Guerreiros intergalácticos
17 Tempos de bonança
Notas iniciais
Arethi chamou para uma reunião de cúpula, para discutir sobre os temos de paz.
E enquanto todos os tenentes e os Espiões chegavam nessa nave em meio do espaço, em “Y”, Viktor Praza, primo de Guilherme, escutava no celular Bernardinho falando aos berros que viesse o socorrer, pois Ricardo Prado estava partindo de viagem e Guilherme estava perdido, e ninguém sabia aonde. O malandro nem respondia celular fazia tempo. Viktor escreveu o endereço dessa empresa, pegou seu carro e correu pelas ruas sorrindo. Afinal, ele era Economista, ganhava pouco como professor e Bernardinho ficara milionário depois que entrara a trabalhar para Guilherme.
Já na empresa de cremes, 002 lhe mostrou as planilhas e as vagas para novos empregados, pois os 60% dos vendedores estavam saindo do ofício, e metade dos esteticistas também. O levou até os laboratórios no subsolo, mostrou-lhe os componentes verdadeiros desse creme, explicando que os porcos eram apenas para fazer cocó entre as plantas e mais nada. Viktor começou a dar risadas gostosas. Esse creme só tinha capim, que crescia no jardim em abundancia, e o creme custava uma fortuna. 002 explicou-lhe que Guilherme não sabia nada disso, ainda, e que Bernardinho ainda estava atónito com as novidades. Eles nunca desceram nesse subsolo, nem viram as planilhas, pois as despesas com banha e compra de animais era falsa.
Enquanto Viktor ria às gargalhadas, 002 falou-lhe:
— Só temos custo com as embalagens. Há um liquido com o numero H53, mas, é uma formula só conhecida pelos químicos. Nem eu sei o que é isso. E não custa nada, pois é retirada de babosa, pinheiros, palmeiras e abacateiros que estão no jardim junto aos melões, alfaces, aboboras, repolho, tomates, e tudo que temos por cima para os porcos se alimentem saudáveis.
Mas Viktor não parava de dar risadas. Como economista sabia que tudo tinha um preço, a mão de obra dos jardineiros em meio dos vergéis, a água que regava esse mato, a energia elétrica que mexia as regadeiras, os insumos para matar pragas, e o quilo de cada folha, de cada fruta, de cada garrafa de armazenamento. Na verdade os alienígenas em matéria de economia eram totalmente ignorantes. 002, que lia sua cabeça com facilidade, riu junto e lhe disse:
— Cara, eu vou ser seu aluno, acredite nisso...
E riram juntos por longo tempo. Viktor perguntou-lhe:
— Cadê o Bernardinho?
— Na fábrica de tecidos. Estão com problemas enormes, pois estão cheios de uniformes para o exercito, e não temos mais milicos. Não sabem o que fazer com essas roupas.
— Cara, vai nessa reunião, que eu cuido de tudo. Disto aqui, e depois vou nessa fábrica para socorrer meu primo. O que faço com teu dinheiro? Coloco na poupança, compro títulos, ou invisto em alguma outra empresa e compro ações?
— Isso! Procura empresas que necessitem de socorro e investe nelas...
— Mas, as ações ficam contigo? Ou, vás dá-la em bandeja para as empresas?
— Hum.... deixa uns 10% para mim, o resto distribui entre os operários... grava bem, entre os operários...
Viktor começou a rir que dava gosto, mais uma vez. Como é que esses homens de outro mundo podiam viver sem dinheiro? 002, que sua mente, respondeu-lhe:
— Isso é bem simples. Estudamos metendo a mão na massa. Se estudas construção, tu tens que edificar uns 50 edifícios, se estudas medicina tens que trabalhar nos hospitais curando doente, se estudas alimentação tens que fazer comida para a cidade toda. Depois que tens teu titulo em mãos, não tens onde trabalhar... quem faz isso são os estudantes...
— Então vocês são exploradores de criancinhas...
— Isso! E não ganhamos nada, cara... que nem agora. Eu só ganhei UMA estrela. É meu pagamento por estar nesta missão... Esta aqui.
002 abriu a camisa e lhe mostrou uma tatuagem dourada, com a figura de um Sol, em meio do peito.
— Esse teu chefe deve ser um explorador...
— Fala baixo, pois é um espirito que tudo vê, tudo escuta, e nós o obedecemos cegamente...
Desta vez Viktor riu até engasgar, pois esses alienígenas eram também uns ingênuos. Imagina um ser humano olhando para um espirito e perguntando para ele o que se deveria fazer. Depois lhe deu um abraço, e o viu partir. Uma luz desceu de uma nave, e 002 subiu para o céu como raio, em décimos de segundos.
Mas, 002 estava muito doente. Assim que ele entrou nessa nave os médicos o rodearam, colocaram uma injeção na garganta e ele desmaiou. Dentro de uma redoma de cristal, ele ficou flutuando, rodeado de luzes coloridas, escutando uma musica clássica, enquanto 50 agulhas eram enterradas na testa. Seu inconsciente começou a vasculhar lembranças até encontrar o estupro na prisão. Essa memoria foi sugada, saiu para sempre de seus miolos e jamais a recordaria em nenhuma reencarnação futura. 002 saiu desse tratamento se sentindo mais leve, e quando viu sua namorada em frente, com braços abertos para ele, correu até ela que nem guri. E gritou-lhe: — Vamos casar, ter uns 50 filhos, e vamos para meu planeta civilizado e maravilhosos depois desta guerra terminar... aceitas?
— Aceito, e o que mais?
— Vamos ser padrinhos de um guri... Vás amar a Alberta, ela é muito engraçada...
No mundo “X”, 004 pediu licença a Arethi para ficar em casa cuidando de Xixim, pois estava com muito enjoo. Arethi pediu que lhe enviasse os gêmeos, pois estava morrendo de saudades. Logicamente que as gêmeas pediram para ir junto, pois estavam com um anel de noivado na mão. Mexendo a cabeça com resignação, 004 pediu para Enzo os levar junto.
Mas, Enzo não sabia mais o que fazer em casa, pois Gabi morria de medo de viajar pelo espaço. E como último recurso falou-lhe:
— Não vou pedir mais nada, mas as crianças vão comigo, e nada de conversa...
— Pirou? Eles são bebezinhos ainda... tem que ficar os 4 comigo.
— Então vou-me embora... chão...
E os soluços dos 5 começou em coro. Gabi berrava, sua filha se abraçou nele, os meninos também, e só teve uma saída, hipnotizá-los a todos. Os fez dormir, deitou-os em colchões, e os fez flutuar como um comboio atrás deles. Encontrou os gêmeos e as gêmeas caminhando em ritmo de festa, se beijando pelo caminho, como quem vai para férias encantadas. Chegando à saída dessa cidade, um a um foram içados pelo raio de luz, e os hipnotizados só acordaram dentro da nave branca, no hangar, sem acreditar que o pai os havia trazido dormindo. Gabi, com todos em redor, mais assustados do que nunca, não sabiam se choravam ou riam. Mas, assim que viram outras crianças correndo e fazendo bagunça, foram se sentindo melhor. Quando encontraram 5 cavalos brancos caminhando pelos corredores, Enzo os sentou por cima, e as risadinhas tímidas apareceram. Gabi só olhava para as lojas, com manequins vestidas de rainhas, e as joias de ouro, diamantes, rubis, prontas para escolher, levar e usar. Depois viu Arethi abraçando os filhos, como qualquer mãe, chorando, secando lágrimas, beijando-os sem parar, e sentiu que era uma tola. Afinal, o que é que Enzo vira nela? Ele respondeu-lhe no ouvido: — o decote... E deu-lhe um beijo, pois afinal, quem chegava de fora fazia a mesma coisa. Havia um ar de festa com o fim dos combates contra todos os inimigos.
Mitsuo entrou pelo corredor da nave branca sozinho, olhando indiferente o pessoal de serviço cuidando de bichos e de plantas e os faxineiros examinando buracos. Desde a morte de sua namorada era um zumbi entre os homens. E, prestou atenção, pois havia uma soldado vestida de laranja, cabelos trançados, piscando em frente a uma rachadura e chamando com berros telepáticos aos engenheiros. Ele chegou junto e olhou o que era tão grave assim, só um buraco de 10 cm.. Ela disse-lhe:
— Tás olhando o quê? Tu é medico...
E foi ali que a reconheceu, ela era Ruth, a mulher mais linda dos filmes pela qual metade da frota se havia apaixonado e estava solteira. Sozinha. Sem namorado nem ninguém. Sorriu com ele mesmo.
Ruth percebeu no ato que esse amarelo estava em busca de uma mamãe para se consolar da solidão. Olhou-o, lindíssimo com esse uniforme dourado, e disse-lhe:
— Olha cá, cara... Eu só vou topar um namoro se for no mínimo de 30 dias. Se for menos do que isso a resposta é não.
— Aceito!
E foi quando finalmente Mitsuo encontrou o amor verdadeiro. Ruth fez questão de dar-lhe massagens nas costas, no pescoço, nas pernas, depois no peito, nos braços, enquanto Mitsuo, de olhos fechados, sentia-se cada vez mais leve e descontraído. Ruth pela sua vez passava as mãos em cada canto, fascinada, pois ele era perfeito. Sua boca era como de mulher, bem torneada, suas sobrancelhas retas inclinadas para cima, e seu nariz levemente curvado. Ele gostava de usar o cabelo amarrado num coque, para cima, embrulhado com uma faixa. Parecia que era uma moda muito antiga do seu mundo. Ela desfez o penteado, e viu que com cabelos soltos era muito mais belo e enigmático. E se curvou para beijá-lo com doçura, estendida sobre seu peito forte de guerreiro de muitas vidas.
Depois de cinco dias Mitsuo estava ressuscitado, consolado, e energizado. Foi a vez de lhe mostrar o que era um macho como ele. Beijou-a com ternura, falou-lhe palavras sinceras sobre o quanto estava encantado com esse encontro, e se amaram até dormir extenuados. Dias seguintes, a boca de Ruth nunca beijara tanto, nunca tivera um namorado com tanta ânsia, e o que era ainda pior, ela estava enfeitiçada. E, como num sonho, o escutou falar entre seus devaneios:
— Vamos casar? Imediatamente? Pela eternidade?
— Mas, para que casar? Qual é a pressa? A gente nem é amigo... nem se conhece...
— Então me conheça.
E continuaram abraçados, entre beijos ardentes, até uma dia sentir os berros telepáticos de Arethi reclamando que estava ali para trabalhar. Mitsuo desmaiou sua amante maravilhosa com um dedo na testa, hipnotizada, e deixou-a trancada nessa suíte. Ruth não sairia dali até o dia que ela fosse direto para o templo a casar com ele. Estava decidido. Havia encontrado o amor de todas suas vidas, a atual e as que teriam que viver pela eternidade.
Na suíte dos casados, Miguel dormiu esgotado, pois esses últimos dias em “Y” haviam sido estafantes. Quando abiu os olhos, elevou as onda telepáticas na onda 50, e perguntou: — cadê você, meu amor?
E um espirito se fez presente, acariciando-o, beijando-o todo, chorando, pois Miguel sentia gotas de lágrimas invisíveis caindo no seu peito. E escutou-a falando: — porque demorou tanto para me chamar?
— Mas, porque é que você não veio?
— Porque são os vivos que chamam os mortos. É assim que funciona a conexão.
Enquanto falavam com o pensamento, Natália se estendia ao seu lado, colava seu corpo, acariciava sua cabeça puxando-lhe o cabelo, beijava-o na boca e Miguel se deixou consolar. Era um namoro diferente. O corpo de Natália era macio, suave, sentia-a como se estivesse viva, e não havia cansaço desta vez porque ele ficou quietinho, desfrutando de cada minuto desse chamego sem fim.
Na sala de reuniões, Arethi abraçou emocionada Maristela, Anaha, Belizário e Isaias, os parabenizando pelas estrelas merecidas, que brilhavam através do uniforme. A esposa de 002 chegou junto, abraçada nele, ambos muito felizes, em plena lua de mel, pois “00” já os havia unido pela eternidade. Gabi estava de acompanhadora, o marido de Anaha, também. E, olharam para os viúvos e solteiros com pena, pois essa guerra havia separado muita gente. Maristela era solteira, pois havia tempo que não se apaixonava por ninguém. Já 006, ao seu lado, estava com complexo de “galhudo”, pois sua namorada casara com outro nos tempos que ele se perdeu colocando filmes nas antenas espaciais. Diana e Aruma, tomados das mãos, sentaram ao lado de Arethi, felizes, depois do susto acontecido.
E Arethi foi direta nas perguntas:
— E dai, quantos anos, ainda, necessitamos viver?
Enzo falou:
— No mundo de “X” ninguém mais necessita de nós. Esse planeta está fazendo tudo sozinho. Nosso tempo de babá com eles terminou. Mas, os filhos nascidos durante este tempo todo, que estão trabalhando nas universidades, vão querer ficar lá para sempre... pelo menos a maioria...
Miguel falou em seguida:
— Em “W” necessitaríamos ficar no mínimo uns dez anos, conforme o calendário deles. Esses homens são como crianças. A inteligência mais alta não chega a 200. Podemos lhes ensinar muita coisa antes da partida.
Arethi falou:
— Nesse tempo, que é metade do nosso, alguns de nossos filhos podem morrer conosco, se eles quiserem.
Enzo alegou imediatamente:
— Mas, temos o caso da China, ela não vai querer deixar Olaf sozinho, e Olaf tem muito que fazer em “X”. Não podemos lhe pedir que se suicide. E eu, bem quero conhecer meus netos...
Arethi riu na hora. E falou:
— Temos a “Guerra dos iguanas” em frente, e Silvio me contou que muitos de nós vamos para lá. “00” acha que ela vai ser tão terrível, que vai escolher os melhores dos melhores. Então Enzo, me dá uma data menor. Quantos anos para a China e tu ficarem por aqui mesmo?
— Uns 90 anos de acordo ao calendário de “X”. O que acha meu bem?
— Acho bom...
Arethi encerrou:
— Então, quem quiser ficar para trás, principalmente as crianças crescidas, ficam com Enzo. Mas partimos oficialmente em 10 anos, de acordo ao calendário de “W”; o que faremos nesse tempo todo?
Enzo falou novamente:
— Em “X” poderíamos os incentivar a dar fim ao dinheiro. Em mais uns 500 dias, segundo meus cálculos, ele vai estar demais, pois os Reis estão nivelando os salários. Professor e médico já estão empatados, ganhando a mesma coisa. Quando todos ganharem igual, o dinheiro só vai incomodar.
Em seguida falou Miguel:
— Em “W” só vamos conseguir ensinar a fraternidade. A promiscuidade vai longe e sem tempo para terminar. E tem mais, temos que inventar o petróleo sintético. Estão usando álcool, mas, se nossos gênios utilizarem o lixo desse mundo para gerar energia, aconteceria duas coisas, terminaríamos com a sujeira, pois há muita porcaria no chão, e os carros teriam uma nova energia mais barata.
Alessandro falou sobre “Y”:
— Esse povo é mais inteligente que “W”. Então só temos um problema, a grande desigualdade social, pois eles têm arquimilionários, milionários, ricos, classes B, C e D, que são os mais pobres, e os escravos que são o patamar mais baixo. E ninguém quer mudar esse cenário nefasto. Só vamos conseguir o fim das armas, da opressão, das torturas, mas igualdade social nem pensar. Não vejo mais nada nesse mundo que possa ser mudado.
002 falou imediatamente:
— Bem eu que os conheço muito de perto, posso disser que essa gente rica e milionária é generosa. Meus sócios são gente que podemos convencê-los a serem filantropos. Eu vou doar minha grana para operários. Poderíamos começar por ali, incentivá-los para que os operários ganhem mais e os empresários ganhem menos. Mas, não pode ser a força, vamos ter que ser eficientes nos discursos, pois nenhum rico vai abrir a mão tão fácil.
Miguel falou:
— Em “W” isso já está funcionando. Colocaram um patamar para os milionários de cinco milhões de “pents”, que é a moeda deles. Quem ultrapassa essa quantia, seja por bons negócios, ou mercado de ações, a grana dele é confiscada para os cofres públicos. Mas, eles são mais fáceis de convencer. Agora, depois de milênios de ditadura militar em “Y”, eu diria que esse povo esta moldado para obedecer. Não seria estranho que os escravos achem que a vida deles é boa.
Aruma falou em seguida:
— Isso é verdade. Nenhum favelado odeia os ricos. Se eles têm alimento na mesa, são felizes. E se esses ricos lhes dão uma comida de graça, como acontece na fábrica de Guilherme, eles o adoram. O veneram. São agradecidos e amam o patrão.
Arethi encerrou:
— Acho que isso está fora de nosso trabalho. Apenas vamos incentivar a filantropia voluntária em “Y”, dando o exemplo de como 002 fez. Só. Alias, acho que no futuro, se mudarmos “X” para uma sociedade superior, eliminando o dinheiro, eles vão ser os mestres do futuro para esses 2 mundos. O que pensam sobre isso?
Miguel falou:
— Em “W” com certeza. Amaram os filmes de “X”, e desejam os conhecer, fazer intercambio cultural, aprender as ciências mais avançadas na medicina e na construção. Acho que vai dar certo. Os três mundos vão influenciar um ao outro, e quem sabe um dia sejam um mesmo povo.
A seguir Arethi pediu a cada um que falasse das suas experiências, e também, perguntou onde desejavam continuar a viver, pois a nave branca ia ficar apenas com os robôs dali em diante e alguns viúvos cuidando da faxina. Aruma falou na hora:
— Diana e eu vamos para “W”. Acredito que o clima dessa ilha vai terminar de recuperar minha saúde. Depois quero ir para “Y” aprender futebol. É um jogo empolgante, eu vi na televisão e o povo ama, pois em cada bairro, por mais humilde que seja tem os guris jogando uma pelada. É lindo. Palavra.
Alessandro falou na hora:
— Ficamos em “Y” com a Zesé. Diverti-me muito, até engordei uns quilos de tanta cerveja no fim do dia. E temos o casamento de 002 na moda desse mundo, né amigão?
002 acrescentou:
— E o batizado do filho de Guilherme. Vamos ter festas e festas. Não esqueçam que lá eu sou milionário... quem desejar que eu pague um hotel, ou que compre uma casa, pode contar comigo...
E as gargalhadas se alastraram por longo tempo. De todos, apenas Maristela não sabia para onde ir. 002 lhe disse:
— Olha, eu tenho uma mansão com 10 dormitórios vagos. Vai para lá. Vai às nossas festas. Aliás, vai ter muito macho se derretendo por ti depois de mostrar tua cara sem pelos, com esses olhos verdes e os cabelos dourados.
As risadas foram fortes, pois havia 30.000 soldados mostrando o rosto em “Y” e uns 30 milhões de gente querendo casar com os solteiros. 006 perguntou:
— Posso ir para essa mansão também? Eu vivi mais tempo voando no espaço do que em meio de gente. Eu só desci a resgatar presos depois de tu foste levado pelos milicos. Nossa! Conta dos ratos, Maristela. Vai, eles não imaginam o que passaste nesses tuneis de resgate. E a troca de coisas jocosas foi até o fim daquele dia.
Arethi encerrou essa reunião perguntando:
— E eu? Quero fazer um roteiro, mas por onde começo?
Enzo lhe disse:
— Bem, Xixim tem a quarta parte do castelo só para você. Tá bom assim?
Arethi sorriu feliz. Os tempos da descontração geral finalmente haviam retornado para a vida de todos eles.
Mitsuo acordou sua amante maravilhosa falando-lhe ao ouvido:
— Só vamos sair daqui, depois de casados...
— E, para que sair? Isto aqui está tão bom...
— Porque todo mundo está indo. Só vai ter viúvos limpando o corredor junto aos robôs que cuidam da bicharada.
— E os robôs sabem cozinhar, lavar a roupas, amor, podemos ir para horta e deitar lá para fazer amor...
— Gostei... mas vamos casar, vamos ter a lua de mel na horta entre o matagal, vamos ver filmes no cinema, vamos até correr a cavalo...
— Vamos...
E rindo as gargalhadas, Mitsuo falou para Arethi com telepatia: — vou ficar por aqui mesmo... se queres alguma coisa, já sabes, estamos aqui.... Depois abriu a porta para que entrasse um carrinho com um banquete, empurrado por um robô sorridente. Comeram nessa cama, e na parede colocaram um filme de outro mundo, ele se chamava: “De amor e de sangue”. A história de soldados condenados ao inferno. Ou seja, desterrados para um planeta inferior.
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