Gunslinger
21 Capítulo 20
Notas iniciais
Então galera, aqui vai um post bem grande como recompensa. Como eu disse, a fanfic tá pra acabar... Mas terá uma segunda temporada, eu prometo.
Mil desculpas novamente, e aqui vai. xoxo
Adentraram o apartamento em silêncio, ambos tomando rumos diferentes perdidos em pensamentos. Matthew ainda mantinha sua expressão fechada, e visivelmente chateado direcionou-se para o quarto do casal a fim de passar um tempo sozinho. A mulher sentia vontade de chorar devido à situação, era uma sensação de culpa sem fim e nem mesmo entendia o que havia feito para ter ido parar ali. Era a primeira vez que magoava Matthew com algo e isso não fora nada legal.
Mas resolveu dar um tempo para o homem e ir cozinhar o almoço do dia. Com extrema dedicação, a mulher separou os talheres e cozinhou o macarrão preferido do namorado, dando a ele um tempo sozinho para pensar no que havia acontecido naquela manhã. Sabia que ele era ciumento pois não era a primeira vez que havia acontecido, e dessa vez sabia ela que Matthew tinha o seu motivo.
Alex não a deixava em paz, mesmo a mulher negando todas as vezes.
Suspirou, voltando a prestar atenção no que fazia enquanto separava outra panela para começar a preparar o molho branco. Não demorou muito para que o mesmo fosse derrubado sobre o macarrão pronto e escorrido, levando a mesa junto ao resto dos talheres para que ela e Matt almoçassem juntos. Mesmo que o clima não fosse perfeito, aos poucos o gelo conseguiria ser quebrado e logo poderiam conversar de forma decente sobre o ocorrido.
Quis gritar para avisar o namorado que o almoço já estava pronto, mas achou indelicado da sua parte, então resolveu avisar pessoalmente e assim comunicar que havia feito o prato favorito de Matt. Caminhou em passos lentos pelo corredor e abriu a porta do quarto com a ponta dos dedos, fazendo silêncio quando não ouviu barulho de televisão ligada ou do vídeo-game do homem.
Sorriu ao encontrar o namorado adormecido. Ele pressionava com força o travesseiro e a cama estava bem desarrumada de uma forma que Amy não havia deixado quando saíra de manhã. Talvez Matt havia desfeito a cama enquanto arrumava uma forma de descontar a sua fúria, caindo esgotado para dormir no emaranhado de lençóis que havia ali.
Mas a sua expressão estava tão relaxada, a respiração pesada do homem indicava um sono profundo. Amy sentiu pena de retirar Matthew daquele sono, mas o homem precisava comer algo, então bem devagar Amy afagou os pequenos fios de cabelo sobre a nuca do namorado, deixando um beijo suave sobre seu pescoço que continha a pele úmida de suor.
- Matthew? — a voz suave ecoou sobre o quarto, enquanto a ponta dos dedos de Amy continuavam a massagear os fios negros. – Eu fiz o seu prato preferido, deveríamos almoçar agora.
Mas não obteve resposta, Matthew só virou sua cabeça para o lado contrário a fim de ignorar a mulher que falava com ele. Amy mordeu seu lábio inferior em uma pequena agonia interna, segurando-se para não chorar. Não estava suportando aquele clima pesado.
- Matt? – chamou novamente, fingindo que o homem não havia ouvido da primeira vez.
E logo se arrependera de ter feito aquilo.
Com o susto pela forma a qual o homem reagiu, Amy levantou-se e logo recuou para trás, temendo a forma brusca a qual Matthew levantava da cama. Estava nervoso e logo recolheu sua blusa do chão para vestir antes de se dirigir a Amy.
- Eu não tenho a porra de um tempo para ficar sozinho. – O homem desabafou, pegando rapidamente as chaves de seu carro. Amy estava com medo de tentar impedir. – Eu apenas queria ficar sozinho e esquecer de tudo isso, porque você não me contou porra nenhuma! – Gritou ele novamente, e Amy percebeu que Matthew ficava cada vez mais vermelho devido a sua fúria.
A morena sentiu seus olhos marejarem, querendo argumentar com seu namorado. Não estava acreditando que aquela seria a primeira briga do casal, e além do mais Matthew era um soldado, e ainda por cima dez vezes maior que ela. Acabaria consigo se fosse um homem violento.
- Matthew, eu posso explicar. Eu juro! – observou o homem abrir a porta e tentar a bater a mesma atrás de si, mas a madeira não se chocou porque Amy segurou a mesma e manteve uma certa distancia enquanto o seguia, não se importando agora em segurar o choro. – Eu não fiz nada de mais, me desculpa.
- Você nunca faz nada de mais. – disse ele, em um tom agora mais baixo e decepcionado. Bateu a porta do apartamento logo atrás de si quando saiu, e Amy apenas fez levar ambas as mãos ao rosto para tentar conter o choro vendo que tudo que havia feito fora em vão.
Tinha medo de Matt ir embora agora, e por Deus, aquilo estava doendo.
- x –
Passara a tarde inteira rodando Huntington Beach de carro, sem destino exato para ir. Queria se envolver em uma briga, queria bater em algo até sangrar, queria descontar toda a raiva e ciúmes que estava sentindo aquele momento.
Sabia que teria que lidar com aquilo, mas não estava preparado. Nunca teve uma namorada em sua vida para saber como era aquele sentimento e o mesmo não estava sobre o seu controle, era mil vezes mais forte do que havia acontecido na festa quando conhecera Amy, aquele sentimento havia lhe dominado.
Tirou seu celular do bolso e ligou para um número conhecido que demorava a atender. Esboçou um sorriso por pensar que talvez o amigo estivesse com ocupado demais com alguma mulher, mas ele não deixaria Matthew na mão em um momento como aquele.
- Fala, veado! – disse o homem com a voz sonolenta do outro lado da linha. Brian realmente era uma figura excêntrica. – Tá por onde?
- Bem perto da sua casa, Brian. Estou passando aí, vista uma roupa pelo menos. – brincou ele, tirando uma risada divertida de ambos. – Preciso falar contigo.
- Então tá, vou deixar a porta aberta. Até mais, cara. – Disse Brian, sem dar a chance de Matthew se despedir, desligando o telefone. Matthew nem mesmo ligou, iria ver o amigo em poucos minutos.
Dirigiu mais alguns metros parando em uma rua conhecida de Huntington Beach. Costumavam brincar naquele local quando eram crianças. Estacionou frente à casa do amigo e saiu de seu carro antes de ativar o alarme, abrindo a porta do local espaçoso o qual Brian tinha só para si.
- Brian? – perguntou pelo amigo, colocando os documentos e o celular no bolso da jeans. Estava nervoso por ser a primeira vez que pediria um conselho sobre mulheres para ele. – Que porra cara, cadê você?
- Cozinha, cara! – gritou o amigo, e logo o homem se dirigiu ao local o qual vinha a voz de Brian. O moreno esperava o amigo com duas garrafas de cerveja geladas em mãos, lhe cumprimentando com um aperto de mão logo após entregar a cerveja para Matt e ambos se sentarem à mesa da cozinha. – Você não parece legal, o que foi?
- Minha namorada – disse ele, dando um longo gole em sua bebida e abaixando a cabeça enquanto segurava a garrafa. – Me sinto um tolo pedindo conselhos para você, acho que nunca pareci tão babaca.
- Sabe de algo? Eu sei lidar com mulheres, cara. – gabou-se Brian, mas de fato tinha que dar razão ao homem. Não era do tipo de assumir compromissos, e quando assumia, geralmente conseguia trair mais do que o necessário. Brian era do tipo que gostava da fama de pegador, e assim como Matt não tinha certeza se estaria vivo para voltar para casa, então aproveitava o máximo. As mulheres corriam atrás dele aos montes.
- Sobre relacionamentos – rebateu Matt, apontando o dedo pro amigo antes de tomar mais um gole. – Eu deveria ter falado com o John sobre isso.
- Mas você veio até mim... – Brian sentiu-se ofendido, se inclinando mais enquanto apoiava o braço sobre a mesa. – É comigo que você vai falar. Desabafe.
- É a Amy... Você sabe, eu não consigo mais controlar o ciúme que sinto dela. E tem esse garoto o qual tem dado em cima dela, sabe? E hoje, quando eu fui buscar a Amy, ele tentou beijar a minha mulher na minha frente, cara! – Matt atropelou novamente as palavras, fazendo as ultimas palavras saírem mais altas do que o necessário devido a sua raiva. – É um retardado.
- O que ela fez? Digo, quando ele tentou beijar ela. – perguntou Brian interessado, tomando mais de sua cerveja.
- Eu não sei, aconteceu rápido demais. Digo... Ela foi pega de surpresa.
- Certo cara, eu quebraria a cara dele como aviso, você sabe. Se eu gostasse da garota e estivesse com ela. – Brian riu, porque aquilo era impossível para ele. Matt tentou rir também, mas pareceu uma careta e se sentiu um ogro. – O que você fez?
- Eu ameacei porque não podia bater no garoto, era o trabalho dela também. – Desabafou, afagando seus fios de cabelo. – Uma merda. Agora estou irritado com ela, mas sei que ela não me fez nada.
- E ela tinha avisado você sobre esse problema?
- Não... – Matt pensou bem, se lembrando de uma carta que recebeu de Amy falando sobre alguns garotos que lhe davam presentes. – Digo, disse. Me disse em cartas que tinha alguns garotos no colégio que a elogiavam e davam presentes.
- Cara, você sabe que garotos do ensino médio tem problemas em controlar o tesão. – ambos gargalharam lembrando dos velhos tempos, e de como Matt parecia um selvagem naquela época. – Não podem ver um par de peitos e pernas, você sabe. Sua namorada é... linda. – Brian se corrigiu quando viu que Matthew prestava atenção em suas palavras. – É obvio que isso iria acontecer. Que garoto nunca teve uma professora gata e não se amarrou nela? Acho que ela nem tem culpa, cara.
Matthew absorveu o impacto das palavras de Brian, sabendo que faziam sentido. Nunca havia pensado por esse lado, apenas no problema em si. Agora estava mal por ter agido daquela forma com Amy e não sabia o que fazer para se desculpar.
- Eu não sei o que fazer sobre isso cara, ela deve estar chateada comigo.
Brian terminou sua cerveja, deixando a garrafa vazia sobre a mesa enquanto se levantava para pegar outra.
- Dê algum presente pra ela e peça desculpas. Sei lá, mulheres adoram presentes. – Brian procurou mais duas garrafas em sua geladeira. – E aí, quer jogar vídeo-game?
- x –
Matthew não havia dormido no apartamento de Amy aquela noite, deixando a morena extremamente preocupada. Seu celular tocara inúmeras vezes, e Matthew não teve coragem de atender nenhuma das ligações. Da mesma forma da primeira vez, preferiu enfrentar o Oriente Médio a vergonha de lhe pedir desculpas por um erro que havia cometido.
Dormira na casa de Brian aquela noite, jogado no sofá porque não queria dividir a cama de casal do homem. Acordara com ressaca e dor no corpo devido a posição que havia pegado no sono. Era cedo quando saiu da casa do amigo, e resolveu seguir o seu conselho de comprar um presente para Amy que a mesma não pudesse recusar.
E foi o que fez, rodando o centro do bairro atrás de algo que o agradasse e fosse a cara da morena. Não havia deixado de pensar na mesma nem sequer um segundo, e só ele sabia como estava chateado e desconcertado com toda aquela situação. Queria rir, mas rir de vergonha por parecer tão pateta.
Não iria comprar flores, pois elas poderiam ser atiradas contra o seu rosto e imaginar aquela cena não havia sido legal. Nada de joias caras também, pois pareceria que estava comprando o perdão de Amy e não queria parecer mais tolo do que já era.
Sapatos e roupas Matt também descartou, uma vez que era péssimo com senso de moda feminina. Uma vez pediu para que sua irmã usasse uma vestido preto e salto alto, mas o mesmo não havia entrado nela, o que a fez chorar pelo resto da noite. Não iria mais arriscar em dizer o que mulheres deveriam vestir.
Foi então que passou em frente a uma loja de animais, tendo a brilhante ideia de comprar um animalzinho de estimação para a morena. Seria algo que a mesma não poderia recusar, afinal, seria como um filho para o casal, um filho de quatro patas. E também Amy já havia mencionado que pensava em ter um para lhe fazer companhia quando estivesse sozinha.
Fez a volta no quarteirão, com um sorriso que não cabia em seu rosto. Estacionou frente à loja que estava abrindo, e desceu sem ativar o alarme para adentrar o local e escolher algo que combinasse com os dois.
De um lado havia gatos, mas achara que gatos não teriam ações suficientes para brincarem juntos em um parque ou levar para passear. Peixes também não faziam o estilo da morena, não havia aonde deixar um aquário grande.
Caminhou pelo corredor dos filhotes, ouvindo alguns ganidos vindo dos mais agitados. Havia um mais bonito que o outro, de raça e vira-latas. Matt sentiu vontade de levar todos para casa, mas pensou que talvez fosse eles ou ele dividindo a cama com Amy.
Afagou o pelo de alguns, conversando com um atendente que veio lhe ajudar. Semicerrou seus olhos para enxergar um filhotinho que havia acabado de despertar com o latido por atenção dos outros, ele parecia ser um filhote de labrador amarelo. Havia se encantado com o filhote, e o atendente percebeu o quanto pois Matt sorria sabendo que era aquele que ele iria levar.
- Posso dar todas as vacinas e arrumar ele para você? – perguntou o homem mais velho enquanto se aproximavam da grade e Matt dava sua mão para o filhotinho lamber de forma tímida. – São ótimos companheiros.
- Com ração, brinquedos e potes para comida e água, por favor. – Matt esperou que o homem retirasse o cachorro da grade, indo até o caixa para pagar tudo o que fora separado e levar até o carro. Por fim, pegou com cuidado o cachorro que parecia agitado demais em seu colo.
Segurou o filhote firme enquanto caminhava até seu carro, colocando o mesmo no banco do passageiro e fechando as janelas enquanto dirigia o mais depressa possível até o apartamento que dividia com Amy. Esperava que aquilo lhe ajudasse a pedir desculpas pelo completo idiota que havia sido.
Parou o carro frente a entrada, segurando o filhote agora mais calmo em seu colo ao mesmo tempo que seu celular começara a vibrar. Leu no visor o nome da morena, lhe fazendo sorrir mais do que o necessário enquanto subia as escadas em direção ao apartamento. Atendeu o celular, deixando que Amy falasse primeiro.
- Onde você estava? – perguntou ela, com a voz cansada fazendo Matt se sentindo ainda mais culpado por provavelmente ter sido o motivo da insônia de Amy aquela noite. – Eu liguei pra casa da sua mãe, do John... Você não me atendeu a noite inteira, Matthew. Você está tão chateado comigo assim? Achei que tinha te perdido.
- Sabe aonde eu estou agora? – perguntou ele, mas não obteve resposta do outro lado da linha, apenas suspirou. – No andar do nosso apartamento, por favor abre pra mim? Minhas mãos estão ocupadas.
O homem ouviu o telefone desligar enquanto se apressava pra terminar de subir as escadas e parar frente a porta do apartamento quando ouviu a chave virar de forma lenta na fechadura. Queria colocar o presente de Amy atrás de seu corpo, mas era impossível porque ele se movia demais. Segurou o filhote mais perto do corpo sentindo seu calor.
Então a morena apareceu. Vestia pijamas e tinha o cabelo preso em um coque mal feito, usava óculos pelo que pôde perceber e tinha a feição cansada, o que era culpa de Matt. Seus lábios entreabriram diversas vezes, querendo falar algo que não queria sair. Sorriu largo, não querendo esquecer a conversa que deveria ter com o homem, mas fora um truque muito bom, estava encantada com o filhote em seu colo.
- Sabe de algo, bebê? Essa é sua mamãe e acho que você precisa de um nome. – disse Matt para o filhote, entregando com cuidado o mesmo para Amy enquanto ambos adentravam o apartamento, Amy não conseguindo parar de sorrir excessivamente. – Amy...
Matthew respirou fundo para começar a falar, sentando-se frente à mulher enquanto a observava afagar as orelhas do cachorro carinhosamente. – Me perdoa pelo que eu fiz, é sério. Eu, como da primeira vez... Não tive coragem de te enfrentar. – admitiu, sentindo-se tolo. – Eu dormi na casa de um amigo, não fiz nada de errado. Achei que você precisava de uma companhia.
- Matthew, eu acho que eu deveria pedir desculpas – Amy abaixou sua cabeça, repousando o filhote em seu colo enquanto o homem passava para o espaço vazio ao seu lado, abraçando seus ombros. – Pensei ter deixado claro para o Alex que eu estava com você, mas ele não acredita em mim... Me perdoa, eu juro que tento, eu não quero.
- Tudo bem, me desculpa. Já passou, eu não consigo me controlar. – o homem beijou os lábios de Amy, fitando os olhos claros da morena. Não deixaria mais problemas bobos se meterem entre os dois. – Eu amo você, huh? Temos um filho agora. – ele sorriu para a namorada, abaixando os olhos para o filhote que havia pego no sono com o carinho de Amy. – Sabe qual vai ser o nome dele?
- Hunter! – Amy exclamou empolgada, sorrindo apaixonada para o filhote. – O nome dele vai ser Hunter.
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