HB - Garotos Heróis
10 Capítulo 09: Ítalo Sparks - A lendária Chuva da noite
Notas iniciais
Exatos trinta minutos se passaram desde que Noah recebera o recado ameaçador. Se ele pudesse descrever a sensação que sentira, ele diria que foi o momento em que a sua notável impotência ganhava a maior forma de todas, pois era notório que ele nada podia fazer diante de toda aquela situação. E se os Sparks desistissem do caso? E se ele ficasse sozinho outra vez? E se os mesmos homens tentassem matá-lo? Sozinho, era como se ele estivesse gritando sem que ninguém o pudesse escutar.
Noah ainda estava bastante trêmulo, com um copo de água gelada na mão, a água trepidando por causa dos seus movimentos.
— Pai, tente se acalmar – repetiu Velame pela terceira vez. – Lá fora tem vinte scatrix em nossa guarda. Não vamos desistir! Minha mãe está morta, e os responsáveis estão soltos por aí.
Noah estendeu o copo para Velame o preencher com mais água, e ele assim o fez. Ítalo estava sentado no sofá de frente a TV e ao lado dos dois, que estavam sentados em cadeiras perto da mesa.
— Senhor, tenha calma... ninguém passará da cerca da sua casa. Garanto a você! – disse Ítalo.
— Muito obrigado, Ítalo. Sou muito grato a vocês Sparks... aliás, serei eternamente grato.
— Eu sei, mas não tenha medo! – Se levantou do sofá e apontou para fora, na direção da porta. – Já ouviu falar da Mestra da água?
— Minha mulher falava muito sobre ela – disse Noah, com a mão na cabeça, se acalmando aos poucos.
— Meu pai a contratou na semana passada. Ela está lá fora, é a líder dos outros dezenove que estão por lá.
— Nooossa! É sério, Ítalo? – perguntou Velame. – Aquela mulher que é uma espadachim?
— Sim, sim... é verdade. Ela mesma: a japonesa Amaya, também chamada de Chuva da noite.
Noah mudou de assunto:
— Ítalo, seu pai disse ter noção de quem fez isso; conversei com ele pelo telefone. Ele disse que recebeu uma mensagem no seu notebook com uma imagem de um escorpião na tela.
— Ele me explicou um pouco sobre... pelo símbolo de veludo da caixa que você recebera, estamos lidando com o grupo dos Escorpiões, uma organização muito desconhecida ainda pela população mundial. Eles querem manter o segredo de existência a qualquer custo. Essas pessoas têm acesso a todas as informações possíveis. Eles têm contato com a espionagem americana, por isso podem saber o que qualquer um fala pelo telefone, podem checar os e-mails, as conversas instantâneas, as redes sócias. Exatamente tudo. – Ítalo olhou para Velame – Sua mãe foi morta porque deve ter descoberto algo que não podia. Algo que iria custar caro para eles, provavelmente. – Voltou-se para Noah – Meu pai recebeu a imagem que você falou, e na legenda dizia para ele desistir desse caso, antes que isso lhe custasse caro demais.
— Foi o mesmo que o seu pai me disse, garoto – Noah se levantou para colocar o copo na cozinha, enquanto ainda falava – Ele também disse que é uma organização em que não se deve lutar.
Era visualmente notório que Noah tinha se desanimado com a situação, mas ao mesmo tempo não queria desistir da justiça. Ele refletia bastante em tudo o que poderia estar arriscando se ele continuasse tentando. “Não... Todos devem pagar pelos seus atos. Seria um absurdo alguém sair impune do que fizeram com a minha amada. Isso não vai ficar assim”.
O pai de Velame tinha saído da sala. Ítalo sentou na cadeira que tinha ficado vazia.
— Velame, seu pai deve estar bem nervoso, não está?
— Ele está preocupado, Ítalo... – respondeu Velame.
— Eu entendo a situação que vocês estão passando. Mas só acho que desistir não seja a melhor decisão.
— Duvido muito meu pai desistir. Aparentemente não parece, mas meu pai é muito corajoso.
— Não duvido... você sabe disso!
Durante mais cinco minutos os dois ficaram conversando. Ítalo se levantou da cadeira e foi ao banheiro. Ao retornar, passou pelo corredor que o levara a cozinha e avisou a Noah que iria embora. Em seguida, saiu da casa junto com Velame e pararam em frente à porta.
Haviam cinco homens de terno preto levitando acima da casa; três homens e uma mulher faziam guarda perto das árvores, em frente a cerca daquele território, olhavam de um lado a outro através dos seus óculos pretos; os outros onze seguranças, logicamente, deveriam estar aos lados e na parte de trás daquela isolada casa na floresta. Somente uma mulher que estava parada dentro da cerca de madeira que envolvia toda a residência, suas costas de frente para a porta.
Seus olhos eram puxados. Aparentemente deveria ter uns trinta e cinco anos. Os cabelos negros caídos até os ombros. Era uma mulher alta e muito formosa. Havia uma espada sendo portada nas costas daquela incrível imagem feminina de terno preto. A bainha da espada era um azul gelo fascinante, cheio de detalhes em ondas de alto relevo.
Os olhos de Velame se arregalaram quando a viu de primeira. Sussurrou no ouvido de Ítalo:
— Que gatona, Ítalo. Não sabia que ela era tanto assim, nas imagens parece diferente. Parece uma deusa japonesa olhando-a de perto!
— É uma mulher formosa, Velame, mas por favor, se comporte.
A japonesa olhou para trás ao perceber a presença dos dois. Andou em direção a eles instantes depois.
— Então você deve ser Velame, não é? – Ela estendeu uma mão assim que se aproximou deles.
— Sou eu sim! – Respondeu Velame estendendo sua mão também.
— Pode ficar tranquilo, garoto, nossa equipe é altamente especializada e nada de ruim irá acontecer a vocês. Estamos tomando o máximo de cuidado possível. A propósito, meu nome é Amaya, mas pode me chamar de Chuva da Noite.
— A famosa Chuva da Noite, mestra da água. Você deve ser incrível...
— Que nada, não ligue para o que os outros andam falando não. Sou mestra da água sim, mas nada demais nisso.
Amaya focou total atenção a Ítalo e disse:
— Algo que eu possa ajudar?
No fundo, Ítalo agradeceu por ela não o ter chamado de jovem senhor. Ele odiava expressões formais, eram irritantes.
Ele apontou para Velame. No mesmo momento, ela seguira a direção do dedo levantado.
— Eu agradeceria se você pudesse ensinar a este jovem aqui voar.
Ficou surpresa ela.
— Como pode um mocinho desse ainda não ter aprendido a voar, em? Que engraçado isso. Bom, acho que ganhei uma cobaia. Vamos ver se eu ensino bem. Mais tarde eu lhe chamo e começaremos. Tudo bem para você?
— Ah, claro que sim!
Ítalo levitou alguns centímetros acima do chão.
— Bom, eu vou embora! Fica com Deus, Velame. – Se afastou cada vez mais do chão – Aprende a voar logo! Quero formar uma equipe, mas você tem que aprender a fazer isso primeiro.
— Ei, eu não concordei ainda, viu? Cada hora você vem com uma ideia nova e eu sempre acabo ficando de castigo com suas invenções.
Ítalo fez um sinal de “V” com os dedos para Velame, acenou para Amaya, alçou voo e saiu, deixando aquela casa na floresta para trás.
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