HL: Rise
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Cat continuava escondida debaixo da lona. Se perguntava se estava longe de Nova Iorque. Ela queria voltar, ver como Jaime estava. Embaixo da lona estava muito quente e muito sufocante, a menina começou a procurar uma saída de ar, qualquer coisa que a ajudasse a respirar melhor.
Ela conseguiu encontrar um buraco por onde conseguiu respirar, a caminhonete passou por um buraco e Cat acabou batendo a cabeça, aquilo havia doído, mas ela ficou em silêncio, para não chamar a atenção. Ed, que estava dirigindo, ficou preocupado com a carga e decidiu parar a caminhonete no acostamento para ver se estava tudo certo com as mercadorias.
Ele desceu, foi até a parte de trás da caminhonete, tirou a lona e acabou encontrando Cat ali, que assustada, se encolheu em um canto, a menina viu toda a sua vida passar, pensou que ou morreria ali, ou seria levada até a polícia, o que no final acabaria em Nexus, de qualquer maneira, estava ferrada.
— O que está fazendo aí? — Cat permaneceu em silêncio assustada. E se ele a matasse? E se a entregasse para a polícia? Ou para a Nexus? — Responde pirralha! — Ele segurou no braço dela, que reagiu o empurrando, logo ele percebeu que ela era forte demais para uma menina do tamanho dela.
Cat pulou da caminhonete e saiu correndo, porém, algo de metal agarrou-se na perna dela e a garota começou a ser arrastada, a menina olhou para o homem e percebeu que ele estava fazendo aquilo, ele também era neo-humano. Quando Cat estava perto o suficiente, Ed fez com que o objeto soltasse a garota, que conseguiu se levantar.
— Você é um dos neo-humanos que aquele policial estava procurando — ele deduziu que ela provavelmente havia se escondido ali para fugir da polícia. — A que fica invisível? Não, provavelmente deve ser o outro garoto. — Cat continuou calada. — Você é muda?
— Não — continuava assustada, ela havia sido pega e não tinha para onde ir, para piorar, um neo-humano, que poderia matá-la ali, naquele momento.
— Está fugindo de alguém — Ed tirou o chapéu e coçou os olhos. — Nêmesis?
— Não é da sua conta — disse ríspida.
— Realmente não é — o homem colocou o chapéu de volta e bufou antes de continuar. — Mas você estava na parte de trás da minha caminhonete, no meio das minhas mercadorias, então acho que pelo menos tenho o direito de saber o seu nome.
— Cat.
— Os seus pais sabem que você está pegando carona na caminhonete dos outros? — Questionou cruzando os braços e sendo um tanto sarcástico, ele sabia que a menina provavelmente nem tinha pais, ou que eles deveriam ser muito ruins, estava a testando.
— Eles não estão vivos para saber.
— Para onde pretendia ir?
— Qualquer lugar.
— Nunca diga isso para um desconhecido. Especialmente quando você é um neo-humano fugindo. — Ed começou a pensar. Não havia uma alma viva em quilômetros, se deixasse Cat sozinha ali ou ela morreria ou seria encontrada por quem não queria. — Eu não devia fazer isso, mas vou te levar até a cidade mais próxima. — Descruzou os braços. — Lá você desce e não será mais problema meu, certo? — A garota ficou em silêncio pensando se devia mesmo ir, ela havia acabado de conhecer Ed e ele a assustava, mas não parecia ter muita escolha. — Se eu quisesse te matar não teria me dado ao trabalho de perguntar seu nome, mas se quiser ficar, respeitarei completamente sua escolha.
— Eu vou — decidiu.
Ed cobriu as mercadorias com a lona novamente e deixou a garota ir na frente com ele. Enquanto ele dirigia, Cat ficou em silêncio por algum tempo e pensou, ele sabia o nome dela, talvez ela devesse saber o dele, para o caso dele tentar matá-la.
— Qual o seu nome?
— Ed — Estava mais preocupado em prestar atenção ao volante do que na menina ali do lado.
— Só Ed? — Questionou, mas ele continuou em silêncio. — Certo.
Ed continuou dirigindo em silêncio, enquanto Cat olhava pela janela, imaginando quanto tempo faltava para chegarem a cidade mais próxima. O veículo passou perto de um ônibus que tomava um caminho diferente. Depois de horas, aquele ônibus parou em uma rodoviária, ainda não havia chegado a seu destino final. Os passageiros desceram para poderem tomar água, ir ao banheiro ou lancharem alguma coisa.
Lindsay também desceu do ônibus e comprou um lanche. Logo estaria em Detroit, por onde começaria a busca.
***
Depois de horas. Finalmente a caminhonete parou perto de uma lanchonete em uma cidadezinha, com isso, Cat e Ed desceram.
— Chegamos — Ed disse aliviado por finalmente não estar mais com a responsabilidade de cuidar de Cat, ele não sabia porque estavam atrás dela, ou quem estava, mas sabia que tinha se arriscado demais ajudando ela. — Agora não é mais problema meu.
— Obrigada — se forçou a agradecer, mesmo Ed não sendo nada simpático, ele havia a ajudado. Ed pegou 20 dólares no bolso e entregou para a garota, que estranhou.
— Fique longe de confusão.
Os dois se afastaram um do outro. Ed entrou na lanchonete, e Cat, como estava com fome, decidiu entrar lá também, mas enquanto Ed sentou no balcão, Cat sentou-se em uma mesa um tanto longe.
— O que vai querer? — Uma garçonete sorriu simpática para a menina que estava em dúvida sobre o que pedir.
— Não sei bem — ela olhou o cardápio e aquilo apenas aumentou a dúvida.
— Posso sugerir algo? — A garçonete pegou o cardápio e apontou para um especial de hambúrguer com fritas. — É um clássico, mas acho que vai gostar.
— Então, acho que vou querer isso — a mulher anotou o pedido e se afastou da mesa de Cat.
— Ed — o atendente no balcão o abordou. — Quanto tempo!
— Fred — Ed deu um sorriso. — Como vai a Rosa? — Cat viu aquilo de longe e estranhou a simpatia de Ed.
— Ela vai para a faculdade — o atendente respondeu com um grande sorriso orgulhoso.
— Harvard? A que ela queria?
— Essa mesma — Fred pegou um bloco de papel. — Vai pedir alguma coisa?
— O de sempre — ao ouvir aquilo, Fred pegou uma cerveja para Ed.
— Não deveria beber tanto — aconselhou preocupado.
— Se eu não fizer isso, não haverá muito que posso fazer — respondeu enquanto abria a garrafa.
— Devia pelo menos comer alguma coisa — Fred ficou encarando Ed. — Não sei como seu fígado aguenta.
— Ele já passou por coisa pior — Ed deu um sorriso e tomou a cerveja. — Mas se insiste, eu vou querer aquele especial de carne que vocês costumam fazer. — Fred anotou e foi até a cozinha. Perto dali a garçonete foi até a mesa de Cat com o pedido dela.
— Aqui está — ela deixou a bandeja com um sorriso no rosto.
— Obrigada — Cat sorriu de volta para parecer simpática. A garota começou a comer o lanche dela enquanto no balcão, Ed continuava a conversar com Fred.
— Sabe, as vezes eu te invejo — Fred comentou.
— Não sei por que — Ed tomou mais um gole da cerveja. — Você tem uma família, um emprego estável, um lar perfeito, amigos fiéis, você tem tudo o que alguém iria querer.
— Ah, está falando sério? — questionou cético. — Você está sempre viajando por aí, devem ser tantas aventuras. Eu queria largar tudo e fazer mesmo, mas sabe como é. Estou preso demais para isso.
— Vou te dar um conselho, de um homem que já teve tudo, para outro que tem tudo — Ed largou a cerveja em cima do balcão. — Olhe a sua volta, sua vida é perfeita.
— Aqui está — uma mulher deixou o prato especial de carne para Ed. — Bom apetite, Ed. — Ela sorriu para ele, antes de voltar para a cozinha.
— Ela gosta de você — Fred comentou em tom de brincadeira.
— Então ela é muito sem sorte — Ed começou a comer a carne.
— Devia dar uma chance para ela — aconselhou. — Ela até que é bonita, e é legal.
— O que significa que ela merece alguém muito melhor.
— Ah Ed, eu realmente não te entendo — ele se afastou dali para atender outro cliente. Um homem entrou na lanchonete e sentou-se ao lado de Ed.
— Adrien — disse.
— Hector — não estava nada entusiasmado com aquilo. — Pensei que estava em Houston.
— Tive alguns problemas por lá — fez uma expressão não muito amigável ao lembrar-se da "pirralha Nyx".
— Espero que não traga os seus problemas para cá — disse tomando mais um gole de cerveja.
— Você já foi mais bem-humorado — riu.
— E você já foi promissor — Ed devolveu. — Seu pai ficaria decepcionado em ver o que você se tornou.
— Cuidado ancião — Hector cruzou os braços e Cat o viu de longe. — Vai acabar entregando a idade.
A garota não podia mudar de forma ali ou acabaria chamando muita atenção. Assustada, ela se levantou e foi até a garçonete que havia a atendido antes.
— Quanto deu tudo? — A garota estava visivelmente nervosa e as mãos que tremiam involuntariamente denunciavam isso.
— Desculpa, você tem que pagar no balcão.
— Eu não posso — Cat olhou para Hector, que estava distraído demais para nota-la, e então ela voltou a olhar para a garçonete, que notou o que estava acontecendo.
— O encrenqueiro — Se referiu a Hector que já havia arrumado confusão por ali. — Ele fez alguma coisa com você?
— Eu preciso muito ir embora — o desespero ficava cada mais evidente.
— Se quiser posso chamar a polícia.
— Não — Cat sabia que se chamassem a polícia, logo a Nexus estaria ali atrás dela. — Só quero saber quanto eu tenho que pagar pelo lanche.
— Eu não devia fazer isso, mas vou deixar por conta da casa.
— Sério? — Arqueou a sobrancelha confusa. — Isso não vai dar problema para você?
— Depois eu acerto isso — A garçonete olhou para Hector e voltou a olhar para Cat. — Acho melhor você sair pelos fundos. — As duas saíram pelos fundos e Hector as viu.
— Pirralha Nyx.
— O que disse? — Fred perguntou confuso enquanto limpava o balcão.
— Nada.
— Vai querer alguma coisa? — Fred não gostava da presença de Hector ali.
— Não estou mais com fome — Hector saiu do restaurante ao mesmo tempo em que um homem entrou e sentou-se ao lado de Ed.
— Graças a Deus o encrenqueiro foi embora — Fred disse ao terminar de limpar o balcão e olhou para o desconhecido que havia acabado de entrar. — O que vai querer?
— Estou aqui a trabalho — O homem mostrou um distintivo da Nexus e Ed olhou de lado, não gostava muito dos agentes da Nexus, apesar de preferir eles do que os da Nêmesis. — Estou procurando uma garota desaparecida. — Ele mostrou uma foto de Cat, Ed viu aquilo e logo a reconheceu. Ele olhou em volta e viu que a menina não estava mais ali.
— Me parece familiar, mas acho que não vi — Fred se afastou para atender outro cliente e Ed não conseguia parar de olhar para a foto, o que chamou a atenção do agente.
— E você? — Se dirigiu a Ed, que ficou confuso por um momento.
— Não me lembro de ter visto ela — Terminou de beber a sua cerveja e levantou-se para ir embora.
— Alguns neo-humanos reagem assim ao nos ver — O homem também se levantou. — Como se fossemos do mal ou algo assim, mas não há verdade nisso. Ajudamos pessoas como você, Ed, ou melhor, Adrien.
— Não quero confusão — Ed disse.
— E eu só quero ajudar aquela garota, para que nada de ruim aconteça com ela.
— Já disse que não a vi — respondeu. — Mas se me der licença, estou atrasado. — Ed se dirigiu a saída.
— Sei o que aconteceu com a sua filha — Aquilo fez Ed parar e voltar até o agente.
— E onde vocês estavam quando isso aconteceu? — Perguntou com uma expressão sombria.
— Tentamos ajudar o máximo de pessoas que conseguimos — argumentou.
— Sim, e não me importo com isso — Ed saiu da lanchonete e quando chegou na rua, olhou em volta para ver se encontrava Cat. Em um primeiro momento, nada, mas logo conseguiu escutar a voz dela.
— Me deixe em paz — A menina gritou correndo de Hector, que parou ao ver Ed, que se colocou entre eles.
— Deixe a pirralha em paz!
— Sai da frente, Adrien! — Hector ameaçou fechando os punhos.
— Não quero ter que pedir de novo — Ed também fechou os punhos. — O que quer com a garota?
— Essa pirralha me arruinou — aquilo deixou Cat com raiva.
Para ela, Zack nunca teria sido morto de não fosse por Hector. Ela tentou avançar na direção dele, mas foi contida por Ed, que a segurou.
— Sua vida já estava arruinada antes mesmo dessa garota nascer — lembrou. — Agora vá embora ou esquecerei a consideração que tenho pelo seu pai.
Hector pensou por um momento e olhou para Cat.
— Isso ainda não acabou — disse antes de ir embora, Ed olhou para Cat que estava um pouco confusa, ela não entendia o porquê do Hector simplesmente ter feito o que Ed disse.
— Obrigada — agradeceu a contragosto.
— Por que a Nexus está atrás de você? — Cruzou os braços.
— Como sabe disso? — Cat não se lembrava de ter contado isso para ele.
— Um agente apareceu atrás de você — aquilo fez Cat deduzir que o agente da Nexus provavelmente estava ali perto.
— Merda — E então os dois viram o agente da Nexus indo atrás deles.
— Não sai daqui! — Ed foi em direção ao agente.
— Preciso que entregue a garota.
— Não posso fazer isso — disse balançando a cabeça.
— A não ser que seja algum parente dela, não pode me impedir.
— A garota está fugindo, com medo — avisou. — Não posso entregar ela para vocês.
— Estamos tentando proteger ela.
— E quem me garante que não estão caçando ela? — Cruzou os braços.
— Não somos a Nêmesis.
— As vezes são muito parecidos — comentou. — Não vou entregar a garota, ela não vai querer ir com você. Quer mesmo começar uma luta com dois neo-humanos?
— As coisas vão ficar muito ruins se eu chamar reforços — alertou.
— Você quer mesmo o bem dela? — questionou. — Como acha que levando ela para um lugar desconhecido pode ajudar?
— Nós vamos protegê-la.
— Mesmo? — Continuava cético. — No entanto, ela está com medo da Nexus. Acha isso infundado?
— Ela é órfã, é normal que esteja assustada.
— Não vejo órfãos assustados fugindo como ela foge — descruzou os braços. — Acha mesmo que não tem nada errado nisso? — Aquilo fez o agente ficar pensativo.
— Terei problemas com meus superiores se simplesmente deixa-la com você.
— Nunca mentiu em um relatório antes?
O agente respirou fundo.
— Vá logo, antes que eu me arrependa.
Ed foi até Cat, que continuava no lugar em que ele a deixou. Ela estranhou ao ver o agente indo embora.
— O que disse para ele? — A garota estava desconfiada.
— Preciso que venha comigo — Ed disse indo em direção a caminhonete.
— Onde? — Cat continuou parada.
— Para um lugar seguro.
— Eu não vou com você — ela se recusou, pois mal conhecia Ed.
— Garota — ele respirou fundo antes de continuar. — Aquele era apenas um agente da Nexus, provavelmente virão mais atrás de você e eu sei que não serão tão compreensivos. Então ou venha comigo ou fique aqui para o próximo agente, a escolha é sua. — Depois de pensar um pouco, Cat decidiu ir com Ed.
***
O dia havia acabado de escurecer. Jaime havia saído de seu novo esconderijo para conseguir comida. Agora as coisas seriam mais difíceis do que antes, já que provavelmente a Nexus estava o procurando. No meio do caminho, ouviu uma gritaria e algumas sirenes.
— Corre!
Três garotos trombaram em Jaime enquanto fugiam de algo.
— Sai da frente, moleque!
Empurraram o garoto no chão e continuaram a correr.
Depois de voltar a si, Jaime levantou-se e notou uma arma caída no chão. Curioso, ele pegou a arma e ficou a encarando.
— Parado! — Um policial gritou e vários policiais apontaram as armas para ele, assustado, o garoto soltou a arma. — Você está preso.
— O quê? — O garoto ficou confuso até entender que estavam o confundindo com os fugitivos. — Não, eu não...
— Fique onde está! — Um policial gritou ameaçando.
— Mas eu... — Ninguém acreditaria nele, ninguém nunca acreditava. — Não preciso provar nada. — Jaime ficou invisível para o espanto dos policiais ali.
— Atenção, todas as unidades — O policial disse ao pegar o rádio. — Neo-Humano foragido, suspeito de assalto e assassinato.
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