HB - Garotos Heróis
7 Capítulo 06: Ryan Foster - Os hunters parte 2
Notas iniciais
Depois de colocar as armas dentro do saco preto, Victor fez um sinal para Brad prosseguir com o plano que eles haviam combinado antes. Então, Brad ficou de frente aos criminosos, fechou os olhos e disse concentrado:
— Grupo energia, carta de número onze. – E apareceu uma carta entre os dois dedos (indicador e médio) da sua mão direita, no momento exato em que abrira os seus olhos.
O bandido que Glayan apontou a arma na cabeça temeu sobre o que poderia acontecer. Até implorou para que não machucasse ele e o seu bando desacordado. Ele sabia que era um homem totalmente indefeso na frente de um scatrix habilidoso. E o pior era que ele não podia fazer nada a respeito, nem ao menos dava para fugir dali.
— Olha, você não precisa nos machucar. Nós já nos rendemos – era perceptível a raiva no rosto dele, ao mesmo tempo em que ele tentava apaziguar a situação.
Brad apenas o ignorou, ele não era muito de falar. Era o mais calado do grupo de Victor, porém o mais observador, semelhante a Nico.
A carta de Brad entre seus dois dedos brilhava forte naquele momento. Uma forma de dourado que chamava muito a atenção de Ryan. Depois, ela se desintegrou por completo em forma de várias faíscas douradas girando ao redor da mão e do braço de Brad, limitando-se apenas até o cotovelo dele. Num piscar de olhos, uma luva branca ganhou forma na mão direita de Brad. Uma luva grande que se estendia até o seu cotovelo.
Havia um símbolo pequeno e preto na região da luva onde estava a palma da mão de Brad. Um símbolo estranho que nada parecia com o número onze, mas era o que aquilo significava. Parecia uma espécie de algarismo de outro mundo. Na verdade, todas as cartas haviam símbolos que representavam os algarismos numéricos da Terra.
Paul Smith estava ficando impaciente.
— Anda logo com isso, Brad. Para de ficar admirando o símbolo da sua luva. Toda vez você faz isso.
Brad o fitou com um simples olhar e, em seguida, com a sua mão direita, ergueu o corpo de um dos bandidos cicatryon pelo pescoço. A energia em técnicas do bandido começou a ser drenada do corpo dele. No momento do toque, era possível ver um fluxo de energia azul em direção à mão direita de Brad. Quando terminou, largou o corpo do criminoso e pegou o outro scatrix bandido da mesma forma.
Brad deu um suspiro, parecendo que tinha acabado de saborear uma deliciosa refeição, e fechou os olhos novamente para conjurar outra carta, depois de largar o segundo corpo no chão e a luva desaparecer da sua mão direita.
— Categoria da mente, número 30, a carta roubo de informações. – Uma carta apareceu entre seus dois dedos da mão esquerda. Ele usou esses mesmos dedos para jogar a carta na testa do bandido que estava sentado, ainda resmungando e implorando para que não o machucasse.
A carta foi lançada bem rápida, e o bandido não conseguiu pará-la com a mão. Era tarde demais para ele, a carta já estava na sua testa.
Naquele momento, o criminoso tremeu bastante. Um ataque de convulsão era o que parecia descrever aquele instante, ou talvez um choque. Mas o fato mesmo era que a carta estava sugando suas memórias. Várias imagens estavam sendo processadas de vez nos pensamentos do bandido. Seu corpo estava duro e permanecia em repetitivos espasmos. Ele ficou assim por mais ou menos um minuto antes de cair e desmaiar.
Brad apontou a palma da sua mão direita na direção da carta que estava grudada na testa do bandido caído no chão, e a carta retornou para ele como se fosse um imã. Em seguida, amassou a carta apertando-a até não ser mais vista na sua mão.
A carta virou uma espécie de pó transparente e ele a inalou ali mesmo, parado e com os olhos fechados. Foi, necessariamente, depois de sugar todo o pó que ele olhou para Victor.
— Tem mais um deles. Está escondido em um galpão aqui perto. É o líder deles – disse Brad.
— Ótimo, Brad. – Victor olhou para Drake, que estava escutando rock no seu celular – Drake! Drake!... DRAKE!
Drake tirou o fone direito do seu ouvido e abaixou o volume da música.
— Oi! Pode falar! – Respondeu Drake de costas para o pessoal. Ele estava sentado no batente que delimitava o contorno do edifício. Suas pernas do lado fora.
— Ligue para a polícia e mostre a localização dos bandidos que estão aqui. Eu e Brad iremos retornar antes deles chegarem.
Drake fez um sinal de rock com a mão, acenando para Victor ainda de costas e distante em relação ao grupo.
— Pode deixar – respondeu Drake.
Brad retornou a sua atenção aos bandidos. Conjurou cinco cartas de vez.
— Número cinquenta e dois, cartas de paralisia. – Brad colocou uma carta em cada bandido que havia ali. – Estou pronto, Victor. Vamos adiantar – disse Brad já se preparando para voar.
Victor flutuou e voou disparadamente atrás de Brad segundos depois.
Mesmo que acordassem, os bandidos não poderiam mais se mover. Tinham recebido uma carta poderosa no seu corpo que paralisava qualquer tipo de movimento durante um certo limite de tempo. Essa carta requeria muita energia do usuário, por isso foi necessário Brad ter sugado a energia em técnica dos dois bandidos cicatryons que ali estavam. Sem fazer isso, era impossível para Brad ter conjurado cinco cartas daquele tipo de uma vez só.
Depois que Brad e Victor saíram atrás de um outro bandido que restara, Ryan foi ao encontro de Drake e Nico, que estavam sentados ainda no batente daquele teto do edifício. Ao sentar do lado de Drake, disse:
— Eu não sei o que foi que deu em Glayan hoje... eu sei que ele sempre foi um cara descontrolado, mas ele parece estar ficando pior agora.
Smith estava se sentando ao lado de Ryan naquele momento.
— Não fale mal de Glayan, Ryan. Eu também concordo com ele. Sei o que passa na cabeça dele – respondeu Smith.
— Mas foi Vi...
— Não importa... Glayan é mais forte do que ele. Deve ser humilhante receber ordens de alguém inferior – disse Smith interrompendo Ryan. – Não se atreva a ficar metendo o nariz nos assuntos dele e de Victor. Deixem os dois resolverem.
— Você e ele fala como se não conhecesse Victor...
— Se você se colocar na frente de Glayan de novo, juro que arrebento você!
Ryan nada respondeu, resolveu mudar de assunto antes que Smith resolvesse querer brigar com ele também, depois de Glayan ter feito o que fez.
— Ei Nico! Tem falado com o seu irmão? – Perguntou Ryan a Nico, que estava ao lado de Drake sem falar uma palavra durante um longo tempo.
Nico fitou um olhar sério para Ryan, mas nada respondeu. Smith tomou a frente e disse:
— Ryan, nós não somos seus amigos. Cale a boca. Victor não está mais aqui para proteger você agora. É melhor ficar calado, então! Cara, como você é irritante...
Ryan achou melhor ficar calado ali, apenas apreciando a rua abaixo dele. Era sempre isso que acontecia: os garotos o ignoravam, o desprezavam sem nenhum motivo aparente. Ryan começava a achar que ele não tinha o respeito deles por ser o mais fraco do grupo, o que não era verdade. O único fato que podia concluir sobre Ryan, era que ele preferia evitar confronto com algum dos seus companheiros, apesar deles não o considerarem assim, exceto Victor que o considerava um grande amigo.
Enquanto Drake ainda escutava música em alto volume no seu celular, Nico continuava parado, inerte, apenas contemplando o céu estrelado que era a mais bela vista daquele local.
Quando terminou a última música de rock da sua playlist, Drake discou o número da polícia ao mesmo tempo que colocava o seu fone de ouvido no bolso.
Ryan continuou calado. Olhava para o céu, observando também o azul estrelado. Victor e Brad chegaram uns sete minutos depois, com Victor jogando um corpo paralisado de um outro homem no chão.
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