Guia-Me

1 Capítulo Único


No início não era nada. Um pequeno acidente, um pequeno erro ao dobrar no corredor errado, que o levou à ala de artes da universidade. Estava atrasado para o início das filmagens e se preparava psicologicamente para ouvir o sermão que lhe seria dirigido pelo diretor assim que pisasse dentro da sala de aula onde seria gravada a cena do dia. A ala onde as gravações ocorreriam foi emprestado para a equipe de produção do filme. Uma sala estava sendo usada como camarim, outra como depósito para guardar os diversos equipamentos que não seriam usados durante aquele dia de filmagem, e as demais tiveram suas aulas suspensas para não prejudicar o andamento do trabalho dos atores e produtores. Ele sabia que o reitor havia sido bastante complacente em lhes ceder uma ala inteira, e atrasar dessa forma era uma grande falta de respeito. Mas a universidade era enorme, e seu senso de direção nunca foi muito bom. Sem contar que todos os corredores pareciam os mesmos.

O ator abria cuidadosa e silenciosamente todas as portas daquele corredor, com a esperança que ao abrir uma encontrasse algum rosto conhecido. Passava por diversos alunos, com pressa, não prestando atenção se era reconhecido ou não. Estava mais preocupado em encontrar logo o diretor que em dar autógrafos. Algumas vezes deu de cara com salas vazias, em outras saiu devagar, encostando a porta com cuidado, evitando ser visto.

Correu para a última porta do corredor e tropeçou nos próprios pés, fazendo com que perdesse o equilíbrio e empurrasse a porta com o peso do próprio corpo, o barulho alto da madeira batendo contra a parede sendo ouvido. Se apoiou no batente para que não fosse ao chão e xingou mentalmente pela entrada escandalosa.

Dentro da sala havia diversos alunos, sendo a grande maioria mulheres, sentados no chão em uma meia lua. A sala tinha as paredes cobertas de espelhos e uma música de batida lenta foi interrompida, poucos segundos depois de sua entrada, por uma mulher de aparência mais velha que os demais, provavelmente a professora. Uma moça se encontrava em pé em frente ao meio círculo, congelada no lugar, os braços ligeiramente erguidos e o olhar assustado sobre ele. A apresentação da garota foi bruscamente interrompida pela entrada do ator.

“Sinto muito, não quis interromper...” Sentiu o peso dos olhares sobre si e praguejou internamente. Estava sendo tão cuidadoso. “Eu queria chegar na ala de exatas, mas me perdi no caminho.” A sentença começou alta, mas terminou em um quase sussurro, pois na medida em que o moreno falava, algumas faces presentes no local se clarearam em reconhecimento, e os murmúrios começaram.

Oh, Deus. O diretor do filme o mataria por isso.

“Olhe, olhe! É ele, não é?”

“Quem?”

“É o ator! O que fez o principal em ‘Clã dos Magos’!”

“É James Potter!”

“Que filme é esse?”

“Ahh, ele é tão bonito!”

“Eu ouvi falar que ele estava filmando no momento.”

“As filmagens são aqui? Jura?”

Arregalou os olhos, enquanto ouvia os diversos alunos falando ao mesmo tempo. Ele definitivamente iria morrer. Black o mataria com as próprias mãos por tumultuar o andamento do filme, além de se atrasar para a gravação, é claro. Notou pelo canto dos olhos que a ruiva que estava se apresentando suspirou e sentou-se no chão, cruzando as pernas.

“Alguém sabe me dizer como faço pra chegar na ala de exatas?” Tentou elevar sua voz, mas não tinha certeza se alguém um ouviu.

“Silêncio!”

Uma voz alta e séria finalmente conseguiu calar as vozes dos alunos, e o ator correu os olhos na direção da figura que falara, observando a professora, que olhava de forma severa os demais, desafiando-os a falar uma palavra sequer além do que já haviam dito. Após alguns segundos, a mulher voltou a olhar para o rapaz que interrompera sua aula, o desagrado claro em seu rosto.

“Em que posso ajuda-lo, senhor?”

James encolheu-se sob o olhar rígido da mulher, pensando seriamente em apenas pedir desculpas e sair correndo. Porém a expressão da professora dizia que caso a desculpa dele não fosse boa o suficiente, ele sofreria as consequências. Engoliu em seco, antes de se manifestar.

“Eu meio que... me perdi.” Começou, sem jeito. “A senhora poderia me dizer como chegar à ala de exatas?”

A mais velha ergueu uma sobrancelha.

“Exatas? Você se afastou bastante. Você precisa dobrar alguns corredores para chegar até o local. Melhor alguém lhe mostrar o caminho, para não correr o risco de atrapalhar outras aulas.”

O rapaz tentou se encolher ainda mais com a indireta, enquanto diversas alunas se agitavam, pensando na possibilidade de mostrar o caminho ao jovem e famoso ator. A professora imediatamente fuzilou as moças com o olhar, fazendo com que a sala ficasse novamente em silêncio. Correu os olhos rapidamente pelo local e suspirou.

“Evans. Mostre a ele o caminho.”

A ruiva, que permanecia sentada no chão, quieta, ergueu a cabeça de forma rápida, encarando a professora, surpresa.

“Mas professora... Eu estava no meio de minha apresentação.”

“Você recomeça ao retornar à sala.”

A moça chegou a abrir novamente a boca para recusar, quando mudou de ideia. Suspirou, sabendo que a mulher não iria ceder ao seu pedido. Não após ter tomado uma decisão.

“Sim, professora McGonagall.”

Em alguns segundos, James estava seguindo a ruiva pelos corredores. Observava as costas dela, seguindo com os olhos o balançar dos cabelos, que estava preso no alto da cabeça em um rabo de cavalo firme. O movimento era mais hipnotizante que o balançar de um pêndulo.

Piscou rapidamente, desviando o olhar. Sentiu que estava prestes a ficar vesgo.

“Então... Sinto muito por ter interrompido sua aula.”

Tentou iniciar uma conversa, para que o percurso até seu local de gravação fosse menos constrangedor. Contudo, a moça, Evans, não lhe respondeu. Sequer lhe deu algum indicativo de que houvesse escutado sua fala. James franziu o cenho, decidindo tentar de novo.

“Sua professora parece bastante rígida. Espero que vocês não tenham problemas por causa disso.”

Assim que fechou a boca, olhou atentamente a cabeça vermelha, tentando ver qualquer reação, como uma movimentação milimétrica do rosto. Nada. Tinha certeza que havia dito a frase de forma alta e clara, chegando à conclusão que a estudante o ignorava abertamente. Cerrou os olhos, tomando a situação como uma afronta pessoal.

Faria a ruiva falar consigo nem que fosse a última coisa que faria em vida.

“Eu tinha uma professora assim no ensino médio. Ela não permitia nem que olhássemos para o lado. Certo dia um colega meu se virou para apanhar uma borracha que caiu no chão, e quase foi mandado para fora de sala.”

Ergueu uma sobrancelha, esperando alguma reação. Sorriu ao ver a ruiva fechar as mãos em punhos. “A mulher era tão amarga. Não que sua professora pareça amarga. Ela parece um doce de mulher, mas a minha professora.. Ah, a mulher era um castigo. Imagine, passar três horas parado feito um robô enferrujado, sem olhar para os lados.” Falava tudo que vinha em sua cabeça, fazendo com que o cérebro criasse e imediatamente a boca despejasse, sem nenhum filtro. “Saíamos de sala com um torcicolo horrível.” Aumentou o sorrindo quando notou que a mulher à sua frente estava mais inquieta. “Você é dançarina, então já deve ter tido um torcicolo, não? Bastante dolorido, não acha? E ficávamos assim duas vezes por semana. Quando íamos pra aula dela falávamos que estávamos indo para nossa sessão semanal de torcicolo. Você imagin...”

Evans parou de repente, fazendo com que o moreno quase esbarrasse nela. Virou-se para o mesmo, com as sobrancelhas franzidas e um olhar irritado.

“Você não consegue calar essa boca por um minuto?” Pôs ambas as mãos na cintura, ao mesmo tempo em que o ator dava um passo para trás, buscando um espaço pessoal maior para que pudesse observar melhor a ruiva. “O que lhe faz pensar que estou interessada em seus dramas estudantis? Deveria conta-los à alguma revista adolescente. Tenho certeza que diversas colegas minhas comprariam o exemplar alegremente, e... O que é esse sorrisinho?”

James alargou ainda mais seu sorriso, cruzando os braços em frente ao corpo e curvando-se ligeiramente para frente, na direção da moça. Quando falou sua voz tinha um tom que indicava o quanto o ator se divertia.

“Você falou comigo.”

A ruiva piscou algumas vezes, antes de girar os olhos e dar as costas ao outro, retomando a caminhada, resmungando algo sobre a idiotice de algumas pessoas.

James riu levemente.

“Então, agora que já estamos nos falando, qual seu nome?”

Evans suspirou pesadamente.

“Evans.”

O ator apertou o passo, parando ao lado da ruiva e tentando olhar para o rosto da mesma, sorrindo alegremente para a expressão fechada que ela ostentava.

“Ah, isso eu sei.” A moça ergueu uma sobrancelha, finalmente o encarando. “Quero saber seu primeiro nome.”

“E porque eu diria meu primeiro nome à você?”

“Oh..” o ator piscou algumas vezes, porém sem perder o sorriso, o que começava a irritar seriamente a bailarina. “Eu posso lhe dar cinco motivos para isso.”

“Cinco motivos?”

“Uhum.” O homem assentiu, olhando para frente, sabendo que ela ainda o observava. “Quer saber quais são?”

Ouviu um suspiro. “Você vai falar de qualquer jeito, não vai?” Viu o moreno assentir alegremente. “Então fala logo.”

“Primeiro, você sabe meu primeiro nome.”

Evans ergueu a sobrancelha.

“E daí?”

“E daí que nada mais justo eu saber o seu.” A ruiva bufou, provocando o riso do Potter. “Segundo, somos íntimos o bastante para nos tratarmos pelo sobrenome.”

Isso espantou a dançarina.

“Íntimos? Desde quando? Você está louco?”

“Você sabe um fato sobre meu passado que ninguém mais sabe. Para mim isso é intimidade.” Observou os olhos verdes dela, esperando alguma reação, mas Evans apenas lhe encarava, de boca aberta. “Terceiro, é falta de educação não me dizer seu nome quando eu disse o meu.”

“Mas você não disse seu nome!”

“Não?”

“Não! Eu ouvi das meninas na sala.”

“Oh, perdão.” Parou de andar e ficou de frente para a moça. “Sou James Potter.” Observou a ruiva piscar algumas vezes antes de seguir caminhada, sendo imediatamente acompanhado. “Pronto. Agora sim, é falta de educação.”

“Ora, seu...”

“Quarto!” Disse alto, interrompendo-a. “Você é minha guia pessoal nessa escola. Nada melhor que eu saber seu nome.”

“Sua o quê? Eu não sou sua guia!”

Voltou o rosto para ela, encarando os orbes verdes.

“O que você está fazendo agora?”

“Te mostrando o caminho para a ala de exatas.”

“E isso não é guiar?”

“É, mas eu estou fazendo isso somente hoje.”

“Nada que uma palavrinha com o reitor não mude. Afinal, todos ficariam felizes em eu ter uma guia para não me perder mais pelo prédio. Melhor ainda se for a mesma pessoa, e alguém que não tente me agarrar quando estivermos sozinhos.”

“Eu me recuso!”

James riu levemente da frase.

“Você não conseguiu recusar nem uma ordem da professora. Imagine uma ordem vinda do reitor!”

A mulher abriu e fechou a boca algumas vezes, em uma fiel imitação de um peixe fora d’água. Internamente ela se amaldiçoava por saber que o que o outro dissera era a mais pura verdade. Desistiu de argumentar sobre esse tópico, já se sentindo derrotada, apesar dos motivos esdrúxulos que o ator inventava.

“E quinto,” começou o moreno, sabendo que havia ganhado esse tópico. “aposto que você prefere ser chamado por seu nome, do que de Ruivinha.”

“Ruivinha?”

“É como vou lhe chamar até você me dizer seu nome.” Fez uma pequena pausa. “Ruivinha.”

A moça o encarou por alguns segundos, enquanto viravam à direita. Por fim, balançou a cabeça e parou de andar, apontando para o final do corredor em que estavam, onde se encontrava um grande grupo de pessoas.

“Chegamos na ala de exatas.” Observou por alguns segundos a comoção à frente, vendo como um homem aparentemente da idade de James andava de um lado para o outro, aparentando estar extremamente irritado. “Acho que é a produção do filme ali.”

O ator concordou com a cabeça, já se afastando da dançarina. “Obrigado pela ajuda. Até mais, Ruivinha.”

Evans grunhiu com o apelido, sabendo que caso continuasse o ouvindo ficaria seriamente irritada. Antes que pudesse pensar melhor a respeito, gritou para James:

“É Lily!”

O moreno parou, virando-se para ela com surpresa estampada em seu rosto. Não imaginava que iria conseguir o nome tão cedo. Contudo, logo sorriu.

“Até mais, Lily.”

Lily deu as costas, começando a caminhada de volta à sua sala, ouvindo ao fundo uma voz masculina gritar com recém-chegado. Algo sobre estar atrasando o início das gravações.

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Lily Evans estava irritada. Muito.

A apresentação que ela fez poucos minutos mais cedo, e que contava como avaliação bimestral, pôde ser descrita como constrangedora, nas palavras da própria professora. A dançarina errou passos básicos, e se distraiu com qualquer pequena movimentação que captava com o canto dos olhos.

Mas esse não era o motivo para estar irritada.

Enquanto errava os passos da dança, ouvia o riso baixo de algumas colegas com quem não mantinha um relacionamento muito amigável. Estava dando um lindo show para essas pessoas, provocando o riso de escárnio que queimava em suas orelhas, como se tivesse mais de 100 decibéis.

Mas também não era isso que a deixava irritada, afinal, inimizade é algo de mão dupla. Perdeu a conta de quantas vezes o riso de escárnio saiu de sua própria boca em relação às colegas. Não era motivo para se irritar, mas para sentir vergonha.

James apareceu na porta da sala, dois dias atrás, falando que gostaria de assistir as aulas do grupo pois estava durante o intervalo das gravações do filme, Lily sabia que o resultado dessa situação seria desfavorável para si mesma.

Afinal, tudo o que o moreno fazia a desconcentrava. Ela podia ver com o canto dos olhos a cabeça do ator a seguindo a cada passo que ela dava durante suas apresentações, e esse era o motivo para ter cometido tantos erros e, consequentemente, ter ouvido palavras duras de sua professora e comentários debochados das colegas.

Era tudo culpa de James Potter.

E esse também não era o motivo de sua irritação.

O que a irritava era o fato de que a simples presença do ator no local era o suficiente para desconcentrá-la de forma como nunca antes aconteceu.

Todos os demais adoravam a presença do ator. Diversas alunas melhoraram significativamente suas apresentações, tentando impressionar Potter que, como Evans ouviu diversas vezes da boca de diversas alunas, era solteiro.

McGonagall, por sua vez, se mostrou bastante satisfeita com o avanço de suas alunas, e passou a receber James de braços abertos para suas aulas, sabendo que ele era o motivo de tal melhoramento.

A ruiva se sentou no chão, no fundo da sala, usando todas suas forças para não bufar de irritação, enquanto um dos poucos dançarinos da sala se preparava para começar sua apresentação.

“Foi muito bonito.”

Virou os olhos na direção da voz, vendo James se acomodar ao seu lado, falando baixo para não chamar a atenção das demais pessoas que estavam no local.

“O quê?”

“Sua dança.”

Lily riu de leve.

“Está brincando, certo? Não ouviu o que a professora McGonagall falou? Foi constrangedor.”

O ator sorriu, passando a mão pelos cabelos, em uma atitude de timidez pela qual a bailarina se sentiu grata.

“Eu não entendo nada sobre os aspectos artísticos da dança. Não sei se você deveria ‘elevar mais a perna, curvar mais o tronco e não perder o balanço’.” James falou, ainda em um tom baixo, mas fino, claramente imitando o que a professora disse anteriormente. Evans não conseguiu conter o riso baixo. “Eu só sei que foi bonito.”

A bailarinagostaria de dar uma resposta malcriada ao outro, dizer que a culpa pela sua dança ‘constrangedora’ era dele. Mas decidiu deixar isso pra lá, afinal, ainda era uma mulher, bastante vaidosa por sinal, que gostava (e muito) e ouvir elogios. Então sua reação foi quase imediata.

Ela sorriu levemente, colocando uma mecha do cabelo ruivo, que durante a dança se soltou do coque que usava, atrás da orelha. Virou a cabeça na direção do outro.

“Obrigada.”

O sorriso do ator aumentou. James encostou a cabeça no espelho atrás de si, enquanto assistia a apresentação do rapaz. Sendo honesto consigo mesmo, não via na dança sequer um terço da graça e beleza que viu na dança de Lily. Interrompeu os próprios pensamentos, ao lembrar-se de algo.

“Ah, Lily.” A moça somente olhou para o outro, em parte sabendo que era inútil dizer para chama-la de Evans, em parte porque gostava como o nome dela soava na voz dele. “Hoje a gravação vai ser no pátio do campus. Me guia até lá?”

O ator sabia chegar ao pátio. Afinal, todas as saídas davam para o pátio, seja o dianteiro ou o traseiro. Saindo do prédio era só caminhar até o local. E a dançarina tinha conhecimento disso.

“Quando terminar a aula?” James assentiu. “Tudo bem.”

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Depois do fracasso que foi sua avaliação, a ruiva passou a ensaiar por um período maior que os dos demais colegas, voltando para a sala de dança no final da tarde. Há alguns dias seguia essa nova rotina, e já estava se acostumando à entrada sorrateira do moreno à sala de aula, assim como à sua presença silenciosa durante todo o tempo em que ensaiava.

Caminhou em direção ao aparelho de música da sala, desligando-o. Pegou a toalha de rosto que deixou pendurada na barra de metal em frente ao espelho que cobria uma das paredes laterais, local onde costumavam fazer seus alongamentos antes das aulas.

Caminhou na direção do ator, enquanto enxugava o suor do pescoço.

“Você não tem mais gravação, não?”

James sorriu, sem se levantar do chão, a cabeça encostada no vidro da parede ao fundo da sala.

“Sou um ator bastante eficiente. Não preciso de mais que uma tomada por cena para encerrar minhas atividades diárias.”

A ruiva riu, parando em frente a ele.

“Bastante modesto também, pelo jeito.” Sentou-se ao lado dele, jogando a toalha no chão, ao seu lado. “Mas me fala, qual o nível do seu masoquismo?”

O moreno piscou.

“Como assim?”

“A quantidade de vezes que fui mal educada e extremamente grossa com você é algo impressionante. E ainda assim, aqui está você.”

“Isso é um pedido de desculpas?”

“Nem de longe.” O ator riu, enquanto a ruiva esticava as pernas, cruzando os pés. “Estou apenas impressionada com o grau de seu masoquismo.”

“Prefiro chamar de persistência.”

Rindo, Lily levantou-se do chão, indo em direção à sua bolsa, preparando-se para ir embora.

Quando fechou a sala de aula e começou a caminhar em direção à saída do prédio, puxou de leve a manga da camisa do moreno, que caminhava ao seu lado.

“Eu cansei de ficar te guiando para todos os cantos dessa Universidade.”

Potter riu com a frase.

“Devo procurar outro guia?”

“Não.” A ruiva negou sem vergonha alguma. “Mas você poderia me recompensar, não?”

“Como?”

“Me guiando.” Deu de ombros, enquanto encarava o erguer de sobrancelhas de James.

“Para onde você quer que eu a guie?”

“Não sei.” Empurrou o ombro do rapaz com o seu próprio. “A um restaurante, ou a uma lanchonete bacana, talvez.” Aumentou o sorriso quando notou que o outro já havia captado sua ideia. “Você já rodou bastante por aí, principalmente com essa coisa de cachê de presença. Deve conhecer algum lugar legal.”

James riu, pegando a mão da ruiva e entrelaçando os dedos com os dela.

“De fato eu conheço. Que tal amanhã?”

“Amanhã está ótimo.”

“Você vai adorar esse local. Fiz umas tomadas lá pra um filme, uns dois anos atrás. As cenas ficaram demais. Eu consegui faz...”

“James?”

O moreno piscou pela interrupção abrupta.

“Hum?”

“Me guie até lá, mas me poupe das histórias sobre sua brilhante atuação.”

O ator riu alto, concordando com a cabeça.

Notas finais
Bom, foi isso. Bem leve e tals.

Até mais. :*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!