Notas iniciais
Pessoal, o primeiro capítulo é curto e eu vou ficar tentando oscilar entre curtos e longos, para não ficar cansativo. Se acharem curtos demais, é só avisar, ok?

Eu estava caindo. O buraco era muito fundo e escuro e a única forma de enxergar era devido a uma cálida luz vermelha que vinha de algum lugar lá de baixo. Tudo o que eu ouvia era o assovio do vento em meu ouvido e os gritos assustados de Ingrid e Kailson, despencando ao meu lado. Não é pra menos: estávamos em queda livre em alta velocidade em direção ao Tártaro, um oásis de monstros.

Culpa do Kailson. Ok, ele é um bom amigo, mas era bem desastrado. Estávamos nós, os Sete, na beira do precipício onde encontramos a Atena Partenos. A estátua poderia servir como uma poderosa arma durante a batalha final com os gigantes. Porém Kailson, destrambelhado, foi tirar brincadeira com Anna, fingindo que ela era uma deusa e se curvando pra ela. Quando fez isso, a bunda dele bateu na estátua e ela ficou oscilando na beirada, até que caiu. Ingrid se apressou e correu até a beira do buraco e segurou bem a tempo a ponta da corda que estava amarrada no pescoço da Atena Partenos. Tudo bem, como filha de Atena, aquilo que ela fez foi burrice. Uma garota magrinha como ela nunca poderia sustentar uma estátua que pendia em um grande precipício que parecia sugar as coisas. Mas será mesmo? Por um lado, era burrice por se jogar num abismo que levava diretamente ao Tártaro, mas por outro era possível ver inteligência no ato, afinal, a estátua de sua mãe poderia nos dar uma vantagem na guerra.

A força da estátua puxou Ingrid para baixo e ela cai no abismo, mas consegue se segurar numa saliência na rocha. Kailson se agacha na beirada e tenta alcançar a mão da menina. Na hora em que ele chega perto de tocá-la, a saliência quebra, fazendo a garota gritar e agarrar a gola da camisa de Kailson.

Kailson se desequilibra e cai no chão, sendo puxado diretamente para o buraco. O grande peso arrasta o garoto e, quando somente fica suas pernas na parte de cima, eu pulo e as agarro, sendo arrastado também. Consigo me segurar em uma rocha a três metros da superfície. Eu estava sustentando com apenas um braço Kailson, Ingrid e a Atena Partenos. Como eu não era nenhum tipo de cara super forte, era óbvio que eu iria soltar, mais cedo ou mais tarde. Preocupado com o sucesso da missão eu procurei alertar os outros quatro lá em cima, que estavam aflitos tentando encontrar uma maneira de nos salvar.

– Ok, parem – eu falei – É óbvio que é impossível salvar nós três e a estátua. Além do mais, é necessário fechar as Portas do outro lado, né?

– Sim Guilherme, mas... – protestou Anna.

– Calada. Você sabe que é a verdade. Se eu tiver sorte, bom. Se eu morrer, que seja. Afinal, semideuses morrem todo dia.

– Você não é bem um semideus... – falou Joanna.

– Isso não vem ao caso, Joanna – falou Caio.

– Ok, façam o seguinte – eu falei – Nos encontrem do outro lado das Portas da Morte. Com sorte, nós três vamos atravessá-la com a estátua. Levando em conta a realidade, somente a estátua vai voltar. Estejam preparados. Provavelmente não vai ser só a gente que vai passar por ela.

– Não posso perder o meu melhor amigo! – falou Caio.

– Caio, deixa de drama. Se nós morrermos, todos vocês vão nos honrar na batalha. E se as Portas da Morte não forem fechadas nosso sacrifício vai ter sido em vão.

– MORRER? NÃO! SOU MUITO JOVEM PARA MORRER! TENHO GAROTAS PARA NAMORAR, VÁRIAS COISAS PARA FAZER. MEUS DEUSES! SE EU MORRER, NÃO VOU CONHECER A DEMETRIA!

– CALA A BOCA, KAILSON! – falou a voz abafada de Ingrid, lá em baixo. Soou baixo pra mim, mas deve ter estourado os tímpanos de Kailson, já que ele estava com o rosto perto do dela – ESTAMOS DEPENDURADOS SOBRE UM ABISMO PRESTES A VIRAR PANQUECA DE MONSTRO E VOCÊ SE PREOCUPA COM A DEMI?

– Ei, o que você estava pensando em agarrar minha blusa e me levar para a desgraça com você?

– Me desculpa por tentar salvar minha vida – falou Ingrid, ironicamente.

– É, salvar a sua estragando a minha.

– Vou fazer o possível para manter pelo menos esses dois vivos – eu falei para os da superfície – Se eu falhar... bem, a Joanna assume meu lugar nos Sete.

– Você vai voltar – disse Joanna – Prometo.

Minha mão estava suada e escorregadia.

– Façam o que eu disse que a gente vai ter uma chancEEEEE!!!!!!

E com essa última palavra eu começo a cair para a escuridão.

Notas finais
E aí, gostaram? Vou ficar atualizando de uma a duas semanas, ok? Deixem reviews, por favor....