HL: Rise
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Cat acordou com as costas doendo, não era para menos, ela tinha dormido no meio de algumas latas, escondida em um beco. Ela não poderia se arriscar a pedir abrigo a alguém, afinal, qualquer deslize e a Nexus a acharia.
A garota pegou um pouco dos últimos trocados que tinha para comprar o café da manhã dela, que seria um cachorro quente. Logo o dinheiro que ela tinha acabaria, e Cat não sabia como arrumar mais dinheiro, era complicado conseguir dinheiro ou comida com a Nexus procurando por ela, porém, se não o fizesse, acabaria morrendo de fome.
Após o "café da manhã" ela andou bastante e acabou encontrando uma fantasia de Darth Vader em cima de algumas caixas. Ou alguém havia perdido, ou haviam jogado fora. De qualquer forma, Cat pensou que se ela vendesse aquilo, poderia ganhar uma boa grana. Ela pegou a fantasia, deu uma olhada para ver se tinha algum rasgado ou algo do tipo, mas nada, estava praticamente nova.
A menina enrolou a fantasia e ficou andando com ela nas mãos enquanto pensava em uma maneira de vendê-la. Depois de andar quase o dia todo, ela acabou passando por um parque onde uma garota estava fazendo uma apresentação de música enquanto várias pessoas jogavam moedas dentro de um chapéu. Cat achou a música tão linda que teve que parar para ver.
Depois que a apresentação acabou, todos se dispersaram e a cantora teve sua atenção chamada pela fantasia que Cat segurava.
— Ei, você — a cantora chamou Cat que se aproximou desconfiada. — O que está segurando?
— Uma fantasia — Cat mostrou a fantasia de Darth Vader para a cantora.
— Por que você está andando com ela por ai? — A Cantora colocou as mãos na cintura.
— Eu vou vender ela.
— Por quê? — A Cantora cruzou os braços.
Cat começou a pensar em uma mentira, não poderia dizer que precisava vender aquilo para ter o que comer, a cantora poderia chamar alguém, as autoridades, e aí, logo a Nexus a acharia, então a menina precisava fazer parecer que tinha uma família e que a moça não teria com o que se preocupar.
— Ela tá meio apertada para mim e tô tentando ganhar uma grana extra — Cat balançava a cabeça em afirmativo enquanto mentia.
— Os seus pais sabem disso?
— Sim — Cat forçou um sorriso. — Vai querer comprar?
— Se não serve em você, com certeza não serviria em mim — a cantora era mais alta que Cat. — Você não parece daqui.
— Eu me mudei faz pouco tempo — Cat cruzou os braços por um tempo observando a cantora, mas os logo os descruzou. — Se não vai comprar eu tenho que ir, tenho que voltar logo para casa ou os meus pais vão ficar preocupados. — A menina tentou ir embora, mas a cantora a impediu.
— Espere! — Pediu. — Talvez eu possa te ajudar.
— Mas você acabou de dizer que não compraria a fantasia — Cat cruzou os braços novamente, estranhando aquilo.
— Não, mas conheço alguém que iria querer — justificou. — Ela é um pouquinho mais baixa que você, mas tenho certeza que serviria nela.
— E onde ela está?
— Bom, agora não está aqui, mas vou conversar com ela — a cantora olhou nos olhos de Cat. — Onde você mora?
— Eu não posso passar meu endereço para estranhos — Cat na verdade não tinha uma casa. — Meus pais ficariam bravos se eu fizesse isso.
— E o telefone? — Franziu o cenho.
— Eu vou passar, espera... — Cat pensou no que diria. — Eu não consigo lembrar.
— Não sabe o próprio número? — A cantora fez uma expressão confusa.
— É que até pouco tempo eu tinha um celular, mas ele foi roubado, aí eu tô tentando gravar o número de casa, só que tá difícil — mentiu.
— Pode me encontrar aqui amanhã, no mesmo horário?
— É, acho que sim — Cat sorriu e balançou a cabeça em afirmativo. — Mas só se eu tiver certeza de que a pessoa que falou vai mesmo comprar.
— Ela com certeza vai — a cantora também sorriu. — Então te vejo amanhã. — A cantora guardou os instrumentos musicais em uma mala e foi embora enquanto Cat foi procurar um lugar para comprar comida.
Ela novamente pegou o dinheiro que tinha e contou para ver o que dava para comprar para comer. A garota precisava fazer o dinheiro durar pelo menos mais dois dias, o que seria bastante complicado. Então, a menina sentiu alguém tocar o ombro dela por trás, porém, quando ela se virou, não havia ninguém. Foi quando um garoto um pouco mais alto que Cat arrancou o dinheiro da mão dela e saiu correndo.
— Ei! — Cat começou a correr atrás do garoto. Sem aquele dinheiro ela passaria fome.
Ela continuou correndo atrás do garoto, mas não importava o quão rápida ela fosse, ele parecia ser ainda mais rápido. Cat percebeu que precisaria ser muito mais do que rápida. A menina se lembrou de um atalho que usou uma vez, ela sabia que o atalho sairia exatamente para onde o garoto estava indo. Então ela parou de correr atrás do garoto, correu pelo atalho e pouco tempo depois, conseguiu passar na frente dele, assim que isso aconteceu, ela conseguiu pará-lo e os dois começaram a puxar o dinheiro para ver quem conseguiria ficar com ele.
— É meu!
— Solta, pirralha!
— É meu! Eu preciso dele! — Os dois continuavam a puxar o dinheiro, cada um para um lado.
— Eu também preciso! — O garoto não conseguia ser mais forte que Cat que logo conseguiu pegar o dinheiro de volta. — Meio fortinha para uma pirralha. — Comentou e então ele viu um policial indo na direção deles — Ah não.
Cat olhou para trás e também o viu. Cat e o garoto começaram a correr e o policial foi atrás deles. Os dois continuaram correndo até que o garoto segurou Cat pela mão e os dois ficaram invisíveis.
— Não faça nenhum barulho. — O garoto pediu sussurando enquanto continuava a segurando. Os dois continuaram invisíveis até o policial ir embora e então ficaram visíveis. — Por que estava fugindo da polícia?
— Com certeza não foi porque eu roubei alguém — rebateu.
Cat deu uma nova olhada na fantasia de Darth Vader para ver se estava tudo certo com ela.
— Ah claro, e eles estavam atrás de você por pura implicância — alfinetou. — Você é neo-humana, né?
— Não é da sua conta!
— Relaxa, também sou — assumiu. — Eu fico invisível, e você? É superforte?
— Super força e posso mudar minha forma — explicou.
— Tipo ser quem você quiser?
— Sim.
— Se eu pudesse mudar minha forma seria mais fácil ganhar dinheiro — comentou.
— Só que eu não quero ganhar dinheiro prejudicando os outros — disse. — A Pocket Girl jamais faria algo assim.
— E você é uma heroína como ela? — Questionou e Cat não sabia bem como responder. — Eu sou o Jaime e você?
— Cat.
— Você tem pais? — Quis saber.
— Se eu tivesse não estaria fugindo da polícia — respondeu.
— Eu tenho um pai, acho que tenho — Jaime disse. — Mas ele é um idiota, nunca mais quero ver ele.
— Você fugiu de casa? — Questionou.
— Se eu não fugisse, eu morreria — respondeu. — Meu pai era maluco.
— Os meus eram legais — se lembrar dos pais era doloroso demais para Cat. — Eram.
— Há quanto tempo está sozinha?
— Algum tempo.
— Então é novata nas ruas?
— Mais ou menos — respondeu. — Antigamente eu e minha irmã morávamos em um prédio abandonado em Detroit, mas aí aconteceram umas coisas, fui parar um abrigo e depois fui morar com um carinha. — Se lembrar do Zack também era doloroso.
— E o que aconteceu com o carinha?
— É complicado?
— E a sua irmã?
— Eu não sei onde ela está.
— Então, nunca esteve sozinha nas ruas?
— Não.
— Deu sorte que eu te achei antes da Nêmesis — respondeu. — Sabe as regras de pessoas que tem que evitar?
— Mais ou menos. Sei que tenho que evitar a Nexus.
— Eles estão atrás de você?
— É complicado — a menina não sabia como explicar.
— Ok, então lá vai a lista de pessoas que tem que evitar — Jaime avisou. — A polícia, porque eles te levam para um abrigo, ou te prendem ou te devolvem para a sua família, o que para mim seria horrível.
— Sim.
— A Nexus, pelas mesmas razões, e no seu caso, o lance complicado — disse. — Nêmesis, porque seríamos ratos de laboratório.
— A Nêmesis é meio óbvio.
— Traficantes.
— Traficantes?
— Sim, são umas pessoas que sequestram, vendem neo-humanos e coisas do tipo — explicou.
— E o que acontece com os neo-humanos vendidos? — Cat quis saber.
— Eu não sei bem, já ouvi histórias de levarem eles para clubes de luta clandestinos — Jaime respondeu. — De qualquer forma, temos que manter distância deles, especialmente porque além de neo-humanos, moramos sozinhos nas ruas, então somos alvo fácil.
— Certo.
— Certos tipos de humanos.
— Certos tipos de humanos? — Ficou confusa.
— Sim, alguns humanos odeiam pessoas como nós, então temos que ficar muito longe deles.
— Mais alguma coisa? — Questionou.
— Há certos cuidados que deve ter.
— Tipo?
— Evite pessoas estranhas, algumas delas podem ser um disfarce de uma pessoa muito ruim — orientou. — E nunca lute com alguém mais forte que você.
— Você tentou lutar comigo — lembrou.
— Eu não sabia que você era forte — respondeu. — Parecia só uma pirralha descuidada.
— Eu não sou pirralha!
— Também, quando for arrumar um lugar para dormir, arrume um lugar seguro — disse. — Para evitar que tome um tiro no meio da noite, ou acorde em alguma base da Nêmesis.
— E o que faz um lugar seguro? — Questionou.
— Um lugar onde não podem te achar — respondeu. — Também nunca passe muito tempo no mesmo lugar, assim fica mais difícil te pegarem.
— Entendi.
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