A Imperatriz Dorothea ergueu a taça e todos fizeram o mesmo e gritaram, enlouquecidos. Quem os visse acharia que são loucos ou que estariam em uma guerra, porém tudo fazia parte da celebração. O banquete já havia sido servido e agora saboreavam uma sobremesa, pudim de chocolate e sorvete de diversos sabores. Se encontravam em um cômodo vasto e enorme. As paredes eram azuis e estavam lotadas de quadros, todos da Família Imperial. Uma mesa enorme estava no centro do local com os pratos, agora vazios, e as mesas menores estavam sendo usadas por todos battleonianos. Aquela sala era um verdadeiro mostruário de coisas da realeza. Alex estava sentada em uma cadeira, parada como uma estátua. Uma artista pintava em sua tela o belo rosto da garota, que parecia feliz com isso. -Você parece contente, milady. – disse a artista, sorrindo para ela. Esta pintou o ultimo detalhe na obra e virou a tela para que a menina pudesse ver o que havia feito. Alex franziu a testa em aprovação. – Gostou? -Gostei. Estou liberada? – ela olhou sobre o ombro da mulher e seu olhar pairou aonde Clarisse conversava com dois garotos. O primeiro estava muito bem vestido, com roupas muito luxuosas e muito elegantes. Tinha o cabelo um pouco longo e castanho escuro. Ela não pôde ver muito sobre ele, pois ele estava de costas. Mas conseguiu perceber que ele era o mais alto dos três, possuindo uma diferença de alguns centímetros. Já o outro menino era mais baixo, vestia uma roupa larga e quase o dobro de seu tamanho. È o mais baixo de todos os três e tem o cabelo castanho um pouco mais claro e mais curto que o normal. Vendo-o de longe não poderia saber muito sobre sua personalidade, entretanto, suas vestes denunciavam que ele é um garoto desengonçado e desajeitado. Ambos têm a mesma faixa etária de nove anos. — Está, senhorita. – a artista respondeu, olhando para a Imperatriz que estava pouco distante das duas. – A sua mãe está a lhe chamar, criança. È melhor ir. – ela guardou a tela do lado do corpo e estendeu a mão direita para a menina. – Eu sou Monet. -Prazer, Monet. – ela apertou a mão da artista e soltou numa fração de segundo. Caminhou bruscamente onde sua mãe estava. A Imperatriz Dorothea se parecia muito com a mulher da família Adams o que chegava a ser irônico já que Alex se veste igualmente à garota do filme A Órfã. – Chamou? -È evidente que sim. Procure por sua irmã e encontre um par para ambas. Em instantes faremos a dança final e esta é obrigatória a todos. – enquanto falava em momento algum ela olhou para a filha. Alex tentou fazer com que isso não a intimidasse. – E logo após iremos apresentá-las ao nosso reino. Agora vá. Não seria preciso ouvir novamente para que ela obedecesse de uma vez. Também não foi preciso muito tempo para encontrar Alexia. Ela estava no corredor que levava ao salão, conversando com um dos garotos que antes estivera com Clarisse. -Devo lhe avisar que nossa mãe está chamando por você. Ela exige a nossa presença para uma dança, que infelizmente é obrigatória. — Tudo bem, eu não me incomodo de dançar novamente. – Alexia murmurou. -Que seja. – Alex respondeu, dando de ombros. Ela começou a andar mas parou ao ver que a irmã não a acompanhara.- Vai ficar ai conversando com seu amiguinho ou vem comigo de uma vez? Os três voltaram para o salão, todavia Alex ainda teria que encontrar um par para si, e dançaria apenas por alguns tediosos minutos. — É bom você encontrar uma par para mim, querida e indesejada irmã. A menos que queira ficar sem dormir por uma semana e isso eu farei questão de fazer. — Isso é problema meu, Alex. E não meu -Eu danço com você — disse o garoto estiloso que estivera conversando com Clarisse. – Se você não quiser, eu desisto. Sou Oliver. — Sou Alex, e por mim tanto faz. Eu preferia não ter de fazer isso, mas não tenho condições de argumentar. – a menina apertou a mão dele que estivera estendida e logo após limpou a mão discretamente em sua roupa. –E precisamos ir até a Imperatriz, tenho que avisar que a encontrei e que essa dança estúpida comece logo. -E por que temos de fazer isso? –Oliver questionou. — Longa historia. – Alexia respondeu, ainda sorrindo. – Você e o Leo saberão em breve. -O que vocês ainda fazem aqui? – os quatro se assustaram ao ouvir a voz da Sacerdotisa Trinna. – Já deveriam ter se unido ao circulo para que a dança já estivesse começado. -Sentimos muito Sacerdotisa. –responderam ao mesmo tempo — Ah, polpem-me. Vão logo. Eles obedeceram, indo para o lugar que lhes fora destinado. A melodia de Moondance ( www.youtube.com/watch?v=oopBMLaIxQk)se iniciou juntamente da dança. Todos dançavam conforme a música fluía. Não existia passo fixo algum. As pessoas apenas obedeciam ao que escutavam nas músicas, o que justificava o fato da pouca presença desta no Mundo Mágico. -Saudem queridos cidadãos. – disse a Imperatriz Dorothea assim que a música e a dança terminaram. – Tenho alguns comunicados para vocês e é bom que saibam que ninguém sairá desta sala até que eu termine.- sua voz se elevou a medida que terminava a frase. Com um movimento gracioso e pouco perceptível realizado por sua mão direita, as portas e janelas do cômodo se fecharam. O barulho ensurdecedor fez com que todos prestassem atenção nela. – Ótimo quanto antes melhor. -Gostaria de comunicar que o Imperador ainda está viajando, o que me dá controle total sobre Battleon até ele voltar. – ela prosseguiu. – Infelizmente, este ano, tivemos de buscar nossas crianças mais cedo, só que isso não é algo com o que devam se preocupar no momento. Entretanto, a s aulas em nossa escola militar, Beritiguere, começarão a partir de amanhã também por motivos sigilosos. Mas, por ora, esqueçam disto. Irei apresentar as novas herdeiras do trono, as minhas filhas gêmeas, Alexia e Alexandra Crawford. Murmúrios se iniciaram em todo o salão e foi necessário muito pedido para que silenciassem novamente. — Eu sei o que isso significa, porem, isso é um assunto entre os governantes de Battleon, Athenas, Fairy Tail e Lorosia, e até então nenhum dos três países se manifestaram, o que pode ser um bom sinal, pelo menos por enquanto. AH, meninas venham aqui. AS duas saíram de suas posições e foram até ao palco improvisado em que se encontrava a Imperatriz e todos os instrumentos musicais. -Esta – apontou para a menina de cabelo longo e roxo. – é Alexia Crawford. E a outra Alexandra Crawford. -Na verdade é o contrario. – Alex corrigiu, tossindo de mentira. – Eu sou Alex, e ela é Alexia. Meus olhos são roxos e os dela, azuis. -Que assim seja – a Imperatriz repreendeu fuminando-a com o olhar. Ela moveu a mão e todas as portas e janelas se abriram. – Só quero lembrar-lhes de não importunar as minhas meninas, caso contrário não hesitarei em mandar a Sacerdotisa Trinna torturar os infames. Todos vocês já podem ir. A maioria se retirou aos poucos, todavia, as três permaneceram no palco encarando uma as outras. Foi ai que Alex arquejou e se contorceu de dor, sua mão apertando cada vez mais a sua têmpora. Ela não agüentou mais e gritou, caindo no chão.