HIP - De volta a estaca zero
2 Sem volta
Numa sala sem cor, havia alguns móveis de mogno e muitos livros velhos de páginas enegrecidas pelo uso e pelo tempo numa estante que mais parecia ser feita de pau brasil. Também havia bem ao centro, um sofá capitonê clássico do século XIX. Há frente, uma pequena escrivaninha com caneta á tinta e papéis de vários tamanhos e formas, além de uma lamparina a carbureto já acesa. E bem mais ao alto, no teto, um lustre que aparentemente, por seu brilho intenso, se dizia diamantes ou cristais finíssimos, mas que ainda sim eram discretos.
Os dois entraram por aquela porta sem fazer nenhum barulho, a não ser pelo da sola de couro do rapaz e pelo salto de camurça vermelho da donzela no assoalho de madeira rústico marrom.
—Sente-se, por favor. Quer um chá? Uma água? – Disse o rapaz direcionando-a ao sofá.
—Não obrigada.
—Bem, então por onde podemos começar? – Sentando-se ao lado dela.
—Acho que do começo está ótimo. – Disse já nervosa com seus pensamentos.
— Se é assim que deseja... – Disse ansioso.
Ela não parava de suar. Suas mãos se contorciam uma sobre a outra de uma forma continua, de um jeito que quem a olhasse, entraria em transe e logo se agoniaria. O rapaz, percebendo-a assim, trouxe-lhe uma xícara de chá morno adocicado, dizendo que tudo ficaria bem, que bastaria ter paciência, concentração e calma, e que tudo iria se resolver. Ela se lembraria de seu passado, e logo o agradeceria pelo chá quando voltasse ao seu estado natural.
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