Gênesis
76 O Homem Curvado.
Notas iniciais
Era dos Estados Combatentes. Dez Anos Antes da Fundação de Konoha.
As fracas chamas nas tochas mal iluminavam o caminho estreito, lançando sombras escuras sobre o rosto esculpido e jovem de Tobirama. Seu belo rosto estava com o cenho franzido, tentando ignorar o cheiro rançoso no ar. O escasso ar naquelas passagens mal eram o suficiente para respirar.
—Por quanto tempo vamos continuar caminhando?
Tobirama ignorou a voz. O mínimo tremor na sua expressão era um sinal que ele já estava acustumado com as reclamações do jovem ao seu lado, mas isso não impediu o jovem de continuar.
—Ei, você está me ouvindo irmãozinho?
A expressão indiferente de Tobirama mostrou sinais de quebrar, quando ele sentiu Hashirama o cutucando de forma insistente. Seus dentes estavam cerrados quando ele olhou para o rosto do seu irmão. Hashirama tinha sua costumeira expressão de inocente, como se não estivesse fazendo nada de errado.
—Se você me cutucar de novo, eu vou te matar.
Uma aura depressiva cobriu seu irmão mais velho.
—Maa maa, por que você é tão agressivo, irmãozinho? Eu só fiz uma pergunta.
Tobirama suspirou, antes de olhar para o homem solene que caminhava à frente deles. Seus ombros largos e fortes eram emoldurados por uma armadura vermelha, que mal faziam som enquanto ele os guiava.
Ele estava tão confuso quanto Hashirama. Era uma noite comum nas Terras do clã Senju, quando seu pai, Senju Butsuma, anunciou que eles tinham uma nova e importante missão. Ao contrário das missões encomendadas por nobres menores, o cliente dessa vez era um nobre da Capital do País do Fogo. Tobirama estava um pouco cauteloso. Nunca era bom se envolver nas disputas dos Nobres Celestiais. Mas a expressão rígida de Butsuma mostrava que ele já havia se decidido.
Quando a reunião terminou, já era madrugada, e o sol não nasceria por horas. Inicialmente, ele e Hashirama estavam planejando preparar suas ferramentas Shinobis, antes de terem algumas horas de descanso. Mas quando todos anciões e shinobis saíram da Sala do Conselho, o pai deles pediu que o seguissem. A expressão rígida de Butsuma estava mais taciturna que o normal, enquanto os conduzia até as Criptas abaixo do Clã Senju. Era um território absolutamente proibido, e era a primeira vez que eles entravam naqueles corredores escuros.
—Não sei, anija. Então pare de falar.
Hashirama fez beicinho.
—Você não é nem um pouco divertido.
Tobirama sorriu de escárnio.
—Você provavelmente só está reclamando por estar com saudades de Mito.
O noivado de ambos havia sido oficializado meses atrás, logo depois de Hashirama completar Dezesseis anos, e desde então os dois viviam grudados pelos corredores do clã Senju. Eles não podiam esperar a Cerimônia de Casamento? Naquele ritmo, Tobirama tinha medo de ser tio em breve.
Hashirama corou, gaguejando um monte de coisas ininteligíveis, antes de rebater o lembrando de Touka. Aquilo fez Tobirama ficar genuinamente confuso.
—Do que você está falando? Aquela garota chata fica me seguindo apenas porque ela quer me desafiar em combate.
Hashirama o olhou como se ele fosse tolo, antes de balançar a cabeça desamparadamente. Como alguém tão racional se tornava tão tolo quando se tratava de si mesmo?
—Vocês dois. Silêncio.
Eles pararam de falar quando perceberam que haviam chegado à uma porta dupla de pedra. Seu pai executou alguns selos de mão, antes das portas deslizarem lentamente. Um som gutural enchia o corredor enquanto aquelas portas se abriam, como o vento gemendo depois de ficar mil anos preso em uma caverna selada.
Butsuma entrou com passos lentos, e chamas fracas se iluminaram lentamente nas paredes da sala escura. Tobirama arregalou os olhos. Fileiras de incontáveis estátuas enchiam a sua visão.
Hashirama perguntou.
—Esses são...
—As Criptas dos Antigos líderes do Clã Senju. – Seu pai parecia solene quando começou a falar – Somente os líderes do Clã têm o direito de serem sepultados aqui.
Tobirama estreitou os olhos na primeira estátua à esquerda. O corpo de pedra trajava à custumeira armadura de batalha do Clá Senju, mas havia algo nas suas feições esculpidas em pedra que o lembravam da rigidez do seu pai. Butsuma pareceu sentir o olhar de Tobirama, sua expressão mostrou um pingo de calor.
—Esse é o meu pai, e avô de vocês. Senju Hirama.
Hashirama pareceu animado ao ouvir aquilo.
—Ele parece jovem.
—Ele morreu jovem.
Havia uma emoção desconhecida na voz de seu pai.
Eles continuaram caminhando. Rostos de incontáveis homens e mulheres continuaram a piscar diante de seus olhos, até eles pararem em uma escultura diferente. Ao contrário da figura ereta e majestosa esculpida em pedra dos outros líderes, essa escultura foi esculpida em madeira. Ele estava vestido de forma muito mais simples, e seu corpo de madeira estava curvado, como se estivesse se ajoelhando, enquanto estendia uma coroa de flores em suas mãos.
Tobirama logo percebeu quem ele era. As palavras do seu pai logo confirmaram suas suspeitas.
—O Décimo Terceiro Rei da Floresta, Senju Asura.
O Último Rei da Floresta, também conhecido como o Homem Curvado. O Rei tolo que entregou o Reino dos Senjus da Floresta aos Nobres Celestiais quando decidiu dobrar os joelhos. Tobirama se lembrou das histórias. Ele quase conseguia ouvir o desdém quando os Anciões falavam sobre esse Rei da Floresta, mas ele ficou surpreendido ao ouvir uma certa solenidade na voz do seu pai, quase como...respeito?
As emoções de Tobirama eram confusas sobre esse homem. Apesar de ser inegável que ele destruiu um Reino milenar com suas próprias mãos, por outro lado ele salvou o Reino e seus súditos da destruição, ao invés de resistir e lutar uma guerra sem sentido contra os invasores do Continente mil anos atrás – Os Nobres Celestiais.
Antes da chegada dos Celestias, e a criação dos atuais Países Elementais, haviam incontáveis Reinos espalhados no vasto continente. Somente no atual País do Fogo, havia um amálgama de Reinos rivais em constantes batalhas, e todos aqueles que resistiram à se curvar aos Celestiais se transformaram em cinzas. Apesar de os Senjus terem perdido seu Reino, e serem relegados à um mero clã mercenário atualmente, pelo menos sua linhagem estava viva. Até os orgulhosos Reis das Cinzas, eternos inimigos dos Reis das Florestas, dobraram os joelhos. Mas as queixas entre os dois Reinos continuou entre ambos clãs, Senjus e Uchihas.
Quão irónico.
As Doze esculturas depois de Asura estavam todas em pé, e tinham coroas esculpidas na cabeça. Os Antigos Reis da Floresta. Diferente das estátuas de pedra dos líderes de Clã, todas esculturas com coroas de flores eram feitas de Madeira.
—Todo Rei da Floresta era obrigado a criar uma escultura na Cerimônia de Sucessão do Trono. Eles seriam enterrados com elas.
Tobirama ficou pensativo ao ouvir as palavras do seu pai.
—Mas...a estátua de Asura-sama...que tipo de Rei criaria tal imagem submissa no dia de sucessão?
—Quem sabe? Ele nem era o primeiro na linha de sucessão. Ele herdou o trono logo depois de seu pai e irmão serem mortos na guerra contra os Celestiais. Desde o dia da Cerimônia de sucessão, para criar esse tipo de estátua, ele provavelmente já...
Tobirama assentiu.
—Eu entendo, Otou-sama.
Entre vingar a morte de seus familiares em uma guerra perdida, ou se render e salvar a vida de seus súditos? Tobirama refletiu. O que ele faria no lugar de Asura? Ele sacrificaria a si mesmo pelos seus ideais? Ele...se tornaria outro Rei Tolo? Tobirama não conseguia responder.
Tobirama conseguia sentir a inquietação crescente de Hashirama enquanto olhava para aquelas figuras, e ele entendia os motivos. Eram feitas de Mokuton. Um chakra calmante, mas poderoso e firme, percorria cada fibra daquelas efígies de Madeira. Era tão profundo que Tobirama sentia como se estivesse encarando uma gigantesca floresta, com árvores e raízes tão enraizadas que haviam engolido o continente inteiro.
O fato daquelas esculturas ainda emanarem tanta pressão, mesmo depois de mil anos, era assustador demais. Que tipo de monstros eram aquelas pessoas em vida?
Eles continuaram caminhando, até chegarem ao final da Cripta. Havia um trono feito de galhos retorcidos, com um homem sentado nele. Ele tinha um rosto indistiguível, erodido pelo longo tempo, que mudava de feições à medida que as chamas nas tochas se moviam, como um truque de luz.
Algo na forma como a expressão grave de Butsuma piorou, fez Tobirama perceber que aquela escultura era o seu destino.
—Vocês dois devem estar se perguntando os motivos de eu ter trazido vocês aqui. – Hashirama, que estava estranhamente solene, assentiu — Quando eu tinha Treze anos, meu pai teve essa mesma conversa comigo e meus irmãos, antes dele sucumbir aos seus ferimentos.
Tobirama percebeu que quase nunca ouvia seu pai falar de seus irmãos, e ele logo se lembrou dos seus próprios, Kawarama e Itama, enterrados abaixo da terra.
Butsuma mostrou uma rara expressão de hesitação em seu rosto de mármore.
—Essa missão...não será simples. Está na hora de você, Hashirama...não, vocês dois saberem algumas coisas.
Tobirama não negou. Apesar de Hashirama ser o herdeiro legítimo, com a taxa de mortalidade da Era dos Estados Combatentes, era normal que ele, como o segundo na linha de sucessão, estivesse presente.
—Vocês sabem como o nosso clã foi fundado?
Hashirama ficou confuso com aquela pergunta, enquanto Tobirama mergulhou em pensamentos.
O costumeiro rosto inexpressivo de Butsuma tornava difícil Tobirama saber o que ele estava pensando quando ele pegou uma das tochas penduradas, antes de iluminar à parede escura atrás do Trono. Tobirama franziu o cenho enquanto via àquelas gravuras e textos entalhados na pedra vermelha, como marcas em brasa na pele.
Quanto mais Tobirama lia, mais sua expressão ficava solene.
As gravuras entalhadas nas paredes contavam histórias fantasiosas e antigas. Tão antigas quanto o próprio continente em que eles estavam pisando, contando sobre épocas e terrores inimagináveis para crianças do verão como eles.
Sussurros sobre deuses da criação e cidades douradas flutuando nos céus. Registros de milhares de anos atrás, sobre a Era dos Primordiais, os Primeiros humanos a caminharem sobre aquele continente. A Era do Abismo, e a escuridão completa que engoliu o sol e as estrelas por milénios. Até finalmente registros de cinco mil anos atrás...A chamada Era dos Heróis.
Aquelas gravuras pareciam algo saído de um sonho para o Tobirama de quinze anos.
Seus pensamentos foram interrompidos pela voz do seu pai.
—O Ancestral Senju era uma figura de destaque naquela época. Ele reuniu um grupo de seguidores para fundar um Reino nas Florestas inexploradas do atual País do Fogo. -Butsuma fez uma pausa, antes de continuar –A chamada Era dos Heróis... Na verdade, a maioria dos Reinos no Continente foram criados naquela época. E cada um daqueles homens foram os ancestrais dos Reinos que surgiram no continente. Os atuais clãs Shinobis mercenários da Era dos Estados Combatentes...eles são os remanescentes dos Reinos criados na Era dos Heróis. Reino da Floresta dos Senjus. Reino das Cinzas dos Uchihas. Os Hyuugas e seu Reino da Lua. Reino do Inverno do Clã Yuki... Reino dos Titãs do Clã Kamizuru... Essa Era dos Heróis...ela também foi chamada de Era das Calamidades.
— Kaihō...Calamidade...Esse nome...Por que eles receberam?
Butsuma apontou para uma gravura.
—A Era dos Heróis...também chamada de Era das Calamidades. Uma época de instabilidade no continente, logo após a longa escuridão que engoliu o mundo na Era do Abismo. Contos sobre batalhas nos céus que acabaram trazendo desastres sobre o continente inóspito. Os humanos humildes ainda não haviam domado o ambiente hostil que os cercavam. Desastres naturais eram abundantes naquela época. Era como se o próprio mundo estivesse os punindo. Vulcões, Terramotos, Inundações, Tsunamis, Tornados... civilizações inteiras despareciam como velas sendo apagadas pelos ventos. Era como se a própria Natureza estivesse se rebelando contra os humanos.
A tocha na mão de Butsuma nunca parou de se mover, iluminando as gravuras na parede. Os olhos vermelhos de Tobirama pareciam duas poças de sangue, enquanto as imagens vívidas eram queimadas em seus olhos, como se estivessem vivas.
—Até que finalmente... Dentre os seres humanos...surgiram alguns capazes de domar a fagulha mística nos seus interiores conhecida como chakra. E eles logo começaram a conquistar a natureza violenta. Entre eles, haviam alguns poucos Humanos capazes de subjugar desastres naturais com as próprias mãos. Eles eram desastres naturais em forma de carne. Eles eram...Kaihō.
Tobirama estreitou os olhos para as gravuras esculpidas nas paredes atrás do trono. Um vulcão em erupção, com a lava escorrendo destruindo tudo em seu caminho, como um mar de chamas. Centenas de pessoas estavam ajoelhadas, como se estivessem rezando e apenas esperando a morte. Na gravura seguinte, um homem com uma coroa de flores se levantou da multidão, enquanto juntava as mãos, erguendo uma enorme floresta entre a lava e as pessoas.
Sua mente pareceu parar por um momento.
—Isso...
Seu pai o cortou.
—Não faz sentido? –Tobirama assentiu, meio inconsciente. Butsuma soltou um suspiro — Sei que é difícil acreditar, mas...é real. Hashirama, eu sei que você deve estar sentindo. –Hashirama ficou tenso, seus olhos ainda presos nas imagens de madeira – Isso mesmo. As estátuas dos Antigos Reis da Floresta.
Eles arregalaram os olhos. A voz de Hashirama parecia ansiosa.
—Todos eles eram...Calamidades?
—De que outra forma eles teriam se tornado governantes de uma dinastia milenar? Além dos perigos naturais, o mundo naquela altura não era necessariamente pacífico. Reinos estavam constantemente em guerras uns com os outros. Mergulhados em conflitos pelos poucos recursos da época. Exatamente como os clãs de hoje, só que numa escala maior. Somente com uma força esmagadora é possível pacificar tempos turbulentos.
Tobirama podia sentir o chakra do seu irmão se agitar com aquelas palavras, como um vulcão.
Hashirama cerrou os punhos. Isso mesmo. Os Reinos Antigos não passavam de clãs Shinobis em escalas maiores. Era óbvio que, desde que houvessem diferenças, existissem conflitos. Tudo aquilo...toda aquela matança entre os clãs Shinobis eram resultados de rancores milenares, fomentados pelos interesses dos Nobres Celestiais. As guerras duravam tanto tempo que eles já nem sabiam os motivos pelos quais pegavam em armas. Era um ciclo eterno de ódio. Imutável e Inquebrável.
Tudo aquilo não acabaria se os descendentes daqueles Reinos finalmente se entendessem e se unissem? Se as crianças de diferentes linhagens pudessem rir e chorar juntos? Hashirama sabia que tudo aquilo não passava de um sonho utópico. Delírios de uma mente infantil, mas ainda assim...
Ele se lembrou do caixão de Kawarama sendo coberto de terra, o corpo ensanguentado e frio de Itama, e das promessas feitas à um menino de cabelos escuros à beira de um rio. Se ele tivesse esse nível de força...se ele se tornasse uma Calamidade...
—Otou-sama...Como...como eu posso-
—Se tornar uma Calamidade? É exatamente por isso que eu chamei você aqui. O aparecimento do Mokuton em você é um sinal do seu potencial. Desde a abolição do nosso Reino, poucos Senjus apareceram com essas qualificações, mas nenhum tinha seu talento. Você, meu filho, tem as qualificações naturais de um Rei. Tobirama, você, por outro lado...
—Eu entendo.
Tobirama conhecia seu talento melhor que ninguém. Ele era um génio, isso era um fato, mas ele empalidecia em comparação com Hashirama, ou mesmo Itama e Kawarama.
Hashirama parecia angustiado, enquanto Butsuma suspirou. Seus olhos eram quase gentis.
—Não desanime. Nem mesmo eu consegui quebrar essa barreira.
Tobirama não respondeu, mergulhado em seus pensamentos. Mas havia algo que ele tinha que nenhum de seus irmãos tinha. Uma obsessão doentia, quase louca, em se aperfeiçoar e quebrar grilhões. Afinal...ele seria o homem que rasgaria o véu da morte. Nenhum homem com uma mente normal faria isso.
Butsuma começa a explicar.
—Vocês se lembram do que eu disse na primeira vez que eu ensinei vocês a extraírem seus chakras, doze anos atrás?
Tobirama recitou.
“Se você tem céu, busque a terra. Se você tem terra, busque o céu. Se você não tem céu e nem terra, busque ambos.”
—Isso mesmo. O que você acha que eu estava tentando dizer?
—O chakra é a junção da energia física e mental. Yin e Yang. E todo shinobi deve buscar o seu equilíbrio. Só assim eles abandonarão a fraqueza. Um corpo forte é inútil com uma mente fraca. E uma mente forte não é nada em um corpo fraco. — Tobirama fez uma pausa, antes de continuar — Mas isso é muito mais fácil falar do que fazer. Quase todo Shinobi, inevitavelmente tende a ser ligeiramente melhor em uma área, raramente conseguem atingir a perfeição entre às duas energias.
Butsuma assentiu severamente, parecendo contente com sua explicação.
—Isso mesmo...quase. Calamidades são uma exceção. O Ninjutsu que conhecemos hoje é uma heresia criada pelos seres humanos, enquanto eles tentavam imitar o Poder divino dos deuses. É uma blasfémia. Essa energia misteriosa parece se sentir ofendida por ser domada por nós. É por isso que precisamos usar selos de mãos para manipular o chakra em nossos corpos. Nós somos seres inerentemente falhos, ao contrário dos deuses. Criar luas, preencher o céu noturno de estrelas, encher oceanos, esculpir montanhas e rios...tudo isso são coisas triviais para um ser com poder divino.
Tobirama arregalou os olhos, enquanto uma pitada de compreensão brilhava em seus olhos vermelhos.
—Poder divino...você quer dizer-
—Isso mesmo. O Omnyouton...A liberação Yin-Yang...
Hashirama parecia cada vez mais confuso.
—Mas...os deuses...eles realmente existem?
—Que pergunta sem sentido. Claro que existem. — Tobirama o cortou. Enquanto seu pai o olhava de forma interessante. – Embora...
Tobirama pensou na sua velha amiga. A morte. Na forma como ela se movia com graça por um campo de cadáveres, colhendo almas com um bater de asas. O rosto pálido da sua mãe e do quão frio as mãos dela eram, enquanto todo calor se esvaía do seu corpo e o sangue manchava sua roupa, como tinta em uma tela doentia. Ele cerrou os punhos, quase imaginando os olhos doentios escondido sob aquelas asas. Um dia ele iria rasgar o véu que cobria a morte, e olhar para ela nos olhos.
Butsuma não ofereceu mais do que um longo olhar para o seu filho mais novo, antes de se voltar para seu primogênito.
—Se seres humanos são criaturas falhas tentando imitar os deuses...as Calamidades são aqueles que começaram a concertar essas falhas.
Tobirama estreitou os olhos para a gravura iluminada pela fraca luz nas mãos do seu pai. Uma figura envolva em chamas douradas, flutuava no alto como um sol, enquanto milhares de pessoas estavam ajoelhadas no chão.
—Para se tornar uma Calamidade, uma pessoa deve começar a fundir a Liberação Yin e a Liberação Yang no seu corpo, em Liberação Yin-Yang. É um processo longo e gradual...e teoricamente impossível. Incontáveis Shinobis passaram à vida inteira tentando, apenas para falharem. Se apenas um em dez mil ninjas consegue se tornar nível S, apenas um em cada cem mil ninjas consegue quebrar essa barreira. Quando essa fusão gradual da Liberação Yin e Yang ao longo das linhas de chakra atingem uma proporção de vinte por cento, um magatama será formado no núcleo do seu chakra. Esse é o sinal de uma Calamidade inicial. O chakra sofrerá uma mudança qualitativa, se aproximando do divino. Seu corpo será fortalecido devido às mudanças na qualidade do novo chakra correndo nos tenketsus, mas essa não é a parte mais assustadora...-Seus olhos estavam solenes — Uma pseudo-habilidade divina, que é uma versão muito enfraquecida da criação de todas as coisas, o poder que os deuses usaram para criar esse mundo em que vivemos. A imaginação do usuário é o limite dessa habilidade, e portanto, cada Kaihō desperta uma Calamidade única. É por essa razão que Calamidades são desastres naturais ambulantes, capazes de ameaçar civilizações. Essa habilidade é chamada de...
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Tobirama arregalou os olhos quando o vê fazendo um selo com sua única mão. Aquele selo era...Ele havia sido descuidado. Ele se teleportou para as costas dele. Sua espada se movia para o seu pescoço em uma velocidade assustadora, mas para Tobirama, parecia uma eternidade, enquanto a lâmina cortava o ar com uma lentidão torturante.
Ele não chegaria à tempo.
—Tarde demais.
Ele terminou seu selo. Sua voz não esboçava nenhum sentimento. Era tão vazio e frio, quanto o som de duas pedras se esfregando.
Kaihō no Tenkai – Tsuki no Me (Liberação da Calamidade Celestial – Olho da Lua)
E então, tudo ao redor ficou escuro, enquanto uma lua de sangue se erguia no céu, com os tomoes do Mangekyo Sharingan refletidos nela. Madara estava sentado no alto de um trono sob a lua, enquanto encarava o corpo paralisado de Tobirama. Tobirama parecia tão sem vontade quanto um corpo sem vida, enquanto seus olhos vazios refletiam uma imagem esculpida da Lua vermelha com tomoes.
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