Gunslinger
6 Capítulo 05
Notas iniciais
Obrigada pelos comentários, tem sido bem legal vir aqui e ler o comentário de voces e o que voces estão achando da fanfic. Prometo que em breve eu respondo, até lá... Mais um capítulo.
O despertador do celular tocou alto às duas da tarde, fazendo a morena, extremamente sonolenta, desligá-lo e deixar o mesmo sobre a cama. Bocejou e praguejou mentalmente ter que sair de sua cama confortável para trabalhar.
Não costumava dormir à tarde, no tempo entre a faculdade e seu emprego. Geralmente arrumava o apartamento pequeno e assistia televisão, que se resumia a sua série preferida. Mas aquela tarde parecia tão propícia a ficar na cama; não havia tido uma boa noite de sono,e quando deitou-se sobre a cama macia e confortável desejou nunca mais sair.Bocejou outra vez, espreguiçando-se apenas com seus braços para fora do edredom, afastou o mesmo que pareceu até pesado, e sonolenta caminhou em direção ao banheiro despindo-se já para um banho fresco.Lavou seus fios negros – o que lhe deu um pouco de trabalho – e em seguida todo seu corpo mandando a preguiça para o ralo junto a água. Enxugou-se em toalhas macias e brancas que separou depois que chegara da faculdade, e andou em passos lentos devido ao pé molhado pelo corredor em direção ao seu quarto.Vestiu roupas simples, um conjunto de roupas de baixo pretas e de renda e uma jeans apertada e justa junto ao all star, fazendo um pouco de drama quanto a blusa que iria vestir. Escolheu uma regata branca e prendeu parte do seu cabelo para trás em um coque mal feito, uma das mechas caiu pela lateral do seu rosto. Estava pronta.Escovou seus dentes e passou um leve perfume, pegando as chaves, celular e uma blusa caso fizesse frio.Andou pelas ruas em passos largos, parando apenas para olhar e atravessar a rua. O sol pareceu não lhe perdoar ardendo sobre o céu de Huntington Beach. Afastou para dentro a pesada porta marrom e sentiu o cheiro de livros e o beijo do vento vindo do ar condicionado lhe receber.Trabalhar na Barnes & Noble Booksellers não era ruim, pelo contrário. Adorava viver em meio a livros e pessoas que geralmente paravam para conversar sobre. Amy havia lido muito por trabalhar na loja, conhecia cada detalhe dela e a maioria das pessoas assíduas que passavam ali.Seu chefe possuía um estoque na parte de trás da loja de livros já abertos que funcionários aproveitavam para ler, era dessa forma que lia seus livros para a faculdade.Cumprimentou Jessie e deixou sua blusa junto às chaves embaixo do balcão. Vestiu sua blusa de uniforme por cima da regata e manteve-se atrás do caixa já pronta para trabalhar.Amy gostava tanto do que fazia que mal conseguia ver as horas passarem. De fato, não era a profissão que sonhava para si, mas tinha que confessar que era divertido. Queria ser professora e lidar com alunos do ensino médio.Não deixava de sorrir para cada cliente que passava pelo caixa, trocando algumas palavras para um “melhor atendimento”, Amy não forçava a si mesma para ser simpática, de fato era algo que fluía naturalmente.Vez ou outra corria de prateleira em prateleira por trás do balcão, procurando títulos mais antigos. Diversas vezes subia as escadas com alguns clientes, o local era realmente gigante e Amy parecia minúscula que chegava a sumir em meio a tantos livros.Não sentia fome. Apenas tomava um café na Starbucks do outro lado da rua em seu período livre de uma hora. Não conseguia enjoar, sua rotina era cansativa, mas divertida.Massageou sua nuca com a mão livre devido a posição frente ao caixa por muito tempo, movendo sua cabeça. A quantidade de clientes havia diminuído, e agora a noite caía bem lentamente lá fora, dando um ótimo clima de fim de tarde.Observou um senhor folhear um dos livros na amostra e procurou com seus olhos alguns de seus colegas de trabalho que não estavam por ali para atendê-lo. Saiu de trás do balcão, deslizando seus dedos de unha bem feita pelo mesmo enquanto andava em direção ao senhor. Deixou seu corpo ao lado dele, instantaneamente sorrindo quando o senhor lhe olhou.- Posso ajudar? – Disse em um tom levemente meigo, o que realmente não fora planejado. O homem abriu um sorriso simples e sentiu-se confortável com a jovem o atendendo, parecia paciente e que realmente entendia sobre o título pela forma simples a qual explicava. Era um romance antigo, pelo carisma da moça e a história, decidiu levar.Entregou ao senhor o troco, desejando de modo gentil um bom fim de semana. Deu a volta no balcão novamente, indo arrumar alguns livros que estavam fora do lugar. Não ouviu a porta se abrir e nem mesmo ligou para o cliente que acabara de entrar, pois qualquer atendente que estivesse ali lhe daria atenção. Andou de volta para o caixa, posicionando-se atrás do mesmo e de costas para arrumar prateleira. Tirou um livro e limpou a capa com uma leve camada de poeira para posicioná-lo no lugar certo, sorrindo com o resultado.Percebeu que alguém caminhava em direção ao balcão, pois pôde ouvir os passos pesados. Virou-se, ainda olhando para baixo para guardar o pano embaixo do balcão e, antes mesmo de levantar seu olhar, observou o livro grosso a sua frente.- Posso lhe ajudar? – Disse, levantando seus olhos do livro para as mãos grossas e em seguida para o homem, o qual estava bem fresco em sua memória de algumas semanas atrás, forçou-se apenas para lembrar seu nome. – Eu me lembro de você!
- Eu não sabia que trabalhava aqui – Disse Matthew coçando sua nuca de forma desconcertada. Mordeu o lábio e observou Amy distraída enquanto passava o livro no caixa e registrava sua mais nova compra. – Faz um tempo, tudo bem com você Amy?- Sim, tudo bem – Sorriu largo, colocando com cuidado o livro de Matthew sobre a madeira para receber o dinheiro quando o informou o preço. – E você?- Estou bem... Estava na academia – O homem virou seu corpo para que a mulher observasse sua bolsa em suas costas, sorrindo vitorioso. A mulher guardou com cuidado o livro em uma sacola e entregou a mais nova compra para Matthew junto ao troco e a nota fiscal. Repousou as mãos sobre a madeira do balcão, pressionando seus dedos contra a mesma. — Você vai sair agora?Amy forçou seus olhos para fitar o relógio na outra parede, inclinando sua cabeça para o lado levemente, sorrindo de forma fofa.- Tenho uma pausa daqui quinze minutos – Disse ela. Pressionou seus olhos, juntando suas mãos enquanto se inclinava levemente para frente. – Você já está indo?- Na verdade não... Eu posso ficar e lhe fazer companhia na pausa se você quiser.Mordeu levemente seu lábio, assentindo em um balanço de cabeça enquanto dirigia seu olhar a outro cliente que aparecera para pagar. Matt se distanciou e não pode deixar de admirar a forma que a mulher atendia seus clientes, havia tanto carisma.Amy não deixava de sorrir, mostrando suas covinhas que formavam em suas bochechas levemente coradas. Franziu o cenho e sorriu ao perceber que o homem não muito velho, apenas com alguns fios brancos e entrada em seu cabelo, iniciou um flerte para cima da morena que pareceu levar na esportiva, fazendo Matt deduzir que aquilo era freqüente, o que realmente era de se esperar.A morena era estonteante.Amy retirou seu uniforme, deixando embaixo do balcão novamente enquanto pegava suas chaves e ia para dentro buscar seu dinheiro no armário enquanto pedia para Matt esperar. O mesmo folheou um livro sobre o balcão e em seguida pegou um flyer de uma festa que haveria no próximo fim de semana. Pareceu interessante então decidiu que levaria para casa e chamaria seus amigos.Amy voltou rapidamente e Matt logo se posicionou-se para andar ao lado da mulher, afastando a porta em um ato gentil para a mesma passar primeiro. Andaram lado a lado em silêncio, Amy sentindo o calor de Huntington Beach lhe receber, brincou com os fios de cabelo pendurado pelo coque enquanto atravessavam a rua e Matt em um segundo gesto de cavalheirismo afastou a porta da cafeteria.O local era enorme e realmente muito aconchegante pelo que Matthew pode perceber. O piso em madeira, e uma música ambiente não muito alta tocava ao fundo. Havia sofás de couro preto e mesas de madeira mais no fundo da cafeteria. Andaram juntos até o caixa para pedir, Amy com seu famoso Caramel Macchiato e Matthew demonstrou uma demora para decidir-se, optando sem certeza por um Gingerbread Latte. Amy riu levemente com a expressão de confusão do homem, que torceu seus lábios e resolveu que seria esse mesmo.- Eu pago – Precipitou-se o homem para passar o cartão, fazendo com que Amy protestasse e tentasse pagar ambos os cafés com uma nota de dez dólares. Matt empurrou devagar a garota, lhe fazendo rir enquanto confirmava sua compra.Sentaram-se um frente ao outro em uma das mesas ao fundo da loja, iniciando uma conversa amistosa sobre o trabalho de Amy. Matt sorvia seu café em grandes goles e Amy mal o tocara devido a empolgação para falar.- Então, não me surpreendeu você escolher um livro de guerra – Amy sorriu, girando o copo ainda cheio com a ponta dos dedos. Sorveu um pequeno gole, sentindo o sabor doce lhe invadir e descer pela garganta. – É um ótimo romance, eu já o li.- Não me conte nenhum detalhe – Pediu com um sorriso divertido em seus lábios, fazendo Amy corar. Mostrou a ela o copo já vazio e rapidamente levantou-se para jogar o mesmo no lixo enquanto Amy abria seus lábios em protesto. – Não me olhe assim, você que é lerda demais.Amy sorveu mais um gole, e franziu o cenho quando o telefone de Matt começou a tocar. O mesmo retirou o aparelho do bolso da jeans, checando-o para saber quem é. Amy sentiu-se curiosa mas não quis perguntar, não era da sua conta pois Matt pareceu distraído respondendo a mensagem de texto. Torceu seus lábios, deixando o celular sobre a mesa.- Mulheres – Deu de ombros como um bobo, recebendo um olhar de censura de Amy que nem mesmo foi visto. – Eu estou tentando explicar para ela que foi apenas uma vez, não tenho culpa se eu realmente devo ser bom.Amy sentiu que ouvira demais e Matt riu alto com a desaprovação da mulher a sua frente, tentou pensar pelo lado de que havia sido uma brincadeira amistosa, mas homens adoravam lhe confundir. Eles se gabavam, pelo menos a maioria deles.- Vocês adoram se gabar – Murmurou ela, terminando seu café. – Quantas garotas vocês pegaram em uma noite ou quem levou pra cama.- Eu não sou assim – Matthew suspirou, deixando suas mãos grandes sobre a mesa e o celular entre seus braços. Maneou levemente a cabeça antes de olhar para Amy e perceber que seus braços agora estavam cruzados sobre o peito e a morena lhe olhava com um pequeno desinteresse. Sabia que ela iria achar ser apenas mais uma mentira. – Eu tive apenas uma namorada, mas ela não suportou quando eu me alistei. Nenhuma mulher dura comigo por muito tempo justamente por isso.Amy percebeu um pingo de verdade em sua frase, fazia sentido. Pensou como seria ter um parente ou até mesmo um namorado que todo ano sairia para uma guerra e não teria certeza se voltaria para casa. Estremeceu com a idéia, balançando a cabeça negativamente como se o gesto lhe fizesse apagar o pensamento.- Não é ruim para você? Ficar sem alguém por tanto tempo... – Amy inclinou-se para frente também, mantendo as pernas cruzadas e as mãos sobre a mesa. Apoiou um rosto sobre a mão e assim o cotovelo sobre a mesa, batendo de forma irritante com suas unhas na madeira.- Eu acostumei – Matthew sorriu divertido como se aquilo não fosse grande coisa. – Eu tento aproveitar do jeito que posso quando volto, não sou um canalha por isso.- Não – Amy sorriu largo, sentindo-se bem com a companhia do maior. Estava divertido e sentia-se ganhando um novo amigo e mais alguém pra confiar, seu ciclo de amizades era bem pequeno. Trabalho e faculdade, apenas.- Mas e você? – Amy sentiu as bochechas ganharem um tom extra, seu sorriso relaxou aos poucos fazendo as covinhas desaparecerem. – Eu nunca vi você mencionar um namorado ou um tipo de ficante.- Porque eu realmente não tenho! – A mulher gargalhou e Matthew não pode deixar de acompanhá-la, sentindo-se um pouco estranho por rir daquilo. – Mas eu também me acostumei, não sinto muita falta – Balançou a cabeça tímida e Matt achara aquilo fofo, mas guardou para si. – Tive dois namorados em toda a minha vida, mas não foram muito boas experiências.- Sinto que estamos no mesmo barco – Matt apontou para a garota e Amy sorriu novamente de forma tímida, abaixando seu olhar para a mesa enquanto mexia em alguns guardanapos. – Vamos lá, não é tão ruim se estamos acostumados a isso.- Acho que me casei com o meu trabalho.Ambos voltaram a rir e desperdiçaram o resto da pausa de Amy em uma conversa amistosa, descobrindo mais de cada um. Matthew contou à mulher que havia um grande vício em vídeo games e jogos de tiro, deixando a mulher sentindo-se velha por conhecer apenas Mário e Zelda. Tinham em comum o gosto por algumas bandas de rock clássico, como AC/DC e Queen. Nem mesmo perceberam o tempo passar.Amy havia feito Matthew se sentir diferente por ter ganhado uma nova amiga, e feliz de certa forma pelo resto de tarde que havia desperdiçado ao lado de Amy. A morena havia feito o homem esquecer-se dos pesadelos e a crise de ansiedade que a noite lhe trouxe.Por um momento pareceu não haver problema nenhum, por um momento esqueceu-se de se sentir culpado pela morte de Jimmy.
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