Saímos no outro portão do clube, havia outra sentinela, mas Jared deu um jeito e acabou apagando-o também com uma pancada na cabeça.

Estávamos na Grape Street, imundos, Jared ensangüentado, com sangue dos outros, ele havia apanhado mas não tinha hematomas, eu devia estar com um calombo no meio da testa, minha blusa branca estava imunda, assim como meus jeans, tirava folhas do meu cabelo todo desgrenhado.

Sentia-me péssima, membros doloridos, imunda, mas o que mais pesava, me machucava era meu coração.Havia perco minha mãe, James, estava indo embora sem nem ao menos dizer á deus á minha segunda família, como ficaria Emma? Como eu ficaria?

Jared era um psicopata que soltava luz pela mão como o homem de ferro.Era muito misterioso e agressivo.Será que eu podia confiar nele? Ele não era mais aquele menininho da Romênia que havia me dado uma flor batizando-a com meu nome, qual eu talvez tivesse uma paixão infantil, agora ele era um rapaz, um homem forte, bonito, enigmático, hostil e que não se lembrava de mim.Eu sei que ele é aquele garoto do meu diário, eu sei!

Lágrimas começaram á descer, então era assim o meu destino? Ficar órfã, a pessoa que surgiu e me fez bem morre, tenho que me distanciar da minha melhor a miga, fujo com um idiota perigoso que pelo visto havia muitas pessoas atrás de sua cabeça.Naquele momento todo eu só queria minha mãe, seu colo, seu afago, suas palavras, pelo menos queria saber que estava viva, que qualquer outro dia poderia vê-la, mas não, ela havia morrido, e eu estava sozinha.

Andávamos sem rumo, pelo menos eu não fazia a mínima ideia de para onde estávamos indo.

– Aonde estamos indo? – perguntei á Jared

– Procurar um lugar para ficar.

– Conhece por aqui?

– Não.

Tomei a frente atravessando á rua, Jared fez o mesmo.Caminhamos até á Dale, lá havia uma pensão, uma vez tinha passado por lá quando fui fazer trabalho na casa da Rosa no ano passado.

Era uma casa grande, laranja com muitas janelas, um jardim bonito ainda que fosse noite, bati palmas para ver se havia alguém ainda acordado, já devia ser tarde.Um senhora de cabelos grisalhos apareceu na janela pondo os óculos e se enrolando com um xale, mas logo sumiu.A porta se abriu e ela veio sorridente.

– Boa noite jovens. – falou

– Boa noite. – sorri

Olhei para Jared que olhava para as ruas, dei-lhe uma cotovelada.

– Ah, boa noite. – forçou um sorriso sem mostrar os dentes

A senhora sorriu.

– O que querem?

– Um lugar para dormir. – falei

Ela abriu o portão e acenou para que entrássemos.

– Entrem. — sorriu

A casa era muito aconchegante e quente, as paredes eram marfim, haviam luminárias antigas, uma cristaleira cheia de xícaras de chá belíssimas, pratos, fadas, anjos de porcelana, moveis de madeira maciça lindos e bem polidos, um sofá grande e aconchegante e um constante cheiro de chocolate quente. Aspirei fundo e minha barriga roncou.

– Com fome? – perguntou a boa senhora surgindo

– Ah...um pouco. – sorri

– Venham. – nos chamou para a cozinha.

Os armários eram antigos, mas a cozinha em si era moderna, o fogão era embutido, havia microondas, uma geladeira novíssima, uma mesa antiga com uma porção de frutas em cima.

– Sentem-se.Vocês gostam de macarrão?

Ela nos serviu, estava uma delícia, Jared comeu 3 pratos cheios, e ela pareceu feliz com aquilo.

– Mas então, querem um quarto? –perguntou

– Sim, na verdade dois, um para mim e outro para ele.

– Ué, mas um casal de jovens tão bonitos e saudáveis assim vão dormir separados? Brigaram?

– Oh não, somos só... – olhei para Jared, ele mastigava um palito – Amigos.

– Ah, vocês jovens e essas ideias de “amigos”. – ela fez aspas com os dedos – Mesmo que eu tivesse dois quartos, ainda sim colocaria em um só.

– Como assim mesmo que tivesse?

– Só tenho um quarto vazio. – falou

– Oh...

– Aceitamos. – falou Jared

– Menino de atitude. – ela sorriu para Jared – vou buscar as chaves. – falou saindo da cozinha.

– Vou dormir na cama. – murmurei

Ele deu de ombros.

A doce senhora voltou e nos chamou para a seguirmos.Subimos as escadas e fomos até o final do corredor, ela abriu a porta nos mostrando o quarto.Havia uma cama de casal, um armário, duas cômodas, uma poltrona, uma televisão e uma varanda.O cheiro que predominava era jasmim, eu adorava aquele cheiro.

– O banheiro fica á terceira porta á direita, vocês estão precisando de um banho.As toalhas ficam no armário. – riu

Sorri.

– Obrigada, ah...Sra.?

– Me chame de Nanny querida.Bom, agora vou deixá-los.Boa noite. – falou fechando a porta.

Tirei meus coturnos e me sentei na cama.Jared avaliou o quarto e olhou pela cortina lá fora.

– Acha que podem nos encontrar? – perguntei

– Não sei. – falou

– Não gostaria que machucassem Nanny.

Ele me olhou meio incrédulo.

– O quê? – perguntei

– Nada.Vou tomar banho. – pegou uma toalha no armário e saiu

Tirei minha jaqueta e me abracei, chorando em meus joelhos.

Sentia-me mal, aquilo tudo era horrível.

Jared voltou para o quarto, estava sem camisa e usava os mesmos jeans caindo pela cintura, mostrando suas entradinhas, quais desviei o olhar pois achava um charme.Seus cabelos brancos estavam desgrenhados e úmido, seu corpo era definido e musculoso, braços torneados, ótimos para cravar as unhas.Bufei irritada comigo mesma por pensar naquilo.Ele se deitou na cama com os braços cruzados atrás da cabeça, o olhei.

– Eu vou dormir na cama. – falei

– Eu também.

– Não dá.

– Escuta, se eu quiser, eu durmo em cima de você.

Grunhi.Babaca.

– Vou tomar meu banho, quando voltar espero que esteja na sua cama no chão. – falei

Ele me olhou divertido.

– Não conte com isso. — piscou

Levantei-me e fui tomar banho.

Deixei a água quente escorrer na minha pele, aonde eu havia sido cortada e queimada mais cedo ardia um pouco, mas estava cicatrizadas.Lembrei-me de tudo de novo e voltei á chorar, eu odiava minha vida, talvez tivesse sido melhor aquele cara ter me matado.Tinha mil perguntas a fazer á Jared,como o por que sua mão brilha, como me curou, como se cura...minha cabeça chegava á doer com tudo aquilo. Sai do banheiro e dei de cara com Nanny.

– Oi querida. – sorriu

– Oi Nanny.

– Tome – entregou-me uma, camisola?E uma calça de moletom – Vi que sua blusa estava suja assim como toda a roupa, então trouxe para que dormisse melhor.

– Oh não Nanny, eu trouxe uma em minha mochila...

– Tome.E essa calça para o menino.Dêem-me suas roupas, vou por para lavar, amanha de manhã já estarão limpas.

– A senhora é tão boa. – sorri e fui no banheiro tirando minhas roupas de novo, pus a camisola de Nanny e entreguei as roupas á ela.

Fui no quarto Jared estava na cama fitando o teto.

– Ei. – o chamei, ele me olhou – Tire as calças.

Ele me fitou divertido e levantou-se vindo até mim.

– Já Katherine? Sem preliminares?

– Não idiota, Nanny se ofereceu para lavar nossas roupas, toma – entreguei-lhe a calça de moletom – me dá sua blusa e calça.

Jared desabotoou sua calça e eu fechei a porta.Depois ele abriu surgindo com o moletom pendido em sua cintura e me entregou a roupas.

– Ficou certinha essa calça. – sorriu Nanny, entreguei-lhe as roupas – Boa noite jovens.

– Boa noite. – falamos juntos

Entramos no quarto e me deitei na cama.Puxei todo o edredom para mim, aproveitei e fiz uma barreira entre mim e Jared.O edredom foi puxado.

– Engraçada. – murmurou

– Pegue outro.

– Não tem.Quer que eu incomode Nanny? – avaliou-me

Grunhi.

– Ta. – joguei um pouco de edredom para seu lado e me virei para o meu cobrindo-me.Boa noite Jared – desliguei o abajur e ele fez o mesmo

Levei um tempo para dormir mas acabei me entregando ao cansaço físico e mental.

Naquela noite sonhei com James, Emma, Pamela, Rod, meu pai e minha mãe.Acordei aos prantos e sozinha.

Jared não estava lá, nem seus coturnos, nem nada.O filho da mãe havia me deixado.

Notas finais
Digam-me o que acharam, e comentem !!! TODAS!
Quanto mais comentarios, mais fico ansiosa para postar mais caps.
Agora estou de férias o/ postarei constantemente
bejos