Guilty Angels
6 Capítulo 6 - Hangout
Notas iniciais
Desde que eu me lembre, meu histórico de sábados foram compostos de festas, e eu já tava estranhando, porque eu não sabia onde teria uma e precisava urgentemente sair pra dançar. Valeu mãe, muito obrigada por essa herança! O mais interessante foi um garoto que eu jurava ser do segundo ano, vir até mim do nada enquanto eu tava andando com a Miranda, tirar os óculos de sol, nos encarar, e então me convidar pra festa na piscina que os veteranos dariam.
–Você vai? – Miranda perguntou depois que ele estava longe.
–Você vai?
–Ele convidou você Shay.
–Qual parte do “você também pode ir se quiser babe” você não ouviu? – Encarei-a rindo. Ela suspirou. – Tá bem ligada no Athos hã?
–Eu não! É que... calouros não vão à festas de veteranos! – Abracei-a ainda rindo.
–Que pena.
–Esse é outro dos seus “que pena” que significa “foda-se, eu vou fazer mais escândalo porque eu sou completamente louca”?
–Ah Miranda, você me conhece tão bem! – Falei fazendo-a rir. – Vem, vamos escolher um biquíni pra mim.
Ela me encarou incrédula e depois começou a rir. Fomos pro quarto e eu comecei a revirar meu guarda-roupa, até avistar uma Britt de legging.
–Quem é você e o que fez com a nossa Britt? – Brinquei fingindo estar chocada, depois ri e a abracei. – Vai fazer o que hoje?
–Ao contrário de uma certa louca que eu adoro, eu não vou pra uma festa de veteranos, só vou andar pela cidade mesmo. – Respondeu abraçando minha cintura. – Niels vai estar nessa festa pra você querer mais encrenca?
–Amor, eu não vivo pelo Niels! E o Daniel é simplesmente gato demais pra eu conseguir negar qualquer coisa pra ele! – Britt revirou os olhos e foi até meu guarda-roupa, tirando um biquíni salmão escuro e jogando pra mim.
–Usa esse, e prende o cabelo. – Piscou pra mim e saiu. Encarei Miranda sorrindo e fui me trocar, Miranda ficou ouvindo música no quarto e eu sai.
–Devo dizer, que você está magnífica. – Alguém falou atrás de mim quando eu cheguei ao pátio. Me virei e encontrei Daniel descendo as escadas. Sorri e mordi o lábio.
–Não é como se você estivesse muito atrás. – Respondi rindo, ele segurou minha mão gentilmente e me guiou até a piscina, principalmente porque eu não sabia onde era.
–Você fez um rebuliço e tanto no refeitório naquele dia. – Falou.
–Eu sou uma garota especial! – Brinquei rindo.
–Eu sei, por isso te convidei. – Virei o rosto para encara-lo, e num movimento rápido ele me beijou.
–Devo dizer que é um garoto especial também? – Sussurrei.
–Se quiser. – Sussurrou de volta.
–Deixe-me dizer uma coisa, se não fosse, não deixaria que me beijasse. – Disse lambendo os lábios e entrando no ginásio que tinha uma piscina olímpica e um monte de alunos do terceiro rindo, bebendo, dançando e se pegando, ações visivelmente divertidas que eles pararam de fazer no momento em que eu entrei. Daniel se apressou em passar o braço pela minha cintura, e assim todos voltaram ao que faziam como se eu não fosse ninguém.
–Desculpe por isso. – Disse sem jeito. Ri.
–Eu já esperava. – Confessei.
–Quer dançar?
–É o que eu mais quero desde ontem! – Despejei o puxando pra mais perto do som.
Música foi, música vai, umas três danças depois, Daniel foi pegar umas bebidas pra gente, e nesse meio tempo, Karmen veio até mim.
–O que você acha que está fazendo aqui? – Perguntou como se dirigir a mim fosse o pior pecado do mundo. Encarei-a como se não a tivesse ouvido, e quando ela parecia a ponto de avançar em mim, falei:
–Oi vadia do Niels. – Suas amigas ficaram boquiabertas. – O que? Não sabiam que ele vai atrás dela quando quer tirar o atraso e depois sai de madrugada como se não fosse nada? — Karmen avançou um passo até mim.
–Eu não sou a vadia de ninguém, na verdade eu não sou de ninguém. – Falou com o nariz empinado.
–Ah, então você só usa ele como seu brinquedinho? Bom saber.
–Como você ousa falar comigo dessa maneira? – Rosnou.
–Ei, calma, vaca não rosna. – Falei sorrindo. – Mas talvez nade. – Dito isso, me virei, dei dois passos, e aproveitando o local onde estávamos, simplesmente a empurrei na piscina.
Daniel chegou bem no momento em que ela caiu na água, e me puxou pra fora do ginásio, quando saímos, começou a rir.
–Você é completamente louca!
–Já me disseram. – Falei rindo. – Foi mal pela confusão.
–Tá brincando? Eu já tava esperando alguém falar poucas e boas na cara da Karmen desde que ela entrou aqui! – Sorrindo, ele se aproximou de mim e me beijou. – Você é mesmo especial!
Sorri sem jeito.
–Ela é mesmo uma vadia. – Falei fazendo-o rir.
–Completamente! – Acrescentou. – Podemos almoçar amanhã? Meu pai tem um restaurante aqui, aposto que vai adorar.
–Só se dermos uma volta depois! – Respondi parecendo uma criança. Ele riu e me beijou de novo, depois me acompanhou até meu dormitório e foi pro dele.
–E ai? – Miranda perguntou.
–Derrubei a Karmen na piscina. – Contei. Ela me encarou incrédula.
–Você o que? – Britt gritou.
–Derrubei a Karmen na piscina. – Repeti, e fui tomar banho, levando em conta que eu nem entrei na piscina, mas estava suada de dançar e precisava esfriar a cabeça depois de tantos beijos daquele pedaço de mal caminho que tinha me chamado pra sair.
Deus, se você existe, e se existe amor a primeira vista, me conceda a felicidade com esse cara, por favor!
Fale com o autor