Notas iniciais
Desculpa a demora, mas a Luh estava com problemas e não me passou o cap para eu postar. Bem, se alguém ainda ler; BOA LEITURA!

(Lillith)

Jeffrey e Lillith caminhavam em silêncio, o que era incomum. A falta de assunto não era nada comum entre os amigos, mas naquele dia em especial Lillith não estava colaborando, afinal não queria começar a tagarelar e entregar alguns detalhes sobre Edward, despertando assim a fúria e a implicância de Jeff. Vendo que Lillith não ia ajudar em nada, ele resolveu tomar uma atitude.

- Então, como foi quando eu não estava? — perguntou ele, como quem não quer nada. — Parece que perdi muita coisa.

A pergunta despreocupada despertou em Lillith o desejo súbito de desabafar. Precisava falar sobre aquilo e precisava NAQUELE MOMENTO. Antes que pudesse se refrear, pôs para fora tudo o que estava querendo guardar para si mesma. Começou falando da aproximação súbita de Alice, a amizade de Edward — mesmo tendo amenizado algumas coisas com relação a seus sentimentos pelo ruivo — e logo estava falando sobre o comportamento estranho de Rosalie, como se a odiasse, apesar de não conhecê-la.

- ... Mas talvez ela me odeie por ter jogado refrigerante nela. Mas eu não teria derrubado se ela fosse gentil. — concluiu, frustrada.

- O ruivo está olhando para você. — comentou Jeffrey, friamente.

- VocÊ ouviu uma única palavra do que eu falei? — Lillith fingiu que o olhar de Edward não a perturbava.

Podia fingir para Jeffrey — muito mal, é verdade, mas podia — contudo, não podia fingir para si mesma. Logo que acabou de falar, olhou disfarçadamente para trás e o seu olhar encontrou o par de olhos dourados. Lillith desviou rapidamente e começou a se xingar por dentro por ter sido pega. Por outro lado... Oras, ele é que estava olhando. Ele é que devia ficar constrangido. Isso levou Lillith a perguntar-se por que Edward estaria olhando para ela. Estaria com o rosto sujo de comida ou coisa parecida?

Arriscou um olhar disfarçado por cima do ombro. Edward tinha um sorrisinho mínimo nos lábios, como se imaginasse os pensamentos desesperados da garota.

Você é mesmo idiota. Pare de olhar para ele, dizia uma vozinha em sua mente, Ele vai achar que você é uma desesperada. Garotos não gostam de garotas desesperadas.

Pro inferno!, pensou em resposta, Não preciso que o Edward goste de mim. Se ele quiser ser meu amigo, que me aceite como sou.

É, é por isso que você está encalhada.

Lillith estava a beira do desespero com sua dupla personalidade quando o olhar carrancudo de Jeffrey a arrancou do seu conflito interno. Será que estava tão na cara que ela estava desesperada?

- O que está olhando? — sua voz soou mais petulante do que esperava, então tentou consertar em tom mais brando: — Ei, Jeff, por que está tão mal humorado? Não é por eu ter sentado com os Cullen, é?

- Não é da minha conta com quem você senta ou deixa de sentar, Lillith. — retrucou o garoto com frieza — Afinal, sou só seu melhor amigo, não é mesmo? Que importancia tenho, afinal?

- Não precisa ser sarcástico. — Lillith fez bico — Vamos, o que você tem contra os Cullen? Por que não pode virar amigo deles?

Jeffrey abriu e fechou a boca sem que nenhuma resposta fossse dita. Ele fechou a expressão para alguma coisa atrás da garota, mas antes que ela pudesse virar-se, duas mãos delicadas, mas geladas e com textura de mármore, cobriram os seus olhos. Lillith tentou não arrepiar-se ao toque das mãos de gelo. Uma voz alegre tilintou em seus ouvidos:

- Adivinha quem é? — cantarolou Alice, animada.

- Alice, você está puxando a Lillith para trás. Vai quebrar a coluna dela desse jeto, chaveirinho. — zombou uma voz muito mais profunda.

- Fique quieto, seu gigante. — Alice ralhou, mas largou Lillith. — Ei, ei Lills! Vamos ao shopping juntas?

- Eh?

- Ao shopping, Srta. Lerda! — Alice sacudiu os braços — Preciso de roupas novas e não tem graça ir sozinha.

- Eu... Ahn... Alice, na verdade, estou indo... Ahn... ao... Estudar. Estou indo estudar com o Jeff, então não posso...

- Jeff é o seu amigo que está entrando naquele carro lá agora?

Traidor!, pensou Lillith vendo Jeffrey ligar o carro. Tentou montar uma expressão de quem pede ajuda quando seus olhos encontraram os do rapaz. Provavelmente, pareceu apenas irritada, pois Jeffrey respondeu com um olhar duas vezes mais carrancudo. Alheia ao clima tenso entre os dois amigos, Alice deu uma risadinha alegre.

(Edward)

Ainda sem acreditar na teimosia de Alice, Edward dirigiu pelo caminho familiar de casa. Não era preciso ler a mente de Jasper para saber que ele não estava com vontade de fazer compras com quem quer que fosse. Não era preciso ler mentes para ver que Alice não estava preocupada com o mau humor de seu amado, uma vez que sabia que conseguiria o perdão tão logo quisesse. Não era preciso ler mentes também para notar que Lillith estava se sentindo culpada por Alice ter jogado charme em cima de Jeffrey. A garota não parava de eximinar o casal pelo espelho retrovisor com um ar nervoso.

Chegaram a uma parte deserta da estrada, onde nada havia, exceto um caminho estreito entre as árvores, suficiente apenas para um carro.

- Por que paramos aqui? — perguntou Lillith — Vamos esconder as provas de um crime ou enterrar um corpo?

- É aqui que eu desço. — Respondeu Jasper, já saindo do carro.

- O quê? — Lillith encostou o rosto no vidro do carro para olhar em volta. — Mas aqui deve ser o lugar deserto onde gravaram a ida do homem à lua e onde nasceu o ET do Panamá.

- É que nossa casa é pra lá. — Alice indicou o caminho entre as árvores.

Lillith congelou ali mesmo. Tanto Edward quanto Alice ouviram os batimentos cardíacos da garota acelerando e bombeando todo o sangue para o rosto. Com um sorriso que mais parecia um tique nervoso congelado do rosto, lentamente voltou à sua posição inicial no bando. Os pensamentos dela gritavam: "Waaaa! Mandei muito bem! Disse que o Edward mora no ninho do ET do Panamá! Eu sou muito burra! Preciso de um buraco, querto me enterrar, quero virar um hipogrifo e voar para as colinas onde não poderei mais falar esse tipo de bobagem!"

Edward comprimiu os lábios para não rir. Escutar os pensamentos dela era uma tentação à qual ele não conseguia não ceder, divertindo-se com a linha de raciocínio que às vezes beirava à incoerência. Ela estava tentando esquecer a gafe cometida, embora Edward jamais tenha ouvido algo menos ofensivo do que "morador do ninho do ET do Panamá". Aos poucos, os pensamentos dela acalmaram-se até ela começar a pensar no pai.

Ela lançou um olhar preocupado ao celular. "Não tenho créditos"pensou, "Eu deva pedir ao Edward, mas... Pelo amor de Deus, como eu vou pedir emprestado o celular do cara que eu disse morar onde nasceu o ET do Panamá?"

- Hmm.. Lillith? — Edward tossiu, para esconder uma risadinha. — Você não devia ligar para o seu pai e avisar que não vai voltar para casa cedo?

- Eh? — Lillith corou — Ah... Eu estava esperando... Chegar ao shopping. Sabe, ligar de um telefone público. Acabei me esquecendo de colocar crédito no celular.

"Esqueci o caramba, eu gastei todo o dinheiro naquela livraria e acabei ficando sem nada pro celular.", pensou Lillith com amargura.

- Você é burra? — perguntou Alice rindo — Nós temos telefone, sua boba. Empreste o telefone a ela, Edward. Agora.

- Eu ia emprestar sem que você mandasse.

Lillith aceitou, desajeitada, o celular que o ruivo lhe oferecia. Ficou tão sem graça que demorou vários segundos para lembrar-se como dizer obrigada. Discou o número familiar automaticamente e pôs o celelar na orelha. Ouviu tocar uma vez e, por reflexo, desligou. Entrou em pânico? Que diabos ia dizer a seu pai? Edward não pode evitar franzir os lábios de frustração ao saber que o pai da garota a havia proibido de andar com os Cullen. E ele nem podia culpá-lo por isso.

- Algum problema? — perguntou Alice inocentemente.

- Nada. Percebi que tinha discado o meu número antigo. — mentiu Lillith, soltando um risinho nervoso ao reabrir o flip.

O telefone não havia tocado duas vezes quando foi atendido. Edward e Alice fingiram não poder ouvir a voz do pai de Lillith dizendo "Alô".

- Papai. — guinchou Lillith, parecendo mais nervosa do que pretendia. — Sou eu. A sua filha. A Lillith.

- Certo, sei quem é minha filha. — ele riu — Algum problema?

- Sim. Digo, não. — Lillith pareceu prestes a arrancar os próprios cabelos. — Digo, está tudo bem, mas eu liguei para avisar que não vou voltar cedo pra casa. Estou indo até a cidade vizinha com uma amiga. Fazer compras. Ela vai fazer compra. Eu vou fazer companhia. Você sabe.

- Você está estranha. Que amiga?

- O senhor não conhece. — E não era mentira.

- Oh. Tudo bem, acho. — ele pareceu distraído. — Divirta-se.

E desligou.

Lillith olhou para o telefone, perguntando-se se algum alien teria aduzido seu pai e deixando um clone estranho em seu lugar. Então percebeu por que ele tinha concordado tão rápido: Ia ligar para Jeffrey!

Foi tomada por tal pânico que, sem pedir licença a Edward, começou a discar o número de Jeffrey. Suspirou aliviada ao ouvir os toques, sinal de que fora mais rápida do que o pai em entrar em contato com o garoto. A voz de Jeffrey ao atender o telefone era mau humorada, como sempre acontecia quando atendia a um número desconhecido.

- JEFF! Ajude-me, por favor! — implorou Lillith sem sequer cumprimentar.

- O que? Lillith? — Jeffrey de repente pareceu mais desperto e preocupado — Onde você está? Quer que eu vá te buscar?

- Não esse tipo de ajuda, baka! (N/a: Idiota em japonês) Eu quero apenas que você confirme uma história para o meu pai. Ele vai ligar para você e perguntar com quem eu estou e você vai simplesmente dizer que eu estou com uma amiga nova fazendo compras, entendeu?

- Em primeiro lugar, por que eu diria algo diferente? É verdade não é?

- Eu sei que é verdade! Mas... Sei lá, você pareceu irritado hoje, você podia dizer que eu saí com os traficantes de ouriço do mar de Ikkebukuro.

- ... — Jeffrey respirou fundo. — Espera, os Cullen estão traficando ouriços do mar pra Ikebukuro?

- Jeffrey, apenas diga que eu saí com uma amiga nova legal e que meu pai não precisa surtar!

- Ok!

- Ótimo!

- Ótimo!

- OBRIGADA!

- DE NADA!

E, ao mesmo tempo, desligaram um na cara do outro.

- Então... — Alice, com o maxilar travado para não rir falou — O que diabos é Ikebukuro, Lillith?

**

Lillith parecia a beira das lágrimas quando foi arrastada para dentro de um provador pelo que parecia ser a milésima vez naquele dia. Edward, do lado de fora, sorria de um jeito quase felino cada vez que Alice empurrava uma vermelha Lillith para fora, sempre usando lindas roupas que realçavam ainda mais sua beleza, aos olhos do rapaz. Para a consternação da garota, Alice insistia em levar todas as roupas que as duas estavam provando, embora Lillith insistisse que Alice não devia gastar dinheiro com ela.

Edward estava distraído com uma revista quando ouviu passos e uma respiração familiar. Segundos depois, Lillith agarrou a frente da blusa do ruivo.

- Me tire daqui! Eu imploro! — ela gemeu.

- Qual é o problema, Lills? E onde está Alice?

- Eu consegui escapar enquanto ela provava outro vestido. — Lillith suspirou — Edward, se eu tiver que provar outra blusa cara e desconfortável, juro que vou me enforcar com ela.

- Ok, ok, sem enforcamentos. — Edward riu e olhou em volta. — Vamos pro ultimo lugar que ela pensaria em nos procurar então.

Ele segurou a mão da garota, distraidamente. Lillith não pareceu estranhar a temperatura da mão do rapaz, dentro do shopping cheio de ar condicionado. Os dois aventuraram-se entre a multidão. Parecia um pouco irresponsável abandonar Alice sozinha, mas ela tinha o cartão de crédito, um celular e certamente lembrava-se de onde tinham deixado o carro... Cujas chaves estavam com Edward.

O vampiro levou a garota a uma sorveteria no extremo oposto da loja onde haviam deixado Alice. Sem perguntar, ele comprou o sabor favorito da garota, embora não tenha se servido de nada.

- Não vai comer? — perguntou Lillith.

- Não. — Edward sorriu — Não estou com muita fome. Está bom?

- Está ótimo. Obrigada. Pela fuga e pelo sorvete.

- Foi um prazer.

E sorriram um para o outro. Para a surpresa de Lillith, ela não precisava dar ataques e fazer bobagens toda vez que ficava sozinha com Edward. Pelo contrário, sentia-se extremamente a vontade na presença do ruivo. Era estranhamente reconfortante conversar com ele. Os dois estava rindo quando uma furiosa Alice surgiu do meio de uma multidão de garotas que se acotovelava para entrar numa loja de departamentos.

- Alice! — gritou Lillith, parecendo assustada — O que você... Como nos encontrou?

- Você está brincando? — Alice grunhiu — Eu não perderia vocês, os encontrei pelo seu cheiro. Lillith, eu posso esperar essas coisas do Edward, mas não de você. Somos amigas ou não?

- Ah, sim, Alice, mas... — Lillith ergueu as mãos para fazer um gesto de quem se rende... E entornou o sorvete na camisa de Edward.

Os três ficaram em silencio por vários segundos. Lillith encarou a camisa do garoto, cheia de chocolate e, como se estivesse sendo enchida de água quente, foi ficando cada vez mais vermelha até atingir um surpreendente tom de escarlate.

- E-Edward... Eu... Eu... Ah, meu Deus, me desculpe!

"Por que, meu Deus!? Por que, sempre que estou com eles, eu tenho que derrubar comida em alguém?! POR QUEEEEEE?" pensou Lillith, desesperada. Edward riu. Alice meneou a cabeça.

- Bem, vamos comprar uma camisa nova pra você, Edward, joga essa fora.

- EH? — gritou Lillith — Você é idiota? Comprar uma camisa nova só por causa d-di... Não que eu esteja dizendo que não é nada, Edward, eu realmente sinto muito. Eu vou lavar sua camisa pra você.

- Não precisa, Lillith. — Edward continuou rindo. — Vamos pra casa, então eu posso trocar de roupa. Você já comprou tudo o que podia, não é, Alice?

- Claro que não. Mas acho que não tem jeito. — Alice suspirou. — Vamos pra casa.

- Ei, não esqueçam de ir me deixar! — Reclamou Lillith e, tomada por um surto de vergonha, acrescentou: — Ou me emprestem o celular para que eu chame um táxi?

- Você ficou maluca? — um sorriso quase sádico se desenhou no rosto de Alice. — Você vai com a gente. Estou oficialmente te seqüestrando.

**

Meia hora depois — 20 minutos de briga, 5 de luta e mais 5 de viagem — Uma Lillith emburrada encontrava-se no banco do passageiro do carro de Edward. Alice sorria, radiante, enquando Edward parecia ignorar a situação a seu redor, pelo bem da própria sanidade. Lillith não parecia ter notado que 70% das roupas compradas por Alice não eram para Rosalie (cuja silhueta era ligeiramente parecida com a da garota), mas sim para a própria Lillith. Edward previu uma briga quando ela descobrisse a verdade.

Com o tempo, Lillith distraiu-se olhando pela janela. Edward resistiu à tentação de ler a mente da garota, achando que apenas examinar seu rosto sereno era mais divertido do que saber de fato. Não pode deixar de notar o quanto Lillith era bonita. Apenas uma parte pequena de sua mente estava concentrada na direção, mais de oitenta por cendo prestando total atenção à garota. Ele notou quando os olhos azuis brilhantes emoldurado por cílios escuros arregalaram-se levemente ao avistar algo à frente: A casa dos Cullen.

O lugar era uma mansão de dois andares, bastante claro e todo janelas de vidro. Não havia sinais de movimentação dentro da casa, mas a maioria das luzes estavam acesas, criando uma aura de luz em torno da casa. Edward não tinha notado que o sol havia se posto.

A porta da frente abriu-se e uma mulher pálida de cabelos escuro saiu da casa sorrindo, como se tivesse ouvido o ronronar suave do motor do carro. A mãe de Edward, Esme.

- Vocês demoraram. — Esme comentou sorrindo em boas vindas ao vê-los descer do carro.

- Esta é a Lillith, Esme. — Alice anunciou saltando para fora do carro.

- Ouvi falar bastante de você, Lillith. — Esme sorriu. — Seja bem vinda a nossa casa e fique a vontade, por favor.

- Ah... Obrigada. — Lillith coçou a cabeça, sem jeito.

- Vamos para o meu quarto, Lills! Tenho muito o que te mostrar! Edward, peça comida japonesa, por favor. A Lills gosta.

- Espere aí... Como você sab... Alice!

Não havia tempo para protestar com alguém tão tenaz quanto a Cullen morena. Lillith olhou em desespero para Edward enquanto era arrastada escada acima, ao que ele respondeu com um sorriso mínimo de desculpas, como se indicasse sua impotência quando se tratava da vontade da irmã caçula.

Liillith estaria mentindo se dissesse que não se divertiu. Alice pôs um filme chamado Circo dos Horrores e, enquanto Lillith via, Alice brincava com as mãos da amiga. De alguma forma, a Cullen conseguiu deixar as unhas roídas e maltratadas bem feitas, ao pintar de rosa claro. Lillith estava tão atenta ao filme, que permitiu sem protestar. A comida não demorou a chegar, entregue por um Edward prestativo. Lillith tentou não imaginar o quanto ele fcaria perfeito em uma roupa de mordomo. (Nota da Luh 2.5: Admito, eu tava pensando no Sebastian.)

Enquanto praticava malabarismo com os hashis, Lillith teve o cabelo hidratado e penteado, o que a estava deixando um tanto desesperada. Em dado momento, Lillith decidiu fugir de algum modo. Estava se sentindo uma boneca de maquiar. Assim que a decisão foi tomada, Alice parou de mexer no cabelo da amiga. Um sorriso inexplicável surgiu no rosto da Cullen.

- Eu vou ao banheiro. — disse Alice alegre — Tem mais alguns produtos que eu gostaria de te mostrar, Lills. Não saia daí.

Minha chance! pensou Lillith, que não tinha um espelho por perto, mas se imaginava como uma daquelas mulheres de Moulin Rouge, com maquiagem forte e penteados estranhos. Estava revirando as coisas de Alice em busca de algo para limpar o rosto quando a porta do quarto abriu-se. Lillith ofegou. Como podia ser tão parecido com um filme de terror? Alice, com o mais sádico dos sorrisos, segurava um vidrinho minúsculo contendo um líquido amarelo.

- A-Alice... ?

- Agora, experimente este perfume, Lills! — Alice aproximou-se apontando o borrifado para Lillith.

Um cheiro enjoativamente doce penetrou nas narinas da garota, que fez força para não tossir.

- Alice, aponta esse troço pra lá! A-Alice! NÃO!

Alice começou a perseguir Lillith pelo quarto borrifando perfume doce ainda com aquele sorriso de quem tem um plano maligno em mente enquanto a garota fugia desesperada da sua nova melhor amiga. Lillith correu para fora do quarto sem pensar, tudo para fugir da maquiagem, do perfume e do demônio do consumismo que parecia ter possuído a Cullen. Uma vez no corredor, ela correu para a primeira porta que encontrou e fechou-a atrás de si. Estava respirando aliviada com as costas apoiadas na porta até...

- Lillith?

E ela quase teve um ataque cardíaco. Gostaria que alguma coisa a avisasse que Edward estava por perto. Um alerta de caras perfeitos, por exemplo, seria uma boa. Ela gostaria de poder se preparar psicologicamente para a perfeição. Mas lá estava Edward, parecendo mais glorioso do que qualquer mortal usando apenas jeans velhos, camiseta e meias. Ele estava sentado num sofá lendo um livro qualquer.

- Edward! O que você está fazendo aqui?

- Aqui é meu quarto.

E o prêmio de idiota do ano... É de Lillith Finkley! A garota sentiu o rosto corar. Na pressa de fugir de Alice, se enfiara num quarto qualquer sem se dar conta de que estava na casa de estranhos.

- Eu... Ah... Desculpe-me! — Implorou aproximando-se de Edward — Mas a maníaca da sua irmã estava me perseguindo com perfume francês. Francês!

- Porque não se senta? — sugeriu Edward, e Lillith não soube dizer se ele estava preocupado ou se divertido com sua aparente falta de sanidade mental, mas resolveu sentar-se ao lado dele. — O que houve?

- Primeiro, Alice veio com maquiagem, esmaltes e outras coisas assustadoras. — Lillith contou apontando para o próprio rosto, indignada — Ela me transformou numa boneca de vestir e quando eu achei que ela fosse cansar, ela correu atrás de mim borrifando perfume loucamente. O que eu devia ter feito? Eu fugi. Por favor, Edward, estou implorando por asilo político!

- O efeito não ficou nada mal. — ele elogiou, mas Lillith não o levou a sério, pois ele não pôde conter o riso.

- Edward. Cheire isso e repita que não é nada mal! — ela ordenou oferecendo o pescoço.

Edward ficou tenso por alguns minutos, ele ainda não confiava em si para chegar tão perto assim dela, por mais que tenha passado tantos anos com Bella, porém também haviam passado mais alguns anos da morte de sua amada e seu afastamento dos humanos. O ruivo sabia que se por acaso se afastasse dela Lillith sentiria-se magoada, por mais que sua atitude fosse meramente inocente. Não queria magoá-la, não suportaria magoar uma pessoa tão doce, pura e inocente como ela.

Fechou os olhos por alguns poucos segundos se concentrando para manter a calma e os dentes em seu devido lugar. Ele aproximou o rosto do pescoço da garota e aspirou um pouco do perfume enjoativo. Lillith estremeceu e afastou-se, percebendo o quanto estava propensa a fazer besteiras naquela noite. Não queria que Edward pensasse que ela estava se oferecendo ou coisa parecida. Ela podia achar que ele era a encarnação da perfeição, mas Lillith não era esse tipo de garota.

- Tem razão, o perfume é horrível. — comentou Edward, fingindo não notar o embaraço da garota. — Eu prefiro o seu cheiro de sempre.

- Ah... Eu... — Lillith levantou — Desculpe por vir incomodar você. Eu vou voltar e enfrentar Alice, como um homem de verdade.

Ela fez menção de começar a andar, mas Edward segurou o pulso da garota. Os dedos dele estavam incrivelmente gelados em contato com a pele macia dela, então imediatamente largou-a. Contudo, o gesto foi o suficiente para congelar Lillith onde estava, pois o contato havia enviado um choque por todo o sistema nervoso da garota.

- Tudo bem. Eu ofereço asilo político. — ele falou, como se nada tivesse sentido. — Você pode ficar aqui e conversar comigo até que Alice esteja fora de combate.

Sem pensar, Lillith aceitou. Sentou-se no sofá novamente, tentando parecer sofisticada e bonita, não uma garota doida que fugiu de uma garota mais doida armada com um vidro de perfume. Edward a observava com algum tipo de fascínio no olhar. Lillith tentou não se sentir como um animal exótico no zoológico, que é interessante por ser muito estranho, mas não via outro motivo para Edward olhá-la daquela maneira se não sua estranheza. Sentiu que era a sua obrigação puxar algum assunto interessante. Olhou em volta tentando buscar inspiração e então...

- Espere... Você não tem uma cama?

- Ah... Isso... — Edward desviou o olhar. — Minha cama quebrou e Esme ainda não teve tempo de comprar outra.

- Oh... Então está dormindo no sofá, como um marido mal comportado? — ela brincou.
Edward sorriu.

Para a surpresa de Lillith, era muito fácil conversar com ele. Os dois divertiram-se juntos por vários minutos. Edward mostrou a Lillith os muitos livros que tinha, todos muito interessantes e ele prometeu que lhe emprestaria alguns, rindo do brilho sonhador nos olhos da garota ao virar as páginas. No fim da noite, a sonolenta Lillith terminou deitada no sofá enquanto Edward falava suavemente sobre um assunto qualquer, sentado no chão mesmo. As palavras na voz macia como veludo do rapaz transformaram-se numa melodia tranquila e logo a garota estava cedendo ao sono, sem ter real consciência do que estava fazendo. Ela podia jurar que, segundos antes de dormir, ouviu uma voz sussurrando:

- Boa noite, Lills...