HL: The Other

9 Capítulo 8 - A Garota sem Rosto


Notas iniciais
Olá todo mundo o/ Dessa vez não demorei tanto o/ E o capítulo de hoje é provavelmente o mais esperado (pelo menos por mim que pensava nele - mais especificamente uma cena em especial, que tipo, muda tudo, mas se eu falar é spoiler e quero que descubram sozinhos - desde que a fic era só um rascunho. Quero agradecer ao Ls, pelo cross e por ter escrito esse capítulo comigo ♥ Também quero agradecer a Lines (ela é autora de PG, provavelmente vocês devem ler) pela betagem. Enfim, está aqui o capítulo, espero que gostem.

Beatrice, Wanessa e Jack continuavam segurando a caixa que Wanessa havia encontrado. Havia ali uma foto da Megan criança. Wanessa virou a caixa de cabeça para baixo e um monte de papéis, fotos e um caderno.

Beatrice, assustada, perguntou o que era aquilo, mas ninguém soube responder. Ela resolveu pegar e ler alguns dos papéis.

"Marge Lovatelli — Agente da Nêmesis"

— Espera, a tia da Megan trabalhava para as pessoas que te pegaram? — A garota perguntou para o irmão. Wanessa encontrou mais uma foto, uma que mostrava a cruel verdade. — Não pode ser...

De repente, Lovatelli entrou na casa e encontrou os três jovens ali.

— O que está acontecendo aqui? — a voz feminina fez com que os jovens se assustassem. Lovatelli estava na porta do quarto, de braços cruzados, observando-os com um olhar de reprovação. Não gostou nada de vê-los xeretando em suas coisas.

Tomada por um sentimento de revolta, Wanessa cerrou o punho e respirou fundo, antes de mostrar a foto para a mulher.

— Você quem vai ter que explicar.

***

Megan acordou bastante assustada. Tudo estava muito confuso, ela ainda sentia as dores de alguns dos ferimentos de quando a garota sem rosto a atacou. Não doíam tanto, mas incomodavam. Ela não teve muito tempo para pensar nisso, já que logo notou que estava amarrada a uma cadeira. O lugar estava muito quente, parecia um forno, estava se esforçando para não sufocar, o som de goteiras a rodeava. Ela não conseguia se lembrar de como havia ido parar ali. Na verdade, não se lembrava de nada depois do que aconteceu no colégio.

—Megan. — Ouviu de fundo. A voz parecia vir das sombras, chegando a ecoar por todos os lados.

A garota ficou mais assustada e começou a respirar depressa, quase ficando sem ar.

—Não precisa ficar com medo, criança... — a voz continuou, agora caminhando enquanto seu salto ecoava, onde ela surgiu na pouca luz, revelando-se ser Leona Peters. —Acredito que não esteja mais entre estranhos, por assim dizer. — Cruzou os braços sem tirar os olhos da menina. —Eu sei tudo sobre você e bom, já me viu e isso é o mais próximo das pessoas me conhecerem. Quero saber como se sente. Isso será fundamental para as próximas horas... —estendeu o braço a seu lado, onde uma cadeira saiu das sombras, arrastando-se até atrás dela. A agente sentou-se e cruzou as pernas, com os olhos fixos ainda em Megan. —...tenho todo o tempo do mundo, mas confesso que não sou paciente. — Apontou sutilmente as armas em seu coldre.

— O que está acontecendo? — Megan estava confusa e assustada. Leona suspirou, dando um sorriso contido.

—Estou aqui em nome da Nêmesis para resolver uma coisa. É algo de grande importância, já que estamos falando de um de seus produtos. Você. — a agente acusou com um sorriso de vencedora. —Você tem algo que foi desenvolvido por homens de minha corporação, algo que merecia ser melhor estudado. Sabe do que estou falando, não sabe?

— Não, eu não sei.

Megan não conseguia entender nada. O que estava acontecendo, como havia ido parar ali, do que Leona estava falando, era tudo tão confuso.

—Hmm... Okay. Eu disse que não sou paciente. —Leona puxou um cubo transparente de seu bolso. Ao pressioná-lo, imagens surgiram diante delas. —Por onde começamos?

Imagens de um atropelamento, mostrando Beatrice sendo levada ao hospital enquanto repórteres tentavam pegar o melhor ângulo possível de sua maca. Em seguida, imagens de Jason na escola, em casa ou se divertindo. Imagens precisas, ainda que tiradas de longe.

—Este é o Jason. Ele está morto. —Desviou os olhos das imagens para a garota. —Você o matou, Megan.

— O quê? — A garota não conseguia acreditar. Ela jamais seria capaz de matar alguém, nem mesmo Jason. — Eu não matei o Jason!

—Não? Não acredita em mim? Eu não minto quando se é necessário falar a verdade. — Acenou para outra imagem. —Esta é Karol. Soube que ela humilhou uma jovem cadeirante numa festa, não foi mesmo? Esta cadeirante que por acaso foi atropelada por Jason, a primeira vítima. — Leona apoiou-se nas próprias pernas, aproximando seu rosto dela. —Sei que tudo deve estar ficando estranho, mas ao mesmo tempo fica claro. Foi você Megan, esse tempo todo. Você mesma se enganando todos os dias, criando uma bola de neve crescente, com todos ao seu redor em ameaça e sequer percebeu isso. A pessoa que você teme é você mesma... está aí. — Mirou os dedos na cabeça dela.

— Eu não sei porque você está fazendo isso, ou como sabia o que o Jason fez, mas eu não fiz nada do que você está falando — tudo o que Megan queria era ir embora. — Por favor, me deixe ir.

Leona descruzou as pernas, recuando as costas na cadeira.

— Ah, claro. — riu baixo. —Esqueci de avisá-la que não sei agir sob pressão. — Com um sinal de mão mostrou a garota a entrada do enorme galpão. Estava aberta, rumo a um matagal escuro. —Pode sair daqui a hora que quiser. Não quero prendê-la e nem obrigá-la a me ouvir. E nem comecei a falar de seus pais, lembra-se deles não lembra?

— Meus pais morreram quando eu era muito pequena, seria impossível eu me lembrar deles.

Ela queria muito ir embora, e embora a saída estivesse aberta, ela ainda estava amarrada.

—Então não lembra como eles foram mortos?

— Não — Megan respondeu confusa. — Toda vez que eu tentava tocar no assunto, tia Marge desconversava.

—Marge Lovatelli. — Ouvir o nome entoado pela Agente da Nêmesis a causou surpresa. Leona notou que a surpreendeu. — A responsável por nos causar todo esse problema. Se não fosse ela, você estaria em casa, na Nêmesis, onde deveria estar. Quem sabe controlando melhor isso que você tem. — Pressionou o cubo mais uma vez, mostrando fotos da Agente Lovatelli, além de infinitos documentos dela e da própria Megan. — Agente Lovatelli, uma boa agente na Nêmesis pelo que ouvi falar. Pelo visto ela é bem... sentimental. Imagino que tenha dado bastante trabalho para ocultar você das buscas da Nêmesis por tanto tempo. Ela tirou você da corporação. Quer mais?

— Nêmesis? — sussurrou a garota, procurando entender tudo aquilo. Megan não sabia muito bem o que era, apesar de aquele nome soar familiar. Aquilo a deixou apenas mais confusa. A tia dela, agente? Aqueles documentos. Tudo o que Megan ouvia e via estava sendo ecoado na cabeça dela. Tudo estava bastante confuso, a visão às vezes embaçava e a cabeça começou a doer.

—Seus pais foram limpos pela Nêmesis, menos você. Tornou-se experiência da corporação e daí a Lovatelli fez o que fez e aqui estamos nós. — Leona insistiu. —Ela nunca foi sua tia e acredito que no fundo de sua consciência sabia disso, assim como sabia que era diferente e que tinha algo errado consigo mesma todo esse tempo. Você se culpa, por isso que se persegue. Não tem controle dos próprios atos e das próprias escolhas. Imagine se algo toma conta de seu corpo e queira matar seus amigos? Bom, até agora as vítimas não pareciam significantes, mas depois? — A agente juntou todo o ar que tinha, arrumando os cabelos e prosseguindo a conversa. —A outra não existe. Ela sempre foi você, Megan. E ela vai voltar, porque você sabe disso e eu também sei. Mostre-me.

— O quê? — Megan não conseguia entender. Um monte de imagens desconexas lhe veio à cabeça, memórias que não se lembrava, momentos que não se lembrava de ter vivido. A mãe a levando para a escola, o pai a ensinando a andar de bicicleta, os pais sendo mortos. — Não...

— Meg... — Era a garota sem rosto, ela ainda não conseguia ver o rosto dela.

— Você... — olhava para a outra garota perguntando se ela era real.

—Está tudo claro agora, não está? — A voz de Leona vinha tão desconexa quanto as imagens.

Megan tentou responder, mas as palavras não saíram e mais imagens apareciam. Os cientistas da Nêmesis a fazendo sofrer, ela aos poucos, perdendo a própria sanidade.

— Ela está tentando te atingir Meg, ignore ela, ignore tudo o que está na sua cabeça — a garota pediu andando em direção a Megan. — Concentre-se apenas em mim.

— Eu não posso — respondeu.

—Onde ela está, Megan? Não consigo vê-la. — debochou Leona.

Quanto mais Megan ouvia, mais se lembrava. Como viveu a vida inteira dividindo a si mesma com outra pessoa, uma pessoa que morava na cabeça dela, ela mesma. Ela se lembrava de ter matado Jason. Se lembrava de ter matado Karol quando esta atacou Beatrice.

— Chega! — Megan já não aguentava mais.

— Isso, Megan! —Leona parecia curiosa, mas ainda sim precavida. A mão já estava no coldre, preparando-se para qualquer hostilidade vinda da garota.

Então Megan se lembrou, no colégio, ela estava sozinha. Ela mandou uma mensagem para si mesma, ela se machucou, ela tentou se matar. Era ela o tempo todo. Leona estava certa, nunca houve uma Outra.

— Meg — a garota sem rosto disse mais uma vez. Ela finalmente foi em direção a luz, e Megan viu o próprio rosto, a única diferença é que a outra garota tinha cabelos vermelhos. Com tudo aquilo, a única resposta que Megan conseguiu ter foi gritar. Ela gritou o mais alto que pôde e só parou quando sentiu algo sair de dentro de si. Ela olhou em volta, viu que estava desamarrada e se levantou.

Leona se levantou no mesmo instante, já armada e com mira firme.

—Megan? — Certificou-se, sem sequer piscar. —Não é com ela que estou falando, não é mesmo?

A garota deu um sorriso, Megan não estava mais ali.

— Depende de qual Megan você esteja falando — ela olhou Leona e um sorriso doentio se formou em seu rosto, trazendo a tona toda sua insanidade.

—Era a qual eu realmente gostaria de falar. — Leona levantou uma das mãos, mostrando a ela as passarelas metálicas acima dos enormes caldeirões da metalúrgica em operação. —Tem homens meus ali. Lá fora também...

E assim que ela falou, soldados armados apareceram, com miras lasers movendo-se pelo peito da adolescente.

—Os assassinatos, Megan. Porque? Porque se ausenta da mente dela? Porque não admite a si mesma que os matou?

— Sim, eu admito, eu os matei — a garota disse. — O problema é, ela não admite.

—O que não a torna capaz de ser inconsciente? Porque duas?

— Há perguntas difíceis, como por que a Nêmesis mata? — disse. — Mas respondendo, é bem simples, uma precisa da outra.

—E porque a controla quando quer? Sei que ela tem controle, mas você a engana. Não são duas pessoas, é a Megan. Uma apenas, um corpo, uma vida e uma mente. — Destravou a arma. —Um tiro em seu peito não livrará nenhuma das duas. É o bastante.

— Você está certa, sou apenas uma, o que significa, das duas, uma não é real — respondeu. — O lance é adivinhar qual é real, quem realmente vai morrer se você atirar.

—Está brincando com a pessoa errada. Não sou a Lovatelli! — Firmou a mira.

— Eu sei que não é, porque ela é uma idiota — aquela garota não gostava de Lovatelli como a outra.

—Então existe chances de você aceitar seu destino. A outra não entende a Nêmesis, mas você parece que sim.

— Eu não entendo a Nêmesis, apenas sei quem realmente são — de repente, algo veio a cabeça da menina. — Aparentemente, nem tudo o que não é real está apenas na minha cabeça. Me diga, onde realmente estamos?

—Metalúrgica no fim da cidade — respondeu.

— Metalúrgica — Megan começou a rir incessantemente. — Quer mesmo que eu acredite nisso?

Leona deslizou a mão pelo coldre, sem tirar os olhos da menina. Estava sorrindo, ainda que mantivesse a sua pose cautelosa e rígida.

— Nunca duvide de mim. Estamos aqui, realmente. — Acenou, deixando que os guardas destravassem suas armas ao mesmo tempo, causando um eco de clicks ao redor do local. —Gosta de blefar, Megan?

— E você?

— Eu não gosto de perder tempo. James!

Do meio das sombras, James surgiu, deixando a outra Megan surpresa e um tanto assustada. Era como um fantasma branco que transparecia na escuridão sem qualquer ruído ou indicação de sua presença. Apenas apareceu.

As mãos do telepata foram a cabeça, lançando uma rajada telepática na garota, que foi jogada para trás com tamanho impacto. Permaneceu no chão, com o punho contra o solo e um dos joelhos dobrados.

—Estou com ela, mas ela está resistindo! — Avisou.

—Não importa como, mas quero ela viva! — Leona bradou, apontando a arma para a garota ainda imóvel.

A garota se levantou e colocou as duas mãos atrás da cabeça, então ela fechou os olhos e um segundo depois, desapareceu e apareceu novamente atrás de Leona. Foi quando ela lançou um raio de energia contra a agente.

A mulher foi jogada com violência contra a parede, caindo no canto do local, onde James se pôs a frente dela e ainda com seus poderes criou impactos telecinéticos que tentavam afastar Megan. Estava assustado, mas ainda assim não tinha intenção de matá-la. A garota fez novamente seu truque, aparecendo atrás dele e tentando acertá-lo com a mesma rajada, mas ele desviou com um movimento de mãos, o que a fez saltar em seu pescoço, chegando a tirá-lo do chão. Com agilidade, o de cabelos brancos causou um impulso abaixo de si, fazendo-o voar junto com Megan para as passarelas acima deles, onde caíram rolando pela estrutura de metal, cada um indo para um lado.

—Leona! — Chamou o telepata, vendo a Agente procurando forças para se levantar abaixo de si. Atrás, Megan se levantava como se nada tivesse acontecido.

— Não importa quanto tempo passe, vocês nunca mudam — Carregou as mãos de energia, pronta para atacar novamente.

—Mas é aí que você se engana! —James exclamou, já com os olhos completamente brancos.

Seu poder telecinético resumiu-se num impulso que atingiu a outra como um soco, fazendo seu corpo arrastar-se pela ponte metálica que começou a ranger. De pé, o telepata começou a manipular as estruturas da mesma, retirando seus parafusos e deixando-a sustentada apenas pelo seu poder e juntos começaram a flutuar ao redor da metalúrgica.

—Boa tentativa! — Cuspiu, começando a correr pela ponte. Era rápida, começando a distorcer sua própria imagem na intenção de enganá-lo mais uma vez. James não se moveu e antes que ela conseguisse se teleportar, seu corpo foi parado e ela caiu sob a estrutura da ponte e assim, James a jogou contra a parede junto com toda a estrutura metálica.

—James! — Leona gritou, mas já era tarde.

O choque destruiu completamente a ponte e Megan conseguiu cair antes que fosse esmagada pelos destroços. No chão, livrou-se dos pedaços de metal que caiam de ponta contra o chão, mas no fim acabou cercada por eles. Estava cansada, apoiada nas barras e ainda com um sorriso no rosto.

—Sabe que isso não é o suficiente para mim, não sabe? — Ela disse.

—Sei. Mas é para mim! — Leona disparou, acertando o braço dela e fazendo-a cair na prisão improvisada de James, que estava lá dentro e segurou a cabeça da jovem, entrando em sua mente. Aos poucos, conseguia invadir o subconsciente dela, onde suas personalidades lutavam pelo controle…

— O que você está fazendo? — Megan perguntou.

— Nos salvando sua tonta — a de cabelo vermelho respondeu.

— Não, você está nos matando.

— Até a morte é melhor que eles!

James mantinha os olhos nas duas, mantendo o campo mental ao redor delas resistente o bastante, para que a furiosa não obtivesse o controle.

—Megan, você está machucando pessoas. O corpo é seu, a mente é sua, você pode controlar isso. Ela é você! — James clamava, falando com a que seria incapaz de atacar qualquer pessoa. A que achava que era vítima. — Ela matou pessoas, pode matar seus amigos! Você não é um monstro!

— Dá para ficar quieto? — A de cabelo vermelho falou com James e então voltou a olhar para Megan. — Você sabe o que eles fazem com pessoas como nós? — A de cabelos vermelhos observava Megan procurando as palavras certas. — Acredite, eles não matam, não inicialmente, eles fazem muito pior, eles te fazem querer morrer.

— E você é diferente deles? — Megan questionou. — Você matou aquelas pessoas.

— E você acha que eu sou um monstro sedento de sangue, que eu os matei por diversão? — Debochou. — Eu os matei porque era o que você queria, você só tinha medo de pensar nisso, mas sabe que é verdade.

— Eu nunca quis que eles morressem — argumentou e fez a de cabelos vermelhos rir.

— Você passou o último ano desejando que o Jason pagasse pelo que fez — lembrou. — E você odiava a Karol, porque ela era uma imbecil, uma pessoa muito irritante.

— Eu...

— Não fui eu quem bati na Karol, foi você — interrompeu. — Admita Megan, eu só faço o que você não tem coragem.

— Não! — Gritou. — Você é um monstro e você mata porque essa é a sua natureza.

— Então é a sua também — rebateu. — Afinal, teoricamente somos a mesma pessoa. — Afirmou. — Agora, adivinhe quem nos tornou assim? — A garota de cabelo vermelho olhou para James.

James recuou, usando a capacidade de projeção astral para criar correntes ao redor da Megan indesejada, que lutava contra as mesmas.

—Só você pode decidir, Megan. Você é sóbria e consciente. — Insistiu. —A Nêmesis pode destruir tudo, mas... — paralisou, pensando no que ia falar. —... você decide se o mal irá ou não lhe corromper. Não deixe que ninguém faça isso, nem você mesma. A mente é sua! —Esforçou-se ao máximo para manter a outra personalidade presa, sentindo suas capacidades mentais oscilar. Seu tempo na mente dela estava acabando. Já podia ouvir Leona o chamando fora.

— Você quer saber a verdade, Megan? — A de cabelos vermelhos questionou. — Eu criei você, e sabe por que? Porque eu queria esquecer tudo, porque eu queria ser uma pessoa doce, porque eu queria gostar da Lovatelli, mesmo eu a odiando profundamente, mas ao invés de eu ser você, eu criei alguém que roubou a minha vida.

— Por que fez tanto mal? — Questionou.

— Porque era a única maneira de eu conseguir viver — admitiu. — Sabe quantas vezes eu poderia ter matado a Beatrice? Ou a Wanessa? Até mesmo o idiota do Jack? Mas eu não fiz, porque eu não tenho nada contra eles.

James cedeu as correntes, fraquejando.

—Então sabe o certo a se fazer. — Livrou a Megan assassina de qualquer prisão que a poderia segurar na própria mente. — Se a criou, quer dizer que se importa com o mundo exterior, com as pessoas a sua volta. — James usou seus poderes para criar imagens ao redor deles com os momentos de Megan com as amigas e pessoas próximas. — Quer o bem deles, nem que seja matando, não quer? Só que uma hora eles irão ver que você é o maior perigo e a pessoa que protegia se torna o grande monstro.

— Me desculpa Megan, mas eu não vou com eles — a assassina partiu para cima da outra e tentou sufocá-la.

Fora, Leona assistia Megan entrar em convulsão enquanto Jaime gritava e voltava a si, correndo para perto da garota.

—O que você fez? — A agente indagou.

—Eu... elas... ela está lutando para obter o controle...

—Lutando?

—Contra ela mesma.

A garota tentava puxar o ar, mas a ruiva a impedia com as mãos em volta do pescoço dela.

— Por favor me escuta.

— Por quê? Para que você pegue o controle e estrague tudo? — A assassina continuava a sufocar a outra.

— Não sou eu que vou estragar tudo, é você — Megan disse com dificuldade. — Você... Está... Nos matando. — Só então a de cabelos vermelhos percebeu que se matasse a Megan, ela iria junto. Ela finalmente soltou a Megan e então tudo se apagou.