Notas iniciais
Sim, eu demorei a postar :( Desculpem. Obrigada aqueles que comentaram.

Pov Thalia

Queria dizer que aquilo me pegou de surpresa, que eu estava emocionada e chocada. Teria soado humilde, ao menos. Mas não. Eu sabia que tinha potencial vocal. E muito. Mais cedo eu estava apenas nervosa, mas agora tenho certeza. Eu sei cantar.

– Quanto? — Perguntei.

– Quanto o quê? — Nico estava confuso.

Ele deve estar acostumado às pessoas pagando ele para serem produzidos. Mas eu não.

– Não é óbvio? — revirei os olhos. — Quanto eu ganho com isso.

Ele me olhou assustado.

– Você pirou? O dinheiro só entra se você fizer sucesso.

Sem problemas.

– Okey.

Ele me olhava estranho. E isso me deixava louca.

– Olha, — disse, quase como se estivesse lendo seus pensamentos — desculpa estar sendo uma vaca convencida que só liga pra dinheiro, mas eu preciso começar minha — talvez — carreira logo. Eu preciso sair da casa do meu pai, preciso viver por mim mesma; eu estou presa.

Seu olhar em mim se suavizou.

– Eu entendo — ele pegou minha mão.

– Não — balancei a cabeça. — Não entende.

– Meu pai, vivíamos discutindo... Comecei esta carreira por conta própria, Thalia. Eu sai de casa dele, e vim morar com a minha mãe por que ela havia me pedido, apenas.

Seus olhos ficaram mais escuros com a vaga lembrança. Decidi não falar nada.

Ficamos em um confortável silêncio, enquanto comíamos.

Eu estava sendo precipitada em me prender tanto a essa oportunidade? Sem plano B? Eu não sei. Mas sinceramente, eu não ligo. Pra quer ter plano B se o A irá funcionar?

– Vou arrumar uma música pra você — disse, pensativo.

Eu ri.

– Música pra mim? Eu tenho músicas, que são minhas.

– Eu sei — ele me olhou. — Mas as pessoas não te conhecem, vou introduzir você no mercado cantando um dueto com Daniel.

Nico estava determinado.

– Vou?

– Sim. Você pode aparecer no estúdio amanhã? — ele perguntou.

– Ótimo, aqui está o endereço. — Me entregou um cartão. — Você irá conhecer o Daniel. Também preciso ouvir mais músicas suas, leve elas. Não se preocupe em levar guitarra, lá temos todos os equipamentos que irá precisar.

– April irá ficar chateada se eu não a levar — falei sorrindo.

Ela hesitou.

– Quem?

– Minha guitarra — sorri.

Ele deixou dinheiro sobre a mesa e se levantou.

– Até mais, Grace.

Quando estava sozinha, murmurei:

– Até, di Ângelo.

Pov Nico

– Daniel? — perguntei ao telefone enquanto me jogava na cadeira do meu quarto. — Eai, aqui é o Nico.

– E ai? – Sua voz era pesada e sonolenta. Me lembrei que eram 1 da manhã e que provavelmente eu o tinha acordado.

– Desculpe se te acordei, mas eu tenho uma notícia. Você vai cantar um dueto com uma garota.

– Garota? Quantos anos?

– Vinte. – Menti.

– Sério? – Sua voz soou empolgada por cantar com alguém mais velho. – Qual o nome dela?

– Thalia. Thalia Grace.

– Quem vai escrever a música? – A empolgação em sua voz não diminuiu.

– Vocês dois – respondi. – Ela vai para o estúdio amanhã. Você também. Esteja lá ao meio dia.

Desliguei o telefone. Mentir para Daniel não foi legal, mas foi preciso. Se eu falasse pra ele que ele iria cantar com uma garota quase dois anos mais nova que ele, talvez ele não se animasse tanto e eu preciso dos dois totalmente envolvidos nesse projeto.

Pov Thalia

Nunca pensei que eu teria que entrar na minha casa estilo ninja. Mas eu tive. E não foi fácil.

Primeiro, abri a porta o mais devagar possível, o que estava levando muito tempo e eu, sem paciência, abri com tudo mesmo. Entrei em casa, percebi que estava tudo escuro e acabei batendo a cabeça no vaso de rosas de Jennifer que fica junto à porta. Soltei um palavrão. Eu não sou muito alta, mas também não sou uma anã. A questão era que o suporte e o vaso eram enormes. A batida não foi muito forte, mas provavelmente resultará em um hematoma roxo. Ou verde. Sei lá.

–Está meio tarde, não?

Pulei de susto. As luzes se acenderam e eu tive a visão perfeita de uma zumbi com algo verde no rosto e espera... A criatura tinha pepinos nos olhos?

–Oh meus deuses! – Exclamei, colocando a mão na boca de susto.

Espera aí. Mãos na cintura, unhas pintadas de esmalte rosa choque e cabelos lambidos. Okey, não estou mais com medo. Tentei me controlar mais não deu certo e eu caí no riso.

– PARE DE RIR! – Ralhou Isabelle, colocando as mãos no rosto em desespero, melando-as com a tal gosma verde, me fazendo rir ainda mais. Ela não tirou os pepinos nos olhos. Senti meu rosto ficar cada vez mais quente enquanto ria.

–Shh – disse, colocando os dedos em meus lábios, tentando parar de rir. – Berre mais baixo.

Zeus poderia acordar e isso não seria muito legal.

Isabelle limpou as mãos no seu roupão rosa bebê.

–Onde estava?

– O que importa? – perguntei de sobrancelhas arqueadas.

– Estava com Nico? – Sua voz era áspera. Ela tirou o pepino dos olhos para me olhar melhor.

Resolvi brincar um pouco.

–Estava? – Olhei pras unhas.

– Sim estava – continuou, chegando mais perto de mim. – Vi que escreveu algo na mão dele, queridinha, não sou burra.

Ri pelo nariz. Será que não?

–Eu não poderia ter dado simplesmente meu telefone pra ele? – Cogitei uma hipótese plausível.

– Não. – Dessa vez, ela riu. – Você saiu com ele.

– Tem certeza? – Sorri. – Ficou a noite toda tentando raciocinar alguma coisa e chegou nessa conclusão? Patético.

Seus olhos se voltaram pra mim, afiados.

–Com quem mais você estaria? – Ela apontou o dedo pra mim, acusatoriamente. – Você não tem amigos.

Recuei, mas rapidamente me recompus. Isso era um fato incontestável. Mas eu não ligo. As pessoas não gostam de mim e eu não gosto delas.

–Eu poderia ter saído sozin... Não, quer saber eu sai mesmo com ele. E DAÍ? – Explodi.

Ela recuou um pouco com a minha reação.

–E daí que ele é que vai me produzir. – Ela juntou os lábios em um bico.

Reprimi um suspiro.

–Se não me contar tudo, eu vou falar para o papai que você está se atracando com o meu futuro produtor.

– O quê? – Falei incrédula. – Você tem quantos anos?

Ela cruzou os braços, impassível. Vendo que ela não iria desistir, tentei um jogo.

–Bem... – Fingi estar decepcionada com algo. – Ele na verdade me chamou para falar de você.

– Sério? – Seu rosto de iluminou, mas depois ficou confuso. – E por que ele não falou comigo então?

–Por que ele não sabia o quê dizer. – Inventei.

Ela levantou uma sobrancelha. Argh.

–E por acaso você sabe alguma coisa de mim?

–É, não faz sentido. Mas ele disse que ia te ligar, agora tchau. – Passei por ela e subi direto para o meu quarto, não sem antes ter a visto fazer o mesmo, só que do jeito Isabelle, aos pulinho.

Notas finais
Comente, beijos!