Gênesis
44 Chuunin Chiken – FOME - Hungerspiele.
Notas iniciais
‟Cinzas cobrem túmulos solitários
Onde você me deixou para morrerˮ
~X~
New Years Day — The Arsonist (O Incendiário).
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—Não! Eu não vou ficar.
Naruto teve que se controlar para não suspirar e, olhou o mais calmamente possível para os olhos esmeraldas de Sakura.
Era perto do meio dia, mas um sol infernal podia ser visto no alto. Os raios dourados, eram refletidos naquela terra árida e morta, aumentando absurdamente o calor que fazia, bem diferente do frio gélido que fazia durante à noite.
Naruto achava aquilo muito estranho. Naquela época do ano, em Konoha, fazia um frio absurdo. Mas ele logo se lembrou que, provavelmente, eles estavam manipulando o clima.
Mas enfim...ele, Hinata e Sakura, estavam do lado de fora do bunker, tendo uma discussão que já durava alguns longos minutos.
—Sakura...-Ele tornou a dizer, em um tom incrivelmente calmo- Você não pode ir conosco...desculpe.
Hinata, ao seu lado, assentiu, enquanto revirava os olhos.
—Naruto tem razão...nós não conseguiríamos lutar, não com você lá..
Sakura franziu as suas sobrancelhas róseas.
—Então, eu seria um peso? Você está me chamando de fraca, Hinata?
—Nossa...você tem uma autoestima incrivelmente baixa, hein? Claro que não –Ela franziu as sobrancelhas, mas logo depois suspirou- O que eu estou dizendo é...se você for conosco...como ficarão Ino e Shikamaru? Ele ainda está debilitado, e a Ino...bem, só para ela largar você é um desafio. Imagina lutar... além de que, eu não acho que ela conseguiria ficar com sozinha com um garoto...
A expressão no rosto da rosada suavizou.
—Mas...mesmo assim, nós podemos colocar algumas armadilhas à volta do bunker e...
Naruto balançou a cabeça.
—Pelo que eu me lembro...naquela vez vocês também haviam colocado armadilhas, e nós bem sabemos o que...aconteceu...-Ele suspirou- É como a Hinata disse, nós não conseguiríamos lutar, sabendo que eles estão aqui sozinhos. Por isso, você deve ficar aqui e protegê-los. Por favor, Sakura...
Ela soltou um longo suspiro, parecendo resignada.
—Tudo bem...-os seus lábios se arquearam em um pequeno sorriso, mas os seus olhos estavam estranhamente humedecidos- Só...voltem vivos, por favor...
Hinata retribuiu o sorriso, antes de se aproximar da rosada e envolvê-la em um abraço.
—Nós voltaremos...-ela permaneceu com os braços ao redor do seu corpo, Sakura retribuiu- Cuide bem deles, girafa...
Quando se afastaram, Sakura não pode evitar rir da piada de Hinata.
—Cuido sim, mini-pessoa...
Sakura voltou sua atenção para Naruto. Pela primeira vez desde que aquele exame havia começado, ela analisou realmente a sua expressão. Ele, aparentemente, estava calmo e sereno, como sempre. Os seus longos cabelos loiros, brilhavam como ouro, refletindo os raios solares. Mas...os seus olhos, estavam diferentes. Opacos e vazios. Como duas poças negras sem fundo.
Ele pareceu reparar o seu olhar e, forjou um sorriso. Mas Sakura, não era burra. Aquele sorriso foi o mais triste que ela já havia visto em sua vida. Sem alma. Sem emoções. Um simples arquear dos lábios. Como se ele simplesmente estivesse cansado de existir.
Naruto se aproximou de si, e Sakura sentiu os seus pensamentos sendo cobertos por névoa e os seus pelos se eriçarem quando ele pegou no seu braço e, concentrou chakra na sua pele branca e lisa. Alguns segundos depois, um selo negro apareceu no local.
Naruto estava perto, perigosamente perto de si. Ela levantou o olhar, Naruto era bem mais alto do que ela, então, era um esforço olhá-lo nos olhos à aquela proximidade. Ela viu os lábios dele se movendo:
—Se...algo acontecer...concentre chakra nesse selo. Eu virei imediatamente, ouviu?
Ela apenas assentiu, ainda entorpecida pelo aroma de Naruto. Canela e limão.
Os dedos de Naruto se soltaram do seu braço. Ele se virou para Hinata, que olhava para ela com as sobrancelhas franzidas.
—Vamos, Hinata...
Hinata logo suavizou a sua expressão e sorriu, antes de começar a caminhar ao lado do loiro.
Sakura apenas suspirou, enquanto os via desaparecendo lentamente no horizonte.
XXX
Naruto passou o seu braço na sua testa, tentando conter as gotas de suor que escorriam pela sua pele. Estava quente, absurdamente quente. A terra árida estava com um tom incrivelmente dourado, como se refletisse aqueles raios solares intensos.
Ele suspirou. Aquele sol, além de fazê-lo desidratar ainda mais, só piorava a sua costumeira dor de cabeça e náuseas. Haviam poucos minutos que eles haviam saído do bunker, e ele já não estava aguentando o calor.
—Hinata...vamos parar um pouco...
Os seus olhos perolados o avaliaram intensamente, mas ela logo assentiu. À sua direita, tinha um tronco caído embaixo de uma árvore ressecada, eles sentaram um pouco.
—Tá tudo bem com você?
Naruto assentiu. Hinata abriu a mochila nas suas costas, e estendeu um cantil de água para Naruto. Ele agradeceu com os olhos, e bebeu às últimas gotas de água daquele cantil.
—Não se preocupe, só estava um pouco desidratado –Mesmo que fosse incrivelmente difícil para ele, ele forjou um sorriso, mas era óbvio que ela não tinha acreditado – Hinata...sobre aquilo de ontem...quando você...bem, você entendeu. –Ele suspirou- você...está bem...?
Ela apenas assentiu, com uma expressão indecifrável no rosto.
—Eu...estranhamente, estou bem...
—Bom...obrigado...-ela olhou para ele confusa, Naruto suspirou- Por ontem. Quando você...bem você entendeu. Se eu fizesse aquilo...eu não acho que eu conseguiria olhá-los nos olhos...na verdade, eu sequer seria capaz de me levantar hoje...então, obrigado...
Hinata apenas suspirou. Se havia uma coisa que ela havia aprendido era: Uzumaki Naruto nunca falava sobre os seus sentimentos. Nunca mesmo. Então, aquilo era um sinal que ele estava realmente...
Ela forjou um sorriso.
—É para isso que os amigos servem, e também –Ela deu uma pequena cotovelada no loiro, antes de piscar o olho – Eu sempre tive o desejo de provar um churrasco da Vila da Névoa...
Naruto olhou para ela por um longo minuto, incrédulo.
Naruto sabia que, provavelmente ele iria no inferno por aquilo, mas mesmo assim foi impossível não sorrir, e pela primeira vez em muito tempo, foi um sorriso genuíno. Hinata era...incrível, na falta de uma palavra melhor. Sempre com aquele senso de humor particularmente mórbido.
Ele se levantou e, estendeu a mão para ela.
—Essa piada foi muito ruim...-Hinata apenas sorriu de canto, enquanto aceitava a sua mão e se levantava. — Obrigado... por me lembrar do seu terrível senso de humor...
Ela mostrou a língua para ele, antes de começar a caminhar.
—Isso me lembra...-ela murmurou- Para onde estamos indo, exatamente...? Quer dizer...eles não especificaram o local do banquete...
—Eu sei...olhe para ali –Uma característica peculiar daquela arena era que, além do solo estéril e árido, era a existência de uma grande cadeia de montanhas nos arredores. Naruto apontou para uma pequena montanha que havia há algumas centenas de metros de donde ele estavam- É para lá que vamos. Ainda faltam meia hora para o meio-dia. E, seja lá onde for que seja o banquete, se nós estivermos em uma posição alta...conseguiremos ver o local...
—Entendo...
Foi tudo o que Hinata disse, antes de eles caírem em um silêncio sepulcral. Eles levaram um par de minutos para chegarem até à montanha, e conseguir escalá-la. Uma vez no topo, eles perceberam algo.
O ar era...estranhamente gélido, apesar do sol que fazia, e de não estarem muito alto. Eles se sentaram em uma pedra, em silêncio, antes de Hinata ativar o seu doujutsu.
Naruto, ao seu lado, franziu o cenho ao notar a sua expressão incrivelmente tensa e concentrada.
Uma brisa gélida balançava os seus curtos fios negros, evidenciando a sua pele pálida e as veias que pulsavam ao redor dos seus olhos. Naruto estalou a língua com aquela visão, ele sentiu todo seu bom-humor indo embora.
Shinobis eram, confusos. Em uma hora, estavam contando piadas incrivelmente ruins, e noutro momento, estavam com uma concentração assustadora. Pelos eriçados, músculos tensionados, pupilas dilatadas...exatamente como...predadores à espera de um animal indefeso para cravar as suas presas. Aquela expressão no rosto de Hinata...era a de um assassino. Lá estava Hinata fazendo aquilo de novo.
Ela pareceu ter percebido a sua mudança de humor.
—O que foi?
—Nada demais...só...-ele pareceu pensar por um instante, mas logo balançou a cabeça- Nada mesmo...
Ele suspirou, logo se lembrando da sua bijuu. Ele precisava confirmar uma coisa:
‟Kyuubi...-ele ouviu um som semelhante à um suspiro ecoar na escura cela, aquela era a forma dela dizer que estava o escutando- Eu...não sei se estou em condições de lutar...pelo menos não se acharmos alguém forte...
—Bom...você está certo...eu ainda não consegui curar você completamente...você ainda sente o seu corpo enfraquecido, não? –Naruto assentiu- A sua velocidade, reflexos, precisão, resistência...enfim, seus atributos físicos estão abaixo do normal, se fosse para colocar em números...eu diria uns 40%... mas o seu chakra está quase à metade do normal...eu não recomendo você se esforçar muito fisicamente...
Naruto suspirou. Maldita Muramasa.
—Então...eu terei que me focar no ninjutsu, certo? –A raposa assentiu. Pessoalmente, Naruto odiava aquele tipo de combate- Entendo...ˮ
Naruto abriu os olhos quando sentiu alguém o cutucando. Ele deu de caras com os olhos incrivelmente perolados de Hinata o fitando. Antes que, ele sequer perguntasse algo, ela apontou para o céu.
Os olhos de Naruto se arregalaram, ao ver duas gigantescas caixas metálicas acopladas à paraquedas caindo.
Eles se entreolharam, antes de começarem a correr atrás da que estava caindo mais próximo deles.
Enquanto percorriam aquela terra árida, em uma velocidade extrema, eles perceberam algo: Quanto mais se aproximavam, mas aquela caixa metálica parecia se afastar, sendo arrastada pelo vento.
Foi depois de dez minutos que eles finalmente a viram caindo. Ela provocou um som abafado e pesado, semelhante à uma explosão, quando pousou no cume de uma montanha.
—Naruto...
—Eu sei...tem um monte deles se aproximando...
Naruto e Hinata apertaram o passo, quando começaram a sentir diversos chakras se aproximando do local.
Concentrando chakra nas solas dos pés, eles subiram rapidamente pela superfície íngreme e acidentada daquela montanha. E, quanto mais próximo do cume chegavam, mais chakras eles sentiam.
Até que, finalmente, ficaram conseguiram visualizar aquilo. A caixa era enorme e inteiramente de metal. Era inteiramente lisa, sem qualquer forma de abrir externamente, aparentemente. Eles olharam para o sol, faltavam cinco minutos...
Enquanto o tempo passava, mais shinobis começaram a chegar, até aquele cume ficar abarrotado de gennins.
Ninguém se movia, ou atacavam um ao outro. Simplesmente ficavam se encarando afiadamente, com as mãos à centímetros dos coldres de kunais, apenas esperando alguém fazer o primeiro movimento de ataque, para começarem a se matar.
A tensão era tão pesada, que era quase palpável.
Todos eles, estavam espalhados em forma de círculo à uns quinze metros daquela caixa metálica. Ninguém ali era tolo. Todos eram sobreviventes de duas Tribulações mortais. Eles sabiam que, provavelmente, a terra ao redor estava armadilhada...
Lentamente, a face frontal daquela caixa metálica começou a se mover para cima, até se abrir totalmente. Aquela caixa metálica...estava abarrotada de marmitas perfeitamente enfileiradas. Tinha tantos diferentes pratos que era difícil saber. Haviam cantis de águas...tijelas de caldos instantâneos... Saquetas de chás... Mochilas que, provavelmente continham mais comidas ou armamentos...
E, o pior, era o cheiro. Logo que aquilo abriu, uma nuvem de vapor com um aroma extremamente delicioso se espalhou pelo lugar. Naruto sentiu o seu estômago se encolhendo. Foi aí que ele percebeu que estava esfomeado. Ele sentiu a sua boca salivar, sua pupila dilatar e os seus batimentos acelerarem só de antecipação, mas ele se controlou...
Infelizmente, nem todos possuíam tanto autocontrole. Um pobre infeliz, teve o azar de tentar se aproximar antes que tocasse o meio dia. Ele não deu mais do que cinco passos, antes de confirmar algo que todo mundo já sabia: Tinham armadilhas ali.
Ele pisou em um gatilho que acionou uma armadilha nada agradável, que envolvia fios de aço. O resultado? Ele foi completamente fatiado.
Todo mundo suou frio.
Quando eram exatamente meio-dia, aquele grito ensurdecedor voltou a soar. Ninguém se moveu. Todos sentiam os seus músculos congelados.
Naruto e Hinata se entreolharam. Não era preciso dizer nada. Eles sabiam.
Eles se moveram, correndo em uma velocidade absurda em direção à caixa.
Foi aí que todo mundo saiu do transe. Alguns começaram a jogar jutsus e kunais em sua direção, mas, com um simples selo de mão, um forte vendaval se ergueu ao seu redor, afastando todos os ataques.
Fuuton- Repushou.
Eles começaram a se mover.
Naruto e Hinata foram os primeiros a pisarem dentro daquela caixa metálica. Eles ficaram hesitantes por um segundo, sentindo toda aquela adrenalina do momento passando, enquanto olhavam rapidamente o que levar.
Eles logo saíram do transe. Hinata pegou uma das mochilas que estavam no chão, e ficou enchendo com um monte de marmitas e cantis.
Já Naruto, tirou a sua própria mochila das costas, a enchendo de tudo que podia.
Naruto percebeu que eles haviam ficado tempo demais, quando sentiu um chakra atrás de si. Em uma fração de segundos, Hinata havia acertado uma kunai no pescoço do garoto da cachoeira e ele ficou se engasgando com o próprio sangue no chão.
Naruto sorriu para ela, ela retribuiu.
Quando eles estavam fazendo o caminho de volta, perceberam que aquele cume tinha virado um campo de guerra.
Kunais e shurikens eram lançadas de um lado para o outro. Jutsus mortais eram executados a todo instante. Sons de espadas se cruzando. Um monte de cadáveres jaziam no chão. E, o pior, o cheiro de sangue que havia permeando o ar.
Alguns pobres infelizes apareciam diante deles, tentando impedi-los, mas logo caíam mortos. Ou por alguma kunai enfiada no pescoço por Hinata, ou por algum jutsu fatiador de Fuuton de Naruto.
Quando eles, enfim, estavam longe daquela zona de guerra, eles não deixaram de notar seis chakras os seguindo. Eles correram por alguns minutos, até desceram aquela maldita montanha e, enfim, pararam de correr.
Naruto e Hinata se entreolharam, quando os viram surgindo nos seus campos de visão. Aqueles uniformes castanho-claro, como a areia de um deserto escaldante, era sem dúvida alguma...Suna.
A expressão de Hinata escureceu, ao reconhecer pelo menos três deles. Sabaku no Gaara, Sabaku no Kankurou, e...A garota do Shakuton, Matsuri. Bem como três outros shinobis.
Naruto e Hinata...estavam cercados, aparentemente. Só aparentemente mesmo.
Eles continuaram se encarando por alguns segundos, sendo separados por meros metros de terra árida e um vento seco, que só levantava uma poeira desagradável.
Kankurou, foi o primeiro a abrir a boca. Ele deu um passo adiante, com uma expressão insana no seu rosto deformado, que era digna de um prémio. Naruto franziu o cenho. Aquilo era resultado da sua joelhada?
—Ora, ora...-Kankurou tinha os lábios arqueados em um sorriso insano- Que surpresa mais agradável...
Os outros três shinobis desconhecidos logo sorriram com ele. Naruto nem se preocupou em olhar para eles. Eram incrivelmente desinteressantes. Meros figurantes, provavelmente.
Naruto apenas virou o rosto para Hinata.
—Tenho duas coisas para te falar...-ela assentiu, mostrando que estava prestando atenção- Eu...não estou exatamente em forma, estou com menos de metade da minha força física, então...eu não vou me segurar...segundo...-Hinata achava que os olhos deles já estavam escuros, mas como se fosse possível, ficaram ainda mais negros- Qual deles...qual deles...fez aquilo com Ino...?
Hinata levou alguns segundos para falar. Ela ainda estava arrepiada por aquele olhar.
—Bom...pelo que a Sakura me disse...-Hinata apontou o seu indicador para o rosto psicopata de Kankurou- Foi ele...o garoto com cara-de-cú...
Um segundo. Um segundo, apenas isso, e Naruto estava diante de Kankurou. Os joelhos dobrados e a mão no cabo da Muramasa.
Kankurou arregalou os olhos ao ver a expressão no rosto dele. Ele ia ser morto, definitivamente. Ele conseguiu ver o momento em que Naruto sacou a sua katana, e o seu fio se movendo com uma lentidão torturante para o seu pescoço, mas ele sabia que, o seu corpo nunca reagiria à aquela velocidade.
Quando a katana estava à centímetros da pele da sua garganta, uma parede de areia se ergueu diante do seu corpo. Naruto se afastou com um grande salto, e Kankurou suspirou de alívio.
—Preste mais atenção...ou você vai morrer...Aniki...
Kankurou apenas sorriu da mesma forma doentia.
—Naah, o meu querido Otouto vai me proteger...
Gaara apenas suspirou.
Naruto apareceu novamente ao lado de Hinata. Ele embainhou novamente a sua katana, provocando um som estalado parecido com um click.
—Tal como eu previa...-ele suspirou- o garoto ruivo será um problema...
—Eu sei...-Hinata sussurrou, mas depois olhou para ele irritada- Você mentiu para mim. Você disse que a sua velocidade estava abaixo da metade...
Naruto sorriu de canto.
—Isso foi abaixo da metade...-Hinata arregalou os olhos- Enfim...vamos fazer aquilo...
Vendo os selos que Naruto estava executando, Hinata nem precisou perguntar. Ela começou a mover as suas mãos. Eles terminaram ao mesmo tempo.
Fuuton – Fujin.
Katon – Zukoku.
Inflando o peito, Hinata expeliu uma gigantesca rajada de fogo, que se fundiu com um jato de vento negro expelido por Naruto. Ao entrarem em contato, formaram uma onda de chamas gigantescas que engoliu toda aquela área.
Naruto sentiu a sua pele suar. Aquelas chamas estavam tão quentes, que a areia no chão ao longo do caminho, começou a cristalizar pela temperatura extremamente alta.
Depois de dez segundos, eles foram reduzindo a dimensão do jutsu, até finalmente o desfazerem, e o que eles viram, fez eles franzirem as sobrancelhas.
Havia uma estranha estrutura esférica de cristal de um tom castanho que lembrava o caramelo, envolvendo os gennins de Suna. Bom, pelo menos a maioria. Havia outros dois shinobis que eram um monte de ossos carbonizados. Eles foram tão derretidos, que os seus ossos estavam em um tom incrivelmente negro, como carvão. E havia aquele cheiro enjoativo no ar. Cheiro de carne humana queimada.
Eles viram aquela esfera de cristal ruindo lentamente, como um castelo de vidro se quebrando. Quando todos os cacos caíram no chão, Naruto e Hinata viram que eles agora eram apenas quatro.
Gaara olhou para Kankurou, com os seus olhos verdes incrivelmente sem vida.
—Aniki...esses dois... são muito fortes juntos...-Olhando para o quanto aquela terra árida ao redor havia sido cristalizada por um único jutsu, Kankurou não teve escolhas a não ser concordar- Vamos separá-los...eu posso cuidar do garoto Uzumaki... você e Matsuri dão um jeito na garota Hyuuga...
Kankurou olhou para ele, os olhos faiscando de irritação.
—O que você está dizendo?! Matsuri pode cuidar dela sozinha. Eu e você vamos...
—Errado. Esse garoto...ele é como eu—Kankurou arregalou os olhos, percebendo no que ele estava se referindo- Mas, ainda assim...ele tem esse olhar. Esse olhar determinado e, eu, simplesmente não consigo suportar. –Os seus lábios se esticaram em um sorriso insano- Eu quero tanto matá-lo...que as minhas mãos estão tremendo...
Kankurou não conseguiu evitar sorrir com aquiilo.
—Tudo bem, otouto...vingue o seu aniki...-Gaara assentiu. Kankurou se voltou para Matsuri, colocando o seu braço ao redor do ombro dela, ele sorriu, meio galanteador- Matsu-chan...vamos quebrar a garota Hyuuga...
Matsuri afastou o braço de Kankurou com um tapa, e apenas assentiu, com a sua costumeira expressão vazia e sem graça.
—Naruto...-Ele moveu os seus olhos em sua direção, Hinata continuou- Eles já devem ter percebido que nós dois juntos somos fortes demais, então, provavelmente...
—Eu sei...-Naruto sussurrou- Foi exatamente por isso que fizemos esse jutsu. Matar os outros vai ser complicado enquanto o garoto ruivo estiver aqui... eu vou levá-lo para longe...você cuida dos outros três...dois na verdade, o outro é um cadáver que está sendo manipulado pelo cara-de-cú... -Hinata abafou uma risada. Provavelmente por ele estar usando aquele apelido idiota- E...Hinata...mate ele. De uma forma incrivelmente dolorosa, se possível...
As pupilas de Hinata se dilataram, quando veias pulsaram ao redor dos seus olhos. Ela estava com uma expressão grossa e profunda que Naruto nunca imaginou ver no rosto dela. Ela ficaria bem.
No instante seguinte, Naruto apareceu diante de Gaara e, ‟acidentalmenteˮ, a areia de Gaara se envolveu em torno do seu tornozelo e, foi, de novo, ‟acidentalmenteˮ arremessado para o lado oposto daquele campo árido extenso.
Gaara manipulou a areia aos seus pés, assumindo a forma de uma nuvem de areia, e desapareceu das suas vistas, flutuando atrás do loiro.
Hinata afiou os seus olhos para os dois shinobis diante de si. Ela abaixou ligeiramente o quadril, abriu ligeiramente as pernas, e colocou uma mão à frente do corpo. Aquela era a postura ideal de ataque e defesa dos Hyuuga.
Ela inspirou aquele ar seco profundamente, sentindo uma calma assustadora percorrendo o seu corpo, enquanto encarava aqueles dois oponentes diante de si.
Eles fizeram o primeiro movimento.
***
Quando Gaara chegou no local onde havia arremessado, violentamente, o Uzumaki, ele o viu se levantando de um monte de areia. O loiro estava espalmando a sua mão no seu uniforme verde, retirando o excesso de terra e sujidade.
Quando o viu, ele estalou o seu pescoço e afiou o seu olhar em sua direção.
Gaara sempre achou o próprio olhar como sendo frio e vazio, mas...os olhos daquele garoto...tinham um brilho louco, quase insano naqueles orbes azuis-escurecidos.
O ruivo não evitou sorrir. Aquilo seria...divertido...
Naruto colocou a mão no cabo da Muramasa. Ele quase suspirou de alívio ao não sentir o típico de impulso elétrico percorrer o seu corpo, como quando ela tentava assumir a sua consciência. Mas...aquela intenção assassina que permeava o seu corpo, como chamas consumindo um camundongo, e o fazia sentir os seus pelos se arrepiando...definitivamente era...dela.
Porém, ele tinha selado a sua consciência em uma escura cela. E, além do mais, Naruto estava calmo, assustadoramente calmo. Nem em mil anos ela conseguiria assumir o seu corpo. A katana em suas mãos, não passava agora de um mero instrumento metálico. Sem alma, sem consciência, e sem qualquer sede de sangue.
Claro que, aquilo significava que ele não poderia usufruir de nenhum aumento de habilidades advindos da Muramasa. Mas ele não se importava. Ela, agora, era só uma mera ferramenta nas suas mãos. Como deveria ter sido, desde o início.
Akai provavelmente ainda estaria...ele imediatamente se lembrou da imagem do garoto ensanguentando no meio do chão pavimentado daquela cidade doentia. Os olhos verdes de Akai completamente opacos e sem vida, os olhos frios de Kabuto e o choro insano de Risa...
Ele sentiu a sua mão tremendo com esses pensamentos. Naruto inspirou, profundamente, o ar. Procurando acalmar os seus batimentos. Ele não podia pensar em nada. Não podia sentir nada.
Imediatamente, ele se sentiu vazio de novo. Ele era um nada.
Naruto interrompeu os seus pensamentos quando viu uma enorme onda de areia vindo em sua direção, tentando soterrá-lo.
Em um rápido movimento, que provocou um som arranhado semelhante à garras roçando metal, Naruto sacou a sua katana, logo se colocando em posição.
Aquela Katana...seria impossível usar o estilo de kenjutsu da Raijin com aquela katana, uma vez que eram focados em ataques potentes e velozes de Raiton. E, além disso, a natureza da Muramasa era...
Mas Naruto sabia que estilo usar. Concentrando chakra fuuton na muramasa, uma fina camada esbranquiçada revestiu o seu fio.
Itto-ryuu- Ichi no Katachi — Hangetsu. (Primeira forma – Meia-lua).
Com um simples balançar da sua katana, uma lâmina de vento em forma de meia lua, separou aquela onda de areia ao meio.
Concentrando chakra nas solas, Naruto atravessou aquela abertura, aparecendo diante do garoto de Suna. Ele movimentou a Muramasa, disparando duas lâminas cruzadas.
A areia ao redor do ruivo se levantou, e o defendeu. E, com um gesto de sua mão, um longo braço de areia foi em direção à Naruto.
Naruto desapareceu em um shunshin, surgindo nas suas costas. Balançando a sua katana, um novo ataque foi desferido. Ele defendeu novamente.
Naruto se movia o mais rápido que podia no momento. Aparecendo atrás, à frente, à direita...à esquerda...em cima...em baixo... mas ele logo percebeu que, sua velocidade atual não era maior que a da areia dele.
Gaara simplesmente estava parado, no meio de uma nuvem de areia flutuante, e ele estava usando toda a areia ao redor –que não era pouca, uma vez que eles estavam em uma terra árida- para se defender automaticamente dos ataques potentes de vento.
Naruto sentiu a sua cabeça começar a doer, depois de alguns minutos. Ele estalou a língua. Se ele estivesse cem por cento...
Naruto se afastou com um salto, logo fincando a katana no solo, ele executou alguns selos de mão.
Ninpou Suiton – Kirisame. (Arte Ninja do Elemento Água – Chuva de Névoa.)
Lentamente, nuvens grossas e escuras surgiram no céu claro e ensolarado daquele lugar. Cobrindo completamente o céu com um tom doentiamente cinza.
Por um motivo estranho, Gaara sentiu um arrepio percorrer a sua nuca. Ele franziu o cenho. Aquilo era...
Timidamente, uma gota caiu na sua pele, e depois mais outra...e mais outra. Até começar uma fina garoa, que logo foi substituída por uma grossa chuva. Com direito à trovões crepitando no céu.
Gaara viu Naruto arrancando a katana do solo. O uniforme dele estava completamente encharcado, grudando no seu corpo. Ele estava com o rosto completamente abaixado. Os fios longos e loiros estavam grudados na face, escondendo a sua expressão.
—Francamente...-Gaara ouviu o garoto murmurar- Ninjutsu...não tem a menor graça...
Ele começou a caminhar em sua direção, dando passos lentos, que se sobrepujavam ao som das gotas pesadas caindo no solo. Imediatamente o cheiro de terra molhada pela chuva invadiu as suas narinas.
E, então, Gaara entendeu.
Olhando ao redor, Gaara viu toda a areia ao redor daquela terra ensopada de água. Ele tentou mover a areia, e sentiu os seus olhos arregalando. Estava incrivelmente lenta e pesada.
—Sim...-Ele ouviu o garoto loiro sussurrar, ele continuava caminhando lentamente na sua direção. O seu quadril se movia de uma forma suave e graciosa, a sua katana, estava firmemente presa na sua mão direita, e estava apontada para baixo, riscando a terra molhada. Daquela forma...ele lembrava uma raposa, caminhando lentamente em direção à uma presa ferida e indefesa. – Não adianta tentar mover. Essas gotas de chuva...elas desfazem qualquer ligação de chakra nas superfícies em que tocam, ou seja...ninjutsu é mais do que inútil contra mim, é um peso, até. E...-ele parou por um instante- Aposto que você não é muito bom em combate físico...
Gaara, sentindo o seu uniforme completamente frio e encharcado, apenas suou frio.
—Adeus...garoto de Suna...
No minuto seguinte, ele desapareceu dos seus olhos. Gaara tentou, realmente tentou mover a sua areia, mas ela estava incrivelmente pesada.
Ele sentiu o pé dele se afundando no seu queixo e o mandando para o alto, onde ele o aguardava com a katana ao lado do corpo.
Gaara logo sentiu que ia morrer.
Itto-Ryu- Yon no Katachi – Tsukiakari no shita de touboe (Quarta forma- Uivos ao luar.)
Em um milésimo de segundo, Naruto realizou quatro movimentos com a sua katana, o mandando violentamente para o solo.
O corpo de Gaara abriu uma enorme cratera ao cair no solo.
Centenas de finos cortes poderiam ser visto na sua pele pálida, dos quais escorriam filetes de sangue. Mas...ainda assim, ele estava vivo.
Vendo a pele dele rachando, como se fosse feita de vidro, Naruto entendeu.
Todo aquele tempo, o corpo dele estava revestido por uma fina camada de areia, que agia como uma segunda pele.
Naruto o viu levantando lentamente, ele estava com um olhar insano no rosto. Gaara parecia bastante chocado.
—Eu...estou sangrando? –Ele tinha os olhos verdes completamente arregalados, e tremia compulsivamente, como uma criança sem manta em uma noite fria — Eu...estou sangrando...
Naruto continuou o olhando da mesma forma vazia. Ele estalou a língua. Estava na hora de terminar aquilo...
Mas, para sua surpresa, Gaara emitiu um grito simplesmente ensurdecedor, o chakra dele explodiu, em forma de uma violenta onda. Naruto sentiu os seus pelos se eriçarem. Aquela sensação que Gaara emitia de todos os poros...era intenção assassina, definitivamente.
Era simplesmente gigantesca. Como se uma voz de repente ficasse sussurrando no seu ouvido: Fuja...fuja, ou vou matar você.
Mas Naruto não escutou a voz.
Os olhos de Gaara mudaram de formato, sendo completamente engolidos pela escuridão e, as suas pupilas, estavam brilhando amareladas. O lado direito do seu corpo ficou completamente revestido por um longo braço monstruoso de areia.
Naruto afiou os olhos. Aquilo era...Ele então entendeu. Ele tinha uma estranha sensação quando encarava Gaara...e agora ele entendia o porquê. Ele também era...um jinchuuriki.
A expressão de Naruto escureceu ainda mais. Ele ainda estava em fase incial, mas seria um grande problema tanto para ele, quanto para os seus companheiros, se aquele monstro atingisse a forma completa da sua bijuu. Aquele... era mais um motivo para matá-lo logo. Ele poderia ser um problema mais tarde.
Com isso em mente, Naruto inspirou o ar profundamente, sentindo as suas narinas sendo invadidas pelo cheiro de terra molhada pela chuva. Ele colocou a Muramasa ao longo do corpo, e adotou a postura do ataque mais poderoso daquele estilo.
Quando Gaara se lançou em sua direção, com os olhos completamente raivosos e insanos, Naruto o cortou.
Ele sentiu o próprio corpo se tornando nada mais do que uma pequena folha, sendo arrastada por uma brisa gélida.
Itto-ryuu- Dai Hachi no Katachi – Mangetsu (Oitava Forma- Lua cheia.)
Naruto sentiu toda a suavidade do movimento realizado, enquanto o corpo de Gaara caía pesadamente no chão, completamente ensanguentado.
Ele balançou à katana ao ar, retirando todas as gotas de sangue no seu fio, com um simples movimento. As gotas gélidas da chuva caíam sobre a lâmina, deslizando por toda a sua extensão, e a livrando do cheiro de sangue que não saía nunca. Com um movimento rápido, Naruto embainhou lentamente a Muramasa.
Naruto suspirou, sentindo os seus músculos rangerem de dor pelo esforço do movimento realizado. Ele desviou o seu olhar para o ruivo.
Gaara estava estirado no chão, rodeado por uma poça do próprio sangue, mesclado às frias gotas de água que caíam do céu. Sua pele, incrivelmente pálida, como um cadáver que há anos não via o sol, estava completamente manchada pelo líquido quente e escarlate e, havia, sobretudo aquele cheiro pesado no ar, que se sobrepunha ao cheiro de chuva.
Sangue. O cheiro metálico do sangue.
Os seus olhos estavam abertos, completamente arregalados, e o seu peito subia e descia lentamente. Ele, ainda estava vivo, apesar de que...com aqueles ferimentos, ele não duraria muito.
Naruto, ainda de costas para ele, apenas murmurou:
—Eu avisei vocês. –A sua voz soava calma, mas poderosa como um trovão- Naquele dia...eu avisei vocês. E, eu sempre cumpro o que digo...
Gaara ainda tinha os olhos abertos em choque.
—Me mate...só...coloque um fim nessa minha existência sem sentido...
Naruto se virou em sua direção. Era uma visão bastante deprimente.
—Como quiser...
Naruto colocou a sua mão no cabo da sua katana. Ele estava prestes a dar o golpe final, quando sentiu aquela pontada de dor no seu braço. O seu braço estava aquecendo. Ele olhou para o seu antebraço e viu o selo que estava na sua pele brilhando em um tom escarlate.
Naruto arregalou os olhos.
Aquilo só podia significar uma coisa. Sakura, Ino e Shikamaru...estavam em perigo.
Não, não, não, de novo não.
Naruto sentiu o seu coração acelerando, só de lembrar da imagem de Ino...jogada no canto daquele quarto, e o cheiro enjoativo no ar. Não, de novo não. Até quando...até quando eles iriam...
Ele dispensou um último olhar para Gaara, completamente estirado no chão, antes de afastar a mão de sua katana e começar a correr até o local onde Hinata estava.
Gaara arregalou os olhos. Sentindo as gotas gélidas parando de cair, e o céu ensolarado voltar a ocupar o horizonte. A sua existência sem sentindo...havia sobrevivido mais um dia.
***
Hinata sentia o seu coração batendo acelerado. Uma fina camada de suor escorria pela sua pele, se misturando com o cinza da fuligem que enchia aquela terra árida e o cheiro de queimado que havia no ar.
Aquela área, refletia a insanidade daquele combate. As poucas árvores ressecadas no local estavam completamente carbonizadas. Umas pelas esferas de shakuton de Matsuri, e outras pelos jutsus katon que escapam dos lábios de Hinata.
Os seus olhos, ostentando orgulhosamente a linhagem sanguínea dos Hyuuga, estavam extremamente dilatados e atentos à qualquer movimento brusco, os seus músculos, completamente tensionados, estavam prontos a se moverem ao menor sinal de ataque. O seu cérebro, trabalhava à completo vapor, mentalizando diversas possibilidades, cada uma mais assustadora do que a outra, ao mesmo tempo que tentava achar as mais diversas soluções.
O enorme miasma de intenção assassina que permeava aquele local, deixava os seus sentidos extremamente afiados.
Subitamente, os seus olhos captaram o exato instante em que o corpo esguio e flexível de Matsuri se moveu em sua direção.
Movimentando o seu antebraço, Hinata, habilmente, desviou o punho de Matsuri que almejava acertar o seu rosto. Em uma fração de segundos, sua palma aberta foi em direção ao coração de Matsuri, mas ela parou, há centímetros do local, quando viu uma esfera de puro calor surgir no meio.
Hinata estalou a língua, enquanto Matsuri esboçava um sorriso enorme.
Hinata sentiu os seus pelos se eriçarem, ao ver um vulto vindo em direção às suas costas, tentando um ataque surpresa.
Ela firmou os seus pés no chão, logo girando o seu corpo, e exalando chakra dos seus poros.
Hakkeshou kaiten.
Uma gigantesca esfera de chakra arremessou, violentamente, Matsuri há umas centenas de metro. Hinata franziu o cenho para o garoto há uns metros de si, sorrindo de forma insana.
Kankurou.
Ela sentiu a sua mão tremendo, queria tanto matá-lo...
—Hmm...sabe...-Kankurou começou a falar- Esses seus olhos...você me lembra alguém...-Ele logo colocou a mão no queixo, e fingiu pensar- Ah, é mesmo...há umas semanas atrás...eu encontrei uma garotinha Hyuuga...
O olhar de Hinata escureceu ao ouvi-lo falando de Hanabi. Ele continuou.
—Ela tinha esse mesmo olhar...enquanto as minhas mãos esmagavam o seu frágil pescoço...-ele sorriu de uma forma doentia- Você tinha que vê-la...se debatendo nos meus braços, por uma lufada de ar...como uma cadelinha indefesa...foi tão prazeroso...que eu quase gozei... não, espera aí...eu gozei sim...mas naquela cadelinha loirinha...-ele colocou as mãos na boca, abafando o riso- ela implorava tanto para eu parar...ela chorou até...enquanto o idiota do namorado dela só chorava...-O seu rosto deformado mudou para uma expressão profundamente irritada- ele era patético. O choro dele era patético...então...eu o calei...para sempre...
Hinata sentiu a sua respiração acelerar. Ela cerrou tanto os punhos, que as suas unhas se afundaram na sua pele, fazendo sangue escorrer para o solo. Ela ia matá-lo. Definitivamente.
Hinata percebeu que ele só estava tentando distraí-la, quando viu aquele cadáver moribundo que Kankurou estava manipulando surgir diante de si, com uma kunai na sua mão.
Ele se lançou e sua direção. Hinata fez um selo de mão.
Katon – Karyuu endan (Elemento Fogo — Bomba do dragão flamejante)
Inflando o peito, ela exalou um longo e serpenteante dragão de chamas, que engoliu completamente aquele cadáver, o transformando em uma pilha de ossos carbonizados.
Kankurou arregalou os olhos, ao vê-la saltando em sua direção, com um olhar insano no rosto.
Hinata estava no ar, há centímetros de Kankurou, e uma estranha esfera de vácuo estava concentrada na sua mão.
—Hakke ku-
Porém, quando ela estava prestes libertar a pressão do vácuo concentrado na sua mão, ela viu um sorriso estranho no canto do rosto de Kankurou, ela percebeu tarde demais, um vulto se movendo em sua direção.
Ela rangeu os dentes, quando sentiu os membros carbonizados daquele esqueleto se envolverem ao redor do seu corpo, a prendendo.
Kankurou gargalhava como um louco.
—Agora! Matsu-chan!
Hinata sentiu os seus olhos se arregalarem ao ver Matsuri surgir, com uma gigantesca esfera de Shakuton sobre a cabeça. Aquilo estava tão quente, que mesmo à aquela distância, Hinata sentia a sua pele aquecendo.
Ela tentou se debater. Mas o aperto daquele cadáver esquelético era descomunalmente forte.
Ela...ela ia morrer, se aquilo a atingisse.
Shakuton – Shoukyaku no jutsu.
Matsuri lançou aquela enorme esfera de calor em direção à Hinata.
Hinata sentia à sua pele começando a ferver à cada centímetro que aquela esfera se aproximava. Ela arregalou os olhos. Ia morrer? Naquele lugar de merda?
Nem fudendo.
Ela concentrou chakra em cada poro do seu corpo, logo o expelindo de cada tenketsu seu. Uma rajada de chakra destruiu completamente aquele corpo esquelético.
Mas a esfera de calor estava perto. Perigosamente perto.
Hinata moveu o seu corpo o mais rápido que podia, e jogou o seu corpo em uma cratera provocada por um dos seus jutsus. Ela sentiu a terra tremendo quando a esfera de calor tocou o chão e explodiu completamente, enviando uma onda de chamas extremamente quentes.
Ela via as ondas passando sobre os seus braços, que estavam protegendo a sua cabeça. Hinata gemeu de dor. Sentindo os seus braços queimarem ligeiramente.
Quando aquele inferno passou, ela levantou ligeiramente a cabeça daquele buraco, vendo os seus dois inimigos tentando achar o seu corpo naquele monte de terra incinerada.
Eles levariam pelo menos um minuto para perceberem que ela ainda estava viva.
Hinata decidiu aproveitar para descansar um pouco, e normalizar a sua respiração. Ela concentrou uma fina camada de chakra esverdeado na sua mão esquerda e passou sobre a pele do seu braço direito, aliviando consideravelmente a dor, e reduzindo consideravelmente as queimaduras. Ela fez o mesmo no seu abdómen, e no seu braço direito.
Ela suspirou profundamente de alívio, antes de voltar a espreitar novamente. Aparentemente, eles já haviam notado que ela não havia sido incinerada.
Vendo Kankurou...um pouco mais afastado de Matsuri, deu uma ideia para Hinata.
Ela começou a executar os selos rapidamente.
Katon — Dai Haisekishou (Grande campo de cinzas flamejantes).
Ela sentiu os seus pulmões aquecendo enquanto ela concentrava chakra neles, logo o expelindo em forma de uma gigantesca nuvem cinza flamejante. As cinzas flamejantes se espalharam por aquele local, impossibilitando completamente a visão e fazendo eles cobrirem os narizes para não inalarem aquela fumaça quente.
Hinata sabia que, se ela se concentrasse e colocasse uma fagulha, poderia explodir todo aquele local. Mas...aquilo seria bastante idiota tendo em conta que ela estava se movendo sorrateiramente no meio da fumaça, até ele.
Kankurou apenas arregalou os olhos quando a viu surgir diante de si. Ele até tentou socá-la, mas ele era um manipulador de marionetes. Taijutsu...não era seu forte...
Hakke Rokujuuyon Shou.
Dois golpes.
Quatro golpes.
Oito golpes.
Dezesseis golpes.
Trinta e dois golpes.
Sessenta e quatro golpes.
Naquela altura, Kankurou tinha os seus tenketsus quase completamente fechados, e o seu corpo estava inteiramente paralisado.
Hinata recuou a sua palma, concentrando o último golpe no seu coração. Quando a sua mão estava prestes a atingí-lo, ela sentiu um calor intenso vindo do seu lado direito.
Ela se afastou em um salto, enquanto Matsuri surgia diante dos seus olhos. O corpo de Kankurou caiu pesadamente no chão, os olhos completamente brancos e arregalados. Ele ainda estava vivo, é claro, mas...ele não acordaria tão cedo.
—Bom...parece que ficamos só nós...
Hinata estalou a língua ao ver a expressão vazia de Matsuri, enquanto falava aquilo. Ela já estava farta daquela garota.
Matsuri se lançou em sua direção, com aquelas três esferas de calor orbitando o seu corpo.
Hinata tinha os sentidos extremamente aguçados, enquanto trocava golpes com aquela garota. O seu corpo esguio e flexível se curvava de forma completamente suave e graciosa, enquanto esquivava os golpes, e as esferas de chamas que procuravam incinerá-la.
Quando, finalmente Hinata conseguiu acertar a sua palma no abdómen de Matsuri, a enviando alguns metros para trás, ela executou rapidamente selos de mão.
Raiton – Rairaion (Elemento Raio – Relâmpago Leonino)
Ela concentrou chakra Raiton na sua mão direita, logo o expelindo em forma de um leão feito inteiramente de raios, que acertou o corpo de Matsuri em uma velocidade assustadora.
Matsuri gritou de dor, enquanto os seus músculos ficavam paralisados pela eletricidade. Ela caiu de joelhos.
Hinata começou a correr rapidamente em sua direção. Os seus braços pediam ao longo do corpo, tendo as faces de dois leões gémeos feitos inteiramente de chakra revestindo as suas mãos. Um deles crepitava de eletricidade, e o outro era feito de chamas.
Hinata via tudo passando em câmera-lenta diante dos seus olhos, ela via Matsuri, caída de joelhos no chão, e tremendo completamente indefesa. Mas...quanto mais se aproximava, maior era aquela estranha sensação de aperto no seu peito.
Algo...estava errado. E ela só desconfiou ainda mais ao ver a sombra de um sorriso insano rasgar os lábios de Matsuri.
Concentrando ainda mais chakra nos olhos, ela viu que toda a rede de chakra de Matsuri estava com uma coloração alaranjada. Ela arregalou os olhos. Era um clone de Shakuton.
Quando meros metros as separavam, a pele do clone começou a brilhar em um tom vermelho.
A verdadeira Matsuri, com um Kankurou inconsciente ao seu lado, estava observando tudo no topo de uma pequena elevação rochosa que havia nas proximidades. Ela estava sorrindo.
—Sayonnara... Hyuuga-san...
O clone explodiu em uma colossal esfera de calor, que incinerou toda aquela área. A areia ficou completamente negra.
Ela dispensou um último olhar para o local, antes de apoiar Kankurou nas costas e começar a caminhar.
Hyuuga Hinata estava...morta.
***
Hinata estava ajoelhada no chão, completamente ofegante. Ela estava coberta de fuligem e cinzas, tudo ao seu redor estava completamente negro, exceto o círculo perfeito em que ela estava. Se ela não tivesse percebido a armadilha à tempo, e usado o Kaiten...ela seria um monte de carne carbonizada agora.
Ela estalou a língua. Aquela garota...ela havia a subestimado. Matsuri era...um problema maior do que ela imaginava.
Ela tentou se levantar, com os músculos das pernas tremendo de dor, mas ela logo sentiu o seu corpo cambaleando. Aquele combate...ela havia usado demasiado chakra...
Antes que o seu corpo tocasse no chão, ela foi amparada por braços fortes, ela sentiu alguém a colocando nas costas. Hinata nem precisou abrir os olhos...aquele aroma cítrico e adocicado que preenchia as suas narinas era...Naruto.
Ela relaxou, e não conseguiu evitar que um sorriso preenchesse os seus lábios.
O cansaço finalmente tomou conta do seu corpo, e os seus olhos se fecharam, sendo engolidos pela escuridão.
—Hinata...
Naruto sussurrou. Mas a garota nas suas costas não emitiu qualquer som, ele só sentia a respiração dela batendo na sua nunca, arrepiando os seus pelos. Ela havia adormecido, aparentemente.
Naruto suspirou, tinha algo mais preocupante ainda. Ele fechou os seus olhos, se concentrando na marcação que ele havia colocado na área ao redor do bunker onde eles estavam escondidos.
Hiraishin no Jutsu.
Ele logo sentiu uma distorção no seu corpo, como se fosse sugado por uma força invisível. Quando Naruto voltou a abrir os olhos, eles estavam fora do bunker, e ele arregalou os olhos com a visão diante dos seus olhos.
Mais um estilhaço. Naruto sentiu mais um estilhaço surgir no frágil vidro que era a sua sanidade.
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