“Uma floresta escura e sombria era onde eu me encontrava.Um vento forte passou o que fez folhas caírem das árvores e as que já haviam caído, ralharem pelo chão.Olhei á minha volta, árvores, mais altas árvores, a lua parecia muito próxima, linda e exuberante.Ouvi passos, galhos se quebrando, folhas se arrastando.Ainda que receosa, segui os passos, até que enxerguei um corpo á minha frente, mas pelos cabelos descoloridos soube que era Jared, ou esperava que fosse.Caminhamos por mais um tempo, não pareceu notar minha presença, enfim avistamos uma luz, laranja, uma fogueira, a qual nos aproximarmos encontramos Isaac que jogava gravetos nela.

— Ei. – chamou Jared

— O que descobriu? – pergutou Isaac

— Harahel está no inferno, tenho que ir buscá-lo.Sei que não tenho força o suficiente contra os grandes usando os poderes celestiais.Harahel uma vez me disse que havia um livro, A Chave de Salomão, que continha todo os rituais para invocar demônios, mas não sei onde achá-lo.

— O que pretende com o livro? – olhou para Jared

— Invocar os demônios e pedir...mandar que me ensinem como explorar meu...outro lado. – falou

— Jared, é perigoso.

— E quando não é?

Isaac o encarou.

— Me diz onde acho esse livro. – falou Jared

— Esse livro em mãos erradas traria grandes tragédias pro mundo, por isso não fica por ai, solto.Há 8 cópias da Chave, uma para cada das 8 famílias de Veneficas Originais.

— Veneficas Originais? – perguntei

Ambos olharam em volta, até que os olhos de Jared pousaram em mim.

— Você está sonhando com ela Isaac? – perguntou Jared ainda me encarando

— Acho que não, e você? – perguntou

— Claro que não!

— Olha, isso aqui é meu sonho...eu acho. — falei

— Como você chegou aqui? – perguntou Jared

— Não sei! – o encarei irritada, mas depois desviei-me para Isaac – Isaac, o que são Veneficas Originais?

— Bruxas. – respondeu

— Oh...bruxas. – legal, mais isso – O que vêm agora, vampiros e múmias que ainda vivem? – perguntei

Isaac e Jared olharam-me, Isaac confuso, Jared incrédulo.

— Não seja estúpida Katherine. – falou irritado

— Estúpida? Por que Jared? Por que de repente descobri que as coisas não são como são? Que além de haver demônios, anjos há...bruxas também? – olhei para Isaac – O que elas fazem? Falam feitiços e gravetos mágicos?

— Gravetos mágicos? – perguntou Isaac

— Mais estúpida impossível. – falou Jared

Peguei um graveto no chão e taquei nele.Andei até Isaac passando por Jared.

— E então, o que são Venéficas Originais?

— Venéficas significa bruxas em latim, bruxas originais, bruxas que nascem bruxas, ou bruxos.

— E como elas nascem ‘‘bruxas”?

— Isso não importa agora, o que importa é como vão achar uma, o que é difícil.Muitas delas são ricas, ou eles, há bruxos também, mas pouquíssimos.Bruxas só querem o bem próprio, procurem por farmácias de manipulação, as grandes...ainda sim isso vai ser muito difícil.Os ajudarei nessa busca começando aqui por Arizona.

Tudo começou a ficar turvo e não conseguia mais ouvir Isaac.

— Pesquisem... – falou Isaac com a voz quase sumindo – Katherine... – eu estava sendo sacudida – Kate!”

Abri os olhos deparando-me com Fleur me encarando.

— Café da manhã. – sorriu

Me levantei, escovei os dentes e encarei minha mão ainda enfaixada.Não sentia mais dor, ou arder.Comecei á desenfaixar encontrando minha mão intacta, como isso? Fiquei encarando-a por um tempo, até que bateram na porta.Sai do banheiro e sentei-me á mesa ao lado de Jenna.

— Bom dia querida. – falou dando-me um beijo na testa.

— Bom dia. – sorri

Tomamos café da manhã, e pela primeira vez senti-me como Jared comendo, um animal.Comi tudo que havia na mesa repetindo pelo menos umas 3 vezes.

Voltei para meu quarto e arrumei minha cama, ouvi Jenna gritar meu nome, pus a cabeça para fora da porta.

— Sim? – perguntei

— Más energias na porta. – gritou.

Jared.

Os cabelos estavam desgrenhados como se tivesse acabado de levantar da cama, uma regata com as laterais quase que inexistentes, deixando á mostra sua costela musculosa.Bufei comigo mesma.

— Por que sempre veste preto? – perguntei

Ele franziu o cenho e deu de ombros.

— O que quer? – perguntei

— Muitas coisas, mas não dá para fazer nem falar aqui agora.

O encarei, que atrevido.

— O quê? – perguntou – Você que está levando pro mal lado.

Bufei.

— Vou me trocar, espera ai fora, Jenna não gosta de você.

— Manda ela entrar na gigantesca fila. – falou

Segurei-me para não rir e fui até o quarto trocando de roupa.O dia estava quente, então coloquei shorts, uma regata e amarrei um casaco na cintura caso fizesse frio.Calcei meus coturnos e fui ao encontro de Jared lá fora, olhou-me e desceu as escadas se dirigindo até a moto.Ainda bem que havia pego o casaco.

Sentei-me atrás de Jared e o abracei pelas costas para não cair, mas ele tirou meus braços.

— Segure-se com as pernas nas minhas. – falou

— Eu vou cair.

— Quem vai cair é você, dê seu jeito. – falou e ligou a moto

Ele arrancou com a moto então o agarrei pela cintura de qualquer forma.

Depois de meia hora enfim chegamos na cidade, Mason, paramos e perguntamos aonde ficava a livraria mais próxima e seguimos até a rua Post Hill. O centro era bem diferente de onde Jenna morava, lá havia mais verde, o chão colorido de verde pelo matos, árvores, no centro, ruas asfaltadas, onde deveria ser vegetação, não há, se encontra uma terra seca, em pouquíssimas casas á jardins, plantas, árvores, algumas solitárias em cada esquina, o que fazia o tempo parecer mais seco ali.

Jared estacionou em frente á uma, aparentemente, antiga casa, mas na placa dizia Biblioteca de Mason.Subimos pela rampa e entramos, não havia nada demais, prateleiras e mais prateleiras lotadas de livros.

— Acha mesmo que vamos achar as informações necessárias aqui, nessa biblioteca? – perguntei

— Vários meros mortais tiveram acesso ao “mundo real”, ou acha que algumas teorias sobre anjos, demônios, até mesmo bruxas vieram do nada na cabeça das pessoas?

Procuramos e achamos alguns livros.

Bruxas eram mulheres curandeiras, que faziam remédios usufruindo da natureza, das ervas.Elas eram mulheres sábias resumindo, e por aquela época o machismo ser uma característica marcante, sofriam, os homens não gostavam que elas soubessem tanto, e a igreja católica não queria que elas vendessem a cura para as coisas, por isso as matavam.

Havia outras teorias, a história das bruxas de Salém, que eu jurava que era pela Europa, mas na verdade era ali na America, Massachussets.

— Jared. – o chamei

Ele estava á poucos metros de mim lendo sentado encostado numa parede.

— Sim. – falou ainda olhando para o livro

— Será que não há bruxas em Massachussets, sempre ouvi que lá era o local das bruxas, quero dizer, Salém.

— Não, creio que não.Talvez se encontrarmos uma mestiça,possamos encontrar uma original.

— Mestiça?

— Sim, bruxa ou bruxo com um mortal, o que as fazem não serem originais.Originais são bruxo com bruxo, o que faz ser forte.

— Entendi.

— Aliás, Katherine, como você entrou no sonho de Isaac ontem?

— Já disse que não entrei, dormi e simplesmente estava lá.

— Estranho.

— Sim.E naquele dia, quando você foi lá em casa, eu tinha te visto na moto, não sabia para onde, mas sabia que estava numa moto, com aquelas mesmas roupas, na noite anterior tive um sonho estranho, como se eu tivesse invadido um lugar, matado e acertado caras, até mesmo torturado um, mas não eram minhas mãos. – olhei para as minhas e depois para as de Jared – eram as suas.

— Descreve o lugar. – falou aproximando-se de mim

Lhe contei o que havia visto no meu sonho.

— Eu fui lá, era o covil dos Baalihans, eu torturei esse cara, agora...como você viu isso?

— Não faço a mínima ideia.Desde que te conheci ando tendo sonhos estranhos, lembranças andam voltando, como de nós quando pequenos...

— Já te falei, não me lembro de ter te conhecido quando criança.

— Mas eu também não lembrava, agora esses sonhos vem e eu me lembro, lembro-me de como éramos amigos, de como você era doce.

Ele riu.

— Eu realmente não me lembro de ser doce. – ficamos em silêncio. – Vamos testar uma coisa. – falou levantando-se.- Vou lá para fora, feche os olhos e se concentre em mim, ok?

— Se você me deixar, eu juro...

— Então trate de se esforçar pra me ver. – falou saindo

Fechei os olhos e deixei relaxar, dormir, afinal era assim que as coisas geralmente aconteciam.Então num flash ele apareceu, estava lá fora realmente, parado olhando para a biblioteca, então fechou os olhos, ficou um tempo assim mas depois bufou irritado, em seguida entrando na biblioteca.

Abri os olhos no exato momento em que ele entrou no corredor.

— O que foi? – perguntei

— Você me viu?

— Sim.

— Eu não consegui te ver.

— É por isso que está irritado?

— Você se troca em frente ao espelho?

— Ah...nã...o que isso tem haver?

— Menos mal. – pegou um livro e voltou a ler

Pegamos um livro e fomos a mais outras 3 bibliotecas em Mason.Agora estávamos na escola Mason.Uma senhora nos levava até a biblioteca enquanto isso passávamos pelo pátio onde várias meninas sorriam, cochichavam e acenavam para Jared, deviam ter minha idade mais ou menos.Jared as evitava, olhando para frente, o que é fato, que isso torna um garoto mais 10% atraente dependendo da garota.

— Olha, um fã clube em Mason Jared. – falei

— São crianças.

— Eles devem ter a minha idade.

— Você é uma criança.

Bufei irritada.Idiota.

Essa biblioteca era bem grande, paredes altas e cheias de livros, escadas para alcançar as prateleiras, mesas com iluminarias para os estudantes, um dia eu teria uma casa com um quarto cheio de livros daquele jeito.

— Só não façam barulho, por favor. – pediu a senhora

Então mais ecos de risinhos na biblioteca.

Passamos a tarde inteira naquela biblioteca,até minha barriga roncar.

— Vamos comer alguma coisa, estou passando mal de fome. – Jared me olhou e abriu a boca para começar a falar, mas o interrompi – Nem vem, hoje tomei um belo café da manhã.

— Ok, vamos procurar alguma coisa. – levantou-se e pegou mais livros.

Fomos até o centro de Mason e paramos num restaurante.Paredes escuras, apenas uma havia uma ilustração de caveiras mexicanas, mesas reservadas, com uma iluminaria cada uma, uma música country tocava bem baixinha no fundo.Nos sentamos numa mesa de canto, olhamos o cardápio e fizemos nosso pedido.

— Então, o que temos até agora sobre bruxas? – perguntei

— Se seguirem a tradição, sempre estarão envolvidas com manipulação de ervas, remédios, essas coisas, envolvidas com plantas.Usam medalhões, anéis estranhos, temos que procurar por sociedades pagãs.

— Uh, difícil.

— Sim é,mas preciso resgatar Harahel.

— Você não se importa com ninguém, porque está tão preocupado com ele?

— Ele me criou Katherine, devo minha vida e tudo que sei á ele, não posso deixá-lo na mão.

— Entendi.Então qual o próximo passo?

— Observarmos mais as pessoas, vamos procurar cartomantes, coisas do tipo, devem ser mestiças ou filhas de mestiças.Nesse meio tempo, vamos treinar, você tem que aprender á se defender e matar.

— Matar?

— Primeira lição:Antes eles do que você.

— Uh, vamos lá Sr.Miyagi.

— O quê?

— Nada.Aonde vamos treinar?

— Vamos arranjar um lugar depois.

A comida chegou e comemos vorazes, principalmente eu, fiquei assustada comigo mesma.

Jared pagou a conta então saímos, dando de cara com Fleur.

— Oi. – sorriu

— Oi. – falei

Ela encarou Jared.

— Oh, Fleur esse é Jared, um...amigo meu.

— Hm prazer. – falou

— Prazer é todo meu. – falou Jared encarando-a, mas Fleur aparentemente não gostou disso.

— Ah, aonde está indo? – perguntei

— Encontrar minha mãe, depois vamos para casa, vai querer carona?

— Oh...

— Não, eu a levo pra casa. – falou Jared

— Jared eu...

— Estou falando da sua prima Katherine.

— Oh, descarado, mas não obrigado. – falou ignorando-o – Kate, quer ir conhecer a loja?

— Sim, claro.Tchau Jared. – despedi-me

Ele se virou pondo as mãos no bolso e saiu andando.

— Ele gostou de você. – falei esbarrando em Fleur brincalhona

— Oh, mas ele não faz meu tipo. – falou

— E qual o seu tipo?

— Tudo o que não é igual á ele.

Rimos.

O sol começava á se por.Paramos em frente á loja, flores por toda a vitrine, nome da loja Fleurcultura, olhei para Fleur que sorriu e deu de ombros.Entramos na loja e sinos tocaram.

Jenna borrifava umas flores e as beijava, conversava e as acariciava, e quando se movia, movia-se dançando ao som da música que tocava baixa no fundo da loja.

— Meninas. – sorriu – Digam olá ás plantas, flores.

— Olá. – falei

Jenna encarou-me e Fleur riu.

— Não é assim que se diz olá, é assim. – falou puxando-me e pegando dois borrifadores – Começou a despejar nas plantas e fazer como Jenna, fiz o mesmo, sim era loucura, mas uma boca loucura.

— Dêem-lhes amor, e elas lhe dão ar e vida. – falou Jenna

Demos “olá” as plantas, e ajudamos Jenna a arrumar a loja, algumas pessoas entravam e sempre bem recebidas por Jenna, que lhes explicava o sentido das plantas, o que elas diziam, o bom que lhe traria, e a pessoa sempre comprava, e saia de lá, aparentemente mais feliz.

Fechamos a loja e fomos pra casa.

Estava exausta, coloquei a bolsa com os livros que havia pego com Jared em cima da bancada, e joguei-me na cama, adorcemendo.

“Tudo estava preto.Oh merda,de novo não.Desde então comecei á tentar me sacudir, sentia a presença de perigo, algo mal, e estava muito próximo, sentia frio.O lado da cama cedeu, alguém havia se sentado.Continuava tentando me mexer mas nada,até que me movi por um mísero milímetro me movi da cama.Tenho que acordar!Era tudo o que pensava.Aos poucos eu ia conseguindo me movimentar, senti uma mão gelada na minha perna, então o chutei”

Ouvi um grunhir e algo tombando no chão, olhei com medo, mas era Jared.Filho da mãe!

Ele mexia no maxilar.Pulei em cima dele estapeando-o.

— Seu desgraçado! – batia nele

Num só movimento, fiquei em baixo dele, com sua mão sobre minha boca.

— Quer acordar sua tia?

Mordi sua mão e ele arfou.

— Seu desgraçado, era você esse tempo todo. – falei sentando-me longe dele

— Sim, era eu. – falou

— Por quê?

— Me alimento de medo Katherine.

— Mas que droga.Você é o que, o bicho papão? – o chutei e ele riu

— Já acabou?

— O que está fazendo aqui?

— Vim ler. – falou levantando-se — Como conseguiu sair do sonho?

— Não sei. – peguei os livros entreguei para Jared

Mexi na minha bolsa atrás de uma presilha e uma pasta caiu dela.

Abri, eram as casas no nome da minha mãe.

Sentei-me na cama e li, eram todas as casas que eu já havia morado e outras mais que eu não fazia ideia de onde ou porque minha mãe tinha uma casa ali.

— O que é isso? – perguntou Jared arrancando a pasta da minha mão

— Propriedades da minha mãe.

— Hm, muitas. – ele parou e leu uma – Acabei de achar um lugar onde eu possa ficar. – falou

Me coloquei ao lado dele, havia a foto de uma casa simples e pequena no meio de um monte de mato.

— Vai ser aonde vamos treinar também.Lugar escondido, e aparentemente de difícil acesso – ele folheou – sua mãe tinha muitas casas assim pelo visto, parecia estar se escondendo de alguém, ou se prevenindo.

Ele estava certo, mais uma coisa na minha lista de procura, o passado da minha mãe.

Notas finais
oie demorei pra postar, mas é porque ando resolvendo e pensando em muitas coisas para a fic.
Espero que tenham gostado do cap.
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