HB - Garotos Heróis

9 Capítulo 08: Will Lavely L. - O assalto ao banco


Notas iniciais
Mais um capítulo trabalhado... Espero que gostem!

Ele não pensou duas vezes depois de escutar dos vizinhos que o banco de um bairro próximo ao seu estava sendo assaltado; apenas saiu de casa disparado e voou o mais rápido possível. Ele tinha pressa, não queria de jeito nenhum perder a oportunidade de ajudar alguém em algo usando os seus poderes. Ele tinha tomado para si esse desejo solidário de ajudar aos outros, não importava quem fosse, desde que fosse gente do bem.

Em poucos instantes depois, Will estava acima do banco. Em seguida, ele flutuou em um local no ar onde fosse possível ver a parte interna daquele estabelecimento. A parte da frente era totalmente de vidro reforçado, o local de entrada era por uma porta giratória também de vidro. Era possível ver a parte interna através dos vidros, onde haviam cinco homens mascarados com armas pesadas na mão. Dois deles andavam de um lado a outro para averiguar o local afora, enquanto que os outros três preenchiam várias mochilas de dinheiro sendo retirado dos caixas. Haviam poucos reféns deitados no chão em um canto isolado daquele local, juntos deles estavam os dois seguranças do banco que já tinham sido abordados. E também não havia nenhum sinal de polícia na rua para fazer a negociação dos reféns, isso significava para Will que os bandidos tinham chegado a pouco tempo para realizar o assalto.

Quando terminou de averiguar a parte interna do local sem ser notado, ele concluiu que o melhor lugar para invadir era pelos fundos. Ele deu a volta, atravessou as paredes dos três cofres sucessivos que ali havia e apareceu como um vulto em meio ao silêncio, que havia sido formado naquele lugar segundos depois dele chegar.

Sua tentativa de não ser notado havia sido um fracasso: ele acabara de conseguir a atenção dos que estavam nos caixas, dos reféns que estavam deitados, e o pior, dos cinco bandidos que pareciam estar atentos em todos os cantos daquele lugar.

— Quem é você, garoto? O que está fazendo aqui? Entrou no lugar errado, viu... – disse um dos bandidos apontando o seu fuzil na direção de Will e ajeitando uma mochila grande nas costas. Seis metros de distância era o que separava o fuzil e a cabeça do jovem scatrix – É melhor você sair daqui! Nem tente em bancar o herói.

Will suspirou fundo, foi um lamento pelo seu plano de não ser notado ter sido um maior fracasso. Se concentrou para o que estava por vir.

Um dos bandidos que estava na porta começou a se aproximar de Will empunhando sua arma na direção dele. Fez um sinal aos outros indicando que estava tudo sobre controle e disse:

— Bora! Deite-se no chão! Todos nós vimos você atravessando a parede. Eu vou falar sério com você, e apenas uma vez: não tente nenhuma gracinha, não tenho medo de scatrix.

Will olhou em seu relógio de pulso e respondeu:

— Eu só preciso de um minuto do tempo de vocês. – Will sorriu – É o suficiente para todos estarem no chão apagados. Ah, outra coisa... acredito que você nunca brigou com um scatrix para falar de medo – estendeu os braços em sinal de dúvida e crítica, e olhou para uma funcionária do banco que estava no caixa. – Onde está o gerente disso aqui, em? Eu não consigo entender o porquê que vocês não colocam uns seguranças cicatryons para proteger o banco... E ainda tenho que aturar um cara falando uma merda dessas – suspirou.

— Vamos logo, pirralho. Deixe de gracinha e deite-se logo no chão ali – o bandido apontou o dedo em direção aos reféns. Normalmente, aquele homem teria pego o garoto que estava na sua frente a força se este fosse normal, mas por algum motivo inteligente preferiu manter distância.

— Você sabe que está em desvantagem, não sabe? – Perguntou Will.

O criminoso que se aproximou era o líder, e ele nem sequer quis saber que quem estava na sua frente era um garoto de treze anos de idade. Apenas apertou o gatilho depois de ouvir o que Will dissera. Mas, para sua falta de sorte, todas as balas disparadas da sua metralhadora atravessou o corpo de Will e fincaram na parede. Estava intangível o corpo dele.

Will correu na direção do bandido que disparou as balas e executou um soco perfeito no queixo deste.

— Um minuto – disse Will.

O líder foi nocauteado ali mesmo. Na mesma hora, os outros criminosos se agitaram enraivados por um garoto estar arruinando o plano deles. Era humilhante para qualquer bandido humano não dar conta de um garoto, mesmo ele sendo um cicatryon, o que não fazia muito sentido, pois as possibilidades de um adulto humano vencer um scatrix (meio humano e meio mago) eram muito pequenas. Mesmo assim, mesmo sabendo que era difícil lhe dar com um garoto cicatryon, adulto sempre achará humilhante não dar conta de um menino de apenas treze anos. Era a forma que todos os criminosos pensavam pelo menos.

Então, apontando suas armas, todos eles atiraram na direção de Will ao mesmo tempo. Porém, este sempre se preparara antes de receber balas em sua direção, e o resultado era o mesmo. As balas atravessaram o seu corpo sem nem ao menos tocá-lo. Eles descarregaram seus cartuchos todos na parede, que estava toda furada de tanto receber balas.

Mesmo sabendo que era ineficaz, enquanto recarregavam seus pentes para atirarem de novo em um momento oportuno, Will aplicou um chute giratório no rosto do mais próximo que por ali estava. Em seguida, um deles se aproximou e tentou dar uma coronhada na cabeça de Will. Só que ele se esquivou para trás dando uma cambalhota. Então, agachado, fez uma bola de fogo pequena (do tamanho de uma bolinha de tênis) e atirou no bandido que estava mais distante dele, ao seu lado esquerdo. Esse tinha acabado de recarregar a arma, mas não iria adiantar nada se ele usasse novamente. O que ele recebera foi uma bola de fogo bem no meio da sua barriga, a qual foi totalmente queimada, não teve nem chances de se esquivar a lugar algum. Recebeu queimaduras do terceiro grau e desmaiou logo após o fogo se extinguir sozinho.

Will começou a descer bem lentamente pelo chão, atravessando-o até não ser mais visto. Pouco tempo depois, um dos criminosos que restou sentiu duas mãos tocando em suas panturrilhas por trás. Era Will que estava debaixo do chão, somente com as mãos do lado de fora. A mão dele expeliu fogo e o bandido teve suas pernas inteiras queimadas. Caiu se agonizando de dor, apagado.

— Quadrilha de fracos – disse Will virando-se de frente ao último que restou. – Deixa eu falar uma coisa a vo...

— É melhor ficar calado e não fazer mais nada, senão eu atiro nela. Juro que atiro!

O último homem armado estava ao lado de uma jovem que ele colocara de pé, com a sua arma pesada em direção à cabeça dela. Os outros reféns estavam deitados logo atrás dos dois.

Will ficou sem reação, apenas levantou as duas mãos demonstrando que nada mais iria fazer. O homem estava muito nervoso, qualquer tentativa precipitada e a garota poderia ter seus miolos espalhados pelo chão.

O bandido gritou de raiva:

— PRO CHÃO, GAROTO IDIOTA!! Vamos...

No momento que Will estava para se agachar, o criminoso tremeu o seu corpo em movimentos epiléticos e caiu apagado. Um dos reféns que estava deitado tinha se levantado antes disso acontecer.

— Carta elétrica bem-sucedida – disse ele.

Certamente, aquela situação foi um alívio para ele. Aquilo tudo havia terminado e a garota já não corria mais riscos.

Will suspirou, a respiração funda fez o seu coração se acalmar lentamente. Então, foi cumprimentar o garoto, que aparentemente, deveria ter uns quinze anos. O cabelo dele era cacheado, ruivo, bem grande. Havia sardas em meio as bochechas e o seu jeito de andar era bem desengonçado.

— Cara, você é demais. Derrubou quatro em pouco tempo... como é o seu nome? – Perguntou o garoto ruivo.

— Meu nome é Will Lavely... – Will franziu a testa – O que você estava fazendo ali deitado? Por que não derrotou os bandidos antes de mim? – Estendeu a mão direita – Aaaah... desculpe a minha falta de educação. E o seu nome, como é?

— Meu nome é Calebe... – respondeu, balançando a mão de Will como se ele fosse um ídolo que acabara de ser encontrado. – Eu estava esperando um momento oportuno para atacar. Eu não posso ficar intangível como você... e também só posso fazer isso que você acabou de ver. Não quis arriscar.

— Entendo. Então você tem medo de armas?

— Bem, digamos que eu seja um scatrix cauteloso.

Will demonstrou não ter acreditado. O que ele realmente achava era que aquele garoto estava com medo de fazer algo e receber uma bala em seu corpo.

— Hm rum! (...) agora, já pode soltar minha mão, viu?

— Desculpa... – respondeu Calebe sem graça, a sua bochecha corou. E corou mais ainda quando recebera um beijo na bochecha da garota que ele, teoricamente, acabara de salvar.

Os outros reféns começaram a se agitar, afobados para sair daquele local do assalto. Os funcionários do caixa estavam perplexos com a situação, apenas olhavam admirados pela coragem dos jovens. Will ouviu alguém gritar perto da porta giratória:

— Vamos, Bruna!

E a garota, que deu um beijo em Calebe, saiu daquele estabelecimento logo depois de escutar seus pais a chamarem. Will perguntou a ele:

— O que faz aqui? Está sozinho?

— Não. Estou esperando a minha avó, ela até agora não apareceu. Deve ter ficado no banheiro quando ouviu os disparos.

— Provavelmente, Calebe... – Will flutuou e acenou com um balançar da mão direita – Tenho que ir agora. Foi um prazer conhece-lo. Obrigado por ter me ajudado, eu não sei o que eu faria para salvar aquela garota que você gostou.

— Eu... E-e-e-eu n-ão a co-co-co-nhe-ço ... – Gaguejou ele.

Will sorriu e saiu do banco, atravessando a porta giratória.

Notas finais
O clímax de fato, chegará aos poucos... Peço paciência aos leitores! Vocês irão se surpreender. Aposto nisso! Pfv, não esqueçam de comentar... Críticas são bem-vindas!