HERÓIS
10 Cisne Negro
Ian abriu os olhos e encarou o galpão em chamas.
— Você está bem? – Perguntou Kayo aparecendo no campo de visão dele. Ian levantou e sentou na terra fria. Ágata e Richard olhavam para ele sem entender direito o que havia acabado de acontecer.
— Eu quase morri – murmurou Richard. – Ian olhou para ele. – Eu senti a minha cabeça ser arrancada – ele cuspiu próximo a uma flor estranha que crescia por ali. – Ela quase matou a gente, como fez com os Gasparini...
Ian colocou a cabeça entre os joelhos e começou a chorar compulsivamente. Kayo se ajoelhou e o tentou consolar dando palmadinhas em suas costas e dizendo uma ou outra palavra de conforto.
— Tamires está morta – disse Ian por fim. O único som que se ouvia era o da madeira do galpão queimando. – Eu a matei... – ele levantou a cabeça e encarou as chamas no exato momento que uma parte do galpão foi ao chão. – Assim como eu matei a Cintia, Eric, Jaqueline, Zacarias, os Gasparini... – ele encarou Richard. – E Eliza.
— Eu Sabia! – Gritou Richard com raiva e indo em direção a Ian com toda a fúria do mundo sobre seus ombros. Ele agarrou o vampiro pelo pescoço e começou a apertar a garganta dele com toda a sua força.
— Richard, não! – Gritou Kayo tentando separar os dois, mas tudo parecia em vão.
— Dor! – gritou Ágata e instantaneamente, Richard caiu no chão se contorcendo enquanto Ian caiu para o lado tossindo e tentando recuperar o fôlego. – Segura ele – disse Ágata para Kayo que sem pensar duas vezes segurou os braços de Richard para que ele não tentasse mais nada. Ágata parou de exercer seu poder sobre ele e sacou a arma, apontando agora para Ian. – Então você realmente matou aquele casal?
— Por quê? – Perguntou Richard. Ele continuava ajoelhado no chão com Kayo segurando seus braços. Havia lágrimas em seus olhos. – Por que ela?
Ian encarou o ruivo e engoliu a saliva da boca.
— Eu precisava de você – disse ele. – Eu precisava dos seus poderes. – Richard estava vermelho de tanta raiva. – E você não viria com a gente por causa dela, então... – sua voz falhou. – Então eu a matei... – Richard soltou um uivo de raiva e tentou se soltar, mas Kayo ainda o segurava com força. – Eu entrei na casa onde você morava – continuou Ian, com lágrimas pelo rosto. – Olhei bem no fundo dos olhos dela e absorvei toda a vida dela – ele fechou os olhos como se a lembrança daquilo fosse dolorosa.
— Eu vou matar você – murmurou Richard.
— A última coisa que ela pensou – continuou Ian – foi em você. – Ele voltou a olhar para Richard. – O último pensamento dela foi "Eu vou morrer e não vou ter a oportunidade de dizer, pela última vez, que eu o amo".
Ágata abaixou a arma também atônita com toda aquela história.
— Eu nunca fui o herói – disse ele para Ágata. – Eu sempre tive um objetivo desde o dia em que escapei daquela maldita ilha, mas talvez eu nunca tenha dito que meu objetivo era bom.
Ágata não sabia o que fazer ou dizer.
— Eu estive na sua cabeça Ágata – disse ele depois de meio segundo em silêncio. – Você anda por ai com esse distintivo pendurado no pescoço, com a arma na cintura e finge ser uma policial boa e correta quando na verdade é exatamente igual a mim...
— Não ouse – disse ela levantando a arma para ele outra vez.
Ian riu. Ele estava preste a dizer algo quando o celular da mulher começou a tocar. Ela levou meio minuto para tirar o aparelho do bolso e atender a ligação de Fernando.
— Ágata – disse ele do outro lado da linha. – Eu preciso que você venha urgentemente para o meu QG. – Depois de uma pausa dramática ele voltou a falar – A gente está bem ferrado...
— Já estou a caminho. – Ela desligou o celular e lançou um último olhar para Ian. – Isso não acabou aqui – em seguida ela foi até sua moto deixando os três rapazes para trás.
— Tira a gente daqui – murmurou Richard para Kayo.
— Para onde? – Perguntou ele.
Richard murmurou algo que Ian não entendeu e em instantes os dois sumiram, deixando apenas um estranho rastro azul.
Ian continuou sentado no chão. Ele tirou um cigarro do bolso e o acendeu poeticamente. Ficou sentado, olhando para o galpão que ainda continuava queimando, agora, porém, de forma mais calma. Ele olhou para o alto e amaldiçoou o tempo, o céu permanecia com aquele tom "cor de vômito de gato" recorrente de todo final de tarde. Só Deus sabia o quanto Ian detestava aquela cor.
○○○
— Tem certeza que você quer ficar sozinho? – Perguntou Kayo para Richard que levou meio minuto para procurar as palavras e responder.
— Sim – disse ele. Richard encarou o garoto. – Obrigado por ter me trazido até aqui.
Kayo estava com um olhar de preocupação no rosto. Ele olhava ao redor.
— Tem certeza? – Tentou ele mais uma vez.
Richard pareceu impaciente.
— Eu sigo a pé daqui – disse ele. – Você não conhece a casa aonde eu pretendo ir – ele soltou um suspiro. – E se eu ficasse perto daquele maldito eu o mataria sem remorso algum. – Ele encarou Kayo. – E eu sou um herói, não um vilão.
Kayo pareceu se contentar com aquilo.
— Tudo bem – disse ele. – Eu vou estar no bar... se precisar de alguma coisa aparece por lá, certo? – Richard fez um sinal positivo com a cabeça e viu Kayo, disfarçadamente, virar uma estranha fumaça azul.
Richard havia pedido para Kayo o levar até a Ponte da Amizade, a ponte que separava o Paraguai de Foz do Iguaçu. Ele tinha planos para ir até a sua antiga casa, onde viveu por um tempo com Eliza, para por a cabeça em ordem. Ele sabia que se pensasse muito nas revelações de Ian, ele perderia a cabeça e faria algo estúpido.
O ruivo começou a andar pela ponte com a cabeça longe. Algumas pessoas passavam por ele falando um espanhol rápido e enrolado que ele não conseguia acompanhar, mas graças ao final da tarde, não havia muita gente atravessando a ponte. O tráfego de veículos era grande, mas Richard já havia presenciado piores.
Olhando para aquele céu estranho, Richard parou para pensar em uma tarde quente onde ele e Eliza estavam sentados no banco de uma praça olhando para as pessoas que passavam de um lado para o outro.
Eliza estava linda dentro de uma bermuda jeans e uma blusa rosa florida. Seus cabelos castanhos caiam, soltos, pelos ombros e suas bochechas rosadas naturalmente a deixava ainda mais bela. Seus olhos castanhos eram de um tom profundamente claro e amoroso. Como Richard amava aqueles olhos.
Richard havia acabado de contar para ela sobre seus poderes. Ele havia feito uma cena bem dramática cortando o braço com uma faca, depois de ela rir quando ele revelou ser imortal. A princípio Eliza ficou assustada quando o corte cicatrizou sem cerimônia alguma, mas no segundo seguinte ela estava com ele em seus braços transbordando amor.
Agora os dois estavam sentados naquele banco. Um do lado do outro. O braço de Richard estava no ombro dela e ele sentia o calor do corpo de Eliza queimar em sua pele.
— Ter todo o tempo do mundo... – disse ela pensativa. – que loucura ser imortal... – ele acariciava a orelha dela. – O que seria mais importante para alguém que nunca viraria pó?
Richard pensou por alguns segundos.
— Perder as pessoas que você ama – disse ele. – A saudade também seria imortal, eterna. – Ele virou o rosto e beijou o topo da cabeça dela sem tentar demonstrar o quanto aquilo o assustava nos últimos tempos.
Eliza se desvencilhou do abraço de Richard e o olhou bem dentro de seus olhos. Os dois ficaram se encarando por alguns segundos sem palavras para quebrar o momento. A tarde quente pareceu mais suave, o canto dos pássaros chegou aos seus ouvidos como se fosse à melodia mais fantástica do mundo.
— Eu amo você – disse Eliza. – E vou te amar até depois do meu corpo virar pó – Richard permaneceu sério. – Mas um dia eu não vou estar mais aqui para te dizer essas palavras.
— Eliza, não... – Richard tentou dizer algo, mas a garota o interrompeu colocando o dedo indicador dela suavemente nos lábios dele.
Eles permaneceram se encarando por mais algumas frações de segundos. Eliza sorriu e parecia que sua alma sorria naquele mesmo instante.
— Lembre-se Richard – disse ela – que a sua vida não para. O tempo é seu aliado. Siga sempre em frente, e não caminhe rápido. Aprecie a vista. Sempre. – Ele riu. – Talvez você encontre outro sorriso que te faça parar nessa jornada infinita – ela acariciava o rosto dele. – não deixe de viver a vida por medo de se machucar. Promete?
Richard sorriu.
— Prometo – disse ele. Richard aproximou seu rosto do dela e deu um longo e demorado beijo em sua boca.
Richard parou para admirar a vista. A água lá embaixo parecia tão distante e tão fria. Ele pensou na queda e instantaneamente se lembrou de duas garotas que haviam pulado juntas da ponte há alguns anos. O corpo das duas nunca foi encontrado. Por conta daquele episódio, a ponte havia passado por uma reforma e possuía então uma estrutura de segurança para impedir as pessoas de pularem dela.
— Foda-se – disse Richard de forma brusca para si mesmo e começou a escalar as barras de ferro em direção a uma espécie de telhadinho que fazia sombra em um determinado ponto da ponte onde a passagem deixava de ser estreita e formava uma meia lua.
Algumas pessoas pararam e começaram a gritar coisas para Richard, mas nenhuma palavra chegava aos seus ouvidos. Sem muita dificuldade, ele escalou a parede de proteção e se jogou para cima do telhado de metal que balançava a cada passo que ele dava.
Uma brisa fresca bateu em seu rosto. Ele olhou para baixo e todo seu corpo tremeu quando o cérebro calculou e entendeu a altura em que ele se encontrava. Um apito chegou aos seus ouvidos, Richard olhou para trás e encarou um guarda de transito gritando num espanhol frenético e gesticulando para que ele descesse. Os carros na ponte iam parando lentamente, alguns buzinavam, outros olhavam espantados para ele. Outras pessoas já se aproximavam com celulares na mão, as câmeras ligadas, todos na espera do show.
Richard fechou os olhos e pensou na queda. Seu corpo certamente se partiria ao meio quando colidisse com a água. Não haveria regeneração forte o suficiente para trazê-lo a vida outra vez. Ele não queria mais o tempo, ela já estava a tempo de mais preso ao mundo do qual não queria mais fazer parte.
Eliza inundou seus pensamentos o fazendo sorrir, e naquele instante até sua alma pareceu sorrir.
Todos os presentes gritaram quando Richard pulou.
○○○
— Vim o mais rápido que consegui – disse Ágata entrando no QG de Fernando. Ele estava sentado numa cadeira de frente para um computador que mostrava fotos de pessoas desconhecidas.
Ágata deu uma olhada ao redor e tudo permanecia da mesma forma desde a última vez em que estivera ali. A bancada de madeira possuía três computadores, um central que exibia as fotos de algumas pessoas, um a direita que exibia um código estranho cheio de números e letras num fundo azul e um notebook com a tela dividida em quatro onde mostrava pontos de Itacorá através das câmeras e radares espalhados pela cidade.
Havia uma enorme quantidade de fios por baixo da bancada que davam um nó na cabeça de Ágata só de pensar em separá-los. A impressora ficava do lado esquerdo do ambiente em cima de uma pequena mesa de madeira e possuía uma pequena luz laranjada piscando incansavelmente.
O teto baixo deixava Ágata presa num sentimento claustrofóbico. Não havia janelas no pequeno cômodo no fundo do quintal da casa onde Fernando morava com o pai e com o irmão mais novo.
— Diego disse que um som estranho estava vindo do computador – disse Fernando. Ágata se lembrou de ter visto Diego na entrada da casa quando chegou. Ele e Fernando eram parecidos, exceto que Diego era maior que ele, mesmo sendo o irmão mais novo. – Eu vim checar isso aqui – ele apontou para a tela – é sobre um arquivo que eu vinha tentando ter acesso antes da Tamires voltar do mundo dos mortos.
Ágata chegou a rir da piadinha infame de Fernando, mas resolveu não fazer comentário a respeito.
— É o Projeto DNA – disse ele. Ele apontou para as fotos. – São os membros do projeto. – Ágata chegou mais perto e encarou as fotos. Embaixo delas havia pequenas descrições como nome, idade, onde vivia e suas habilidades especiais.
Fernando rolou a página para baixo e parou segundos depois para que a policial visse a quantidade de pessoas com habilidades especiais como as deles dois perdidas pelo mundo. Quando a página congelou, Ágata viu a própria foto e congelou também. Era uma foto de rosto no estilo 3x4 da carteira de motorista dela.
— Essa foto é recente – disse ela. – Como eles podem ter fotos assim minha?
— Não só sua – disse Fernando. Ele rolou a página mais um pouco e as fotos de Richard, Kayo, Ian e Cintia também apareceram. A foto dele também apareceu, Fernando Kruttle. 20 anos. Itacorá. Tecnopata. – Mas não foi por isso que eu te chamei aqui – disse ele. Fernando minimizou aquela página e abriu outra logo em seguida. – Olha isso...
Na tela apareceu um símbolo estranho. A princípio Ágata pensou que fosse o desenho do número 2, mas olhando bem, parecia com a silhueta de um cisne. A parte do pescoço parecia descolada do restante do corpo e a asa dele formava a espécie de um olho.
— O que é isso? – Perguntou Ágata sem entender mais nada. Abaixo do estranho símbolo havia um texto que mais parecia um contrato ou coisa parecida. – Parece um contrato...
— É um contrato – disse Fernando. – Um contrato para você se juntar a Corporação Cisne. – Ágata estava literalmente boiando no assunto. Fernando engoliu em seco e resolveu parar com o mistério. – É uma companhia de caçadores – disse ele. – Você pode se juntar a eles e se tornar um caçador.
— Um caçador? – Perguntou Ágata arqueando uma das sobrancelhas. – E eles caçam o que? Patos?
Fernando soltou um suspiro de derrota e encarou a tela do computador.
— Não Ágata – disse ele voltando a olhar para ela. – Eles caçam pessoas como a gente. – Ágata encarou a tela do computador rapidamente. – O único propósito deles e exterminar pessoas como nós, com habilidades especiais – Fernando voltou a colocar na tela a página com as fotos do Projeto DNA. – E foi extremamente fácil conseguir esse arquivo – ele apontou para tela. – O que significa que, se algum desses caçadores tiver esse arquivo em mãos...
Ágata encarou a própria foto outra vez.
— Estamos mortos... – concluiu ela.
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Começou a tocar Sex on Fire no exato momento em que uma garota alta e magra, usando uma jaqueta de couro por cima de um vestido curto preto entrou no bar. Ela usava sapatos de plataforma, tinha os cabelos louros repicados na altura do ombro e um delineador bem forte ao redor do olho verde.
— Quer alguma coisa para beber? – Perguntou Kayo.
Depois de deixar Richard na Ponte da Amizade mais cedo, Kayo se perguntou infinitas vezes se deveria tirar a noite de folga depois daquela tarde. Aquela estranha luta com Biga ainda fazia seu estômago revirar, mesmo que aquilo só tivesse acontecido dentro de sua própria cabeça.
Depois de se perguntar o que poderia ter acontecido se Ian não tivesse parado Tamires, Kayo decidiu que trabalhar seria uma boa distração. Ele então tomou uma ducha, arrumou o cabelo como de costume, colocou suas habituais roupas e partiu para o Bar onde encontrou Patrícia mal humorada, como de praxe.
— Algo forte – disse a garota decidida.
Kayo olhou o relógio de pulso discretamente e em seguida sorriu para a garota.
— Eu sei que está tarde – disse ela – prometo que vai ser só uma bebida e depois disso eu vou embora – ela lhe lançou um olhar suplicante o que o fez rir.
— Kayo – disse Patrícia se aproximando e lançando um olhar nada amistoso para a garota sentada no bar. Só havia eles três ali. – Já está na minha hora...
Kayo já havia começado a preparar uma bebida.
— Pode ir – disse ele depois de um suspiro. – Eu fecho tudo depois.
Patrícia lançou um olhar estranho para ele e em seguida revirou os olhos para os dois e saiu sem muita cerimônia. A garota loura riu da atitude de Patrícia, mas não fez comentário algum.
— Aqui – disse Kayo entregando a bebida para a garota. Ela pegou o copo e deu um gole. – Bom – disse ela fazendo uma careta em seguida – forte... – os dois riram.
A música foi substituída por outra da banda Mother Mother o que fez a garota soltar um gritinho animado.
— Eu adoro essa música! – Sem ligar para mais nada, ela levantou e começou a dançar em frente ao bar com o copo de bebida na mão. Kayo franziu a testa quando ela começou a dançar e soltou um risinho discreto. – Você deve ter trabalhado de mais – disse ela – vem dançar comigo.
— Desculpe – disse ele secando um copo – mas eu não sou de dançar com garotas desconhecidas.
A garota fingiu uma cara de ofendida e se aproximou dele.
— Raquel – disse ela estendendo a mão.
— Kayo – disse ele apertando a mão da garota. Os dois se encaram por meio minuto sem dizer nada, mas ele pode sentir a eletricidade percorrer por todo o seu corpo.
— Você tem planos para essa noite Kayo? – Perguntou ela sutilmente, porém extremamente sensual.
— Só se você tiver – disse ele numa tentativa de flerte.
Raquel soltou da mão dele e sorriu. Terminou a bebida do copo e o colocou delicadamente na bancada.
— Posso ter a sua companhia no próximo copo? – Perguntou ela olhando fixamente para Kayo que sorriu em resposta e pegou mais um copo.
Alguns copos depois e os dois estavam num dos sofás de couro no canto do Pub. Kayo havia colocado à placa de fechado na porta enquanto The Hills tocava mais uma vez nos alto-falantes e Raquel estava em cima dele beijando seu pescoço e apertando sua nuca.
A pele dela cheirava a sabonete de baunilha e o beijo dela era doce. Ela jogou a jaqueta de couro num canto, seu vestido de alças deixavam seus ombros à mostra. Kayo beijou delicadamente um e depois o outro, em seguida tirou a camisa e procurou pelo zíper do vestido nas costas dela.
Por uma mínima fração de segundos, Kayo olhou o espelho na parede de frente a eles. O reflexo mostrava Raquel sentada sobre ele e o vestido aberto até a cintura. As costas nuas dela brilhavam com as luzes coloridas do bar que permaneceram acesas.
Tatuagem engraçada— pensou ele ao ver a silhueta da tinta na pele dela. No mesmo instante ele passou os dedos abaixo à nuca dela, onde ficava o desenho.
Era o número dois, que formava ao mesmo tempo um cisne e um olho.
FIM DA PARTE UM
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