HJL: O colar proibido.
2 Primeiro dia de aula.
Notas iniciais
Na manhã seguinte, depois de terem chegado à escola, os jovens eram acordados por um alarme que soava alto nos dois dormitórios. Pouco a pouco os estudantes iam se levantando, uns com sono, outros mais dispostos e ansiosos.
Henry, Logan e Jane já estavam de pé no grande salão, onde estava sendo servido o café da manhã. As mesas eram fartas com os mais variados tipos de comidas, desde comidas normais até comidas mais inusitadas.
—Comam, comam... Vão precisar de muita energia. As aulas são bem cansativas. — Diria o diretor enquanto observava os alunos que nem prestavam atenção no que o diretor falava. Estavam ocupados de mais conversando e comendo.
—Então, estão ansiosos para a primeira aula? Porque vocês escolheram as classes que estão? — Perguntou Henry.
—Sim muito ansiosa. Eu escolhi ser maga porque imagina que legal, fazer raios caírem do céu, gerar fogo, fazer coisas levitarem, sem contar as evoluções de classe...
—Eu escolhi ser atirador pelo meu gosto por armas à longa distância... Um projétil que tem um curso certo. Uma única bala por alvo. Dez tiros, dez alvos, dez mortes. Meu avô foi realmente um homem brilhante com essa frase. — Diria Logan com um ar de orgulho — E você, Henry?
—Bom, meu pai era um espadachim... Eu só decidi seguir o mesmo caminho.
—Eles viraram amiguinhos... — Disse Thomas enquanto passava com um grupo de garotos de seu colégio. Parou em um ponto que se encontrava no meio de Henry e Logan. Olhava para Henry com uma cara de nojo.
—Oque você quer, Thomas? — Logan se levantava, ficando frente a frente com o garoto.
—De novo dando uma de machão, não é Reddan?
—Ficou mais corajoso por causa do seu grupinho ai? Engraçado... Quando estava sozinho não teve tanta coragem assim. — Logan demonstrava deboche em seu rosto. Sabia que Thomas era só um medroso que precisava de atenção.
—Você está sempre falando por sua amiguinha ai... Henry o nome dela, né? — Os outros que estavam atrás de Thomas caiam em gargalhadas. — Vejam, ele também ficou amiguinho do pimentão.
Logan perderá completamente a paciência com Thomas. Cerrou seus punhos com tanta força que dava pra ouvir seus dedos estralarem. Sem pensar duas vezes, iniciou uma sequência de socos contra Thomas, todos certeiros em seu rosto. Em poucos instantes uma roda se formava entorno dos dois. As mãos de Logan estavam ensanguentadas, assim como o rosto de Thomas que terá sangue saindo por seu nariz e sua boca. Os socos de Logan eram rápidos e pesados, como se ele já tivesse treinado antes.
—Insulte meus amigos mais uma vez e o motivo do sangue escorrendo vai ser uma bala na sua testa. — Voltou a se sentar do lado de Henry, deixando Thomas inconsciente no chão. A roda ia se desfazendo aos poucos.
—Pegou um pouco pesado... — Henry olhava pasmo para Thomas que era retirado do local por seus amigos.
—Sr Reddan... Pode me acompanhar? — O velho Khiev falava calmamente, chamando Logan para sua sala.
—Boa sorte. — Henry dava uma tapinha no ombro de Logan
—Tsc — Logan levantava e ia até Khiev, seguindo com ele para a sala.
—Espero que fique tudo bem com ele... — Jane não conseguia esconder a preocupação que sentia, mas sabia que qualquer punição aplicada era válida, afinal, Logan deixou o garoto inconsciente. Enquanto isso na sala de Khiev...
—Senhor Logan Reddan... Oque foi aquilo? —Perguntava Khiev enquanto inclinava um pouco sua cabeça para frente, deixando seus óculos escorregarem até a ponta de seu nariz.
—Ele mereceu professor... Não vê como ele fala com os outros? Não ia deixa-lo continuar insultando Henry e Jane assim. Não na minha frente.
—Você acha que fez certo?
—Não — Murmurava Logan olhando para seus pés.
—Oque disse?
—Não! — Repetia Logan, alto e claro dessa vez.
—E por que o fez?
—Quem sabe assim ele não aprenda a respeitar os outros?
—Educação vem de casa, sr Reddan. Se ele não é educado o suficiente para respeitar os outros, mostre-se superior... Ou vai querer ser um pobre coitado como ele?
—Não... — Murmurou novamente.
—Não ouvi.
—Não! — Repetiu em voz alta. — Eu só acho que ele não deveria ser assim. Nem ele e nem os amigos dele.
—Você e Thomas serão punidos. Limparão todos os banheiros, sem exceções. De todos os colégios e os banheiros do castelo central. Vão fazer isso por três dias começando amanhã.
—Sério?
—Ou você prefere ser expulso junto com ele?
—Eu sempre ajudei meu irmão a limpar a casa e eu sempre limpava o banheiro, sério. Eu sou muito bom nisso.
—Melhorou. — Khiev deixava um sorriso escapar. —Pode ir. Depois avisarei a Thomas, ele está na enfermaria agora.
Logan saía da sala sem falar nada, parecia estar emburrado com a punição. Chegou ao grande salão, vendo Jane e Henry conversando. Sentou-se do lado de Jane, contando aos dois oque tinha acontecido na sala com Khiev.
—E aí, como foi? — Perguntava Jane curiosa.
—Ele me colocou em detenção junto com Thomas. Vamos ter que limpar todos os banheiros dos colégios e do castelo. — Logan parecia chateado, afinal, teria que limpar muitos banheiros em três dias.
—Todos os banheiros? — Indagou Henry — Caramba... É muita coisa pra se fazer em três dias.
—Pois é... Mas vou fazer oque né...
O tempo passava. O café da manhã será tirado e oito monitores se apresentaram aos alunos no grande salão. Todos os alunos se apresentavam no salão, esperando a palavra dos monitores.
—Bom dia pessoal. Bom, eu me chamo John e sou o líder dos monitores aqui na escola. Cada um dos monitores vão levar vocês aos seus respectivos colégios. Por favor, espadachins, sigam-me.
—Tchau pessoal. — Henry acenava para Jane e Logan. Apertou seus passos para chegar mais rápido em John e nos outros alunos.
—Magos, venham comigo. — Chamou um dos monitores, pedindo para que os magos o seguissem.
—Tchau Logan, até mais tarde. — Diria Jane enquanto corria até o monitor que havia chamado os magos.
—Atiradores, por aqui... — Vários alunos iriam junto com o monitor que chamava os atiradores.
—Finalmente... — Logan ia atrás do monitor que chamava todos os atiradores.
Com os alunos já em suas salas, as aulas começavam.
—Bom dia alunos. Sou o Professor August Jones. Chamem-me de professor August. Vou ensina-los tudo sobre os espadachins, e depois vamos para a prática. — Diria o professor que se vestia com uma blusa folgada branca. Apenas um braço da blusa tinha manga comprida, o outro braço era sem manga. O professor também usava uma capa preta que ia até suas panturrilhas.
—Primeiramente... Quem aqui pode me dizer oque é ser um espadachim? Hm? —O professor olhava para todos os alunos, mas não via sequer uma mão no ar para responder sua pergunta. —Ninguém? Certo, eu digo. Ser um espadachim significa ser leal aos seus companheiros, significa não ter medo do perigo, significa tomar a frente para defender qualquer um. As principais características de um espadachim são: Disciplina, lealdade, paz de espírito e habilidade. Não esqueçam, os caçadores são os piores inimigos dos espadachins. Henry, você... Fiquei sabendo que você se estranhou com Thomas Howard, isso é verdade?
—Sim professor. — Henry acenava com a cabeça para o professor.
—Exatamente. Você sabia que Thomas é um caçador?
—Sério?
—Sim... A briga de vocês pode ser chamada de destino... Se bem que a maioria dos alunos não foi muito com a cara de Thomas... Menos o grupinho dele, é claro.
Henry agora entenderá porque não foi com a cara de Thomas desde o início. Pensou nas coisas que o professor disse... E se ele tiver razão? Talvez seja só pelas classes... Ou não.
—Então, chega de papo furado. Peguem as espadas de madeira e vamos começar a prática.
Todos os alunos pegaram as espadas de madeira num suporte no canto da sala e foram para a arena do lado de fora. As lutas foram organizadas pelo professor. O primeiro a ser atingido três vezes perdia. A primeira luta foi entre Carl Bennet e Freddy Davies. A luta foi bem demorada, mas Carl era mais habilidoso que Freddy, com paciência e movimentos precisos conseguiu derrotar Freddy.
A segunda luta foi de Jake Hiel contra Ithiel Thompson. Foi oque pode-se chamar de luta equilibrada. Ithiel conseguiu a vitória com três acertos a dois. As lutas iam passando e iam ficando cada vez emocionante.
Finalmente chegará a vez de Henry. Todos olhavam com muita atenção, afinal, grande parte da escola sabia que Henry era filho de um dos maiores e mais habilidosos espadachins já existentes, e Peter foi treinado por grandes espadachins, era um duelo muito esperado.
—Décima luta. Henry Vermilion vs Peter Harris. — Todos da sala conheciam Peter pela sua fama de ser muito habilidoso com a katana. Peter era um jovem de altura normal, devia ter seus 1,55 cm para sua idade. Cabelo loiro e olhos azuis atentos em qualquer movimento de Henry. —Podem começar. — Daria início à luta o professor que estava tão ansioso quanto seus alunos para ver a luta.
Peter fez o primeiro movimento contra Henry. Jogou seu corpo para frente com seu braço que empunhava a katana esticado, como se tentasse cutucar o abdômen de Henry com a ponta de sua espada. Henry girava seu corpo para a direita, deslizando suas costas no corpo da katana de madeira de Peter. Com a sua Katana, Henry dava um toque forte e rápido nos dedos da mão de Peter, a mão que segurava sua espada. A dor que Peter sentia nos dedos era forte, consequentemente deixava sua espada cair. Henry apontou sua arma contra o pescoço de Peter, como se estivesse o ameaçando. Deu mais dois toques fracos em seu ombro, finalizando a luta.
Os alunos que assistiam a luta ficaram pasmos com a visão de Henry nos movimentos de Peter. Eles sabiam que a luta seria equilibrada, pois eram dois grandes nomes lutando. O professor aplaudia a luta com seus olhos brilhando.
—Muito bom Henry e Peter. Que luta...
—Obrigado professor. — Diria Henry sorrindo. Pôs-se a andar até Peter, com a mão estendida para cumprimentar o jovem. Peter não o cumprimentou, apenas olhou para Henry e saiu andando.
—Eu fiz algo errado? —Disse Henry olhando para o professor.
—Não... Ele não está acostumado a perder. Vem de família rica, nunca perdeu para seus empregados entende?
—Acho que sim.
—Boa luta, Henry. Bom pessoal, vamos voltar para a sala, à teoria nos chama! — Disse o professor animado guiando seus alunos de volta à sala de aula.
Enquanto isso, no colégio de magia...
—É opcional recitar o nome do feitiço quando se sabe conjura-lo. Pra conjurar os feitiços com perfeição, vocês precisam saber os movimentos que vão fazer com o cajado, cetro, varinha ou até mesmo com as mãos. E precisam saber também oque o feitiço faz. — Explicava detalhadamente a professora Morgana Pierce. Tinha cento e quarenta e cinco anos com aparência de uma mulher de trinta e cinco. Certamente era algum feitiço. Seus olhos eram verdes e seus cabelos negros escorridos até o meio de suas costas.
Em poucos instantes Jane estava conseguindo criar uma bola de fogo em suas mãos, e era aplaudida por todos os alunos.
—Muito bem Jane, muito bem. — Diria a professora com um sorriso no rosto e brilho nos olhos, olhando o claro e rápido aprendizado de Jane.
—Obrigada, professora Pierce.
Depois de um tempo, os outros alunos conseguiam moldar bolas de fogo e de outros elementos em suas mãos, oque os deixavam preparados para uma aula prática.
—Certo pessoal, acho que vocês já estão preparados para por em prática oque aprenderam. Se organizem. Dois grupos frente a frente, uma menina e um menino em cada grupo de dez pessoas. Quero apenas o uso dos elementos básicos, água, terra, fogo e ar. Um ataca e o outro defende, sem ordem pra isso. Quem for atingido perde a luta. — Disse a professora levando os alunos para o lado de fora. — Vamos começar com Quinn Rainard vs Ralph Sanders.
Quinn apontou a varinha para Ralph. Algumas faíscas saíam da ponta da varinha de Quinn, porém antes mesmo que ela pudesse usar algum feitiço, Ralph batia com o seu cajado no chão, fazendo um grande pedaço de terra se levantar em baixo da garota, oque a fez voar alguns metros de distância.
A professora correu até Quinn, ela realmente voou longe.
—Quinn... Você está bem? — Perguntava a professora preocupada.
—Sim... Não foi nada.
—Me desculpe... — Disse Ralph olhando sem graça para a garota.
—Tudo bem, é só um treino. — Quinn dará um sorriso para o garoto que ficava mais tranquilo.
—Certo, agora vamos ver a luta de Jane Scarlet vs Terry Sherwood. — Disse a professora anunciando a segunda luta. — Podem começar.
Em um rápido movimento com sua varinha, Terry soltava uma grande rajada de fogo contra Jane. Jane se via em um momento em que não ia conseguir fazer muita coisa. Resolveu se agachar e girar para frente em uma cambalhota no chão. Ao completar a cambalhota, ainda agachada, Jane batia com força suas duas mãos no chão. Quatro paredes de terra surgiam à volta de Terry, o cercando. Vários espinhos bem afiados começavam a sair das paredes, que aos poucos se aproximavam do corpo de Terry, podendo perfura-lo e o ferir gravemente.
—EU DESISTO, EU DESISTO! — Gritava Terry desesperado. Os espinhos cessavam e as paredes caíam. Jane voltava a sua postura com um sorriso no rosto.
—Muito bem, Jane. — A professora estava com um semblante de aprovação para Jane.
—Obrigada Professora. Terry? Está tudo bem? — Perguntava Jane preocupada.
—S-Sim... Só não faça isso de novo. — Respondia o garoto tremendo.
Todos aplaudiam a luta de Jane contra Terry.
As próximas lutas eram demasiadamente lentas comparadas à luta de Jane e Terry. Ao fim de todas as lutas, os alunos voltaram para a sala de aula. A professora Morgana agora ensinaria outros feitiços para os alunos.
Enquanto isso no colégio dos atiradores, Logan estava aprendendo os diferentes tipos de materiais com as armas com o professor Acer Carran. O professor era alto e tinha cabelos pretos na altura de seu queixo. Seus olhos claros e seu semblante sério na maior parte do tempo.
—As armas podem ser feitas da maior variedade de materiais, desde que esteja nas mãos de alguém que entenda. Por exemplo, essa arma aqui — Disse o professor erguendo uma pistola de ouro em sua mão — Se chama fúria. Bonita, não? Feita por ligas metálicas super-resistentes e foi folheada em ouro. Essa arma guarda uma habilidade estranha. Ela pode se transformar em outras armas, qualquer uma. O dono dessa arma infelizmente não está mais vivo só ele poderia mostrar como essas transformações funcionam... Porém... Que eu saiba essa arma também funciona nas mãos que tenha a linhagem sanguínea de Alexander.
—Quem foi o dono dessa arma? — Perguntava um aluno que estava com a mão levantada há alguns minutos.
—Ah, o dono dessa arma... Ninguém mais ninguém menos que Alexander Reddan, o segundo. — Alguns alunos ficavam impressionados e trocavam sussurros.
Ao ouvir as palavras do professor, Logan ficava pasmo. Não sabia como reagir. Levantou-se imediatamente.
—Professor... Posso ver essa arma mais de perto?
—Ah, claro... Venha.
Logan ia se aproximando da mesa do professor. Chegava bem perto da arma dourada com detalhes em preto.
—Posso pegar?
—Sim... Mas cuidado.
—Certo... — Logan engolia em seco e suava frio conforme sua mão ia se aproximando da arma. Pegará a arma e a erguerá a altura de seu peito. A arma começava emitir um brilho intenso semelhante ao de sua cor. Aquela luz cegante parecia que nunca ia se apagar. Quando finalmente a luz se apagava, a arma começava a assumir diferentes formas. Assumiu a forma de uma submetralhadora, em seguida de uma sniper, um fuzil, até umas armas estranhas que ninguém sabia ao certo que tipo de arma era.
—Garoto... Qual o seu nome? — Perguntava o professor perplexo olhando para Logan.
—Logan... Logan Reddan, Professor.
—Mais um Reddan... MAIS UM REDDAN! — O professor gritava de felicidade. Não acreditava que estava vendo aquilo na sua frente. — Seu pai também estudou aqui, ele não quis ser atirador... Gostava mais de magia.
—É eu sei... — Logan deixava a arma de seu avô em cima da mesa do professor.
—Logan... Fique sabendo que vou guardar essa arma pra você, até ter idade e punho forte para maneja-la. — O professor reverenciava Logan, se curvando um pouco.
—Obrigado professor. — Logan dará um sorriso e voltava para o seu lugar.
Alguns instantes depois do choque, o professor organizava a sala em duas equipes. A equipe azul e a equipe vermelha. Cada equipe com dez alunos.
—Certo, vamos fazer uma partida de Paintball. A primeira equipe que pegar a bandeira adversária ou conseguir eliminar todos os adversários ganha. Uma eliminação acontece com três tiros no corpo ou um na cabeça. Vamos lá, peguem seus equipamentos.
Os alunos pegavam seus equipamentos, armas e munições. Num estalo de dedos do professor, a arena de paintball se transformava em uma grande floresta. Os alunos ouviam um barulho que soava ao fundo, oque dava início à partida. Logan estava no time azul. Três do time azul foram pela direita, mais três pela esquerda, dois pelo centro e dois ficaram defendendo a bandeira. Os dois que foram pelo centro foram escondidos entre as árvores, no caso Logan e Jeff.
Logan foi pelo centro com Jeff que o acobertava. Os dois viram três adversários fazendo guarda da entrada de sua área. Logan fez alguns sinais com a mão para Jeff. Os dois levantavam ao mesmo tempo, disparando vários tiros contra os três adversários. Logan acertara o do meio em cheio no capacete, enquanto os outros dois eram atingidos por seis tiros; três de cada uma das armas.
Logan e Jeff entravam na área adversária, seguindo floresta adentro a procura da bandeira. Chegaram a um ponto que conseguiam ver a bandeira. Esconderam-se atrás de duas árvores, olhando melhor. Havia cinco adversários protegendo a bandeira. Três à frente e dois nas costas.
—Jeff... Vamos ter que tirar os dois que estão defendendo as costas. Pra ser mais claro, vamos ter que contornar isso aqui sem esbarrarmos com os outros dois que provavelmente estão atrás da nossa bandeira.
—Certo, vá por um lado e eu vou pelo outro. — Disse Jeff acenando com a cabeça. Os dois se separavam e contornavam a floresta. Jeff conseguiu chegar do outro lado bem rápido. Logan ainda não tinha chegado.
—Droga, onde está Logan?
No meio do seu percurso para o contorno da floresta, Logan via um aluno do time adversário passando, porém não era visto. Logan se agachou e ajustou sua mira na frente do adversário, isto é, numa área que ele ainda ia passar. No momento que o adversário ia passar a mira, Logan disparava coisa de milésimos antes, atingindo-o em cheio no capacete. O jovem inconformado olhava para os lados procurando quem havia o atingido. Sem achar ninguém, deixava sua arma no local e saía do jogo.
Alguns instantes depois, Logan ia ao de encontro de Jeff.
—Desculpa a demora, acabei encontrando um dos dois que foram atrás da nossa bandeira.
—Conseguiu eliminar?
—Sim, por sorte ele não me viu. — Logan dava uma cotovelada de leve no braço de Jeff, acenando para frente com a cabeça, indicando os dois adversários guardando a bandeira. Jeff acenava de volta como se estivesse concordando. Os dois se agachavam usando uma pedra como suporte para as armas. Miraram atentamente aos dois adversários. O suor escorria na testa de Logan que esperava o momento certo pra atirar.
—Certo Jeff, comigo. — Sussurrava Logan — Um... Dois... Três... Atira. — Os dois atiravam ao mesmo tempo. As balas iriam certeiras nos capacetes dos dois garotos que defendiam a bandeira. Os jovens que foram atingidos jogavam suas armas no chão e saíam reclamando. Os outros três ficaram atentos. Dois saíram e foram à direção dos tiros. Logan olhou pra Jeff, apontando para sua pochete de perna, tirando de lá alguns metros de fio de nylon enrolado. Puxou a ponta do fio, amarrando em uma árvore atrás de si. Jogou o resto do rolo pra Jeff, que puxava e segurava firme. O fio ficava totalmente esticado e firme.
Logan fez um sinal com os dedos, indicando que os garotos estavam se aproximando. Jeff acenou com a cabeça para Logan, preparando sua arma na mão livre. Logan preparou sua arma, esperando os garotos passarem. Os garotos passavam e tropeçavam no fio de nylon.
Imediatamente Logan e Jeff levantavam-se apontando as armas para os dois garotos caídos. Ao momento em que eles apontavam as armas, Logan era atingido por dois disparos nas costas que cessavam antes de chegar ao terceiro. Jeff disparou contra o capacete dos dois garotos, finalizando-os logo.
—Oque foi isso? — Logan olhava pra trás, vendo que tinha esquecido um dos garotos, porém, dois do seu time já tinham o eliminado. — Valeu pessoal. — Logan acenava para os seus companheiros enquanto sorria junto com Jeff.
—Peguem a bandeira, parece que ainda sobrou um lá. — Disse Jeff enquanto contava nos dedos.
Eles pegavam a bandeira e iriam de volta para sua base. Ao chegar ao meio do caminho, encontraram o último adversário levando a bandeira azul para o lado vermelho. O jovem do time vermelho fitava os jovens do time azul. Eles ficaram se olhando por alguns segundos, até o garoto do time azul ser atingido por uma chuva de tiros, oque dava um final ao jogo e uma vitória para o time azul.
Os garotos do time azul estavam eufóricos. Cumprimentavam-se de todas as formas, tocando os punhos, com tapinhas, pulos e gritos. Estavam realmente felizes por terem ganhado essa partida.
—Muito bem... — O professor aplaudia enquanto fazia o local voltar ao normal. — Foi uma ótima partida. Bom, deixem os equipamentos ali no canto, vocês estão liberados para o almoço no Grande Salão. Terão o resto da tarde livre.
Todos os alunos foram para o grande salão. Logan e Jane já estavam sentados comendo enquanto esperavam Henry.
—Que demora dele...
—Pois é. Será que ele ainda está em aula?
—Acho que não... Todos foram liberados. — Logan se esticava procurando Henry.
—Logan, lembra que você disse daquela...
—Escola que estava raptando os alunos. — Logan interrompia Jane, enquanto olhava focado para frente. —Vem, vamos procura-lo.
Então os dois se levantavam rápido e foram atrás de Henry em uma corrida desesperada. Depois de alguns segundos correndo, esbarraram em Henry.
—Ai! — Henry massageava uma área um pouco acima de seu quadril.
—Por onde você andou? — Gritaram em coro Logan e Jane, com um ar de preocupação.
—Se acalmem... Eu estava conversando com o professor. — Henry deixava escapar uma risada.
—Você acha engraçado, né? Nós estamos rindo? — Diria Jane com um semblante sério.
—Perdão, na próxima eu aviso.
—Venha. — Logan se levantava e em seguida ajudava Henry.
—Obrigado. Estou com fome, vamos.
Os três saíam disparados para o grande salão. Depois de almoçarem, Logan e Thomas foram chamados pelo diretor. A punição deles começaria naquele momento. Thomas odiava a ideia de ter que limpar banheiros, ainda mais com Logan. Logan odiava mais ainda. Não houve protesto de nenhuma das duas partes, eles sabiam que estariam sendo errados se reclamassem. Começaram a limpar vários banheiros, e fizeram isso pelo resto dia. Pararam apenas para jantar e irem dormir. No dormitório, Logan deitou-se em sua cama exausto.
—Eu to quebrado... — Disse Logan enquanto olhava para Henry na cama do lado.
—Imagino... Como se não bastasse lavar banheiros o dia inteiro, teve que lavar com Thomas Howard. Eu não queria estar no seu lugar.
—Bleh... Eu preciso dormir, senão amanhã eu não levanto. Até.
—Boa noite.
Logan não tinha mais forças pra continuar acordado, seu dia foi longo e cansativo. Em alguns instantes pegará no sono, diferente de Henry que ficou acordado por mais algum tempo lendo alguns livros. Ele não podia imaginar que tinham livros que falavam sobre seu pai e seus feitos. Tinham livros falando sobre o grupo de seu pai. Henry ficava maravilhado de ver histórias sobre Seth e Marinne Vermilion. “Seth e Marinne Vermilion tomaram iniciativa para criar um grupo de combate a todo tipo de força que poderia ameaçar os dois mundos. Juntos com Elise e Jake Reddan e Louise e George Scarlet, eles formavam um dos grupos mais poderosos de proteção mundial” Significava muito para Henry, Logan e Jane o feito de seus pais.
—Destino engraçado esse... — Deixava escapar uma breve risada de satisfação. Encarava por um tempo o teto escuro até seus olhos começarem a pesar e Henry finalmente pegar no sono.
Ainda naquela noite, Henry se levantava com um barulho ensurdecedor que invadia sua cabeça. Olhava a volta e via que todos ainda estavam dormindo.
—Mas que barulho é esse? — Henry levantava de sua cama, saindo do dormitório. Andando pelos corredores escuros do castelo principal, começou a seguir o barulho ensurdecedor que tanto chamava sua atenção. Sem ver direito por onde andava, esbarrava em alguém.
—Ai! Quem está ai? — Perguntava uma voz meio falha.
Henry ouvia um estalar de dedos a sua frente. Uma pequena chama acendia-se na mão da pessoa que estalava os dedos. Era o professor Khiev.
—Oque faz fora da cama uma hora dessas, Henry?
—Professor, o senhor não ouviu o barulho?
—Que barulho? — Khiev parecia não entender oque Henry estava dizendo.
Henry percebeu que ninguém de seu dormitório ouviu o barulho, apenas ele. Pensou que podia ser algo de sua cabeça e achou melhor deixar pra lá.
—Me desculpe professor... Acho que foi impressão minha.
—Tudo bem Henry, volte para a cama. Não é seguro andar pelos corredores essas horas.
—Certo. Boa noite. — Henry voltava disparado para o dormitório, deitava-se novamente em sua cama. Oque foi isso que ele ouviu? Por que só ele ouviu esse barulho? Eram várias perguntas na cabeça de Henry, todas sem resposta. Rolou um pouco na cama pensando nisso, mas não conseguia dormir. Decidiu não pensar mais nisso, até que finalmente conseguiu dormir direito. Amanhã será um dia cheio e provavelmente cansativo. Se não tivesse uma boa noite de sono ficaria indisposto no dia seguinte. Aquele assunto estava tão focado na cabeça de Henry, que ele sonhou com isso a noite. Sonhou com a escola que Logan tinha citado e no meio do sonho mais algumas perguntas surgiam na sua cabeça: Oque o professor Khiev fazia lá? Por que quando Henry esbarrou com o professor o barulho parou? Pois é, mais perguntas sem respostas.
Acordou de novo no meio da noite com o mesmo barulho. Decidiu que não se levantaria para ver oque se passava. Afundou sua cabeça no colchão a cobrindo com o travesseiro para dar um jeito de o barulho parar de incomodá-lo. Ficou assim até finalmente pegar no sono. Não sonhou mais, não ouviu mais nada, apenas conseguiu enfim dormir. Só por algumas horas.
Quando o dia finalmente clareou, Henry estava cansado, mas tinha que cumprir com os horários. Acordou com Logan o cutucando.
—Henry... Henry... — Logan cutucava e chacoalhava Henry.
—Acordei, acordei... — Diria Henry com uma voz falha enquanto abria lentamente seus olhos.
—Você parece mais quebrado que eu... Não dormiu a noite?
—Dormi pouco. Aconteceram umas coisas estranhas.
—Vamos tomar café, lá você explica melhor... Jane já deve estar lá nos esperando.
—Certo. — Henry se levantava totalmente indisposto. Trocava-se e seguia para o grande salão junto com Logan. Os dois sentavam-se ao lado de Jane.
—Por que vocês demoraram tanto? — Perguntava Jane enquanto olhava para Henry e Logan.
—Henry dormiu de mais... Conta agora oque aconteceu, Henry.
—Espera ai. — Henry estava com os olhos fechados e mastigando um pão sem nada dentro.
—Henry, acorda. — Jane dava umas tapinhas de leve nas costas de Henry.
—Eu estou acordado, só estou testando vocês.
—Pode nos dizer agora oque aconteceu?
—Sim, sim... Então, esta noite — Henry dava uma pausa para engolir o pão — Eu ouvi uns barulhos estranhos. Era um barulho bem fino e que ia sumindo cada vez que eu ia me aproximando.
—Você saiu do dormitório à noite? — Perguntou Logan olhando pra Henry.
—Sim, só eu acordei com esse barulho... Estavam todos dormindo, ninguém ouviu nada. Eu tinha que ir ver oque era.
—Por que não me chamou?
—Você estava morto lá, não ia te acordar.
—Tá, continua.
—Então, eu estava chegando a um ponto que o barulho estava quase sumindo, até que eu esbarrei no professor Khiev. Quando esbarrei nele o barulho parou totalmente.
—Oque o professor Khiev tava fazendo acordado? — Jane se debruçava na mesa enquanto olhava pra Henry.
—Eu não sei, eu só o obedeci e voltei pra cama. Depois disso consegui dormir por alguns minutos, até o barulho voltar de novo.
—Então quer dizer que o mesmo barulho irritante apareceu duas vezes e ninguém além de você ouviu? — Perguntava Logan pasmo. Isso não era normal. Não mesmo.
—Isso... Mas dessa vez eu não levantei. Consegui dormir de novo não sei como.
Depois de um tempo conversando, os elfos passavam limpando as mesas. Os alunos estavam liberados para irem para seus colégios. Henry, Logan e Jane tomavam diferentes caminhos, mas o pensamento era o mesmo.
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