Guiltless

1 Sleepy Jack o ultimo Hollow


Notas iniciais
Encurtando, Jack é um maluco, mas quem não é depois de passar o que ele passou, minhas desculpas para quem não curte sangue para todos os lados, ou lutas, pois é o que mais tem nessa história, carregada de corpos e varias mortes. Estou exagerando, mas para quem ler espero que goste. Jya nê

Guiltless

Somente os estrondos se faziam ouvir, como trovões, de dentro dos muros e paredes do palácio de Lchrist. Ninguém sabe como, nem de onde ele surgiu durante o jantar do príncipe, mas ele entrou arrebentando a porta do grande salão com um chute.

- É ele! É o Jack, o covarde Jack – os convidados gritavam.

- É o Terror! A sombra do Inferno! Matem-no! – os guardas gritavam.

Jack chutava, desviava, e socava todos os nove guardas no salão, quando derrubou o ultimo, ele voltou sua atenção ao príncipe que o olhava repleto de desprezo. Pois ele mesmo matara Jack o Estripador. Mas seria então um fantasma ali frente a realeza? Se era um fantasma, era bem real, o príncipe pode sentir a força da lamina da espada de um de seus guardas nas mãos de Jack.

Eles trocaram apenas alguns golpes antes do príncipe cortar a lamina do Estripador, pois o príncipe Encantado carregava uma espada mágica chamada Lie. Jack olhou a lamina quebrada em suas mãos, ele a enterrou no olho direito do capitão da guarda que chegava com reforços, num piscar de olhos todas as portas do salão estavam repletas de soldados Verdade, um exercito deles sob o comando do príncipe que ordena o ataque.

O Estripador fazia o que fazia de melhor rodopiando os fazendo acertar os ataques nos mesmos, girando e cortando com algumas espadas, por mais que essa fosse sua especialidade ele não podia manter o mesmo ritmo por mais tempo, assim que avistou o príncipe novamente no altar, ele correu por cima dos soldados, em um salto ele estava sobre o príncipe, e ele o teria pegado se não tivesse sido gravemente alvejado por uma saraivada.

Do andar de cima, as sacadas para dentro do salão na altura dos lustres estavam cheias de soldados armados de bestas, estes sob o comando de Diamond a esposa do príncipe. Ela ordena mais uma leva. Jack serra os dentes quando a vê, pois a odiava assim como odiava o príncipe marido dela. Os movimentos violentos dele faziam as flechas soltarem de sua carne, ele não ia desistir, o príncipe estava logo ali.

Ele empurra o príncipe que o agarra e o joga contra uma parede que se desfaz, Jack cai na escadaria da torre leste, Jack e o príncipe mais uma vez se atracam, e subindo as escadas Encamtado fugia para encontrar uma posição melhor de luta, eles chegam ao sino da torre este era enorme como o da torre de uma igreja. Não era para menos o príncipe e sua esposa eram extremamente religiosos, pela fé deles todo o reino era da mesma fé, o povo da luz, o povo que segundo eles dois seria de Deus.

Os dois continuavam a se atacar, quando do chão atravessou uma lança da qual corta a perna de Jack que se desequilibra, sem perder tempo e sem que seu adversário pudesse revidar o príncipe transpassa sua espada no Estripador e o crava na parede. Encantado despejava toda a sua arrogância e soberba em palavras sobre seu inimigo suspenso e preso na parede.

- Vá se ferrar! Você e toda a sua razão ridícula Charming – ele esbravejou – Se preferir direi em outra língua, ou até desenho pra quem sabe fazer esse seu cérebro de merda entender – ele gargalhou – Que não importa quantas vezes mais você enfiar uma lamina em mim. Eu não vou morrer, porque você matou tudo em mim, todos que um dia amei. Então eu somente vivo pra te matar, e eu vou lavar toda essa escadaria pomposa desse palácio com o seu sangue! – o semblante de louco se tornou puro ódio, não mais era Jack aquele corpo na parede, mas sim o Estripador.

O príncipe ainda fazia pouco das declarações, com o pé no cabo da Lie, a enfia ainda mais fundo nele. Até que Jack se solta e põe as mãos no pescoço de Charming. O vitral se espatifou nas costas do Estripador que fora atirado após ser atingido novamente pela laça mágica Nomercy.

- Entenda, eu sou a luz! Pois Deus esta comigo, e ele me guiara a te destruir espírito maligno! – Charming berrava do buraco da janela – Você nunca vencera, pois ele não gosta do que você é – foi a ultima coisa que Jack ouviu antes de ser tragado pela forte correnteza do rio que atravessa o palácio.

A muito o sol já havia partido para dar lugar à lua. Quando o Estripador despertou dentro do tronco oco de uma arvore, sentado virado para a abertura no meio das raízes ele pode ver a trilha na qual se arrastara do rio para a sombra daquele buraco. O sol já o estava corroendo, não que isso fosse incomum, desde que parou de se alimentar, pelo menos de quem importava. Pois todos os que importavam estavam mortos. Ele lembrava da queda, da chance que perdera, juntamente com as lembranças dos que amava.

Hollow S. Jack do clã Hollow da floresta vizinha a cidade do reino de Lchrist, Jack e seu clã nunca tiveram problemas, nem nada contra Charming. Talvez por alguma casualidade do destino que o fez se casar com Hollow F. Diamond. Foi uma união conturbada pelas raças, mas nada o que um: “Sim, eu aceito” não fizesse com que todos se calassem.

A princesa foi viver em seu palácio com seu príncipe, e o clã da floresta continuou com sua vida, eles eram excelentes domadores de dragões, assim como ótimos criadores, tinham um grande poder referente a magia e aos encantos da floresta, muitos eram os que aderiam ao clã, que se estendia da baixa floresta no pé das montanhas até o topo dela onde viviam os criadores de dragões. Era lindo aquelas criaturas extremamente brutas e perigosas se chacoalhando de cócegas no chão quando os membros do clã coçavam a barriga deles.

Era esse o clã de Jack, era...

Solitário, ele caminhou cambaleante pela margem do rio, até se deparar com uma vila, em chamas, não havia gritos, nem pânico, a vila estava serena, pois todos já haviam sido mortos. Mais um ataque de nobres com o exercito, exercito este sob as ordens do príncipe de Lchrist.

“Repulsivo” era isso o que Jack pensava do príncipe “um repugnante soberano de merda” essas eram as exatas palavras dele para descrevê-lo. Olhando as chamas que vagamente se apagavam com a rala chuva, diferente daquele dia, daquele crepúsculo quando o clã testemunhou seu ultimo por do sol. As chamas ainda estavam fortes, molhado como estava nem ligou para o forte calor, e andando em meio a corpos e armas, o pavor nos rostos dos pobres moradores daquela vila, ele sabia o que era aquilo.

- Soldados Verdade – ele pronunciou baixo, era impossível que não franzisse a testa e serrasse as sobrancelhas, o ódio que o consumia era intenso, seus únicos pensamentos eram os de voltar a Lchrist e matar os dois regentes que se diziam de Deus. Em meio aqueles destroços encontrou um telhado que não estava mais queimando, algo mais que uma choupana próxima ao rio, entrou pela porta arrombada feita de casca de arvore, estava despedaçada, sentou de frente para entrada sobre a cama de palha, e lá ficara com as pernas estiradas olhando fixamente para as chamas. Uma pequena goteira lhe pingava no ombro, mas pouco caso se fazia para que estava encharcado.

Com o forte cheiro de sangue, fogo e o vapor da fumaça, ele achou seguro ficar ali um pouco mais, seu cheiro e sua presença estariam a salvo de qualquer animal ou soldado inimigo que perambulassem por ali. Logo ele adormeceu, estava exausto, dormir na beira do rio naquele tronco era muito desconfortável. E enquanto dormia sonhou com seu clã, sua família, seus queridos e amados, que a ele somente chamavam de Jack, pois para qualquer um de fora ele era, o Terror, o Estripador, o “Covarde”. A não ser para sua irmã, para ela era Jaku, ele se lembrava da garota de cabelo branco com a língua meio presa e fala enrolada, que sempre caminhava de luvas e ataduras, animada, a ingênua garota era a protegida de Jack que cuidava das fronteiras da floresta. Eram apenas eles dois, pois nem Jack e nem sua irmã conheceram seus pais, lembrava-se como foi o dia em que perdera as pessoas que cuidavam dele, dois fazendeiros do clã.

“Eles foram surpreendidos por uma caravana de Monges- Falcos que adentraram a floresta pela fronteira ao leste, nem tiveram chance”

O garoto desde cedo aprendeu o que era a morte, e a dor de perder alguém, desde aquele dia prometeu nunca mais permitir que alguém machucasse seu clã. Dessa promessa o garoto aos sete anos já se candidatava para se tornar um guerreiro, mesmo os membros do clã o desacreditavam, nunca um garoto fazendeiro seria um guerreiro, e o mestre nunca o aceitava por mais que se esforçasse.

“Para se tornar um guardião da floresta você deve amar seu clã para que assim então o defenda”

Era comum Jack ficar com dores de garganta e até perder a voz de tanto gritar o quanto ele amava o clã, berrava ao mestre, que sempre o disciplinará com severidade para que desistisse de ser guerreiro. Mas o garoto todos os anos tentava, e em todos os anos apanhava do mestre. Aos doze anos voltava de mais uma falida tentativa de se tornar guerreiro, cambaleava com as costas machucadas, naquele dia também perdera a voz, foi o dia em que conheceu as duas pessoas mais importantes para ele.

Uma era a jovem Hollow T. Euphoria, a garota de dez anos havia se classificando para aprender com o mestre, intrigada com o jovem teimoso marginalizado por todos do clã, ela não entendia o que ele teria na cabeça para ser tão burro ao ponto de literalmente ir apanhar todos os anos. Ela vinha com Heat o jovem de 15 anos já graduado, junto dele Kim de 12 anos, e Eliott de 14.

Jack era o bode expiatório de todos, e com total alegria o maltrataram, Beat chutou uma pedra na cabeça que acertara em cheio a nuca do rejeitado, ele caiu sem poder gritar, pois estava sem voz, eles caçoaram e zombaram dele uns minutos até desembainharem as espadas para cortá-lo um pouco.

- Olhe bem, é o mais perto de uma espada que você vai chegar – Eliott balançava a lamina perto dele.

- Não esse é o mais perto – Heat quase arrancou um olho do garoto, quando Euphoria os impede implorando, nem ela sabe explicar o que deu na cabeça dela, simplesmente agiu com o instinto de proteger um semelhante. Até parece que ouviriam uma garotinha os desafiar, quando chegaram os pais deles, grandes guardiões da floresta, e disseram para que parassem e deixassem o garoto fazendeiro em paz. Eles atenderam indiferentes e resmungando, e foram embora, a menina não sabia o porquê, mas ela também sentia uma certa repulsa do garoto, pois não fazia sentido ser tão burro a esse ponto, então ao ajuda-lo a se levantar ela começou a gritar com ele, de como era burro, estúpido, teimoso e arrogante, pois ele nunca respondia quando alguém lhe dirigia a palavra.

Jack não ligou e tentou seguir seu caminho, ela deu um berro o chamando de burro, aquilo foi demais, mesmo tendo salvado-o ele perdeu a paciência.

- Cala a boca sua burra! — respondeu, mesmo com a garganta machucada – É você que é uma burra! Vocês todos são, se não fossem vocês que se acham superiores apenas por balançarem uma espada nosso clã não sofreria tantas perdas, nossas fronteiras seriam mais bem protegidas, por culpa de vocês burros incompetentes é que nós sem pais existimos, é por culpa de vocês mesmos que eu existo! – ele parou de gritar ao cuspir sangue da garganta machucada.

- Como se atreve – disse o pai dela e o chutou de cima do cavalo no canal de água – Lealdade e respeito são coisas que não estão em seu sangue, é por isso que nunca se tornara um guerreiro, tão pouco um guardião – disse o homem barbado com olhar de desprezo para o garoto enlameado – eles foram embora.

Jack estava muito triste, chateado, zangado e magoado, ele caminhou de baixo do céu escuro, até a pequena cabana que chamava de lar no fim da floresta, longe da ramificação principal de seu clã que vivia em casas mais suntuosas na floresta, era o fim da noite quando chegou ao rio para se limpar, naquele amanhecer ele estava tão chateado e desiludido que pensara em encarar o sol, mas para alguém como ele aquilo seria loucura.

“Lealdade”

Essa palavra não saia de sua mente, eles podiam chama-lo de qualquer coisa, mas desgarrado daquele que era seu clã não, será que era isso o que o mestre dizia que faltava nele? Pois ele dizia que devia amar seu clã para protegê-lo.

- Será que não amo meu clã? Será que sou tão ruim assim? Será por isso que todos me desprezam tanto? Será que é pelo o que eu sou? Quem sou? Algo tão ruim que não serviria nem se quer para brandir uma espada – somente os guerreiros e guardiões podiam brandir uma espada, não era uma lei, mas uma tradição de honra do clã.

Ele ficou lá com a água até a cintura, vendo o céu clarear nas montanhas, começou tirar a roupa, a única que tinha, olhando para o leste estendeu os braços de encontro com a luz, quando um pedaço de madeira boiando bateu em suas costas. Ele se virou para o artefato que era um baú de madeira bem rústica, escuro com as bordas adornadas de metal. Não deu para dizer como aquele trambolho pesado boiava, mais atrás dele havia um resto de barco com a polpa em formato de dragão, acompanhado de vários destroços e corpos. Por alguns segundos ele ficou paralisado, nunca tinha visto tantos corpos, presa ao resto de barco estava uma menina muito nova, de cabelo curto e branco.

- Ela ainda esta viva – ele a tentou puxá-la, mas ela mantinha o punho serrado no baú, na verdade ela estava presa com um grilhão assustador, em forma de boca.

Seus esforços cessaram uma vez que os primeiros raios de sol transpassaram as montanhas sobre ele, como acido o sol o corroia, e ele saiu correndo para a segurança das sombras das arvores, quando olhou para o rio uma vez mais e viu o que nunca pensaria em ver.

Fumaça e cheiro de enxofre, a carne de uma pessoa queimando com a luz do sol, alguém como ele, aquilo o deixou confuso, mas o fez voltar ao rio aonde com todas as forças puxou a garota junto com o baú, mesmo correndo perigo, mesmo podendo morrer, ver aquilo, outro como ele, aquilo fez querer viver. Ele puxou com toda a força quando partes de sua pele queimando caíram sobre o baú, uma coisa puxava o baú para baixo presa a uma pedra no fundo da margem, ele puxou com os punhos se definhando, até que uma espada com cabo de caveira saltou da água, sem hesitar a empunhou e arrebentou o grilhão, ele caiu todo machucado com a garota sobre ele ambos em carne viva, mas a salvo nas sombras.

Já estava de tarde quando ele despertou com um gosto horrível de enxofre na boca, até sentir o gosto de sangue da garotinha que o beijava para lhe alimentar. Ele sentiu uma energia serena tomar conta dele, seu corpo estava coberto com algumas gotas de sangue ele se sentia recuperado.

- Hoshi – disse ela. Sem saber muito bem o que era, deduziu que aquele era o nome dela.

- Jack – respondeu.

Ela provavelmente não tinha mais que sete anos, trajava uma roupa estranha, com pelo nos ombros, e amarras arrebentadas nas pernas, parecia que algo havia explodido com ela. Ele se levantou e suas roupas estavam ao seu lado.

- Você foi busca-las pra mim? – perguntou comovido, nunca ninguém havia sido lhe sido gentil, ele pode ver as queimaduras dela na base do pescoço por ter se exposto para buscar suas roupas molhadas.

- Esta...bem? – ela perguntou pausando as palavras como se fosse difícil de pronunciar – Precisa...mais? – ela pôs as mãos sobre o rosto dele.

- Não, estou bem, obrigado – essa foi a primeira vez que agradeceu alguém – Você tem pra onde ir? E sua família? – ele se calou quando a pequena ficou cabisbaixa e triste ao ouvir família – Me desculpe, eu não queria... – ela o abraçou.

- Você...agora minha...família – ela disse feliz, não tinha nexo, sentido algum, eles não dividiam sangue nem nada, nem se conheciam foi o que ele disse.

- Eu sou horrível, uma pessoa ruim, esta dizendo que eu sou sua família porque não sabe quem eu sou! Todos aqui me odeiam por isso, se você me conhecesse também me odiaria – esperneou.

- Você igual...igual eu – ela abriu a boca com a mão expondo os caninos dele – Viu?...igual eu... você minha família – ela mostrou os próprios dentes puxando o lábio com os dedos.

Nunca isso foi uma felicidade para ele, nunca foi feliz por ser o que era, pois o que ele era chamavam de mau e ruim, pois quem ele era? Isso as pessoa diziam, mas o que ele era ninguém sabia de verdade, era isso o que o deixa infeliz e então isso o fazia família dela, por agora e em diante ele ficou calmo e feliz por ser exatamente como era, exatamente como nascera, ele não era ruim, as pessoas que diziam isso.

A levou para sua cabana onde tomou a iniciativa de cuidar dela, pois sabia que os outros membros do clã a maltratariam. Por alguns anos se esqueceu de se tornar guardião, encontrou algo muito mais relevante.

- Eu vou cuidar de você, eu vou te proteger – foram as palavras que ele pronunciou ao acordar naquela vila destruída.

Nunca houve atrito muito grave entre os habitantes da floresta e os habitantes de Lchrist, Charming era “guiado por Deus” segundo os sacerdotes, “ele é o único caminho para a luz” eles diziam, era exercida uma fé sobre todos os moradores, não era ruim, ninguém podia achar isso, do contrario o pagão (como eles chamavam) era executado numa tentativa de reprimir qualquer investida das sombras de destruir a luz. Em contra partida o clã Hollow tinha uma idéia muito mais liberal de fé, pois realmente davam de ombros para qualquer um que os chamassem de demônios ou qualquer coisa do gênero.

“O povo de Deus” eles se intitulavam, “O Peregrino de Deus” ele dizia de si, o “Príncipe Encantado” ela o chamava. “Dois filhos da p*#%” Jack dizia.

Para qualquer um que não fosse do clã Hollow essa descrições eram muito bem atribuídas ao príncipe e a princesa, justos, claros, generosos, bondosos, caridosos, e piedosos com seu povo. Eles mantinham o equilíbrio e grande prosperidade no reino da luz, eram adorados pelo “povo de Deus”, os pagãos, os impuros, os indignos de serem chamados de “povo de Deus”, estes eram executados, tais mortes eram justificadas pela fé, e o povo apoiava, estes eram pessoas horríveis, eram pessoas más, capazes das maiores atrocidades, como mentiras, inveja, falsidade e o assassinato.

Tais execuções haviam sido quase erradicadas, o príncipe e a princesa consideravam muita crueldade, e que o povo deveria ser mais compreensivo. E foi assim, os tempos de grandes extermínios se foi com os dois “santos” os dois “anjos”. O povo do reino da luz prosperou e muito, o príncipe trouxe consigo os soldados da verdade, legiões das tropas Maranata do longínquo e distante oeste. Quando viram os soldados desta estirpe se abaixarem ao príncipe não houve mais duvidas de que ele era o escolhido para portar e trazer a luz.

Inúmeros clãs se juntaram a coroa de Lchrist esta sob a posse e comando de Charming. As fronteiras com a floresta Hollow e seu clã deveriam ser respeitadas e o príncipe as respeitava ninguém podia invadir a floresta ele disse, e o líder dos Hollow em agradecimento liberou uma generosa área de terra para que eles pudessem extrair madeira, mas somente isso, ninguém poderia passar disso e nem morar nos domínios do clã.

Bom acordo, paz, mas isso não queria dizer que os Hollow aderiam da mesma fé do príncipe, o clã da floresta acreditava em Deus sim, mas pensavam nele como um amigo para horas difíceis, cada um a sua maneira, não havia cultos em seu nome, ou louvores como na cidade, não eram obrigados a servir a um “deus”. Então eram vários forasteiros e refugiados de guerra, pessoas sem ter para onde voltar, acabavam se tornando parte do clã que os recebiam, lhes davam trabalho e valores, lhes devolviam ou lhes davam uma vida digna.

Jack lembrava-se daqueles tempos, quando ele e seus amigos, e sua irmã davam altas risadas na floresta rindo das roupas que achavam ridículas dos nobres moradores do reino.

Depois de quase dois dias dormindo naquela vila seu corpo estava recuperado, suas roupas estavam aos trapos. Quando enfim anoiteceu saiu em busca de alimento, alguns quilômetros ao sul encontrou a cidade de Fleshlust, lugar mais fácil para se alimentar não haveria, cheio de mulheres belas e dispostas a muitas coisas, em um beco saciou logo sua sede, mas não foi de uma das belas jovens, mas sim do cafetão que as espancava, ele o drenou até a ultima gota.

Pelas ruas cheias de vitrines com moças se exibindo, a iluminação propositalmente vermelha, com pequenas luzes coloridas estendidas como varais entre os prédios sobre as ruas estreitas de paralelepípedos com desníveis, as poças das chuvas que com certeza tinham mais álcool que os copos dos bêbados naquela cidade. Nas únicas ruas planejadas que eram mais largas com prédios mais modernos, haviam canteiros bancos e chafarizes com querubins e serafins que esguichavam água, também vários cúpidos que carregavam arcos do amor.

Nessas ruas ele procurava mais para se saciar, quando encurralando um guarda de Lchrist que escapulira da cidade para um pouco de diversão, ele sentiu cheiro de algo familiar nele enquanto o drenava, ele puxou um pequeno manto com o brasão Hollow.

- Onde conseguiu isso! – indagou ao guarda.

- Mas o que? – ele estava tão apavorado que nem soube responder.

- Para que estou perguntando posso saber tudo o que quiser de você – lembrou-se e o drenou.

Ele viu o passado patético daquele guarda, bajulando e criando alianças por debaixo dos narizes de seus superiores. Logo encontrou o que queria. Uma loja cigana ali mesmo, na periferia da cidade. Ele secou o guarda e seguiu para a loja. Ao encontra-la não parecia um lugar fino nem nada parecido, lembrava mais um botequim de bêbados sua boca estava suja de sangue quando entrou, a cigana que trabalhava lá foi empurrada quando estava fechando a porta.

- Desculpe estamos fechando — ela disse se apoiando em uma ânfora de vinho celta.

O lugar por dentro era um labirinto de quinquilharias, geringonças, cacarecos e tranqueiras de todos os tipos.

- Você! – ele puxou a moça pela gola – Onde conseguiu isto – ele mostrava o manto negro, seu olhar era desumano e furioso, tanto que ela ficou aterrorizada.

- Eu não sei, eu só trabalho aqui, por favor, é o meu patrão que traz as coisas eu não sei de nada – ela gritava desesperada.

- Solte-a, ela não sabe– do fundo da loja um senhorzinho de barba pálida e barrigudo veio ao encontro do agressor de sua funcionaria – Eu o encontrei, alias vários deles em uma vila de pagãos destruída assim como varias das coisas a venda nesta loja – ele disse.

Jack se enfureceu e o atacou, o velho o acertou em cheio o jogando contra uma prateleira.

- Mas que raios?! – ele se perguntou, pois a força a velocidade não condizia com a idade nem o tamanho daquele velho.

- Ora ora, não é todo dia que se vê um fantasma – o velho se alegrava – Não só um Hollow, mas justamente você o Terror Jack , estão dando muito dinheiro pela sua cabeça, e mais ainda pela sua captura – o velho ordenou que Lily sua funcionaria fosse atrás de ajuda para captura-lo vivo.

Jack cuspiu sangue com outros ataques violentos do velho.

- Sabe eu adoraria ganhar toda a recompensa com você vivo, mas acho que vou adorar mais matar você, sabe quantos você matou naquela floresta Jack? – ele o puxou pela cabeça – Sabe quantos, maridos, irmão, amigos...filhos – ele acertou um forte soco em Jack que o atirou sobre um conjunto de prateleiras de vidro com varias roupas – Você é o motivo de eu existir, você tirou o meu amado filho, agora eu vou te matar! – o sangue de Jack escorria e tingia as roupas.

- Vocês eram irmãos mesmo, até a sede é igual, mas você ainda tem que aprender – dos bolsos de um sobre tudo um par de luvas com ataduras falava e andava sobre os dedos na frente dele, imediatamente ele reconheceu aquelas luvas, eram as luvas de sua irmã – Você quer viver não quer, quer vencer, e viver para matar aqueles que se dizem luz – a luva dizia – Se deseja isso eu posso ajudar, sua irmã me pediu para te ajudar e te proteger eu sou Meguru e posso te ajudar a matar, me use em suas mãos e te mostrarei a verdade.

Jack as vestiu e desviou de mais um ataque do velho.

- Ta e agora?! – indagou.

- Abra meu olho! – ele puxou as ataduras das luvas, nas costas da mão direita havia uma pálpebra fechada, e na palma de esquerda uma boca – Olhe para ele comigo e diga Megurieye! – Meguru clamou.

- Megurieye? E o que é isso?! – ele não se convencia.

- Quer viver?! Quer vingar sua irmã?! Então diga! – a luva o repreendeu.

Ele gritou as palavras mágicas com as costas da mão direita virada para o velho e o olho se abriu. Todo o ar do lugar mudou, o velho se transformara em um horrendo Troll. Vendo o que ele realmente era pode enfrenta-lo. Em tamanho verdadeiro e aparência o monstro se atrapalhava todo com a visão ruim e o cérebro quase reduzido a nada. Jack fuça no meio das bugigangas e encontra o inimaginável em meio às tralhas daquele lugar. Era o baú a qual sua irmã estava presa quando a conheceu e que haviam perdido.

Lembrou-se de como ele foi perdido, num dia que saio para trabalhar isso quando tinha completado 17 anos, Hoshi tinha ficado dormindo, eram assim as manhãs, ele a deixava dormindo em sua cama. E em seu trabalho para pescadores do outro lado do rio da floresta, chegou Hollow M. Luka desesperada o chamando, bandidos haviam invadido a floresta e a cabana dele fora atacada, sem nem se lembrar do trabalho ele correu para casa. Metade do telhado havia sido destruído, Heat hoje o chefe dos guerreiros, junto dele estavam Kim, Eliott e a mais jovem guerreira Elphoria.

- Hoshi! – o desesperado Jack a chamou, procurando-a, ela estava debaixo de uma pedaço de telha, um pouco queimada, tentando se esconder do sol toda encolhida, os outros ao verem aquilo se indignaram, mais uma como aquela coisa ruim.

- Você devia ter mais cuidado! – Heat gritou – Seu, olhe! Se vocês não fossem burros de ter uma espada eles só teriam roubado e nada mais! – o chefe dos guerreiros joga a espada com o cabo de caveira que estava escondida de baixo do telhado, Hoshi teria tentado defender a floresta, mas não tinha força para segurar aquela espada, e quando o fogo queimou parte da copa das arvores ela fora atingida pelo sol. Os ladrões muito irritados a espancaram e a largaram sob o sol, como recompensa levaram o baú dela.

Com Hoshi nos braços, machucada ele se lembrou do seu sonho, o antigo sonho de se tornar um guerreiro, com a irmã nos braços e a espada nos ombros ele caminhou para sua casa, dando literalmente as costas para os guerreiros ali, e decidido a se tornar um guerreiro.

De volta ao presente combate contra o Troll, e de dentro do baú Jack tirou uma lamparina de frente única, ainda havia óleo na reserva, ele o acendeu com sua pederneira, o Troll é paralisado pela luz, aquela era uma lamparina especial dos guardiões, elas irradiavam uma luz idêntica a do sol. Jack chutou a lamparina sobre o monstro e saltou sobre ele fugindo da luz.

O Troll caiu sendo sugado por um beijo da mão de Jack, a boca na luva engolira inteiro o monstro deixando um velho pelado e inconsciente no chão da loja. Os olhos do Estripador voltaram a si, este era o poder daquela luva o poder do Megurieye.

Horas mais tarde quando a guarda de Lchrist chega à loja o velho acorda muito feliz, com uma boa lembrança do filho que se foi para um lugar melhor, estava contente e convidou sua funcionaria para jantar, lhe deu presentes e um aumento, o poder daquela magia de Meguru era o de mostrar a verdade daquele que fosse mirado em sua visão, a boca era chamada de Helki, e seu beijo era capaz de mandar a alma de alguém para um inferno, ou no caso retirar os desejos malignos pertencentes ao inferno. Parecia tudo muito louco, Jack com o baú nas costas já bem longe de Fleshlust, ele seguiu o acidentado caminho das sombrias montanhas Libre, cheias de fendas e túneis, cavernas inexploradas e lagos subterrâneos. Este seria seu caminho, estava mais distante do pensava, Fleshlust era muito, muito a sudeste, aparentemente ele foi tragado pelo rio do palácio até a bifurcação, o rio Selow para o nordeste, e Swarg ao sudeste, pelas montanhas em uma passagem reta para o norte.

A caminhada era silenciosa e chata por aquela estrada fria e cinza.

- Sabe você não pode ficar assim, se ficar sem comer não chegara nem perto da fronteira com Rairdy – disse Meguru, já se fazia dez dias que tinham saído das montanhas, e Jack estava mais pálido ainda, faminto.

Quase amanhecia quando se esconderam em uma gruta no bosque, Jack sentou com o baú sobre as pernas, repousando as mãos sobre a tampa de madeira maciça.

- Pode dormir, vou ficar com os olhos bem abertos – disse Meguru.

Mergulhado em suas memórias, ele justamente vai para o dia em que ele fez um grande barulho entre todos os Hollow, depois de passar a vergonha de ser o primeiro iniciando do mestre com 18 anos, ele se destacou dos outros, velocidade, destreza, força e inteligência. Em pouco tempo se tornou guerreiro, o que não agradou nada os mais altos postos do clã.

Eles questionaram, eles gritaram, mas a decisão do mestre era irrefutável.

- Ele aprendeu a amar o clã, aprendeu a amar a si mesmo, ele aprendeu o amor – o mestre dizia.

Jack passava horas praticando com Hoshi que foi aprovada um ano depois dele, e eles eram os mais talentosos dos guerreiros, eles treinavam duro, durante as madrugadas, na beira do lago, iluminados pela luz da lua, tudo observado pelos atentos olhos de Elphoria que se escondia atrás das arvores.

Chegara o grande dia, uma vez de tempos em tempos o mestre escolhia quem dos guerreiros se tornaria guardião, era uma grande honraria se tornar guardião, a maior entre os guerreiros, e dentre eles o mestre escolheu, Hoshi, Kim, Eliott e Jack para se juntarem a Elphoria e Heat os guardiões mais antigos.

Heat se deu bem com todos menos com os irmãos Sleepy, que eram marginalizados pelo grupo, sempre davam a eles as áreas mais longínquas da floresta e sempre eram mandados a pé enquanto que os outros voavam em dragões, longe, na fronteira norte, local que protegiam ferozmente, logo começaram a ganhar o reconhecimento do clã, e a subir de posição. Heat não se convencia, e em um dia em que não suportava mais Jack ali, ele o desafiou.

Depois dessa bobagem que eles se tornaram grandes amigos, pois no duelo nem um nem outro, eles empatara e ainda insistem que um macaco branco que tinha vencido, pois este ficou no meio do campo comendo uma banana quando os dois bobões caíram desmaiados.

Ele despertou com o chamado de Meguru, pois a escuridão estava chegando, isto era a deixa para seguirem viagem, Jack abriu o baú da irmã onde encontrou roupas, uma velha capa negra com prendedores de couro e o cinto com uma fivela provocativa, assim como as roupas de um aristocrata com direito a cartola, ele ficou mais sinistro e amedrontador, isso o alegrava, quanto mais horror pudesse provocar melhor seria. Pois era isso o que ele havia se tornado, um ser sinistro das sombras, em quase nada lembrava o antigo Jack, o animado cheio de vontade de viver, brincalhão, irmão mais velho responsável, e a pessoa mais amada no coração de uma mulher. Levantou-se com sua capa e cartola, o baú ficara na gruta, com os braços balançado rápido ao seu lado, os pés batendo forte no chão, se cansando de dar voltas por entre a montanha, ele deu um grande salto e começou a correr por sobre os desfiladeiros de rocha acidentada.

Logo seu estomago estava urrando, ele se apoiou entre duas paredes, farejou um cheiro bom, naquela noite a lua estava encoberta, correndo na direção do cheiro, luzes de tochas brilhavam mais a frente do fundo de um dos despenhadeiros, ponte de Marvelus, ponte estaiada da metade do outro século, com varias gárgulas na haste central e nas duas laterais, estava imunda cheia de corpos, fugitivos, refugiados de uma vila vizinha ao reino de Lchrist.

Todos vitimas de soldados verdade o que o fez perder a fome, e tão somente sentir sede de vingança, soldados temidos, eles não só eram muitos, como também tinham a capacidade de arrancar a alma daqueles que fossem impuros, com suas lanças mágicas, ou o seu olho que se abria como uma boca na vertical, desde que o príncipe havia chegado com eles as guerras e a violência entre os puros e os impuros cessaram, pois o exercito da Luz era o responsável por limpar e purificar as terras de todos os impuros, logo não haviam mais destes soltos por ai para provocarem atrocidades.

O reino de Lchrist vivia uma época de ouro, sem conflitos e seguro dos impuros pelo exercito, o príncipe e a princesa eram muito adorados por isso, mas Jack os odiava, ele sabia da podridão deles, Lchrist só era livre de conflitos porque até mesmo aqueles que eram seriam impuros tinham medo do exercito por isso se escondiam, era prospera devido aos inúmeros saques dos soldados verdade a pagãos fugitivos, e aos pesados baús de ouro e prata oferecidos como tributo e tratado de paz de países vizinhos com medo do príncipe. Ele era muito esperto, tinha tudo na mão, enquanto os soldados dele fossem ninguém ousaria desafia-lo, exceto Jack, exceto o coração cheio de vingança e morte do sombrio Estripador.

Desviando e se abaixando dos restos de carroças, corpos e muito sangue, ele caminhou sobre a ponte, todos mortos e vazios sem vida alguma, em seus rostos estampando o horror e o pânico ao terem suas almas drenadas.

- Espere – disse Meguru. Ele fez com que Jack levantasse um resto de altar móvel, onde de baixo dele havia o corpo de uma garota toda ensanguentada, parecia uma camponesa, com o cabelo preso por uma touca frouxa deixando alguns fios louro paco a mostra, naquela escuridão, ela lembrava uma pessoa do passado do dele.

- Elphoria – Jack disse baixo, e mergulhou em mais um devaneio.

O dia em que tudo mudou, aquele sentimento de culpa sobre os ombros de Jack, culpa pelo fim, culpa por seu clã. Jack fora punido por matar um grupo de mercenários que adentraram a floresta, eles perseguiam pagãos, justamente encontraram de frente com o guardião, ele bem que tentou dialogar, mas os mercenários não estavam nem ai, e atacaram. Fora dos muros de Lchrist o príncipe oferecera recompensas pelas cabeças de pagãos. O guardião os derrotara sem muitos problemas, nada de mais, porém isto foi visto como uma afronta pelo príncipe, alguém que se opunha a luz dele, logo então não demoraria para que este infame guardião se torna-se um símbolo de paganismo.

Lógico que Encantado almejaria a cabeça dele, porém o grande mestre não mataria um dos seus, sendo que este estava a defender suas terras e nos domínios do clã, mas algo precisaria ser feito, pois a aristocracia de Lchrist não se contentaria sem uma boa punição. Então Jack havia sido condenado a ser exilado no estremo nordeste da floresta, uma longínqua e árida montanha para guarnecê-la, este seria seu trabalho por alguns anos, pelo menos até se esquecerem do que havia acontecido.

Ele enchia a mochila com pães e bolos, algumas bombas de fumaça, o indispensável para um guardião, do lado de fora do templo após receber as ordens do grande mestre ele encontrou Hoshi, eles já haviam se despedido na ultima noite quando os dois choraram, ficaram a noite toda abraçados, saindo da vila ele encontrou com seus companheiros guardiões, Heat deu um soco de leve no ombro de seu amigo não como um adeus, mas como um até logo.

Ele partiu apreçado, eram oito dias de viagem, suas provisões durariam o bastante até o fim de sua jornada. Foi no sexto dia de viagem que cruzou com Euphoria. Ela estava zangada, e muito, tanto que chegou a ataca-lo.

- Porque? – ela disse – Porque você teve de fazer essa besteira? – ela gritava enquanto o atacava, não bastasse isso, eles caem ribanceira a baixo, Jack cobre Euphoria com sua capa, até que os dois param em um córrego. Ela se levanta e o ataca com a espada em punho.

- Eu te amo! – por medo, por desespero, ele gritou isso, mas sem contar que realmente gostava de Euphoria, desde pequeno.

Com a espada enfiada na capa, sobre ele sentada, Jack sentiu os lábios de Euphoria aos dele, nem pode acreditar.

- Daquela vez, quando éramos crianças, daquela vez, eu olhei para trás, olhei para você, desde então não consegui gostar de mais ninguém assim – ela disse chorando, lembrando daquele dia distante em que o protegera.

Os dois entrelaçaram as mãos, e se olharam ternamente por alguns instantes, ele não a convidou para ir com ele, afinal ele estava indo para sua penitencia, e ela tinha uma boa vida e família, fora que esse era outro jeito de ter alguém com quem podia contar para cuidar de Hoshi na ausência dele. Sob uma cascata eles prometeram esperar um ao outro para ficarem juntos.

E seguiram mais alguns anos, em sua penitencia, recebia cartas de relatório, com as instruções para a reforma do forte no topo da montanha da floresta, ele estava sozinho lá, mas dava conta, em meio aos relatórios vez ou outra, vinham cartas dos guardiões, essas eram as que mais o alegravam, tinha noticias de sua amada e de sua irmã. Mais anos passaram e o forte estava reformado, na ultima carta que recebeu dizia que ele poderia voltar assim que terminasse a reforma e mandassem a carta de reconhecimento do trabalho, que seria depois da inspeção do chefe dos guerreiros.

Mas nem chefe nem carta alguma chegou, seis meses sem resposta, nenhuma, de ninguém, nem mesmo águias correio. Ficou apreensivo, porque não mandavam nada, alguma coisa estava cheirando mal na floresta, porém sair de lá sem a permissão do grande mestre podia gerar graves consequências, mais seis meses, mais um ano, ele chegou ao limite, e partiu, sem o consentimento de ninguém.

No caminho não encontrou com nenhum guerreiro, guardião, ninguém do clã, onde estariam? Ele se perguntava, pois aquela área estava sempre cheia dos lenhadores do clã que vendiam madeira para as cidades vizinhas. Ele apertou o passo até chegou em sete dias na vila do clã. O cheiro de morte, corpos em estado avançado de decomposição, as casas da vila destruídas, não havia pedra sobre pedra que conta-se a história daquele lugar que um dia foi a orgulhosa cede do clã da floresta. Ele ficou horrorizado, ainda haviam marcas de pegadas bem fundas e grandes no chão, junto varias pegadas de cavalaria, armas estandartes com as bandeiras de cores variadas.

Ele estava próximo a um cadáver de guardião, era Heat seu melhor amigo, pode reconhecer pela capa, a face estava quase nos ossos, ao ver isso não pode deixar de pensar em Hoshi e Euphoria. Seguindo e virando onde era o templo encontrou alguns cadáveres enforcados nos portais, Kim, Eliott e entre eles o grande mestre pendurado mais alto, os demais não pode reconhecer. Ele foi para dentro do templo em busca de sobreviventes dentro da sala secreta abaixo do chão, quando se deparou com um verme infernal ele estava enterrado onde era a sala secreta, a boca aberta para cima, era uma queda direta em seu estomago, e quando notou o guardião não pestanejou em ataca-lo.

Jack saltou por cima desviando dos tentáculos, ele amarrou uma dinamite na ponta de uma viga de madeira, e esperou sobre ela, quando o monstro atacou arrebentando a viga, o guardião a direcionou no ar e com um chute a mandou direto no estomago do verme, do alto puxou um fio que amarrado ao feixe do pavio o acendeu, pedaços nojentos do verme voaram para todos os lados assim como os inúmeros cadáveres dos membros do clã que ele teria devorado. Coberto de entranhas de verme, Meguru estava em silencio, o que era incomum, sendo que ele estava sempre falando.

Dos cadáveres que saíram do estomago do monstro Jack se desespera ao ver o cadáver de capa rosa, e luvas de couro marrom. Esta vestimenta, aquela armadura ele reconheceu.

- Euphoria! – ele gritou, horrorizado ao ver os restos de sua amada ele se lamentou.

De volta a ponte.

Fazendo como Meguru o instruíra, Jack carregou a moça para o alto de uma fenda que adentrando virava uma caverna com um lago na lateral, o fundo dele tinha cristais de sol, estes cristais eram compridos e se estendiam por dentro da rocha até a superfície do alto das montanhas, a noite ou em locais escuros eles brilhavam, de cores variadas estes brilhavam em tons de laranja e um dourado pastel, e do fundo do lago a luz cintilava.

- Beije-a – disse Meguru, Jack olhou torto para a luva – Você não, a minha boca Helki eu quis dizer sua anta de mente suja! – Meguru berrou.

Sem saber bem o que raios aquele par de luvas podia querer fazer, mas ele prometeu que tudo o que ele manda-se fazer seria de grande beneficio. E com o beijo Jack não conseguia deixar de agradecer por aquela coitada estar morta, o beijo daquela boca certamente devia ser nojento, ao mesmo se lamentava, pois ele estava faminto de sangue, mas sangue frio como aquele de um corpo sem alma, isso o fazia parar.

— Tire devagar – alertou Meguru quando disse ter terminado.

Jack levantou a mão com cuidado, a língua comprida daquela boca ainda estava dentro do corpo daquela coitada, estava metida bem fundo, quando se recolheu totalmente parecia cansada e babava como se tivesse se esforçado muito.

-Agora quer me dizer o que droga você estava fazendo para me arrastar até aqui enquanto ainda é noite? – Jack perguntou, afinal o que ele teria feito com aquele corpo sem alma.

- Oras será que não posso ter um pouco de diversão? – Meguru respondeu de forma maliciosa.

- É bom essa sua resposta ter sido uma piada, ou te enfio dentro da minha calça! – o guardião ameaçou.

- Isso seria um sonho realizado – a luva devolveu.

- Vem cá, mas você é uma cara? Ou é uma moça? – Jack perguntou totalmente na duvida.

- E faz diferença? O que você acha? – Meguru respondeu rindo.

- Tanto faz, mas você já terminou? Temos de seguir viajem enquanto é noite.

- Não se preocupe, amanhã você vai andar no dia.

- Mas você enlouqueceu?! – Jack gritou, para ele andar no sol seria impossível, queimaria como um monte de folhas secas, para os de sua espécie, somente o sangue da pessoa amada lhes davam poder de andar sob a luz do dia. Mas as duas pessoas que lhe davam isso estavam mortas.

Um pequeno ruído veio da beirada d’água, o corpo daquela mulher se transformava, a roupa ficara apertada no busto devido a um aumento significativo dos seios, assim como a cintura que também ganhou alguns centímetros, mirrada silhueta de tabua passou a uma a uma exuberante mulher que voltara a vida, olhando para os lados, a primeira coisa que fez foi beber do lago, Jack foi ao lado dela.

- Bom, eu me chamo Jack, e você quase morreu, para sair daqui eu posso ajudar, mas...

- Jack? – a moça interrompeu, e aquela voz ecoou não só na caverna, mas no fundo do coração do sombrio homem de cartola – É você mesmo Jack? – ela perguntou como se o reconhece-se, ela acariciou o rosto dele.

Aquele cheiro ele lembrava, a capa rosa, as luvas de couro, ele sobrepôs as mãos dela.

- Euphoria – ele disse antes de beija-la.

Eles passaram aquele fim de noite juntos pela primeira vez.

Não existiria momento mais feliz que aquele, mas seus pesadelos ainda o atormentavam, e sonhara com o terrível momento em que estava na vila destruída do clã, em meio aos cadáveres de todos os que amava, abraçado ao da pessoa da qual queria passar o resto da vida.

“Hoshi onde você esta, sim ela sim, ao menos ela deve Ester viva” gritava em sua mente extremamente atordoada.

Uma viga caiu dentro do grande salão no alto da colina, e ele ouviu vozes, logo subiu ao topo e encontrou um grupo de saqueadores, ele os prendeu na parede com uma tora para segurá-los.

- O que houve aqui?! – indagou com as sobrancelhas cerradas.

- Você! Você devia estar morto impuro! – gritou o líder deles.

- Quem? Quem foi que – Jack não conseguiu terminar a frase, ele caiu de joelhos, olhando para o altar, dependurado pelos braços e decapitado o corpo de uma jovem, a cabeça sobre o altar, o cabelo branco e a expressão calma.

Chorando, babando ele se arrastou até o altar, de joelhos, debruçado sobre a mesa de pedra, arrastou a cabeça dela e a abraçou soluçando e chorando.

- Hoshi – disse em voz baixa.

Os saqueadores gritavam ofensas a ele, o amaldiçoavam, clamavam a luz, engrandeciam o nomes dos anjos de Lchrist, logo ele percebeu o estandarte de lança atrás do altar, imponente e firmemente fincado naquele chão a bandeira do príncipe, muitos outros estandartes estavam presentes por toda a vila, de vários outros clãs rivais, países e reinos, mas aquele no altar, aquele somente era carregado pelo exercito de soldados verdade quando o príncipe em pessoa os liderava.

Ele se virou para os miseráveis e quando reconheceu os brasões em suas fardas, ele se virou e pegou o estandarte com a bandeira do de mesmo brasão, os olhos de Jack não eram mais os mesmos, nãos quando se voltou para os saqueadores que continuavam a amaldiçoá-lo, porém estes se assustaram com o olhar vazio de tenebroso do guardião, e logo estavam implorando pela vida enquanto um a um, Jack sem piscar, sem hesitar e sem o mínimo de compaixão vagarosamente enterrava a lança no corpo de cada um, os fazendo agoniar até o ultimo segundo enquanto drenava cada gota do sangue deles.

Uma telha caiu e o sol atingiu o corpo de Hoshi que se desfez em poeira e queimou o de Jack, ele saiu do contato com o sol. Cinco dias e cinco noites ele ficara a cavar covas e enterrar cada um dos corpos que achou ali. Ao terminar com o raiar do dia, e o cair da noite caminhou por mais nove dias exterminando todos os que encontrava na floresta, o modo selvagem como os matava deram a ele o novo nome de Estripador, nove dias até Lchrist, e mais dois até o palácio do príncipe, este estava iluminado pois era festejado um grande banquete, festejando o dia em que os impuros da floresta foram dizimados.

Jack entrou por uma passagem secreta que descobrira pelas memórias do sangue de um guarda, logo estava no interior do palácio frente à porta do grande salão. Com um chute a arrebentou.

- Charming – Jack gritou até ser acordado de seu pesadelo nos braços Euphoria.

Ele sentou ao lado dela ambos cobertos pela capa preta (ambos também sem roupa).

- Foi um pesadelo Jack, só um pesadelo – ela o abraçou por trás para acalma-lo.

- Não foi, foi uma lembrança – ele disse se lamentando levando a mão a cabeça.

Ela tenta conforta-lo depois que ele conta o pesadelo, e o que havia feito, eles ficam abraçados uns minutos, até que Jack se da conta do que havia acontecido.

- Meguru! Euphoria, a alma dela – ele agarrou as luvas.

- Sim, eu guardei a alma dela dentro do Helki – Meguru respondeu.

- Ei! É você – Euphoria se agitou ao ver aquele par de luvas – Você era da Hoshi.

- Lembra dele? – Jack perguntou.

- Lembro – Euphoria fez uma pausa, pois se lembrou daquele dia.

Tudo queimava, os guardiões voltavam as pressas para a vila, o ataque já estava em andamento, metade das pessoas já tinha sido drenada, quando avistaram Hiipo o general dos invasores de Lchrist, Heat, Kim e Eliot foram lutar com ele, Hoshi estava lutando com um bando de soldados verdade. Ela fugiu, em busca de ajuda, quando deu de cara com Euphoria que a procurava, as duas entraram no templo ao ouvirem gritos de socorro, lá lutaram contra um soldado e o derrubaram, mas todos já estavam mortos, logo tentaram escapar do templo em chamas.

No portão do templo uma viga despencou sobre Euphoria, a garota ficou quebrada ao meio, Hoshi tentou puxa-la, mas isso só aumentava a dor da guardiã presa, os gritos chamaram a atenção dos soldados e do comandante.

- Rápido Hoshi! – uma voz chamou, era Meguru.

Hoshi serrou os dentes e em um puxão rápido tirou as ataduras da luva e deu o beijo do Helki em Euphoria, em segundos a alma dela estava guardada com o feitiço.

- Me lembro até aqui, depois eu acordei com você Jack – Euphoria contou.

- Então eu contarei o resto – falou Meguru com pesar.

No meio daquela chacina Hoshi corria cobrindo Helki com a atadura.

- Hoshi! – disse Meguru.

- Eu...sei, mas ela...mais importante...que...eu – respondeu Hoshi, ela não foi muito longe, antes que pudesse alcançar os barcos foi transpassada por uma lança.

Caída na grama e vendo os corpos de seus amigos, era uma lança mágica, a Nomercy.

- Antes que pudesse fugir ela foi atingida por aquela lança maldita – dizia Meguru, se ele pudesse chorar com certeza choraria aquela hora – Eu a chamei para que viesse para dentro de mim, mesmo que eu tivesse de me destruir para salvar sua alma – ele não suportaria, aquele feitiço era muito forte, e ele só podia guardar uma alma por vez – Ela estava tossindo sangue, seus caninos estavam a mostra, então ela sorriu para mim, e em um beijo me adormeceu, minha ultima visão foi a do príncipe e a princesa se aproximando de nós, duas sombras negras sobre cavalos.

Jack serrou os dentes, pois se lembrara de sua missão, nem mesmo Euphoria reconhecia o olhar desumano dele, pois era assustador. Ele se ajoelhou e abraçou sua amada, lambeu o pescoço dela ante de.

- Jack! – sibilou Euphoria ao sentir as presas do Estripador entrando em sua garganta, mas não demorou muito para que ficasse sonolenta e adormecesse.

Ele a deitou sobre um monte de folhas que ajuntara dentro de Lowprice outra floresta vizinha a Lchrist.

- Desculpe meu amor, mas eu tenho que fazer isso – ele gentilmente acariciou o rosto dela, e a deixou no alto de uma arvore anciã, arvores não só altas e frondosas de raízes e galhos, mas também ótimos abrigos, pois geralmente se abriam no tronco bem no alto, e só os guardiões sabiam disso, então ela estaria segura.

Lchrist, ele entrou pelo portão da ponte elevada em plena luz do dia, passando pela guarda da entrada sem problemas, eles estavam ocupados com a propina de um mercador que queria entrar sem pagar mais, da rua estreita e cheia de bandeiras avistou o palácio que ficava bem no alto, era uma construção monstruosamente grande, cheia de colunas, telhados dourados em forma de cúpula com o centro de vidro para iluminar o interior, também havia pequenas janelas na parte de baixo, e grandes janelas no alto com sacadas em todas as direções, com o rio que o atravessava caindo como uma grande cachoeira no abismo leste.

Jack seguiu para o portão principal do palácio que ficava no pé da montanha que ele encabeçava.

- Vai ser uma longa caminhada até lá em cima sabia? – Jack disse a Meguru com um sorriso maligno.

- É será divertido – Jack olhou para Meguru – Pois agora me vingarei, por meu antigo mestre, mostraremos a todos a mentira que esses nojentos ostentam por vaidade e medo, todos neste reino saberão desta fraude que eles são.

- Vai ser melhor do que pensei – Jack dava risada enquanto derrubava o portão da frente, e matava os guardas, um grupo de caça desceu a montanha e ele conjurou o Megurieye e os guardas caiam ou esmagavam os cavalos na qual montava, pois se transformavam em monstros horrendos e pesados.

Jack não perdia tempo com eles e correu direto para o palácio em grande velocidade, o príncipe saiu na varanda de seu quarto enrolado em um lençol, muito zangado ele ordenou que acordassem os soldados verdade. Jack parou no segundo portão, frente a Hiipo e a espada que ele carregava, era a espada de Hoshi. Ele partiu para o ataque, conjurando o feitiço o general de confiança do príncipe se transformou em um polvo muito gosmento e nojento, Jack empunhou a espada e com um golpe certeiro matou o animal enfiando-lhe a espada no olho.

Adentrando o palácio, todos os guardas eram vistos por todos como os verdadeiros monstros que eram, Charming olhou do alto, ele saltou para lutar mais uma vez, mas Jack também saltou e com toda a força empurrou o príncipe para o telhado mais alto. Lá eles travaram uma boa luta, desta vez ele não pode romper a espada do Estripador.

Mas Jack lutava diferente, mais selvagem, mais estripador, e Meguru percebeu, e sentiu o desejo de vingança devorar o guardião. Meguru era responsável por mostrar a verdade, mas se seu mestre estivesse cheio de vingança, ou qualquer outro desejo infernal ele também se corrompia. O príncipe despachou um ataque de onda da lamina da Lie, a onda de energia engoliu o Estripador, mas antes que o ataque pudesse despedaça-lo, sobre a fumaça da destruição surgiu o uma criatura de capuz e capa escura, seu corpo estava envolto por sob uma couraça branca de escama de dragão, um olho pálido como o de um cego e o outro lilás como o olho de Meguru, a boca era coberta por dentes rigidos. Era a vingança de Jack.

O príncipe gargalhou, pois se gabava da luz que era, e o atacava,porém a couraça era rígida contra qualquer tipo de agressão o príncipe logo percebeu ao passar a lamina e nenhum corte se abrir, parado em frente ao monstro pode ver melhor o que era, e seja lá o que fosse era horrendo, nem em seus pesadelos ele sonhara com uma criatura tão grotesca, garras afiadíssimas, a boca de Helki, exibia sua longa língua agora como se estivesse esfolada.

A criatura não falava, mas rugia, eram os rugidos de mil feras com mil bestas, parte do cabelo de Jack que ficava a vista descia por suas costas e seguia até calda, um longo e forte rugido precedeu o violento ataque ao príncipe, que pode sentir a preção do ar, rapidamente ele chamou a Nomercy e em meio aos ataques na primeira brecha enfiou a lança no meio da bocarra de dentes pontiagudos, Jack tombou para trás com seu sangue jorrando, o barulho de seu pesado corpo ao cair, rachaduras no vidro do teto pelo peso.

Bem no fundo da criatura, no fundo do coração do guardião que queimava de ódio, no mais profundo e sombrio dos desejos, aquele que contraria a vida, o desejo de morte. E Jack se viu criatura no espelho dos arcanjos. Um lugar feito de luz tão amplo que se perdia de vista, o chão de água cristalina sobre as estrelas do céu diurno, ele podia ver sob a tremula água que fazia ondas a cada um de seus passos o palácio do príncipe, a cidade, a floresta, e o que mais se podia ver daquele mundo, não sabia dizer onde estava. E onde antes nada nem ninguém, havia surgiu uma pessoa, não dava para dizer se homem ou mulher, mas tal definição não se faz bem desnecessária na situação em que se estava.

- Quem é você? – perguntou Jack – Que lugar é esse?

- Tantas perguntas, eu sei – respondeu sentado em uma cadeira reclinada, ao lado do apoio do braço o guardião notou uma espada e logo juntou os pontos, era este um guardião como ele – Muitas perguntas, porém quais delas realmente importam? Você deve decidir – ele se levantou, o cabelo longo e branco, preso por uma trança os olhos vermelhos, a roupa leve e esvoaçante como uma capa.

Ao fundo uma batalha, sobre sua cabeça e sob seus pés, chamas gritos, e o príncipe, era o príncipe dizimando uma vila, um bebe carregado as pressas pela mãe, seus pais o colocaram em um barco onde sua mãe o carregava fugindo da destruição, seu pai empurrou o barco para que eles fugissem, mas ele foi destruído com uma estaca no coração, sua mãe gritou ao ver a cena, e logo depois foi ela quem foi atingida por uma flecha e o sol nasceu, e tanto sua mãe como seu pai viraram cinzas, o bebe só foi salvo por ter ficado coberto pelo corpo de cinzas de sua mãe. Na noite seguinte ele reconheceu aquelas margens. Onde dois camponeses do clã Hollow acharam uma criança, e que a amaram e criaram como o filho que não podiam ter.

Ele era aquele bebe. Seus pais, sua vila haviam sido destruídos pelo príncipe, não foi diferente com Hoshi que por coincidência chegou boiando a floresta de Hollow. Era um navio que veio do grande oceano do norte, de uma longínqua e distante terra que jamais foi vista por alguém vivo do continente de Jack. O navio dela fora atacado por uma frota do príncipe a mando da princesa.

Ele também pode enxergar quando Hoshi caiu presa ao baú. Vendo tudo aquilo, apenas mais do mesmo que Jack já estava acostumado a ver do príncipe, o que não fazia sentido era o porque dessa atenção especial com a vila de Jack, ou o navio dragão de Hoshi que eram semelhantes de ordem.

- Esta é a pergunta certa – disse o guardiões se dirigindo a Jack — O seu clã e o de sua irmã advêm de uma antiga linhagem, das longínquas terras depois de muitos mares, depois de muitas e infindas léguas. O clã Seeker, uma linhagem real do grande rei. Este homem que se diz luz não suportava este fato, via neles, no reflexo de seus sangues a si mesmo distorcido e horrível, não podia aceitar, não queria aceitar, sentia medo, medo de ser uma mentira, então para que sua mentira deixasse de ser uma mentira, ele mataria a verdade. Então jurou se tornar a luz, mas para isso antes ele deveria exterminar todos os verdadeiros da linhagem dos Seekers, para que então nunca ninguém soubesse de sua origem e sua terrível verdade, assim também foi com a princesa que via as trevas onde desejava, para esquecer-se de suas próprias trevas e erros. Nem mesmo sua filha sobreviveu, não, ela mesma a matou, pois nela via suas trevas, e mesmo seu próprio sangue derramou em pró do que ela chamava de certo. Ambos cegos por sua distorcida e horrível verdade, juntos não são mais do que dois nojentos insetos se esgueirando em sua própria podridão e alto declamando-se luz, sua farsa estaria completa e perfeita se não fossem os Hollow, parentes dos Seeker, e principalmente por você, quando ele soube de você um sobrevivente do clã que ele almejava destruir, pois seu clã Jack, era quem possuía as chaves eternas, e o príncipe as desejava com elas se tornaria o caminho. Ele trouxe uma falange do Maranatha, para destruí-los. Usando o sangue de um justo ele pode enganar o exercito – o guardião descrevia tudo para Jack enquanto as imagens passavam bem embaixo de seus pés.

- Esse filho da puta, esses dois! – Jack se irava.

- Não é vingança – disse o guardião ao lado do Estripador – Vingança de nada adiantara Jack, a vingança só o destruirá, há algo que precisa ser feito, e acredito que o rei espera isso de você.

Com os dentes e sobrancelhas serradas, com o ódio correndo e aferventando seu sangue, o Estripador caminha em direção ao nada e rapidamente uma porta surge da água, a saída para a realidade.

- Jack! – gritou o guardião.

- Eu entendi Meguru – e o guardiões se espanta – Não será vingança, a vingança não é minha, eu apenas vou fuder aqueles dois, porque estou com muita raiva, mais nada, a vingança, que o rei então cobre deles – ele adentrou o portão para a batalha.

Deitado a couraça se racha e de dentro dela sai Jack com as roupas rasgadas e um sorriso de louco. A lança mágica ficou lá na carcaça.

- É bom te ter de volta Jack – disse Meguru – mais do que nunca você se parece com minha criadora.

O olho de Meguru brilha e chama a espada Hellof, aquela que estava presa ao baú, o olho esquerdo da caveira brilhou e sua boca abriu rolando um pergaminho cheio de ideogramas que exalavam uma aura vermelha, o olho direito de Jack ardeu e como se soubesse as palavras antes que a ele dissessem. Uma cicatriz surgiu em seu olho direito que ardia em chamas.

- Mieru! – clamou o guardião com a espada em punho e o pergaminho o rodeando.

Do telhado jorrou água, e dela saíram sete espelhos como os dos arcanjos cercando o príncipe, ele urrou ao se ver, a sua verdadeira imagem, a imagem de um cavaleiro de poeira sem cabeça, sem face, a grande armadura vazia e a capa que ao balançar despejava o pó que era sua alma, ele figurou um rosto, um homem narigudo com parte do cabelo grisalho, é sua cara não mudou muito de quando estava disfarçado de príncipe. Quando a mentira em fim caiu, os espelhos se quebraram e exposto foi à verdade daquele nojento pego com as calças na mão.

O céu se cobriu de nuvens negras formando um redemoinho que vinha dele, esse redemoinho aumentou muito quando a Diamond subiu ao telhado para ajudar o marido. Quando o viu na verdadeira forma se atirou entre os dois protegendo seu amado príncipe, ela pegou sua lança Nomercy e a apontou par ao Estripador que pôs sua cartola e sorriu de forma tão maligna que quando Diamond viu o olho com a cicatriz recuou.

Os dois avançaram, a princesa meteu a lança, mas Jack agarrou a arma com o Helki e girou por cima metendo a espada no longo e sedoso cabelo dela, o príncipe enlouqueceu, ele amava o cabelo de sua esposa, ao atacar ele puxou a Lie que mostrou sua verdadeira forma, era uma grotesca espada feira de carne morta e ossos. O guardião desviou do golpe e saltou para o telhado da torre vizinha.

- Vamos te ver também sua puta! – Diamond engasgou quando Jack mais uma vez puxou o pergaminho e conjurou o feitiço, quando os espelhos se partiram mostraram a verdadeira forma dela.

Uma bruxa, ou alguma coisa feia para caramba, sua pele era de fuligem enrugada, e olhos manchados de maquiagem escorrendo cabelo que pareciam galhos ressecados, seu corpo exalava fumaça como um trem a vapor, uma Maria fumaça e o capitão poeira, eles se alinharam para atacar em conjunto, enquanto todos na cidade reparavam no rebuliço no alto das torres.

Começam a se atacar, o príncipe usa a Lie, e a princesa com a Nomercy, ambos atacam sincronizados, mas o Estripador estava acostumado com múltiplos adversários e os domina, e zangado como estava, ele queria matar os dois da pior forma possível, mas tinha um que de diferente aquela cicatriz no olho dava a ele uma nova perspectiva das coisas, e ele enrolou os dois até que o povo da cidade chegasse ao palácio, lá viram a verdade dos dois que regiam a cidade.

- Agora posso começar a matar vocês – Jack disse muito zangado – Vocês não vão enganar mais ninguém! – Jack atacou com toda força, o príncipe e ele bateram as espadas.

Sangue jorrou e a Lie estava partida ao meio, o Estripador girou e quase arrancou a cabeça de Charming com um chute de calcanhar. Diamond correu para salvar o amado e jogou a lança que agora era adornada de dois vermes bem compridos, Jack virou a palma esquerda e Helki abocanhou os vermes os devorando, ele atirou a Nomercy e a Hellof na capa do príncipe e o prendeu na parede, logo em seguida ele estava de frente com Diamond. E acertou um soco muito forte no lado esquerdo do rosto da princesa que se já era deformado agora tinha um grande afundado, ela caiu no chão do saguão de entrada do palácio onde os moradores da cidade ficaram horrorizados com a verdade.

Ela pulou do chão direto para o teto com tanta raiva que sua boca se estraçalhou dando lugar a boca de um inseto asqueroso, Jack devolveu com um chute e arrebentou a jugular da nojenta, Helki arrancou o rosto dela revelando outra parte do segredo patético dos dois. Ela era um rosto com as pálpebras e boca costurada com uma corda de forca no pescoço.

- Isto deve servir Jack – disse Meguru com Helki abrindo boca e com a língua segurando uma pequena caixinha roxa – Já que não vai mata-los.

-É... Por mais que eu deseje isso, ainda não é o que eu devo fazer. Para eles resta tão somente isto, já que preferiram mentir e enganar a si mesmos – Jack disse olhando a pequena caixinha.

Ele foi pego de surpresa, um ataque certeiro no queixo de Jack que ao cair derruba a caixinha, Diamond chama a Nomercy e a enfia no Estripador, o príncipe se solta, e empunha a Hellof que o repele. Um estalo de madeira se quebrando e Helki devora a Nomercy. Ele se levanta e corre para longe do buraco no telhado. Os “anjos da luz” o olham enfurecidos. Quando um trovão dos céus abriu mais ainda o buraco no telhado, Charming e Diamond se transformam em dois monstros, e Jack já esta cansado, os monstros atacam e o guardião da um paço para trás, quando do buraco vários tentáculos agarram os dois que se dizem luz. A pequena caixinha roxa era na verdade um portal para o inferno, um parente de Helki, ele engolia tudo o que fosse maligno então não era surpresa que agarrasse aqueles dois.

Era como aquele verme infernal, mas esse era de verdade, não só enorme, mas cheio de dentes, a torre do palácio se destruiu, assim como ele todo, o céu abriu e uma luz irradiou e um rei, o rei dos céus, sentado em seu trono, rodeado de anjos, os dois ali viram ele, assim como toda a população, quase todos os soldados do príncipe foram devorados, os soldados Verdade se ajoelhavam ao rei. Jack soltou os punhos e ajoelhou-se, sabia que não era um puro, não depois do que fez, então aceitou seu destino, e ali esperando sua vez de ser punido, se lembrando de Elphoria e Hoshi, a luz por ele passou e nada fez.

Ele olhou para a luz no céu e o rei lhe acenou coma cabeça.

“Vá filho meu” ele ouviu.

“Acreditem naquilo que querem acreditar, a vós lhes dou este presente”.

E um grande clarão levou o portão do inferno, e os soldados verdade, e tudo aquilo que um dia foi declamado como a luz e a verdade daqueles dois. O povo estava livre, o mundo estava livre.

Algumas semanas mais tarde no forte onde Jack havia passado muito tempo, ele se levantou da cama e foi olhar para a floresta onde se lembrou do que havia acontecido. Quando Euphoria o abraçou por de trás.

- Sabe da próxima você pode me dizer para ficar em um lugar ao invés de me morder tanto – ela disse.

- Até parece que vou aguentar – ele disse sorrindo, quando Euphoria o morde também. Eles ficam deitados enquanto ela se alimentava dele – É acho que nunca vou ficar satisfeita só com isso – ela lambia o pouco que escorreu do pescoço dele.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

- Ah! Nem me venha com essa de sair pegando geral! – ele esbravejou e a rolou na cama a beijando.

Mais dias se passaram eles haviam viajado para muito longe, muito até chegarem ao mar, usando os sentidos de Meguru, eles encontraram um barco muito antigo, com um dragão na proa, aquele resto de madeira podre, era o barco que trouxeram os primeiros do povo de Jack, com um estalo de Meguru o barco tomou vida e se remontou, com longas e vistosas velas, bandeiras no topo dos mastros, e se moldando para um navio.

Ele foi ao leme, assim que o tocou o navio se lançou ao mar, Euphoria ainda na praia viu na parte de trás.

Rover.

Ela saltou e foi ao lado de Jack, abraçada a ele, os dois olharam para o horizonte, o infindo mar de frente com eles, mas juntos, iriam até onde fosse necessário, eles estavam partindo daquela terra em busca da verdade deles, nas longínquas terras depois de muitos mares, depois de muitas e infindas léguas, até encontrarem aquele que deu origem a eles.

Guiltless fim.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!