Há Tempos

2 You can't be sure


Notas iniciais
OLÁ! Este é o primeiro capítulo, o primeiro passo de uma grande caminhada que eu estou tentando trilhar. É a minha primeira fic de fantasia e se trata de um tema bem difícil de lidar se não souber pesquisar. MESMO ASSIM, EU ESTOU MARAVILHOSAMENTE ANIMADA PRA COMEÇAR ISSO TUDO. Queria agradecer as minhas mozis, Cassandra e Mari que já deram fabulosos favoritismos a minha história, sendo que eu só havia escrito o prólogo. Sério, amo vocês. Obrigada as pessoas que comentaram e que incluíram meu projeto aos seus acompanhamentos. Vejo cês aí em baixo. P.S.: Quando houver * nas palavras, as explicações estarão nas notas de baixo.

É uma exploração, ela é feita do espaço exterior

E os seus lábios são como a beira da galáxia

E seu beijo, a cor de uma constelação se encaixando

— Arabella, Arctic Monkeys.

Havia uma lenda, nos tempos em que os deuses controlavam os destinos dos homens e sacrifícios eram feitos para os mesmos, que naquele vilarejo mal iluminado e frio, havia uma bela menina de cabelos ruivos e pequena.

Esta tal garota era a luz que faltava no lugar e por onde quer que passasse, os sorrisos involuntários surgiam nos cantos dos lábios dos moradores e os anciãos se inclinavam, levantavam e corriam para vê-la. Tal beleza era digna de uma princesa das histórias contadas em cantos sussurrantes do velho lugar.

Diziam as bocas más que a garota havia sido criada por fadas que viviam na Floresta WhiteWoof. A beleza e o encanto anormais não deixavam de fazer com que os moradores desconfiassem de onde a menina vinha e para onde ela ia quando o fim do dia chegava e as brincadeiras das pequenas crianças sessavam.

Também havia um garoto, como em todos os contos, curioso demais para o gosto de seus familiares, que obviamente o reprovava, fazia com que o menino passasse sua já prejudicada infância pelos becos escuros e negociando clandestinamente pelos bordéis com homens ricos para conseguir um dinheiro. Chantagens já estavam em seu currículo desde que nascera. Como era um bastardo, a vida não era um rio de água doce e fresca para ele.

A menina era um sonho, seus olhos verdes escuros como as árvores na primavera e a pele branca como a neve era apenas um borrão por onde quer que ele passasse. Todas as vezes que estavam no mesmo lugar, ele sentia o ar estalar e logo ela sumia, sequer dando a oportunidade de as duas crianças ligeiras conversarem pela primeira vez.

Como a história dizia, os dois tinham acabado de completar 16 primaveras quando finalmente de encontraram pela primeira vez. Os olhos cinzas como uma tempestade dele e os verdes como as árvores dela fizeram com que as pessoas sentissem medo quando presenciaram o encontro na festa de Solstício de Inverno. A música com leves batidas, danças sincronizadas e risadas alegres ecoavam por todo o lugar.

“Você tem olhos das nuvens antes da chuva” isto foi a primeira fala dela; a voz de sino e os grandes olhos piscando. Ele sorriu com os dentes da frente tortos e as covinhas mais acentuadas que nunca. Todas as noites em que dormia em qualquer hotel de esquina, os seus sonhos eram todos recheados com toques da ponta de seus dedos nas sardas que salpicavam o rosto dela e os lábios nos seus.

Ela usava uma coroa de flores delicada sob os cabelos ruivos e curtos que caiam em seus olhos e os lábios estavam avermelhados, bochechas queimadas graças ao frio e capa branca a rodeando. Ele com os cabelos escuros caindo em seus olhos e a ponta de seus dedos congelando dentro das luvas de couro; a capa escura estava amarrada e ele gostava de sentir o vento frio rasgando suas bochechas, anunciando a chegada do inverno.

“E tu não tem nome, mas parece que vives com as fadas. Não podemos julgar as pessoas pela aparência” respondera, com um meio sorriso no rosto.

Naquela noite, eles dançaram com as estrelas e as duas almas se completaram, se tornando apenas uma.

O amor que cresceu ali foi repleto de reprovação por toda a cidade. O menino que tinha dotes de caçador havia deixado todas as chantagens de lado para seguir sua amada por onde quer que fosse, e a garota abriu mão dos segredos para deixar que ele entrasse em seu coração. Quando se beijavam, os deuses pareciam se curvar para ver isto.

Entretanto, havia uma única regra entre eles dois: ele nunca poderia seguir ela quando ela fosse embora. Ele, que já nascera sendo sua própria casa, não entendia porque sua garota de espírito livre tinha esta objeção, mas tentava respeitar, até que sua curiosidade lhe venceu e fizera a maior besteira na sua vida.

Os anciões haviam ouvido os sussurros nos sonhos: havia uma profecia. No dia em que um amor distinto despertasse, um dos jovens dormiria, para que o mundo acordasse.

Não estava óbvio, já que as duas crianças eram apenas um garoto de cabelos claros e a outra fora supostamente criada por fadas; porém aquilo acontecera. Na noite em que o menino a seguiu, ouvira um dos velhos falar em uma voz quase inexistente para que não fosse. Não havia dado a mínima. Tudo o que fez foi ir atrás dela pela floresta gelada, se escondendo atrás dos pinheiros e seguindo os cabelos de fogo por entre as árvores. E quando finalmente a encontrou, não estava pronto para ao invés de encontrar um chalé e a garota com um meio sorriso, ver os cristais.

Uma mulher feita de cristais olhava para ele com os olhos vidrados e uma expressão congelada. Seus lábios tinham cor de rubi e todo o seu corpo era feito de cristais de tantas cores que ele não conseguia assimilar. Os pés dela não encostavam no chão e não parecia perceber que estava flutuando. Tudo o que via era a silhueta dela, com curvas perfeitas e os olhos de vidro. Os lábios não se mexeram, mas sua voz vinha de todos os lugares quando falou.

“Tu fizeste a única coisa que sua amada lhe pediu para não fazer. Ela reconhecia o poder dos deuses e as consequências que isto traria para as vossas vidas. Nunca mais a verá. Nunca mais amará. Os deuses abençoaram o seu amor e só lhe colocaram uma condição, e tu acabaste de quebrá-la. Será atormentado com isto e lhe daremos mais uma chance se estiver interessado. ”

A expressão dela fazia com que tudo se tornasse um vão. Ele sentia seu mundo rachar e em pequenos fragmentos, a única coisa que fazia se lembrar de que era humano, se desfazer. Perdera a única mulher com quem fora destinado a ficar. Não tinha mais nada a perder e sua vida não significava mais nada; apenas mais uma coisa para negociar.

“Diga”.

“Não irás ter coração, porém ainda tem teu cérebro. Precisamos de alguém capaz de arriscar a vida para nos servir. Estais dispostos a arriscar tudo o que tens para a maior busca de tua vida? ”

“Eu não tenho mais nada para arriscar. Estou disposto. ”

“Tua missão será achar os cinco cristais da minha coroa” fora inevitável olhar para a cabeça de cristais coloridos dela. Os cristais pontudos tinham uma abertura perfeita para uma coroa, mas a própria estava faltando. Não iria questionar o fato de que se eles eram deuses, deveriam saber aonde estavam os cristais; entretanto, apenas concordou com a cabeça. “Na busca, deverás apenas levar uma bolsa com comida e isto” disse, lhe jogando um diamante do tamanho da palma da mão “servirá para cobrir os gastos de tua busca. Lhe guiarei e mostrarei aonde deves procurar”.

“Irá deixar apenas eu vê-la pela última vez antes de eu me ir? ” Suas míseras esperanças de vê-la pela última vez, poder desculpar-se por ser tão idiota e apenas destruir tudo o que tocasse não iam embora nem tão cedo.

“Quando a filha da Lua e o filho do Sol nascerem, terás acesso ao primeiro cristal que te dará a única oportunidade de vê-la novamente. Tua vida será eterna. Terás que achar os cristais e cuidar das crianças. Quando chegar o momento certo, estas te ajudarão na busca. O universo depende disto, e esperamos que tu saibas as honras de ser um de nossos servos”. Nenhum detalhe a mais, nenhum a menos. Os deuses lhe deram uma última chance, mas isso não queria dizer que eles seriam carinhosos.

Estava estampado em sua cara que não havia entendido nada. Para quê deixar um humano normal e agora sem um coração, condenado a passar o resto de seus dias vagando pela terra fazendo favores indescritíveis e indiscutíveis para os deuses cuidar das duas crianças mais poderosas do mundo?

“Eu aceito a honraria. Mas, deusa, por que queres que eu os ajude? Não há na terra um homem mais digno que eu para realizar tal trabalho árduo e complexo? Não há quem mereça isto mais do que eu? Acabei de perder a única benção que vós me destes, não achas tu, que eu poderei estragar toda a busca? ” Ele esperou que os olhos de vidro assumissem alguma expressão, mas tudo o que aconteceu foi um inclinar de cabeça.

A luz da lua era mais intensa naquele momento, passando pelos cristais e reluzindo pelo lugar. “Não és o homem mais merecido, muito menos aquele com mais glória. Olhamos o mundo e vimos que seu amor pela outra criança era maior que nós mesmos. Entretanto, ela tinha um segredo e fez um sacrifício para que ele fosse o limite do amor de vós. Tu, quando cedeste para a curiosidade, quebrou este limite. Queremos salvar vocês, mas para isto ela terá que dormir paro o mundo inteiro acordar. “ Ele, mais uma vez, não fazia ideia do que ela estava falando; apenas olhou para o céu e viu as estrelas como olhos observando e cuidando de todo o universo, de todos os marinheiros, dos viajantes e dos amores.

Aquelas eram as mesmas estrelas que ficavam com eles nas vezes em que se encontravam. As mesmas que estavam presentes na primeira vez em que se beijaram e as mesmas que estavam olhando e dançando com eles na primeira vez em que se encontraram. Em algum daquelas estrelas, a sua garota estava e ele faria de tudo para acha-la.

Viu que mesmo que seu coração e sua idade estivessem perdidos em algum lugar naquele vasto mundo, faria de tudo para acordar ela. Ainda que isso significasse esperar até o dia em que o Caos descesse do céu, aquele era o seu trabalho e agora havia uma meta. Sua vida finalmente havia ganhado um rumo e com ela, o seu coração já gasto pela falta de amor.

¨¨¨¨

Layadel olhava para o armário e olhava para o chão do quarto. Não conseguia decidir que roupa usar e estava olhando por todo o lugar pela quinta vez desde que acordara, porém tudo o que conseguira fazer foi achar uma das suas meias 7/8 colorida.

Segunda-feira sempre era um dia horrível para ela. Além de não conseguir dormir à noite e ter de acordar de manhã apenas para ir a um lugar aonde já conhecia tudo e todos, não ajudava muito com o seu ânimo. Ela não funcionava direito de manhã.

— Se você usar aquele suéter verde quem sabe sua cara de nojo combine com o vomito e a cor do casaco quando chegarmos na escola. — Kayla surgiu na porta com um meio sorriso e seus cabelos castanhos e curtos caindo em seus olhos.

— Quem sabe eu vomite em cima de Thanerys e tudo irá combinar. Meu vomito nela, o casaco, a cara de nojo. Ficaria perfeito. — Kayla riu baixinho, andando até ela e desviando das linhas, agulhas, caixas, potes, roupas e pacotes de chocolate que estavam no chão.

— Não sei se você sabe, mas a empregada vem 4 vezes na semana. Acho que ela amaria conhecer seu quarto. — Lay riu e se afastou quando sua meia-irmã sumia dentro do seu closet, o único lugar realmente arrumado do seu quarto.

Kayla tinha 14 anos e era mais sagaz do que Layadel. Seus grandes olhos castanhos e suas bochechas rosada eram encantadores, e todas as vezes que piscava, fazendo cara de coitada, ninguém conseguia lhe dizer não. Ela era um monstrinho, mas já salvara tantas vezes Layadel que ela não conseguia numerar. Mas esta era mais uma para a lista.

— Você ainda tem uma vida? Como consegue deixar o quarto todo bagunçado e o closet arrumado?

— Eu sou uma pessoa organizada. — Pegou a roupa da mão de sua irmã e pensou em como ela conseguia sempre está certa em tudo. Havia de algum jeito arrumado uma calça de cós alto preta e um cropped branco com margaridas pretas desenhadas. Seu All-Star estava em cima da cama e uma coisa jeans foi jogada em sua cara.

— Você tem 5 minutos. Vou deixar você tomar café porque sou uma irmã carinhosa.

— Encantadora.

Kayla rolou os olhos e sumiu no corredor. Depois de ter se vestido, pegou sua bolsa suja de tinta e se olhou no espelho, para ter certeza de que, depois de ter passado a noite toda pintando, não estivesse com a cara com 5 cores diferentes. Aquilo já acontecera uma vez.

As olheiras fortes pareciam socos na pele pálida de Layadel. Ela não conseguia dormir direito, seus sonhos estavam repletos de sombras, lembranças assustadoras de alguma coisa que ela nunca viveu e palavras soltas e desconhecidas. Então, ao invés de dormir, preferia usar aquele tempo para fazer alguma coisa que não envolvesse pesadelos e olhos vermelhos sangues.

Os cabelos brancos estavam presos em uma trança desfiada que ia até sua cintura e os olhos turquesa estavam brilhantes. Não conseguia pensar direito com fome, sem se importar se estava ou não com trabalhos de casa atrasados, Layadel pegou seu celular e desceu as escadas equilibrando a bolsa, e tentando colocar a jaqueta.

¨¨¨¨

— Não sabia que Kayla estava caminhando pela mesma perdição que você, Srta. Aurea. — A professora de Kayla falou, quando elas chegaram 10 minutos atrasadas para a primeira aula. Culpa era completamente de Lay, mas ela estava com tanta fome que teve que comprar um cupcake na lojinha da esquina. Ainda estava com fome.

— E eu não sabia que professores poderiam se meter na vida pessoal dos alunos. — Retrucou, com um sorriso sacana no rosto. Kayla segurou o riso ao seu lado e ela deu um beijo na testa de sua irmã, se virando para correr para aula de filosofia.

Abriu a porta e se sentou na primeira cadeira que viu vaga no final da sala, aproveitando que o professor não havia se virado. Porém fora inevitável que ele percebesse que chegou atrasada. Às vezes ela gostava de pensar que ele era como um Argos*, que via tudo e todos na sala de aula.

— Aurea, tenho certeza que não dispensaria a honra de nos explicar quem fora Dante, porque se bem sei, chegou atrasada pelo fato de estar estudando para nos explicar exatamente isso. — O velho nem se virou, apenas continuou escrevendo e todos se viraram para olhar para ela. Ela adorava filosofia, mas tinha certo medo dessa aula, porque...

— Dante Alighieri foi um escritor, poeta e político italiano. É considerado o primeiro e maior poeta da língua italiana, definido como il sommo poeta, na nossa língua seria "o sumo poeta". Disse Victor Hugo, novelista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos francês de grande atuação política em seu país, autor de Les Misérables e de Notre-Dame de Paris, entre diversas outras obras clássicas de fama e renome mundial, que o pensamento humano atinge em certos homens a sua completa intensidade, e cita Dante como um dos que "marcam os cem graus de gênio". E tal é a sua grandeza que a literatura ocidental está impregnada de sua poderosa influência, sendo extraordinário o verdadeiro culto que lhe dedica a consciência literária ocidental. — Porque isto acontecia. Era como se do nada brotasse uma enciclopédia de todos os filósofos, artistas, novelistas e poetas do planeta em menos de 5 segundos.

— Muito bem, Aurea. Como sempre, se superando em todas as respostas cada vez mais. Agora copiem isto e eu quero uma redação de 1.500 palavras sobre Dante na próxima aula. — O velho se virou com um sorriso de dentes amarelados no rosto pelos anos tomando café e os ombros curvados.

— Eu tenho tanta raiva desse móvel quanto de quando caí água na minha comida. — Uma menina que Lay nunca tinha visto disse ao seu lado.

Ela tinha lindos olhos escuros e os cabelos batiam na altura do peito. Sua boca tinha um sorriso e usava um vestido preto para um dia de aula norma. Suas bochechas eram acentuadas e ela lembrava a Malévola. Os óculos estavam perigosamente pendurados na ponte do seu nariz, e isso fazia a palma da mão de Lay coçar para ajeitar.

— Como você consegue lidar com ele?

— A única certeza é que duvido, e se duvido eu penso, e se penso logo existo. René Descartes*. — Para que se lembrar de citações e filósofos antigos sem que pudesse usá-los a seu favor. A menina piscou os olhos escuros e riu baixinho. — Está aqui a quanto tempo?

— Mudei de turma esta semana, me chamo Lara. Sou irmã de Pietro. — Quem era Pietro? Ela não tinha certeza se se lembrava, mas achava que era alguém importante, já que Lara sacudiu a mão quando falou e sorriu mais uma vez. Muito feliz para uma segunda-feira.

— Ah, sim. — Se virou e tentou se lembrar do que era para fazer, já que sua fome estava alterando seriamente as coisas que ela conseguia pensar.

Copiar. Dante. René Descartes. Escola. Segunda-feira. Filho do diretor entrando na sala.

Filho do diretor entrando na sala. Isso era mais importante do que qualquer coisa que estava escrito no quadro. Ali estava, parado, sorrindo, costas retas, cabelos brilhantes. Tudo falso.

Guth Soler e seus sorrisos encantadores eram como no livro Insígnia*. Os sorrisos programados, piscando a cada segundo, dentes certos, cabelos loiros e um corpo de morrer. Simpático, feliz, sem traumas e bonito. A perfeita imagem de um garoto perfeito.

— Crianças, parem de copiar um minuto. Quero todos prestando atenção no que sr. Soler irá falar com vocês. — O velho disse, com um olhar orgulhoso. Aurea apostava todas as suas fichas que o pensamento dele agora era: “Nosso garoto está crescendo”.

Ridículo.

— Vocês sabem que — a voz meio rouca era de arrepiar e se espalhava pelo lugar como um raio de sol, iluminando e queimando as bochechas das meninas que insistiam em render-se aos encantos de Soler. Aurea apenas continuou parada, já deduzira tudo o que ele falaria. — Haverá um jogo na quinta-feira e caso o nosso time ganhar, teremos uma festa só para o terceiro ano. — Um meio sorriso brotou nos lábios cheios dela e a menina se ligou em minutos no que ele ia fazer. Haveria sangue e unhas quebradas. Thanerys que estava dormindo na outra ponta da sala se recompôs em menos de 6 segundos. Ele falava como um ditador controlando tudo e todos. O jogo já estava ganho. — Vocês sabem que para haver uma diversão e uma competição saudável na escola, em todas as festas eu faço uma campanha para saber quem irá me acompanhar na festa.

Era aí que Thanerys Hector entrava. A garota mais famosa e bonita da Escola de Aplicação Inteligente era sempre a mais votada, a mais amada por todos e encantadoramente elegante. Enquanto Aurea não conseguia andar dois passos sem tropeçar nos próprios cadarços.

O bronzeado ligeiro de Guth Soler e a cor de amêndoa de Hector eram duas coisas que se completavam. Sorriam do mesmo modo e andavam do mesmo jeito, se tornando o par mais perfeito do lugar. Maravilhosos e elegantes, sem perder o equilíbrio nunca, apenas sendo o que querem que sejam.

Entretanto, desta vez parecia que havia alguma coisa diferente em Soler. Seus olhos surpreendentemente negros vagavam pelo lugar deixando um mistério pela sala, e Thanerys tinha um sorriso convencido no rosto, como se já soubesse que iria ganhar. Quando finalmente Soler olhou para Lay, ela quase caiu da cadeira quando ele abriu um lindo e radiante sorriso para ela.

Guth Soler estava com algum problema mental. Ela olhou em volta, procurando achar algum indício de que aquele sorriso fora para outra pessoa, mas estava sentada na parede e a única pessoa que estava ao seu lado era a irmã de Pietro, fosse quem fosse.

— Isso foi para você? — Perguntou a Lara, com medo da resposta.

— Eu acho que foi para você. Uma vez eu ouvi ele e Pietro falando que iriam fazer uma coisa diferente essa festa. Festa deprimavera. — Aurea entendeu o trocadilho e começou a rir.

— Layadel? — Guth Soler brilhou pela sala com sua voz irritante e Aurea nem pensou quando respondeu, rindo. Se fosse para se ferrar, pelo menos entraria armada com os risos que o seu nervosismo disponibilizava.

— Me chame de Arabella. — Aparentemente, metade da sala entendeu a piada com a música do Arctic Monkeys. E Guth Soler também entendeu.

— Arabella, você poderia vir aqui na frente, por favor? — Layadel não sabia se ria mais ou chorava. Soler tinha um olhar sarcástico enquanto a via andar na direção dele sem elegância nenhuma e com sua jaqueta suja de tinta. Estava divagando ou pontos pretos sempre vagavam pela sala?

— Você poderia me avisar da próxima vez que for fazer um espetáculo para toda a turma. Não sou muito digna da sua companhia, príncipe. — Carregou sua voz com toda a ironia que tinha em seu sangue. O professor riu quando ela fez uma reverencia e Soler parecia que iria sair pulando pela escola. — Alguém te deu achocolatado demais hoje de manhã, Vossa Alteza.

— E a você uma grande dose de sarcasmo.

— Essa eu tomo todo os dias.

— Ela é sempre assim? — Perguntou, para toda a turma, que soltou risadinhas e Aurea corou. Tudo o que conseguia fazer agora era tentar se apoiar em algum lugar. Mais pontos pretos dançantes.

— Soler, ande logo com isso. O que você quer com a boneca de neve? — Thanerys e sua voz aguda fez com que todos na sala aquietarem. Seu olhar parecia fulminar qualquer pessoa que ousasse falar com ela. Aurea nunca ficou tão grata por ela fazer alguma coisa que prestasse.

— Verdade, Barbie. O que você quer comigo? — Soler parecia que ia explodir. A sala toda pareceu ficar um pouco mais quente quando ele disse as palavras pelos lábios bem beijáveis que tinha.

— Esse mês não vamos ter votação para o meu par. Caso ganhemos o jogo, Arabella irá ao jogo e a festa comigo.

Quando todos bateram palma, Aurea desmaiou.

Notas finais
*Argos: É um humanoide com olhos espalhados por todo o corpo que trabalha como segurança e motorista no Acampamento Meio-Sangue. Há boatos de que tenha um olho na língua, o que explica o fato de ele não falar. *René Descartes: foi um filósofo, físico e matemático francês. Durante a Idade Moderna, também era conhecido por seu nome latino Renatus Cartesius. *Insígnia: distopia como Maze Runner, Divergente e Jogos Vorazes. COMENTEM, AMEM, MANDEM MENSAGENS, SEJAM FELIZES, ATÉ O PROX CAPÍTULO!