Guia de Viagem
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Andamos pelo calçadão e eu digo as meninas que dei meu número para o Luke. Rafa surta quando o meu celular toca com uma nova mensagem e antes que eu tenha a chance de ver ela toma da minha mão e sai correndo.
–Rafaela isso não tem graça! Devolve meu celular sua maluca! – Eu ainda não estou correndo atrás dela, apenas gritando e andando rápido, mas ela está bem na frente e olhando a mensagem. Ela começa a andar de costas e a me olhar... Espera, ela está digitando? AI MEU DEUS ELA ESTÁ DIGITANDO!
Agora estou correndo.
A Rafa olha para cima e me ver correndo ao encontro dela e ela se vira para fugir de mim e acaba esbarrando com tudo em um cara que estava correndo pelo calçadão e os dois caem no chão.
–Puta que pariu, olha por onde anda cassete! –Ela grita com o cara e ele a olha confuso e tenta ajudar ela a levantar, mas a Rafa afasta a mão dele.
–Sabe você poderia xinga-lo em inglês, pelo menos assim ele entende o que você fala. – Diz Bea chegando meio ofegante depois da corrida.
–I’m so sorry. (Me desculpa mesmo) – Diz o cara para ela.
–You should really apologize. (Devia mesmo se desculpar) – E é ai que eu reparo que o cara está sem camisa, suado e usando óculos escuro e ele é... gato! Olho para Bea e ela olha para mim. Não preciso dizer nada porque já sei que ela pensou a mesma coisa que eu. E a Rafa continua discutindo com o cara para reparar que ele é lindo.
–Rafa... – Tento chamar a atenção dela
–Mas que droga, ralei meu braço. – Ela repara no braço sangrando e não olha para o homem lindo que está do lado dela tentando ajudar ela e ela afasta com a mão.
O cara sai andando para um restaurante e nos deixa ali.
–Rafa você tem noção do que acabou de acontecer? – Bea diz pra ela.
–Sim, um maluco me atropelou. – Ela ainda procura pelo corpo rastro de algum machucado.
–Não, sua lesada. O cara que te atropelou é lindo de morrer. – Bea parece que vai bater nela e eu vejo ele voltando com uma garrafa de água e lenços.
–I clean your arm or will be rude to me again? (Posso limpar seu braço ou vai ser rude comigo de novo?) – Vejo o olhar de Rafa e ela estava pronta para ser grosseira com ele só que ela o viu e eu tive que virar de costas e fingir tossir pra não rir da cara dela. Vejo Bea morder os lábios.
–Okay. – Rafa só fala isso e estende o braço. Ele limpa o sangue dela com todo cuidado do mundo, eu vou pegando os lenços sujos e puxo Bea para jogar no lixo mais adiante.
–Eles estão conversando, ela está sorrindo. Ai meu Deus! – Bea está narrando a cena e eu faço que vou me virar para ver o que foi.
–Me conta logo o que foi!
–Ela colocou a franja pro lado. Ela está flertando com ele!
–Meu Deus. Vamos comprar um sorvete e deixar ela sentir nossa falta. – Puxo Bea para uma barraquinha de sorvete, pagamos e nos sentamos perto da área dos skatistas, finalmente vejo a mensagem no meu celular e é do Luke.
“brazilian girl ever want to see u” (brasileira já quero te ver)
“this is serious? Haha” (Isso é sério? Kkkk) Respondo ele.
–Qual o problema com vocês duas? Me deixaram lá e estão aqui tomando sorvetinho e nem compraram um pra mim. – Rafa chega e se senta do meu lado, ela toma meu sorvete.
–Você estava ocupada demais com o sr. Saradão. – digo pegando meu sorvete de volta.
–Hahaha
–Mas e ai? No que deu? – Pergunta Bea oferecendo o sorvete dela para Rafa.
–O nome dele é Jace, ele tem 26 anos, mora perto da nossa casa e nos chamou para uma festa na casa dele amanhã.
–Só isso? Esse tempo todo? Não acredito em você. – Ela devolve o sorvete de Bea e pega o meu.
–Ele me chamou para sair, mas eu disse que estava aqui com as minhas amigas e que não ia sair sem elas. – Essa é a Rafa, amizade em primeiro lugar. Essa menina só me dá orgulho.
–Estou ficando para atrás aqui. Vocês duas logo que chegamos já tem um cara e eu nada. – Fala Bea se levantando e jogando o pote do sorvete no lixo ao lado. Eu e a Rafa também nos levantamos.
–Não tenho culpa, você viu que eu nem tentei paquerar com o garçom. – Me defendo.
–E isso de arranjar um paquera me custou um machucado. E não é algo que eu goste.
Andamos de volta para casa e já está anoitecendo, estamos mortas de cansadas. Amanhã é outro dia e eu preciso dormir. Mas pra isso tenho que subir uma escada. Olho para o sofá da sala depois para escada. Cama ou sofá? Bea sobe gemendo e se segurando no corrimão, Rafa sobe devagar engatinhando. Elas parecem mais quebradas que eu. Droga a cama venceu. Depois de um bom banho me deito na cama mais macia e deliciosa que já me deitei na vida, ou é isso ou estou realmente quebrada e cansada. Mas foda-se, aqui de baixo dessas cobertas está bom demais e é fácil o sono chegar e eu apagar.
Sinto um corpo subi na minha cama e se deitar em cima de mim.
–Eu só espero que seja um ser masculino para se deitar em cima de mim e me acordar. – Resmungo de olhos fechados e escuto a risada da Rafa.
–Talvez. – Responde ela com o ar de riso. Eu empino a bunda e ela rir.
–Droga. Não tem pênis.
–Ou ele é pequeno. – Nós rimos e eu viro na cama jogando ela pro meu lado.
–O que foi que você veio me acordar às... – olho pro lado e noto que meu celular eu deixei na bolsa lá em baixo. – Que hora é?
–08:32
–Só lembrando que estamos de férias. Sabe o que isso quer dizer? – Falo olhando para ela.
–Sei. Quer dizer que a gente acorda cedo pra aproveitar o dia fazendo coisas que não fazemos por causa do trabalho.
–Não! Tá tudo errado. Quer dizer que podemos dormir até a hora que não tiver mais sono e quando acordar comer qualquer coisa e ai sair pra festas. Você aprende essas coisas na faculdade!
–Para de preguiça, te acordei pra gente ir pra praia, mas se não quiser ir vou deixar você dormir. – Rafa se levanta para sair do quarto.
–Você é uma chata. Sabe que depois que eu acordo não volto a dormir.
–E é por isso que eu te acordei primeiro. – Ela dá um sorrisinho e eu jogo o travesseiro nela antes dela sair pela porta do quarto.
Me levanto para me arrumar, escolho um biquíni, tomo um banho e desço para fazer o café da manhã enquanto as meninas estão se arrumando.
A geladeira e os armários estão lotados e arrumados com comida e uma louça nova, só preciso saber onde é cada coisa aqui dentro. Só que é muito armário! Saio abrindo tudo e percebo que as coisas perto da geladeira e do fogão é comida e nas paredes opostas é prato, copo, panelas e vasilhas.
–Mas o que...? – Chega Bea na cozinha. – Por que os armário estão todos abertos?
–Assim fica mais fácil de achar as coisas ué. – Digo tirando o bacon e os ovos da geladeira.
–Okay. Quer ajuda?
–Quero, faz suco e descobre como usar essa cafeteira porque eu não faço ideia.
Terminamos de fazer o café da manhã e nada da Rafa descer. Vou até a escada e chamo por ela, e ela aparece com o telefone no ouvido.
–Yeah... Me too! – Ela diz. – One second... O que foi?
–Sabe, a gente precisa comer antes de ir para praia. – Digo e volto para a cozinha.
–I have to go, see you later. Bye. – Escuto ela falar atrás de mim.
–Vou nem perguntar com quem era que você estava falando.
–Era o Jace? – Pergunta Bea.
–Era. – Responde Rafa, nos sentamos na mesa juntas.
–O que vocês conversaram? – Pergunto enquanto me sirvo.
–Bobagens, o básico. – Ela da de ombros e começa a se servir do café.
–Como assim “o básico”? – Pergunta Bea.
–Ah você sabe. O que ele faz, onde trabalha, mora aqui ou também está de férias... Se ele é solteiro... – Essa última parte foi abafada pela xicara, mas não passou despercebida por nós.
–Conta tudo! – Eu e Bea falamos juntas.
E a Rafa deixou a xícara de lado e nos contou tudo. O cara simplesmente é a porra de um roteirista e trabalha em um estúdio de TV, não é daqui é do Canadá e veio morar aqui por causa do emprego.
–Calma, calma, calma. – Falo erguendo as mãos. – Recapitulando: O cara é novo, tem um emprego foda e é gato?
–E é prestativo, não vamos esquecer que ele cuidou do arranhão no braço da Rafa.
–É isso também. – Aponto pra Bea. – Então, ele é tudo isso em uma pessoa só. Pensei que não existisse caras assim.
–Não existe solteiro. – Rafa pega os pratos do café e leva pra pia, já que eu e a Bea cozinhamos ela limpa. Mas ela só faz tirar o grosseiro e coloca na lava louças (lembrete pessoal: comprar uma lava louças quando eu voltar para o Brasil).
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