Notas iniciais
Aruma fez uma festa de despedida na cima do morro. Pagou a maior comilança de carne artificial para os amigos, e uma banda tocou músicas noite adentro. Diana mexia os quadris com as amigas, já Aruma cantava abraçado aos amigos, um pouco bêbado, e Aruma Júnior com Maria nunca se divertiram tanto. Partiram ao amanhecer, nariz inchado de tanta lágrima derramada. Mas, a festa mais linda foi realizada por Guilherme na sua mansão, com todos seus amigos ricaços. Arethi, Miguel, Zese, Alessandro, Ruth, Mitsuo, Diana e Aruma, que foram inseparáveis desde que chegaram nesse planeta, foram festejados com champanha, com brindes regados a lágrimas, pois todos estavam agradecidos.

Quando a nave branca parou por sobre os desertos de “Y” para carregar com a frota, os festejos de despedida dos guerreiros começou nos 4 cantos do planeta.

002 deu umas 5 festanças, pois uma delas foi para dizer adeus Arethi, com políticos importantes e alguns mandatários de vários países como convidados. Já outras foram para disser adeus a Bernardinho e Vitor, que partiam com suas esposas Evita e Mirim junto com os guerreiros. Depois fez um festão para todos os empregados, das 3 empresas, e a lista não tinha fim. E em todos esses encontros Guilherme e Alberta choravam que nem bebês, pois amavam esses alienígenas que trabalharam para eles em troca de um salario mixo. E sofriam mais do que nada por causa de Bernardinho e Vitor, que partiam deixando as empresas famosas e bem sucedidas. Somente 002 ficou para trás com sua esposa e seu filho, acompanhando Guilherme em tudo, e porque não havia presa em morrer, afinal, ele viajaria para “E de ALPHA” assim que conseguisse encontrar um sócio inteligente para deixa-lo no seu lugar.

Aruma fez uma festa de despedida na cima do morro. Pagou a maior comilança de carne artificial para os amigos, e uma banda tocou músicas noite adentro. Diana mexia os quadris com as amigas, já Aruma cantava abraçado aos amigos, um pouco bêbado, e Aruma Júnior com Maria nunca se divertiram tanto. Partiram ao amanhecer, nariz inchado de tanta lágrima derramada.

Mas, a festa mais linda foi realizada por Guilherme na sua mansão, com todos seus amigos ricaços. Arethi, Miguel, Zese, Alessandro, Ruth, Mitsuo, Diana e Aruma, que foram inseparáveis desde que chegaram nesse planeta, foram festejados com champanha, com brindes regados a lágrimas, pois todos estavam agradecidos. O mundo era outro, graça aos guerreiros que chegaram a livrá-los do jugo militar em troca de nada. Apenas amor, gratidão e as lembranças gravadas na mente desses dias compartilhados. Arethi chorou abraçada a Diana e Ruth, pois Alberta era como uma irmã amada na altura dos acontecimentos. Com certeza se veriam de novo, numa outra encarnação.

E ao alvorecer, elas se foram, abraçadas aos maridos.

Quem partia era sugado pela luz branca, e entrava nos corredores em busca de uma suíte, desta vez sem bicho nenhum, pois nas naves sobraram apenas os mosquitinhos e seus parentes. No dia em que em “Y” não havia mais nenhum guerreiro em terra, a nave voou para “W”, e parou por cima da ilha de Ênio. Aruma invitou Ênio para subir a conhecer a nave por dentro. Emocionado, ele olhou para as paredes pintadas com quadros gigantes, belíssimos, para as plantas e flores que havia em todo lugar, e subiu ao telescópio para ver as estrelas. Enquanto isso a nave girava de cidade em cidade subindo todo mundo.

Antes das portas fecharem para viajar até “X”, Ênio foi descido na sua casa, e ele ficou olhando para o céu enquanto ela desaparecia lentamente no ar. Só então sentou no chão com a cabeça entre as mãos e chorou como um garoto. Teve vontades de chamar Miguel para ir junto com eles. Sorriu. Viu a nave dourada, que Miguel lhe deixara como herança, subiu nela, e invitou os Chefes tribais a dar um giro pelo mundo.

Arethi e toda a cúpula desceu no planeta “X” para receber as homenagens dos Reis desse mundo, que lotaram um palácio com invitados, orquestra com músicas para dançar, comidas deliciosas, em meio da felicidade dos Reis, pois nessa altura o dinheiro era coisa do passado e todos os homens eram iguais.

Desde o dia que o dinheiro fora queimado, uma sensação estranha inundou o povo por algum tempo. Nessa altura dos acontecimentos, cada pessoa tinha em seu computador a quantidade de horas de trabalho que deveria fazer para a comunidade, durante 30 dias, mas sem horário estabelecido. Ele mesmo informava se iria trabalhar de tarde, ou, durante as manhãs, e por quantas horas, e registrava no computador. Seus horários eram conhecidos pelo mundo todo em décimos de segundos, e se havia empates, o computador pedia mudar o turno, para que as empresas não tivessem aglomerações em nenhum período. Já os autônomos, escolhiam dias intercalados, para começar uma nova era de mais amor e descanso dentro de casa. No comercio acontecia o mesmo, pois se cumpriria as horas prometidas dias sim e dias não, para desfrutar do lazer, dos encontros com amigos para um carteado, ou, para iniciar uma nova profissão nas Universidades.

A única coisa que não mudara foi à educação. Os horários de estudos eram confeccionados pelos professores, e a gurizada tinha a obrigação de estudar, fazer as provas, pesquisar, pois a mordomia chegaria depois dos 40 anos, quando se começaria a trabalhar menos. Também entrou em vigor o “estagio” como algo obrigatório, durante os últimos anos de estudos. Dessa maneira as fábricas lotaram de gente nova, tirando horas obrigatórias para os homens com mais de 40 anos.

Nos 5 castelos, em lugar de serviçais havia robôs servindo os banquetes e limpando o chão. Mas, muitos homens que sempre foram faxineiros, limpadores de ruas, jardineiros de calçadas, continuaram na profissão, apenas em horários menores, ou, dias intercalados com os colegas, pois a robótica pouco a pouco começaria a aliviar as pessoas do serviço que era mais pesado. Mas, a maior mudança foi nas lojas de roupas e calçados. Podia-se escolher o que se quisesse para levar, mas, se tinha que deixar em troca, nas vitrines de exposição da loja, algo trazido de casa, bonito, em bom estado, limpo e bem passado.

Arethi esvaziou as naves antes de partir. Como as lojas estavam vazias de roupas, e os depósitos dos mecânicos também estavam sem nenhuma peça, os Reis receberam de Arethi as últimas naves de carga como presente, os vasos com flores, as esculturas decorativas. Era um tesouro incalculável, que um dia do futuro serviria de troca com os outros mundos. Poder-se-ia disser que a nave regressava com as plantas da horta, os insetos polinizadores e os homens. Só.

E muitas festas aconteceram, pois esse planeta estava cheio de professores nas universidades que tinham ensinado a medicina paranormal, a construção paranormal, e os alunos os festejaram entre lágrimas com inúmeros banquetes. Quem ficou para trás foram 004 com Xixim, Enzo com a esposa Gabi e seus 4 filhos, a China com marido Olaf, além dos gêmeos com Lígia e Marisa, e uns 15.000 filhos de guerreiros. O resto que partia, virou a última noite em meio dos amigos mais achegados, fazendo brinde com cervejas até o raiar do dia.

Arethi tentou não chorar quando abraçou seus filhos antes de partir. Ela sentia uma faca cravada no peito, mas foi firme, e lhes disse que em pouco tempo estariam com Silvio nascendo onde moravam os anjos. Mas, Adão e Moises choraram que nem bebezinhos, ao lado de Lígia e Marisa que completavam o coro. Arethi não estava indo a passeio, ou de férias, ela estava a poucos dias de morrer e dali em diante só a veriam no espelho falante.

Uma vez na nave, Arethi correu em busca de sua suíte, e chamou Silvio aos berros para vir a consolá-la. Ele chegou imediatamente, abraçando-a docemente, beijando-a com doçura, tentando-a acalmar, pois afinal, ela era a Comandante. Antes de partir tinha que revisar os pilotos, o pessoal que se revessariam limpando corredores, quem iria prestar atenção aos cultivos, pois os robôs só cuidariam de novo da cozinha e lavanderia. E, mais calma, reuniu seus tenentes de cúpula, todos de olhos inchados e azoando o nariz, e planejou essa viagem de regresso nos mínimos detalhes. A única coisa que a pegou desprevenida foi uma noticia dada por Isaias:

— Tem algo acontecendo, Arethi. Belizário subiu chorando, e não está nesta reunião, pois fechou as ondas telepáticas. E não é o único, não...

Anaha complementou:

— Parece que a despedida deles foi ruim... mas, algo assim como com o coração partido...

Arethi completou:

— Mas, eu também estou arrasada... será que é por causa dos filhos que ficaram para trás? Mas, Belizário nem tem filhos...

Fábio falou:

— Se eu não me engano, devem ser divorciados...

E todos em coro perguntaram: — mas, o que é isso? E ele respondeu rindo, afinal sua convivência com alunos haviam-lhe ensinado muita coisa desconhecida por todos.

E Fabio falou a todos com calma:

— Raciocinem comigo. Eu sou casado, compro para minha mulher uma mansão, roupas lindas, coloco dinheiro no banco, faço-a feliz com fidelidade e muito amor, e ela me manda morrer sozinho. E ela fica com tudo. Isso se chama “divorcio”. Divisão de bens, divisão de tudo. No nosso caso ficamos com nada, pois nunca tivemos nada. E elas, ou eles, já sabiam disso quando casaram com os nossos solteiros.

Um silêncio tomou conta de todos. O que se poderia fazer? Aruma deu um palpite:

— Vamos dar-lhes um susto. Arethi lhes dá uma bronca feia. Pronto. Vamos os obrigar a dar a volta por cima.

Todos riram pensando que era piada, mas Arethi entendeu o recado e encerrou:

— Vou, sim, mais não agora... coitados, deve ser a pior coisa de todas. Amar e não ser correspondido. Deve ser terrível... mas, o castigo desses divorciados que ficaram com tudo, vai ser a saudade... nunca mais vão ser amados de verdade...

Mitsuo encerrou:

— O que essas pessoas não sabem, é que ser amado com paixão é “outra coisa”. Você só descobre a felicidade plena quando encontra esse “outro” que é louco por você. Eu soube disso depois do primeiro beijo na Ruth. É como flutuar. É diferente. Ser amado de verdade é encontrar o cofre com as mais profundas emoções, e é por causa disso que é eterno. Nossos solteiros não foram amados. Ainda não encontraram o cofre. Só na próxima reencarnação... tadinhos...

Fábio encerrou:

— Bem, eu sou amado até após a morte... nossa... isso ali é verdade...

Depois olharam para Arethi, a mulher de um homem só, desde que era guria, e que era amada em noites escuras, e ela começou a rir. E prometeu sair da suíte mais seguido.

Já voando no espaço na velocidade invisível, os homens de “W” e de “Y” que partiram com seus amados, ou, suas amadas, como Bernardinho e Vkitor, eram alvos de piada todos os dias. A ideia do suicídio os assustava, e ficavam brancos cada vez que um gozador lhes falava: — amanhã é o dia, te preparara... cataplum!... Já outros lhes diziam muito seriamente que iam entrar nas entranhas de uma estrela a morrer de dores terríveis. Mas os mais sinistros contavam que haviam guardado 5 bombas atômicas de “Y” e que explodiriam a qualquer momento. As piadas foram tantas, que eles terminaram com o medo da morte, e inventavam piadas sobre guerreiros que contavam em meio dos novos amigos. Evita e Mirim estavam sempre abraçadas a Bernardinho e Viktor, intercalando beijos, pois os guerreiros faziam isso com a maior naturalidade. Depois iam para a danceteria, para ver esses solteiros namoradores tentando conquistar alguém. Viktor perguntava onde estavam os casados, e os solteiros respondiam: — no rala e rola, cara... e as risadas eram contundentes. Com o tempo entenderam que um guerreiro casado fazia amor durante 60 dias trancados na suíte, sem morrer por causa disso. E Bernardinho perguntava para Evita: — afinal, o que viu em mim? E ela respondia: — cara de tarado... e em seguida ela ria até engasgar.

Mas, de todos os guerreiros os mais felizes eram os viúvos. Miguel falava para Natália que depois da morte ia convertê-la em vassoura, montá-la-ia por cima e cruzaria a imensidão com ela durante milênios. Fábio aparecia o mínimo, só o suficiente para não morrer de inanição. Helena o acariciava, beijava, até ele dormir e acordar novamente com a felicidade desse amor total. Depois lembrava que durante a morte, ele não necessitaria mais comer, beber água, caminhar, tomar banho, fazer cocó, e o caminho até “A de ALPHA” seria longo. Abraçaria sua amada com firmeza e viajaria junto dela beijando-a, sem fazer nada além de ser feliz.

Mas Arethi marcou um horário com seu fantasma. Diariamente ela percorria a sala de pilotagem para ver o rumo das naves, calcular o tempo até a chegada em “DELTA”, pois a explosão seria na altura de “O”. Desde esse ponto todos eles se dividiriam conforme as estrelas que cada um carregava no peito. Os com mais de 15 estrelas iriam para “A de ALPHA”, e os com menos para “L de ALPHA”.

Mas, os melhores momentos dela era quando ia para o “Espelho falante”. Primeiro olhava para Silvio, sorrindo para ela, encostando o corpo nesse espelho, como querendo atravessar para o lado dos vivos, e depois apareciam seus filhos. Eles acenavam, abraçados nas esposas, lhe enviavam beijos, e choravam. Esses guris nunca falavam nada além de que estavam com saudades.

Dos casados, Zezé e Alessandro apareciam pouco. Bebiam água, engoliam vitaminas em capsulas, e saiam para mexer as pernas, fazer alguns exercícios nos ginásios, para não perder a musculatura. De vez em quando se juntavam com Diana e Aruma, ou, Ruth e Mitsuo, Isaias e Vânia, e compartilhavam lembranças desses anos vividos. Todos concordavam que a vida em “Y” havia sido ótima. Arethi também se unia a eles e trocavam risadas lembrando-se dos dias de festas, do futebol de Aruma, da Ruth derretendo corações na passarela, e das riquezas que deixaram nesse mundo. Aruma deixara sua limusine nas favelas, Ruth dera seu guarda-roupas para as amigas de Alberta, Mitsuo dera o dinheiro para um hospital, e Diana deixara tudo com uma escola de beleza. Isaias e Vania, que nunca ganharam nada, riam as gargalhadas, pois eles viviam na ilha de Ênio em “W”, e às custas de 002 em “Y”. Já Alessandro e Zesé tinham um ordenado fixo, pago por 002, logicamente.

Depois de 30 dias dessa viagem, os divorciados receberam uma bronca da Comandante. Ou eles saíam das suítes a comer e dançar com os solteiros, ou ela os engaiolava numa cela metálica como primitivos. Eram guerreiros e o tempo das lamúrias estava terminado.

Ludimar começou a rir com ele mesmo. Arethi estava furiosa e com toda razão. Chorar por uma mulherzinha covarde não combinava com ele, um antigo agitador de trabalhares, organizador de uma revolução, operário dedicado, estava na hora de terminar com o drama de sua vida. Tomou um banho de espuma, vestiu o casaco esportivo e saiu da suíte correndo pelos corredores. Já no ginásio começou a dar socos num saco de areia, como querendo arrebentá-lo. Quando Belizário apareceu no ginásio, ele o convidou a um desafio. Ambos foram até a sala de competições e começaram a se dar socos e patadas entre eles, como faziam antigamente. Pouco a pouco divorciadas de olhos inchados começaram a lotar as arquibancadas para olhá-los, iniciando as primeiras conversas, pois todas estavam com vergonha de serem as primeiras divorciadas do sistema “ALPHA”. Isso era algo inédito.

Com passar dos dias eles foram se reunindo na danceteria para beber. Ludimar ficava tonto de tanta cerveja, e saia cambaleando pelos corredores a caminho da suíte. Já lá dentro se lembrava de sua mulher, e enterrava a cara na cama chorando de novo. A rejeição havia deixado os homens impotentes a as mulheres frígidas. Os médicos não tinham cura para isso, só com analise minguariam o sofrimento. Algo que nenhum divorciado desejava fazer.

Mas, nas danceterias os namoros rolavam todos os dias, eram guerreiros velhos como Belizário, lado a lado de guerreiros jovens como Aruma Júnior. As antigas crianças eram agora adultos, muitos casados, e os solteiros olhavam para as velhas guerreiras com admiração, pois com a maturidade a sensualidade as envolvia como uma nuvem afrodisíaca. E as divorciadas eram belezas pedindo colo. Já os homens divorciados olhavam para antigas namoradas com vergonha. Haviam desprezado mulheres valentes e inteligentes e casado com mulher burra e covarde. Era insólito. Estúpido. Algo que não tinha perdão.

Ludimar, em meio de sua bebedeira levantou o rosto e vasculhou em busca de um conforto. Havia duas gatas que ainda suspiravam por ele, uma morena de cabelos lisos, corte Chanel, e uma negra cor da noite, que chorava de paixão por ele nos dias dos filmes. Levantou-se e caminhou até esse corpo escultural cor de ébano, e a invitou a dançar. Logo enterrou o rosto no seu pescoço como um bebezinho muito sofrido. A seguir procurou pela boca, tentando esquecer que era um pobre coitado com dor de cotovelo. Logo, logo, esse beijo acordou sua libido como bala de canhão. Estava excitado e estupidamente quente. A beleza escura foi levando-o para o fim desse recinto e ela se encostou contra a parede. Puxou sua camisa, e beijou-o com doçura. Ludimar sentiu que um peso saia de seu corpo. A dor no peito começou a desaparecer, e logo, logo, se sentia flutuar no ar, pois essa mulher era estupidamente apaixonada por ele. E de muitos anos. Olhou-a aos olhos, e seu rosto ficou úmido com lágrimas que escorriam sozinhas, sem controle. Dançaram mais uma vez, sempre aos beijos, num abraço colado, e finalmente Ludimar a carregou no colo e levou-a para sua suíte. Deitaram nessa cama, para um amor de muitos dias.

Felícia, que amara esse homem estupidamente, havia consultado em tempos antigos para “00” se tinha esperanças para esse amor, ou, se era melhor fazer hipnoses para esquecer. E “00” havia lhe dito: — dê tempo ao tempo, pois tanto você quanto ele, tem que me dar testemunho desse amor. E agora ela entendia que esperar havia valido a pena. Ela nunca desfrutara do amor por tanto tempo com ninguém. Além do que, era o homem mais belo da frota.

Dali em diante Ludimar e Felícia dormiam pouco, tomavam banhos bebendo vinho em taças de cristal e saiam da água para fazer duas coisas, se amar e comer. Ludimar estava decidido a namorá-la até o dia da morte, sem parar. Morte? Ludimar recebeu um aviso terrível. Era casado só no papel, por tanto era solteiro, pois o único casamento verdadeiro e para a eternidade era em frente a “00”. E se morriam solteiros, Ludimar ia para “L de ALPHA” e Felícia para “A de ALPHA”, conforme as estrelas que tinham no peito. E se casavam, os dois iam para “A”, pois o marido seguia a esposa, que fora promovida mais alto. Examinou a mente de Felícia, e só viu idolatria gigantesca por ele. Jamais ninguém o amaria dessa maneira. E enterrou o rosto no pescoço dela, chorando, e perguntou-lhe:

— Casaria comigo?

— Casaria... mas “00” vai nos fazer nascer com amnesia... está pronto para isso?

— Amnesia? Eu vou me lembrar de você, assim que veja esta bunda gostosa...

— Bandido! É isso que eu sou para você? Uma bunda gostosa?

— É, sim! E eu, o que sou para você?

— O homem mais lindo do universo...

E gargalharam com gosto, pois a encarnação do futuro seria com certeza uma vida maravilhosa, sem guerras, apenas beijos e amor pela eternidade.

E foi assim que transcorreram os últimos dias vividos pela frota de guerreiros.

Alguns romances terminaram em casamento como o de Felícia e Ludimar, mas a grande maioria dos solteiros acreditava que o amor verdadeiro só apareceria na próxima reencarnação. Aruma Júnior foi um deles. Um dia falou para sua namorada: — vamos deixar que “00” decida nosso destino. Se nosso amor é verdadeiro ele vai enviá-la a nascer onde quer que eu vã, afinal, eu irei onde meus pais forem. E Maria achou ótimo.

Quando as naves chegaram ao ponto de explosão, ela parou em meio da imensidão. Todas as hortas foram descoladas, e os todos os robôs tomaram conta delas, pilotando rumo a Galáxia mais próxima. No primeiro planeta silvícola elas desceriam como bolhas de sabão, aonde os robôs desintegrariam as cúpulas de vidro, e cuidariam dos vergéis até o dia que eles ficarem velhos e obsoletos.

Todos os espíritos como Silvio saíram dessa nave para presenciar o fenômeno da morte desde longe, e não machucar o seu espirito. Já os viúvos vivos e os solteiros solitários, tiveram que se congelar para esperar a morte. Os casais, tanto de casados como de namorados, tiveram que fazer o “namoro mortal”. Diana e Aruma que morreriam de amor pela segunda vez se trancaram na suíte sem medo. Só havia que parar de se alimentar. Podiam beber água, e mais nada. A morte chegaria com um orgasmo, que era tão profundo, que matava.

Bernardinho, que não sabia que estava morrendo, tomava água, e era namorava sua mulher que enlouquecera, pois ela só queria namorar e mais nada. Pouco a pouco ele não sentia mais vontades de beber, não tinha mais fome, e uma febre tomou conta dele que o faziam querer só isso, amor e mais amor. Quando a explosão aconteceu, eles passaram para a morte sem perceber. Apenas estavam no ar, agarrados, mas vestidos, pois ele estava de pijama e Evita de camisola de dormir.

O encontro dos viúvos foi o mais lindo de se ver, pois eles se abraçavam, choravam e se beijavam, felizes pelo reencontro. Silvio pegou Arethi no colo e começou a rodopiar que nem guri. Logo chegava Helena e Natália a se agarrar aos maridos felizes, rindo, enquanto os homens choravam abraçados nelas. Famílias começavam a se reunir para viajarem juntas, pais com seus filhos, irmãos, ou, amigos que iam para os mesmos planetas. Afinal eram muitas almas que se dividiriam em mundos diferentes. Os que voltavam para “L de ALPHA”, não sabiam se era porque haviam rodado como guerreiros, ou, se eram tão bons que “00” necessitava mais uma vez deles.

Os que viajariam para “A de ALPHA”, o mundo dos anjos, começaram a se juntar como quem vai para o paraíso celestial. Os irmãos Silvio, Alessandro e Miguel, os espíritos que possuíam mais estrelas, se abraçavam pensando nesse futuro maravilhoso. Diana, Aruma Júnior e Aruma junto a Fábio e Helena se uniam em pouco tempo, com Mitsuo e Ruth. Também Belizário, sozinho, Isaias e Vânia, Anaha e seu marido, e mais uns 8.000 escolhidos para serem futuros anjos.

Mas, umas vozes estranhas, aleias aos guerreiros, começaram a chamar por Diana e Arethi aos berros. Eles as buscavam entre a multidão como quem busca uma agulha no palheiro. Eram 5 homens cheios de luz, alguns loiros, outros morenos, acompanhados de 5 mulheres deslumbrantes, uma delas cabelos vermelhos como fogo, as demais cabelos castanhos luminosos. Aruma foi o primeiro a vê-los e perguntou para Silvio: — quem são eles? E Silvio, mexendo a cabeça com resignação, lhe disse: — nossos cunhados, o maior bando de piratas de todos os sistemas.

Pouco a pouco, o grupo de espíritos brilhantes, os alcançou correndo e os cercaram a todos. Um deles gritou:

— Diana! Arethi! Minhas irmãzinhas queridas, você são todo meu orgulho...

E, ambas, de memória recobrada do passado longínquo, gritaram em coro:

— Amon-rá! Seu bandido! Como é que enviaste essas naves cheias de cocó?

Enquanto os irmãos se abraçavam, choravam, pois Diana e Arethi nunca souberam que tinham os mesmos irmãos, pois haviam vivido uma guerra lado a lado sem nunca descobrir que eram filhas dos mesmos pais. E só agora se lembravam do passado, quando morreram juntas para dirigir esses guerreiros. Arethi tentava reconhecer a todos, seu irmão Amon-rá que fora rei do Egito, os gêmeos Jesus e Paulo que lutaram contra o império romano, seu irmão Peter que fora diretor da escola de Agarta e sua irmã Inês casada com um príncipe indiano. E todos eles, eram filhos de Adão, o herói do filme que ela vira antes de viajar, e um futuro Comandante de guerra.

E enquanto Diana e Arethi reconheciam sua família, chorando em coro, arrasados pela emoção do reencontro, Amon-rá falava com Aruma e Silvio dos motivos pelos quais os irmãos estavam ali para ver as irmãs.

E a discussão entre irmãos e cunhados começou a ficar cada vez mais feia...

Mas, este é o começo de uma “outra” história...

FIM

Notas finais
Ludimar começou a rir com ele mesmo. Arethi estava furiosa e com toda razão. Chorar por uma mulherzinha covarde não combinava com ele, um antigo agitador de trabalhares, organizador de uma revolução, operário dedicado, estava na hora de terminar com o drama de sua vida. Tomou um banho de espuma, vestiu o casaco esportivo e saiu da suíte correndo pelos corredores. Já no ginásio começou a dar socos num saco de areia, como querendo arrebentá-lo. Quando Belizário apareceu no ginásio, ele o convidou a um desafio. Ambos foram até a sala de competições e começaram a se dar socos e patadas entre eles, como faziam antigamente.
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