Gênesis
53 Cinzas Remanescentes - ATO III - A Fagulha.
Notas iniciais
Os seus músculos faciais estavam doloridos de tanto sorrir falsamente, quando Naruto finalmente se desvencilhou da filha do Daymiou do fogo. Apesar de ela implorar com olhinhos suplicantes, Azuka a havia chamado para apresentá-la ao filho do Daymiou da Água, e quem sabe, conseguir um casamento interessante entre as duas nações.
Naruto apenas atravessou o mar de pessoas, até se escorar em um canto discreto do salão. Ele ainda era capaz de ouvir a música que tocava no ambiente, mas o som de gargalhadas e a névoa de álcool que permeava aquele horrível salão havia diminuído consideravelmente. Ele agradeceu por isso.
Seus olhos opacos passearam pelo salão, até pararem na mesa circular colocada no final, onde os cinco kages estavam sentados enquanto trocavam palavras cobertas de elogios e gracejos, enquanto tentavam esconder o brilho assassino nos seus olhos.
As suas pupilas azuis-escuras se dilataram na Mizukage, envolta em um quimono azul-claro, que pouco cobria sua figura graciosa. Cada um dos seus movimentos exalava uma sensualidade assustadora, mesmo quando ela fazia algo simples como sorrir de forma inocente ou lamber os lábios vermelhos depois de bebericar da sua taça. Mesmo alguns dos jounnins de elites que escoltavam os kages engoliam em seco com cada simples movimento dela, tentando esconder sua luxúria; e pelo brilho quente nos olhos verdes dela, parecia que ela estava desfrutando profundamente. Os outros kages tinham expressões cada vez mais sombrias ao verem suas elites sendo manipuladas como crianças.
Como se estivesse notado algo, Terumi Mei desviou os seus olhos por um instante, enquanto encarava os olhos azuis que a fitavam no outro canto do salão, e logo um sorriso estranho ocupou os lábios carnudos e bem desenhados da Mizukage.
Naruto permaneceu impassível, sem a mínima flutuação de emoção visível.
Ela desviou os olhos depois de alguns segundos, parecendo entediada pela indiferença do loiro.
Os olhos do loiro logo ficaram solenes, como se pensasse profundamente em algo.
Aquele brilho quente nos olhos dela...não haviam dúvidas. Era o mesmo olhar que ela lançou sobre si, quando ele havia saído do labirinto.
Naquela altura, ele não havia conseguido identificar aquele brilho intenso. Inicialmente, ele havia achado que era um olhar de luxúria e que ela fosse uma daquelas nojentas com taras por crianças, mas não...não era aquilo.
Era um olhar diferente. Um olhar de desejo tão intenso que beirava a insanidade. Quase como uma criança ficando entusiasmada em uma loja de brinquedos, ou... Um samurai vendo uma bela e afiada katana diante dos seus olhos. Era o olhar que se dava à uma arma perfeita.
Naruto sentiu um arrepio. E não pode deixar de olhar para a expressão dos outros Kages. Shinobis, por natureza, eram todos conspiradores e assassinos. Podiam estar sorrindo com você em um minuto, e no outro não hesitariam em enfiar uma kunai na sua garganta. E aqueles cinco estavam no auge entre eles. Ao vê-los bebendo e sorrindo, Naruto quase conseguiu sentir o cheiro nauseante de sangue, que era emanado da montanha de cadáveres que eles haviam dilacerado.
‟Todos eles....são o mesmo tipo de pessoa.ˮ
O som de passos parando ao seu lado o tirou de seus devaneios. Olhando para o menino franzino que havia surgido ao seu lado, Naruto não esboçou muita reação. Um par de olhos cinzas o encaravam atentamente. Era Kira Kei, em um quimono elegante e branco, que contrastava perfeitamente com sua pele escura.
Seus lábios se repuxaram em um sorriso inofensivo.
—Linda noite, não?
A expressão de Naruto permaneceu impassível. O sorriso de Kei se alargou, não parecendo ofendido pelo seu silêncio.
Kei viu um daqueles garçons passando com um tabuleiro com petiscos e taças de champanhes. O garçom tentou reclamar, quando o viu puxando duas taças, mas o sorriso estranho e os olhos cinzentos foram o suficiente para ele engolir em seco, e continuar o seu caminho.
—Temos idade o suficiente para matar, mas não para beber? Ridículo.- Kei estalou a língua, enquanto balançava a cabeça de maneira teatral. Ele estendeu uma das taças –Tome.
Naruto finalmente olhou para ele, antes de aceitar a taça estendida.
—Sabe a urina. -Kei fez uma pequena careta, quando um pouco daquele líquido desceu por sua garganta, era horrível. — Nem sei como esses nobres conseguem passar a noite inteira bebendo isso.
Naruto continuou em silêncio, mas seus dedos, que envolviam a taça na sua mão, pareciam cada vez mais tensos.
Kei continuou, enquanto gesticulava abertamente para a pista de dança no meio do salão.
—Olhe para eles. Completamente embriagados na devassidão da gula, como porcos -Ele balançou a cabeça de forma exagerada- Ignorantes de seus terríveis pecados…Quão trágico.
—Cala a boca.
Ele arregalou os olhos quando ouviu a voz robótica do loiro, mas logo voltou a sorrir.
—Há algo errado no que eu disse? Olhe para eles. Dançando, comendo e bebendo. Como se nada no mundo importasse. Como se a fraqueza deles não importasse. – mas o sorriso no seu rosto logo desapareceu, e seus olhos brilharam estranhamente – Força é poder. Não há maior pecado nesse mundo do que a falta de força. E todos eles são mais fraco do que eu. -Sua expressão ficou feia -Então, como eles podem me governar? Porcos governando lobos? Isso me enoja profundamente.
—Você…diz algumas coisas bem engraçadas.
Kei riu, antes de bebericar lentamente da sua taça, não negando. Eles ficaram em silêncio por longos segundos.
—Você sabe qual é a maior diferença entre nós?
Naruto continuou em silêncio, mas a forma como seus olhos estavam escurecidos já dizia tudo. Kei olhou para sua expressão gelada, antes de continuar.
— Todos os que me odiavam, mas careciam de força, estão mortos. -Ele riu, como se achasse aquilo divertido- Você me odeia, mas você está vivo. Isso é um privilégio dos fortes. Mas infelizmente, você é restringido pelos caprichos dos fracos. Como agora. Suas mãos estão tremendo, tentando se controlar para não atacar a minha garganta…Uma pena.
Naruto cerrou a sua mandíbula, mas a taça na sua mão começou a rachar pela tensão. Kei sorriu quando viu isso.
—Você acha que é o único com ódio? Você tem as mãos tão manchadas de sangue quanto as minhas. Homens, mulheres, crianças… Essas pessoas tinham parentes que, provavelmente se importavam com eles profundamente. Com certeza, nesse momento, tem alguém chorando no escuro, enquanto afia uma lâmina, jurando matar você, mas a única coisa que podem fazer agora é cerrar os dentes e lamentar a sua própria falta de força no escuro. Eles dirão algo como ‟vou treinar até conseguir ficar forte o suficienteˮ. Exceto que a maioria não vai conseguir, mesmo que treinem por anos. Mas você será como uma enorme e assustadora montanha em suas mentes, que eles não conseguem escalar. Até que eventualmente…seus joelhos quebrarão sob a pressão chamada ‟Uzumaki Narutoˮ e nunca mais se erguerão. Serão soterrados pelo terrível pecado da sua falta de força…
—Você parece estar confundindo algo. Eu não odeio você. – A voz de Naruto estava incrivelmente monótona, como se declarasse um simples fato — Não tenho porque odiar um cadáver.
Kei estreitou os olhos para ele, antes de rir por alguns segundos, como se não se importasse. Ele bebericou da sua taça.
—Então você quer me matar? Pelo que você está esperando então?
Muito lentamente, um suave sorriso delineou os lábios do loiro.
—Quer eu o mate aqui ou depois é indiferente. Eu sempre cumpro minhas promessas. Uma vez que eu disse que ia matar você, a única coisa que resta para você, é morrer. Essa paz momentânea é uma ilusão. O ar que você respira é uma ilusão. Sua vida é uma ilusão. Pode não ser hoje. Pode ser amanhã. Pode ser daqui há uma semana. Um mês. Um ano. Dez anos…eu posso estar velhinho, e com os ossos rangendo de dor a cada passo. Mas uma hora, alguém vai fazer merda. Uma merda que vai se cravar nesse frágil pedaço de vidro que chamamos paz, e as rachaduras vão crescer, e crescer, e crescer...até estarmos caminhando sobre os cacos afiados da guerra...e, nesse momento, lembre-se, eu estarei vindo para você.
O sorriso de Kei se alargou.
—Bem, olhe para os olhos deles...-Ele gesticulou para os inúmeros shinobis de vilas diferentes espalhados pelo salão — esse dia pode estar mais próximo do que imaginamos... estarei cruzando os dedos.
E então ele engoliu o resto do líquido que estava na sua taça, fazendo uma pequena careta no final, e se afastou sem dizer nada.
Logo que se virou, o sorriso no rosto de Kei desapareceu, quando ele se lembrou da expressão no rosto do loiro. Ele tinha um sorriso relaxado no rosto, enquanto os seus olhos azuis brilhavam de forma gentil, como o mar em uma tarde agradável de verão. Mas Kei não era tolo. Ele conseguia sentir as nuvens vermelhas que se formavam no horizonte do oceano, como se antecipassem uma chuva de sangue.
—Então você também…pode fazer esse tipo de expressão? – Kei tinha uma expressão extremamente grave no rosto. – Que monstro…
A sua expressão solene finalmente se desmanchou quando ele viu a filha do Daymiou do país do Trovão procurando por ele afobadamente pelo salão. Ele logo colocou um sorriso no seu rosto bonito, tentando mascarar o desprezo nos seus olhos.
Os olhos dela brilharam quando o viram se aproximando.
‟Essa garota…Eu me pergunto se ela gritaria igual uma porca se eu a cortasse...ˮ
Naruto olhou para as costas de Kei se afastando, os olhos flutuando com emoções. Ele sentiu como se alguém estivesse o observando e ele logo encontrou o par de olhos negros de Risa o encarando com…preocupação? Mas ela logo desviou o olhar e voltou a se concentrar no seu parceiro de dança.
Era um jovem nobre com cabelos negros estranhamente parecido com Azuka, só que mais jovem. Mas o que mais chamou a sua atenção, era expressão de desconforto no rosto de Risa enquanto o jovem se inclinava para sussurrar algo nos seus ouvidos, ou a forma como ela ficou pálida quando a mão dele descansava atrás das suas costas, muito abaixo do que era permitido nesse tipo de dança.
Ela olhou nervosamente para o Hokage, que a observava de longe, como se pedisse ajuda, mas ele apenas acenou levemente, como se a incentivasse. Ela cerrou os lábios, e continuou a dançar em silêncio.
Naruto franziu o cenho e deu um passo em sua direção, mas ele logo viu o Sandaime olhando para ele, enquanto balançava a cabeça negativamente, o advertindo.
‟Não há maior pecado do que a falta de força…ˮ
Aquilo piorou o seu humor particularmente inexistente. A mão de Naruto envolta na taça ficou ainda mais tensa, e ele logo desviou os seus passos para a enorme varanda naquele andar, inconsciente dos olhos tristes que encaravam as suas costas.
Quando ele se escorou na grade proteção, a taça de vidro finalmente quebrou na sua mão, e o líquido espumante derramou no chão, enquanto pedaços de vidro finos afundaram na sua pele, mas ele ignorou a dor, enquanto cerrava fortemente o punho.
Ele ainda era capaz de ouvir a música que tocava no ambiente, mas o som de gargalhadas e a névoa de álcool que nublavam aquele horrível salão havia diminuído consideravelmente.
O som nauseante do salão finalmente se foi, quando ele se concentrou no som das gotas de seu sangue caindo no chão. Ele tentou se focar na estranha calmaria que aquele som lhe trazia, e na dor aguda dos cortes na sua mão, enquanto tentava acalmar o turbilhão de emoções no seu interior.
Um ar extremamente frio o acariciou, e foi impossível ele não elevar o seu olhar para o céu de um azul tão negro quanto os seus olhos. A lua estava brilhando no alto, provavelmente eram dez da noite.
Faziam alguns minutos que os seus olhos estavam fixos nas luzes acesas por toda a Konoha, enquanto uma brisa gélida deslizava os dedos pelo seu rosto, quando ele sentiu aquele cheiro do seu lado.
Bom, sentir talvez fosse uma palavra muito forte. Além daquela aura de mistério, se havia algo que tornava Kabuto peculiar, era a sua falta de cheiro. Ele não cheirava a absolutamente nada. Era como se não existisse.
Naruto finalmente olhou para Kabuto em seu terno cinza, o vendo balançando uma daquelas taças de champanhe entre os dedos, enquanto olhava para o horizonte estoicamente, quase como se enxergasse algo além daquelas casas e luzes.
O canto da boca do mais velho se repuxou em um sorriso um tanto irônico, embora os seus olhos brilhassem de uma forma estranhamente sombria por detrás dos seus óculos.
—É frustrante, não? Ver eles tão...felizes.
Naruto bem sabia de quem ele estava falando. Se ele fechasse os olhos, ele conseguia ouvir o som deles bebendo, dançando e comendo como se não houvesse amanhã. Os nobres.
—Pois é. –Os seus olhos azuis, por um momento, brilharam de um sentimento estranho- É como se...
— A morte deles não importasse.
Naruto sentiu a sua mandíbula ficar tensa novamente, quando percebeu que a voz de Kabuto não passava de um sussurro. Foi impossível não se lembrar dos olhos de Kabuto, enquanto Risa chorava com o corpo pálido de Akai entre os braços...
Ele sentiu aquelas palavras saindo antes que pudesse se controlar.
—Eu sei que já disse isso antes, mas eu realmente...
—Eu sei. –Kabuto o cortou, com a mandíbula estranhamente tensa- Eu sei.
Eles ficaram longos segundos em silêncio, enquanto apenas olhavam estoicamente o véu noturno.
—O céu…- O grisalho parecia estranhamente melancólico – Akai teria adorado isso, sabes. Noites estreladas eram as suas favoritas. Ele dizia que era possível ver os rostos dos deuses no céu estrelado, se prestássemos atenção o suficiente. – Seus lábios se curvaram em um sorriso – Que ingénuo…
Naruto arregalou os olhos quando viu a expressão de Kabuto.
—Você... –Kabuto ficou em silêncio, a expressão do loiro ficou ainda mais escura- Entendo...Eu realmente sinto muito. Esse exame…Foi uma pena termos escolhido participar.
Quando Kabuto olhou para o loiro, havia uma sombra de confusão dentro dos seus olhos.
—Escolhido? Entendo...então você não sabe. – Ele ficou alguns segundos em silêncio, enquanto Naruto olhava para ele de cenho franzido- Ninguém entrou nesse exame voluntariamente. O Daimyou...Ele estava pressionando o Sandaime-sama e o conselho, então...ele teve que fazer certas escolhas.
Naruto imediatamente olhou para o fundo do salão, vendo Azuka ao lado do Daimyou da água, e cercado por um grupo de nobres bonitas. Elas estavam rindo de qualquer coisa que Azuka achou particularmente engraçado. Como se fosse possível, seus olhos ficaram ainda mais negros.
—Então...a Hinata não se voluntariou? –Kabuto balançou negativamente a cabeça, Naruto apenas suspirou- Entendo. Eu…Entendo.
Kabuto apenas estreitou os olhos na expressão do loiro, antes de bebericar da sua taça. Ele ficou alguns segundos pensando.
Os olhos daquele menino estavam frios, estranhamente frios. Mas havia uma chama inacreditável nos seus olhos. O tipo de chama que se vê nos olhos de shinobis, enquanto queimavam vilarejos inteiros e se deliciavam com os sons dos gritos. Seu mestre tinha aquele mesmo olhar...aquele garoto não o enganava. Ele seria a fagulha de um grande incêndio...Kabuto apenas estava curioso sobre que tipo de coisas ele transformaria em cinzas...
—Você acredita em demônios, Naruto-kun?
Naruto pensou por alguns segundos, ainda com uma expressão que intrigava Kabuto, antes de balançar a cabeça negativamente.
—Eu acredito. Eu acho que esse mundo é o inferno, e nós, seres humanos, somos os demônios. E sabe o que o torna tão perigoso? Nós não vemos as suas chamas. Mas as chamas estão lá. Elas são reais. Elas estão sempre nos consumindo. Nos punindo silenciosamente. E quando finalmente percebemos…tudo à nossa volta já foi transformado em cinzas.
Depois de Kabuto falar, Naruto continuou em silêncio, mas a expressão no seu rosto ficou cada vez mais indecifrável.
Kabuto olhou para a lua pensativamente, antes de suspirar. Estava na hora.
—Bom...Naruto-kun...-ele deu um último gole na sua taça, antes de pousá-la na grade de proteção- Foi bom falar com você.
Naruto apenas assentiu, o vendo sair daquele salão sem dizer nada. Kabuto colocou as mãos nos bolsos do seu terno, enquanto atravessava o mar de pessoas até a saída do salão. Minutos depois, quando ele saiu do prédio, ele se despediu dos dois chunnins na entrada com um sorriso.
—Tenham uma boa noite.
Eles responderam com um sorriso.
—O mesmo para você, Kabuto-san.
Nas ruas de Konoha, os seus olhos, escondidos atrás das lentes, lentamente escureceram, enquanto seu rosto ficava com a expressão de um peixe morto.
‟Bem, Naruto-kun. Eu não fui totalmente honesto com você. Esse mundo é o inferno. E eu vi os olhos dos demônios que estão prestes a atiçar as fagulhas que vão cobri-lo de chamas…e aquelas coisas…não são humanas.ˮ
Ele formou um selo de mão. Milhares de papéis-bomba escondidos por toda Konoha começaram a acender.
Ativar.
E então, Konoha queimou.
#
Naruto arregalou os olhos quando vê os fogos acendendo naquela noite escura. A vila estava…queimando?
O som de uma explosão o tira de devaneios. Ele cerrou os olhos, vendo chamas se acenderem no portão da Vila. Ele pisou na proteção da varanda, antes de saltar até o telhado de um prédio próximo.
Ele estreitou os olhos, ao ver estranhos vultos se amontoando nos portões das Vila. Junto do som de kunais colidindo e gritos de dor. Aquilo eram…Shinobis lutando?
Ele estava prestes a se mover, quando ele sentiu dezenas de intensões assassinas e a pressão de chakras de nível kage explodindo no prédio onde estava acontecendo o banquete.
Naruto estreitou os olhos, antes de saltar em direção ao salão novamente. Em pleno ar, seus ouvidos zumbiram de dor, quando ele sentiu o calor abrasador das chamas no momento em que metade do salão explode em chamas. Sua expressão fica ainda mais grave.
Ele entrou pelo buraco em chamas que costumava ser a varanda. Ele ficou impassível ao ver um monte de pessoas correndo, enquanto encarava uma abertura enorme no outro lado do prédio.
Ele franze o cenho.
Onde estavam os Kage e suas escoltas?
Ele passeiou seus olhos pelo salão, os Kages, assim como a maioria dos nobres de alto escalão estavam desaparecidos, assim como os jounnins de elites. Ele pensou por uns segundos. Provavelmente foram evacuados.
Apenas alguns nobres de baixo escalão azarados, estavam estendidos no chão, provavelmente mortos, enquanto outros eram protegidos por ninjas de Konoha e Kiri, — cercados por shinobis de outras Vilas-, e que os superavam completamente em números.
Os olhos de Naruto escureceram quando ele viu cadáveres de ninjas de Konoha no chão.
Seus pensamentos são interrompidos por um vulto se movendo em sua direção.
Naruto inclinou o seu corpo ligeiramente, esquivando o golpe de espada que pretendia cortá-lo ao meio.
Antes que o shinobi de Iwa consiga reagir, o braço de Naruto é rápido como uma serpente, sua mão esquerda aperta a mão no cabo da espada, enquanto os dedos da sua mão direita estão ao redor do seu pescoço.
Naruto olha friamente pelo salão em chamas, antes de finalmente olhar para o jounnin preso sob ele.
Ele tenta se libertar, mas a força de Naruto é tirânica. Ele sente-se como se estivesse sendo pressionado por uma montanha.
—Me diga tudo o que você sabe.
Apesar do tom monótono na voz do loiro, o shinobi sentiu uma imensa pressão, mas seus olhos logo brilharam de forma louca. Ele riu de forma maníaca, antes de se vangloriar sobre o quanto as outras Vilas estavam cansadas da tirania da Vila da Folha, então eles iriam matar todos os homens, afogar todas crianças e estuprar todas mulheres, antes de queimarem Konoha até as cinzas.
—Entendo.
Foi tudo que ele ouviu da boca de Naruto, antes de sentir uma tremenda falta de ar. Os dedos de Naruto afundaram com cada vez mais pressão na sua garganta, quase como se fosse arrancá-la. Com uma balançar da sua mão esquerda, uma cabeça rola no ar, enquanto um cadáver sem cabeça cai no chão.
O sangue do pescoço decepado jorra no chão, molhando seus sapatos envernizados. Filetes de sangue cobrem seu rosto e seu terno. Uma lâmina afiada de chakra do vento cobria sua mão esquerda.
Naruto observou calmamente os cadáveres no chão, e suspirou internamente ao não ver nenhum de seus companheiros no chão, mas ele logo estreitou os olhos ao reconhecer alguns shinobis que ele via corriqueiramente nas ruas de Konoha.
Seus olhos azuis-escuros não mostravam a menor flutuação de emoção enquanto ele contava o número de ninjas estrangeiros que estavam enfrentando os poucos ninjas de Konoha e Kiri naquele salão.
Trinta e dois.
Depois de terminar de contar, ele desapareceu em um flash de velocidade e em segundos, inúmeros cadáveres sem cabeça caem no chão do salão. Todo mundo, desde os ninjas que estavam lutando, até os nobres e civis que ainda não haviam fugido ficaram congelados ao verem tudo sendo pintado de vermelho. Desde as paredes até o chão.
—Barulhento.
Uma simples palavra, mas aquele que a falou emitia uma pressão assustadora.
Todos engoliram em seco, e ninguém emitia um som enquanto olhavam para o adolescente alto e bonito no meio dos cadáveres. Como um anjo coberto de sangue.
Ninguém atreveu a se mexer, tentando conter arrepios, enquanto aqueles olhos frios analisavam cada um deles, como se avaliasse se eles eram inimigos.
Depois de alguns segundos, Naruto finalmente se vira e caminha em direção à enorme abertura do outro lado do salão.
Todos respiraram de alívio por não estarem mais sendo encarados atentamente. Mas mesmo parado na beirada daquela abertura, Naruto ainda emitia uma enorme pressão.
—O que estão esperando? Escoltem os nobres e civis. –Um dos jounnins, depois de engolir em seco, finalmente reagiu, e instruiu os companheiros.
Os Shinobis de Konoha e Kiri finalmente começaram a se mexer. Naruto os ignorou completamente.
A sua audição aguçada ouvia os gritos de socorro nas ruas, o cheiro de sangue estava impregnado nas suas narinas, e chamas enormes que consumiam os edifícios estavam refletidos em seus olhos.
Naruto observava aquela visão completamente coberto de sangue. Era como olhar para uma pintura do inferno.
Konoha estava...em chamas.
Fale com o autor