essa é a verdade, Bea — disse seco antes de sair dali e se trancar no quarto. Sentou-se na cama e cobriu os olhos com as palmas das mãos, foi quando notou que Megan estava ali.

— O que você quer?

— Uau, você não fez o teste — disse. — Algo sério deve ter acontecido.

— Eu não tô com tempo para isso, apenas diga o que quer — pediu.

— Quero saber o que aconteceu — Jack descobriu o rosto e fitou a garota. — Nêmesis? Nexus?

— Acabei usando os meus poderes, um garoto se feriu e tive que fugir antes que suspeitassem de mim — explicou.

— Você usou os seus poderes? — Estava surpresa. — E depois você fala de mim.

— Já acabou? — Questionou seco. — Porque eu quero ficar sozinho!

— Estava tentando ser sua amiga, idiota — disse e então sumiu.

***

Maio de 2014

Jack estava deitado em sua cama ouvindo música pelo fone de ouvido, quando percebeu a irmã na porta.

— O que quer? — Perguntou vago.

— É que vamos a um parque de diversões...

— Ok, eu aviso a mamãe e o papai quando eles chegarem — a interrompeu.

— É que precisamos de um adulto para nos acompanhar — então o fitou, fazendo-o com que entendesse.

— Não.

— Por favor — entrelaçou as mãos. — A gente promete que não dá trabalho.

— Não, Bea...

— Jack... — Fitou-o. — Faz tempo que você não sai de casa, é perfeito.

— Eu não quero sair...

— Por favor, Jack!

— Ok — se deu por vencido e levantou-se. — Eu vou com vocês.

Quando chegaram ao parque de diversões, Wanessa, Megan e Beatrice se separaram de Jack para poderem ir aos brinquedos, sozinho, Jack ficou sentado em um banco observando a todos no parque. Queria ir aos brinquedos, mas sentia-se mal, estava assim desde o incidente na universidade. Estava confuso sobre muitas coisas.

No final da tarde, as garotas o encontraram para ir embora, até que viram um fotógrafo cobrando para tirar fotos. Então, após muita persistência, elas conseguiram convencer Jack a pagarem o fotógrafo para tirar uma foto do quatro. Então na volta, as garotas não paravam de falar sobre o dia no parque e sobre a foto. Estavam muito felizes, mal sabiam o que as esperava em alguns meses.

***

Julho de 2014

Era noite, Jack havia acabado de terminar o jantar e após isso ele se trancou no quarto e lá ficou até receber uma estranha mensagem de Bernie.

"Me encontre no posto, algo que preciso te contar"

Mesmo estranhando aquilo, Jack decidiu que iria. Então ele saiu escondido e antes de ir passou pela casa de Megan, jogou algumas pedrinhas na janela e esperou que a garota aparecesse ao lado dele.

— Megan — mostrou a garota a mensagem de Bernie.

— Você vai? — A garota achava aquilo muito estranho.

— Vou — decidiu. — Se for uma armadilha ou algo assim...

— Cuide da Beatrice — ela já sabia o que ele diria. — Pode deixar.

Assim, Jack partiu e foi até um posto de gasolina próximo dali. Ao chegar lá, ficou esperando Bernie, que não apareceu.

— Jack — um funcionário do posto o abordou. — Meio tarde para estar aqui.

— Sim — disse. — Viu o Bernie?

— Não.

— Ok, eu já vou indo — então Jack saiu do posto e quando estava um pouco longe, o barulho de uma explosão quase o ensurdeceu. Ele olhou para trás e viu o mesmo posto em chamas. Era inacreditável.

***

Dois dias depois, todos falavam do suposto atentado a um posto de gasolina. Não haviam notícias de Bernie, preocupada, Megan resolveu passar pelo apartamento dele e quando passou por lá, teve a surpresa de encontrar algumas viaturas policiais.

Sorrateira, ela caminhou entre os policiais e conseguiu escutar algumas coisas no rádio.

— Homem encontrado morto — um policial avisou no rádio. — Provavelmente suicídio.

Aquela palavra ressoou na cabeça de Megan. Suicídio. Não podiam estar falando de Bernie. Ele nunca faria isso. Ela precisava ver isso por si mesma. Então, sem ser percebida, ela entrou no prédio e usou as escadas para chegar ao andar de Bernie, ao chegar lá, encontrou a entrada do apartamento de Bernie com algumas fitas policiais.

Sorrateiramente, a garota entrou no apartamento e andou por ele. Na sala, encontrou um corpo coberto por um lençol. Bernie. Ela tentou descobrir o corpo, mas não conseguia. Colocou a mão sobre a boca ainda chocada. Não queria ver aquilo. Ela não conseguiria.

Então fechou os olhos e algumas lágrimas caíram. A garota finalmente teve coragem de descobri-lo e conseguiu vê-lo. Então fechou os olhos novamente e chorou incessantemente. Não podia ser. A garota entrou em estado de choque, a respiração ficou mais rápida, sentia que podia explodir a qualquer momento.

De repente, ouviu passos e desapareceu e reapareceu no banheiro, onde poderia ouvir tudo.

— Alguma informação sobre possíveis outros neo-humanos na área? — Uma voz perguntou.

— Estamos trabalhando nisso — respondeu.

— Ele seria mais útil vivo — repreendeu. — Com o poder dele, poderíamos achar o neo-humano que quiséssemos.

— Não foi culpa minha — justificou. — Ele tomou a arma e atirou na própria cabeça. Preferia morrer do que entregar algum amigo neo-humano.

— Então há mesmo algum neo-humano por perto — deduziu. — Fique de olho, vamos transformar esse fracasso em algo.

***

Megan ficou trancada no quarto a noite inteira, não queria ver ninguém, nem as amigas, nem a "tia". A tia. Sentia mais raiva dela naquele momento do que nunca. Sentia raiva da Nêmesis. Sentia raiva do mundo, de tudo.

Ouviu algumas batidas na porta, mas se recusou a abri-la. Não falaria com ninguém.

— Megan, é o Jack — o rapaz avisou e Megan finalmente abriu a porta.

— Como entrou?

— Pela janela, a sua tia acabou de sair — explicou. — Eu soube o que aconteceu com Bernie.

— Foi a Nêmesis — o olhar da garota estava vidrado. — Bernie se matou para não ter que entregar informação para eles.

— Eu...

— Não adianta, Jack — uma lágrima escorreu pelo rosto da adolescente. — Não adianta nos escondermos ou contermos nossos poderes. Eles sempre nos acham. As coisas não podem ficar assim.

— E o que podemos fazer? Estão por todo lado, se fizermos algo, seremos os próximos.

— Nós devíamos destruí-los, todos eles — gritou.

— Não podemos — argumentou. — Somos dois, eles são muitos.

— Saia daqui...

— Megan...

— Saia! — Ela gritou fazendo com que algumas lâmpadas explodissem.

— Megan...

— Eu estou tão cansada de você e suas regras — gritou se aproximando dele. — Seja discreta, é a melhor escolha. Estaremos seguros. Nunca estaremos seguros no mesmo mundo que eles! Nunca! — Deu um soco fraco no peito de Jack que não se moveu. — Se você tivesse visto... — Jack leu a mente de Megan e conseguiu visualizar Bernie morto. Era uma imagem terrível. Tão forte que o fez cair de joelhos. — Eles nunca vão parar.

***

Uma semana depois, Jack e Beatrice estavam em um mercadinho. Beatrice pegou algumas coisas em uma prateleira e as levou até o caixa, foi quando ela notou que todos no mercadinho encaravam ela e o irmão.

— O que está acontecendo? — Beatrice estava confusa. Jack pegou um jornal, leu a notícia de capa e entendeu o porquê daquilo e logo depois, Beatrice pegou o jornal das mãos dele e também leu a notícia de capa.

"Identificado Neo-Humano responsável por atentado"

Junto com a notícia havia uma foto do irmão dela no local do atentado. Beatrice percebeu que aquilo estava errado, aquele não poderia ser o irmão dela.

— Esse não pode ser você, você jamais faria isso, você estava comigo naquele dia — disse. — Isso está errado. — Beatrice disse e Jack percebeu os olhares hostis para ele.

— É melhor irmos embora — Jack saiu do mercadinho com a irmã e os dois foram correndo para a casa.

— Jack, o que está acontecendo? Por que estão dizendo que você fez isso? — Beatrice questionou ao chegarem em casa.

— Naquele dia do atentado, enquanto você e a mamãe estavam jantando, eu recebi o mensagem do Bernie e fui até o posto encontra-lo, mas quando eu cheguei lá, ele não estava, então assim que eu saí, tudo simplesmente explodiu — Jack explicou.

— Então você não fez nada — Beatrice deduziu e Jack começou a colocar algumas coisas em uma mochila. — Por que estão te acusando?

— É complicado — Jack respondeu terminando de colocar tudo o que precisava dentro da mochila. — Você precisa confiar em mim, eu não fiz nada.

— Eu confio — Beatrice garantiu. — Disseram que você é neo-humano, como nossos pais biológicos?

— É uma história complicada — Jack respondeu. Beatrice se lembrou de como Jack parecia assustado quando largou a faculdade. Para ela, com certeza as duas coisas estavam relacionadas. — Você precisa confiar em mim. — Após Jack dizer isso, o caos tomou conta da casa. Homens armados entraram pelas portas e janelas e separaram Jack e Beatrice.

— Jack! — Beatrice gritava enquanto os homens levavam Jack, outros seguravam Beatrice para que ela não fosse atrás do irmão. Jack tentou se soltar, mas um dos homens deu um tiro nele o que deixou Beatrice ainda mais desesperada. — Jack! — Ela conseguiu se soltar e correu atrás dos homens até o lado de fora, onde várias pessoas se aglomeravam para verem o que estava acontecendo. Beatrice tentou chegar perto do irmão, que parecia estar morto, mas os homens não a deixaram. Eles colocaram Jack dentro do carro e foram embora em seguida.

— Deve ser triste ser irmã de um terrorista — uma senhora comentou.

— Ele não é um terrorista! — Beatrice gritou e Megan finalmente conseguiu chegar até a amiga.

— Bea, o que está acontecendo? — Megan perguntou preocupada e Beatrice a abraçou.

— Eles mataram o Jack, Meg! Eles mataram o Jack! — Bea chorava. As duas foram para dentro e Beatrice passou muito tempo abraçada a amiga. — Por que eles fizeram isso? — Continuava chorando. — Ele não é mal. Ele é bom. Ele é meu irmão.

— Bea...

— O que aconteceu aqui? — A mãe de Beatrice perguntou assustada ao ver a casa toda revirada e Beatrice chorando. A garota correu até a mãe e a abraçou em lágrimas.

— Eles mataram ele, mãe — continuou chorando.

— Quem?

— Aqueles agentes, eles levaram o Jack, mataram ele!

— Levaram? — Questionou achando aquilo estranho. Por que levariam o corpo de um morto.

***

Um mês depois, as aulas haviam acabado de voltar, mas Beatrice faltou nos primeiros dias. Não sentia vontade de sair de casa, não queria fazer nada. Ainda estava muito abalada. As vezes tinha pesadelos onde a cena se repetia. Aqueles agentes invadiam a casa dele e matavam Jack. E de novo. E de novo. Já não aguentava mais. Passar pelo quarto do irmão era um sofrimento sem fim. Apenas ficar em casa já a fazia sofrer, mas sair causava o mesmo efeito. Tudo ao seu redor o lembrava.

Um dia, a campainha tocou e Beatrice atendeu, dando de cara com o advogado.

— Olá, a Sra Hargen está?

— Alguma novidade? — A mulher perguntou atrás de Beatrice.

— Na verdade sim — o advogado entrou e então olhou para Beatrice. — Precisamos conversar.

— Beatrice, vá para o seu quarto.

— Mãe...

— Por favor — pediu de maneira serena e a filha foi obrigada a obedece-la. Logo que ela saiu do recinto, o advogado resolveu contar tudo.

— Aceitaram ceder o corpo a família — avisou. — Contanto que façam um exame de DNA.

— Mas Jack é adotado.

— Sim, mas a garota é irmã biológica dele, certo? — Quis saber, a mulher estranhou aquilo.

— Sim, eu adotei os dois porque não queria que fossem separados — explicou.

— Então, provavelmente eles virão coletar uma amostra de DNA da garota e comparar com a do corpo — explicou.

***

Já havia passado algum tempo desde que Beatrice havia feito o teste de DNA, ela e a família desde então esperavam apreensivos. Até que finalmente o advogado apareceu com notícias. Naquele momento, Beatrice e Megan estavam no corredor e conseguiam ouvir tudo o que falavam na sala.

— As amostras batem, são compatíveis — disse. Aquilo não era surpresa para os pais. — Será necessário arrumar alguns papéis. Mas logo devem liberar o corpo de seu filho, que estava enterrado como indigente. Por ele já ter sido enterrado, o cadáver está em estado avançado de decomposição, é recomendado que o velório seja feito com caixão fechado.

— Fechado — a mulher não conseguia acreditar. — O mataram, fizeram o que queriam com o corpo e agora isso.

— Eu sinto muito, senhora. Mas é tudo o que eu posso fazer.

***

Dezembro de 2014

Era natal, aquele provavelmente era o mais triste da vida de Beatrice. Era estranho sem o irmão ali. Ela passou a noite inteira no quarto. Não via sentido em entrar no "espirito de natal".

— Bea — conseguiu ouvir a voz de Megan, enquanto ela batia na porta.

— Entra — então a garota entrou e sentou-se ao lado de Beatrice na cama.

— Tenho algo para você — então Megan entregou para a amiga uma caixa de chocolates com o desenho de um sorriso.

— Obrigada — Beatrice sorriu fraco pegando a caixa.

— Meus pais costumavam desenhar um sorriso sempre que eu me sentia mal — contou. — Não me fazia me sentir melhor, mas era algo.

— Você nunca falou dos seus pais — estranhou. E realmente, Megan nunca falava dos pais. Porque não conseguia se lembrar deles. Tudo o que sabia sobre os pais, havia sido contado pela tia. Mas a Outra, ela se lembrava dos pais. Lembrava perfeitamente da vida que tinha antes.