Notas iniciais
Oi pessoa linda que está lendo essa história, não te conheço mas já te amo. kkkk Então querido leitor vc poderia ajudar a minha auto-estima e comentar e divulgar e da dicas.

Instagram / twitter: lua_drocha

(Sala de embarque do aeroporto de Brasília)

Depois de mais de um ano economizando, uma viagem de duas horas para pegar o primeiro voo para Brasília e agora ter que esperar cinco horas para ir para o destino final. O motivo de tanto trabalho. O oásis do deserto. As férias dos sonhos. A luz no fim do túnel. E sei lá mais o que. Mas porra, eu estou indo para Califórnia, mais especificamente Los Angeles.

A coitada da Rafa está jogada na cadeira dormindo e a Bea está no segundo livro desde que essa viagem começou. E eu não paro de comer pãezinhos de queijo do quiosque do aeroporto, e eu nem sou essa fã toda de pão de queijo. Gostaria de ser que nem a Rafa e conseguir dormir um pouco, mas eu estou tão ansiosa que não consigo.

“Atenção senhores passageiros do vôo 934, com destino à Los Angeles – Califórnia, dirigir-se ao portão de embarque número 3”

Salto da cadeira e pego minha mochila, olho para as meninas que nem se moveram.

—Ei! – Bea reclama quando pego o livro dela e fecho.

—Ai! – Reclama Rafaela quando eu bato na cabeça dela com o livro.

—É o nosso voo! – Falo exaltada. Elas me olham e pagam as bagagens de mão e seguimos para a fila de embarque.

Quando estamos na passarela para entrar no avião Bea para no meio do corredor e nos olha com o maior sorrisão.

—Garota eu vou pra Califórnia. – Ela começa a cantar e dançar hula.

—A gente vai para a Califórnia, não Hawaii para você dançar hula. – A Rafa diz e eu começo a rir.

—Então que dança eles dançam na Califórnia?

—No seu caso, nem uma. – é a minha vez de zoar com a Bea.

—Haha, engraçadinha.

Finalmente no avião, com as coisas guardadas, de cintos afivelados, com fones de ouvido, celular modo avião. Agora eu posso dormir.

—Lu – Bea me cutuca justo na hora que eu estava adormecendo. – Luiza!

—O que é? – Falo com os olhos fechados.

—Você ainda tem aquele remédio pra enjoo? – Tá, agora ela me chamou a atenção.

—Tenho, está na minha mochila. Pensei que você não enjoasse em voos.

—Eu não, mas a Rafa dormiu o primeiro voo e agora ela está sem sono e tem medo de altura. – Olho para Rafa que ficou com a cadeira do corredor, ela está respirando fundo e os olhos parecem que vão saltar da cara dela e ela vai precisar comprar fones de ouvidos novos porque os dela ela está torcendo... e puxando e... ela acabou de arrebentar o fone.

Procuro o remédio e entrego para Rafa. Ela parece um pouco aliviada depois que o remédio faz efeito ela adormece e eu também.

Acordo com a claridade e tiro os fones.

“...to Los Angeles, local time is 12:40.”

As meninas acordam quando aterrissamos. Pegamos as nossas coisas e caçamos um taxi, colocamos todas as nossas coisas e entregamos o endereço ao taxista.

—Then girls, you are here? – Pergunta o taxista (Então meninas, vocês são daqui?)

—Oh no, we came from Brazil, you know? – Respondo (Ah não, somos do Brasil, sabe?)

—Yeah! Beatiful beaches and pretty woman.(Belas praias e lindas mulheres)

—E é por essas coisas que o Brasil é conhecido no exterior?... interessante. – Fala Rafa com ironia.

Durante o caminho passamos por alguns pontos turísticos e vimos de longe a placa de Hollywood. E descobrimos que a casa que a gente tinha alugado é a duas ruas da praia e perto do píer. Enquanto Bea paga o taxista eu e a Rafa pegamos as nossas coisas e colocamos na casa, que é simplesmente linda. Ela é de primeiro andar, em baixo tem a sala, cozinha, um banheiro e um quarto, no andar de cima tem uma varanda enorme que toma o lado todo da casa, mas também é pro lado do mar, do outro lado tem três quartos, do mesmo tamanho e todos suítes, mas foram decorados de jeitos diferentes.

—Dá pra acreditar nesse lugar? – Fala a Bea, ela trabalha como estagiária de designer de interiores e se ela ficou encantada que vê lugares desse tipo todo dia no trabalho, imagina eu.

Escolhemos nossos quartos e fomos para a sala, eu me jogo no sofá, Rafa se deita no chão e Bea vem pro meu lado.

—Então, ainda temos o resto do dia. Vocês querem passar ele desfazendo malas ou conhecendo o lugar? – Pergunto.

—Eu voto em desfazer as malas. – Fala Bea.

—Eu voto em conhecer o lugar. – Fala Rafa.

—Mas a gente vai passar uns dias aqui, vamos ter tempo pra conhecer o lugar, vamos logo desfazer as malas. – Fala a mamãe Bea.

—Mas isso não é divertido. – Rafa faz um biquinho e eu prendo o riso pela cara feia que a Bea faz.

—O que você acha Lu? – Bea se vira para mim.

Olho primeiro pra Bea e ela está com aquela cara de concorda-comigo-ou-eu-corto-seu-cabelo-enquanto-você-dorme, depois olho para a Rafa e ela está fazendo uma carinha de pidona. Mulheres de 22 anos não deviam ter cara de 16, mas a Rafa tem.

—Desculpa Rafa, mas a Bea tá certa. Vamos arrumar nossas coisas.

Malas desfeitas e ainda não almoçamos, Rafa já está reclamando a plenos pulmões que está com fome e a Bea responde que vamos sair pra comer depois dela ter terminado de arrumas as coisas. Desço as escadas e espero as duas madames pararem de brigar e me encontrarem pra gente comer.

—Tá. Para onde a gente vai? – Pergunto.

—A gente pode ir para o píer, tem uns restaurantes lá. – Fala Rafa.

—Então vamos. – Falo arrastando as meninas.

Chegamos no píer e tem gente andando de skate, patins, patinetes e caras caminhando sem camisa e garotas de biquíni e patins, parece coisa de filme.

Escolhemos um restaurante que é separado em dois ambientes, escolhemos uma mesa do lado de fora para ver o movimento, não demora muito e chega um garçom que só podia ser de Hollywood mesmo. Pele bronzeada e olhos claros, com um sorriso simpático e meu Deus, acho que vou babar nos braços dele. Ele nos entrega o cardápio e sai.

—Lu, precisa de um babador ou um lencinho da conta? – Escuto a voz de Bea, mas não presto atenção nas palavras dela, estava ocupada checando a bunda do garçom. — Luíza!

—Oi? – Volto minha atenção para as meninas e elas riem. – O que foi?

—Você realmente não sabe? – Fala Rafa. Faço que não com a cabeça ainda sorrindo contagiada pela risada delas.

—Você e o garçom na maior troca de olhares. – Responde Bea.

—Ai gente, não. Ele mal olhou para mim. – Me escondo atrás do cardápio pois tenho certeza que meu rosto ficou vermelho.

—Ai meu Deus você tá ficando vermelha! – Rafa puxa o cardápio da minha mão e as duas riem alto, eu sorrio com vergonha e fico mais vermelha quando olho para o lado e flagro o garçom nos olhando e vindo na nossa direção. AI MEU DEUS!

—Already know what they will ask? – (Já sabem o que vão pedir?) Ele pergunta.

—Ahm... I’ll have the salad number 3. – (Ahm... Eu vou querer a salada número três) – Fala a Bea e ele anota no bloquinho.

—I’ll want the sandwich 7 (Vou querer o sanduiche 7) – Rafa responde e a atenção dele se volta para mim.

— And you? (E você) – Eu passo meus olhos pelo cardápio e vejo um do meu agrado.

—Salad number 5 (Salada número cinco) – Ele recolhe os cardápios e sai.

Olho para as garotas quando ele sai e elas estão com cara de que estão prendendo o riso.

—Meu Deus parem com isso! – É a deixa para elas caírem na gargalhada. E eu reviro os olhos sem conter o sorriso.

Enquanto esperávamos os nossos pedidos peguei o garçom me olhando algumas vezes, e ficava vermelha – para o divertimento das garotas – toda vez que ele me flagrava olhando para ele. Quando ele veio deixar nossos pedidos estávamos famintas e na agonia de desembrulhar o garfo acabei derrubando ele no chão.

—Vou pedir outro. – Digo as meninas e me levanto, elas não estão nem ai, caíram de boca nas comidas delas. Chego no balcão e o garçom lindão está lá e me dá um sorriso, só o que me faltava é ele achar que eu estou correndo atrás dele.

—Hi. – Digo meio sem graça.

—Hi.

—Could you give me... (você poderia me da...)– Droga esqueci como é garfo em inglês. Ele me olha com as sobrancelhas erguidas. – i forgot the name of it (esqueci o nome da coisa)... using to eat (que usa pra comer)... ai droga.

Ele me olha confuso e eu tapo os meus olhos com as mãos. Destapo meus olhos e ele está me olhando com um meio sorriso e o garfo na mão. É acho que ele tinha entendido. Dou um sorriso envergonhado e agradecido para ele.

—Thanks. – Digo e me viro para voltar para a mesa.

—Waiting. ( Espera). – Eu paro e ele passa pelo balcão e fica na minha frente. Nossa ele é alto. – Where you are from? (De onde você é?)

—Brazil. – Respondo e vou seguindo pra mesa quando ele pega no meu braço e volto a me virar para ele.

—What’s your name? (qual seu nome?) – De repente me lembrei das aulas de inglês do ensino fundamental.

—Luiza. – Volto a segui meu caminho mas ele me para de novo.

—You will not ask my name, Luiza? (Não vai perguntar meu nome, Felipa?) – Ele tem um sorriso brincalhão no rosto.

—What’s your name?

—It’s Luke, nice to meet you (é Luke, prazer em conhece-la) – Ele me estende a mão e eu a aperto.

—Nice to meet you too, Luke (Prazer em conhece-lo também, Luke) – Ele solta minha mão e eu vou pra minha mesa, que se Deus quiser ele vai me deixar ir porque eu estou com fome.

Chego na mesa e as meninas ainda estão comendo, mas param e me olham com cara de que sabem de tudo.

— O que foi? – Digo espetando o garfo na minha salada.

—Você tendo altos papos com o Sr. Gostoso ali. – Diz Bea.

—Sr. Gostoso tem nome. Luke. – Digo enquanto mastigo.

—E ai? O que vocês conversaram? – Pergunta Rafa

—Além da minha linda memória ter me feito esquecer como é garfo em inglês e falar como uma retardada, ele perguntou de onde eu era, qual meu nome e ele me disse o dele. Fim da história.

Enquanto comemos conversamos e as meninas me tiram o coro toda vez que elas me pegam trocando olhar com o garçom. Pedimos a conta e Luke me entrega a notinha que no fim tem uma frase escrita à mão “give me your number?” (me dá seu número?). Sinto meu rosto ficar vermelho.

—Quanto deu, Lu? – Pergunta Rafa.

—Ahm?! – Meus olhos se arregalam.

—Foi tão cara assim a conta? – Pergunta Bea tentando pegar a nota.

—Não, nem foi. Deixa que eu pago a conta. – Digo me levantando e indo para o balcão pagar a conta.

Chego no balcão e lá está Luke, sério ele se vira em quantos?

—Hi, again. (Oi, de novo) – Digo e ele me dá um meio sorriso.

—Hi. – Ele pega a conta e o meu cartão de crédito. – You will of me your number? (Você vai me dá seu número?)

—Maybe. Why would I do that? (Talvez. Por quê eu faria isso?) – Coloco a senha do cartão na máquina e entrego para ele.

—Because... I want see you... and tolk to you. (Porque... Eu quero te ver... E conversar com você.) – Me convenceu. Eu pego o bloquinho de nota dele e uma caneta e anoto meu número.

—Send me a message. (Me manda uma mensagem) – Pisco o olho para ele e saio para me encontrar com as meninas me sentindo poderosa.

Notas finais
Nada de fantasminhas, okay?