Notas iniciais
Ninguém está lendo mesmo, mas eu continuo postando com esperança de que alguma boa alma leia.

– CAPITULO SETE –

(Lillith)

Edward deu a volta no carro e abriu a porta para ela. Aquele ato de cavalheirismo que pareceria idiota vindo de outro – ela tinha mãos! Não precisava que abrissem portas para ela — pareceu tão natural vindo de Edward, que não a surpreendeu.

- Estamos atrasados. – Lillith observou o óbvio.

- Sim. – Ele concordou andando tranqüilamente ao lado dela – Mas você tem uma boa desculpa.

Ele pegou delicadamente a mão de Lillith que estava presa numa tala e ergueu-a na altura dos olhos da garota. Ela sentiu que corava horrivelmente devido o contato dele e puxou a mão rápido como se tivesse sentido alguma dor. Edward não tocou sequer no seu ombro depois disso. Lillith amaldiçoou-se por dentro, pensando que merecia arder no abismo mais fundo e quente do sétimo dos infernos.

Chegaram na aula de inglês, segunda aula. Bem no meio dela... O professor não pareceu muito satisfeito com isso. Alice, no entanto, pareceu simplesmente radiante por vê-los e, enquanto Edward murmurava uma desculpa para o professor, ela acenou alegremente para Lillith, convidando-a a sentar-se a seu lado. Edward sorriu torto para a garota e foi sentar-se na cadeira imediatamente atrás de Alice. Com um suspiro resignado, Lillith juntou-se à baixinha.

- Onde diabos vocês dois se meteram? – Sibilou Alice sorrindo – Fugindo pra namorar? Ai, ai, ai, Lillith, não foi assim que eu te criei!

- Nós fugimos pra ver Carlisle – Edward rosnou baixinho – Lillith quebrou a mão, Alice. E eu não sabia.

Havia um tom de acusação na voz de Edward, como se Alice fosse a culpada da mão de Lillith estar machucado... Como se Alice fosse responsável pelo desastre que ela era.

- Ah, é mesmo? – Alice disse com uma expressão de inocente surpresa surgindo em seu rosto – Machucou muito, Lils?

- Estou bem, o Edward é que é um maníaco exagerado. – murmurou Lillith. Edward riu.

- O que diabos é isso que você está vestindo? – Alice perguntou de repente olhando mais atenta para suas roupas – Você andou bebendo?

- O que tem de errado com o que estou vestindo?

- Há! O que NÃO tem de errado com o que você está vestindo! Meu Deus, esses jeans parecem ter saído do século passado de uma coleção que sobreviveu a um incêndio! Saiba que a Betsey Johnson lançou uma coleção que cairia perfeitamente em você se...

- Alice! São meus jeans preferidos, mais respeito.

- Eu tenho respeito por Dolce & Gabana, querida. Não por isso aí. Se você não gosta de marcas assim caras, eu diria que uma Banana Republic não é de todo ruim... Eca... Lillith, o que é isso que está nos seus pés? Você não chama isso de tênis, chama?

- Alice, vá ver se eu estou na esquina, sim?

- Vestida desse jeito? Oh, não benzinho, eu não deixaria você ficar na esquina vestida desse jeito. Isso pede uma transformação completa!

Lillith fez uma cara indignada e começou um discurso sobre o consumismo exacerbado na América e onde essa necessidade de seguir o que dita a indústria da moda ia levá-los. Não que ela se importasse tanto com isso. Apenas estava usando o discurso do professor doido de história para calar a boca de Alice.

Infelizmente, o professor de inglês não parecia achar que sua aula era o lugar ideal para discursos socialistas anti-consumismo.

- Srta. Finkley... Podia dizer o que acontece com Hermione no fim de “Conto de Inverno”?

Hermione?, pensou Lillith desesperada, Achei que estávamos estudando Shakespeare e não Harry Potter!

Ela ouviu Edward rir baixinho atrás dela quase como se ouvisse a confusão no seu cérebro. Não era a primeira vez que o ruivo dava a impressão de poder ler mentes. Afastou esse pensamento absurdo (e apavorante) da mente e tentou desesperadamente achar uma resposta aceitável.

Então ela sentiu um sopro de hálito frio em sua nuca. A voz perfeita de Edward Cullen lhe sussurrava a resposta. Ela arrepiou-se, mas não hesitou nem por um segundo em repetir palavra por palavra do que ele falara:

- A rainha Hermione se finge de morta, mas depois se descobre que ela estava viva, aguardando o arrependimento do seu marido Leontes.

- Exato. – o professor pareceu surpreso – Hmm... A ultima aluna pra quem perguntei isso me falou algo sobre Hermione se casar com um homem chamado Rony, mas que na verdade devia ter ficado com um tal de Potter.

- Mas que absurdo! – Lillith ecoou o tom indignado do professor, mas em seguida acrescentou num sussurro: — Todo mundo sabe que o Potter tem que ficar com a Ginny.

Por sorte, o professor não ouviu, mas o resto da turma sim. Uma onda de risinhos correu pela sala. [N/A: Seres humanos que não entenderam, aqui vai a explicação da tia Luh õ/ A Hermione falada pelo professor trata-se da Rainha de Sicília da peça “Um Conto de Inverno” escrita por William Shakespeare. Esse também é o nome da melhor amiga de Harry Potter, na série de J.K. Rowling. E nossa heroína Lillith claramente prefere J.K. Rowling à Shakespeare :P]

O sinal finalmente tocou. Uma aula de calculo longa e enfadonha e complicada e solitária a esperava já que o pinguço do Jeff resolvera faltar. Lillith lamentou ter que almoçar sozinha mentalmente quando uma Alice saltitante gorjeou:

- Vai almoçar conosco, não é Lillith?

- Com vocês e sua doce irmã loira? – Lillith deixou escapar.

Em seguida deu-se conta do que havia falado e começou a corar. No entanto, Edward e Alice pareceram acha engraçado e dispensaram as desculpas balbuciadas da garota. Alice sorriu malignamente:

- Ela não fará nada. Edward arrancaria os braços dela.

Lillith olhou para ele que revirou os olhos como se dissesse “Não ligue, ela apenas esqueceu de tomar o remedinho hoje”. Alice pareceu notar o desdém do irmão, pois continuou:

- E se ele não fizer, eu mesma vou raspar a cabeça dela e jogar todas as roupas fora. E ela teria que pegar minhas roupas emprestadas, só que minhas roupas ficariam pequenas nela. Deve ficar muito engraçada. Ou ela pegaria as roupas do Emmett! Ela ia parecer que estava usando um saco de batatas!

Alice abraçou a barriga e começou a rir como se nada no mundo pudesse ser mais engraçado do que a visão de Rosalie usando as roupas e Emmett. Edward balançou brevemente cabeça.

- Alice... Você andou tomando café demais ou coisa assim? – Lillith perguntou erguendo as sobrancelhas.

- Ah, não. – Edward suspirou – Ela é assim desde que nasceu. Eu suponho que a mãe tenha usado drogas durante a gravidez ou talvez a Alice tenha caído do berço de cabeça ou coisa assim.

- Suspeitei. – Lillith fez uma expressão muito convincente de condolência com a loucura de Alice. Edward riu.

Alice deu uma cotovelada no irmão. Lillith podia jurar ter ouvido o barulho de duas pedras se chocando, mas logo decidiu que estava imaginando coisas. Despediu-se rapidamente dos Cullen quando Alice resolveu lançar uma ofensiva maior e pular nas costas de Edward apertando-lhe as bochechas. Lillith perguntou-se o que diabos haviam colocado no café da manhã de Alice.

Ela sentou-se no fundo da sala de calculo. Não estava interessada no que o professor dizia então, no lugar de tomar notas da aula, desenhou um grande círculo numa folha destacada. Tendo desenhando a base, Lillith já sabia o que fazer. Sua mão correu ágil pela folha quase como se tivesse vontade própria. A garota parou por um instante e deu-se conta do que estava desenhando: Rosto de Edward, cabelos de Edward, olhos de Edward, nariz de Edward e até as orelhas de Edward.

Ela parou por um instante. Não tinha certeza se conseguira reproduzir totalmente a perfeição que ele era, mas estava bastante bom. Ela passou a desenhar lentamente tomando especial cuidado ao desenhar os lábios dele.

Alguém ocupou o lugar ao lado dela, mas a garota não prestou atenção. Ninguém nunca ligara para ela e não era justo naquele momento que iam começar. Lillith estava focada em desenhar toda a perfeição daqueles lábios tão... Perfeitos (?). Era verdade que desenhava bem como Da Vinci, modéstia a parte, mas sempre tivera um problema com bocas. Elas sempre ficavam...

- Mas que droga é esta, Lillith Finkley?

Uma mão masculina puxou seu desenho fazendo um risco descer do canto da boca de Edward até seu queixo. Por um momento apavorante, ela concluiu: Alguma força obscura arrastara Edward até a aula de calculo e agora ele pegava o desenho. Ele devia estar achando que ela era uma maníaca tarada que ficava desenhando os garotos. O momento de pânico passou quando ela ergueu os olhos e viu que quem examinava o desenho não era Edward.

Ela suspirou de alívio. Era apenas o Jeff.

...

Um minuto! Jeff!?

- O que você faz aquiii? – Lillith se debruçou sobre a cadeira para pegar o desenho, mas Jeffrey sacudiu-o longe do alcance da garota.

Quando ela desistiu, ele examinou-o. A expressão no rosto do rapaz era de nojo, como se Lillith houvesse desenhando uma lhama esquartejada, ensangüentada e cozida com cebola. A garota sentiu que corava ao extremo quando ele lhe atirou o desenho de volta, como quem se livra de uma peste.

- Me senti melhor e resolvi vir a aula – ele explicou fazendo careta – Mas acho que vou vomitar de qualquer jeito.

- Isso é problema seu. – ela retrucou friamente.

Lillith cruzou os braços na frente do corpo e endireitou a coluna, tentando manter uma postura fria frente à atitude de amigo, mas não deu muito certo já que seu rosto parecia um tomate com ketchup (?).

A frieza entre eles dois era muito pior do que se Jeffrey tivesse realmente faltado e Lillith tivesse ficado o dia inteiro sozinha como uma completa idiota. O rapaz não parecia nem um pouco disposto a falar com ela, embora andasse a seu lado entre as aulas restantes.

Ela também não queria falar. Sabia que podia fazer com que Jeffrey voltasse a falar com ela facilmente, afinal já haviam brigado antes – ela não sabia, é claro, que dessa vez ele tinha um motivo a mais pra ficar bravo – Mas não queria arriscar. Se discutissem, ela acabaria falando besteira e Jeffrey contaria a seu pai.

Oh, como estaria ferrada se Jeff descobrisse que fora proibida de ver/falar/conhecer qualquer um dos Cullen! Talvez por este motivo Lillith quase teve uma síncope quando saiu da aula de biologia e encontrou com Alice esperando-a do lado de fora, quase como se tivesse previsto que Lillith ia escapulir pra não ter que almoçar com os Cullen.

- Oláááááá... Amiguinha mal-vestida! – Exclamou Alice a guisa de cumprimento.

Jeffrey olhou para Alice de olhos arregalados como se jamais tivesse visto nada parecido. Lillith precisou recorrer a todo o seu auto-controle para não corar.

- Alice, deixa de ser chata. – Lillith implorou quando a baixinha pegou seu braço e começou a puxá-la pelo corredor.

Jeffrey seguiu-as parecendo chocado. O que diabos acontecera durante a sua ausência? Ele faltava a escola por dois dias e meio e Lillith se metia com... Aquela família incestuosa e esquisita?

(Edward)

Jasper estava cauteloso, o que fez Edward notar, mesmo sem ler os pensamentos dele, que Alice tinha planos que iam deixá-lo irritado. Edward ergueu as sobrancelhas para o irmão que parecia estar se esforçando para não pensar em Alice. Sentindo o mau humor de Edward, Jasper virou-se para o irmão e sorriu um pouco.

O suficiente para Edward ler os pensamentos do loiro e gemer. Alice estava vindo com Lillith outra vez. Então ouviu outros pensamentos... Pensamentos que não falava, gritavam ódio pelos Cullen. Jeffrey Deppalier... Estava irritando-o profundamente.

Os sentimentos dele eram tão... Possessivos com relação à Lillith! Como ele ousava se sentir daquela maneira com a sua Lillith? Como se atrevia sequer a imaginar ficar... Edward deixou escapar um silvo de ódio. Jasper ergueu as sobrancelhas face à raiva do ruivo.

- Qual é o problema, Edward? – perguntou surpreso – Ela só vai trazer a Lillith pra sentar com a gente.

- Eu não me importo que Lillith sente conosco. – Edward rosnou. – Eu me importo com ele.

Jasper acompanhou o olhar do irmão e viu Alice entrando no refeitório arrastando uma Lillith muito corada. Logo atrás das duas vinha um rapaz que ele já vira com Lillith antes. Só precisou dar uma olhada nos sentimentos do tal rapaz para entender por que Edward estava tão mal humorado.

Emmett e Rosalie, que estavam chegando ao refeitório naquele instante, fitaram Lillith, Alice e Jeffrey. O humor de Rosalie foi de ruim a péssimo na velocidade da luz. Emmett fez uma careta como se a loira estivesse triturando sua mão. Os dois se aproximaram da mesa costumeira dos Cullen.

- Não me diga que aquela garota vai sentar de novo conosco? – perguntou Rosalie batendo uma mão na mesa e com a outra apontando para Lillith, que estava na fila para comprar o almoço.

- Aquela garota, eu não sei. – disse Edward o mais calmamente que pode – Mas a Lillith vem sim.

Rosalie sentou, bufando. Emmett ocupou o lugar ao lado da loira, parecendo muito hesitante em ficar perto dela. Jasper continuava a encarar Jeffrey. Rosalie seguiu o olhar do loiro e rosnou:

- Ah, são dois humanos agora! Que ótimo. Edward, eu por acaso estou segurando uma placa que diz “Estou adotando humanos perdedores”?

- Não, mas você devia ter uma placa dizendo “Vampira Extremamente Irritante congelada permanentemente em estado de TPM”.

Antes que Rosalie pudesse revidar, Alice apareceu arrastando Lillith, que parecia ainda mais desajeitada que de costume com a bandeja. A loira fez um barulhinho de desdém, atraindo o olhar repreensivo de Edward.

- Oi... – disse Lillith sem jeito – O... Hmm... Jeff chegou.

Edward teria rido dos pensamentos atarantados dela se não estivesse com muito nojo daquele Deppalier. Emmett e Jasper também não pareciam muito satisfeitos com a presença do humano. Jeffrey encarava os três de volta. Rosalie parecia prestes a arrancar o pescoço de Lillith a dentadas. A garota, por sua vez, parecia irritada e chateada com a atmosfera tensa.

Imune a qualquer incomodo que não fosse seu, Alice tagarelava alegremente. Edward nunca desejara tanto arrancar-lhe a língua. Então notou que aquilo estava chateando Lillith. Como ele podia continuar de mau humor se aquilo a perturbava? Tentou participar do monólogo de Alice, se esforçando para não dizer nada ao... Ser humano que ali estava.

O almoço se arrastou como nunca antes. Talvez fossem as respostas ríspidas de Rosalie ou fosse à frieza irritada de Jeffrey... Mas pareciam ter se passado mais cem anos desde a ultima aula quando Lillith levantou e anunciou que precisava ir buscar uma coisa em seu armário. Jeffrey levantou quase antes dela e a seguiu.

- Você está praticamente entrando na mente deles, não é? – perguntou Alice vendo a expressão concentrada do irmão.

- Sim. – Ele respondeu trincando os dentes.

- Mas o ciúme é um sentimento tão...

Não deu atenção no que fizera Alice para de falar, desde que ela se mantivesse calada. Lillith e Jeffrey estavam discutindo. Os dois subiam as escadas, quase rosnando um com o outro.

- Edward... Edward eu tive uma visão!

- O que? – o ruivo se virou pra irmã, com a vista turva. Os pensamentos ainda concentrados em Lillith e Jeff.

- Edward... Lillith!

Aquilo finalmente desviou-o do seu foco. Ele leu a mente de Alice e viu o que ela havia visto... Lillith, a escada... Não!

- Lillith! – Exclamou. Saiu correndo do refeitório, já quase vazio, o que foi realmente uma sorte. Afinal, não seria interessante se muitas pessoas notassem que Edward Cullen saiu correndo na velocidade da luz?

(Lillith)

- Qual é o seu problema, Jeffrey? – perguntou a garota, mordida. – Por que está sendo tão grosso?

- Eu falto a escola por um dia e meio e você se mete com... – Jeffrey se calou antes de dizer algo que com certeza faria Lillith dar-lhe uma tapa.

- Qual é o problema? – Ela rosnou – Eles são só uma família de adolescentes adotados e são muito legais.

- É, eu notei pelo jeito simpático que aquela loira te olhava. – Jeff deu as costas à Lillith e começou a subir as escadas.

- Ela não vai muito com a minha cara, mas os outros são legais. – Admitiu ela – Dá uma chance a eles, Jeff.

Ele parou de andar. Lançou um olhar à garota que a magoou. Era um olhar tão raivoso que a fez vacilar. Deu-lhe as costas novamente e começou a subir novamente.

- Não seja idiota! – Ela falou seguindo-o correndo – Eu tenho o direito de ter amig... Ah!

No ultimo degrau, Lillith tropeçou. Jeffrey viu pelo canto do olho que ela ia cair. Oh, céus! Ele virou-se rapidamente chamando-a pelo nome... E deparou-se com Lillith nos braços de Edward Cullen. Como?

- Edward! – Lillith exclamou parecendo chocada por estar nos braços do rapaz e não no chão.

- Você está bem? – a voz dele estava simplesmente em pânico.

- E-eu estou. Acho que sim. – ela parecia atordoada – Er... Obrigada Edward.

- De onde você saiu? – perguntou Jeffrey, parecendo quase irritado por Lillith ter sido salva.

- Eu estava subindo bem atrás de vocês. – Disse Edward parecendo genuinamente surpreso e começando a subir as escadas com Lillith no colo.

Jeffrey seguiu os dois de perto. Ele estava desconfiado, mas Lillith não queria saber por que ele estava assim. Ela estava sendo carregada por Edward Cullen! Podia desmaiar? Meu herói, pensou ela babando um pouco – figurativamente, é claro, crianças! – pelo rapaz.

- Você pode pô-la no chão agora. – Disse Jeffrey irritado.

Edward fez um ar surpreso como se só naquele momento tivesse se lembrando de que estava levando uns quinhentos quilos de garota, ou assim pensou Lillith. Aaah, eu te odeio, Jeffrey!, ela pensou ao ser posta no chão. Edward riu um pouco, baixinho, como se ouvisse. Lillith preocupou-se, perguntando-se se podia ter falado em voz alta.

Aparentemente não, pois Jeffrey não comentou nada.

- Vejo você por ai, Lillith. – disse Edward enfiando a mão nos bolsos e se afastando.

E se afastou com as mãos nos bolsos. Alguém aí pode culpar Lillith por ficar se abanando?

As aulas terminaram e Lillith não sabia o que fazer. Ligar pro pai? Ir para casa com Jeffrey? Acabou tomando a atitude mais “corajosa”: Escapuliu de Jeffrey assim que o sinal tocou, se escondeu pelos cantos sempre que tinha um vislumbre de algo parecido com Alice e saiu correndo para casa.

Ela devia ter imaginado que não era assim tão fácil enganar Alice. Lillith já estava na metade da metade do meio do caminho (??) quando uma voz gritou às suas costas, pela segunda vez naquele dia.

- LIIIIIIIIIIIIIIIIILLITH!

- Mas que inferno. – murmurou parando de andar por instinto.

Edward estava mais uma vez na direção. Não havia sinal de Emmett e Rosalie. O ruivo abriu a porta mais uma vez para Lillith e se curvou para o banco do passageiro:

- Eu não preciso enumerar de novo todos os perigos de ir pra casa sozinha pra você entrar, preciso? – ele perguntou com um sorriso torto.

Com um suspiro, a garota entrou no carro. Podia muito bem se acostumar com aquilo.

~ * ~

No seu quarto, Lillith tirou o desenho de Edward da mochila. Amaldiçoou Jeffrey de todos os nomes que conhecia. Ele a fizer riscar o queixo perfeito de Edward. De outro modo, o desenho estava quase perfeito! O risco era estranho, dava a impressão de que Edward estava babando... Ou...

Por um momento perturbador, Lillith imaginou aquele risco como sangue. Não como se ele estivesse sangrando, mas como se ele tivesse andado... Bebendo sangue. Como aqueles vampiros de filmes de terror que fazem um estardalhaço enorme para matar suas vítimas e saíam por ai com um filete de sangue escorrendo pelo canto da boca.

Com um estremecimento, Lillith guardou o desenho com cuidado dentro da gaveta de roupas, anotando mentalmente para consertá-lo depois.