Guns for Hands
1 Capitulo 1: Decisões a serem tomadas
Era verão de 2058. Pierre com sua irmã Darcy deitada ao lado, terminava mais uma história, falando o mais baixo possível para não acordar seus pais no quarto ao lado. Quando ela terminava, Darcy sempre sabia que era hora de uma cantoria.
– ...Maria era filha de um comerciante de feira, e deixou todas as riquezas para esperar pelo marinheiro. Esperou. Esperou. E esperou. Pelo resto de sua vida. Quando ele se aproximou, certo dia, ela revoltada por sua ira o puxou para o mar. E ele nunca voltou a terra firme novamente.
Pierre estava nervosa e assustada que a polícia da capital achasse sua família escondida. Ela preferia não contar a sua irmã. Fez uma grande pausa, parecendo ter cochilado, até que sua irmã a cutuca.
– Não parece uma história com final feliz. O que aconteceu com o marinheiro?
Pierre, sem abrir os olhos, fala:
– Não existem finais felizes na vida real, Darcy. O marinheiro morreu.
Darcy ficou triste. Pierre percebendo, rapidamente troca o assunto.
– Em fim, a história acabou. Vamos dormir?
– Cante para mim.
Pierre suspira.
– Tudo bem.
As canções de Pierre eram inventadas de última hora. Ela sempre fazia uma pausa de 12 segundos exatos e então começava. A canção daquela noite, era chamada por Darcy de Jolly Sailor Bold. Pierre cantava para ela e contava a mesma história desde seus 2 anos. Em baixo da cama, estava uma folha antiga com a letra da música escrita a caneta com a letra de Pierre, que era uma letra inclinada, porém com voltas circulares.
Cantando a mesma canção do papel, quando chegou a parte de “Console me”, Pierre via Darcy dormindo em seus braços. Ela olha para um buraco médio com vidro em seu teto, olha para as estrelas, e completa:
– ...But my jolly sailor bold...
Assim, Pierre adormece com sua irmã ao lado. Sem nenhum som sequer a noite. Dormindo tranquilamente em uma noite de verão as 2:00 da manhã. Simplesmente uma noite normal. Mal elas sabiam que tudo poderia mudar a noite...
Na manhã seguinte, Pierre acorda e vai até a cozinha preparar o café da manhã. Ela costumava acordar as 7:00 em ponto. Foi até seu guarda-roupas, tirou seu pijama preto com detalhes de azul intenso, assim como um de seus olhos, e botou uma camiseta com um “Red Winged Black Bird” (Assim como ela chamava), uma bermuda jeans e tênis all stars vermelhos (E como sempre, com um dobrado pela metade). Atou seu cabelo com um coque meio trança. Ao chegar na cozinha, viu seu pai com os braços entre o rosto, apoiados na mesa.
– ...Pai?
Ele rapidamente ergue o rosto, mas não olha para ela, tentando evitar contato visual.
– Oi, filha.
– O que houve?
Ele suspira.
– Você já tem 17 anos, não tenho nada a esconder...
– Pai, o que houve??
– S-sua... Sua... Sua mãe... Foi levada.
– ...Não.
Pierre sem reação ao certo, abraça o pai com mais força do que nunca. Com mais força do que quando havia se afogado em um rio e seu pai a pegou, em 2045. Os dois estavam chorando.
– Pai! O que vai acontecer com ela??
– Eu não sei, filha... Eu não sei...
– O que será da pobre Darcy?
– Não há mais nada a fazer...
– Há sim!! Pai, se você me deixar ir, eu poderi...
– Não.
– ...Tirar a mãe de lá, eu iria consegu-
– Não, eu disse não.
– Seria tão legal! É sério, eu consi-
– Pierre, NÃO.
– ...Certo...
Pierre queria arranjar uma desculpa para fugir e pedir a ajuda de sua prima, Tyr. Tyr era o que poderiam chamar de modelo natural. 23 anos cravados, 1 metro e 75. Cabelo castanho, ondulado e comprido, cabelo atado em rabo de cavalo, olhos azuis apagados e com unhas perfeitas. Ela morava em um prédio abandonado por fora, mas por dentro completamente cheio. Ela vivia dentro do prédio com outros rebeldes, assim chamados, mas sempre tinha o que queria por ser um tanto fresca.
– Pai... Posso ir buscar algo para comer?
– Tudo bem. Mas vá rápido. Eu vou me deitar um pouco.
O homem já estava no quarto quando terminou a frase. Pierre saiu rapidamente, correndo por vários matagais que cobriam a casa abandonada em que ela e sua família moravam. Depois de correr escondida e observando as pessoas. Ela tinha este costume de observar as pessoas, mas não deixava ser observada. Gostava de examinar as pessoas realmente avançadas, as ricas. Elas tinham inúmeros equipamentos e tudo se solucionava com um clique. Ela via vários tipos de pessoas. Altas. Baixas. Gordas. Magras. Adultas. Crianças. Mas todas agiam de um jeito tão... Escravizado pela tecnologia. Quem via Pierre passando, apenas via seus olhos. O azul intenso, e o verde forte. Essas pessoas que viam ela passar, tinham diferentes nomes para ela. Umbra. Shadow. Obscura. E o que mais chamavam ela... Sombra. Quando chegou ao prédio, começou a procurar uma pedra. Pegou uma pequena na mão.
– TYR!!!
Sem resposta, joga uma pedra na janela, com resposta de um gemido.
– TYR!!!
– Pierre?
Ela estava com o rosto cheio de lágrimas, mas Pierre tinha certeza que não era por causa da pedra.
– Nós... Precisamos conversar.
– Em outro lugar, por favor.
Ela limpa uma lágrima e Pierre afirma com a cabeça. Elas vão até um rio e assim, Pierre conta tudo.
– ...Sinto muito por você, Pierre.
– Tudo bem... Eu só... Por que estava chorando?
– Algo parecido aconteceu comigo.
– Sua... Mãe?
– Meu pai.
Ela começa a chorar e abraça Pierre.
– Tudo bem, tudo bem... Vamos superar isso.
Tyr limpa suas lágrimas.
– Escute, eu tenho um plano.
– Não é simplesmente entrar lá sem mais nem menos, Pierre. Não é um lugar para criancinhas como você.
Pierre odiava quando Tyr se sentia superior. Seus 6 anos de idade e sua experiência com três armas de fogo lhe davam direito de menosprezar o simples arco e flecha e a altura de 1,68.
– A criancinha sempre esteve ao seu lado quando precisava, pode retribuir, por favor??
– Sejamos realistas, você não pode com todos eles só com seu arco. O que mais iria fazer? Começar a dançar a dança da chuva?
– Nunca se refere a “armas tradicionais”. E a sua espadinha, ou você não está lembrada? Eu consigo. Porque eu sou Pierre Rossmore.
– Tem certeza que quer arriscar sua vida?
– Se for por quem amo... Sim.
– ...Escute, eu tenho uma gangue de rebeldes. E não foram só nossos familiares que foram seqüestrados para sabe-se lá o que.
– Eu trabalho sozinha.
– E está pedindo minha ajuda.
– Porque eu te conheço. Ótima para distrações e combates de armas de fogo. Eu só sei usar métodos tradicionais.
– Vou chamá-los.
Pierre suspira.
– Tudo bem. Mas só porque eles podem ter mais experiência com armas novas. Eu vou pegar minhas coisas e partimos hoje.
As duas correm para seus lares. Pierre chega em casa silenciosamente. Pega algumas roupas, várias flechas, $52,20 dólares, frutas e alguns medicamentos. Após juntar tudo, ela chega ao quarto de Darcy e beija sua testa. Pega uma folha de caderno e uma caneta, e escreve:
“Pai, estou de saída. Você duvidou de mim, mas eu preciso fugir. Eu preciso achar mamãe. Querendo ou não, apoiando ou não, é minha mãe. Não sei se voltarei. Mas lembra de sempre fazer o seu melhor, tente duro todo dia. Faz o café preferido da Darcy: Bacon e amoras, porque ela simplesmente gosta de misturar duas coisas. Cante a música que tenho embaixo da cama para ela. Colhe as maçãs mais frescas nas épocas de verão. Limpa os pratos e copos da pia. Não deixa nada pra última hora. Conta a história do marinheiro e da sereia para Darcy. E tente mudar o final.”
No verso, apenas estava escrito em negrito:
“Hoje em dia, só existem armas para mãos. Os finais felizes na vida só dependem de nós.”
Assim, Pierre partiu em sua aventura. Correndo pelos matagais. Mas, apesar de sua vida estar em jogo, ela se sentia finalmente livre.
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