Guerreiros intergalácticos
16 A fuga de Guilherme
Notas iniciais
Em meio das ruas da cidade, vários helicópteros tentavam descobrir as limusines de Bernardinho e de Guilherme, depois que arrebentaram suas casas e nãos os acharam em lugar algum. Miguel desde o alto atacava tudo que se movia em terra e no ar nessa perseguição. Desta vez os milicos caiam desde os helicópteros se arrebentando no chão. Alguns sobreviviam, outros não.
Fábio em meio do espaço escutava Arethi desde longe, que lhe falava: — a 200 m esquerda tem bombas prontas para sair. E ele acompanhado de seus guerreiros voava como um louco, pedindo pela morte, e dilatava as pupilas para transformar misseis e bombas atômicas em ventos. Ficava lá embaixo um buraco vazio, sem nada além de militares pelados. Como nenhuma bomba o matou, depois de três dias sem dormir desmantelando silos de suas armas mortíferas, apareceram no seu peito 10 estrelas douradas, como prêmio a sua bravura. Arethi desde o telescópio lhe falou as risadas: — não adianta tentar enganar “00”, ele vai ter explorar até o fim... Vai dormir no subterrâneo da fazenda e tenta chamar Helena com telepatia.
Guilherme e Alberta, abraçados, olhando pelas janelas da limusine os helicópteros em voos muito perto, ainda não entendiam o que se passara. Olharam as noticias no celular, e viram com olhos arregalados a prisão de Ricardo Prado, e o momento em que o bigode e a barba foram puxados em frente às câmeras com brutalidades. Guilherme falava para sua mulher: — mas, eu ainda não acredito, como é que pode ser de outro mundo? Ele e eu parecemos irmãos, pois pensamos igual. Alberta respondia: — eu suspeitei e você não acreditou porque não quis. Ele é muito lindo, amor. Só pararam de falar porque Alessandro ria com a conversa deles sem dissimulo nenhum. E Guilherme falou-lhe com cara feio:
— O que é tão engraçado, afinal?
— Estamos-vos cuidando que nem bebes, entre balas e bombas, e vocês só reclamam.
Enquanto falava puxava barba, bigode, e a pele das mãos. Depois puxou as lentes de contato para mostrar seus olhos azuis como a cor do céu. E falou-lhes: — eu também sou de outro mundo, cara...
Alberta deu um berro assustada e escondeu o rosto no peito de Guilherme. Ele só perguntou:
— Posso saber quantos alienígenas tenho nessa empresa de cremes?
— Químicos e esteticistas uns 60, mas vendedores de rua, uns 16.000 no mundo todo... porque achas que estás tão rico?
— E me usaram como um imbecil...
— Não, como um amigo. Já sabes que não matamos gente, somos vegetarianos, até as moscas abusam de nós, quando caem na sopa as puxamos com cuidado, e lhes secamos as asas para que continuem voando...
— Droga! Eu queria usar essa arma engraçada que me deram. Afinal, quem é o “Moremo”?
— Ele é tenente e o marido de Diana, a mulher mais linda de nosso mundo... nosso Comandante é minha cunhada Arethi. Ela é viúva de meu irmão Silvio, e foram vocês quem o mataram...
— Eu, não, cara... eu sou da paz... Como é que o assassinaram?
— Com raio lazer. Vocês nunca se revelaram contra a tirania?
— Claro que sim, mas perdemos todas as batalhas. Muitos já morreram no passado. A última grande guerra mundial teve 6 milhões de mortes, cara. Mas, eles conseguiram a vitória e nos escravizaram para sempre...
— Isso termina agora... Mas, tu tens que ficar no esconderijo até o final. Eres o homem mais procurado no planeta inteiro. Meu robô, que está no volante agora, vai te cuidar, ele limpa, cozinha, lava roupas, faz jardinagem, não vai te faltar nada de nada. Não fala com ninguém, não sai de dentro de casa, pois podem te descobrir com lentes de longa distância. Tens televisão, e esse celular volta comigo, pois podem te rastrear. Nada de internet e nada de telefone. Daqui em diante tua família não pode saber onde estas. Para a segurança deles. Bernardinho está em outra favela.
— Favela? Estás me levando para uma favela?
— É onde temos 30.000 alienígenas morando... na fazenda só há prisioneiros que retiramos das cadeias, e os guerreiros com mais de 2 metros.
— Mas, estão aonde?
— Escondidos no subsolo... Tudo o que é fabricado está embaixo da fábrica numa cavidade de uns 50 quarteirões, mais ou menos. Lá temos os laboratórios, os esteticistas, o que apresentamos por cima é fachada... os porcos são só para decorar os jardins... nunca matamos nenhum... e nunca usamos banha...
— Afinal, quem é que inventou esses cremes?
— A mulher do Moreno... vás gostar dela quando a conheçam... aliás tu eres famoso entre nós, não há guerreiro que não saiba que graças a ti conseguimos invadir este planeta...
— Vou ganhar quanto por isso?
E Alessandro começou a dar risadas gostosas, pois havia esquecido completamente que lutar a favor dos inocentes era coisa só deles. De patriota Guilherme não tinha nada.
Já dentro do esconderijo, Guilherme revistou tudo incrédulo. No dormitório havia uma cama de casal, e mais nada. Na parede uma corda de linhagem com 5 cabides. Na sala principal uma mesa com duas cadeiras, uma pia para lavar a louça, um fogão elétrico, uma geladeira velha e enferrujada, um liquidificador, pratos, panelas, e um armário pequeno. Para tomar banho havia que sair da casa, pois o chuveiro era uma mangueira que passava por cima de um cubículo sem telhado, junto a uma árvore que lhe fazia sombra. Para as necessidades havia uma patente adjunta, com telhado e um lavabo. O chão da casa era de cimento puro, sem acabamento e fora de casa só havia chão seco, com um matagal selvagem. Era uma casa abandonada miserável, onde era impensável que estaria ali dentro o homem mais rico dessa cidade.
Enquanto o robô organizava a cozinha com pacotes caídos do céu, limpava o chão, regava fora de casa, Guilherme e Alberta caíram na cama, numa noite iluminada com as Luas e com a claridade que entrava pela janela. Ao amanhecer, tomaram banho rindo, fizeram as necessidades nesse cubículo, e voltaram para ver o que havia sobre a mesa. Numa mini geladeira, encontraram uma iguaria nunca vista, sorvete de chocolate com uvas passas e licor doce. Numa caixa de isopor uma pizza quentinha. Uma torta de morangos e cremes estava ao lado tampada com uma redoma de vidro, mais lá havia duas garrafas térmicas, uma com chã, outra com café. Uma jarra de leite de cabras. Um melão cortado, um abacaxi em rodelas, pedaços de mamão, e maças ao lado de pêssegos deliciosos. Alberta falou:
— Essas frutas são de outro mundo?
E o robô, só acenou com a cabeça, rindo, que era assim mesmo. Como ele vestia como um humano de “Y” com barba e bigode, Guilherme lhe deu um abraço. Nunca pensou que teria um amigo robô na sua vida.
Comeram até enfartar. Depois beberam um vinho, ele era grosso, cremosos, com sabor da uva, que os deixou embriagados. Muito embebedados. Depois de entraram no dormitório rindo, e Guilherme falou: — vamos continuar nossa lue de mel?
Alberta estendeu-se de costas, cabelos emoldurando sua cabeça, como raios de Sol, e Guilherme começou a beijar com ternura. Só parou quando ela deu um berro:
— Minhas pílulas! Deixei as pílulas em casa...
— Então você vai engravidar.... vai ficar uma gordinha... uma bolinha....
— Para de rir.... vou ficar feia, rechonchuda. Vai começar a olhar para outras mulheres...
E para acalmá-la beijou-a docemente, falou-lhe o quanto seria feliz com um filho nos braços, e eles só saíram da cama com o cheiro da comida ao anoitecer. Desta vez havia maionese de batata e ovos de codorna com bolinhos de alface, macarrão com molho de moranga, saladas de frutas, um pão quentinho e branco, uma sopa verde, e a mini geladeira com mais sorvetes. Nem perceberam que não comiam nada de carne já fazia mais de 50 horas.
No mundo de “Y” a revolução foi mais curta, porem, mais sangrenta. Mais bruta. Quem caia nas mãos dos soldados eram mortos com bala na testa desta vez. Militar que caia em mãos de populares morria com garganta cortada com faca afiada. As armas de Aruma funcionavam como sempre, mas o perdão estava fora da alma desse povo que sofreram por mais de um milênio a opressão, a tortura e os abusos sem iguais.
Nos últimos dias, Arethi decidiu que eliminassem os bunkers com tudo dentro. Salvar os homens de governo era inútil, pois iam sem enforcados pelo ódio popular, ou iam morrer a facadas, e não havia necessidade de mais brutalidades nesse mundo. Eles simplesmente desapareceram junto com o cimento, as armas e a maldade. Terminava um período negro na história desse povo, que vivera escravo dos governantes mais sádicos desse mundo. Fabio e os guerreiros não descansaram até ter certeza que não sobrara nenhum governo opressor, e nenhuma uma bomba nuclear em lugar nenhum.
Enquanto esse pesadelo terminava, Aruma saia de tratamento intensivo, ao lado de seu filho, que quando o viu coberto de ataduras como uma múmia, caiu aos berros como criança crescida que era. Ele ficou ao seu lado de dia e de noite, falando entre eles o quanto se amavam, que depois de passar tudo jogariam futebol com os novos amigos, quer disser, Aruma Júnior fez de tudo para manter em alto a alegria de viver no seu pai.
Todos os afetados por radiação estavam de pele nova, seu corpo havia sido lavado por fora e por dentro num tratamento gota a gota, pois a radiação lhes queimara a pele, inutilizou rins, pâncreas, ficaram cegos, e o coração chegou a bater o mínimo do que era necessário para se viver. Os mais fracos tiveram transplante de tudo, córneas principalmente para restaurar a visão. Aruma só teve transplante de um rim, de um pulmão, e no rosto foi lhe devolvido o nariz, pois a cartilagem desaparecera junto com uma parte de sua boca. Se olhando ao espelho, ele era outro homem. E perguntou para seu menino: — acha que sua mãe vai gostar? E seu filho lhe disse: — você ficou mais lindo que eu, pai.... E riram por longo tempo, pois o susto já havia se passado e os dias de relax na ilha de Ênio os estavam esperando.
Como os soldados que estavam gelados não mostravam nenhum mal-estar, depois que os descongelaram embaixo do Sol, eles vestiram uma bata médica e foram observados por 5 robôs examinadores. Foram submetidos a testes verbais e escritos, para descobrir o que havia no intrínseco da alma. Os que eram vítimas dessa guerra foram levados para suas famílias, agora aqueles que foram torturadores desse povo de escravos, foram levados para as cadeias desse mundo, como criminosos de guerra.
No dia que Diana apareceu nesse hospital, Aruma já estava livre das ataduras, tomando banho de luz, totalmente nu, dentro de uma redoma de vidro. Abraçada ao filho Diana finalmente chorou tudo que estava trancado dentro dela, pois sem seu nego maravilhoso ela seria uma morta em vida.
Quando a televisão finalmente invadiu essa nave para falar ao “Moreno” que a revolução havia sido uma vitória estrondosa, terminaram entrevistando a mulher mais linda do universo, embora despenteada, de uniforme fechado, sem nada de joias, sem batom, pois estava em choque por tudo que haviam passado. Diana não deixara Arethi sozinha até o final. Ambas estavam um trapo de cansadas, sem tomar um banho demorado, sem pentear os cabelos, sem nada de deslumbre. E os repórteres não lhe deram sossego, pediram-lhe conselhos para os novos tempos, a sua opinião sobre eles mesmos, pois sabiam que a reputação de “canibais assassinos” era conhecida além desse mundo. E Diana foi sucinta:
— Isso é verdade. Vocês para nós eram os demônios universais. Mas, graças a meu marido e a nossos guerreiros que vieram para cá e os conheceram de perto, mudamos de opinião, pois vocês eram tão vitimas quanto o povo de “X”. Vocês quase terminaram com a vida desse planeta. É isso só acontece quando a maldade assume o poder. Primeiro esses homens maus submete seu próprio povo, e depois sai pelo universo a fazer a mesma coisa, invadindo, massacrando, como se fossem donos da vida. Só vou lhes pedir um favor, exijam testes de inteligência e de caráter nesses futuros candidatos, para o que seja, podem ser Reis como em “X”, ou, Presidentes, como em “W” sei lá. O nome não interessa. Os testes de inteligência em “X” e em “W” foram um sucesso, os novos governantes são gente boa e inteligente. Nunca mais eles permitirão que se faça uma guerra insana.
Diana foi beijada por homens e mulheres da mídia e encerrou a entrevista acenando para o mundo. Depois terminou seu falatório dizendo que tinha que cuidar do maridão.
Arethi finalmente se deu féria a si mesma. Desta vez colocou três robôs espiões nos telescópios, para ver de dia e de noite tudo que acontecia nos 3 mundos, e entrou na suíte, onde tudo era escuridão. Seu fantasma a levantou no ar, e depois caiu de costas na cama, com ele beijando-a, mordendo, fazendo cocegas, pois dali em diante era só esperar pelo dia do suicídio, quando se reencontrariam mais uma vez e para a eternidade.
Já Diana teve que cuidar de seu homem como um guri nessa nave branca. Aruma Júnior o carregava nos braços como um campeão, e o estendia na piscina para se refrescar. Diana lhe dava sucos de canudinho, e o escutavam falar sobre tudo que vivenciara nas favelas. Arum contava para o filho que os homens que conhecera estavam os invitando a jogar com eles. Calculava por alto que tinha uns 200 amigos para visitar assim que estivesse bom. Diana o beijava e perguntava: — doeu? E ele respondia: — sim, mas me beije de novo.
Quando Aruma Júnior viu seu velho melhor, caminhando sozinho, um dia subiu na sua nave de combate e regressou para “W” para se juntar aos viúvos Miguel, Mitsuo e Fábio. A tenente Anaha pela sua vez, estava pronta para fazer o contrario, carregar 10.000 mudas de tudo, mais alguns sacos de sementes para levar para aquele lugar devastado pela radiação, para começar mais uma vez do zero, plantando, regando, e fazendo a ressurreição da terra, que estava começando a dar capim, bem pequeninho. Todo o trabalho de Aruma tinha que ser refeito de novo. A única coisa que a pegou de surpresa foi uma chamado de Enzo, desde “X”, pedindo que fosse buscar os prisioneiros de guerra, que estavam sendo descongelados. Já os haviam examinado, e eram todos apenas “heróis de guerra”, quer disser jovens recrutados a força e enviados a morrer no espaço. Eram mais ou menos uns 300 deles.
Mas, quem ficou alheio a tudo que aconteceu nessa revolução violenta foi Guilherme. Viram pela televisão a Diana fazendo discurso, deitados na cama, comendo uma torta deliciosa de frutas. Como estava sem celular, soube dos amigos no dia em que 002 gritou-lhe desde a rua que estava na hora de sair dessa vida mansa e trabalhar de novo. E tirando a cabeça pela janela, falou-lhe rindo:
— Oi alienígena! Eu tó de lua de mel... fala para Bernardinho colocar o Viktor a trabalhar para mim...
— Mas, o Vitor é doutor de Universidade, nada sabe de negócios...
— Por isso mesmo. Eu vou ficar ainda mais rico... Vás para onde?
— Numa reunião. Bernardinho vai ficar sozinho com tudo... e tua de mel termina quando?
— Assim que nasça meu filho... queres ser o padrinho dele?
— Gozador! Quero, sim... E ele vai ser um guri... dá um beijinho para ele por mim...
E Guilherme, mais uma vez beijou sua amada com paixão, falou com seu filho colocando a boca sobre a barriga e depois se amaram até dormir abraçados. Num momento de descanso, examinando o que tinham em redor, uma televisão pequena, das mais antigas desse mundo, em preto e branco, os roupões pendurados nos cabides, a calcinha e a cueca junto, pois depois da primeira lavada nunca mais as usaram, o pijama e a camisola de dormir, a janela com uma cortina deslavada, e se olhando com atenção havia uma aranha, um caminho de formigas na parede, e três lagartixas. Alberta falou entre risadas:
— Nunca imaginei que pobre podia ser feliz, meu querido...
— Nem eu, e vou comprar isto aqui. Vai ser nosso esconderijo secreto. Já imaginou? Enquanto meus primos cuidam de meu dinheiro, nós nos escondemos aqui para nos amar...
— Mas, e o robô?
— Vou comprá-lo também... nunca comi tão bem na minha vida... e olha, nada de carnes desta vez... perdi minha barriga charmosa....
— Amor, esse robô já é nosso... os alienígenas não ligam para dinheiro...
E as gargalhadas de Alberta se perderam na cima do morro, pois em frente deles só havia felicidade.
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