Gênesis

39 Chuunin Chiken – GUERRA-. La Ville des Cendres.


Notas iniciais
Olá! Olhem, eu tou muito puto. Esse capítulo era pra sair ontem, mas algo terrível aconteceu. Lá estava eu, terminado esse capítulo e escrevendo o início do próximo quando... PASMEM, houve uma queda de energia. E eu ainda não tinha guardado. Fiquei putaço. Quando a energia restabeleceu, só tinha metade. É, metade do capítulo. A sorte é que a minha memória não é ruim, eu ainda ne lembrava dos ACONTECIMENTOS, mas é claro que ao reescrever o resultado foi diferente. Não pior ou melhor. Apenas diferente. Enfim... Eis o primeiro capítulo da próxima trilogia. La ville des cendres -Francês - A cidade das cinzas. Enjoy it!

“ E saiu outro, um cavalo vermelho; e ao que estava sentado nele foi concedido tirar da terra a paz, para que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada. ”

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Kabuto estava organizando seu estojo médico, quando aquilo aconteceu. Ele ouviu, novamente, aquele som. Aquele grito ensurdecedor. Grito da morte.

Imediatamente, ele correu para fora da caverna, não se importando em se encharcar com a água fria da chuva.

Ele subiu até a estranha árvore onde aqueles dois estavam sentados, parecendo vidrados no céu nublado.

‟Parabéns, à todos com fôlego. Vós tendes sobrevivido à primeira Tribulação. ˮ

Lia-se, em letras enormes e brilhantes, e haviam números por baixo, fazendo uma contagem regressiva: Dez, nove, oito...

—O que está acontecendo?!

Eles levaram um bom tempo para responder. Ainda estavam vidrados.

—Não sei...-Risa murmurou- Isso simplesmente...apareceu no céu...olha está quase no fim...quatro...três...dois...

Quando a contagem terminou, houve um silêncio sepulcral em toda a arena. Depois de alguns instantes, uma nova frase apareceu:

“ E saiu outro, um cavalo vermelho; e ao que estava sentado nele foi concedido tirar da terra a paz, para que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada. ”

Naruto estreitou os olhos. Tal como ele imaginava, ele já havia entendido aquele exame...Ele olhou para o rosto de Kabuto. Ele teve a impressão de ter visto a sombra de um sorriso no canto da boca do rapaz de óculos...Antes que ele dissesse algo, no entanto, algo estranho aconteceu...

Um enorme e circular selo negro apareceu no solo de toda a arena. Naruto arregalou os olhos. Aquilo só podia significar uma coisa...

—Tragam o Akai-kun...rápido...

Risa nem perguntou o motivo. Ela já havia visto aqueles mesmos olhos no rosto do loiro, quando a Névoa havia coberto a arena.

Em um piscar de olhos, ela se moveu até à caverna, pegando o garoto inconsciente e as mochilas com mantimentos...em um shunshin, ela apareceu ao lado dos seus companheiros.

—O que esse selo é?

Naruto abriu a boca, prestes a responder, mas então a arena toda começou a tremer, como se estivesse havendo um terramoto. O selo gigante brilhou, emitindo uma luz dourada que cegou, momentaneamente todos os concorrentes. O loiro sentiu o seu corpo ser desintegrado à um nível quase molecular. Ele sabia o que aquilo significava. Um selo espaço-temporal.

Ele sentiu um vento gélido acariciando o seu rosto. Quando ele voltou a abrir os olhos, tudo havia mudado. A floresta, a grama, os riachos, tudo havia desaparecido.

Ele olhou ao seu lado, vendo que aqueles três ainda estavam consigo. Eles estavam na cobertura de um enorme edifício. Naruto se aproximou da borda, e então percebeu que eles estavam em uma cidade com um ar meio ‟futurístico ˮ.

Edifícios enormes o cercavam até onde a sua vista alcançasse. Porém...tudo aquilo passava uma sensação meio apocalíptica. Os prédios eram todos monocromáticos, com um tom doentiamente cinza, e haviam enormes rachaduras neles.

—Interessante...-ele olhou para o seu lado, Kabuto ajeitou os seus óculos, antes de começar a falar- definitivamente, eu tenho que conhecer o cara por detrás desse exame...ele é simplesmente genial...

Naruto olhou para ele curioso.

—O cara por detrás do exame...? Achei que os Kages...

Kabuto balançou a cabeça.

—Bom...certamente, o alto escalão organizou esse exame, porém...eles sempre nomeiam alguém para ‟Dirigirˮ o exame...você sabe, para acertar os detalhes dos testes...-ele sorriu de um forma estranha- O cara responsável pela questão: ‟Como vamos matá-los?ˮ -Os olhos de Naruto escureceram- Eu adoraria olhar tal génio nos olhos...

Naruto comentou.

—Isso se você sobreviver, é claro...

Ele ajeitou os seus óculos novamente, os olhos brilhando de um jeito estranho.

—É mesmo...? Isso parece...bastante complicado...

Naruto conseguiu perceber que, por algum motivo, Kabuto não estava nem um pouco preocupado.

—Entendo...

Foi tudo o que Naruto disse, antes de se aproximar ainda mais da beirada daquele edifício. À aquela altura, o vento era extremamente gélido e, ele sentia cócegas na pele da sua face, pela brisa que balançava os seus fios de cabelo longos e dourados. Ele fechou os olhos, tentando sentir os chakras que haviam nas proximidades. Ele estalou a língua. Cem metros?! Sério que esse era o seu limite no momento?!

Haviam alguns poucos gennins nos edifícios dos arredores. Ninguém de Konoha...porém...ele sentiu um arrepio atravessar a sua espinha. Ele teve a impressão de sentir alguém estranho. Aquele chakra era gigantesco. Ele arregalou os olhos. Parecia ser...

—O que você está pensando, com essa expressão assustadora?

Naruto abriu os olhos, era Risa. Ele suavizou a sua expressão.

—Nada não... -Ela olhou para ele desconfiado, mas não disse nada mais. -Você...está com frio?

Naruto viu ela colocar o braço à volta do tronco, como se para diminuir aquele frio intenso que fazia. Estava escuro e frio. Ainda eram por volta das uma ou duas da manhã.

—Um pouco...

—Vamos entrar –Naruto apontou para uma porta que havia no meio daquela cobertura, provavelmente levava para o interior do edifício- Temos que nos instalar...

Ela apenas assentiu, os lábios carnudos e de um tom chocolate cerrados em uma expressão concentrada.

***

Logo que eles entraram naquele local, Naruto percebeu algo. O interior era pior do que eles imaginavam. Aquele edifício parecia ser uma espécie de hotel. Havia um número elevado de quartos naquele local. Os corredores, eram silenciosos e sujos, sendo iluminados por luzes fluorescentes que piscavam a cada segundo.

Eles ouviam sons estranhos nas paredes degastadas e rachadas. Ratos, provavelmente.

Eles pararam diante do que parecia ser o elevador. Depois de pressionar umas dez vezes, eles desistiram e decidiram usar as escadas.

—Quanto falta?!

Kabuto logo começou a ficar ofegante, tendo que carregar Akai nas costas, enquanto desciam as escadas.

Risa fingiu não ouvir, afinal, era ela quem estava carregando as mochilas. Naruto até poderia ajudá-los, até porque ele era o culpado do ferimento, mas...ele ainda estava fraco e a sua cabeça doía, como sempre.

Já era um esforço descomunal descer aquelas escadas por conta própria, ele sentia que iria desmaiar a qualquer momento. Mas é claro que eles não sabiam daquilo, mas tampouco o importunaram. Provavelmente por acharem que ele estava um pouco fragilizado por ter se ‟recuperado ˮ recentemente.

Então, ele apenas olhou para Kabuto, sorrindo meio nervoso.

—Bom...esse prédio tem vinte andares...então...acho que no décimo... é bom estarmos no meio. Caso haja uma emboscada vinda do solo, fugiremos pela cobertura, e caso haja um ataque vindo de cima...nós fugiremos pelo solo...

Kabuto suspirou, resignado.

Quando chegaram no décimo andar, eles escolheram o quarto mais próximo das escadas para se instalarem. Era bastante simples e monótono, mas pelo menos haviam duas camas de solteiro com lençóis limpos no centro. Eles colocaram o Yamanaka em uma delas, e dividiram as tarefas.

Enquanto Risa e Kabuto selavam as janelas de todo aquele andar e colocavam algumas armadilhas simples, Naruto começou a vasculhar os quartos, à procura de quaisquer coisas de utilidade.

A maioria das geladeiras estavam vazias, a não ser algumas garrafas de água que ele desconfiava que já haviam vencido o prazo e algumas tigelas de, pasmem, caldo instantâneo. Ele estalou a língua. Custava colocarem um pouco de ramén?!

Felizmente, a água corrente funcionava e o chuveiro também, aparentemente.

Quando os três voltaram para o quarto, eles decidiram os turnos de vigia. Faltavam três horas para amanhecer, então Kabuto faria o primeiro turno, depois Naruto e por fim, Risa.

Depois de apenas quinze minutos andando ele já se sentia exausto, então ele se jogou na cama vaga. A sua cabeça parecia que iria rachar.

Ele fechou os olhos, tentando descansar, mas então ele ouviu alguém pigarrear. Ele abriu os olhos, apenas para ver Risa parada, diante de si.

Os seus fios azuis estavam encharcados, pingando na blusa preta que ela usava por baixo do colete, e havia um aroma floral no ar. Ela havia acabado de usar o chuveiro.

—Eu...preciso dormir...

Olhando para as escuras olheiras sob os seus olhos, Naruto se sentiu péssimo. Ele se lembrou que, provavelmente ela não havia dormido nos últimos três dias, tendo que cuidar dele e de...Karin. Céus, ainda era difícil pensar nela. O loiro se afastou ligeiramente, dando espaço para que ela também se deitasse.

Ele sentiu a cama afundar quando ela se deitou, de costas para si. Ele estava prestes a fazer uma piada sobre o tamanho dela, quando um dos fios dela roçou no seu nariz. Ela tinha um cheiro floral, estranhamente bom...ele se repreendeu.

Porque garotas tinham que cheirar tão bem?!

***

—Céus... que espelunca...

Shikamaru moveu a lanterna em sua mão, iluminando o rosto entediado de Hinata. Ele apenas sorriu:

—Bom...que frase mais clichê. Como esperado da herdeira do clã Hyuuga...Gente rica são intensas...

Hinata soltou um som parecido à uma risada, e não disse mais nada, se concentrando em vasculhar aquele local.

Shikamaru abriu uma das geladeiras, além de baratas e ratos, não tinha realmente muita coisa útil. Ele estalou a língua. Shikamaru tinha que concordar com ela. Aquele hotel em ruínas não era exatamente...cinco estrelas.

—Elas estão demorando...A Sakura e a Ino...

Hinata dispensou um olhar para o garoto que havia dito aquilo.

—Bom...essa espelunca tem muitas janelas...não deve ser fácil colocar armadilhas...

Ele apenas assentiu.

Sakura mantinha uma expressão concentrada, enquanto tentava colocar fios de aço ao longo daquela enorme janela. Ela sentiu os seus lábios tremerem. Um ar extremamente frio adentrava aquela janela.

—Você mudou, Testuda...

Sakura apenas emitiu um som inaudível, ela tinha uma pequena lanterna na boca, e a estava usando para iluminar os fios de aço enquanto fazia aquela árdua tarefa. Quando terminou, ela retirou a lanterna na sua boca e olhou atentamente para Ino.

Ela parecia...frágil. Extremamente frágil, com os braços à volta do corpo e escuros círculos sob os olhos, indicando que havia chorado bastante. Era como se ela fosse um animal ferido. Sakura não pode deixar de se lembrar do pequeno cachorro que ela havia salvado, na floresta dos cachorros. Ino tinha o mesmo olhar suplicante, como se pedisse ajuda.

Sakura apenas deu um sorriso fraco.

—Acho que mudei...um pouco...

Ela pegou o arco que estava apoiado numa das paredes e entrelaçou os seus dedos nele. Ela suspirou de alívio. Ultimamente, só se sentia segura quando sentia os seus dedos à volta daquele instrumento. Ela se sentia dependente, como uma viciada.

Ino apenas assentiu, antes de começar a caminhar de volta para o quarto onde eles haviam se instalado. Sakura a seguiu.

Foi quando elas estavam no meio do corredor, que Sakura sentiu aquelas palavras saindo da sua boca:

—Então...você e Shikamaru...-Ino apenas olhou para ela, curiosa- fiquei surpresa... você nunca me falou que...bom, que você gostava dele...

Ino apenas olhou para ela, antes de voltar a se concentrar no caminho, ainda encolhida pelo frio.

—Eu não gosto dele...-Sakura parou de caminhar, olhando chocada para ela, Ino continuou- Quer dizer...um pouco, mas não...algo intenso...

—Então porque você-

—Medo. Eu tinha medo de morrer sozinha. –Quando Ino viu que Sakura não havia entendido, ela continuou- desde pequena, eu sempre ouvi histórias incríveis de amor. Mas...eu nunca havia vivido uma. Então...quando anunciaram esse exame maluco, eu logo pensei: Vou morrer, sem nunca ter amado. Então...quando Shikamaru falou aquelas coisas para mim, eu me senti aliviada. Aliviada por poder vivenciar aquilo, antes de morrer em um exame suicida... eu fiz tudo o que quis fazer naquelas quatro semanas, antes do exame...

Sakura estreitou os olhos.

—Tudo...você diz?

—Hai...nós fizemos aquilo...

Sakura olhou para Ino completamente chocada.

—Vocês...treparam?!

Ino deu um soco no braço dela, parecendo entediada.

—Credo, que vulgar você é... mas sim.

Sakura tentou abrir a boca, mas ficou em choque por um longo minuto.

—Céus...sei nem o que dizer. Acho que vocês se precipitaram, muito. Nós só temos treze anos...

—Não seja estúpida Sakura. Nós somos shinobis. Podemos morrer à qualquer momento. O conceito de ‟idade apropriadaˮ não existe para nós...

—Mesmo assim –Sakura voltou a falar- Treze anos é...um exagero.

Ino deu de ombros, como se realmente não se importasse.

—Foda-se. Nós vamos morrer nesse exame, de qualquer jeito.

Sakura a parou, colocando uma mão no ombro dela. Os seus olhos verdes faiscavam de raiva.

—Não seja ridícula Ino. Nós vamos sobreviver. Todos nós, -Sakura suspirou, se acalmando um pouco, ela sorriu- e eu ainda vou zoar bastante você, por ter dado pra aquele preguiçoso.

Ino resmungou, antes de sorrir um pouco de canto.

—Você sorriu! –A rosada parecia bastante feliz- Essa é a primeira vez que vejo você sorrindo desde...-A sua expressão murchou novamente- desde aquilo...desculpe, voltei a te deixar triste...

Ino apenas balançou a cabeça.

—Tudo bem...

Ela ultimamente não se importava com nada. Se sentia vazia. Oca por dentro.

E então caíram em um silêncio constrangedor, apenas ouvindo os sons provocados pelos roedores no interior daquelas paredes.

—E você? –Ino perguntou, Sakura olhou para ela confusa- Como vai com...o Sasuke?

Sakura fechou a sua expressão.

—Ele continua um idiota, obviamente...

—Você deveria desistir, Sakura...-A voz dela era calma- Assim como eu fiz...ele não vale o esforço...-resolveu brincar- Além do mais...no seu time tem uma outra pessoa interessante...

—Talvez...

Sakura sorriu, quando disse aquilo. E Ino apenas arqueou uma sobrancelha. Aquilo era interessante.

****

Risa acordou com um cheiro delicioso no ar. Se espreguiçando, percebeu que, pela primeira vez nos últimos dias, ela se sentia...leve e descansada. Toda a tensão acumulada nos seus músculos havia desaparecido.

Ela bocejou, enquanto espreitava pela janela que havia naquele quarto. Ela cerrou a mandíbula. O sol brilhava fortemente. Quanto tempo ela havia dormido?!

Olhando ao seu redor, ela percebeu que era a única naquele quarto. Ela saiu do quarto, seguindo o som de vozes até adentrar a pequena e arcaica cozinha que havia no final daquele andar.

Ela franziu o cenho ao ver os seus companheiros –incluindo um recém-acordado Akai- reunidos à volta de uma mesa improvisada, enquanto degustavam as tigelas de caldo que haviam encontrado. Ela então entendeu o porquê de ter sentido um aroma delicioso no ar.

—Ohayo...

Todos responderam com um aceno de cabeça. Ela puxou uma cadeira e se sentou, massageando o rosto logo em seguida.

—Ora, ora, se não é a bela adormecida...

Risa estreitou os olhos para o rapaz do clã Yamanaka.

—Vejo que você já está melhor...-Akai assentiu, sorrindo como sempre- então pare com as piadas, cabeça de cenoura...

Kabuto quase se engasgou com o seu caldo e Naruto apenas sorriu de canto, enquanto colocava uma tigela fumegante diante de si. Risa agradeceu com o olhar, enquanto o loiro se sentava.

—Que horas são? Vocês deveriam ter me acordado mais cedo...

—Bom...quase meio dia...-Naruto falou- Você parecia realmente cansada então...não quis te acordar. Além do mais, eu dormi por três dias, não tinha realmente sono...

—Entendo...

Eles caíram no silêncio, e se concentraram apenas em comer. Quando Risa sorveu o caldo, ela arregalou os olhos. Aquilo estava...delicioso.

—Quem preparou isso?!

Naruto sorriu, meio constrangido.

—Bom...na noite passada eu achei esse caldo meio...sem gosto. Então eu tentei enriquecer o caldo. Adicionei alguns vegetais e especiarias que encontrei nesses armários...-ele coçou a nuca- espero que tenha ficado bom...

—Está delicioso! Você realmente sabe cozinhar...vou querer minha torta, garoto...

Naruto assentiu, com um sorriso.

—Sim...

Quando Risa levantou o olhar, reparou que Akai olhava para ela com o cenho franzido. Ela apenas mostrou a língua para ele. Akai sorriu, como se já tivesse entendido tudo.

Eles passaram os minutos seguintes simplesmente comendo, até que Risa finalmente se lembrou de algo. Automaticamente o olhar de Risa recaiu para Naruto.

—É mesmo...você me deve uma explicação...você disse que tinha entendido esse exame...

Naruto assentiu.

—Eu sei...-ele ficou alguns segundos em silêncio, quando ele percebeu que eles ainda assim olhavam fixamente para si, entendeu que eles queriam que ele continuasse- Bom...alguém aqui já leu o Kojiki?

Eles olharam para ele confuso. Akai perguntou:

—O Livro Sagrado do Templo do Fogo?

Naruto assentiu.

Risa olhou para ele de cenho franzido.

—Não sabia que você era...religioso... O que é que esse livro tem?

Naruto apenas deu um sorriso fraco.

—Bem...Eu vivi em um orfanato até os meus seis anos de idade. E esse orfanato era afiliado ao Templo do Fogo...a maior parte dos funcionários, eram monges, na verdade. Então sim, nós éramos obrigados à aprender sobre os ritos e tradições do Amatsukami...

—Amatsukami...? –Risa perguntou.

—Basicamente, o panteão dos deuses e deusas cultuados pelo Templo de Fogo...-Antes que Naruto respondesse, foi Akai quem se pronunciou. Ele olhou para Risa confuso- estou surpreso...normalmente as mães de Konoha contam esse tipo de coisas para os filhos. Nós até temos um monte de festivais na Vila em honra d´Eles...

—Bom...você esqueceu que a minha mãe não nasceu aqui...? A maioria dos deuses e histórias que conheço são da Nação do Trovão...

Uma sombra de compreensão atravessou o rosto de Akai.

—Bem...Akai-san está certo...-Naruto pigarreou, antes de continuar — Um dos contos mais famosos do Kojiki, é a descida do Izanagi-sama, o deus da criação, até ao yomi...que é o lugar onde, supostamente, os deuses e humanos vão depois de morrerem...-ele pausou, sentindo todos os olhares fixos em si- Basicamente, Izanagi-sama desceu até o Yomi para resgatar à sua esposa, a deusa da criação, Izanami-sama... que havia morrido após dar à luz ao seu último filho, o deus do fogo, Kagutsuchi. Ele era tão...quente, que acabou incinerando a... genitália da deusa da criação...

—Porém...quando Izanagi desceu ao Yomi, a sua esposa já havia provado a comida do submundo. Quando isso acontece, é impossível resgatar alguém do Yomi...-ele pausou- Izanagi-sama implorou tanto pela sua esposa, que no final, os Regentes do Yomi, os Quatro Deuses Onins, decidiram abrir uma exceção, se... Izanagi-sama superasse as tribulações propostas por eles...ele teria a sua esposa de volta...

E então eles começaram a entender. Akai afiou os olhos.

—Tribulações, você diz...?

Naruto assentiu.

—Eles fizeram Izanagi-sama passar por quatro tribulações, para ser mais exato. E cada uma delas, representava um dos Quatro deuses demônios...

Kabuto ajeitou os seus óculos.

—Pestilência. Guerra. Fome. Morte. –Eles olharam para ele surpreso- Digamos que...eu também cresci num orfanato...

Naruto, então finalmente entendeu a estranha sensação que tinha quando estava próximo de Kabuto. Ele aparentava não ser grande coisa às vezes mas...Naruto sempre sentia um arrepio estranho perto dele. Ele era...intrigante.

Risa estreitou os olhos.

—Então...eles se basearam nas tribulações descritas nesse... conto para elaborar esse exame...?!

—Uhum...-Kabuto continuou- Aparentemente, não é à toa que o torneio se chama Shiren Shôkan...As Tribulações da Redenção... –Ele pausou- A frase que apareceu no céu da floresta...Quando aquela névoa surgiu... Fazia menção da primeira Tribulação que Izanagi-sama teve que passar...Pestilência. Uma praga mortal. E a frase que vimos ontem à noite...sobre o Cavaleiro de vermelho...claramente era uma menção à Guerra...O Segundo arauto da Redenção...

Naruto assentiu, era exatamente a mesma coisa que ele tinha ouvido na infância. Foi difícil se lembrar daquilo, até porque...aquela foi a pior época da sua vida, então ele mantinha as suas memórias trancadas à sete chaves e nunca se atrevia a espiar. As coisas que ele havia passado...ele sentiu o seu corpo tremer involuntariamente, sua respiração acelerar e as suas mãos ficarem suadas. Ele cerrou a mandíbula e os seus olhos escureceram. Não, ele não queria lembrar.

—E...o que aconteceu depois...?- Akai perguntou- digo...ele conseguiu resgatá-la...?

Kabuto ajeitou os óculos, com um estranho brilho no olhar.

—Não. Não conseguiu.

***

Era perto do meio-dia, quando aquele grito soou novamente. Apesar do horário, não era possível ver o sol. O céu daquela cidade tinha um tom doentiamente cinza, que não desaparecia de jeito nenhum. Chocados, eles olharam para a frase que apareceu estampada no céu.

‟Por duas luas, e dois sóis

Pela marca da morte

Vós deveis, um ao outro ceifar

Até metade, com fôlego restar ˮ

Eles se sentaram, espalhados por aquele quarto, e se entreolharam nervosamente. Depois de cinco minutos de puro silêncio, Hinata não aguentou e foi a primeira à falar:

—Err...alguém aqui entendeu alguma coisa...?

Ninguém respondeu. Shikamaru estava com uma expressão concentrada, a mão entrelaçada com a de Ino, sobre o colchão. Ele parecia estar pensando. Ino, no entanto, apenas olhava para as nuvens, pela janela do quarto, parecendo completamente aérea à aquela conversa, e Sakura massageava o rosto, como se pensasse.

—Marca da morte...? –Sakura sussurrou- Marca da morte...?

E então Shikamaru finalmente abriu os olhos. Ele suspirou.

—Dois dias... Matar uns aos outros... Marca da morte...metade vive... –Ele depois arregalou os olhos, ele olhou para Sakura e Hinata- Na primeira tribulação...quantos morreram...?

Elas pensaram por um instante.

—Foram três dias...no primeiro morreram dezesseis...-Hinata falou...- No segundo...foram dez...e no último...

Sakura terminou.

—Foram dezoito mortos...

Shikamaru franziu o cenho.

—Então, ao todo, foram quarenta e quatro mortos. –Elas assentiram- Cento e sessenta e oito shinobis passaram pelo labirinto. Ou seja...restam cento e quarenta e quatro gennins...é um número...bastante elevado ainda...

—Ou seja...eles querem reduzir esse número pela metade, nessa tribulação...-Sakura falou, e Shikamaru assentiu- Em dois dias...e como eles pretendem fazer isso...?

—Simples...-Hinata sussurrou- Cada um de nós...deve matar um outro shinobi...embora eu não entenda o que seja essa marca da morte que devemos coletar...

—Marca da morte...? – Shikamaru enfim arregalou os olhos- Acho que entendi...

Ele se levantou de supetão, e começou a tirar o colete que usava. Ino finalmente pareceu voltar a realidade.

—O que você está fazendo...?

Ele a ignorou, e assim que terminou de se despir daquele colete, elas enfim entenderam. Havia uma marca negra no seu peito, bem em cima do coração. Era um selo, com o formato de uma mão esquelética negra, como se segurasse seu coração. Eles haviam sido marcados com aquilo pelos estilistas, logo no primeiro dia. Marca da morte.

—Vocês também foram marcadas, certo?!

—Sim..-Sakura disse, logo sorrindo de canto- Mas não espere que eu vá me despir...

Shikamaru corou, enquanto voltava a colocar o seu uniforme.

—Mas o que eu não entendo...-ele murmurou- é como vamos coletar essas marcas...?

—Não é óbvio...? – Hinata murmurou, com os olhos perolados adquirindo aquele tom escuro que fazia Shikamaru se arrepiar- Temos que...esfolar uns aos outros...

Eles arregalaram os olhos.

***

O sol estava quase se pondo. Tons leves de laranja irrompiam pelos céus, se mesclando com aquele cinza doentio. Era bonito até, se você fosse uma pessoa que gostasse daquele tom cinza-avermelhado no céu. Hinata não gostava.

—Tenham cuidado...

Hinata apenas revirou os olhos para a expressão preocupada de Shikamaru. Era só a décima vez que ele dizia aquilo. Ela e Sakura estavam na entrada daquele enorme edifício que servia de esconderijo para eles, e estavam prestes a partir.

—Não se preocupe –Sakura sorriu, daquele jeito que só ela conseguia – Pode não parecer mas...eu e essa baixinha formamos uma dupla...interessante...

Hinata olhou para ela indignada. Baixinha?! Ela só era cinco centímetros mais baixa que Sakura!

—Mesmo assim –Shikamaru voltou a falar, ele suspirou logo depois- Se eu pudesse eu iria com vocês, mas...

—Nós entendemos...

Hinata falou, olhando de soslaio para uma Ino encolhida ao lado de Shikamaru, parecendo estar com a mente à milhas dali. Ino simplesmente não estava com cabeça suficiente para sair e enfrentar uma possível situação de combate.

Hinata ainda se lembrava de como encontraram aqueles dois, há alguns dias atrás. Eles estavam cercados por shinobis de outra vila, e o pobre Nara fazia de tudo para enfrentar aqueles gennins, ao mesmo tempo que tinha que protegê-la. Ela não estava preparada para ir à campo...

—Cuide bem dela...por favor-Sakura falou, olhando suplicante para o Nara – Nós voltaremos assim que conseguirmos quatro...marcas...

Shikamaru apenas deu uma risada seca. Conseguir. Um completo eufemismo para assassinar.

—Não se preocupem –ele olhou para a garota loira grudada no seu ombro- ela é demasiado importante para mim...

As duas apenas assentiram. Antes de se virarem e voltarem a caminhar. Shikamaru apenas suspirou, olhando para as costas daquelas duas, antes de entrar novamente com Ino. Sem esquecer claro, de voltar a colocar as armadilhas na entrada daquele edifício.

Hinata e Sakura estavam há alguns metros do esconderijo, quando a perolada subitamente parou de caminhar. Sakura, com aquele arco firmemente preso entre os dedos, apenas olhou curiosa para a expressão fechada e tensa no rosto de Hinata.

—O que...aconteceu...?

Hinata não respondeu de imediato. Apenas ativou o seu doujutsu e olhou atentamente nos arredores, mas logo depois relaxou, desativando o byakugan. Ela suspirou.

—Nada...apenas tive a sensação de estar sendo observada por alguém...

Os olhos esmeraldas de Sakura se estreitaram.

—Tá tudo bem? Você quer que...a gente volte para o esconderijo?

Hinata balançou a cabeça.

—Não...não é necessário...deve ter sido só...paranoia...vamos continuar...

Sakura ainda olhava desconfiada para ela, mas apenas assentiu. Se ela dizia que estava tudo bem, é porque estava.

Elas voltaram a caminhar.

Em um beco escuro e sujo, bem entre dois enormes edifícios, um olho flutuante, feito inteiramente de areia as observava fixamente nas sombras. As observava enclausuradas dentro daquela bolha de segurança e tranquilidade.

Um dos piores defeitos que o ser humano tem, é o de sempre tomar as suas posses como garantidas. Quando possuímos algo, automaticamente nos fechamos dentro de um casulo de tranquilidade e segurança, e tomamos as coisas como sendo eternas. Como se nada de ruim fosse acontecer com elas. Nossas casas. Nossas famílias. Nossos amigos...nossos amores...enfim, sempre achamos que eles serão eternos.

Mas...nos esquecemos que, fora da nossa bolha, monstros existem. Monstros cruéis que nos fazem perceber, o quão ingénuos somos.

Sakura e Hinata estavam enclausuradas dentro de uma bolha. Sem conseguirem enxergar os monstros, à espreita, no escuro.

E os monstros eram reais.

Notas finais
É isso aí galera. Assim como a trilogia passada foi focada em Naruto e sua equipe, essa será focada no quarteto de Hinata, Sakura, Shikamaru e Ino. Não que o loro não vá aparecer é claro. E outra, vocês gostaram e entenderam a explicação das tribulações?? Quer dizer, espero que tenha ficado compreensível. E esse conto é real sim. Faz parte da mitologia japonesa (eu amo!), mas é claro que a parte dos cavaleiros eu fiz um crossover com a mitologia judaico-cristã! (Os cavaleiros do apocalipse). Prestem bastante atenção nos detalhes desse capítulo! Algumas coisas serão debruçadas depois. Como... O Orfanato. Isso será importante mais pr frente. Comentem o MÁXIMO possível. Para eu saber se esse arco tá compreensível ou Não. Abraços!!!