HL: The Other

15 Capítulo 10 - Parte 1 - Em Círculos


Notas iniciais
Olá, finalmente chegamos aqui o/ Esse era para ser o último capítulo, mas novamente, o capítulo ficou muito grande (umas 7.000 palavras) e por isso, dividi esse capítulo em duas partes, a segunda parte foi agendada para semana que vem, aproveitem o/

Dallas — Texas — 2005

Ao final da tarde, Beatrice, de seis anos, que recentemente havia aprendido a patinar, depois de insistir bastante, conseguiu que os pais deixassem Jack, seu irmão mais velho que tinha onze anos, leva-la para uma pista perto de casa, onde poderia patinar.

Os dois foram para a tal pista e ficaram lá por horas, Jack apenas havia ido porque os pais haviam mandado, não queria realmente estar ali então não estava muito feliz, diferente de Beatrice, estava tão eufórica quanto nunca havia estado.

Ficaram por lá até o horário que a pista fechou, obrigando Beatrice a concordar a voltar para casa, para a felicidade de Jack que não via a hora de ir embora.

Logo que chegaram, estranharam ver a porta aberta, mesmo assim entraram e viram como a casa estava silenciosa e aparentemente vazia.

— Mamãe, papai — Beatrice os chamou, mas ninguém respondeu.

— Procure eles nos quartos, vou tentar ver na cozinha — Jack propôs, e assim, as duas crianças se separaram e foi cada uma para um canto. Logo que Jack entrou na cozinha, o que encontrou lá era chocante. A mãe estava caída sem vida, havia muito sangue no local e um corte muito grande e profundo na barriga dela. Conteve um grito, antes de correr até a irmã, que estava no quarto dos pais. — Nós temos que ir!

— O que está acontecendo? — Ela perguntou confusa.

— Precisamos pedir ajuda — Foi tudo o que disse. Ele correu até a casa de uma vizinha, segurando Beatrice pela mão, e bateu desesperado na porta até que a mulher os atendeu.

— O que está acontecendo? — A mulher perguntou preocupada.

— Por favor, precisamos de ajuda — Jack disse desesperado. — A mamãe... Ela... — Ele tentava dizer, mas era difícil com a irmã ali, porém, precisava pedir ajuda. Aquele conflito fazia com que ele atropelasse as palavras.

— Jack, calma — a vizinha pediu. — O que está acontecendo.

— A mamãe, ela... — Ele não conseguia dizer. — Por favor, chama a ambulância, a policia... Eu não sei.

Mesmo sem entender, a mulher ligou para a emergência, e logo a rua foi invadida por ambulâncias e carros policiais. Além do corpo da mãe das crianças, o corpo do pai foi encontrado na garagem, ele estava amarrado ao teto com uma corda no pescoço, não haviam ferimentos nele, pelo menos, nenhum aparente. Logo, os policiais tiraram a conclusão de que ele havia matado a esposa e se matado em seguida.

Um dos policiais foi até a mulher que havia ligado, ela estava em frente à casa, chocada com os acontecimentos.

— Senhora — ele a chamou. —, foi você quem ligou?

— Sim.

— O que aconteceu?

— Eu não sei exatamente — respondeu. — O menino foi correndo até a minha casa e não falava coisa com coisa... Tem certeza que o pai deles fez isso mesmo?

— Tudo leva a crer que sim — o policial disse.

— Mas eu os conheço há anos — A mulher não conseguia entender. — Nunca houve uma briga, desentendimento, nada. Eles pareciam felizes, eram ótimos pais.

— Por falar nelas, onde estão as crianças? — O policial questionou.

— Estão na minha casa — respondeu. — A menina ainda não sabe o que aconteceu.

***

Dias atuais...

Tiffany levantou naquela manhã e logo descobriu, por meio de mensagens, que alguma coisa estranha havia acontecido no Colégio na noite anterior. Ela ligou para todas as colegas da lista de contatos até conseguir falar com Emma, cujo nome verdadeiro era Gisele, mas ninguém, exceto a Nêmesis, sabia.

— Emma...

Ah.. Oi Tiffany... — respondeu, não parecia muito interessada na conversa.

— Emma, você sabe o que aconteceu no Colégio? — questionou tentando saber mais alguma coisa.

Aconteceu alguma coisa no Colégio?

— É... Eu não entendi direito o quê, mas estão falando que tem uma menina desaparecida — Tiffany disse.

Nossa, que menina?

— Sei lá, pensei que você soubesse — argumentou.

Não sei não — Emma disse. — Se você souber mais, você me liga?

— Sim, é claro!

***

Megan acordou em um lugar estranho e completamente confusa. Aos poucos, sua memória foi retornando e ela foi se lembrando de tudo. De quem realmente era, como havia ido parar lá e da "Outra".

— Aposto que vai fazer alguma pergunta do tipo "O que aconteceu?" "Onde estou?" — Conseguiu ouvir. Ela se virou e viu a Outra ali do seu lado. — Se quer saber, estamos presas na Nêmesis e é tudo culpa sua.

— Minha? — Megan não conseguia acreditar naquilo.

— Sim, e tenta não falar porque você está sendo vigiada — apontou para uma câmera. — Por sorte, eles não podem me ver porque estou apenas na nossa cabeça, então vamos tentar uma comunicação não-verbal, ok?

Megan havia entendido aquilo perfeitamente, mesmo assim estava confusa.

— Você entendeu — a Outra sorriu.

Megan apenas a olhava confusa, tentando entender o que a Outra queria que ela fizesse.

— Não quero que faça nada — respondeu. — Deixa tudo comigo.

— Não! — Megan deixou escapar, e logo olhou para Outra, como em um pedido de desculpas. Megan estava com medo, não confiava na Outra. Como poderia confiar?

— Não? — A Outra questionou incrédula.

Megan não confiaria na Outra tão cedo. Agora que tinha consciência sobre a consciência dela, jamais a deixaria tomar o controle novamente, não deixaria que ninguém mais se machucasse.

— Você não tem escolha, sou sua única chance — A Outra argumentou.

Megan ainda se recusava, não queria A Outra no controle, nem ao menos queria ela ali, queria estar sozinha com seus pensamentos, mas nunca estaria.

— Quer ficar presa aqui? — A Outra questionou.

Megan acreditava que assim que saíssem dali, A Outra poderia voltar a machucar as outras, e assim como James disse, talvez machucar aqueles com quem ela mais se importava.

— Vou tomar o controle de um jeito ou de outro, você pode tornar as coisas mais fáceis.

— Eu devia ter deixado a Leona nos matar — Megan soltou e viu a Outra olha-la de modo repreensivo, ela havia falado. — Que se foda as câmeras, não vou te deixar no controle, nunca mais.

— Vai mesmo colocar tudo a perder? — questionou.

— Fico trancada aqui para sempre se essa for a única maneira de você nunca mais machucar ninguém — Estava decidida.

— Mesmo que isso acabe atingindo a Bea, ou a Wanessa? — A Outra questionou, atraindo logo a atenção de Megan. — O quê? Pensa que sou o grande perigo para elas? O que acha que a Nêmesis vai fazer? Deixa-las em paz? — Megan continuou-a encarando. — Talvez eles prendam o Jack de novo, ou fiquem por perto da Bea e da Wanessa, apenas esperando que a sua songamonguisse acabe para que eles possam ir até lá e fazê-las te convencer a cooperar. Talvez eles até estejam indo pega-las agora mesmo, para terem uma garantia.

Megan ficou bastante pensativa quanto aquilo, ela não conhecia a Nêmesis, não tanto quanto a Outra dizia conhecer, ela não queria que nada de ruim acontecesse as amigas.

— Sabia que cooperaria.

***

Tiffany havia decidido. Iria até a casa de Beatrice, talvez ela soubesse algo, ou na pior das hipóteses, ela seria a garota desaparecida. Quando Tiffany saiu de casa, Gisele a viu de longe e decidiu segui-la.

Enquanto isso, na casa de Megan, Beatrice, Jack e Wanessa estavam na sala, ouvindo Lovatelli contar toda a história. Jack já sabia daquilo, mas Wanessa e Beatrice não, as garotas estavam completamente chocadas. Lovatelli contou tudo, desde o que aconteceu com os pais de Megan até como ela conseguiu tira-la da Nêmesis. E Jack completou a história explicando sobre a Outra Megan.

— Eu não consigo acreditar — Beatrice olhava para baixo, algumas lágrimas escorriam. Ela olhou primeiramente para Jack. — Você escondeu isso de mim! — Então olhou para Lovatelli e não sabia o que sentir, a mulher havia salvo Megan, mas também havia matado os pais dela. — Como você consegue dormir?

— Bea... — Wanessa tentou falar com a amiga que logo a cortou.

— Todos esses anos vocês varreram a sujeira para baixo do tapete e torcendo para que nunca viesse à tona — Beatrice tentava ainda entender tudo aquilo, raiva e confusão estavam misturadas na cabeça dela.

— Essa Nêmesis — Wanessa disse hesitante, aquilo era bastante confuso para ela também. — Eles pegaram a Megan?

— Eu não sei — Jack respondeu preocupado. — De qualquer forma, podem tentar usar os pontos fracos dela contra ela.

— E no caso, somos nós — Beatrice deduziu. Ela e Wanessa eram as únicas amigas de Megan e provavelmente uma das poucas pessoas que a "Outra" jamais machucaria.

— O melhor seria tirar vocês daqui — Lovatelli disse.

— Não — Wanessa não aceitou aquilo, assim como Beatrice.

— Eu não vou sair daqui, não enquanto a Megan não estiver segura. — Beatrice estava decidida.

— Não é uma questão de escolha — Jack disse. — A Megan não estará segura se a Nêmesis estiver com vocês.

— Mas temos que achá-la — Wanessa disse.

— Sim, mas primeiro vocês precisam estar seguras — Jack insistiu.

— Jack — Beatrice chamou o irmão. — Quantas coisas sem explicação tem a Nêmesis por trás?

— Muitas — respondeu.

— O que aconteceu com o Bernie é uma delas? — questionou ao se lembrar da morte do amigo do irmão.

— Sim — ele confirmou. De repente, eles ouviram batidas na porta e ficaram apreensivos, com medo de quem poderia ser. — É a Megan.

Rapidamente, Wanessa abriu a porta e abriu a amiga assim que a viu.

— Megan? — Jack testou para ter certeza.

— Acho que sim — respondeu confusa. Então ela entrou e Wanessa fechou a porta. — Acho que todos vocês já sabem de tudo, certo?

— A Lovatelli e o Jack contaram tudo — Wanessa disse.

— Jack — Megan olhou para ele. — Então você sabia o tempo todo?

— Eu sinto muito — Jack pediu, confirmando aquilo.

— Você não estava morto? — questionou cética.

— É uma história complicada — Jack tratou de responder.

— Assim como a Nêmesis — Megan o interrompeu. — Assim como todas as coisas estranhas que aconteceram de alguma forma está ligada a eles.

— Megan — Lovatelli tentou falar com a garota que logo a cortou.

— É muito estranho falar sobre isso.

— Você não precisa — Lovatelli interviu. — Não se você não quiser.

— Não — Megan cortou-a novamente. — Eu quero falar sobre isso. — Respirou fundo e olhou para a suposta "tia". — É verdade que trabalhava para a Nêmesis?

— Megan...

— É verdade? — perguntou novamente.

— Megan — Beatrice pediu. — Não precisa fazer isso.

— Quantas pessoas matou? — Megan questionou.

— Megan — Foi a vez de Jack interferir.

— Meus pais estão nessa lista? — questionou.

— Megan, não precisa fazer isso com si mesma — Wanessa tentou chama-la de volta a razão.

— Fazer o quê? — questionou. — Tudo é uma mentira, minha vida é uma mentira, quem eu sou é uma mentira, meus sentimentos, pensamentos, tudo mentira.

— Isso não é verdade — Wanessa disse.

— E o que é verdade? — Os olhos de Megan se encheram de lágrimas. — Eu não sou real, eu fui criada por essa Outra, que pode aparecer na hora que ela quiser e fazer qualquer coisa, eu não posso porque não sou real.

— Você é real para mim — Era o que Beatrice acreditava. Ela acreditava que a melhor amiga era real, que tudo o que viveram era real. Ela não apenas acreditava, ela tinha certeza, ela sabia.

— Infelizmente, isso não me torna real — Megan então pegou uma arma que escondia consigo e apontou para a própria cabeça o que fez os outros gritarem.

— Megan, por favor — Wanessa pediu assustada. — Não faça isso!

— Por que não? — Via mais razões para atirar em si mesma que para continuar vivendo. — Eu não sou real, não faz diferença.

— Você não pode fazer isso — Lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Beatrice, ela sentia muitas coisas, tinha medo de perder a melhor amiga. — Por favor.

— Mas por que não? — Megan continuou com a arma apontada para si mesma.

— Porque... — Beatrice estava escolhendo as palavras cuidadosamente. — Podemos achar um jeito, juntas, apenas, abaixe essa arma.

— Jeito? Que jeito?

— Não sei, mas não está sozinha — Beatrice tentou se aproximar. — Você sabe que tem a mim e a Wanessa.

— Eu não sei se é suficiente.

— Será se você acreditar — Beatrice disse. — Por favor, Meg... Apenas... Fique com a gente, por favor.

— Eu não acho que as coisas voltarão a ser como antes — Aos poucos, Megan abaixava a arma.

— Não, mas elas ainda podem ser boas — Beatrice argumentou. Megan parecia mais calma. — Talvez melhores. — E ao ouvir isso, Megan começou a rir de maneira estranha.

— Você realmente acredita nisso? — perguntou de maneira debochada. Não era a Megan, e todos ali perceberam isso.

— Você é a...

— Queria fingir que não te conheço — A Outra interrompeu Beatrice. — Mas eu te conheço.

— Mas eu não te conheço — Beatrice respondeu, os outros ali apenas observavam.

— Conhece sim — sorriu. — Só não sabia.

— Megan — Lovatelli tentou intervir, mas a Outra levantou a mão a interrompendo.

— O que você achava? Que apenas me tirar da Nêmesis bastaria? Que eu esqueceria tudo, que estaria bem? — questionou a encarando. — Você estava lá quando mataram os meus pais. Você estava lá quando arruinaram a minha vida, você é uma deles.

— Não, Megan...

— Deixa eu adivinhar... Você tentou? — riu de maneira debochada. — A menos que tenha uma máquina do tempo, nada do que fizer será o suficiente.

— Megan — Jack tentou chama-la, mas a garota não queria deixa-lo falar.

— Megan, ela é sua tia — Wanessa tentou intervir.

— Não, ela não é — A garota apontou a arma para Lovatelli. — Como se sentiu quando apontou uma arma para os meus pais?

— Megan — Lovatelli levantou as mãos tentando nao fazer movimentos bruscos.

— Megan, por favor — Beatrice pediu, com medo que a amiga, ou quem estivesse ali, fizesse.

— Eu lembro como me senti — Ela simplesmente ignorou Beatrice. — Eu estava tão assustada, confusa, eu não conseguia entender o que estava acontecendo.

— Megan, olha para mim — Beatrice pediu e novamente foi ignorada.

— Mas você não é uma criancinha, Marge Lovatelli — Fez questão de enfatizar cada letra do nome de Lovatelli. — Quer saber como eu me sinto segurando essa arma?

— Megan, você não precisa fazer isso — Novamente, Beatrice foi ignorada.

— Sabe, eu me sinto até bem — respirou fundo um tanto eufórica. — Me pergunto como vou me sentir quando atirar.

Antes que Megan pudesse atirar em Lovatelli, Wanessa se colocou entre elas a impedindo de tomar qualquer atitude.

— Saia da frente! — Megan gritou.

— Não vou deixar que faça isso — Wanessa permaneceu firme ali.

— Não quero te machucar — Megan insistiu.

— Eu sei que você não vai — Wanessa respondeu e continuou ali, entre Lovatelli e a Outra.

— Megan — Beatrice chamou e dessa vez a Outra olhou para ela. — Você não precisa fazer isso.

— Você já disse isso — a Outra respondeu.

— Mas dessa vez você ouviu — Beatrice respondeu e encarou a Outra.

— Você não sabe o que ela fez, você não entende.

— Eu já sei de tudo — Beatrice disse. — Não sei muito sobre você, mas sei que sempre esteve aqui, sei que está sofrendo, e também sei que seus pais desenhavam um sorriso quando você estava triste.

— Você ainda lembra disso? — A Outra não conseguia acreditar naquilo.

— Era você — Beatrice disse.

— Me diga porque eu não deveria fazer isso? — A Outra encarava Beatrice fixamente.

— Porque você não é um monstro.

A Outra olhou para baixo e respirou fundo antes de voltar a olhar para Beatrice.

— Você definitivamente não sabe nada sobre mim — disse.

— Não sei? — questionou cética. — Você definitivamente sentiu algo quando eu disse que não é um monstro.

— E por que isso importaria? — Também questionou.

— Um monstro não reagiria — respondeu. — Nem ao menos me ouviria.

Aquilo pareceu deixar a Outra pensativa, até um pouco distraída. Foi o suficiente para que Jack conseguisse pular em cima dela e lhe tomasse a arma. Não se dando por vencida, a Outra tentou pegar a arma de volta e partiu para cima de Jack. Tentando evitar que a garota recuperasse a arma, Jack a pegou pela cabeça e tentou invadir a mente dela, mas estava hesitante.

— Por favor — pediu a segurando enquanto ainda tentava entrar na cabeça dela. — Eu não quero te machucar.

Repentinamente, ela conseguiu levantar uma das mãos e usou os poderes gerando um impulso que jogou Jack contra a parede.

— Esse é o seu problema, Jack — A Outra pegou a arma caída. — Você pensa demais.

A Outra então voltou a apontar a arma para Lovatelli e novamente Wanessa se colocou entre elas.

— É a última vez que digo isso, saia!

— Não! — Mesmo com medo, Wanessa continuou ali. — Não vou deixar que minha amiga vire uma assassina.

— Não somos amigas — A Outra então usou os poderes e jogou Wanessa para longe de Lovatelli. Em seguida, a garota colocou a arma na cabeça da "tia". — Algum último desejo idiota?

Então Jack, enfim, conseguiu entrar na cabeça da garota, que gritou e deixou a arma cair, suas consciências estavam oscilando, nada parecia fazer sentido, memórias, cores, tudo estava embaralhado. Tonta, a garota acabou caindo.

— Megan — Wanessa correu até a garota e se abaixou para ficar na mesma altura. — Megan?

— Wanessa — perguntou confusa, era Megan ali. Rapidamente, as duas se abraçaram. — O que aconteceu?

— Não importa — Wanessa desfez o abraço.

— Ela apareceu — Megan deduziu.

— Não importa — Wanessa tentou confortar a amiga.

— Importa sim — Megan se levantou e Wanessa a acompanhou. — Ela ia machucar alguém, não ia? — Viu os outros permanecerem calados e considerou aquilo uma resposta. — Aquele telepata estava certo.

— Não — Jack disse rapidamente. — A Nêmesis nunca está certa.

— Ela machuca pessoas, é perigosa — Megan argumentou. — Eu não quero machucar ninguém.

— Você não vai — Jack garantiu. — Eu sei que não vai.

— Não vou? — questionou. — Ela machucou a Karol e o Jason, poderia decidir não parar por aí.

— Megan, eu garanto que nada vai acontecer — Lovatelli disse e tentou se aproximar da garota, mas ainda confusa com aquilo, Megan não a deixou se aproximar.

— Você garante? E eu acredito em você? — questionou olhando para a "tia" e em seguida olhou para Jack. — Ela não vai parar.

— Megan — Beatrice tentou chama-la.

— É só... — Megan respirou fundo. — Eu quero ficar sozinha. — A garota foi para o quarto e se trancou lá. Beatrice foi até a porta e bateu esperando que Megan abrisse.

Do lado de fora, Tiffany decidiu ir até a porta da frente de Megan, ela só não percebeu que estava sendo observada de longe por Gisele, que pegou o celular e discou um número, que não demorou para atendê-la.

— Ah Gisele, finalmente! A Megan...

— Fugiu e voltou para casa.

— Espera, ela voltou para casa? — Ele não conseguiu acreditar. — Tem mais alguém aí?

— Que eu sei que estão lá, além da Megan, a Lovatelli, Jack Hargen, a irmã dele, e duas garotas da escola.

Ok, não faça nada, espere uma equipe chegar — orientou. — Entendeu?

Gisele apenas o ignorou, desligou o telefone e bufou.

No quarto, Beatrice bateu na porta até que Megan a abrisse e a deixasse entrar, Beatrice tentava convencer a amiga de que tudo ficaria bem, tentava acalma-la.

— Eu não mereço você — Megan estava perturbada.

— Megan, somos amigas — Beatrice segurou na mão dela.

— Você não entende — Megan soltou a mão de Beatrice e começou a chorar. — Eu menti para você!

— Sobre a Outra, eu sei...

— Não — encarou-a. — Eu sei quem te atropelou.

— O quê? — Beatrice respirou confusa.

— Foi Jason — disse entre dentes. — Eu vi.

— Megan...

— Ele me ameaçou, mas não importa — olhou-a. — Eu devia ter te contado.

— Não... Megan...

— Eu deixei que ele escapasse impune — continuava a olhando, culpada. — É tudo minha culpa.

— Megan, podemos não falar nisso, por favor? — Beatrice pediu. — Isso não importa, não mais.

— Mas...

— Eu entendo... — respirou fundo. — Mas realmente, não importa, isso não muda o que aconteceu.

— Mas você merecia saber — argumentou.

— Por quê? Como isso poderia tornar as coisas melhores?

Enquanto isso, na sala, eles ouviram batidas na porta e Wanessa decidiu abrir, deparando-se com Tiffany.

— O que você está fazendo aqui? — Wanessa ficou confusa ao vê-la.

— Aconteceu um incidente na escola, alguma garota desapareceu — disse. — Você sabe alguma coisa?

— Não! — Wanessa tentou fechar a porta, mas Tiffany a impediu.

— Cadê a Megan? — Tiffany questionou.

— No quarto — Wanessa tentou fechar a porta novamente, mas de novo, Tiffany a impediu.

— E Beatrice?

— Vai embora! — Wanessa fez mais força para fechar a porta, porém, Tiffany a empurrou e conseguiu entrar, se deparando com Lovatelli e Jack ali.

— O que está acontecendo? — Tiffany perguntou ao se deparar com aquela cena. Ela olhou para Jack. — Você não estava morto?

— Tiffany, vá embora! — Wanessa pediu. — Não é uma boa hora.

— Boa hora para o quê? — questionou. — O que está acontecendo?

Antes que pudesse ser respondida, Tiffany viu Gisele abrir a porta repentinamente e entrar no local.

— Emma? — Tiffany questionou surpresa, foi quando Gisele sacou uma arma.

— Cuidado! — Jack protegeu Tiffany e Wanessa, enquanto Gisele atirou em Lovatelli.

No quarto de Megan, as duas garotas ouviram os tiros e se assustaram.

— O que aconteceu? — Beatrice perguntou assustada, ela tentou sair do quarto, mas Megan a segurou.