HB - Garotos Heróis
14 Capítulo 14: Ryan Foster - OS Hunters parte final
Aquilo era uma aldeia, e o santuário obscuro ficava no centro dela. Todos os moradores da região vestiam preto. Tudo bem que eles não estavam com as mesmas roupas medonhas das pessoas próximas ao templo, estes usavam roupas comuns, mas mesmo assim, tudo ali era assustador. Ryan nuca ouvira falar em nada parecido com o que estava vendo. Ele estava do lado de fora do portão circular que cobria o templo, parado, sentado no chão, zonzo, depois de ter sido traído pelos seus companheiros. Bom, pelo menos era assim que considerava todos eles, companheiros do grupo Hunter.
A sua cabeça doía bastante, sua boca sangrava por causa do soco que levara. Por um instante, achou que ia desmaiar. Olhou para cima. “Seus companheiros” estavam discutindo algo. Com certeza falavam sobre ele. Dessa vez, fixou o olhar naquele templo medonho do centro da aldeia. Então, a sua visão atravessou as paredes daquele santuário, e ele podia ver claramente o que estava ocorrendo ali dentro. Parecia que ainda restava alguma energia em técnicas dentro de si.
Uma sala de reunião, com uma longa mesa no centro e várias cadeiras pretas dispostas ao redor, o chamou atenção. Por mais que a sala fosse imensa, todavia não estava nem um pouco cheia, haviam somente três pessoas: dois homens e uma mulher. Vestiam sobretudos pretos, mas sem o longo chapéu pontudo que cobria o rosto todo; estes tinham capuzes negro sobre a cabeça. Todos os três tinham cabelos brancos, longos e lisos, por fora do capuz. Estavam sentados, e cada um tinha uma espécie de cajado preto fascinante na mão, onde o topo tinha a forma da cabeça de uma coruja.
O mais incrível disso tudo é que, agora, Ryan podia escutá-los.
— Restam poucos deles aqui na Terra. Estamos vencendo essa batalha. Tenho que admitir que os vampiros foram muito úteis para nós — disse o homem de barba grande.
— Os nossos inimigos estão bem escondidos, conseguiram esconder a sua presença. Devem ter usado alguma magia branca poderosa — disse a mulher.
O outro homem cutucou seu cajado três vezes no chão.
— Tenham paciência, companheiros! O tempo está a nosso favor. Essa guerra aqui na Terra já vencemos. Todos os nossos postos avançados estão devidamente protegidos. Por mais que eles atravessem, de nada adiantaria.
A mulher parecia insatisfeita.
— Você é tolo, Mago da Escuridão! Um escudo que não permite a permanência dos nossos inimigos no local, mas permite a presença de um scatrix, não é um escudo perfeito.
— O que os scatrix podem fazer a nós...? Nem acredito que você falou essa asneira, Maga Dark.
— É bom evitar surpresas... odeio surpresas — respondeu ela.
Um olhar certeiro o encarou seriamente naquele mesmo lugar. A mulher de capuz, incrivelmente, conseguiu vê-lo de longe. Ryan tomou um susto. Como pode ela tê-lo visto através de espessas paredes? Ele estava a uns vinte metros daquele templo e algumas pessoas passavam perto daquele portão também, o que fez chama-la atenção? Tudo bem, com certeza, logicamente, era por não estar de preto como todos. Mas a técnica da supervisão era muito rara e estava extinta a décadas, como ela pôde fazer aquilo? Ele não tinha dúvidas que fora notado ali. Quem eram aquelas pessoas?
Ryan estava confuso. Deveria estar tendo alucinações depois de ter sido eletrocutado, roubada a sua energia em técnicas e levado um soco no rosto. Como poderia ele ter escutado tudo aquilo de tão longe? Alucinações decorrentes da sua tontura ou daquela luva de Brad, provavelmente... mas aquilo tudo parecia tão real, pensava ele.
Permanecia zonzo, ainda. Sentiu que seu corpo estava sendo puxado para cima por alguém. Foi Drake que estava trazendo-o de volta para eles. As pessoas que estavam naquele local pareciam não ter ligado muito por ele ter sido o único que não estava de preto. E quando seu corpo foi levado, elas continuaram seguindo o seu próprio caminho, ignorando-o.
O olhar da mulher o perseguia, mas ela não parecia ter se preocupado muito com a presença de um garoto de treze anos perambulando naquele local. Desviou o olhar dela, voltando-se para os homens de cajado negro.
Os garotos se reagruparam novamente e partiram voando, destino ao deserto do Arizona. Ryan estava sendo levado nas costas de Drake. Smith estava na frente, falando sobre aquele templo e o grupo de pessoas de preto. Brad o escutava ao lado de Drake. Nico estava atrás, sem falar uma palavra, como sempre.
Quando todos eles chegaram no deserto, não demoraram muito a encontrar Victor e Glayan. Alguns minutos vasculhando o local, e uma grande mão de pedra foi vista de longe por Brad. Não tinha como não enxergar aquilo no ar, eles estavam em um deserto, um espaço aberto. Com toda certeza, algo grande se estendendo no ar seria algo bastante chamativo para qualquer um deles.
Brad estendeu um longo sorriso.
— Incrível! Glayan não sabe lutar sem chamar atenção! Vamos lá pessoal!
Ryan ainda sentia as consequências da carta elétrica, mas já estava bem melhor, comparado a antes. Assim que chegou no deserto, ele empurrou Drake e foi o primeiro a ir de encontro as mãos de pedra.
Instantes depois, Victor e Glayan já estavam deitados sobre a terra laranja e razoavelmente distantes um do outro. A luta havia acabado de terminar. Era difícil distinguir quem havia vencido. Talvez um empate pudesse concluir aquela situação.
— Victor, você está bem? Consegue se mexer? — Perguntou Ryan, remexendo os olhos e tentando encontrar algum ferimento grave.
— Talvez com dificuldades, mas consigo.
— E aí? Foi difícil? — Perguntou ele, ajudando-lhe a levantar.
— Eu não tomei cuidado com o braço de pedra dele, me distrai, e ele me pegou. O miserável quase esmagou a minha perna esquerda.
— Mas ele também não parece estar em boas condições... — Ryan olhava para o ombro de Glayan.
— Eu feri o ombro direito dele. Atravessei-lhe uma lança média de metal quando ele se descuidou.
— Percebi... imaginei que você fosse lutar com uma lança.
— É a minha companheira fiel.
Victor foi ajudado a se sentar. Balançou a cabeça negativamente ao olhar para seu amigo.
— Porque sua boca está sangrando? Foi a primeira coisa que notei quando você chegou.
— Aaaaah, a boca... aqui não é nada não... escorreguei em casa e bati a boca na maçaneta da porta.
— Maçaneta, não foi?
— Sim... ligue não...
— Você mente muito mal, Ryan.
— Eu não estou mentindo. Falando sério mesmo... existem scatrix desastrados também, Victor. Vindo de mim, você deveria saber.
— Tudo bem...
Victor se esforçou para alongar os braços, seus ossos estalaram. Enquanto isso, era possível notar que o resto do pessoal estavam cuidando do jovem loiro de gorro, Glayan. Nico foi o único deles que estava de pé, ao lado de Victor.
— Nico, Ryan, me levem até eles — pediu Victor, o seu dedo apontava para Glayan.
Victor foi levado, apoiado sobre os ombros deles. Mancava um pouco. Ryan percebera que a perna esquerda de Victor não estava cem por cento legal mesmo.
Mal eles se aproximaram de fato, e Victor já foi logo falando rispidamente:
— Glayan, você não merece mais usar o nosso símbolo dos Hunters! A partir de hoje, pode queimar as suas camisas do grupo! Você está fora!
Glayan disparou em gargalhadas, Smith o acompanhou.
— Eu acho que você ainda não entendeu a situação, Victor. Esqueça o símbolo do tigre de vez. Os Hunters agora me pertence.
Victor ficou confuso.
— Como assim...?
Brad o fitou.
— Você está expulso do grupo, Victor. Você e Ryan: expulsos...! E Glayan agora é o nosso líder.
— Trate você de queimar as roupas com o nosso símbolo— Smith disse em um tom de inimizade.
O jovem scatrix e líder do grupo ficou surpreso com as palavras de Brad. Ele podia esperar tudo vindo de Smith e Drake, por mais que eles nunca o desrespeitassem, mas Brad foi um grande baque.
As únicas palavras que Victor conseguiu falar naquele momento saíram quase que no automático.
— Não pode ter um grupo sem uma insígnia, Glayan! Aaah... e Brad... você? O que está acontecendo aqui? E o que vocês fizeram com Ryan?
Brad não respondeu nada. Smith tomou a frente e se aproximou. Glayan disse:
— Sim, você está certo! Por isso eu me precavi antes e pedi um favorzinho a Smith.
Victor olhou abruptamente para Smith, e ele estava com a insígnia do grupo na mão. Era um amuleto metálico de tigre, com o nome Hunters na parte de baixo.
— Passei na sua casa e peguei... Você se quer teve a preocupação de escondê-lo de fato... na gaveta do guarda-roupa? Sério, Victor...? Que desonra para a equipe...
— Você perdeu, Victor. Sai daqui — disse Drake.
Victor pisou em falso e caiu, ficou agachado no chão sentindo dor na perna esquerda. Pegar a insígnia de volta naquele estado em que se encontrava era loucura, uma missão quase suicida, até mesmo para ele.
Smith fechou a mão e tentou desferir um golpe no rosto de Victor, mas foi impedindo por Nico, pondo-se a frente e desviando o soco com um empurrão.
— Pare, Smith... já chega por hoje. Não vou permitir que você se aproveite da situação dele.
Smith deu de ombros e deu as costas.
— Que seja...
O sangue de Glayan ainda escoava do seu ombro. Ele perguntou a Brad se tinha alguma carta que curava. Brad negou com a cabeça. A situação era ruim para ele ainda. Um curativo improvisado, posto por Drake, estava saindo do lugar. E o seu sangue não parava de cair na terra.
— Ele está perdendo muito sangue, Smith. Vamos leva-lo ao hospital logo — disse Drake.
— Sim, claro... — olhou para Nico — Vamos, Nico!
Nico vociferou:
— Cai fora, Smith!
Momentos depois, eles deixaram aquele lugar carregando o loiro de gorro e dando um adeus bem sarcástico a Victor e Ryan. Apesar de Nico ter a chance de permanecer na equipe, ele ainda permanecia ali, ao lado dos que foram traídos, parado e de braços cruzados. Infelizmente a equipe fora dividida. O que Glayan estava planejando fazer? Quais seriam os planos dele? Ryan se perguntava se ainda existia justiça por baixo daquele gorro. E sabia também que teria de encará-lo novamente um dia. Realmente, Glayan e Smith eram pessoas perturbadoras que tirariam proveito de qualquer situação para sair na vantagem, qualquer que fosse essa vantagem.
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