Há 500 dias de distância
1 01.
Notas iniciais
Kat POV
— Está tudo em seu lugar, como previsto: Os Balões de festas flutuando pela sala. Os cupcakes estão sobre a mesa, além do bolo principal e a faixa que está presa na parede parabenizando Ronin por seu primeiro ano de vida. Podemos começar.
Ray acena com a cabeça e assim, iniciamos com palmas e continuamos em um coro:
— Parabéns a você, Parabéns a Ronin, Parabéns a você.
Mal posso acreditar que o recém-nascido que segurava há “dias atrás” acaba de completar um ano. Nesse meio tempo já foram tantos aprendizados, tanto para ele quanto para mim.
A verdade é que sempre sonhei em ser mãe e, quando isso aconteceu fiquei surpresa, talvez um pouco assustada mas também feliz, são tantos sentimentos que fica difícil lista-los.
Meus pensamentos são interrompidos por Bernie que tenta a todo custo atacar o bolo de aniversário de Ronin. Rapidamente me posiciono segurando o corpo do cachorro. Com isso, escuto a risada de Ronin, que na realidade logo se torna uma meiga gargalhada.
— Bernie, isso não é para você. – Digo ao cachorro que parece me entender, pois foi capaz de soltar um resmungo, quase um choro.
— Vamos, amigão, venha para cá. — Escuto a voz de Ray se aproximando e vejo ele pegando o cachorro no colo.
— Assim fica melhor pra cortar e distribuir o bolo, sem ninguém pulando em cima – Ray diz rindo enquanto afaga a cabeça de Bernie, que continua seu olhar sobre o bolo.
Sorrio em retribuição, vou até o bolo e o corto, seguindo com os pratos e distribuindo pedaços para Ray, Ronin e para mim.
A nossa escolha por um festa de aniversário tão íntima foi quase natural. Desde que Ronin nasceu não estive com muitos amigos. Nem ao menos consigo lembrar a última vez em que estive com algum.
Não sei como isso aconteceu, aliás, consigo imaginar. A minha gravidez foi sigilo absoluto, e para manter, acabei me afastando de todos meus amigos durante a gestação, para que ninguém desconfiasse e muito menos estivesse isso exposto em sites de fofocas.
Mesmo com o nascimento de Ronin evitei ir à festas e reuniões. Em pouco tempo me tornei o oposto do tipo de pessoa que costumava ser.
Flashback
— Eu quero todos virando essa dose de tequila comigo, sem exceções. – na minha cabeça a fala estava para sair melhor do que realmente saiu. Mas pelo visto as outras quatro doses de tequila já estavam trazendo efeitos. Também já eram quatro da manhã, havia completado 15 horas que estava de pé, depois de um dia intenso de gravações estávamos, todos do elenco, em um bar próximo ao set de filmagens. Todos bêbados como eu.
— Arriba, abajo, al centro, adentro. – Juntos falamos e viramos nossos copos.
— Bom, na quinta dose, juro que a bebida desceu como um gole de água. – Disse passando as mãos pelo meu rosto e virando para Dominique que estava sentada ao meu lado. Devo ter parado no seu sorriso por vários segundos, talvez, minutos. Já perceberam como seus olhos quase fecham e seu sorriso fica ainda mais largo? iluminando todo seu rosto e quem sabe até o local em que está. Penso que Dominique traz a leveza e harmonia em seu sorriso.
— Quando você sorri, eu quero sorrir também. – confidenciei.
— Estamos bêbadas, maluca. A gente ri de tudo. — ela me diz passando a mão na minha perna e descansando sua cabeça em meu ombro.
— Isso é verdade. Acho que preciso me recompor, lavar o rosto antes de encarar mais uma. — sussurrei à ela.
— E eu preciso fazer xixiiiiii.
Dominique se levanta e me estende a mão, que então agarro e sigo com ela até o banheiro do bar.
Nessa altura Dominique não tinha mais nenhuma vergonha, primeiro por tamanha intimidade que temos, segundo pela dose alta de álcool no sangue, pois quando adentramos o banheiro já a observei tirando sua calça na minha frente.
Em poucos segundos senti o meu corpo ficar quente, questionei em meus pensamentos se era o local fechado ou a cena que presenciava. Naturalmente segui meus olhos pelas coxas torneadas de Dominique, parei em sua calcinha branca de renda. Senti a minha própria calcinha ficar encharcada de líquido. Aquilo era físico, como consequência do meu desejo, sim, eu estava extremamente excitada por ver minha colega de trabalho seminua.
Cortei meu pensamento quando percebi meu corpo se movimentando para frente. Dominique não percebeu pois estava ocupada demais com as tentativas falhas de tirar a calça com seus tênis ainda nos pés.
— O que está fazendo? – perguntei quase ou até gaguejando.
— Está apertado, preciso respirar um pouco e é desse jeito que faço. — ela disse depois de finalmente conseguir tirar as peças.
— Ficando pelada?
— Algum problema? — Respondeu me olhando e nesse momento eu corei. Pois não pude evitar imaginar Dominique completamente nua, bem na minha frente.
Cortei os pensamentos quando neguei com a cabeça. Segui com meu corpo e olhar para pia, precisava lavar o rosto, mais do que isso, na verdade precisava de um banho gelado.
Quando Dominique voltou da cabine e lavou suas mãos eu ainda estava no local. Ela encostou seu corpo no mármore da pia e me olhou sorrindo.
— Você está com cara de sono. Está cansada? — ela questionou.
— Confesso que um pouco. Mesmo lavando o rosto continuei com cara de sono? – rebati caminhando até a pia para lavar o rosto novamente. Logo após lavar, meu olhos correram para as coxas de Dominique que estava ao meu lado esquerdo, mais uma vez não pude evitar e ela claramente percebeu.
Sua mão direita contornou meu braço direito me puxando levemente e me trouxe até estar de frente à ela.
— Parece estar quente, você tá legal? – ela disse puxando meu corpo pra mais próximo, ainda com a sua mão em meu braço.
— Estou bem. — Respondi.
Minha sanidade estava tão longe, mal conseguia pensar. Apenas senti quando meus lábios tocaram o canto da boca de Dominique para logo depois tomar em um beijo urgente.
Rapidamente minha mãos foram parar na cintura dela, a apertei e desci até sua bunda. Passei por seu corpo ali mesmo, enquanto minha boca trabalhava no seu pescoço, depositando beijos e chupões leves.
A levantei deixando-a sentada sobre o mármore da pia.
Quando isso aconteceu senti seu olhar em mim, aquele era os olhos que entregavam o que estávamos prestes a fazer.
Corri até a porta do banheiro e dei uma volta com a chave. Voltei para o local onde estava posicionada e em seguida sussurrei em seu ouvido dizendo que estava com saudade do seu corpo.
Em resposta Dominique pegou minha mão direcionando até seu ventre, senti quente e molhada mesmo por cima da calcinha. Isso mostrava o quanto ela estava excitada, assim como eu.
Ela me empurrou o suficiente para descer da pia e tirar sua calcinha. Acompanhei com os olhos, enquanto meu corpo formigava de tanta tensão. Logo direcionei meu dedos para seu sexo, senti o líquido escorrendo, com isso facilmente adentrei e iniciei estocadas lentas.
Dominique gemia e rebolava sobre minha mão. Já suas mãos apertavam minha cintura, até mesmo chegou a cravar suas unhas, certamente deixando marcas.
Em pouco tempo ela gemia meu nome.
— Se você parar, eu te mato. – Ela olhou me puxando pelo pescoço para em seguida me beijar.
Assim que Dominique indicou o orgasmo a segurei pelos braços, envolvendo-a com meu corpo. Seu rosto ficou na curva meu pescoço.
— Eu te amo. – escutei a voz ofegante de Dominique.
É claro que sabia que ela me amava. Mas Dominique nunca havia dito que me amava após nosso sexo ou enquanto trocávamos beijos, o que já havia acontecido algumas vezes. Aquilo veio com um gelo na barriga, borboletas ou como queiram chamar, mas também com um certo nervosismo. Deveria amar Dom? Não sei, acontece que eu já estava amando há muito tempo.
— Te... — Fui interrompida por fortes batidas na porta.
— Meninas, morreram? – Do outro lado ouvia Melanie enrolando nas palavras, o que indicava que ela ainda estava alterada pela bebedeira.
— Estamos! Não se preocupe. – Gritei de volta. — É, pelo visto a festa continua. 7 horas da manhã estamos chegando em casa. — disse me virando para Dominique que vestia a calça.
Depois de caminhar até a porta e girar a chave na maçaneta, sussurrei para Dom:
— Eu te amo.
Tempo presente.
— Se quiser te ajudo com a louça, antes de ir. — Ray disse me tirando das lembrança.
— Não, tá tudo bem! Eu consigo.
— Ok! Obrigado pelo bolo e doces. Meu personal não irá gostar mas eu não consigo reclamar. Está tudo maravilhoso — Ray comentou mencionando o que separei para ele levar para casa.
Eu e Roy nos divorciamos há 5 meses. Desde o princípio "procurei por algo amigável" por mais que a vontade tivesse partido dele.
Flash back
— Tenho certeza que ouvi um barulho, preciso ir ver Ronin. – Disse empurrando Ray que estava por cima de mim na cama e levantando. Antes de sair do quarto ouvi Ray bufando, certamente frustrado.
Caminhei até o quarto de Ronin e o vi dormindo tranquilamente, acariciei seu rosto pequeno antes de me sentar na poltrona ao lado de seu berço.
Imagino que bons minutos correram enquanto pensava nas coisas mais diversas. Mas então decidi ir deitar e descansar, o dia seguinte seria longo. Assim que entrei no quarto deparei com Ray ainda acordado.
— Precisamos conversar… — ele disse sentando na cama.
— Ray, eu estou cansada. Amanhã, está bem? — Ele interrompeu antes mesmo de me deixar concluir.
— Não dá mais para adiar nossa conversa. Não fazemos sexo há quase um ano, Katherine. Você não corresponde aos meus carinhos, você quase não me toca. Na verdade, você me evita. No começo eu achei que pudesse ser a gravidez, você usou essa desculpa, mas não é isso. Sabemos o que é.
Fixei meu olhar em um canto do quarto, por um momento achei que tivesse perdido alguma fala de Ray, minha mente não estava nem mesmo nessa discussão. É claro que eu sentia muitíssimo por ter deixado as coisas chegarem nesse estado. Eu estava tão alheia ao que estava acontecendo.
Depois de longos minutos em silêncio pude ouvir Ray levantando da cama.
— Eu te perdi há anos pra ela, não é? Vocês não só fodiam, você a ama. — olhei sem expressão para Ray. Não poderia negar, mas fiquei furiosa pela forma como ele falou.
— A gente fodia muito, Ray! — rebati e em seguida segui para o banheiro do quarto.
Horas depois, quando sai não encontrei Ray no quarto e nem quando o procurei pela casa.
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