Guilty Angels
5 Capítulo 5 - Curtindo a noite
Notas iniciais
A apresentação matinal da Shay me fez ficar sem ter onde esconder minhas excitações matinais, se é que me entendem. Ainda bem que eu estava sentado na mesa do refeitório, poderia esconder até a situação lá em baixo se acalmar. Ela realmente conseguiu me provocar com aquilo. E já tem um tempo que... Bem... Então... Tô na seca!
Stefan, Athos e Joseph me olhavam com umas caras, eu tinha atraído uma caloura em menos de uma semana e ela já tinha feito um rebuliço daqueles no refeitório. Não houve um que não estivesse olhando para ela. E que pernas! Ainda mais naquela meia-calça colorida.
Agora ela estava do meu lado, sorridente por sua apresentação ter dado certo.
–Não vai comer nada não? — falei lhe oferecendo uma fruta
–Ah, obrigada. — pegou e abocanhou
–Então, tá gostando de estudar na Von Elfstein?
–Por enquanto sim! Mas quando se estuda o que gosta, acho que fica meio impossível não gostar.
–Concordo!
–Alias, Shayera, obrigada pela apresentação que alegrou nossos dias. Um pouco pelo menos. — Comentou Stefan
–Posso repetir mais vezes se quiserem. — falou rindo maleficamente
–E em um lugar mais reservado, é claro. — completou Athos
–Nossa! Quanta safadeza! — gargalhou – Vou pensar no caso de vocês!
Se eu fiquei assim no meio de todo mundo, imagine em algo reservado? A virilha vai pegar fogo! Ela é sensual e gostosa, não tem como evitar esse tipo de coisa.
A conversa saiu desse assunto e meus amigos perguntaram mais sobre a Shay, aquelas coisas que ela me contou no almoço. Assim que acabamos de comer, saímos do refeitório. Acompanhei Shayera até o dormitório feminino, ela se trocaria para ir a aula.
–Obrigada pela companhia, Nil. Agora vai para não perder sua aula.
–Sim! E vê se coloca algo mais comprido, não consigo parar de olhar para suas pernas. — soltei meio constrangido – Sei que pode usar o que quiser, é só um conselho se não quiser que eu te fuzile com o olhar. — sorri
–Eu entendo. Mas não me incomodo com isso.
–Isso é bom! Agora, deixei eu ir.
Dei alguns passou para trás, acenei, me virei e caminhei.
***
Aquele dia de aula correu normalmente. Tive a aula do Angelino que tanto temi, mas ele deve ter esquecido o ocorrido.
A aula de composição é uma das que mais gosto. Nela posso mostrar um dos meus outros talentos: escrever. Todos ficam impressionados com as complexidades e riquezas das minhas letras.
E não sei por que motivo, mas a Karmen não parou de me olhar um só segundo. É até normal ela ficar me secando com o olhar, mas tava demais viu? Será que ela ficou com ciúme da Shay?
Rolam boatos de que ela é apaixonada por mim, mas ela nunca veio me falar. Assim complica né!
A “caloura sexy” foi o assunto do dia. Todo mundo do meu ano ficou me perguntando o que eu fiz para aquilo acontecer. Eu sei lá! Vai entender o que se passa na cabeça da Shayera.
Perguntem a ela, não a mim!
***
Dois dias se passaram e sem nenhum alarde e nenhuma apresentação surpresa de ninguém pelo campus. Era a primeira sexta-feira desde que voltamos a Academia. E somos liberados no final de semana para poder sair, se divertir e também ver a família. Isso incluí a sexta a noite!
Assim que bateu o último sinal do dia de aulas, corri ao dormitório, tomei um banho e me arrumei para sair. Iria num lugar perto da Von que já estava com saudade: Sxon Rick Show Bar.
É um local agradável e onde algumas bandas de rock se apresentam nas sextas. É o local onde “purifico minha alma” semanalmente!
Eu sempre vou sozinho e dessa vez não foi diferente! Trajando jeans, uma camiseta preta, jaqueta e casaco de couro que eu cheguei lá. Luz baixa e meio avermelhada. Tocava um pop-rock ao fundo, ainda em música ambiente, os shows eram só mais tarde.
Mesas de um lado e do outro o balcão, foi para lá que eu fui. O dono, Enrique, me cumprimentou do outro lado da bancada:
–Fala aê, Niels! Quanto tempo não? Como foram as suas férias?
–Foram bem, Rick. — sim, esse é o apelido dele – De volta a ativa da Vollux. E este ano debutamos.
–Dá para ver a sua animação para que isso ocorra só na sua voz. — ele falou, zoando
Enrique era o único que sabia, antes da Shay, sobre o meu dilema. É um grande amigo que consegui por aqui. Encontrei o bar vagando após a minha primeira semana de aulas, quando tinha meros quinze anos, no meu primeiro ano na Von Elfstein. Esse cara me consolou quando recebi a pior notícia da minha vida e também tomei um porre! O primeiro e único. Ele que me levou de volta a Academia. Atualmente, aprendi a beber melhor, então consigo me controlar.
–Só espero que não tome outro porre no final de tudo. Vai querer o mesmo de sempre: Heineken?
–Sim. Só uma. — ele pegou, abriu e colocou a garrafa no balcão – E as bandas hoje? Estão boas?
–Claro que sim. Sabe que eu escolho a dedo, Niels. E um dia, — apontou para mim – quero que esteja com a sua banda de rock aqui.
–Só nos seus e nos meus sonhos. Bem que eu queria.
–Ainda dá tempo de reverter a situação. Você sabe disso! E eu acredito que consegue.
–Além de usar lentes de contato.
Não contei isso, mas eu uso óculos sim, eu tenho uns grauzinhos de miopia. Muitos dizem que é por questão de estética, mas quem dera fosse assim. Enxergo quase nada sem eles. Ainda reluto em usar lentes de contato.
Fiquei de boa, distraído com a música e bebendo a minha cerveja. E sim, eu sou emancipado e tecnicamente “maior de idade” e posso beber. Praticamente todos os alunos da Academia também são!
Passadas umas duas horas, começaram as apresentações. E quanta música boa e todas de bandas independentes. Quanta coisa boa existe e sem nenhuma super produção e nem marketing massivo, apenas uns caras que curtem música e se juntaram em uma banda. Muita gente na Von tem que aprender o que é isso.
Curti as horas de música boa e no final acabei conversando com uma das bandas, os membros eram muito simpáticos e tivemos um bom papo.
Infelizmente teria ensaio com a Vollux no dia seguinte, já que os sábados são os dias dos ensaios livres de cada grupo. Pouco antes da meia-noite me despedi das minhas companhias breves e do Rick. Segui caminhando de volta.
Passei por vários outros alunos de Academia. Nem olhava para quem eram, eu estava distraído com os meus pensamentos. Ouvi algumas vozes femininas e senti alguém tocar os meus ombros. Virei-me para ver e era a Karmen.
–Niels, o que faz aqui sozinho?
–Eu fui caminhar um pouco, só isso. — Obviamente, menti.
–Parece tão triste. — comentou pegando no meu rosto
–Ih, melhor seguirmos meninas, o casal vai ter uma DR. — soltou uma das amigas da Karmen e as outras riram, saindo depois
–Só um pouco pensativo demais. -respondi
–Por causa daquela caloura? — ela foi direto ao ponto, uma clara demonstração de ciúmes
–Não! Eu estou pensativo por causa do debut.
–Não tem que se preocupar com isso. Os produtores cuidarão de tudo isso.
–Sim, eu sei disso.
–Sabe, eu ia sair para dançar, mas te vi aqui e resolvi que te farei um show particular lá no meu quarto. O que acha?
–Uma ótima ideia! — ri e a beijei
Karmen e eu voltamos a Academia, entramos no dormitório feminino, teríamos algumas horas para aproveitar sozinhos, já que as amigas dela retornariam bem mais tarde.
Por sorte não tinha ninguém nos corredores quando entramos. Melhor sem nenhuma testemunha. E olha, foi ótimo! Eu tava precisando mesmo.
Fiquei até umas três da manhã, quando ela recomendou que saísse, pois as amigas logo chegariam. Segui o conselho e vesti minhas roupas. Despedi-me dela e sai, a caminho do meu quarto.
Mas de relance, acabei vendo que um dos quartos estava com as luzes acesas e uma pessoa acabava de entrar lá. Eu só não vi quem era!
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