Guilty
1 One
Notas iniciais
Era dia de folga. Nossa, como eu amava esses dias! Podia fazer tudo o que quisesse sem ter ninguém pra me apressar (como o Kai), ou pra me perturbar (como o Reita) e também não precisaria ficar irritado com os surtos psicóticos do Taka. Isso realmente me estressa.
Tudo o que eu realmente queria era tomar um banho bem gostoso e ir encontrar o meu moreno. Não tem nem 24 horas que o deixei em casa e já estou morrendo de saudade! Eu sei que sou um pouco grudento, como o Aoi mesmo diz mas, tem como não ser com aquele ser maravilhoso? Só de lembrar daquela boca, aquelas mãos me tocando... sinto todos os meus pelos se arrepiarem. Ui!
Tomei um banho rápido, me enrolei na toalha e fui procurar algo bem provocante pra vestir. É incrível como quando você procura ‘aquela’ roupa, não a encontra. Você sabe que ela está lá mas ela não te serve, entende? Não entende? Ah, esquece. Coisas da minha mente louca.
Já estávamos a três meses juntos e eu ainda me preocupava com o que vestir. Me sentia diferente com Yuu. Ele me completava e as coisas entre nós eram tão naturais que eu não sentia pressão nenhuma sobre nada do que fazíamos. Era um bom relacionamento. Eu o amava. Amava-o com todas as minhas forças.
Estava enrolado na toalha quando ouvi a campainha tocar. Que droga! A quem eu não tinha avisado que iria visitar o Yuu? ¬¬’
Vesti uma boxer e uma calça qualquer que estava no guarda-roupa, peguei uma camisa e dei um jeito nos meus lindos cabelos e, fui atender a porta. E, qual não foi a minha surpresa ao ver o meu Yuu parado ao batente de forma tão... triste?
- Hey Yuu, o que aconteceu? – e o abracei.
Mas ele não me respondeu. Apenas me olhava e pude perceber que estava à beira das lagrimas.
- Eu... eu posso entrar? – disse com dificuldade.
- Claro amor. – e dei passagem para que entrasse em meu apartamento e pudesentir o seu perfume.
Ele estava estranho, como se tivesse chorado muito.
‘Não estou gostando disso.’ Pensei. Respirei fundo, fechei a porta e o encarei mas, ele não me olhava. Estava parado no meio da sala com a cabeça baixa.
Me aproximei e levantei seu rosto com meus dedos.
- Me diz qual o problema.
Foi então que ele desabou. Vi o meu Yuu chorar como uma criança desprotegida do mundo. Aquilo foi angustiante.
O fiz sentar no sofá e me ajoelhei a sua frente.
- Yuu, pelo amor de Deus, me diz o que ta acontecendo!
Mas ele não me respondia. Apenas chorava, chorava e chorava. Eu não sabia o que fazer então fiz o de sempre: o abracei e deixei que suas lágrimas molhassem meu ombro. Ele sempre me dizia o quanto o meu abraço o acalmava e, era tudo o que eu queria naquele momento: que ele se acalmasse. Não agüentava vê-lo daquela forma. Yuu é o amor da minha e por nada no mundo quero o ver sofrer.
- Shhh... eu to aqui... vai ficar tudo bem... eu te amo.
Foi então que ele intensificou suas lagrimas e eu não pude deixar de perceber. O que eu disse de errado? ‘Que merda!’.
Ele se afastou de mim mas não me olhava. Aquilo me perturbava. Deixou suas mãos no lugar que antes estavam os meus ombros e sentei ao seu lado.
- Yuu amor... me diz no que eu posso te ajudar.
Mas ele apenas chorava.
Me levantei, dei alguns passos e aspirei o ar em volta. Ele começava a me deixar nervoso. Nervoso? Sim! Eu estava ali do lado dele... sempre estive e tinha certeza que sempre estaria então... QUAL ERA O MALDITO PROBLEMA?
Ouvi seus soluços cessarem e me aproximei novamente voltando a minha primeira posição.
- Kou eu... preciso te contar... – falou em meio à lagrimas que insistiam em passar pelo seu belo rosto.
- Pode dizer! O que quer que seja, nós vamos resolver juntos. – e o abracei. – Eu prometi que sempre estaria aqui... e sempre vou estar.
- Eu... não quero que... você me... odeie por isso.
Um sorriso brotou de meus lábios.
- Como posso te odiar se te amo mais do que qualquer outra coisa no mundo? – disse olhando em seus tristes olhos. – Não precisa se preocupar com nada. Eu estou aqui do seu lado.
Ele voltou a chorar. ‘O que foi que eu disse agora?’.
- Amor, se acalma... me diz o que aconteceu... por favor. Eu não agüento te ver assim Yuu!
Ele me olhou como se pedisse que eu me acalmasse quando o que eu queria mesmo era que ele se recompusesse e me dissesse o que estava havendo.
- Eu... Kou...
- Pode dizer meu anjo.
- Eu ainda... gosto do meu ex. – e desabou a chorar novamente.
Eu fiquei ali, parado, olhando-o e tentando acordar daquele pesadelo que tinha se iniciado bem a minha frente.
Como assim ‘eu ainda gosto do meu ex’? Quer dizer, e os nossos momentos juntos? Todas as nossas promessas, todos os nossos planos, foram... em vão? Tudo não passou de uma grande, e maldita, mentira?!
Sentei ao seu lado apoiando meus antebraços em minhas pernas e minha cabeça em meus polegares tentando não pensar em como eu tinha sido tão burro a ponto de não ter percebido. Eu sabia que algumas pessoas andavam atrás dele mas não pensei que alguma ‘mexia’ com os sentimentos do Aoi. Sempre fui tão sincero com ele e, é isso o que eu recebo em troca? Me sangue fervia só de pensar.
Fechei os olhos e fiquei mergulhado em meus pensamentos.
- Kou... diz alguma coisa.
Dizer o que? O que ele queria que eu dissesse? Eu não conseguia dizer nada. As palavras simplesmente fugiram de mim como eu queria fugir daquele pesadelo.
Senti minhas lagrimas se formarem e abri meus olhos fitando o teto. ‘Deus! Isso não ta acontecendo. Não pode estar!’.
- Kou por favor, diz alguma coisa!
Percebi um certo desespero em sua voz. Mas, desespero por quê? Eu era quem estava perdendo o meu amor. Amor... eu nunca tive o amor dele. Todas as vezes que ele disse que me amava eram... mentiras. Mentiras. Eu não podia suportá-las. Eu não podia suportar a idéia de que o tinha perdido, de que não era eu a quem ele amava, de que me esforcei tanto por ele e...
- Kou, diz alguma coisa! Briga comigo, me xinga, me bate, faz qualquer coisa mas fala comigo!
Sequei minhas lagrimas, levantei, acendi um cigarro e fui até a janela.
O dia estava lindo. Algumas nuvens começavam a se formar... assim como na minha vida.
Traguei aquele cigarro como se ele pudesse trazer de volta a minha felicidade. Felicidade. Será que eu não o tinha feito feliz? Será que eu sou uma pessoa tão desagradável ao ponto de nunca tê-lo feito feliz, nem por um momento sequer?
- Kou... amor...
Não pude evitá-lo. ‘Amor’? Como ele ousava me chamar assim depois de ter destroçado o meu coração?
Virei-me e vi que ainda estava no mesmo lugar ao qual o tinha deixado.
- Não me chame assim se você não me ama. – disse olhando em seus olhos. Ele pareceu chocado com a minha declaração mas eu não me importei.
- Não diga isso! Eu te amo.
- Não, não ama. – falei tranqüilo.
- Kou, eu só...
- Não precisa se explicar Aoi, eu já entendi.
- Aoi?
- Sim. Aoi.
- Kou, eu amo você mas...
- Mas não sou eu quem você quer.
Só então ele se levantou vindo até mim.
Minha vontade era moer todos os seus osso para, talvez, aliviar minha raiva mas me contive em apenas ‘despreza-lo’ naquele momento.
- Eu quero você! – e me abraçou. – Eu não quero te perder Kou! Nunca!
Fiquei em silencio. Como... como eu poderia contornar essa situação? Como eu poderia te-lo só pra mim?
- Me perdoa mas eu precisava dizer isso pra você. Eu não agüentava mais ficar escondendo... estava me sentindo péssimo. – ele me abraçava mais forte.
Dei um sorriso sarcástico. Então ele era quem estava péssimo?
- Me solta.
- Não Kou! Eu quero ficar com você!
‘O que?’ O_O
- Eu não quero te perder. É com você que eu quero ficar.
- Ah entendi. Vai me usar pra esquecer o outro.
- Não!
- ...
- Kou, eu te amo! É com você que eu quero ficar.
- Está brincando comigo?
- Não. – e só então ele olhou em meus olhos. – Eu só... só preciso de um tempo.
- Tempo? Yu... Aoi, se quer tempo compre um relógio!
Merda! Eu não vou ficar aqui pra servir de ‘escape’ pra ele!
- Me desculpa. Sei que te magoei mas se não tivesse dito, teria magoado ainda mais.
- É melhor você ir embora.
- Mas...
- Mas o que? O que mais você tem pra me dizer?
Ele se afastou e abaixou a cabeça fitando qualquer ponto no piso.
Bufei.
- Eu só não queria mais ficar mentindo pra você.
- O que não muda o fato.
- Eu quero você mas...
- Mas?
- O problema é que ele fica me ligando, dizendo que me ama... essas coisas mexem comigo Kou!
- Entendo. – começava a perder as forças pra continuar lutando contra as lagrimas.
- Entende? Mesmo? Isso quer dizer que podemos ficar juntos?
Porque eu nunca acreditei quando me diziam que tinha um raciocínio lento? ¬¬’
- Isso quer dizer que você vai pra sua casa e amanhã nos falamos.
- Hum... mas... continuamos juntos certo?
- Temos uma banda Aoi.
Ele pareceu pensativo.
- Tudo bem. Eu vou pra casa e nos falamos amanhã.
Não respondi.
- Passo aqui pra te pegar de manhã?
- Não há necessidade.
- Mas sempre fiz isso!
- Eu sei. Nós namorávamos antes.
Ele ficou em silencio me observando.
Sim, eu estava cansado de me entregar a ele. Realmente cansado.
Aoi se aproximou de mim e fez um carinho em meu rosto, tão logo, fechei os olhos quase automaticamente para aproveitá-lo. Quando percebi que aproximava seu rosto do meu, abri os olhos e disse:
- É melhor você ir.
- Por favor, diz que não vai me abandonar!?
Me desfiz de seu carinho ficando de costas para ele.
- Eu não menti quando disse que sempre estaria com você.
- Kou...
- Aoi vai embora. Eu preciso ficar sozinho.
- Por favor, Kou – e me abraçou por trás beijando meu ombro. – não me abandona! Eu preciso de você!
Novamente me desfiz de seu abraço e fui caminhando em direção ao meu quarto.
- Feche a porta quando sair.
E tranquei a porta do quarto.
Não agüentei mais o peso de meu corpo e me joguei sob a cama agarrando o travesseiro. Ele usava aquele travesseiro. Ainda tinha o perfume dele.
Ouvi quando ele bateu a porta e saiu. Foi instantâneo para que minhas lagrimas derramassem sobre seu travesseiro.
Sim, eu havia escolhido não lutar por ele. Tenho certeza que estou sendo infantil, egocêntrico e talvez até um pouco egoísta mas, não há como evitar. Sinto como se ele apenas me usasse, que tudo foi apenas uma brincadeira daquela mente sádica.
Me reservei o direito de me recolher àquele pedacinho da cama onde ele dormira e ali despejar toda a minha raiva e a minha magoa através de minhas lágrimas.
E amanhã, quando ele me perguntar (novamente) se estamos juntos (sim, eu sei que vai.), minha resposta será: Por favor, não me faça mais perguntas. Deixe-me assim agora, e permita-me lhe dar uma desculpa.
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