Gunslinger

4 Capítulo 03


A semana pareceu passar rapidamente e levou embora o frio quase nunca visto em Huntington Beach, e a garota estava acabando de dar seu ultimo retoque na maquiagem clara que usaria aquela noite.

Não gostava de chamar atenção, não era o tipo de mulher que precisava roubar a cena para ter a auto-estima alta, estava ok consigo. Sentia-se bonita do jeito estranho que era.

Puxou um pouco mais para baixo o vestido justo e negro que lhe cobria até um pouco acima do joelho, no meio das coxas. Estava calor, mas mesmo assim levaria uma blusa e deixaria no carro de Cris se fosse necessário.

Pressionou seus lábios um contra o outro, fitando o espelho para ter certeza que seu batom estava perfeito sobre seus lábios. Estava pronta para ir.

Deixou o banheiro e encontrou Cris sentada sobre o sofá da sala, julgou que havia demorado, pois a maior sempre era a última a terminar de se arrumar. Ou estava realmente nervosa, pois mexia em suas unhas perfeitamente pintadas de preto de forma impaciente. Tocou seus ombros de forma gentil, sendo seguida pela maior até a porta. Se deu conta que ambas vestiam quase o mesmo modelo de vestido, apenas diferente no decote o que fez Cris gargalhar em uma pequena descontração.

- Não combinamos – Disse ela entre risos – Okay.

Adentraram o carro de Cris e Amy puxou o cinto antes do mesmo dar partida. O trajeto pareceu longo e a noite terminara de cair cheia de estrelas e nenhum sinal de frio. Conversaram o tempo todo e Cris desabafou que estava realmente nervosa para o jantar, para Amy não parecia grande coisa, afinal mal conhecia John e apenas teria Cris.

Cris estacionou frente à casa pintada de branco, com uma grande entrada apresentável. Tirou o endereço da bolsa para confirmar se realmente era ali, entortando seus lábios.

- O que foi? – Perguntou Amy, olhando para dentro e logo depois de volta pra Cris – Não é aqui?

- Na verdade é, estou nervosa. Parece...Chique demais! – Deu uma risada sem humor, abrindo sua porta para sair. Amy deu de ombros, fazendo o mesmo enquanto a seguia em passos hesitantes. Cris teve de respirar fundo e criar coragem para tocar a campainha.

A casa era imensa por dentro, Amy pode notar quando John abriu a porta e a mesma olhou para dentro para não ter que observar o beijo dos dois. Apertou amigavelmente a mão do homem, ajeitou o vestido sobre suas pernas que parecia subir em uma leve puxada para baixo e adentrou o local com sua amiga, observando a bela decoração que havia ali.

Não era muito fã de artes e nem pensava em algum dia colecioná-las, mas definitivamente aquelas pinturas na parede do local chamavam a sua atenção. Havia um tom pérola em todas as paredes da sala, e um sofá bem macio na cor vermelha. Quadros que não pareciam de pintores famosos, mas eram lindos e expressivos.

Pode notar também que havia algumas pessoas ali. Julgou aquilo bom porque de fato odiava ser a primeira a chegar ou a última, era tão discreta. Sorriu para uma pessoa qualquer que não sabia o nome apenas para ser gentil, dando uma pequena volta para ficar frente a Cris novamente.

- Então?

- Ele foi para a cozinha, disse que daqui a pouco será o jantar – Sorriu de leve, corando pelo que Amy pode perceber. – Ele quer me apresentar para a família, você sabe.

- Vamos lá, isso é bom – Amy sorriu largo, mostrando uma fileira de dentes perfeitos, brancos e bem alinhados. Uma mulher parou ao lado de ambas, oferecendo duas taças de um vinho que apenas pelo odor pareceu irrecusável. Amy e Cris brindaram quase em silêncio entre si, sorvendo um pequeno gole do líquido cada.

Passaram um tempo conversando entre si enquanto os restos dos convidados chegavam para o jantar. John manteve-se ao lado de Cris todo o tempo, conversando com Amy e apenas parando para receber os convidados.

John avisou que já estaria na hora do jantar, então todos os convidados caminharam até a mesa que havia na sala de jantar. Era extensa e estava bem decorada com algumas flores e velas. Amy sentou-se ao lado de Cris, que sentou ao lado de John e o mesmo estava em uma conversa amistosa na ponta da mesa junto a alguns amigos.

Amy não estava com fome, de fato. Comera por educação e ainda sim pouco, mantendo-se apenas com o vinho. Sorriu divertida para a amiga ao perceber que Cris havia feito o mesmo. Não estava ruim, mas Amy não era muito fã de comida vegetariana.

Fitou a garrafa de vinho a qual estava ao lado esquerdo da mesa quase vazia, sorriu de leve quando John comentou sobre ela e então Amy que já havia terminado ofereceu-se para buscar mais uma, algo que John relutou antes de Amy insistir mais uma vez. O homem acabara aceitando.

Deixou o guardanapo ao lado do prato, afastando a cadeira de forma silenciosa para se levantar. Discretamente puxou o vestido chato para baixo, e Cris a observou ir pensando se a amiga realmente estava com tanto tédio assim.

Andou pelo pequeno corredor vacilante até adentrar a cozinha e sentir-se perdida ali. Era extensa e tão bem decorada: lá haviam armários de parede em um tom marrom escuro e bancadas de mármore. Rolou seus olhos a procura de algumas garrafas já vazias de vinho e deixou a mais nova junto a elas, levantando seus olhos até a adega que havia logo acima.

Agradeceu mentalmente ao salto que usava, se não fosse por ele nunca alcançaria o local. Mordeu levemente seu lábio pensando em qual deveria escolher, optou por um português, puxando a garrafa cheia com extremo cuidado para fora.

Procurou com seus olhos o abridor de rolhas e, ao encontrá-lo, furou a rolha e empurrou para baixo enquanto rodava aplicando uma força considerável. Sentiu que havia feito errado porque tentara puxar e a rolha parecia não sair.

Suspirou em impaciência, sentindo-se burra por agora estar presa àquela situação. Nunca havia tido problemas com aquilo, mas da forma que colocara, o abridor havia ficado preso; não saía e nem mesmo puxava a rolha para cima.

- Posso tentar te ajudar? – Perguntou uma voz não muito grossa vindo logo de trás de si, lhe pegou em um pequeno susto, fazendo Amy virar-se na direção do homem que lhe oferecia ajuda, sentiu seu coração levemente palpitar devido a situação constrangedora. – Eu acho que você fez errado.