Notas iniciais
Olá! Este é o prólogo dassa historia que pretendo escrever e postar periodicamente. Não defino como uma postagem semanal ou coisa do tipo porque sei que posso não cumprir, então é melhor não iludir. kkk Mas eu estou disposto a estar sempre postando os capítulos e atualizando a fic caso você deseje acompanhar e se se sinta desconfiado quanto a isso.

A vida as vezes parece como um grande jogo. Poderia ser daqueles mais clássicos de tabuleiro, você escolhe uma peça — eu com certeza seria a amarela, minha cor preferida — os dados seriam nossas escolhas, que a depender do qual acertadas são, nos leva a avançar muitas casas e com sorte nos faz chegar em uma casa onde há um prêmio, ou podem ser realmente ruins e nos jogar numa casa em que haverá um desafio extremamente escroto para executar.

Talvez esta minha visão sobre a vida possa ser muito maniqueísta, nem sempre as coisas são tão preto no branco, existem 50 ou mais tons de cinza pelo meio. Acontece de uma escolha ruim levar a um desafio, mas não quer dizer que executá-lo significará ser sempre uma péssima experiencia, grandes lições e quem sabe, felicidade podem ser tiradas durante o percurso.

A proposito, me chamo Jonas. Sou o jovem na casa dos vinte anos que tenta se virar sozinho nesse mundo, trabalhando e estudando para que, quem sabe, se tudo der certo, conseguir ser alguém na vida. E o motivo de estar tão reflexivo em relação à vida? Bom, acontece que recentemente descobri que minhas escolhas nessa vida me levaram a um lugar em que grandes desafios me aguardam e eu não sei o que vai acontecer, tenho medo, mas um nível igual de coragem para encarar o que estiver no caminho. E com isto decidi narrar minhas experiencias para quem sabe, seguir como um guia ou não guia de como agir ou não na mesma situação.

~ ☻ ~

Era meio dia de uma segunda-feira. Tinha acabado de chegar do trabalho, sou atendente de meio período em uma cafeteria no centro da cidade. Como se não bastasse o cansado de uma manhã corrida de preparar inúmeros cafés e o pecado de não ter tempo de poder sentar para apreciar uma boa xícara, também era uma segunda-feira, conheço muita gente que tem vontade de matar o primeiro que aparecer na frente em uma segunda-feira.

A campainha da minha casa tocou. Não exatamente uma casa, moro em um pequeno apartamento. Sala, cozinha, quarto e banheiro. Me arrastei até a porta e espiei pelo olho mágico. Havia uma mulher ali parada, seu rosto parecia uma enorme bolacha redonda de maisena, distorcida pelo vidro do olho magico. Tinha longos cabelos castanhos, ondulados e olhos num tom mais claro de castanho, algo que me lembrava a cor do mel.

— Anda Jonas, eu sei que você está ai. — Disse a moça. — Por ser uma segunda não significa que você tem o direito divino de evitar as pessoas e se enfiar em um casulo até a sexta chegar.

— Cala a boca. — Abri a porta.

— Grosso. — Ela disse, adentrou o apartamento, me abraçou forte e deixou um beijo na minha bochecha. — Espero que você tenha feito café, preciso muito de uma dose forte.

— Não fiz. — Respondi. Estava tomando coragem para isso.

Fechei a porta e seguimos em direção à sala para sentar no sofá. Minha sala não era das maiores, há um raque que sustenta minha tv novinha de 40 polegadas — que ainda estou pagando as prestações — tem esse sofá de três lugares e um puff laranja. Coloquei um tapete no chão para dar um toque de decoração e em breve pretendo comprar uma mesinha de centro.

— A que devo o prazer de tão inesperada visita. — Perguntei.

— Precisava falar com você, era um assunto muito sério e urgente, não dava para conversar por telefone nem whatsapp. — Ela falou e pelo jeito que esfregava a palma da mão esquerda com o dedão direito, era um sinal de que estava mesmo nervosa.

— O que houve?

— Eu acho que estou grávida. — Ela vomitou as palavras.

— Que? — Demorei para entender o que ela disse pela velocidade em que falou, mas meu cérebro decifrou o significado das palavras quase que instantaneamente. — Como assim?

— Normal, quando uma mulher e um cara... você sabe... fazem... sexo... E depois a mulher...

— Eu sei como é que uma pessoa fica grávida. — Ela é meio lenta as vezes, quando está preocupada e de mente cheia principalmente. — Quero saber como você, especificamente, ficou grávida.

Ela parou por um instante e respirou fundo.

— Lembra daquela festa mês passado? A que você não foi porque disse que tinha prova no dia seguinte e precisava estudar?

— Lembro. — Foi mais uma das várias festas universitárias que a galera cachaceira organiza todo ano.

— Então... lembra que eu te falei que conheci um cara lindo e que a gente ficou e tal?

— Acho que sim... — Ela sempre tem um relato de cara lindo que conheceu, então é meio complicado distinguir qual é qual. — O que tinha o braço tatuado?

— Isso, ele mesmo! — Ela disse. — Pois é, meio que a gente não só ficou naquele dia...

— Melissa...

— A gente se pegou pra caramba na festa e o papo era legal também... e ele era muito gostoso, nossa... dai a coisa esquentou e a gente foi pro carro dele e, bom você já sabe o resto.

— Tá... não vou julgar até porque eu também já fiz isso... não sou hipócrita... Mas, meu Deus, não acredito que você foi burra assim de não exigir que ele usasse uma camisinha.

— Eu sei... eu tava já muito bêbada, ele disse que não tinha, eu também não tinha... nunca levo, você sempre que me dá na hora... — Ela parou um tempo pensando no que falou. — Ai, cara, como eu sou burra.

— Mel... agora me diz o que exatamente te faz achar que está grávida, exceto o fato de ter transado sem usar camisinha.

— Então, eu estou super atrasada... minha menstruação...

— Tá, não sou mulher e não tenho experiencia com isso, mas já li e ouvi falar que isso acontece não é? Quero dizer, da menstruação atrasar ou coisa do tipo.

— Foi o que pensei também...

— Pera ai. — Peguei meu notebook, abri uma aba no Google e digitei "como saber se estou grávida".

— O que você tá fazendo?

— Achei... — Abri o primeiro link e dei uma olhada rápida no conteúdo até achar uma lista de sintomas. — Vamos ver quantos desses sintomas você já teve....

— Bom, o primeiro bate. — Ela apontou na tela onde estava escrito "náuseas e vômitos". — Nossa, é horrível... — Fez uma cara como se sentisse um gosto amargo na boca.

— Aqui diz que o que a gente já suspeita, que ocorre atraso na menstruação, mas nem sempre isso significa exatamente que é devido a uma gravidez... — Desci mais o conteúdo da pagina. — E tem inchaço nos seios... como estão os seus?

— Como duas melancias... — Ela disse apalpando. — Inchados e doloridos...

— Então... — Abaixei a tela do notebook. — Esses sintomas indicam gravidez, mas pode não ser, quem sabe? Acho melhor irmos até a farmácia da esquina e comprar um teste. Será uma certeza maior.

Foi o que fizemos. Na farmácia a atendente disse que o teste precisava ser feito com a primeira urina do dia, então teríamos de esperar até o dia seguinte. Mel não queria ter de fazer isso sozinha. Ela mora numa antiga casa dos pais dela, sozinha também. Então ela ficou para dormir aqui em casa comigo. Não tocamos muito no assunto durante o resto do dia. Vimos alguns episódios de Orange Is the New Black, conversamos sobre coisas da faculdade, nós estudamos jornalismo. Inclusive foi assim que nos conhecemos, somos colegas de classe. Também falamos sobre algumas consequências do meu termino com a Lisa. Que, bom, estávamos em um relacionamento nada saudável, já que ela, além de ser muito controladora e extremamente ciumenta, hackeou minhas redes sociais para ficar monitorando minhas conversas.

O pior de tudo foi ter que aturar a Mel, cheia de si, dizendo que tinha me avisado que a Elizabeth não era flor que se cheire. Mas o que eu poderia fazer, tínhamos gostos semelhantes e houve química, por um tempo eu realmente gostei dela, não sei se cheguei a amar... como saberia que ela era uma stalker psicótica?

No manhã do dia seguinte acordei cedo porque tinha de ir trabalhar. Acordei a Mel também. Ela pegou o teste e foi para o banheiro.

— Mel? — Falei do lado de fora da porta. — Você está bem?

Já fazia cerca de vinte minutos que ela estava lá e não dava sinal de vida.

— Mel... Você precisa fazer o teste... — Falei. Não sabia o que estava rolando lá dentro, mas são três anos de convivência, confidencias e confiança, chega um momento em que você conhece mais sobre a pessoa do que ela mesma. — Sei que é assustadora a possibilidade de nossas suspeitas se confirmarem, mas será ainda pior você guardar essa dúvida até que consiga descobrir se é verdade ou não, depois de sei la, dois ou três meses?

A porta se abriu. Então ela apareceu com o teste em mãos e me abraçou, com força.

— O que... — Sustentei o abraço e retribui.

Ela permaneceu quieta por um tempo e então senti algo molhado em meu ombro. Eram lágrimas.

— Mel. — A trouxe para perto da cama e me sentei ao seu lado. Tomei sua mão entre as minhas e abri cuidadosamente retirando o teste de lá para que pudesse ver.

Havia duas tiras.

— O que eu vou fazer agora? — Ela disse colocando o rosto entre as mãos.

— Eu queria muito poder responder isso por você...- Falei. — Primeiro a gente tem dois caminhos a seguir... manter ou não a gravidez.

Ela se voltou para me olhar quando eu disse isso e ficou me encarando pensativa.

— Não posso abortar... — Ela disse. — Quero dizer, eu posso... mas, eu quero ter filhos... não agora, claro, pensava em ter quando estivesse mais velha e tivesse, sei la, casada? Mas também não me sinto preparada para ser mãe... eu mal sei cuidar de mim mesma..

— Mas você ainda pode ter outros filhos se quiser. — Falei. — No caso de optar por não ter esse...

— Eu sei... mas não sei se é justo eu descontar nessa criança uma falha que foi minha... — Ela falou, parou pensativa e continuou. — Eu não sei o que fazer...

— Você precisa pensar sobre o assunto... — Falei. — Pensar sobre as consequências de qualquer uma das decisões que irá tomar e sobre como agir dali em diante, se for necessário traçar novos planos... Não sei, é algo que você precisa fazer, Mel... para poder continuar.

— Eu sei... — Ela deitou sobre a cama.

— Se você quiser posso ficar aqui com você, te fazer companhia. — Falei.

— Não. — Ela disse. — Você precisa ir para o trabalho.

— Não me importo de faltar hoje para ficar com você, não vou deixar minha melhor amiga na mão quando ela mais precisa.

— Eu sei disso... sei que posso contar com você. — Ela falou. — Mas eu queria ficar um pouco sozinha agora... desculpa, Jon, mas eu preciso mesmo...

Abri a boca para contestar, mas então desisti. Eu não sabia se aquela era um boa ideia, deixa-la sozinha com esse turbilhão de coisas passando pela cabeça, mas eu não queria invadir seu espaço, todo mundo tem um momento em que quer estar sozinho e poder se dedicar apenas a si mesmo, ela sempre soube respeitar os meus momentos, agora, aparentemente, era a minha vez de retribuir.

— Eu vou voltar logo... — beijei sua testa e fui saindo. Quando estava para fechar a porta do quarto avistei ela puxar as cobertas e se envolver nelas como em um casulo.

As terças costumam ser o dia da semana mais "meh", mas aquela terça estava atipicamente turbulenta. Trabalhei distraído naquele dia, não conseguia parar de pensar na Mel e se tinha mesmo sido uma boa ideia deixa-la sozinha. O resultado foi que deixei transbordar um copo de expresso e sujei todo o balcão e entreguei um cappuccino sem colocar açúcar, pensei que o cliente estava tendo um derrame pela forma como contorceu o rosto ou provar a bebida.

— Menino, você está um verdadeiro desastre hoje. em? — Alguém falou, me virei e avistei a Cléo. A moça do caixa.

Cleonice é uma mulher com seus quarenta anos, um amor de pessoa. Baixinha e magra, cabelo numa coloração tingida de acaju e em um corte "joãozinho", bem curto. Ela disse que não tinha mais idade e tempo para ficar se preocupando com cabelo, então mandam meter a tesoura.

— Muita coisa na cabeça. — Respondi.

— Se você nos vinte já está com tanta coisa na cabeça assim, não quero ver a sua cara quando chegar na minha idade... — Ela falava enquanto organizava as notas na registradora. — Um tomate murcho de tantas rugas.

— Isso é verdade. — Falei.

— E posso saber o que é que está deixando o mocinho a ponto de colocar sal em um café pensando que é açúcar? — Ela apontou para minhas mãos que seguravam o saleiro e uma colher de cheia de sal, pronta para ser lançada dentro de um café.

— Merda! — Tornei a lançar o a colherada dentro do saleiro, o coloquei na outra extremidade do balcão, longe de onde preparo os cafés e peguei o açucareiro. — É uma amiga minha. Ela está passando por alguns problemas e eu estou preocupado com ela.

— Entendo... — Ela disse distraída, devolvendo o troco a um cliente. — Bom, seja lá qual for o problema dessa sua amiga, não adianta em nada você ficar sofrendo por ela. — Ela se voltou para mim. — O melhor que pode fazer é deixar claro para ela que você está ali para apoia-la independente do que acontecer e estar ao seu lado... depois disso pode ter certeza que ela se sentirá melhor e você vai ficar muito menos preocupado.

— Obrigado, Cléo. — Falei.

— Disponha, garoto. — Ela falou. — Agora vai atender o próximo cliente, porque ela já está te encarando feio.

Voltei para casa após o fim do expediente e encontrei a Mel sentada na cama, semi enrolada nas cobertas.

— Voltei. — Falei e me sentei na cama.

— Bem vindo de volta. — Ela disse.

Tirei os sapatos e calcei as sandálias.

— Vou preparar algo para a gente comer. — Me levantei e fui saindo.

— Vou ter o bebê. — Ela disse.

Parei de supetão e me virei para ela.

— Decidi que quero ter esse bebê. — Ela completou. — Pensei muito a respeito e foi nesse resultado que cheguei.

Tornei a voltar para a cama e me sentei de frente pra ela.

— Então que assim seja. — Falei.

— Só... — Ela começou a falar, mas parou, então retornou. — Só não sei se é uma boa ideia para essa criança...- Ela acariciou a barriga e uma lagrima escorreu pelo seu rosto. — Não faço ideia de como cuidar dela ou de como ser mãe... e nem trabalho eu tenho, quero dizer, como vou trabalhar e sustentar ela se eu tenho que ter tempo para cuidar dela... e ela nem vai ter um pai... eu... eu não lembro o nome do pai dela, isso é tão ridículo...

— Ei... — Ela começou a chorar para valer e eu a abracei. — Shhhh... não diga isso, você não é ridícula e ninguém nasce sabendo como ser mãe, se aprende com as experiencias... e eu tenho certeza de que você será uma ótima mãe... Além disso, você não está sozinha, você tem a mim e esse bebê não vai sentir falta de ter um pai porque eu vou ser o melhor "pamigo" que ele poderia querer.

— Pamigo? — Ela riu, enxugando as lagrimas. — Você acabou de inventar isso?

— É. — Eu ri. — Porque não? Posso ser o pai dele. Tem tantos tipos não convencionais de família por ai... por que não uma formada por dois amigos e um bebê?

— Você está falando sério? — Ela perguntou me encarando como se ainda pensasse que era uma brincadeira.

— Claro! — Eu disse. — A gente poderia passar a morar junto e dividir as contas... na verdade não sei porque a gente ainda não fez isso, a gente divide quase tudo já. E então a gente pode lidar com toda essa bagunça juntos e assim ficaremos todos felizes.

— Nossa, Jon! — Ela esboçou um sorriso e me abraçou forte. — Você é o melhor!

— Eu sei. — Falei. — Agora levanta dessa cama e me ajuda a preparar o almoço, estou faminto.

— Eu também. — Ela falou. — Ou a gente podia pedir uma pizza, para comemorar.

— Essa é uma ótima ideia, senhorita. — Peguei o celular.

~ ☻ ~

Bem, isto é só o inicio, muita coisa ainda está por vir. Mas uma coisa é certa, se você está disposto a seguir acompanhando essa historia mesma achando que essa ideia de "pamigo" é uma loucura, então precisa saber que tem muito mais loucura por vir.

Notas finais
Obrigado pela sua atenção. Espero que a leitura tenha sido do seu gosto. Estou aceitando criticas construtivas e ficaria muito grato em recebe-las. Até o próximo capitulo. ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.