(HIATUS) Helena.

3 Helena e o dia de descanso do celular.


Notas iniciais
Espero que gosteeeeeeeeeeeeem.

Acordar com uma música que você não gosta é uma das piores coisas que podem existir.

‘Cara de santa, mas não me engana não, é hoje que eu te pego, você não escapa não [...]’.

Como que alguém consegue não só, ouvir isso, mas cantar também. Estou desconfiando que fui adotada, não tem como eu fazer parte de uma família que gosta de sertanejo.

Como eu não tinha forças para levantar simplesmente me enrolei na coberta, me joguei no chão e fui engatinhando até a sala.

– Será que vocês podem considerar desligar essa merda? – Eu e meu ótimo humor.

Acho que a posição em que eu me encontrava, enrolada em um cobertor do Bob Esponja e largada no meio da sala não ajudou muito, já que tudo o que eles fizeram foi rir da minha cara.

– Filha, estamos cantando no karaokê! – Minha mãe fez uma súplica.

– Ah mãe, jura? Achei que estavam esquiando no karaokê. – Ignorei a cara de cachorro perdido dela.

– Porque você não coloca aquele seu maldito fone gigante e dorme de novo hein coisa feia? – Heitor jogou uma bolinha de tênis em mim, mas por causa do cobertor não senti nada.

– Hunf. – Bufei porque minhas forças para discutir tinham se esgotado e voltei engatinhando para o quarto, mas lentamente do que uma lesma.

Comecei a procurar meu celular com o fone no meio de uma pequena pilha de roupas que eu tinha feito, depois olhei na cama, no meio dos travesseiros, dentro dos sapatos, do guarda roupa, no banheiro, no quarto dos gêmeos para ter certeza de que eles não tinham pegado, acho que virei à casa de cabeça pra baixo umas seis ou nove vezes. Então uma luz meio amarelada invadiu a minha cabeça eu tive um leve flashback. Um limoeiro, sozinho no meio de um vale.

Peguei o primeiro tênis que vi na minha frente e enfiei no pé. Quase fui de cara com uma estante de copos que ficava na sala e derrubei algumas cadeiras.

– FILHA?

– JÁ VOLTO. – Gritei fechando o portão.

Acho que nunca corri tanto na minha vida, depois desse dia eu tinha quase 90 por centro de chances de ganhar uma medalha de ouro nas olimpíadas.

Cheguei ao limoeiro viva de algum jeito, e comecei a procurar. Nenhum resultado positivo.

– Merda! – Chutei a arvore fazendo com que alguns limões caíssem.

Limões?

Claro! Como é que eu não tinha pensado nisso antes? Aquele maldito idiota.

Dei um soco na arvore só pra me certificar de que ela ia ficar bem machucada e comecei a fazer meu caminho de volta pisando duro. A cada passo eu repetia mentalmente “Eu. Vou. Matar. Aquele. Idiota”.


*****

Não preguei os olhos uma vez sequer durante a madrugada.

Tinha me decidido, quando o sol saísse eu voltaria para o limoeiro e com muita sorte teria meu celular de volta. Assim que meu quarto deu uma boa clareada me levantei, troquei de roupa, escovei os dentes e deixei um bilhete em cima da mesa da cozinha explicando aonde eu tinha ido, quer dizer, mais ou menos.

“Fui dar uma volta, chego antes do almoço. Eu acho. Helena”.

[...]

Me sentei em baixo do limoeiro mais uma vez e esperei. E esperei, esperei mais um pouco e depois... Esperei. Não sei se estava muito ansiosa e 1 minuto parecia o quíntuplo ou se eu já estava ali há muito tempo mesmo. O Sol já estava bem mais forte, disso eu tinha certeza.

A certo ponto comecei a cortar as graminhas do chão ao meio e contar quantos limões poderiam cair na minha cabeça. Já estava aceitando o fato de que eu conheci um louco com um taco de beisebol que me roubou o celular.

– Você é totalmente avoada. – Quase rolei morro abaixo com o susto que levei quando a mesma figura de dois dias atrás apareceu do meu lado.

– O quê? – Foi a única coisa que eu consegui perguntar, me esquecendo por um momento do celular.

– Você fica no meio do nada, dormindo, sem se preocupar com o que ou quem pode aparecer, come limões e ainda por cima deixa o celular em qualquer lugar. Humf. – Ele disse isso mesmo?

– Ah cala a boca, agora vê se me devolve o que vo... – A bendita da luz amarelada apareceu na minha cabeça de novo. – Deixo o celular em qualquer lugar é?

– Eu não roubei você nem nada sua retardada. – Ele disse dando uma leve risada e tirando meu celular do bolso.

Soltei um leve suspiro de alivio. Mas quase morri quando ele começou a jogar meu celular pra cima, eu tinha pagado tipo, 500 Kinder Ovos naquele maldito celular e ele fica jogando por ai.


– SEU MANIACO POR TACOS DE BEISEBOL, PARA DE JOGAR ISSO POR AI. – Eu disse e ele rapidamente pegou o celular no meio do ar. – Você trabalha no circo ou algo parecido?

AQUI ERA PRA TER O GIF, MAS O SITE N ME AMA. ENTÃO AQUI O GIF, ABRAM TA? PQ FOI ASSIM Q EU IMAGINEI NA HR.

http://data.whicdn.com/images/41380373/tumblr_mcmb5psvhG1rrdqxbo1_500_large.gif


– Nossa, acho que vou pegar um celular pra mim! – Ele disse fazendo uma cara que eu não consigo descrever direito porque ao mesmo tempo era maléfica e muito sedutora.

– NÃO! Não vai não, você vai devolver ele pra menina aqui. – Apontei para mim mesma.

– Caaaaaaaaaalma, eu te devolvo o celular, mas só se você responder a minha pergunta. – Ele disse fazendo uma cara de doido e mexendo as mãos que nem os mosquitos fazem quando estão planejando dominar o mundo ou pousar no seu pedaço de bolo.

– Manda logo a pergunta.

– Eu sou feio? – Ele disse totalmente natural.

– Q-Q- QUÊ? – Que tipo de pergunta era aquela? Ele era louco mesmo?

– Eu sabia que você ia ter uma reação dessas, eu só perguntei pra tirar uma com a sua cara, já que você me abandonou no outro dia. – Ele esticou a mão com o meu celular.

– Achei que tinha que responder a sua pergunta. – Eu disse meio encabulada porque a minha resposta seria algo do tipo “Você é horrível” quando na verdade ele era tipo a Miss Universo, só que homem.

– Não se preocupa você pode responder depois, meu número esta na sua lista. – Ele deu um sorriso que faria qualquer pessoa do mundo corar que nem um pimentão.

– Tá pode deixar agora eu vou indo, tchau. – Eu disse virando as costas mais uma vez para o ruivo por estar envergonhada.

– Pelo menos dessa vez você disse tchau. – Ele falou num tom vitorioso e tive a impressão que ele também se virou e foi embora, só que na direção oposta.


*****

Ok bateu uma bendita vontade de pegar o celular e mandar uma mensagem pro tal Lucas, cheguei até a escrever alguma coisa, mas apaguei logo em seguida. Mesmo que eu mandasse alguma coisa ainda tinha a possibilidade dele ser um maníaco que só estava querendo meu rim ou algo parecido.

Desisti da ideia depois de pensar em perder um dos meus rins e me foquei em ajudar a minha mãe a preparar o almoço.

– Helena filha.

– Oi mãe, que foi? – Eu perguntei parando de cortar a cebola.

– É que você esta cortando os pedaços da cebola um pouquinho grandes demais. – Olhei para a pequena tabua de plástico onde eu estava cortando a cebola e vi que ela tinha razão.

– Foi mal mãe, eu corto menor. — Falei dando um sorriso de cumplicidade e cortando todos os pedaços no meio.

– Aconteceu alguma coisa querida? – Era incrível como ela percebia as coisas bem rápido.

– Não aconteceu nada não mãe. – Respondi fazendo uma incrível força pra não jogar a cebola longe, já que meus olhos estavam lacrimejando de novo.

– Serio mesmo filha? É que ontem você saiu correndo que nem uma louca e hoje de manhã quando acordamos só tinha o seu bilhete... Além do mais você parece um pouco mais avoada do que o normal. – Ela disse sendo sincera.

– Mãe eu juro que não aconteceu nada. – Eu respondi, não era totalmente mentira, não tinha acontecido nada de mais, eu só conheci um cara. Isso não era nada de mais.

– Hm, tem garoto nisso ai. – Meu pai disse.

– DES DE QUANDO VOCÊ TA SENTADO AI? – Perguntei espantada, porque eu só tinha percebido a presença dele agora.

– Des de quando vocês começaram a fazer o almoço. – Ele estava lá esse tempo todo mesmo? Ou devo desconfiar que meu pai é um ninja?

– Então tem garoto no meio? – Minha mãe disse com um sorrisinho malicioso que até hoje eu desconhecia.

– Meu Deus, não tem garoto, não tem nada, o que vocês tão querendo?! – Não sei por que menti, talvez quisesse esconder da minha família que eu conheci um possível louco.

– Ok, esta bem. Acredito em você. – Minha mãe falou isso, mas estava na cara que ela não acreditava porcaria nenhuma, aquele maldito sorrisinho ainda estava lá.

Continuei cortando a cebola e me controlando para não fazer meu pai comer todos os pedaços que ainda estavam grandes a cada risadinha que ele dava.

Depois de um bom tempo de risadinhas e cabeças viradas minha mãe pediu para que eu arrumasse a mesa e eu finalmente sai daquela cozinha.

Coloquei uma toalha, pratos, talheres e copos na mesa, decidi ficar por ali mesmo e não chegar nem perto da cozinha.


– Chame seus irmãos, Helena. – Minha mãe disse quando veio colocar a travessa de arroz na mesa.

– O DOIS! PODE VIM QUE O RANGO TA PRONTO! – Gritei dali mesmo. – Que foi? – Perguntei ao ver o ar de repreensão misturado com descrença da minha mãe.

– Se fosse pra fazer isso eu não pedia né.

– Eu chamei não chamei? – Respondi toda diva.

– Come ai vai! – Ela disse soltando uma risadinha quase que imperceptível.

Coloquei um pouco de arroz no meu prato e um peguei um pedaço de frango que meu pai tinha acabado de colocar na mesa, tinha que ser bem rápida se não os capetinhas pegavam tudo. O almoço foi como sempre é, animado, com piadas e muita comida.

Aparentemente eu tinha comido pouco, mas meu estomago insistia em dizer que estava quase explodindo de tanta comida, então como uma boa menina eu fui até a rede que ficava no quintal e deitei.

Estava um calor dos infernos, aliás, acho que até o inferno estava mais fresco do que essa cidade. Eu não suporto o verão.

Senti alguma coisa vibrar no meu bolso e puxei vagarosamente meu celular até a altura dos meus olhos.

1 new text message.

Lucas: Para de comer e vem pro limoeiro.

Como é que ele tinha o meu número? Eu sei que ele salvou o dele no meu celular, mas como ele tinha o meu?

Helena: Aonde tu arranjou o meu numero coisa?

Lucas: Ué, eu liguei pro meu celular e gravei teu numero aqui.

Helena: Filho de uma égua.

Lucas: Vem logo.


Por algum motivo desconhecido pela ciência e por qualquer outra coisa, eu levantei, fui até o banheiro para pentear os cabelos, disse pra minha mãe que estava saindo e fui até lá.

Meu Deus será que eu fui hipnotizada ou algo do tipo? Por que é que eu estava indo até aquele maldito limoeiro? Meus movimentos estavam sendo praticamente involuntários. Eu pensava “Dê meia volta”, mas meu corpo só ia à direção do vale.

Quando me dei conta eu já conseguia ver perfeitamente o limoeiro e figura em baixo dele.

Sentado em cima do skate, o bendito taco de beisebol junto, o cabelo ruivo chamativo meio escondido em baixo da touca e os headphones no pescoço.

Melhor voltar, comecei a pensar, mas meu corpo deu passos para frente e alguns segundos depois eu estava fazendo a minha melhor cara de retardada pro garoto mais louco que eu já conheci.

– Você é bem tímida. – Ele disse e puxou meu braço, provavelmente na ideia de fazer com que eu me sentasse do seu lado, mas com a minha linda aura de destruição de planos é claro que eu não consegui a façanha de sentar. Eu cai de cara em cima dele, ou mais ou menos isso.

– Desculpa. – Sai de cima dele mais vermelha que a folha da bandeira do Canadá e me sentei meio longe.

Ouvi a risada dele, como se ele achasse bem idiota o que eu tinha acabado de fazer. Fui encarar ele para começar a soltar um monte de merda e vi que as bochechas dele estavam de um vermelho vivo. Ele estava corado. Era a coisa mais linda que eu já tinha visto, talvez não tanto, mas um eufemismo aqui, um ali, não mata ninguém.

Foi a minha vez de rir, não da cara dele, mas porque eu estava meio encabulada, de novo. Ele tinha esse efeito em mim. Não me conti e cheguei perto do rosto dele, quer dizer, bem perto, só pra ver o que ele ia fazer.

Não achei que fosse possível, mas ele corou mais ainda.

– Então até você cora? – Perguntei me afastando, mas não tanto quando estava antes.

Ele me olhou com uma cara de quem poderia me jogar da Torre Eiffel sem dó nem piedade, o que só fez com que eu risse mais ainda.

– Você vai me deixar falar o porquê de eu ter te chamado aqui? – Ele disse fazendo um bico.

– Sou toda ouvidos. – Respondi enquanto brincava com uma folha que tinha caído.

– Você sabe andar de skate? – Ele perguntou mexendo os dedos da mão incontrolavelmente será que aquilo era um habito?

– Pra falar a verdade, sei. – Respondi. Eu sabia mesmo.

– Ótimo. – Ele soou bastante surpreso. – Assim a gente ganha mais tempo.

Rapidamente ele se levantou, deu a volta na arvore e tirou outro skate de trás dela.

– Sério? Você acha que eu vou sair por ai, andando de skate com um maníaco que eu nem conheço? – Perguntei erguendo uma sobrancelha.

– Nesse caso. – Ele se aproximou e esticou a mão. – Oi, eu sou o Lucas, 17 anos, 1,83 de altura, cabelos ruivos, estou passando as férias aqui. Agora sobe no skate e vem.

– Só vou porque faz tempo que não ando e me deu vontade tá? – Menti.

– Claro, sem problemas.

Ele subiu no skate e empurrou com o pé direito, descendo o morro na minha frente. Fiz o mesmo e pensei que eu era uma retardada descendo um morro de grama em cima de um skate.


PRÓXIMO CAP SEXTA QUE VEM 23.11

Notas finais
Deixem reviews pra mim falando o q acharam ta?
BOM FERIADO PRA TODO MUNDO MANOOOO
@_anajvargas