Guirlanda

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Alô ~É um estória curtinha, foi baseada na música "Take to Church" daí recomendo que cês escutem ela enquanto leem (se alguém for ler né?)Não foi betada,pode ser que encontrem muitos erros e eu já peço desculpa por isso (quando tiver tempo prometo que reviso com todo o carinho). Por enquanto é só isso, boa leitura~


I' was born sick, but I love it.

Eu sabia como acabaria , eu escutava os sussurros, via os olhares. Bastava eu sair do salão para os dedos apontarem, contudo não me importei porque meus olhos caiam em você e eu me esquecia deles. Assim que saíamos das vistas curiosas, assim que encontrava um corredor escuro, eu te puxava pra mim, porque eu precisava tocar você e saber que você ainda estava ali, comigo. E ali mesmo eu te beijava e você me pedia para parar, pra ser cauteloso, mas eu estava doente e não podia me conter.
Então – amém – estávamos a sós, e meus dedos poderiam correr suavemente pelos seus fios negros, eu poderia venerar seu corpo com meus lábios e você tentaria conter os gemidos, mas eu precisava ouvir sua voz. Saber que minhas preces foram ouvidas. Eu teria que me esforçar e em algum momento poderia escutar você chamava meu nome baixinho e saberia que minhas preces haviam sido atendidas , eu estava no paraíso e nada do que sussurravam nos salões era relevante.


Eu pensei que poderíamos manter aquilo pra sempre — era jovem e ingênuo- pensei que poderíamos vencer todos e por isso não me importei com os sussurros porque,afinal, eu seria o rei deles um dia. Eu era quase intocável.


Mas eu me esqueci querido,
você não era.


Diziam que nós tínhamos nascido doentes. Eu não me importava em ser doente, porque eu tinha você e eu havia abraçado essa doença. Ela poderia me matar, já havia me rendido.
Contudo, foi você o escolhido.
A coroa de aço dos homens seria colocada sobre a minha cabeça, para você sobraria a guirlanda de flores murchas.*

–-------------------------------------------------------------------------


Nos seus braços eu era apenas Arthur, sem títulos, sem coroa, sem terras e sem sobrenome.


Apenas Arthur.


Teu Arthur.


A Lua, lady branca,era a única testemunha do nosso ritual sagrado que celebrava o amor. Orações feitas por mãos, bocas, sussurros doces e gemidos contidos. Mas agora já não posso mais faze-lo, esse ritual precisa de dois e eu estou sozinho, porque eles me tiram você.
E agora eu estou sozinho.

–-----------------------------------------------------------------------------


Chamavam de pecado, nos tratavam como leprosos. Se eles estiverem certos, eu assumo: sou mesmo um pecador. Nós somos pecadores. Eu e você querido, nós nos afogamos no pecado.
Todavia, nós não chamávamos de pecado, para nós era.....

Qual a palavra que usam mesmo?


Ah sim, era algo como amor.


Nesse mundo torto,com pessoas tortas, chamaram de bruxaria. Ora que assim seja então. No fundo nós dois sabíamos o que era, apenas nós dois, porque o sentimento de cuidado era nosso, porque o afeto era meu e seu. Eles não poderiam entender e eles não entenderam.

Ele te acusou, depois pediu misericórdia, que você livrasse o filho — o príncipe- dessa maldição. O que pra ele era uma maldição para mim foi uma benção e eu a recebi de bom grado.
Ele exigiu que você confessasse, mas a única coisa que você poderia confessar era seu amor e essa confissão não era aceitável, mas era a única verdadeira. Você não poderia mentir. Por que o nosso senhor exige sacrifícios e nós damos o que ele quer.

–------------------------------------------------------------------------------


Eu seria rei um dia, mas eu ainda não era.
Ele me trancou naquele quarto escuro e eu ouvi seus gritos, mas eu não pude fazer nada. Eu lembrei do seu cheiro, aquele cheiro de terra molhada,cheiro de primavera (mesmo que digam que alguém não pode cheirar primavera, você podia) aquele cheiro que era só seu. Súbito, entendi que ele não existiria mais porque você não existia mais e todo o ar estava impregnado com o cheiro de carne queimada.
Nossa doença o havia consumido e sobrara apenas eu e as cinzas.
Eu e aquela dor, aquela dor que ia tão fundo como uma adaga, que me fazia perder o ar, que me paralisava. Meus gritos morriam antes de nascer e a Senhora do castelo – a dor – sorria, porque ela não gostava de barulho, porque ela era silenciosa e ela matava aos poucos.

–------------------------------------------------------------------------------


Eu fiz boas orações, fiz bons rituais e fiz bons sacrifícios. Minhas ultima prece foi atendida, meu ultimo sacrifício foi aceito.


Amém.

Eu troquei a coroa de aço dos homens pela guirlanda de flores murchas, a mesma com a qual você foi coroado,meu amor.
Eu já não sinto mais o cheiro de carne queimada. Tudo cheira a terra molhada, tudo é primavera, minha voz sai e eu já não estou mais ao alcance da Senhora silenciosa – aquela tal de dor.
Eu nasci doente, mas você também e nós não precisamos do paraíso deles porque nos temos o nosso.
Eu sei Merlin's, nós nascemos doentes e nos morremos doentes, mas está tudo bem porque tudo cheiro a terra molhada e primavera, tudo está bem.


Nós nascemos doentes.


Mas tudo está bem.


Agora tudo cheira a terra molhada e primavera.

Está tudo bem.


Eu fui coroado com a guirlanda de flores murchas.


E agora, está tudo bem.

Notas finais
* Guirlanda de flores murchas faz referência a um poema que tem em Alice no país das maravilhas e a expressão ese refere a morte. As frases em negrito são parte da letra da canção "Take to Church" do Hozier ♥ Essa música pede por uma Merthur e eu resolvi escrever (embora não tenha ficada exatamente como eu gostaria).Vale super a pena procurar o clipe no youtube, é tão lindo quanto a música. No mais é isso mesmo,até mais e bejocas ~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!