Gênesis
3 Pergaminho.
Notas iniciais
O Sannin das cobras Orochimaru, caminhava pelos estreitos corredores iluminado por velas de seu esconderijo, murmurando de vez em quando um palavrão em voz baixa. A face expressando a mais pura irritação.
Ele estava tendo dificuldades em chegar a um plano para se vingar de konoha, a vila que tanto o tinha lastimado, já que para realizar o seu plano anterior necessitava do pergaminho que os seus subordinados inúteis haviam feito questão de perder, por isso tinha enviado um novo esquadrão para recuperarem o item, e esperava seriamente que o conseguissem.
Após mais uns minutos de caminhada avistou a porta de seu laboratório, adentrando o local em seguida, observou os inúmeros frascos contendo os seus preciosos experimentos, vendo que tudo estava em ordem dirigiu-se até a sua mesa e enquanto analisava os inúmeros relatórios de suas experiências, permitiu-se pensar.
— Merda. – Orochimaru praguejou. – Eu sou rodeado de inúteis. – Murmurou levando os braços a cabeça, em um gesto frustrado. — Kabuto! – Chamou irritado, por seu fiel servo, ouviu o som de passos apressados se aproximando e a porta sendo aberta.
— O que deseja, Orochimaru–sama? – Kabuto, um menino de óculos que não aparentava ter mais do que onze anos, prontamente atendeu o chamado de seu mestre.
— Tiveste notícias do esquadrão que enviamos? – Orochimaru perguntou enquanto analisava um relatório, tentando controlar o seu tom de voz.
Kabuto suou frio. — B-bem, quanto a isso… — Começou temeroso pela reação de seu mestre.
— Fale logo! – Orochimaru exclamou, perdendo a calma.
— S-sim, Orochimaru-sama. – Kabuto recuou dois passos pra trás. – Elas não foram bem-sucedidas, ao que tudo indica foram capturadas por ninjas de konoha, e para preservar a informação, os selos que estavam implantados nos seus corpos foram ativados, senhor. — Pronunciou-se cauteloso.
— O quê?! Elas falharam? – Orochimaru exclamou com uma expressão assustadora. – Bando de inúteis! – Rosnou irritado, emitindo a sua onda massiva de intenção assassina pela sala.
Kabuto sentiu o ar fugir de seus pulmões, encontrava-se com dificuldades para respirar, tinha a sensação de ser um mero rato acuado frente a uma cobra gigante, face ao poder que seu mestre emanava.
Orochimaru continuou o seu ataque.
— Não conseguiram fazer uma tarefa simples como essa?! É de extrema importância para os meus planos, eu obter esse item! – Gritou batendo as suas mãos na mesa em um gesto alterado.
— O-Orochimaru-sama, p- por favor acalme-se. – Kabuto pediu com dificuldades beirando a inconsciência.
Orochimaru retirou lentamente a sua intenção assassina da sala, ele necessitava de Kabuto vivo por enquanto para os seus planos.
Kabuto sentiu o ar voltar para os seus pulmões, suspirou de alívio. – Mas se me permite perguntar, qual é a importância desse pergaminho, senhor? – Perguntou sem conseguir esconder a curiosidade.
— Não percebes? Tem tudo a ver com o meu plano para destruir konoha. – Pronunciou-se mais calmo. – Esse pergaminho, é a chave para dominar konoha, ele é… — Orochimaru contou tudo o que sabia acerca do pergaminho, no final do relato Kabuto encontrava-se extremamente surpreso, ele não imaginava que fosse assim tão importante.
Kabuto arregalou os olhos. — O-Orochimaru-sama isso é … — Murmurou com uma expressão incrédula.
— Sim, eu sei é algo difícil de acreditar mas, é a mais pura verdade. – Declarou seriamente.
Kabuto assentiu em concordância, ajeitando os seus óculos. Realmente... era algo magnífico.
*********
Iruka caminhava pelos estreitos corredores do hospital. Ele dirigia-se para o quarto de seu aluno, para o ver. O rapaz tinha acordado há um dia atrás, porém somente havia recebido alta naquele dia e Iruka teria de o acompanhar até sua casa.
Caminhando apressado pelos corredores, não demorou muito tempo para Iruka chegar em frente do quarto de seu aluno. Ele bateu na porta.
— Entre. – Ouviu a voz de seu aluno se pronunciar.
— Ohayo {Bom dia} Naruto. – Cumprimentou sorridente a seu aluno, que já se encontrava devidamente vestido no centro do quarto provavelmente aguardando a sua chegada.
— Ohayo Iruka-sensei. – Respondeu animado.
— Aconteceu algo Naruto? Você parece... feliz. –Ele estava curioso com o comportamento de seu aluno.
— Bem, é que finalmente vou poder sair daqui, não gosto da comida do hospital. – Fez uma careta. — Mal posso esperar para comer o meu Ramen. – Respondeu com os olhos brilhando em ansiedade.
Iruka não conteve um sorriso.
— Hm, tudo bem. Se quiseres podemos ir no Ichiraku, eu pago.
— Sério, Iruka-sensei? – Perguntou extremamente animado.
Iruka retribuiu o sorriso.
— Sim, para comemorarmos a tua recuperação.
— Então, vamos? – Perguntou já na porta do quarto.
Iruka franziu o cenho. Como ele havia chegado até aí tão rápido? — Claro. – O seguiu.
Assim que saíram do hospital, caminharam pelas ruas de Konoha por alguns minutos, até avistarem a barraca de Teuchi, adentraram o local logo em seguida, Naruto sentiu a sua boca salivar ao sentir o cheiro do que ele considerava o alimento dos deuses, Ramén.
Iruka sorriu.
— Ohayo Teuchi-san. – Cumprimentou, sentando-se em um dos bancos do local.
— Ohayo Iruka-san. — Respondeu com um sorriso.
— Ohayo ojii-san {Tio}. – Cumprimentou o loiro com um sorriso de orelha a orelha, sentando-se também.
— Ohayo Naruto, a quanto tempo. – Declarou com um enorme sorriso. – Vejo que já estás melhor... – Analisou o loiro.
— Sim, não foi nada de mais, eu me recupero rápido.- Respondeu coçando a nuca, envergonhado.
— Fico feliz que estejas bem. – Sorriu. – E então o que vão querer? – Perguntou para os seus clientes.
Iruka pensou por uns intantes. — Bem eu vou querer um ramen de porco. – Pediu.
Naruto analisou o cardápio.
— E eu vou querer dois Ramen extra-grande de porco. – Pediu o loiro.
— É pra já. – Teuchi respondeu, se virando para ir preparar os pedidos.
— Etto, Iruka-sensei. – Chamou o loiro hesitante.
— Hum, o que foi Naruto? – Respondeu ao chamado, virando o rosto em direção ao loiro.
— Obrigado Iruka-sensei, por... me salvares na floresta. – Agradeceu, envergonhado, o loiro.
— Não te preocupes Naruto. – Iruka sorriu. – É o meu dever como professor proteger os meus alunos. – Pronunciou em um tom sincero.
Naruto retribuiu o sorriso. – Hai, Iruka-sensei.
Teuchi nesse momento chegou com os pedidos. – Está aí um ramen de porco para o Iruka-san. – Pronunciou colocando uma tigela fumegante na frente de Iruka.
Iruka agradeceu.
Teuchi colocou outras duas tigelas fumegantes no balcão. — E para o Naruto-kun, duas tigelas de ramen extra-grande.
— Arigatou, Teuchi-ojii-san. – Naruto separou os hashis {pauzinhos}.
Teuchi apenas sorriu.
— Se precisarem de mais algo é só me chamarem. – Ele se retirou para a cozinha.
— Itadakimasu. – Pronunciaram em uníssono, devorando a comida intitulada como ''divina'' pelos dois.
— Naruto. – Iruka chamou, enquanto sorvia aquele caldo divino. -.
— Sim, Sensei?
Iruka continuou. — Bem, é que eu esqueci de te avisar que essa semana não podes ir à Academia, os médicos disseram que a pancada que sofreste foi muito forte, por isso precisas evitar esforços físicos.
Naruto suspirou. — Tudo bem. – Proferiu tristemente.
— Hum, por que você está triste? Achei que...você não gostasse da Academia. – Iruka parecia confuso.
Naruto sorriu, timidamente.- É que agora a minha relação com o Sensei melhorou, já que antes eu te considerava um chato. – Soltou um riso. — Talvez as aulas não sejam mais tão enfadonhas...
— Você me considerava um chato? – Perguntou incrédulo.
Naruto colocou a sua melhor expressão séria no rosto. — Iruka-sensei não me entenda errado, mas acho que toda a sala de aula considera isso.
— E eu que pensava que era um bom professor. – Murmurou choramingando.
Naruto sentiu uma gota escorrendo na sua cabeça.
— Iruka-Sensei também não é pra tanto...
— Não é pra tanto? – Ironizou. – Os meus alunos me acham chato!
Naruto revirou os olhos, não estava com paciência para aturar o ataque de Iruka. Ele direcionou a sua atenção para o seu ramen que já começava a esfriar, em menos de um minuto as tigelas já se encontravam vazias e o estômago do loiro cheio. Era surpreendente Naruto ter comido apenas duas porções de Ramen, sendo que normalmente comeria umas doze, porém naquele dia o loiro não estava com muito apetite.
— Bem, Iruka-sensei acho melhor ir pra casa, a minha cabeça parece que vai rachar....
Ele levou a sua mão à cabeça, realmente ela latejava.
Iruka pareceu ficar preocupado.
— Tudo bem Naruto? Precisas de algo?
Ele até tinha parado o seu ''ataque de depressão''.
Naruto balançou a cabeça. — Não, acho que com um bom banho e um cochilo, a dor passa...
— Ok. – Iruka comentou desconfiado. – Não te preocupes, podes ir que eu pago a conta.
O loiro assentiu, e após se despedir de Iruka, pôs-se a caminhar pelas ruas quentes de konoha, em direcção ao seu apartamento. Observando o sol, que só piorava a sua dor de cabeça, constatou que deviam ser por volta das oito horas da manhã.
**********
Não demorou mais que um par de minutos, para que o loiro chegasse ao seu apartamento, assim que abriu a porta, constatou que tudo estava exactamente igual ao último dia que esteve aí. Após fechar a porta, vasculhou em seu bolço a procura do remédio que Iruka tinha lhe dado, porém as suas mãos encontraram outro objeto. Ao retirá-lo, arregalou os olhos, era o pergaminho que havia achado na floresta. O mesmo que aquelas kunoichis estavam procurando, ele pensava que tinha o perdido.
Decidiu analisá-lo depois que sua cabeça parasse de latejar. Colocando o pergaminho em cima da mesa, vasculhou o seu outro bolço, achando o remédio que procurava, dirigiu-se para a cozinha pegando um copo e o enchendo de água, abriu o frasco e retirou um comprimido, o ingerindo e em seguida deu um gole de água, o remédio desceu por sua garganta, fez uma careta, tinha um gosto bastante amargo.
Pousou o copo e o remédio na mesa e dirigiu-se ao banheiro, quando adentrou, deixou que a banheira fosse preenchida por água, e dirigiu-se para o seu quarto. Despiu a roupa e tirou uma toalha limpa, quando retornou ao banheiro, constatou que a água já estava quase alcançando o topo, desligou a água e adentrou a banheira, o seu corpo reagiu de imediato ao contacto com a água morna da banheira, sentiu os seus músculos relaxarem.
Vinte minutos depois decidiu sair da banheira, pois a sua pele já estava ficando enrugada, assim que chegou ao quarto, enxugou-se e colocou uma cueca boxer verde e apagou na cama.
*******
A luz do sol penetrava fortemente pelas frestas da janela, adentrando o cómodo iluminando o rosto do rapaz, que fora despertado do sono por conta da intensidade luminosa. A primeira coisa que viu assim que abriu os olhos foi a luz do sol que machucava os seus olhos, tentando minimizar a luz, levou os seus braços a frente do rosto numa tentativa de se proteger.
Resmungando, resolveu acordar de uma vez, sentou-se na beirada da cama e bocejou, dirigindo o olhar para a janela aberta e observou que o sol brilhava com toda a sua intensidade no alto. Devia ser por volta do meio-dia, direcionando o olhar para o relógio situado encima do criado-mudo, descobriu que estava certo o relógio marcava 12h e 26min.
— Então dormi por quatro horas. – Murmurou esfregando os olhos. – Ao menos a minha cabeça parou de doer. – Constatou se espreguiçando.
Levantou-se e se foi em direção ao banheiro lavar o rosto, com toda a lentidão possível, já mais desperto dirigiu-se para o quarto, abriu seu guarda-roupa e como o clima estava quente vestiu uma bermuda azul-marinho e uma camiseta de mangas curtas branca com o símbolo do fogo estampado na região do peito, em seguida foi a cozinha. Estava morrendo de fome.
Ao chegar a seu destino, revistou as gavetas a procura de algo para comer, no final achou um pacote de ramen instantâneo, pegou uma panela e colocou água, em seguida pôs a ferver e esperou os três minutos até estar pronto, abriu o pacote de ramen e despejou a água, esperou esfriar um pouco, e depois sentou-se na mesa e pôs-se a comer. Enquanto se deliciava com o Ramen avistou por cima da mesa o pergaminho.
Decidido a descobrir o que escondia, devorou rapidamente o seu ramen.
Retirou o pergaminho da mesa e o analisou, constatando que o mesmo era lacrado por um fuuinjutsu {Técnica de selamento} do tipo sanguíneo, por outras palavras, o pergaminho só seria aberto se alguém com laços sanguíneos de seja lá quem for que tenha criado o pergaminho derramasse o seu sangue no lacre.
— Merda! – Exclamou irritado. – Como raios eu vou abrir isso? – Questionou-se, colocando os braços na cabeça tentando raciocinar.
E se ele colocasse o seu sangue?! Quem sabe...por uma ironia louca do destino, não tenha sido algum familiar seu que tenha criado aquele pergaminho?! Não tinha nada a perder.
Decidido a tentar, dando de ombros, ele levou o seu dedo polegar até a boca e o mordeu, em seguida levou o dedo até o pergaminho e deixou que as gotas de sangue escorressem para o lacre do pergaminho, passado algum tempo nada aconteceu.
— Eu sabia que isso era idioti… — Porém antes que terminasse a frase, inscrições apareceram ao redor do pergaminho, formando um círculo de kanjis.
As inscrições negras começaram a se mover em direção ao lacre do pergaminho. Naruto observava tudo atónito, ele não esperava que aquilo realmente funcionasse, mas para sua surpresa estava funcionando. Quando todas as inscrições entraram no lacre do pergaminho, o mesmo começou a brilhar até que aconteceu uma explosão de fumaça.
Naruto teve que cobrir os olhos por conta da explosão, o apartamento foi coberto por uma grande quantidade de fumaça, e quando a mesma dissipou-se, com a visão que teve, Naruto ficou branco, literalmente.
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