Notas iniciais
Foram 40 dias e 40 noites que os guerreiros mal dormiram e mal se comeu um pão na corrida, pois os governantes das duas superpotências resistiram até o fim, escondidos em “bunkers” contra os ataques populares, numa resistência teimosa, pois eles não tinham mais nada a defender, do que a própria vida. Eram Presidentes, Ministros e Senadores, todos com o mesmo pensamento: - matar o inimigo até o fim. Quer disser os alienígenas e o próprio povo que se voltara contra eles. Ênio através da televisão mantinha a fé dos revolucionários em alto. Mostrava os bunkers vazios, os quarteis derrubados, enquanto a mídia fazia coisa similar mostrando fotografias dos dois lados dos combatentes.

Os acontecimentos em “W” foram se alastrando e multiplicando, pois enquanto Ludimar e os sargentos faziam piquetes e desfiles de rua com universitários e operários de fabricas, os soldados de Miguel percorriam o comercio para desmantelar as lojas com armas, onde quer que fossem. Miguel também começou a derrubar os quarteis ao chão. No cerco fora do planeta, Natália derrubava as naves que insistiam em sair a combatê-la, e Anaha, cuidava de proteger essa ilha de submarinos, navios e helicópteros, que tentava os encontrar em meio do nada.

Enquanto isso, Ênio aparecia periodicamente nos noticiários desse mundo, pois Anaha o filmava todos os dias. Além disso, Anaha mostrou as feridas das vitimas de torturas, enquanto Ênio se encarregava de indicar os lugares onde haviam sido interrogados, pedindo ao povo a derrubada dos governantes homicidas.

Mas, o inimigo tinha ainda surpresas em lugares estratégicos. As últimas armas de destruição em massa, capaz de massacrar uma cidade inteira, foram sendo retiradas e dirigidas em direção da ilha em meio do mar.

Quando a primeira bomba atômica subiu para os céus, Arethi gritou aos berros para Miguel e Natália: — desintegrem-na antes do estouro... E eles mergulharam até alcança-la e abrindo as pupilas ao máximo, a fragmentaram segundos antes da explosão, convertendo a matéria em energia invisível. Em seguida deram a volta em busca dos arsenais, pois desta vez era uma luta pela sobrevivência de todo o planeta. Calculava-se que havia outras, mas os silos estavam tão escondidos, que Arethi deixou o telescópio com Diana, e se fechou na escuridão da suíte, chamando Silvio aos berros: — localize-me aqueles silos, amor, corra, pois estou com maus pressentimentos desta vez... Alguém vai morrer...

E desde a suíte, Arethi indicava os endereços para Diana, Diana se comunicava com Miguel, e na corrida contra o tempo, foram sendo inutilizadas as últimas bombas atômicas desse mundo louco.

Foi quando a horda enlouquecida saiu para as ruas, sem medo do perigo. Desta vez, havia de tudo enfrentando policiais e soldados, homens armados, meninos com pedras nos bolsos e mães com paus nas mãos. Ludimar e os sargentos só faziam uma coisa, os proteger, os guiar nas fugas, ou, os salvar de uma bala inadvertida. E Natália desde o alto mergulhava em voos rasantes fazendo a mesma coisa, desmantelando os tanques, os carros com metralhadoras e desarmando os soldados com bazucas. Mesmo assim, esse mundo era enorme, eram milhões de pessoas cansadas de serem exploradas, obrigadas a entrar numa guerra insana e apoiadas apenas por 20.000 guerreiros. E Arethi não tinha mais de onde tirar gente para enviar a “W”. Havia sobrado apenas os soldados da faxina nas naves e os mais jovens, junto às frotas de Isaias e Belizário que protegiam a eles mesmos. Afinal, “Y” continuava tentando matar mais uma vez o “cérebro pensante”.

Foram 40 dias e 40 noites que os guerreiros mal dormiram e mal se comeu um pão na corrida, pois os governantes das duas superpotências resistiram até o fim, escondidos em “bunkers” contra os ataques populares, numa resistência teimosa, pois eles não tinham mais nada a defender, do que a própria vida. Eram Presidentes, Ministros e Senadores, todos com o mesmo pensamento: — matar o inimigo até o fim. Quer disser os alienígenas e o próprio povo que se voltara contra eles.

Ênio através da televisão mantinha a fé dos revolucionários em alto. Mostrava os bunkers vazios, os quarteis derrubados, enquanto a mídia fazia coisa similar mostrando fotografias dos dois lados dos combatentes. Os alienígenas que desintegravam a matéria e deixavam soldados desarmados, ou nus, e militares que disparavam contra mulheres e jovens, deixando pessoas feridas e moribundas estendidas nas ruas.

E finalmente, o dia dos vencedores aconteceu. Um a um os donos desse mundo saíram de seus esconderijos com as mãos para o alto, e o povo os enforcou sem misericórdia. Os alienígenas que estavam em meio da multidão, cruzaram os braços, pois esse mundo era dos revolucionários nascidos nesse planeta. E quando esses homens cantaram a hino da vitória com a mão direita em punho e para o alto, Ludimar e todos os sargentos os imitaram com o gesto.

Mas, teve uma desgraça inesperada, pois nos últimos voos rasantes Natália explodiu no ar, atingida por um míssil, por cima da cabeça de Miguel, que estava em meio do povo nos últimos confrontos corpo a corpo com a milícia. Ele caiu de joelhos no chão chorando como um bebe, e depois saiu enlouquecido correndo pelas ruas e gritando como um demente. Imediatamente Anaha abandou a ilha, deixou-a aos cuidados de um tenente do segundo escalão, e se uniu aos populares em seu lugar.

Depois da vitória, um governo provisório composto de lideres populares tomou os palácios dos antigos governantes, enquanto Arethi não sabia o que fazer primeiro, cuidar de Miguel, ou, se concentrar nessas mudanças politicas daquele mundo. Afinal, a “Economia” das superpotências estava em frangalhos, e em “W” não havia gênios como no mundo “X” para equilibrar as contas com sabedoria. No máximo havia pessoas com QI de 180. Tampouco havia internet ao alcance do povo como em “X”, pois todo o sistema computacional estava sendo utilizado pelas superpotências para o programa espacial e para projetar armas com maior eficiência. E esse mundo era gigante, havia 80 países miseráveis, que mal tinham eletricidade, cada um com problemas diferentes, mas iguais, e 2 países milionários que possuíam ao todo o 80% da riqueza mundial, e eram donos também do conhecimento, da cultura, da tecnologia, quer disser de tudo.

Ludimar, mais prático, decidiu continuar trabalhando numa fábrica, para organizar o primeiro “Sindicato de trabalhadores”. Depois do expediente eles se juntavam a discutir sobre o que inventar, pois metade da massa trabalhadora estava desempregada, sem renda, e ninguém fazia ideia do que fazer, apenas desejavam pedir ao governo provisório por um salario de auxilio, para evitar a fome. Ludimar os ajudava a escrever as cartas com suas necessidades, os dirigia nas palavras, e ensinava coisas básicas, como iniciar a reconstrução limpando ruas, plantando hortas, arborizando com comida, e mostrava que cada fruta possuía pelos menos 5 futuras árvores para alimentá-los, pois cada semente era uma árvore para nascer. Ludimar falava com ênfases que era a hora de sair a trabalhar voluntariamente, mudando esse cenário de destruição e dor, enquanto se pedia ao governo um salario básico para quem estivesse limpando as ruas, ou, fazendo reflorestamento.

Para evitar que a carência de amor desviasse sua concentração, pois seus amigos tinham a inteligência de uma criança, Ludimar voltou para a “Casa do prazer”. Escolheu a mais linda de suas namoradas, deu-lhe um beijo doce e a pediu em casamento. Afinal, ela era uma jovem roubada da família há muito tempo e obrigada a se prostituir sob a pena de morte pelos aliciadores desse mundo. Só lhe pediu uma coisa em troca, o suicídio de amor em mais alguns anos. E ela respondeu-lhe: — eu caso com você, morro com você, e vou segui-lo até o inferno se for necessário. Ludimar riu alto desta vez. Tadinha. Ela não imaginava que o inferno era ali mesmo, naquele mundo imbecil. Depois a levou para a ilha de Ênio, para fazer uma mudança interna com os médicos acampados, para que dali em diante aguentasse fazer amor durante longas horas, com um guerreiro bem treinado.

Depois do casamento, realizado nessa mesma ilha, Ludimar passou a ser chamado de “Ludimar das Fontes”, com o sobrenome dela. Tiveram uma lua de mel maravilhosa, se amando em meio da capoeira, nadando nas correntezas desse rio, comendo em meio do mato melancias deliciosas, e Ludimar estava encantado, pois sua mulher só pensava nele, só desejava ele e era estupidamente escrava de sua beleza. E ele, bem, estava feliz, pois era uma linda mulher, doce, que fazia tudo que ele pedia, sem nunca disser não. Quando viajaram de regresso para a cidade, Ludimar comprou-lhe uma mansão e abriu-lhe uma conta bancaria para que ela tivesse dinheiro suficiente para comprar o que ela desejasse.

Na nave gigante, Arethi foi para o hospital para ver o seu irmão, recém-trazido para tratamento intensivo. Assim que o viu, caiu por cima dele chorando, pois Miguel estava branco, olhando para o “nada” e mudo. Para cúmulo era teimoso, e não acreditaria que os espíritos podem se comunicar com os vivos e fazer amor com eles. E lhe falou entre lágrimas:

— Vamos ao templo a falar com Silvio? Por favor... eu não posso permitir que você morra, pois estamos cheios de trabalho... Todos os viúvos estão junto com Anaha cuidando desses homens de “W” que nem babas...

— Vamos, sim... Ele vai escutar umas boas... Eu falei para ele que esses telescópios eram fracos e que atraiam raios, mas ele não me ouviu. Ele não devia estar convertido em espírito, nem a Helena, nem Natália, nem ninguém...

E a briga dos irmãos dentro do templo foi até com palavrão. O único motivo que obrigou Miguel a desistir do suicídio foi que ele não tinha nenhuma estrela. O único homem premiado por “00” nessa guerra era Ênio. Morrer sem estrelas significava voltar a encarnar em “L” e ser enviado à outra guerra, pior do que essa.

Enquanto atravessavam os corredores, mais um viúvo era retirado do tratamento intensivo. Mitsuo havia perdido a namorada no cerco em redor de “Y”. Miguel lhe deu um abraço, choraram juntos pela viuvez, e Arethi lhes disse:

— Vão os dois para a ilha de Ênio, e fiquem por lá o tempo que quiserem. Ajudem Ênio com ideias, pois o velho é nosso único herói. Nem eu ganhei estrelas ainda...

Depois os viu partir. Perguntou para Diana se podia continuar em seu lugar, e foi para suíte a dormir profundamente. Esses 40 dias de lutas em “W” haviam sido uma prova de fogo, pois ela e Diana mal dormiram. Quando acordou, Silvio estava junto dela, beijando seu cangote, arrasado, pois a briga com Miguel o tinham derrubado. Tudo que Miguel falasse contra ele era verdade. Havia sido ingênuo, confiante demais em sua esperteza e havia esquecido o último conselho de “00”: — nunca subestime a inteligência inferior.

Arethi tentou o consolar:

— Amor, você morreu para nos ajudar desde o lado invisível, não esqueça que foi você que descobriu as bombas atômicas. Já imaginou se estivesse vivo? As teria visto desde aqui?

— Talvez! Mas, uma coisa eu prometo, vou cuidar de você que nem cão de guarda...

— Há, há, há... Morde-me cãozinho... Vai...

Enquanto isso, Ênio fazia uma reunião na ilha com os Chefes nativos, alguns médicos, Miguel, Mitsuo, Anaha, Ludimar e mais uns 50 sargentos, todos os loucos que chegaram nesse canto do mundo balbuciando incoerências, todos os presos políticos torturados, quer disser a turma toda. Ênio era o único com lápis e papel na mão para registrar as ideias, sentado numa mesa junto aos Chefes tribais. Os demais fizeram um circulo sentados no chão. Como era uma reunião importante, os Chefes nativos trajavam suas roupas cerimoniais, cocares de penas doloridas, capas de linhagem por cima dos ombros e sinais no rosto com urucum. E as ideias foram saindo uma a uma, em meio do feitiço dessa ilha que tinha o poder de curar a alma e o corpo.

E no fim do dia já haviam rascunhado o mundo ideal que todos desejavam:

1º Deveria ser proibido a um ser humano ter mais dinheiro daquele que ele conseguiria gastar numa vida de 100 anos.

2º Todos os bancos do mundo, deveriam relatar o nome de seus clientes, e todo sujeito que tivesse mais dinheiro daquilo que ele podia gastar numa vida de 100 anos, doaria o excedente para os cofres públicos.

3º Todos os juros bancários cobrados aos países pobres seriam extintos. Pagar-se-ia só o dinheiro emprestado, em prazos a serem estipulados no futuro.

4º Fim das marcas registradas e Royalties. Todos os inventos dali em diante seria patrimônio da humanidade e qualquer um podia copiar, ou, fazer, sem dar satisfação para ninguém.

Foi a vez das gargalhadas e das piadas, pois a patente da fórmula do “nutriente” havia transformado uma dúzia de amigos em milionários. Era a vez de voltar a ser pobre e a doar muita grana para seus respectivos governos.

5º Fim do uso de energias sujas como carvão, petróleo, e em seu lugar seria utilizado o que os gênios viessem a inventar, como carros movidos com água e similares.

6º Eleições governamentais para gênios. Todos os candidatos deveriam mostrar seu nível de inteligência e seu nível cultural em toda eleição para cargos públicos. Se exigiria um QI mínimo de 120, e ser ao menos um estudante universitário.

7º Educação gratuita para o povo, em todos os níveis, desde escolinhas para guris de 5 anos até doutores de universidades.

E mais, e outras ideias foram sendo registradas em meio da euforia geral.

Depois de rascunhar os sonhos dos revolucionários, Miguel falou-lhes do que eles desejavam fazer na praticidade. Em primeiro lugar, instalariam acampamentos médicos em cada lugar onde houvesse gente moribunda. Falou que todos os 20.000 soldados que havia nesse planeta se encontravam a disposição para ajudá-los dentro das empresas no que desejassem.

Ludimar falou que nas fábricas era necessário dar orientação para os gerentes e diretores, e que dali em diante, os testes de “inteligência superior” deveria ser instaurado em cada empreendimento nesse mundo. A economia não tinha segredos afinal, era só fazer o dinheiro circular de maneira que beneficiasse a todos, apenas isso.

As risadas foram gerais, pois quando se tratava de “dinheiro” os homens desse mundo ficavam abismados. Ninguém nessa ilha acreditava que os alienígenas não eram arquimilionários. Miguel explicava que todos eram ricos, pois não existia o dinheiro entre eles. Mas, as piadas, começaram a alegrar o ambiente, pois os alienígenas eram muito mais ingênuos que qualquer operário desse mundo. Não conheciam a malicia, nem a ganancia, nem a ambição de poder. Quando esses homens souberam que não havia um Comandante, senão que “uma mulher” dirigindo essa guerra, ali se gargalhou até engasgar, pois não havia mulheres em “W” em nenhum cargo de governo e nem sequer dirigindo uma fábrica.

Mas, no fim do dia, 006 carregou com os vídeos de Anaha para instalá-los nos satélites. O mundo todo os viu sérios e compenetrados, falando essas propostas na televisão. Miguel encerrou essa entrevista dizendo: — estamos na ilha, quem quiser alguma coisa de nós, é só escrever para cá. Viemos para ajudar.

Nos dias subsequentes, além de choverem cartas de todos os cantos do planeta sobre eles, essa ilha foi assaltada pela mídia, que chegou com iates de luxo para conhecer tudo que havia nesse recanto paradisíaco. Junto deles chegaram barcos gigantes para evacuar os prisioneiros de guerra, gordos, com pele bronzeada, vivendo em meio da natureza. Esses homens pediram perdão para Ênio e para os Chefes nativos pelo passado e partiram para casa, enquanto a televisão transmitia ao vivo para o mundo ver. Escutaram Anaha, Miguel e Mitsuo, se colocando a disposição para ajudar a humanidade no que fosse, mais uma vez, e em seguida entrevistaram a Ênio, que insistia em disser que ele não desejava ser Presidente de país nenhum.

Depois chegaram outras pessoas em iates muito maiores, em ritmo de festa. Apareceu um dono de uma rede hoteleira querendo construir um Resort, um dono de banco querendo abrir uma filial, e o dono de uma cadeia de supermercados querendo construir um Mall. E não adiantava Ênio nem os Chefes tribais falarem “não”, pois todos os dias alguém chegava a os incomodar.

Notas finais
E a briga dos irmãos dentro do templo foi até com palavrão. O único motivo que obrigou Miguel a desistir do suicídio foi que ele não tinha nenhuma estrela. O único homem premiado por “00” nessa guerra era Ênio. Morrer sem estrelas significava voltar a encarnar em “L” e ser enviado à outra guerra, pior do que essa. Enquanto atravessavam os corredores, mais um viúvo era retirado do tratamento intensivo. Mitsuo havia perdido a namorada no cerco em redor de “Y”. Miguel lhe deu um abraço, choraram juntos pela viuvez, e Arethi lhes disse: — Vão os dois para a ilha de Ênio, e fiquem por lá o tempo que quiserem. Ajudem Ênio com ideias, pois o velho é nosso único herói. Nem eu ganhei estrelas ainda...