Gênesis

26 Chunnin Chiken - O Centenário Exame.


Notas iniciais
Eu não demorei! Kkk fui mais rápido que o flash, não? Enfim, depois ver os comentários do capítulo passado, eu não consegui aguentar e decidi postar esse capítulo! Que isso sirva de incentivo, continuem comentando! Muito mesmo! Enfim, esse capítulo me deu MUITO trabalho. Mas mesmo assim, eu acho que é o melhor e o Maior que eu já fiz (quase quinze mil palavras) por isso: vão ao banheiro, preparem um lanchinho, apaguem às luzes (ou talvez não kkk) e desfrutem desse colossal capítulo.

Quando Naruto voltou à escura clareira, eram por volta das dez horas da manhã, e o ar continuava úmido e frio como sempre, e carregado com um enjoativo cheiro à orvalho e coisas mortas.

— Você demorou – Kakashi falou, desviando os seus olhos, momentaneamente, do seu livrinho pornô, logo que as sandálias de Naruto tocaram a grama apodrecida daquela clareira.

Naruto apenas sorriu e mostrou a sua mão ensopada de sangue para Kakashi. O Jounnin franziu ligeiramente as sobrancelhas, como se entendendo todo o significado daquele simples gesto. Ele suspirou:

— Devo supor que você não trocou as moedas de ouro…

— Hai…

Kakashi franziu o cenho.

— Eu não entendi. Com "hai" você quer dizer: Hai, eu troquei as moedas, ou "hai" não troquei as moedas?

— A segunda opção…

Kakashi assentiu vagarosamente, antes de voltar a se concentrar no seu livro, com um rubor subindo, lentamente, na pele visível do seu rosto.

Naruto rodou os seus olhos pela clareira, e mesmo com a fraca quantidade de luz que passava por entre os ramos entrelaçados das árvores, ele conseguiu ver a figura inexpressiva de Sasuke recostada numa árvore, com um olhar opaco e distante, como se estivesse divagando em um milhão de coisas. Sakura, por outro lado, continuava caminhando nervosamente ao redor da clareira, em um monólogo confuso e indistinto (a única coisa que Naruto sabia, é que envolvia unicórnios e arco-íris gigantes e rosas).

Naruto enfiou a sua mão na sua bolsa Shinobi, à procura de algum pergaminho para selar aquela maleta, quando Sakura pareceu ter um pequeno momento de lucidez.

— Oe Naruto, o que é isso? – Sakura perguntou, parecendo de volta à realidade, apontando para a maleta na mão ensanguentada de Naruto.

Naruto esperou até a sua mão, no interior da bolsa, se fechar em torno de um frio e pegajoso pergaminho, antes de responder.

— Oh, é algo muito, muito interessante…

Ele enfiou o pergaminho no bolso do seu moletom, e colocou a maleta sobre a grama amarelada e apodrecida. Sakura se aproximou, parecendo curiosa e até Sasuke, parecendo minimamente interessado, desviou o seu olhar para a conversa, embora estivesse demasiado ocupado fingindo indiferença.

Naruto permitiu que um sorriso rasgasse o seu rosto, e teatralmente, abriu a maleta. Quando viu o dinheiro, Sakura esbugalhou tanto os seus olhos, que parecia estar a ponto de ter um ataque.

— D-De quem é esse dinheiro?

— É meu..

— Mas é… — como se fosse possível, os seus olhos se alargaram ainda mais — tanto…

— É. – Naruto assentiu — Dois milhões e meio… é pelas cabeças dos irmãos demónios.

Sakura abriu a boca em surpresa e olhou para ele de um jeito muito estranho, pelo que pareceu ser um longo e estranho minuto, mas depois simplesmente balançou a sua cabeça e murmurou:

"Garoto estranho… "- Como se Naruto nem estivesse ai, antes de voltar para o seu estranho e indistinto monólogo.

Naruto ficou parado, com a maleta aberta e um olhar confuso no rosto, durante um longo minuto. Antes de uma brisa gélida o trazer de volta a realidade.

" Garota estranha…"

Ele nem se preocupou em rir do próprio pensamento. Apenas abriu o pergaminho sobre o gramado, e como não estava com paciência para invocar um tinteiro, simplesmente mordeu o polegar e usou o sangue para desenhar um selo no centro do pergaminho, e com um simples selo de mão, selou a maleta no interior do pergaminho. O selo escarlate brilhou algumas vezes, como um coração pulsando, antes de voltar a um tom doentio de vermelho.

— Bem… — Ele ouviu Kakashi dizer, dando batidas nas suas roupas para retirar o excesso de grama e sujeira, enquanto se levantava da árvore em que estava recostado. – Acho que podemos continuar...

Assentindo, eles acompanharam Kakashi para fora da fria floresta.

E cerca de duas horas depois eles atravessaram os enormes e pesados portões de Konohagakure no Sato. Naruto aspirou, profundamente o ar, logo que pisou dentro da Vila, sentindo um sorriso, muito lentamente, rasgar o seu rosto e automaticamente uma palavra apareceu na sua mente. Casa.

E, ao contrário do que ele achava, eles não foram direito para o escritório do Hokage.

Eles atravessaram as ruas sempre cheias e movimentadas de Konoha em direcção ao hospital, para tratar a perna de Kakashi. E se há uma coisa que Naruto se apercebeu, foi que Shinobis eram realmente incríveis. Em questão de minutos, a ferida de Kakashi e o corte no peito de Sasuke foram completamente curados. Deixando pra trás, nada mais do que finas e quase imperceptíveis cicatrizes nas suas peles. Aquilo era ridiculamente assombroso.

*******************************************

O Sandaime Hokage mergulhou a sua pena ferozmente no tinteiro, e encarou, parecendo extremamente aliviado, a folha diante do seu rosto. Era o último documento de uma gigantesca pilha.

— E… – O Sandaime começou a assinar o seu nome com uma força anormal no fundo da folha, depois de dois segundos, suspirou triunfante — … terminei.

Antes que ele pudesse sequer desfrutar da sua tão merecida glória, a porta do seu escritório se abriu.

— Aqui estão os outros relatórios, Sandaime-Sama…

— De novo?!

O Sandaime Hokage lançou um olhar extremamente assustado para a enorme pilha de documentos que Iruka havia colocado na sua mesa, e se perguntou, por um instante, porque diabos ele ainda continuava naquele posto. Eu já estou muito velho pra essa merda.

Ele resmungou. Mas depois os seus olhos castanhos e velhos se arregalaram, como se estivesse se apercebendo de alguma coisa.

Ouça Iruka-kun… às vezes eu acho que você é um espião, enviado por uma aldeia inimiga…

— O-o quê?! — Iruka tentou sorrir, mas estava estranhamente assustado pela acusação do Hokage.

— Oras, faz todo sentido… — O Sandaime assentiu fervorosamente, como se de repente se apercebesse de algo muito óbvio – A sua missão é deveras maligna… se eu não fosse um génio Shinobi... Bem nem quero pensar nisso… mas sério… me fazer assinar documentos, até eu morrer de exaustão? Devo dizer que é maléfico, simplesmente maléfico…

O rosto de Iruka ficou branco como mármore.

— N- não diga essas coisas tão levianamente S-Sandaime-Sama!

Mas, ao ver o olhar horrorizado de Iruka, o velho Kage decidiu se calar. Com um suspiro profundo, massageou a sua mão direita, latejante e manchada de tinta. Tremulamente, ele pegou o seu cachimbo (que estava por cima da mesa) e concentrou uma pequena quantidade de chakra Katon nos pulmões. Com um pequeno sopro, acendeu o cachimbo. Ele o levou à boca, sorvendo demoradamente a erva, e ficou observando, com um olhar saudoso, as formas engraçadas que a fumaça tomava a cada baforada sua… Aquilo pareceu lhe dar a coragem necessária para puxar o primeiro documento, e mergulhar a sua pena no tinteiro.

E então ele se concentrou na entediante tarefa de ler e assinar documentos durante uma longa e irritante hora, verificando a cada minuto o relógio no alto da parede, um tanto ansioso para a pausa para o almoço. Faltavam apenas cinco minutos… ele acelerou o processo.

— Certo… agora, eu presumo que já posso descansar? – O Sandaime perguntou, enquanto repousava a sua pena no tinteiro.

Iruka deu uma olhada no relógio. Era meio-dia.

— Hai, Hai… — O Chunnin recolheu a pilha de documentos – Daqui há pouco trago os outros.

O Hokage pareceu se controlar para não resmungar. Ele apenas deu um aceno e dispensou Iruka. Tão logo o Chunnin saiu da sua sala, Hiruzen, com um rubor subindo lentamente pelo seu rosto, abriu um compartimento secreto sob a sua mesa. Ele estava prestes a ler o mais recente volume do Icha Icha, quando ouviu o som de alguém batendo à sua porta. O Sandaime praguejou, como um adolescente frustrado. A única coisa que fez, foi gritar um irritado entre.

Mas toda sua irritação se foi, quando observou o time sete adentrando a sua sala.

— Oh… — O velho Hokage murmurou, sem conseguir esconder a sua alegria – Kakashi-Kun, Sasuke-Kun, Naruto-Kun e… Sakura-Chan… pelo que posso ver, vocês estão bem…

Kakashi sorriu, enquanto assentia, visivelmente constrangido.

— Então… — O Sandaime mudou a sua expressão amistosa, para uma realmente séria – posso saber porque vocês demoraram três semanas para realizar uma missão de nível C? – Kakashi abriu a boca, prestes a se explicar, mas o Hokage fez um gesto para que ele se calasse – Olhe…eu sei que você, Kakashi, se tornou meio desleixado e preguiçoso desde a terceira Guerra Shinobi...mas sério… uma missão nível C…? isso já é demais…

As orelhas do Jounnin ficaram vermelhas, e os seus alunos apenas abafaram risos.

—B-bem Hokage-Sama… — Kakashi coçou a nuca desconfortavelmente — a missão se provou mais difícil do que esperávamos. O cliente ocultou algumas informações essenciais, e a missão acabou por ser nível A – O Sandaime Hokage estreitou os seus olhos experientes – Nós enfrentamos nukenins, inclusive, Momochi Zabuza…

— Momochi Zabuza? – O Hokage fez uma expressão pensativa, o que tornou o seu rosto muito mais velho e marcado – Não é esse o Demónio da névoa?

Kakashi assentiu.

— Entendo… — Hiruzen murmurou, e levou o seu cachimbo à boca, sorvendo demorada e distraidamente – Naruto-Kun, Sasuke-Kun e Sakura-Chan… saiam por favor…

Os gennins soltaram resmungos de protesto. Kakashi apenas entregou uma nota de cem Ryou para as mãos de Naruto.

— Vão comer qualquer coisa… vocês merecem…

Eles assentiram, e com um último olhar para o Jounnin, saíram da sala.

— Agora… — O velho Hokage deu, novamente, uma profunda tragada no seu cachimbo, antes de dar uma baforada — quero o seu relatório…

Kakashi sentiu o seu nariz apurado coçar intensamente, ao sentir o cheiro entorpecedor de… certas ervas, que provinham do cachimbo do Hokage. Mas como o bom subordinado que era, não comentou.

— Bem… quando Zabuza apareceu, eu o enfrentei… mas no final acabei por ser capturado pelo inimigo – e acrescentou rapidamente, ao ver o Sandaime prestes a dizer alguma coisa – Mas tudo acabou bem… Naruto o matou…

Houve um longo e tenso período de silêncio, com o Hokage encarando Kakashi afiadamente.

— Naruto-Kun… matou um dos sete espadachins da névoa…?

— Hai… — Kakashi assentiu – Parece que as suspeitas do senhor estavam certas. Ele é muito mais forte do que aparenta… inclusive, ele está com a espada do Nidaime Hokage, a Raijin no ken…

O Sandaime sorveu demoradamente o seu cachimbo, como se estivesse digerindo as informações.

— Isso… isso é inacreditável… e incrível, mas onde será que ele achou ela? Eu venho procurando essa espada há muito tempo…

— E tem mais… — O velho Hokage engoliu em seco, parecendo receoso com o que o Jounnin iria dizer – Ele disse que encontrou a espada no pergaminho secreto…

— No pergaminho secreto?

— Hai…

— Naturalmente… naturalmente… como é que eu nunca pensei nisso?

— O senhor acha que…

— Que ele está dizendo a verdade? Naturalmente, acho que ele está. Quer dizer, ele não teria porque mentir, certo? Além do mais, aquele pergaminho tem muitos segredos, que até mesmo um génio como eu, desculpe a falta de modéstia, não tem conhecimento…

— Então… senhor, agora só resta uma incógnita… como ele ficou tão forte?

— É curioso… deveras curioso… naturalmente, eu estaria inclinado a dizer que a Kyuubi o está influenciando… mas, permita-me me desculpar, ainda restaria uma falha nessa minha geniosa teoria…

— Uma falha?

— Oh, sim… — O Sandaime tomou uma longa baforada e fechou os olhos durante um longo minuto, antes de falar — como nós bem sabemos, a Kyuubi é uma besta feroz e irracional, ela é o ódio em si. Logo, se a Kyuubi o está influenciando, por que razão ainda estamos todos vivos?

— Entendo… — O Jounnin relaxou os ombros, que havia tencionado sem perceber — esse é um pensamento deveras lógico Sandaime-Sama… mas o senhor já se perguntou que talvez, apenas talvez, a Kyuubi seja um pouquinho… racional?

— É… infelizmente, eu já me debrucei sobre tal assunto. Mas isso é algo sobre o qual eu tento não indagar muito. Porque se esse fosse realmente o caso, nós estaríamos perdidos. Quer dizer… bestas pensando?! Isso seria um desastre de proporções catastróficas… por isso, tente não pensar muito nisso.

— É, o senhor está certo… — Kakashi assentiu.

— Mas enfim, eu não vejo sinais de que Naruto-Kun esteja sob alguma espécie de controle, ele me parece bastante lúcido e consciente de seus actos e acções… mas naturalmente, pode ser que eu esteja errado… afinal, apesar da minha genialidade, eu ainda assim sou um homem, e como tal, estou sujeito a errar… peço que me desculpe por isso.

Kakashi assentiu, novamente. Mas depois pareceu se lembrar de algo.

— Ah, é mesmo. Tem mais uma coisa. Algo realmente estranho que aconteceu durante a missão. – O Sandaime estreitou os olhos — O Naruto…

Antes que terminasse de falar, a porta se abriu repentinamente e por ela entrou Iruka, carregando uma pilha de documentos.

— Ah, me desculpem. – Ele imediatamente corou, quando viu os rostos tensos de Kakashi e Hiruzen – eu interrompi alguma coisa?

Muito lentamente, Kakashi e Hiruzen balançaram a cabeça.

— Nós já estávamos terminando. – O Sandaime falou, com um suspiro, embora os seus olhos estivessem estranhamente sombrios – Kakashi-Kun, vá descansar, por enquanto. Nós falaremos mais tarde.

O Jounnin assentiu e se curvou, antes de desaparecer em uma nuvem de fumaça.

Naruto, completamente escondido próximo a janela, deu um sorriso triste, antes de explodir em uma nuvem branca de fumaça.

*******************************************

O original suspirou tristemente, o que não passou despercebido por Tobirama, que flutuava ao seu lado. Naruto fixou o seu olhar na tijela fumegante diante do seu rosto, e ele viu o seu semblante melancólico sendo reflectido no caldo acastanhado. A verdade é que ele estava se sentindo um pouco sufocado… o peso combinado de todos aqueles segredos… Tobirama… a Raijin no ken… era tudo meio sufocante… e apesar de estar rodeado de tanta gente, ele às vezes se sentia mais isolado do que um náufrago, sozinho na imensidão do oceano. Ele se sentia falso e insincero… como uma raposa, um ser astuto que só revelava o essencial de si. Naruto olhou para Sakura e Sasuke, sentados nos outros bancos do Ichiraku Ramén. Os lábios de Sakura se moviam, enquanto ela falava sobre algo (que o seu cérebro não fazia a menor questão de registar) e Sasuke apenas revirava os olhos, parecendo a ponto de ter um ataque de tédio… e naquele momento, simplesmente lhe apetecera contar tudo para eles…

Mas antes que o fizesse, ele sentiu a mão gélida e fantasmagórica de Tobirama apertar o seu ombro. O Nidaime Hokage não disse nada. Mas os seus olhos castanhos-avermelhados nunca pareceram tão vívidos, intensos e brilhantes… Naruto suspirou, e voltou a se concentrar no seu ramén. Ele se sentia estranhamente entorpecido, como um bêbado, ansiando extravasar as suas mágoas.

Naruto deu uma tragada no ramén. Tinha o sabor da melancolia.

— Naruto-Kun… — Ayame chamou, se debruçando sobre o balcão e parecendo preocupada. O loiro elevou o seu olhar – você está bem?

Naruto pareceu despertar. Ele forçou o seu cérebro a formar algumas poucas palavras.

— Ah… eu… eu estou bem… — ele forçou um sorriso. E ele se sentiu ainda mais falso.

Ayame assentiu. Embora não parecesse realmente convencida. Naruto não se surpreendeu. Ela o conhecia tempo o suficiente para saber que ele estava mentindo.

— Sabe, — Naruto colocou uma nota de dez ryou ao lado da sua tijela. — eu acabei de me lembrar que tenho uma coisa pra fazer…

— Tem certeza? – Ayame perguntou, com os olhos castanhos brilhando de preocupação — Você nem terminou o seu ramén…

— É verdade, Naruto. – Sasuke murmurou. Mas Naruto sabia que ele não estava nem um pouco preocupado consigo. Era apenas o medo de ficar sozinho com Sakura. Mas quem podia censurá-lo?!

Embora sentisse uma pequena fagulha de empatia pelo Uchiha, ele apenas meneou a sua cabeça negativamente.

— Não tem problema… eu não tenho fome… adeus.

*******************************************

Os seus pés se arrastavam, muito lentamente, pelas ruas de Konoha. Naruto não sabia exactamente para onde estava indo. Só sabia que não queria ir para casa. A última coisa que queria no momento, era sentir o frio e o vazio do seu apartamento. Quando ele finalmente olhou ao redor, se apercebeu para onde os seus pés o estavam levando. Ele segurou um sorriso. Era o campo que ele usava para treinar com Tobirama.

Logo que chegou à grande clareira, Naruto se jogou na grama macia e úmida, e que começava, lentamente, a ganhar um tom dourado. Ele segurou uma risada. Nada podia escapar do tempo.

Uma breve e gélida brisa atravessou o seu corpo, e Naruto se permitiu suspirar. Uma tarde fria estava prestes a começar, ele sentia isso. Ele se remexeu, até achar uma posição confortável o bastante para observar o céu cinzento. E então, ele observou, melancolicamente, as nuvens mudando de forma, a medida que os segundos se transformavam em minutos.

Um repentino e flutuante movimento à sua direita chamou a sua atenção. Naruto desviou o seu olhar das nuvens cinzas, e colocou o braço diante do rosto, para bloquear o sol esbranquiçado por detrás das nuvens, e finalmente ele viu a figura transparente e fantasmagórica de Tobirama flutuando ao seu lado.

— Naruto… — Tobirama murmurou, cauteloso. A boca do Nidaime se abriu, prestes a dizer mais alguma coisa, mas ele depois pareceu pensar melhor, e decidiu ficar em silêncio.

Naruto ficou mais uns segundos deitado, e com um suspiro exasperado, se levantou do confortável gramado, fixando o seu olhar na fantasmagórica figura diante si.

— Vamos treinar…

— Você tem certeza? — Tobirama olhou para ele, surpreso e cauteloso, mas sobretudo surpreso – se você quiser, podemos ficar apenas… apreciando a paisagem…

Naruto ficou repentinamente pensativo, como se avaliando as opções. Mas logo depois ele balançou a cabeça.

— Eu preciso esfriar a cabeça – Naruto disse, com um olhar sereno – Além do mais, o exame Chunnin está a caminho. Eu preciso me fortalecer.

Tobirama suspirou.

— Pois, sobre isso… Eu acho que ainda é muito cedo para você participar desse exame.

Naruto franziu as sobrancelhas de um jeito confuso.

— Do que você está falando?

— Bem… eu acho que você deve esperar, pelo menos, até o próximo ano.

— Sensei, eu sou forte o bastante para derrotar um ANBU… de olhos vendados. – Não havia uma única fagulha de arrogância na sua voz. Era apenas um óbvio fato — Eu acho que consigo dar conta de um bando de gennins.

— Olhe, eu sei. E eu realmente não tenho nada contra você participar. É só que… Desde que não seja esse ano. Não esse exame. É… é muito perigoso.

Naruto olhou, longamente, para o rosto estranhamente preocupado e fantasmagórico de Tobirama. Antes de balançar a cabeça.

— Ok. Agora eu estou confuso. O que esse exame tem de diferente? Sensei, tem alguma coisa que você não está me contando?

— Esquece. – Tobirama sussurrou, depois de um longo minuto de silêncio — Quer saber? Você tem razão, vamos treinar.

— Mas eu…

— Naruto… — Tobirama murmurou, com a voz soando incrivelmente gélida, autoritária e poderosa — vamos treinar.

Naruto se apercebeu que pela expressão dura de Tobirama, não ia adiantar insistir.

— Está bem…

E naquele instante, ele ficou bastante ciente do peso de um pergaminho na sua bolsa Shinobi. Ele enfiou a sua mão na sua bolsa e tateou até os seus dedos se fecharem em torno de um frio pergaminho.

— O que é isso? – Tobirama perguntou, com os olhos apertados no estranho pergaminho na mão de Naruto. Era velho. Muito velho. A sua superfície estava em um tom podre de amarelo, e parecia que ia se desfazer ao menor toque possível, e mesmo sem poder cheirar, Tobirama desconfiava que aquilo cheirava fortemente a mofo.

— Ah, isso? É uma das coisas que eu encontrei no castelo de Gatou. Eu nem sequer sei o que é que ele estava fazendo com isso. Provavelmente, era apenas para coleccionar. Verme estúpido.

— Isso é…

— Sim. É um Pergaminho Shinobi. Eu estive lendo um pouco. Tem uns Jutsus realmente interessantes aqui. Apesar de estar faltando algumas partes… Mas eu estava pensando que poderíamos treinar Raiton…

— Raiton? Desde quando é que você tem afinidade com Raiton?

— Eu não sei. – Naruto deu de ombros, como se não se importasse — Mas eu acho que isso deve ser uma influência da Raijin no Ken.

— Hum… certo. – Tobirama murmurou, com os olhos estranhamente apertados e analíticos. Ele não parecia nem um pouco convencido — De qualquer das formas, é um elemento muito útil. Já que, sendo usuário de Suiton, você pode combinar esses dois elementos e formar ataques mais potentes.

— É… água e electricidade. – Ele deu um sorriso fraco e trémulo — Uma mistura realmente perigosa.

Cerca de sete horas depois, Naruto estava completamente exausto e faminto mas, sobretudo, exausto. Os seus músculos doíam muito e a sua pele estava repleta de pequenas queimaduras e… espera, já referi que ele estava completamente exausto?! Depois daquele treino insano, era como se cada parte do seu corpo tivesse sido atingida por milhares de agulhas. Por isso, ele ficou realmente surpreso de ter conseguido chegar no seu apartamento, tomar um banho, engolir um bolo inteiro que ele tinha na geladeira, e se jogar na sua cama. Ele automaticamente adormeceu, quando as cobertas aconchegantes e quentes o envolveram naquela noite gélida.

Naruto não soube exatamente quanto tempo se passou desde que fechara os olhos, mas em um dado ponto, ele sonhou, e foi um sonho realmente estranho.

"Naruto estava treinando na floresta com Tobirama, e o seu Sensei estava o felicitando por ter dominado um Jutsu muito difícil, mas então, a imagem reluzente e fantasmagórica de Tobirama começou a tremeluzir e a perder o brilho, como se estivesse sendo engolido pelas escuras árvores. O Naruto do sonho gritou, assustado, mas então, a sombria floresta e as árvores mudaram. Ele não sabia exactamente aonde estava, só sabia que, de repente, estava muito escuro, não escuro como se tivessem apagado as luzes. Muito pelo contrário, era como se a lua, o sol, as estrelas e qualquer outra fonte de luz tivessem simplesmente desaparecido, e o mundo fora engolido na completa, fria e assustadora escuridão. E então ele começou a caminhar, completamente às cegas, mas ele sentia que o seu corpo não saía do lugar. Os seus pés pareciam pesar toneladas. Mas então ele viu. Uma pequena e cintilante esfera de luz dourada flutuar à sua volta, mas no completo breu, parecia muito mais brilhante, como um farol. A sensação que aquela esfera passava… era simplesmente reconfortante e quente… muito quente. Então, Naruto começou a caminhar em sua direcção, como um inseto, atraído pela luz. Mas, quando ele estava prestes a tocar a esfera, ela se afastou. Naruto ficou irritado. Mas não importava o quanto corresse, ela sempre se afastava mais. Depois de minutos, horas, dias ou quem sabe, meses, a fadiga o venceu. Ele sentiu o seu corpo tocar o chão áspero e gélido. Ele não conseguia se mover. As suas pernas estavam inchadas, arranhadas e completamente ensanguentadas, e o simples ato de respirar doía, como se estivesse inalando agulhas em vez de ar. Mas então, quando ele achou que ia morrer ai, com frio, faminto, sedento, sozinho e na completa escuridão, a esfera parou de fugir e ficou flutuando há centímetros de si. Mas ele estava tão cansado…ele nem sequer conseguia levantar os braços! A esfera pareceu brilhar ainda mais e falou: ʹEstou te esperandoʹ. Era uma voz que não passava de um sussurro, mas no completo silêncio, parecia ser a voz mais profunda e poderosa do mundo. ʹEstou te esperando.ʹ Era tudo o que a voz dizia. ʹEstou te esperando, pequeno herdeiro.ʹ Depois ele fora engolido pela escuridão."

Ele acordou, muito assustado e suado, com os seus fios de cabelos loiros grudados na sua testa e os seus olhos no mais brilhante tom de azul. Uma brisa gélida entrou pela janela aberta do seu quarto, e ele quase ouvia o vento sussurrando, como se o provocasse. Estou te esperando.

— Foi só… um sonho… — Ele murmurou, embora não estivesse completamente convencido. Ele olhou para o seu despertador. E os números de um verde brilhante quase feriram os seus olhos. 00: 23. Ele voltou a se deitar, com a tola esperança de voltar a sonhar com a esfera brilhante. Ele não mais sonhou.

*******************************************

Já passava da meia-noite. E a luz cálida e lustrosa da lua, iluminava os rostos tensos e endurecidos de todos os Shinobis no telhado do prédio do fogo. O Sandaime Hokage deu uma profunda tragada no seu cachimbo, e fixou o seu olhar, anormalmente sério, nos jounnins diante de si.

— Pois bem... — O Sandaime começou, a voz anormalmente calma se propagando no silêncio da noite — como vocês sabem, pela primeira vez na história de Konoha, nós vamos sediar o Shiren Shōkan e como era de se esperar, conto com a vossa participação... — Todos os jounnins assentiram friamente, e o Sandaime Hokage apenas suspirou, com todos os anos de decisões difíceis parecendo pesar em seu rosto envelhecido — não preciso lembrá-los do quanto o Shiren Shōkan pode ser horrendo, provavelmente 80% dos gennins irá morrer... Todavia, quem ainda assim quiser inscrever o seu time, dê um passo em frente...

Dentre os mais de cem jounnins naquele telhado, apenas seis deram um passo em frente. E os que mais se destacavam eram os rostos sérios de Kakashi, Asuma, Kurenai e Guy. Um burburinho de indignação percorreu as fileiras. A maior parte estava indignada pelo facto de quase todos os alunos daqueles Jounnins serem recém-formados.

O Hokage fez um gesto com a mão, e todos eles se calaram.

— Vocês... Têm certeza disso? — O Hokage perguntou, encarando os jounnins inexpressivamente — lembrem-se: isso não é uma questão de orgulho, é de crianças que estamos falando. Vocês têm o poder sobre o futuro deles. – Ele deu um profundo e intenso olhar para cada um deles. E naquele momento, aquele não era o velhote alegre e de sorrisos bondosos, aquele que os olhava com olhos afiados como Kunais, era o Sandaime Hokage de Konoha, aquele era o homem que levara Konoha a vencer duas Grandes Guerras Shinobis, aquele era o Deus Shinobi.

Sob aquele intenso e profundo olhar, um dos Jounnin recuou um passo, visivelmente assustado e constrangido. Vendo que mais ninguém ia recuar, o velho Hokage sorriu, exibindo os caninos demasiados brancos e proeminentes para a idade, e abriu os braços, como se estivesse abraçando o vento:

— Nesse caso, boa sorte. – E acrescentou, desmanchando o sorriso — Vocês vão precisar.

*******************************************

O dia seguinte amanheceu novamente cinzento. E Naruto acordou com batidas na porta do seu apartamento. Ele resmungou um monte de palavras ininteligíveis, e verificou às horas. 7:37. Para os seus padrões, ainda muito cedo. O som de batidas ficou ainda mais alto, e ele ouviu uma voz conhecida gritando o seu nome. Só que ele não conseguia se lembrar quem. Ele deu um longo bocejo, enquanto caminhava para a porta.

Ele destrancou a fechadura, e abriu a porta. Era Sakura.

— Bom dia, idio… — Ela se calou ao ver o pijama de Naruto – isso… isso é sério?

Naruto apenas estreitou os seus olhos. Quer dizer, ela havia o acordado simplesmente para ofendê-lo e o seu pijama? Quer dizer, o que tinha de errado com o seu pijama azulado e com raios dourados?! Ela não entendia nada de moda!

— Porquê o mau humor? – Ele perguntou, calmamente.

Ela sentiu a sua sobrancelha tremer.

— Eu estou batendo há minutos! Tenho uma mensagem urgente do Kakashi-Sensei! – Sakura gritou, indignada – e o que você estava fazendo?!

— Dormindo – Naruto franziu as suas sobrancelhas, pensando no quanto aquilo era óbvio. – Sabe, é quando uma pessoa…

— Quer saber? Não me interessa… — Ela lançou um olhar frio para Naruto, como se o considerasse uma praga particularmente desprezível.

Naruto apenas suspirou. Já estava acostumado com o jeito estranho daquela garota. – Sakura… a mensagem.

— Ah, sim… — ela franziu o cenho, e pareceu pensar por um longo minuto — logo depois de você ter ido embora, o Sensei apareceu no Ichiraku e disse para a gente se encontrar no mesmo local de sempre, hoje, às seis horas.

—Já são quase oito horas…

— Eu sei… — Ela disse – mas você realmente acha que aquele idiota vai chegar cedo? – Sakura arqueou as suas finas e róseas sobrancelhas – enfim, vá se trocar…

— Sim… você está certa – Naruto concordou – me dê só um minuto… er… entre… — Ele deu espaço para Sakura entrar. Ela, hesitantemente, deu um passo para dentro do apartamento. E ela logo reparou no cheiro que havia no ar. Era… bom. Estranhamente bom. Algo que lembrava à canela e limão. Sakura rodou os seus olhos pelo local. Ela achava que o apartamento dele devia ser muito desorganizado, mas o que ela viu o surpreendeu: Tudo estava metodicamente arrumado, nada fora do lugar, parecia a casa de um fanático por limpezas. Mas Sakura sabia que Naruto não o era. Talvez apenas um perfeccionista. Ela se sentiu meio incomodada. Não havia nada que revelasse algo sobre a vida de Naruto. Não tinha fotos ou quaisquer outros objectos pessoais, nas paredes completamente brancas e inexpressivas. – Eu já volto … se você tiver fome, eu acho que tem bolo na geladeira…

— Eu estou fazendo dieta…

— Ah, claro… — Naruto coçou o seu queixo distraidamente — tem frutas também…

— Você não ouviu que eu estou de dieta?! Eu tenho que fazer um balanço exacto das calorias que devo ingerir em um dia… por exemplo – Ela abriu a geladeira e tirou um pedaço de bolo – você sabia que só esse pedaço de bolo tem…

Naruto a interrompeu, antes que começasse a falar exactamente quantas calorias cada alimento em sua geladeira possuía. Quer dizer, ela não podia usar o seu cérebro para qualquer outra coisa?!

— Er… então, apenas… não toque em nada – Ele sorriu amarelo, e logo depois desapareceu atrás de uma porta.

Sakura bufou, se jogando no confortável sofá. Ela passou a encarar, distraidamente, o teto. Cerca de dez minutos depois, Naruto surgiu diante de si, já perfeitamente vestido com uma calça branca meio folgada e a parte de cima de um quimono azul-marinho. Os seus olhos azuis acendiam, brilhantes como o céu, por entre os fios de cabelo loiros e encharcados, que ainda pingavam água no chão da sala.

E enquanto ele remexia na geladeira, Sakura se pegou pensando na imagem de Naruto, que estava cravada a fogo nas suas retinas… Ela nunca tinha realmente reparado nele, mas agora que fazia isso… ela se apercebeu de algo…

— Naruto-Baka! – O loiro tirou o rosto da geladeira e inclinou a cabeça em sua direcção – Você… você é bonito!

O jeito extremamente incrédulo com que Sakura falara aquilo apenas fez com que Naruto franzisse as sobrancelhas de um jeito confuso e surpreso. Mas sobretudo confuso. Sakura começou a rir de um jeito meio surpreso...

— Eu nunca achei que diria isso… — Mas depois ela pareceu se lembrar de algo – Mas é claro, não tanto quanto o Sasuke-Kun…

— Ah, obrigado… acho… — Ele pegou, pensativo, uma maçã e deu uma pequena mordida – vamos…

*******************************************

No meio do caminho, Sasuke se juntou, silenciosamente, à caminhada de Sakura e Naruto. E a princípio, ele estranhou o facto de que eles dois estavam andando juntos, silenciosa e pacificamente, quase como se fossem amigos de longa data, mas ele logo deu de ombros, não era como se o interessasse. Ele permitiu que o seu cérebro voltasse a divagar nas milhares de formas que ele mataria Itachi…

— Então Sasuke… — Naruto falou, com um meio sorriso – o que você acha que Kakashi-Sensei tem pra nos dizer?

Ele piscou os olhos, como se despertando de um sonho. Ele forçou o seu cérebro a se lembrar das palavras de Naruto… era algo sobre Kakashi e unicórnios rosas? Não, não podia ser…

Ao ver o olhar estranho no rosto de Naruto, Sasuke sentiu o seu cérebro se lembrar… ah! Sim, era sobre o motivo de Kakashi tê-los chamado. Ele olhou longamente para o loiro, antes de responder, forçando a voz a sair friamente, escondendo a insegurança de poder estar respondendo algo que não tinha nada a ver.

— Eu… não sei… talvez… algo sobre o porquê de a Vila estar tão movimentada…

Para o alívio de Sasuke, Naruto apenas arqueou uma sobrancelha, com um sorriso quase divertido no rosto.

— Então… você também notou?

— É claro que sim… — Sasuke olhou para Naruto como se ele o tivesse ofendido — eu consigo sentir… alguma coisa está para acontecer… algo importante…

Naruto apenas aumentou o seu sorriso. Ele sabia perfeitamente o que estava para acontecer. O Chunnin Chiken. Bem, pelo menos era isso que ele pensava.

— Eu também sinto, Sasuke-Kun! – Sakura gritou.

Sasuke apenas a ignorou. Quando eles se aperceberam, estavam na pequena ponte onde costumavam se encontrar. E Kakashi já estava lá.

— Yo, vocês estão atrasados… — Ele falou, apoiado nas barras de protecção da ponte, sem sequer tirar os olhos do seu livro pornô.

Naruto sorriu. – Gomen, é que, no caminho, fomos convidados para um concurso de Karaoke…

Sakura e Sasuke franziram o cenho para ele. Mas Kakashi apenas baixou o seu livro, e sorriu com os olhos.

— É mesmo? E vocês ganharam?

Depois de dois segundos, Sasuke falou.

— É claro que sim… — ele falou, tão frio e calmo que até Naruto quase acreditou — então, o que aconteceu, Sensei?

O Jounnin ficou com um semblante pensativo, e coçou distraidamente o queixo mascarado, como se estivesse decidindo o que dizer. Depois de uns segundos, ele falou:

— Pois bem… — Ele fechou o seu livro erótico, e o colocou na sua bolsa Shinobi, com um suspiro — eu vou ser directo: indiquei vocês para os exames Chunnins desse ano…

Naruto sorriu, era exactamente o que ele previra.

— O Exame Chunnin? – Sasuke perguntou, surpreso. Kakashi assentiu. – Entendo… é por isso que a vila está tão movimentada…

— É. Você está certo. Mas então, vocês não acham que eu me precipitei ao vos indicar? – Kakashi perguntou, meio curioso.

Naruto e Sasuke balançaram a cabeça negativamente, e Sakura apenas os imitou. A verdade é que ela estava muito assustada… as histórias que ouvia… mas ela faria aquilo pelo seu querido Sasuke-Kun, assim ele finalmente iria reconhecer que ela era a sua companheira destinada, e iriam cavalgar em um cavalo-marinho (cor de rosa!) rumo ao pôr-do-sol e… enfim, muitas outras coisas coloridas…

Kakashi pareceu satisfeito e até um pouco orgulhoso dos seus alunos. Mas ele pareceu se lembrar de algo.

— Porém, tem um problema… — Kakashi falou, ficando repentinamente sério, mais sério do que eles alguma vez o viram – esse ano será… ah… diferente…

— Como assim? – Sakura perguntou, preocupada.

— Bem… este será o Centenário aniversário do Chunnin Chiken, e isso significa também, que este exame será um Shiren Shōkan (Tribulações da Redenção)...

E Naruto imediatamente se lembrou de ter ouvido Haku mencionar aquilo na floresta das Ondas. Antes que ele se apercebesse, a sua mão se ergueu, como se estivesse em uma sala de aula e olhou confusamente para Kakashi.

— Oe, Sensei… — Naruto murmurou, apertando os olhos em confusão – O que raios é um Shiren Shōkan?

Os seus alunos estreitaram os olhos.

Kakashi coçou o seu queixo preguiçosamente, como se estivesse pensando em uma resposta.

— Hum… o que vocês sabem, exactamente, sobre os exames Chunnins?

Em um piscar de olhos, e muito antes de Kakashi sequer terminar de falar, Sakura agitou, nervosamente, a sua mão. Ao ver o olhar de Kakashi, ela falou, com a sua postura de "sabe-tudo":

— Eles acontecem uma vez por ano… e são uma espécie de testes que nos permitem sermos promovidos ao próximo nível Shinobi, ou seja, à Chunnin…

Kakashi assentiu, parecendo orgulhoso.

— Correcto… e o que mais?

Sakura mordeu o seu lábio inferior, pensativa. – Cada uma das cinco grandes Nações… Konoha, Suna, Kumo, Iwa e Kiri, organizam um exame para os seus Shinobis, e permitem que as Vilas menores ao redor das suas Terras, possam participar…

Kakashi assentiu novamente.

— Excelente Sakura. De facto, você está certíssima…

— Mas o que eu não entendo Sensei… — Sakura falou – É o que esse tal de Shiren Shōkan tem de diferente de um exame comum…

— Oh, sim… — Kakashi disse, com um olhar sério e penetrante – crianças… conforme Sakura disse, cada uma das Cinco grandes Nações tem seu próprio exame. Mas, entendam isso, o Shiren Shōkan é completamente diferente… Eles acontecem apenas a cada vinte e cinco anos. Folha, Areia, Nuvem, Pedra e Névoa, enfim, todas as Grandes Nações, e algumas aldeias menores, participam nesse exame…como uma forma de… estimular a paz entre as vilas Shinobis, e, ao mesmo tempo, como uma espécie de simulação de uma guerra, sem partir necessariamente, para conflitos a escalas assustadoras…

Naruto, Sasuke e Sakura tinham os olhos completamente arregalados… aquilo era… surreal…

— Mas porque… porque eles fazem isso? – Naruto perguntou.

— Oh… isso é óbvio… — Kakashi falou, alterando a sua voz de modo teatral – é um pequeno lembrete dos horrores da guerra, e do porquê nós devemos manter a paz… é claro que isso não impediu as Três Grandes Guerras. Na verdade, todas as Grandes Guerras Shinobis foram antecedidas pelos três Shiren Shōkan. Geralmente, por insatisfação. Mas mesmo assim, esse exame tem os seus méritos.

Sakura olhou para Kakashi, parecendo horrorizada.

— Se esse exame é um catalisador de Guerras, porque raios é que eles ainda continuam o realizando?

Kakashi suspirou.

— Oh isso não é óbvio? É para quebrar o tédio…

— Para quebrar o tédio? – Naruto perguntou, surpreso — Para quebrar o tédio?

— Olhe… os Kage´s realmente não têm muita escolha. São os senhores feudais quem financiam as vilas Shinobis. E os nobres gostam do derramamento de sangue. Como eu disse: É para quebrar o tédio…

— Isso é… cruel… — Sakura murmurou.

Kakashi assentiu.

— É. De certa forma é cruel. O Shiren Shōkan é completamente imprevisível, nojento e sádico…Mas eu te pergunto: quão diferente do que nós fazemos isso é? Em nome de nossas vilas nós destruímos, saqueamos e assassinamos. A única diferença é que teremos de fazer isso diante do mundo inteiro.

Nenhum deles protestou. E o pior era que Kakashi tinha realmente razão.

Sasuke continuava indiferente como sempre. E Naruto, apesar de achar aquilo um pouco extremista, não podia deixar de ficar um tanto interessado, quer dizer… o mundo Shinobi inteiro iria assistir a esses jogos. Era verdadeiramente tentador o desejo de trazer a glória para Konoha, e ser conhecido por todo mundo Shinobi… Sakura, por outro lado, era a única que parecia estar realmente preocupada.

— Sensei… — Ela falou, muito preocupada — quando o senhor diz que esse exame é completamente imprevisível, o que o senhor está exactamente, dizendo?

Houve um longo e tenso período de silêncio, em que a única coisa que se ouvia, era o melodioso e ruidoso som da água cristalina deslizando no riacho que havia sob eles.

— Por exemplo… — Kakashi falou – em um exame normal, há três etapas: o teste escrito, o teste de sobrevivência e os combates de um contra um… mas isso não acontece nesses exames. Eles são o que os cinco Kage e os senhores feudais quiserem. Só pra vocês terem uma ideia: Há vinte e cinco anos atrás, quando Kiri sediou esse exame, eles enfiaram um monte de crianças em uma ilha repleta de câmeras, e deixaram a magia acontecer. O tema foi: A sobrevivência dos mais fortes. Não houve teste escrito. Simplesmente matança por dez longos dias… até sobrar, de um total de cem gennins, apenas nove… e o vencedor, foi aquele que mais Shinobis assassinou… — Por uma razão estranha, Kakashi olhou para Naruto, mas logo voltou a desviar o olhar – essa criança, era um Shinobi de Konoha… de facto, ele viria a ser um grande Shinobi…

E então Naruto entendeu.

— O Yondaime Hokage… — Naruto murmurou, chocado.

Kakashi pareceu ficar surpreso, mas logo depois assentiu.

— Você está certo… enfim, — Ele soltou um profundo suspiro – vocês podem até mesmo ser obrigados a matar os vossos próprios companheiros de equipe…

— Sensei… — Naruto chamou. Kakashi olhou para ele curiosamente – no Shiren Shōkan anterior, quantos times de Konoha foram enviados?

Kakashi o avaliou por um momento, com os olhos negros tão intensos quanto carvão.

— Cinco times, ou seja, quinze Shinobis…

— E quantos voltaram?

Kakashi se remexeu desconfortavelmente.

— Olhe Naruto isso…

— Por favor… — Naruto pediu.

Kakashi suspirou.

— Apenas cinco Shinobis…

— Uma última coisa… o Yondaime… ele chegou a matar Shinobis de Konoha?

Kakashi não respondeu. Apenas suspirou, e olhou o mais seriamente possível para Naruto. E ele se apercebeu que havia passado dos limites.

— Gomen… — Naruto murmurou. Embora não estivesse realmente arrependido. Kakashi assentiu lentamente, com um olhar estranho no rosto. Pena?

Sakura estava chocada, e não pôde deixar de se perguntar como é que o velho e gentil Hokage permitira uma coisa horrível daquelas. Antes que ela se apercebesse, ela sentiu aquelas palavras saindo da sua boca:

— Como é que o Sandaime permitiu uma coisa dessas? – Quando ela se apercebeu do que falara, sentiu o seu rosto ficar vermelho.

Kakashi parecera ficar surpreso pela pergunta de Sakura. Mas ele logo voltou a coçar a sua barba invisível.

— Olhe, Sakura… ele realmente não tinha muita escolha. Konoha tinha saído da Segunda Guerra Shinobi, e a economia estava severamente abalada. Ele precisava de fundos. Mas o Daimyou só apoiaria a vila se Konoha mostrasse que não tinha enfraquecido o seu poderio militar. Era um caso de vida ou de morte. Por isso ele enviou os seus melhores gennins… e não preciso repetir o que aconteceu…

Sakura assentiu, a contragosto. Mas depois ela pareceu se lembrar de algo.

— Espere… e mesmo sabendo de tudo isso, você nos indicou para esse… esse exame? — Sakura perguntou, horrorizada. Kakashi assentiu.

— Bem… de certa forma, sim. Mas não é obrigatório, vocês podem muito bem recusar...

— Eu vou participar... – Sasuke falou, frio como sempre. Se aquela história toda o havia afectado, apenas ele sabia.

Naruto não falou nada, apenas assentiu, distraidamente. Ele ainda tinha aquela frase de Kakashi cravada a fogo no seu cérebro, e ele duvidava que alguma vez esqueceria: o vencedor, foi aquele que mais Shinobis assassinou… O Yondaime Hokage. Quer dizer, ele raramente pensava no seu pai. Mas nesses escassos momentos, ele sempre pensava nele como sendo um homem de um sorriso radiante e carinhoso. Nunca sequer pensou nele como um homem frio e sanguinário. Mas ai estava uma prova incontestável. Com apenas treze anos, o seu pai vencera um Shiren Shōkan, matando inúmeros gennins no processo… e, possivelmente, alguns dos seus companheiros. Naruto nem sabia porque estava tão… desapontado? Triste? Horrorizado? Ele nem sabia descrever os seus sentimentos naquele momento. Ele também não era exatamente um santo… mas mesmo assim, não conseguia deixar de sentir como se… como se fosse o filho de um monstro…

A voz assustada de Sakura o tirou dos seus pensamentos.

— Olhe Sensei... Eu não sei se... – Ela engoliu em seco – se quero participar…

E então, Naruto se apercebeu que aquele exame deveria ser realmente perigoso, para fazer Sakura discordar de algo que Sasuke dissera.

— O que você está dizendo, Sakura? – Sasuke perguntou, irritado – Você está se acovardando?

Sakura recuou um passo, assustada. Ela tremia como uma vara. Naruto nunca a vira tão assustada.

— Vocês não ouviram o que Kakashi-Sensei disse?! isso é loucura...e suicídio... eu não quero morrer…

— Se há uma coisa que eu odeio nesse mundo, são pessoas covardes! – Sasuke gritou, activando o Sharingan em fúria.

Kakashi decidiu intervir.

— Fique calmo Sasuke… — Ele deu um olhar sério e repreensivo para o Uchiha – Sakura tem todo o direito de recusar…

— O Sensei tem razão… — Naruto falou, calmo. Mas a sua voz parecia um tanto profunda e o seu olhar, distante, como se os seus pensamentos estivessem à milhas dali – Você não pode obrigá-la… não quando ela pode morrer…

Sasuke pareceu se acalmar.

— Quer saber? Se você não quiser, não participe, eu e Naruto vamos nos inscrever...

— Loucos. – Sakura murmurou, com uma expressão assustada — Simplesmente loucos.

Como era costume, Sasuke a ignorou.

— Onde nos inscrevemos, Sensei? – O Uchiha perguntou.

— Bem, na verdade – Kakashi sorriu, constrangido – é necessário um trio de gennins para participar…

Sasuke sentiu uma pedra se formar na sua garganta.

— Você só pode estar brincando…

Kakashi aumentou o seu sorriso constrangido, e murmurou, em um tom definitivo:

— Não. Lamento, mas regras são regras…

— Não se preocupe. Nós vamos achar uma outra pessoa – Naruto tratou de sorrir, mas podia se perceber a incredulidade na sua voz. Internamente, ele sabia que qualquer pessoa sã não aceitaria participar — Talvez alguém com habilidades em ninjutsu médico…

Depois de uns segundos particularmente desconfortáveis, Kakashi se pronunciou.

— Bem, eu acho que por hoje é tudo. – Kakashi falou, sorrindo com os olhos – Vocês têm cerca de seis dias. Não se preocupem, eu acho que vocês conseguirão encontrar alguém até lá. Quando isso acontecer, venham ter comigo. Entretanto, treinem… treinem muito. Qualquer coisa, é só me chamar.

E então desapareceu em um Shunshin.

— Eu… — Sakura murmurou, mas depois sorriu, um tanto hesitante – bem, adeus…

Naruto assentiu, e Sasuke apenas a ignorou. Eles observaram, com os olhos apertados, o som dos passos de Sakura se distanciando, enquanto ela partia, sem olhar uma única vez para trás.

— Bem… — Naruto murmurou – quem você tem em mente?

Sasuke olhou para Naruto, surpreso e confuso.

— Ah… eu pensei que você tivesse alguém em mente…

Naruto apenas suspirou, profundamente, com a certeza de que aquele seria um longo dia.

*******************************************

Quando Naruto se apercebeu, o sol já há muito se fora e a lua prateada estava iluminando o escuro véu nocturno. Ele e Sasuke estavam sentados em uma mesa de madeira, do lado de fora do restaurante de dangos.

E eles ainda não haviam achado ninguém.

Mas aquilo realmente não era uma surpresa para Naruto. Porque primeiro: Eles não conheciam muitos gennins. E era uma verdade que Sasuke era muito popular entre as garotas. Porém, todas as suas fãs eram ridiculamente inúteis, só para não dizer pior. Seria mais inteligente eles levarem uma porta (ao menos serviria para alguma coisa) do que alguma daquelas garotas. Segundo: Poucos eram loucos o bastante para participar daquele exame.

Contendo um suspiro, Naruto levou o palito de dangos a sua boca, e deu uma trincada, imediatamente uma sensação doce e áspera explodiu na sua língua. Aquilo era muito bom.

— Naruto… você não conhece mais ninguém? – Sasuke perguntou, fitando o seu suco de tomate, e em uma outra ocasião Naruto teria achado engraçado o pânico e urgência na voz do Uchiha, mas não naquele instante.

Naruto suspirou. Era verdade que ele conhecia mais uma pessoa… Hinata. Mas ele nunca a pediria para participar do Shiren Shōkan. Nem em mil anos. Por isso, ele apenas balançou a cabeça negativamente.

— Nenhuma…

Sasuke suspirou.

— Eu acho que… só nos resta Sakura… — Sasuke falou, como se tivesse uma pedra na garganta.

Naruto apenas arqueou as suas sobrancelhas, antes de suspirar novamente.

— Sasuke, ela recusou participar. Não podemos simplesmente obrigá-la…

— Eu sei… — O Uchiha murmurou mecanicamente, remexendo o seu suco com a palhinha – Eu sei. Mas nós temos que admitir: ela é a nossa única esperança…

— Sasuke… ela pode morrer. Você sabe disso, não sabe? – Sasuke não respondeu. Mas Naruto reconheceu o brilho desesperado e insano em seus olhos negros – Sasuke, não vá fazer nada estúpido…

Sasuke deu um gole no seu suco, e limpou com a mão um filete escarlate que escorria do canto da sua boca.

— Não se preocupe Naruto… eu cuidarei de tudo…

Mas o olhar no rosto de Sasuke era assustadoramente calmo. Naruto sentiu um frio no seu estômago.

— Cara… por favor, não faça nada estúpido – Naruto murmurou, cutucando distraidamente o seu prato de dangos – você me ouviu? Não faça nada estúpido. Amanhã continuaremos procurando.

— Está bem… está bem – O Uchiha suspirou, e deu um último gole, antes de colocar uma nota de dez ryou na mesa – eu… vou indo…

Naruto observou com os olhos semicerrados a figura de Sasuke desparecer entre a multidão de pessoas que havia nas ruas de Konoha. Ele sentiu o gosto horrível de bile na sua garganta. Ele não conseguia deixar de sentir que Sasuke faria alguma coisa muito estúpida…

Mas Naruto decidiu ignorar, por ora. Ele pegou outro palito de dango e enfiou na sua boca, logo depois, deu uma trincada e sorveu o seu suco de laranja.

— Dangos são bons, mas com um suco ficam ainda melhor…. – Ele murmurou, com a boca cheia.

*******************************************

Logo que chegou ao seu apartamento, Naruto se arrastou até o chuveiro e deixou a gélida água percorrer cada centímetro do seu corpo. Quando voltou ao seu quarto, colocou o seu pijama azulado e com raios dourados (em sua defesa, é incrivelmente confortável) e se atirou na sua cama quente. Com um estranho aperto no coração, ele programou o despertador para às 7:30. Ele odiava acordar cedo. Com um suspiro exasperado, deslizou para debaixo dos quentes lençóis, ele estava exausto, e em cerca de cinco minutos, adormeceu.

O seu sono foi marcado pelos lampejos confusos e indistintos do mesmo estranho sonho. Ele treinando com Tobirama. Tobirama desaparecendo. A completa escuridão e a esfera de luz dourada… a bendita esfera de luz dourada! Ele não conseguiu apanhá-la. Outra vez. Mas antes de ser engolido pela escuridão, Naruto prometeu que, um dia, conseguiria apanhá-la… nem que se passassem mil anos.

Ele acordou quase no mesmo instante que ouvia batidas na porta do seu apartamento. Como era costume, ele olhou para o despertador e viu às horas. 7:57. Ele deu uma risada seca. Nem sequer o ouviu tocando. Mas quem, realmente, se importava?!

Esfregando os olhos sonolentos, ele atravessou o seu apartamento, sentindo o soalho extremamente gelado sob os seus pés, como se caminhasse sobre uma camada de gelo. Quando ele chegou a porta, parou a sua mão na maçaneta e respirou profundamente, antes de abrir a porta. Não se surpreendeu. Era Sasuke.

— Eu encontrei uma pessoa. – Foi tudo o que o Uchiha disse.

O cérebro sonolento de Naruto demorou um bom tempo para entender aquela frase. Mas quando isso aconteceu, a única coisa que Naruto fez foi murmurar:

— Que bom. E agora?

Os olhos ónix de Sasuke faiscaram de irritação.

— E agora nós devemos nos inscrever. Vá se trocar. – Os olhos negros de Sasuke o analisaram de baixo pra cima — Falando nisso, é realmente bonito esse seu pijama, onde você comprou?

— Ah, na lojinha da dona Fuyuri…- Naruto deu de ombros e ocultou o muito interessante fato de que aquela era a única loja de roupas da qual não era expulso.

— Você só pode estar brincando. — Sasuke arregalou os seus olhos. — Eu também compro a minha roupa lá. Você já viu aquele novo pijama, o do Super-Samurai?

— Aquele de veludo? – Naruto perguntou. Sasuke assentiu – eu estou pensando comprar aquele…

— Eu também…

Muito repentinamente, eles trocaram olhares intimidantes. A atmosfera havia mudado, estava tensa e ameaçadora.

— Eu vou… — Naruto murmurou, com um olhar sério e penetrante – eu vou me trocar…

Sasuke assentiu, com um olhar sério. Naruto fechou a porta na cara de Sasuke e se arrastou para o seu quarto. Tão logo entrou, ele observou Tobirama entrando flutuando pela janela do seu quarto.

— Onde você estava? – Naruto perguntou. Mas depois ele balançou a sua cabeça – Quer saber? esquece… simplesmente esquece.

— Mau-humor? O que aconteceu?

— Ah… nada – ele sabia que Tobirama não ia entender a dificuldade de se achar um pijama do Super-Samurai e ainda de veludo. – É só a princesa Uchiha…

— Sasuke?

Naruto assentiu.

— É, ele está me esperando. Ao que tudo indica, ele achou uma pessoa louca o bastante para participar do Shiren Shōkan. Eu só quero saber quem é o idiota… ou a idiota…

— O… Shiren Shōkan? – Tobirama perguntou, com uma voz rouca e profunda.

— Ah sim, é um…

— Eu sei o que é o Shiren Shōkan… Eu… — Tobirama tomou fôlego — eu próprio o criei.

Naruto arregalou os olhos.

— Você o quê?

— Você ouviu. As Tribulações da Redenção. É mais uma de minhas obras.

— O que de errado com você, Sensei? — Naruto franziu o cenho, e olhou o mais seria e friamente que podia para Tobirama. — Você sabia que…

— Sim. Eu sei. Eu sei. – Sob a fina íris avermelhada, Naruto conseguiu notar o quanto os olhos de Tobirama estavam tristes e melancólicos.

Naruto suspirou e abriu o seu guarda-roupa, procurando alguma coisa para vestir.

— Então… é por isso que você…

— Hai. É por isso que eu não queria deixar você participar desse exame.

Houve um longo minuto de silêncio. Naruto separou uma roupa limpa e colocou sobre a sua cama. Com um suspiro, Naruto retirou a camisa que estava usando e colocou a camisa branca com capuz que havia colocado sobre a cama.

— Eu entendo o senhor. – Ele murmurou — Eu realmente entendo. Mas há certas coisas que não podem ser… evitadas.

— Eu sei. Mas é só que… eu realmente achei, por um instante, que eles haviam cancelado esse exame sabe… Ele é simplesmente… revoltante.

Naruto assentiu e colocou as mãos na barra da calça do seu pijama, ele estava prestes a se despir, quando a voz de Tobirama o parou.

— O que você pensa que está fazendo?

— Ah… eu – Naruto largou o que estava fazendo e coçou o seu queixo, nervosamente – eu estava me trocando…

Tobirama olhou para ele, entediado. E pareceu se controlar para não revirar os olhos.

— Não faça isso. Eu não quero ter essa horrível visão. Já bastou a vez em que eu vi Hashirama… — Ele tremeu, involuntariamente, com um olhar horrorizado no rosto espectral. Mas depois se recompôs, com um suspiro – enfim…

Naruto suspirou e se controlou para não olhar torto para Tobirama. Não funcionou, realmente…

— Eu estou usando cuecas. – Ele sabia que a conversa estava tomando um rumo estranho, por isso voltou ao que interessava — Porque você o criou?

— Criei o quê?

— O Shiren Shōkan.

Tobirama deu um suspiro profundo e ficou um longo minuto em silêncio, como se estivesse formulando uma resposta. Quando ele era mais novo, sempre que Tobirama o contava uma história, Naruto percebia que os olhos castanhos-avermelhados de Tobirama possuíam um tom distante e que a sua voz era mansa e pensativa. Naquele momento, em vez do seu quarto, ele tentou se imaginar num campo gramado e verdejante, com a lua prateada no alto e uma gélida brisa soprando no seu cabelo, assim como o inebriante cheiro de terra molhada e úmida. Não funcionou, porque quando Tobirama começou a falar, a sua voz não possuía a mansidão de outrora. Naquele momento, ela era triste e melancólica.

— Você tem que entender que, naquela altura, faziam meses desde a criação das Cinco grandes Nações. E, apesar do período de paz que nós atravessávamos, eu sabia que aquilo não iria durar muito… então eu… — Ele deu um longo suspiro, antes de continuar – eu pedi que Hashirama convocasse uma reunião com os outros Kages. Eu aproveitei a ocasião para apresentar a minha ideia. Um torneio entre os gennins das cinco grandes nações. Assim, as nossas crianças poderiam formar laços entre si. Se conhecer. Partilharem sonhos e sentimentos. O que tornaria difícil se aniquilarem uns aos outros. Pode parecer bobagem, muito infantil e até utópico. Mas, depois de todo derramamento de sangue inocente que nós tínhamos vivido, aquele torneio parecia uma luz no fim do nosso túnel. Algo que, no futuro, poderia beneficiar a paz entre as Vilas Shinobi. Inicialmente, a ideia parecia realmente encorajadora… até que os Daimyous tomaram conhecimento. Onde nós, Shinobis, víamos uma oportunidade para mantermos a paz, depois de séculos de derramamento de sangue, os nobres viam uma oportunidade de divertimento…

— E o que aconteceu?

Tobirama olhou para Naruto, subitamente espantado pela voz do discípulo. Ele estava profundamente entretido na própria história. Ele suspirou novamente, antes de continuar.

— Um massacre. Foi isso que aconteceu. Eles modificaram o meu torneio ao ponto de parecer uma pequena guerra. O sangue, os corpos mutilados, os prantos… os gritos de vinganças… o ódio era tanto… — Ele sorriu, tristemente — coisas comuns em guerras. Coisas que eu achava que nunca mais iria ver… não naquele novo e pacífico mundo. A pouca esperança que tínhamos, de que Shinobis poderiam se entender foi completamente destruída. Havia tanta gente que perdeu um filho, um irmão… tanta gente querendo se vingar…E alguns meses depois, a primeira grande Guerra Shinobi começou. Quando terminou, foi decidido que as cinco grandes nações só poderiam estar no mesmo exame a cada vinte e cinco anos… bem, o resto você já sabe.

— Eu… — Naruto pensou em milhares de coisas para se dizer, mas tudo parecia ridiculamente artificial e insensível – sinto muito…

Tobirama sorriu. Um simples e triste arquear dos lábios.

— Sou eu quem devia dizer isso. No seu primeiro ano como gennin, você já vai participar em tal exame. — Suas palavras transbordavam de preocupação.

— Mas tem algo que eu não entendo – Naruto murmurou, como se lembrando de alguma coisa – porque vocês simplesmente não recusaram?

— Você não ia entender.

— Tente.

Tobirama suspirou, parecendo incrivelmente cansado.

— Nós somos Shinobis. Nós servimos. E recusar aquilo, era a mesma coisa que recusar o novo sistema Shinobi. O sistema das vilas Ocultas. Entenda o seguinte: Quando nós construímos uma Vila na Terra de um determinado Daimyou, automaticamente, passamos a ser seus servos. Devemos a ele serviço e proteção. Os Kage´s, são apenas líderes militares. Quem controla todo o resto, é o Daimyou. Mas isso realmente não nos importava. Desde que as crianças não tivessem que ser enviadas para guerras sem sentido. Se nós atacássemos os Daimyous, provavelmente venceríamos, mas aquilo seria o colapso de tudo. Voltaríamos ao que éramos antes. Clãs mercenários que se matavam entre si, desde que houvesse dinheiro.

— Então… o que o senhor está dizendo é que…

— O problema não está no sistema em si, mas sim nas pessoas. Por isso, ele deve ser mantido e respeitado.

Naruto apenas assentiu, com uma expressão incrivelmente obscura.

A lei é dura, mas é a lei. — Ele murmurou, como se recitasse as palavras de um livro incrivelmente antigo.

A sombra de um sorriso triste iluminou o rosto translúcido de Tobirama.

— Usando as minhas próprias palavras contra mim? Fui eu quem ensinou isso a você…

Pela falta de coisas que lhe passavam pela cabeça, Naruto apenas assentiu, com uma expressão neutra no rosto. Era o melhor que podia fazer naquele momento.

*******************************************

Naruto fechou a porta do seu apartamento, e girou a chave na maçaneta. Efectivamente a trancando. Quando ele se virou, encontrou o rosto pálido e irritado de Sasuke o encarando.

— Você demorou.

Naruto apenas franziu o cenho para Sasuke, com a sombra de um sorriso tremendo nos seus lábios. Mas ele não sorriu. Em vez disso, apenas deu de ombros.

— Vamos ou não?

O Uchiha suspirou e balançou a cabeça em reprovação, antes de saltar para o telhado do apartamento de Naruto. E sem uma única palavra, Naruto o seguiu, diminuindo (e muito) a sua velocidade, para que não ultrapassasse o Uchiha. Mas Naruto acabou gostando. O clima continuava frio e um vento particularmente gostoso acariciava o seu rosto, com uma delicadeza quase maternal. Maternal… ele se perguntava qual seria a sensação da mão da sua mãe acariciando o seu rosto… ele balançou a cabeça, espantando aqueles pensamentos tristes.

— Oe, Sasuke. Quem foi que você encontrou?

O Uchiha virou, minimamente, o rosto em sua direcção. Antes de suspirar e voltar a se concentrar na tarefa de correr pelos telhados alheios. Depois do que pareceu ser dois longos minutos, Sasuke murmurou:

— Você vai ver.

Naruto franziu o cenho, e estava prestes a perguntar novamente, quando ouviu Sasuke dizer:

— Chegamos.

A primeira coisa que Naruto reparou foi o som. Era ruidoso e suave. Como… água. Água correndo. Olhando ao redor, Naruto demorou um bom tempo para perceber onde eles estavam. Era a ponte que eles usavam como ponto de encontro, e a água brilhava fracamente, reflectindo o sol esbranquiçado.

— Eu não estou entendendo. Porque estamos aqui?

Sasuke deu de ombros.

— Eu falei pra ela chamar o Kakashi-Sensei.

Ela? — Naruto franziu o cenho.

Mas antes que ele dissesse qualquer outra coisa, o seu nariz coçou intensamente, quase no mesmo instante em que ele sentia dois cheiros distintos chegarem às suas narinas. Livros velhos e a exagerada fragrância de cereja. Ainda estavam longe, mas eram cheiros estranhamente familiares. Kakashi e Sakura. Naruto suspirou:

— Sasuke… o que você fez?

O olhar no rosto de Sasuke era negro como carvão.

— Eu fiz o que tinha a fazer.

— Não é isso, bem… em parte é. Mas não foi isso que eu quis dizer. Eu quero saber o que você fez para convencê-la?

A pele pálida no rosto inexpressivo de Sasuke ficou com um imperceptível rubor. O que era realmente engraçado, já que ele estava com a sua típica expressão de eu sou fodão.

— Eu… beijei ela.

Naruto olhou fixamente para Sasuke durante um longo minuto, parecendo completamente chocado.

— Você… o quê?

— Você ouviu. Eu… beijei a Sakura.

Naruto continuou encarando Sasuke por mais alguns segundos, antes de explodir numa gargalhada. Sasuke ficou furioso.

— Do que você está rindo?!

— Ah, Sasuke… Sasuke… — Naruto balançou a cabeça, ainda rindo – eu não esperava uma coisa dessas vinda de você. É sério. É que você é tão…

— Tão o quê?

— Bem… tão você. É realmente chocante.

— Então acho que seria uma má altura pra dizer que eu a pedi em casamento.

Naruto se engasgou.

— Você…o quê?

— Eu estou brincando. – A curva dos lábios de Sasuke se curvou em um pequeno sorriso sarcástico.

— Uau. Eu estou realmente surpreso. Primeiro o beijo e agora você sendo sarcástico. O que é que Sakura está fazendo com você, Sasuke-Kun?

— Ah, cale a boca! – O seu rosto ficou vermelho como uma beterraba -Eu fiz aquilo para nos salvar. Era a única forma de convencê-la.

— Vou fingir que acredito. – Naruto deu de ombros, com um sorriso — Mas enfim, como foi?

— Como foi o quê?

— O beijo, seu retardado!

— Err… Naruto, isso está ficando muito estranho. Se eu bem me lembro, há um código masculino que é contra esse tipo de conversa.

— Esse tipo de conversa?

— Sim. Conversas sobre sentimentos.

Uma sombra de compreensão passou pelo rosto de Naruto.

— Eu não perguntei se você está apaixonado por ela. Eu perguntei como foi?

— Molhado e pegajoso. – Sasuke viu Naruto fazer uma expressão estranha. Nojo? O Uchiha não sabia exatamente — Mas ainda assim… estranhamente… bom. Um dia você vai entender…

Naruto deu de ombros.

— Quem diria, hein? Você é melhor do que eu em alguma coisa. E eu não consigo suportar isso. Eu tenho que beijar alguém urgentemente. Será que você não está interessado, Sasuke-kun?

— Eu sabia que havia alguma coisa errada com você.

Naruto sorriu. Mas depois a sua expressão ficou repentinamente séria.

— Mas agora a sério. – A sua voz era calma e a expressão, neutra — Apesar de tudo isso ser muito engraçado, você não deveria ter feito isso.

— Tempos extremos exigem medidas extremas. – Sasuke falou, em um tom estranhamente sombrio — Eu fi-lo por nós.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

— Não. – Naruto balançou a cabeça negativamente – Isso foi incrivelmente cruel e baixo. Mesmo vindo de você.

— O que você quer dizer?

— Ah, Sasuke. Todo mundo sabe que ela engoliria uma cobra sem hesitar, desde que você pedisse.

— Eu sei. Mas eu não tive escolha.

O olhar no rosto de Naruto mudou. Era escuro e afiado. E parecia penetrar Sasuke como Kunais.

— Você estava apenas sendo estúpido e egoísta. – Ele murmurou, lentamente — Ela não é como nós.

Sasuke levantou o olhar, havia um brilho de fúria contida nos seus olhos frios e escuros.

— Como nós? Você quer dizer forte como nós?

— Ah, não se iluda pequeno e tolo Uchiha. Você também não é forte como eu. Nem o Kakashi-Sensei é. O que eu realmente quero dizer, é que ela não é como nós. Você sabe… órfãos. Ela ainda tem um pai e uma mãe que se preocupam com ela. Se nós morrermos… algumas pessoas irão sentir a nossa falta. Mas se ela morrer… vai partir o coração dos seus pais.

Naruto observou o rosto pálido de Sasuke ficar repentinamente horrorizado.

— Eu não…

Mas o que quer seja que ele fosse dizer, se perdeu na sua garganta, quando Sakura e Kakashi se materializaram diante de si.

Kakashi parecia ligeiramente confuso e curioso. E Sakura… bem, ela estava estranhamente estranha (eu não resisti). Muito mais do que o costume.

— Yo… — Kakashi murmurou, ainda confuso e atordoado – posso saber o porquê de vocês terem me chamado? – Ele apontou para o livro alaranjado que tinha na mão — Quando Yuki e Aoi estavam prestes a…

Naruto o interrompeu.

— Sensei… chega. Eu quero conseguir dormir essa noite.

Kakashi suspirou.

— Enfim… o que aconteceu?

Sakura abriu a boca, prestes a dizer alguma coisa, mas Sasuke a interrompeu.

— Sakura aceitou.

Um lampejo de emoções passou pelo rosto de Kakashi. Raiva. Surpresa. Orgulho. Choque. Medo. Assim como as sombras pesadas e escuras das milhares personalidades que ele protagonizou ao longo dos anos. Shinobis eram mesmo assim. Incrivelmente falsos e astutos, quase nunca se podia dizer se eles estavam sendo verdadeiros ou não. Até que, finalmente, ele pareceu encontrar a máscara de Sensei preocupado.

— É mesmo? – Kakashi murmurou, com um sorriso nos olhos, embora estivessem um tanto sombrios e misteriosos – Isso é verdade Sakura?

— Eu… sim.

O Jounnin suspirou.

— Nesse caso… — ele enfiou a mão em um dos bolsos do seu colete, e puxou três pequenos folhetos – vocês devem preenchê-los e entregá-los pro Hokage-Sama. – Ele caminhou entre eles, e entregou cada um dos folhetos para cada um dos seus alunos – Alguma questão?

A mão de Naruto se ergueu no ar.

— Ah… sim. Tem uma parte que diz: Assinatura do responsável legal.­— Naruto deu um fraco sorriso — Se "hipoteticamente" falando, os meus pais estivessem mortos e eu vivesse com um fantasma super-misterioso, o que eu deveria fazer?

Sasuke assentiu.

— Eu concordo com ele. Exceto a parte de viver com um fantasma.

Os olhos escuros de Kakashi ficaram repentinamente tristes e os de Sakura ficaram com… pena? Naruto imediatamente trincou os dentes. Completamente irritado. Ele odiava aqueles olhares. O fazia se sentir como um cachorrinho abandonado e ferido. Ele não era um cachorrinho. Ele podia, facilmente, suportar olhares de ódio. Mas não aqueles olhares de pena.

Uma sombra de compreensão passou pelo rosto de Kakashi. Ele pareceu perceber a irritação de Naruto, e decidiu voltar ao costumeiro desinteresse. Bem melhor, Naruto pensou.

— Bem, — Kakashi murmurou, coçando o queixo — eu acho que, nesse caso, "hipoteticamente" falando, você não deveria se preocupar. O Hokage provavelmente não iria se importar.

Naruto deu de ombros.

— Talvez…

Kakashi coçou o seu queixo, um pouco desconfortável.

— Bem, se for somente isso… eu acho que…

— Sensei… – Sakura o interrompeu, a mão erguida e com uma expressão estranhamente determinada e séria – tem uma coisa que eu quero pedir…

Kakashi apertou os seus olhos.

— O que foi?

— Eu quero que o Sensei nos treine. – Ao ver a expectativa nos rostos de todos, Sakura continuou – E eu não estou falando de Jutsus estúpidos para escalar árvores. Eu estou falando de um treino sério. Eu quero sobreviver na arena. Se há algo que eu aprendi no País das Ondas é que… nesse mundo existem pessoas incrivelmente fortes. E eu não quero me sentir como um estorvo. Eu não quero me sentir novamente daquele jeito. Com medo. Como naquela ponte. Eu quero ser mais forte.

Quando Sakura acabou, ela esperava encontrar olhares de deboche, mas ela apenas viu o quanto eles estavam surpresos. Depois de uns segundos, Sasuke assentiu:

— Sakura está certa. O mundo Shinobi inteiro vai nos assistir, não? Então ele também. Eu quero mostrar para ele que eu sou forte.

Kakashi suspirou e coçou o seu queixo por uns segundos, antes de assentir.

— Está bem. – Ele se virou para Naruto – Eu… vou precisar da sua ajuda.

Naruto franziu o cenho de um jeito completamente confuso. Kakashi continuou.

— Você é forte. Inclusive, muito mais forte do que eu. – Ele pareceu estranhamente envergonhado ao admitir isso — Mas é completamente impossível, mesmo pra você, sobreviver naquela arena sozinho. Você precisa deles. Mas no nível em que eles estão…

— Eu entendi. – Naruto murmurou — Não precisa explicar.

Kakashi sorriu.

— E então…?

— Está bem.

Kakashi sorriu com os olhos.

— Excelente! Me encontrem, hoje, exatamente nesse lugar. Ao pôr-do-sol. — Eles assentiram – E não se esqueçam de trazer os equipamentos necessários. Nós vamos estar… fora por uns tempos.

Eles assentiram, e então eles viram Kakashi desaparecer em um redemoinho branco-esverdeado de folhas.

*******************************************

— Uau… são tão… lindas

Naruto não teve muita reacção, a não ser arquear as sobrancelhas. Sakura era incrivelmente estranha. Mas segundo Naruto se lembrava, Hinata, assim como quase todas as garotas que ele conhecia, eram exatamente iguais. Bem, talvez todas as garotas fossem exatamente iguais. Essa era a única coisa que a sua mente conseguia concluir, depois de doze anos naquele mundo. Bastava verem uma senhora bonita, com um vestido que ele supunha, também fosse bonito, elas começavam a suspirar e a balbuciar um monte de coisas que ele não entendia. E era exatamente aquilo que estava acontecendo.

As ruas sempre cheias de Konoha, estavam completamente desertas, a não ser é claro, pela gigantesca e lustrosa fileira de carruagens brancas puxadas a cavalos que desfilavam orgulhosamente pelas ruas de Konoha, como se fossem donos delas. Bem, talvez realmente fossem, Naruto pensou. Dentro das carruagens, trajando vestes extremamente coloridas e extravagantes, estavam os nobres. Pessoas da mais alta classe social. E Naruto sabia exatamente porque eles estavam ai. O Shiren Shōkan.

— Tão linda… — Sakura murmurou, com coraçõezinhos nos olhos, quando viu uma princesa particularmente linda. Mas Naruto apenas franziu o cenho. O seu rosto estava coberto por um pó estranho e branco (que ele viria a descobrir que se chamava maquiagem) e um monte de negócios que ele achava realmente desnecessário e artificial. Sim, ele tinha que admitir que algumas eram realmente bonitas, mas a seu ver, era tudo muito forçado. Banho, roupas e talvez, pentear os cabelos, era a sua ideia de uma pessoa apresentável.

— Vamos embora… — ele murmurou, com as mãos nos bolsos da sua calça. Ele se sentia meio desconfortável e nauseado, mas sobretudo nauseado, olhando pra aquilo. Afinal, todas aquelas pessoas vieram para vê-los morrer. E por nenhum outro motivo. Simplesmente aquele.

— Sim. Vamos. – Sasuke murmurou, com o rosto estranhamente inexpressivo e pálido – nós temos que levar as nossas inscrições para o Sandaime.

— Mas… já? – Sakura resmungou, ainda olhando maravilhada para o desfile.

— Sim, Sakura. Já. – Naruto se assustou com o modo que a sua voz saía fria e dura – Temos que começar a treinar. Ou toda aquela conversa sobre ficar forte foi apenas-

— Está bem. – Ela o cortou — Eu vou.

Naruto suspirou e assentiu.

— A sua ficha de inscrição… — ele apontou para a folha na mão de Sakura – está assinada?

— Bem… — ela sorriu, constrangida — mais ou menos.

Naruto apertou os olhos.

— O que você quer dizer?

— Bem… quando eu contei sobre o Shiren Shōkan aos meus pais, eles negaram. Ao que parece, uma amiga da minha mãe morreu há vinte e cinco anos atrás, quando participou nesse exame. Mas… — ela mordeu o lábio, em um gesto nervoso — eu não podia receber um não como resposta… então…

— Então…?

— Eu usei um genjutsu neles. – Ao ver os olhares chocados nos rostos de Naruto e Sasuke, ela apenas deu de ombros, com um fraco sorriso no rosto – Eles são civis. Foi fácil. Odiosamente fácil.

— Sakura… isso foi…

— Sim. Eu sei. – Ela murmurou — Foi incrivelmente… errado.

Naruto apenas suspirou antes de dar um pequeno e estranho sorriso.

— Bem… isso quer dizer que, agora, nós devemos, sem dúvida alguma, realmente vencer.

Sakura meneou a cabeça positivamente, mas não falou nada.

Segurando um suspiro, Naruto saltou para o telhado de uma casa. Um segundo depois, Sasuke e Sakura também estavam correndo ao seu lado.

Estava fazendo aquele estranho frio característico do início do Outono. E ele sabia que, muito em breve – provavelmente semanas — as ruas coloridas de Konoha estariam cobertas de neve. Era realmente estranho o Inverno. Ver os telhados coloridos das casas, as folhas verdejantes das árvores, as ruas, enfim, absolutamente tudo, tingido por apenas uma cor. Branco. Apesar de tudo, ele adorava o Inverno. Tinha uma boa desculpa para acordar tarde.

Ele interrompeu aqueles pensamentos quando viu a enorme e vermelha construção surgir no horizonte de Konoha. O prédio do fogo. Ele, inconscientemente, elevou o seu olhar, ao ponto de visualizar o monte dos Hokages, para ser mais específico, o rosto duro e esculpido do Yondaime Hokage. Ele se perguntou se Minato também gostava do Inverno… provavelmente não.

*******************************************

Eles se entreolharam nervosamente por um longo minuto, antes de Naruto suspirar e bater na porta. Eles ouviram o Sandaime gritar entre. Mas havia qualquer coisa de diferente na sua voz normalmente gentil. Quando Naruto abriu a porta e visualizou o velho Kage, finalmente percebeu o que havia de diferente.

Apesar do sorriso gentil que ele esboçou ao vê-los, Naruto podia notar o quanto a expressão no rosto do Hokage era abatida e cansada. O seu rosto, abatido pela tristeza, parecia muito mais velho e marcado, e haviam profundas e escuras olheiras sob os seus olhos. O que, aos olhos dos gennins, era realmente estranho, pois apesar dos cabelos grisalhos, ele sempre tinha um brilho no olhar que o fazia parecer muito mais jovem.

— Hokage-Sama… — Naruto se curvou, em uma mesura e colocou as mãos nos ombros de Sakura e Sasuke, para que fizessem o mesmo – nós queremos…

— Eu sei exatamente o que vocês querem… — Naruto franziu o cenho. Até a voz incrivelmente majestosa do Sandaime aparentava um profundo cansaço – e, por favor, não precisa me tratar tão polidamente, Naruto-Kun…

A curva dos lábios de Naruto se arqueou ligeiramente, em princípio de um sorriso.

— Hai, velhote…

Um lampejo de divertimento passou pelas feições sérias do Sandaime. Mas ele não sorriu, como normalmente faria, apenas suspirou e fez um gesto para que eles se aproximassem mais da sua mesa.

— Eu sei que Kakashi-Kun provavelmente já deve ter vos explicado. E vocês provavelmente devem estar muito seguros de que querem participar – Os três assentiram — Mas eu me sinto na obrigação de vos dizer algumas coisinhas antes… peço que me desculpem por isso. – O Sandaime suspirou profundamente, e se arrependeu por ter esquecido de comprar certas… ervas… naquele instante um cachimbo cairia bem… ajudava a relaxar — Em um ano comum, participar de um exame Chunnin é um verdadeiro pesadelo. As mortes, mutilações… enfim, simplesmente assustador. Mas… para piorar as coisas, esse ano é o centenário aniversário dos Chunnin Chiken, e isso significa também um Shiren Shōkan. Eles acontecem a cada vinte e cinco anos, como "lembrança" dos horrores da guerra, e como uma forma de estimular a paz entre nações, se bem que… — ele pigarreou forçadamente e piscou um olho para os gennins — espero que os outros Kages não me oiçam dizendo isso, mas… na prática não é isso que acontece, no fundo, são apenas uns jogos sádicos e cruéis. Criados para o divertimento dos verdadeiros donos desse mundo. Os Daimyous. E como tal, a carnificina é um milhão de vezes maior. Com celebrações exageradas e, para diversão extra, alguma mudança miserável nos testes. E esse ano, pela primeira vez, nós vamos sediar esse torneio. E se há algo que eu tenho a vos dizer, é que nós estivemos planejando isso há mais de vinte anos. Será muito… qual é mesmo a palavra? Ah, sim. Inesquecível. Dito isso, eu vos pergunto: Vocês têm certeza?

Naruto não hesitou em assentir, e mesmo sem olhar para os lados, ele tinha certeza que Sasuke e Sakura também haviam assentido. Ele segurou um sorriso triste. Ele nunca esteve vivo para presenciar um Shiren Shōkan, é claro. Mas mesmo assim, já odiava tudo aquilo. A única coisa que o fazia querer participar, era o evidente fato de que, se quisesse ser Hokage, ele tinha que vencer aquela merda. E se aquilo significasse divertir um bando de filhos da puta… bem, ele teria que engolir o seu orgulho. Além de que, é claro, ele tinha a plena certeza de que, sem ele, os Gennins de Konoha seriam caçados como animais. Isso era uma clara desvantagem para Konoha. Konoha vencera os Três Shiren Shōkan, e as três Grandes Guerras Shinobis. Todas as Vilas os odiavam. Sem exceções. Era como se eles tivessem um alvo pintado nas costas.

Ele viu o Sandaime suspirar, e logo depois massagear as têmporas. Naruto apertou os olhos. O velho Hokage parecia muito cansado.

— Está bem. Nesse caso, vocês têm as autorizações dos vossos responsáveis legais?

Sakura ergueu a mão e deu um passo em frente, entregando um papel nas mãos enrugadas do Sandaime. O Hokage se voltou para os outros.

— E vocês, Naruto-Kun e Sasuke-kun?

— Bem, o senhor sabe que os meus pais estão… mortos, velhote, eu achei que o senhor poderia assinar por mim?

Sasuke também assentiu, como se concordando. O Hokage franziu o cenho e depois suspirou.

— Eu… tinha me esquecido disso – ele murmurou, parecendo distraído e pensativo, a sua mente parecia estar à milhas dali – mas tudo bem.

Eles entregaram as fichas para o Hokage, e segundo Naruto notou, as mãos enrugadas do Sandaime, estavam trémulas e tensas. O que raios se passava com ele?!

Antes que Naruto pudesse perguntar exatamente isso, ele viu o Sandaime se levantar da sua mesa e começar a caminhar em direcção à porta.

— Me sigam. – Foi a única coisa que o Hokage disse.

Contendo um suspiro, Naruto seguiu o Hokage, sentindo os chakras de Sasuke e Sakura atrás de si, a medida que eles atravessavam os longos e estreitos corredores do prédio do fogo. Naruto estava, naturalmente, deveras curioso. Quer dizer, pra onde eles estavam indo?!

Ele mantinha os seus olhos fixos nas costas do Sandaime, enquanto este os guiava para os andares superiores. O Hokage entrou por portas que Naruto não tinha conhecimento da sua existência, e subiu escadas estranhas, indo cada vez mais pra cima. Até que eles, repentinamente pararam diante de uma porta branca, com detalhes de ouro.

O Hokage cumprimentou, com um aceno, os dois Chunnins que estavam de guarda diante da porta. Eles se curvaram, em uma profunda e respeitosa reverência. Enquanto Naruto, Sasuke e Sakura apenas ficavam parados, sem ideia do que fazer… ou dizer.

— Eles já chegaram? – Hiruzen perguntou, com uma voz séria.

— Hai, Sandaime-Sama… — Um dos Chunnins falou, assentindo – O senhor quer que eu os chame?

— Não – O Hokage disse, com um suspiro – Nós vamos entrar. Crianças, venham comigo.

Sem terem a mínima ideia do que fazer, eles apenas assentiram e seguiram o Sandaime, enquanto este abria aquela estranha porta. Logo que Naruto entrou, ele levou o antebraço diante do rosto, tentando se proteger da intensa luminosidade.

— Ai… — Sakura gemeu de dor, quando o seu rosto se chocou contra as costas de Naruto – porque você parou?

— Desculpe… — Naruto murmurou, ainda tentando enxergar.

Depois de alguns segundos, ele sentiu os seus olhos se ajustarem a claridade e o que ele viu, fez com que as suas sobrancelhas se crispassem em aparente descrença. Eles estavam em um enorme e largo corredor, e segundo supunha, no penúltimo andar do prédio do fogo. Ao longo do corredor, haviam portas lustrosas e pintadas de ouro, provavelmente eram quartos. Tudo era incrivelmente brilhante e colorido. As paredes rosas, o piso de mármore branco e até os gigantes lustres pendurados ao longo do teto. Era como se fosse uma espécie de hotel… Mas não podia ser. Eles estavam dentro do prédio do fogo.

— Que lugar é esse?

O Sandaime deixou os ombros caírem, aparentemente cansado.

— São suítes. Construídas no topo do prédio do fogo durante a primeira Guerra Shinobi.

— Porquê? – Sakura perguntou.

O Sandaime olhou pra ela por um instante, antes de suspirar.

— Para albergar o Daimyou e a sua família durante períodos de guerra. – Ele sorriu, tristemente — E, como estamos prestes a simular uma, eu achei apropriado.

Uma sombra de compreensão passou pelos rostos dos gennins. Eles apenas assentiram, e pareceram se lembrar que estavam há minutos especados na entrada.

— Vamos.

Eles estavam atravessando o corredor de mármore, indo em direcção — ao que tudo indicava — para um dos últimos quartos, quando uma porta diante deles se abriu. E aconteceram duas coisas diferentes:

Primeiro – O Sandaime, que ia em frente, parou de caminhar, e como tal, o nariz de Naruto se chocou contra as costas do Hokage. Provocando uma estranha reacção em cadeia, que fez com que Sakura e Sasuke se chocassem contra as suas costas também.

Segundo (e provavelmente mais importante) – A pessoa que havia saído pela porta, estava agora parada no meio do corredor e os encarava afiadamente. Era um homem velho, mas não muito, provavelmente tinha cerca de sessenta anos, os seus cabelos eram longos e escuros, assim como os seus olhos puxados, e trajava um quimono (muito caro) verde-escuro.

Se recuperando do choque, o Sandaime fez uma pequena reverência.

— Daimyou-sama.

O Daimyou do fogo, pigarreou e esboçou um pequeno sorriso. Não era exatamente amigável, estava mais para um sorriso que um chefe esboçaria ao ver que o subordinado havia feito um bom trabalho.

— Hiruzen-kun… — ele falou, com uma foz estranhamente fina e esganiçada – é uma surpresa vê-lo aqui…

Os músculos do Sandaime ficaram realmente tensos e rígidos, e quando voltou a falar, a sua voz normalmente gentil, estava estranhamente polida e amigável.

— Azuka-Sama, sendo o Hokage dessa vila, eu julgo que é deveras esperado nos vermos aqui…

Mas Naruto notou, que além daquela polidez forçada, a voz do Sandaime possuía um leve traço de ameaça. Mas o Daimyou pareceu não notar.

— Ah, é mesmo? – A voz melodiosa do Daimyou parecia entediada, mas ele continuava sorrindo – é que essa suíte é estranhamente parecida com a minha, e eu meio que pensei que estava no meu castelo… realmente estranho… mas enfim, o que você quer tratar comigo?

— Ah, não é com o senhor que eu quero falar. É com a senhorita Kaneko.

O Daimyou pareceu ligeiramente ofendido por não ser o centro das atenções, como normalmente estava acostumado. E ele levou um bom tempo em silêncio tentando se lembrar de que raios era a senhorita Kaneko e como devia puni-la. Mas quando se lembrou, ele arregalou os olhos de um modo que Naruto julgou completamente forçado.

— Ah, é mesmo. A estilista, não? — O Sandaime assentiu. E só então Azuka notou as três crianças ao lado do Sandaime, o seu olhar se demorou praticamente em Naruto – Hum, quem são esses?

— São gennins de Konoha. Eles vão participar n´As Tribulações da Redenção.

— É mesmo? – Ele apertou os olhos escuros e apontou pra Naruto – Hum… Tu lembras-me uma pessoa, criança…

Naruto apenas moveu ligeiramente os ombros, em indiferença. E ele sentiu o Sandaime ficar pálido. Ele provavelmente estava o confundindo com Minato…

"Eu tenho que cortar o cabelo… — Naruto pensou — seria realmente entediante ter um monte de pessoas me parando apenas por me confundirem com o Yondaime…"

O Sandaime deu um sorriso nervoso.

— Azuka-sama, deve ser apenas uma mera impressão…

O Daimyou balançou os seus cabelos escuros.

— Não… eu tenho uma excelente memó… Espere! É isso. Tu és parecido com aquele homem… qual era o nome mesmo? Ah, sim. Minato, o Yondaime Hokage.

O Sandaime ficou realmente pálido. Mas Naruto não esboçou muita reacção, a não ser é claro, curvar os seus lábios ligeiramente para cima, em um singelo sorriso. E ele sentiu o Daimyou ficar ainda mais arregalado.

— Sim. Eu tenho certeza… esse sorriso… é praticamente o mesmo. – Ele parecia verdadeiramente surpreso – Tu… és filho dele, não és?

Antes que o Sandaime dissesse qualquer coisa, provavelmente uma mentira, Naruto murmurou:

— Sim…

Ele sentiu o Sandaime ficar ainda mais rígido, e mesmo sem olhar pra trás, ele tinha certeza que Sasuke e Sakura também deviam estar muito chocados.

— Eu sabia! Eu sabia! – O Daimyou gargalhava, como uma criança que havia ganhado doces – Então tu provavelmente deves ser bem forte, já que és filho daquele monstro… eu acho que Konoha vai voltar a vencer…

O Sandaime pareceu se recuperar primeiro:

— Daimyou-Sama, peço sinceramente que nos perdoe, mas nós temos questões de suma importância para discutir com a madame Kaneko…

— Ah, é claro que vós tendes… — ele sorriu, com os olhos escuros e afiados ainda fixos no loiro – bom, então eu deixar-vos-ei em paz. Fazem anos desde a última vez que eu experimentei as maravilhosas fontes termais dessa Vila…

Quando o Daimyou estava atravessando o corredor, em direcção a saída, ele parou para colocar a mão no ombro de Naruto, foi apenas um instante, mas à aquela proximidade, ele sentiu o nauseante cheiro de Azuka. Rosas e sangue. Como uma estranha e bizarra colônia.

Ele viu o Daimyou se debruçar ligeiramente e sussurrar perto do seu ouvido:

— Eu estou apostando em você. – Naruto sentiu os pêlos da barba daquele homem roçarem na sua orelha, e ele se controlou, bravamente, para não enfiar uma Kunai nos olhos escuros dele — Não me decepcione, criança.

E então ele se foi, no seu quimono caro e brilhante, deixando pra trás o seu nauseante cheiro. Rosas e Sangue.

Naruto repentinamente sentiu uma dor na sua mão. Olhando pra ela, ele viu que sangue escorria do seu punho cerrado. Abrindo a mão, ele percebeu que as suas garras haviam saído e perfurado a parte interna da mão. Ele inspirou profundamente o ar. Precisava se acalmar, não podia perder o controle assim tão facilmente.

— Naruto-Kun… — O Sandaime murmurou, a voz estranhamente hesitante – você…

— Sim. – Foi tudo que Naruto murmurou.

Ele não queria soar ríspido ou irritado, mas aquilo era difícil quando a sua mente ficava divagando nas mil e uma formas que poderia matar Azuka. Ele se sentiu repentinamente nauseado só de pensar que teria que agradá-lo para poder ser Hokage… o cheiro dele era realmente repugnante. Naruto tentou imaginá-lo tomando banho, em uma banheira com rosas e sangue… e o seu estômago se embrulhou ainda mais.

— Vamos continuar… — Naruto murmurou, colocando o capuz sobre a cabeça.

O Sandaime, ainda estranhamente chocado, apenas assentiu e começou a andar, com os gennins no seu encalço.

Naruto conseguia sentir os olhares fixos em si, a medida que atravessava o corredor. Ele sabia que uma hora u outra Sakura e Sasuke provavelmente o encheriam de perguntas. Mas ele não estava arrependido. Muito pelo contrário. Ele sentia-se mais… leve. Menos um segredo.

Notas finais
Ei, esse capítulo gastou muito tempo pra ser escrito, nada mais justo do que COMENTAR, né? Esse é um capítulo em que eu vou precisar realmente de muitas opiniões (sobre o Shiren Shōkan), por isso, não se acanhem! O próximo capítulo depende inteiramente da reação desse… Até…