Guerreiros do destino
10 A resposta do Kapre Azul
Krom se aproxima e abre os arbustos fazendo um pequeno ruído ao quebrar um galho. O Kapre azul e todos os seus expectadores se viram para seu lado. Quando a gigantesca criatura olha para Krom sua nuca parece desgrudar da árvore, isto causa um barulho parecido ao de galhos sendo quebrados. O Kapre que geralmente mantém seus olhos cerrados ou até mesmo fechados, faz um esforço extra para ver quem é aquele à sua frente. Krom e os demais saem de trás das matas apresentando-se ao sábio kapre.
O kapre azul possuí um corpo completamente flácido, suas tetas são caídas, e uma enorme barriga fica entre suas pernas, que já não se levantam há muito tempo. Pançudo toma a frente e vai em direção do sábio, logo os quatro e o tigre o seguem. Os que ali rodeavam o kapre agora abrem alas para que os estrangeiros passem.
– Pançudo, quem são estas duas criaturas que trouxestes até mim? Pergunta o kapre azul, sua voz é extremamente grave, as folhas das árvores balançam quando fala.
– Ó minha divindade, estes são Enzo e Krom...
– Ah sim — interrompe o kapre — o filho bastardo do imperador e o clérigo que supostamente derrotou o deus Xamã.
O que os traz até minha presença criaturas insignificantes? O kapre fecha seus olhos e se escora novamente em sua árvore.
– Er... Enzo prepara-se para dizer algo, mas é interrompido por Pançudo:
– Garoto, cuidado... Cada pessoa pode fazer apenas uma pergunta ao Kapre azul, escolha muito bem. Apenas uma pergunta... Durante a vida inteira.
– Certo. Reponde o jovem mago, ele continua:
– Senhor Kapre azul, onde está o mapa para o artefato de Kido?
Neste instante o kapre abre seus olhos, olha Enzo dos pés à cabeça, suspira e diz:
– Tolo... Não há qualquer tipo de mapa, você é a segunda pessoa que me pergunta isso.
Todos se espantam.
– Não existe? Como assim não existe? E outra, segunda? Quem foi a primeira? Pergunta o menino curioso, mas o kapre é curto e grosso:
– Apenas uma pergunta rapaz, e você já fez a sua.
Krom decide intervir, passa à frente de Enzo e cochicha ao menino.
– Fez a pergunta errada garoto.
O clérigo vira para o kapre e pergunta:
– E onde está o artefato de Kido?
O kapre, ainda de olhos abertos, dá uma risadinha com o canto da boca e diz:
– Pela primeira vez em minha existência, eu não sei responder uma pergunta!
Todos aqueles que estavam com o kapre se espantam, ele sempre soube o que dizer, sabia todas as respostas, mas dessa vez... Ele não soube.
– Para não deixá-los tão sem rumo, e como não respondi sua pergunta, vou lhe dizer que a única pessoa que sabe onde o artefato de Kido esta é o próprio Kido.
– Mas Kido já está morto há muito tempo. Diz Enzo sem entender.
– Bem... Isso é tudo que posso lhes dizer.
– A morte — vai dizendo Krom — é a nossa única saída.
Todos se espantam com o que o clérigo diz.
– Teremos que morrer? Mas assim que mortos seria o fim. Diz Enzo.
– Errado. Diz Krom, que continua:
– Há uma maneira de irmos ao reino dos mortos e voltarmos.
Todos ficam apreensivos prestando atenção no clérigo. "Vamos precisar da ajuda de Oscar", diz Krom.
– Certo, então teremos de ir até o acampamento rebelde. Completa Enzo.
– Agora, peço que saiam, não quero transtornos em minha volta. Ordena o Kapre azul.
As pessoas não entendem, mas mesmo assim seguem até o portal de volta à aldeia dos rangers.
Na aldeia, Krom conversa com pançudo enquanto Enzo toma um copo d'água servido por um ranger, Krom falKrom se aproxima e abre os arbustos fazendo um pequeno ruído ao quebrar um galho. O Kapre azul e todos os seus expectadores se viram para seu lado. Quando a gigantesca criatura olha para Krom sua nuca parece desgrudar da árvore, isto causa um barulho parecido ao de galhos sendo quebrados. O Kapre que geralmente mantém seus olhos cerrados ou até mesmo fechados, faz um esforço extra para ver quem é aquele à sua frente. Krom e os demais saem de trás das matas apresentando-se ao sábio kapre.
Krom se vira para trás e dá de frente com o ranger dos olhos vermelhos, os dois se encaram por um tempo mas logo Enzo aparece dizendo:
– Me dá licença Adusin. Em seguida o ranger saí da frente do menino que olha para Krom e fala que o ranger Adusin, o de olhos vermelhos, é boa pessoa, conta que estavam conversando.
– Pegue suas coisas Enzo. Pançudo nos transportará até o acampamento de Oscar.
– Certo. Responde o garoto.
Então Pançudo, Enzo, Krom, Adusin, o tigre e o outro ranger chamado Okanin seguem até um lugar aberto para que o portal seja feito.
Eles estão andando por entre a mata, estão em uma parte onde os raios solares passam com suavidade por entre os galhos e folhas das árvores. De repente algo em uma velocidade absurda passa por cima de suas cabeças. Todos se assustam e ficam atentos o tigre dentes de sabre fica extremamente acoado. Cautelosos, se olham, Enzo cochichando pergunta se estão longe do local de destino, Pançudo acena com a cabeça dando a entender que não. O vulto passa novamente por suas cabeças, Krom cospe o seu cigarrinho que estava em sua boca e diz:
– Dragão.
– Sabia... que isso ia acontecer. Diz Pançudo.
Todos olham para o clérigo, até mesmo os rangers que tem dificuldade em seu idioma sabem do que se trata.
– Senhor Pançudo, pode fazer o portal logo por favor? Pergunta Enzo agoniado.
– O processo é um pouco demorado garoto. Responde pançudo.
O dragão passa voando mais baixo desta vez então eles decidem sair correndo para chegar de uma vez ao local, não demora muito e logo eles chegam, menos Pançudo que não aguentou o ritmo, eles ficam olhando para o caminho na esperança de ver Pançudo, então o líder dos rangers finalmente chega, cansado, se apoiando em uma árvore fica arfando igual a um cão velho. Todos sorriem aliviados, porém antes que pensem em dizer algo o dragão usa um ataque rasante atirando-se na floresta, um ataque preciso, como a parte em que estão é amplamente aberta a fera entra sem dificuldades. Está ali, um dragão de verdade. Mesmo um grande espaço acaba de qualquer forma sendo pequeno para o grande dragão, então ele abre suas asas derrubando árvores para assim ter mais espaço. Pançudo olha para o monstro sem entender, e diz:
– E esse lagartão?
O dragão olha para ele e acerta um golpe preciso com sua pata lançando o pobre Pançudo ao longe. O tigre dentes de sabre, ao tentar defender seu dono, rosna para o dragão, que olha para aquela criatura medíocre e solta um rugido poderosíssimo, fazendo com que todos ali fiquem apavorados, em seguida lança uma grande chama, queimando o pobre tigre que cai morto carbonizado.
– Olhem lá, tem alguém em cima do dragão. Grita Enzo.
Em cima do dragão há alguém, mas está complicado de enxergar, pois o sujeito está de capuz. Enquanto isso, Pançudo se levanta, e grita para Krom e os outros:
– Distraiam eles, irei fazer o portal enquanto isso.
O sujeito em cima do dragão percebe intenção de Pançudo, então usando uma espécie de rédea de dragões puxa a cabeça do dragão em direção de Pançudo, em seguida o dragão lança uma baforada de fogo. Mas duas grandes árvores nascem na frente de Pançudo defendedo-o do golpe da fera. Foi Adusin, o de olhos vermelhos.
– Muito bem Adusin. Hehe viram o porquê de eu trazer Adusin comigo? Ele tem a possibilidade de fazer qualquer tipo de vida vegetal nascer em segundos.
O dragão desfere um golpe com sua pata destruindo as duas árvores, Pançudo está vulnerável agora. A fera lança um golpe com sua enorme pata, mas vários galhos e cipós seguram sua pata, contendo o golpe.
– E este é o poder de Okanin, controlar todo tipo de vida vegetal, e além disso são ótimos rangers.
Enquanto o dragão luta para se soltar da técnica de Okanin, Krom fala:
– Precisamos distrair o dragão e o sujeito, para que Pançudo possa fazer o portal.
Todos parecem entender.
– Eu cuido do cara lá em cima. Diz Enzo.
– Certo — Responde Krom — Vocês dois, entendem o que falo? Pergunta para os rangers que sinalizam com a cabeça que sim.
– Me ajudem com o dragão. Ordena o clérigo.
Enzo salta em direção ao homem que controla o dragão, mas a fera, que se soltou dos galhos e cipós, tenta acertar o menino com sua pata, Enzo desvia com facilidade do golpe do dragão, em seguida desfere um golpe com sua espada na pata do bicho, mas as escamas grossas do monstro são muito fortes. Krom usa sua magia de peste no dragão, mas suas pestes não funcionam com o monstro, então ele puxa sua espada.
– Me cubram. Diz o clérigo para os rangers. Ele corre em direção ao dragão, que desfere bolas de fogo, que são defendidas por árvores criadas por Adusin. Krom está proximo da cabeça da fera e Okanin usa uma árvore para lançar o clérigo ao alto, então Krom caí acertando a espada no olho esquerdo do monstro, que descontrolado cospe fogo para todos os lados, e em um desses lados está Pançudo fazendo o portal, mas antes que as chamas acertem ele, Adusin usa uma árvore para defendê-lo. O dragão está descontrolado faz com que seu cavaleiro caia, e ele acaba indo de encontro à Enzo, que desfere um grande soco na cara do homem. O homem é lançado longe com o golpe do menino, ele bate forte em uma árvore e cai de uma grande altura, deixando assim seu rosto amostra, é um draconiano.
– E essa agora? Um lagartão e uma lagartixa. Diz Pançudo.
O draconiano acorda e vê seu dragão descontrolado, então aponta sua mão para ele e diz:
– Qui autem possessor est oculus. No mesmo instante o olho do dragão é curado, deixando todos de boca aberta. Krom pensa: " Que poder de cura é esse? É muito superior ao meu! Esse draconiano não é qualquer um." Enzo vai até o draconiano pára na frente dele e pergunta quem ele é. O draconiano diz com uma voz típica de répteis:
– Eu sou Guster, vim atrás do suposto mapa do artefato de Kido, que aquele maldito do Ruther Fetter disse que estava nesta floresta, mas aquele gordo do Kapre Azul desmentiu. Meu senhor Lucius não irá perdoar aquele maldito Fetter.
– Lucius? Está aqui a mando de Lucius? Pergunta Enzo.
– Sim, maguinho. Ao dizer isso o draconiano se levanta rapidamente fica na frente de Enzo e acerta um chute no estômago do menino lançando o garoto longe. Krom tenta ir de encontro à eles mas o dragão cospe uma grande bola de fogo, Krom cria um escudo mágico, mas seu braço toma um grande dano com o golpe do dragão. Os dois rangers estão começando a se cansar então o dragão desfere um golpe em Adusin, ele tenta criar um escudo com árvores mas está fraco e o golpe do dragão pega em cheio, jogando o ranger longe. O mesmo acontece com Okanin, que usou muito sua habilidade para ajudar Krom.
Enzo se levanta vagarosamente, Guster se aproxima dele e diz:
– Agora lhe mostrarei a versadeira força de um draconiano.
Dito isso Guster respira fundo, fumaça sai de seu nariz, Enzo percebe que ele irá cospir fogo, então aponta sua mão direita pra o draconiano que sorri, duvidando da força do menino. Guster cospe o fogo, Enzo responde usando sua magia elemental de fogo. Uma disputa para ver quem possui a chama mais poderosa é iniciada. Enquanto isso Pançudo está quase terminando o portal. E Krom pode apenas se defender do dragão enquanto cura seu braço. Guster e Enzo estão parelhos em seu duelo quente, o draconiano dá uma forçada com o peito fazendo com que a intensidade de seu fogo aumente. Enzo responde aumentando seu fogo também. Enquanto cospe o fogo o draconiano fala:
– É surpreendente que esteja parelho comigo menino, os boatos eram verdadeiros, você é incrível. Mas não há possibilidade de me derrotar.
Enzo sorri agradecendo ao elogio.
– Bem... Esse é um ótimo momento para eu testar algo novo.
Ao dizer isso o menino aponta sua mão esquerda e dizendo a palavra "oppugnaturos" usa um golpe de magia negra lançando o draconiano ao longe, Krom observa a batalha do menino, enquanto ataca o dragão com sua espada, mas a espada do clérigo não afeta o dragão. Enzo puxa sua espada e corre em direção ao draconiano para finalizar a batalha, mas um instante antes do menino desferir o golpe mortal o draconiano abre suas grandes asas e em um impulso sai voando.
– Droga. Reclama Enzo enquanto olha seu adversário parado no ar.
– Está finalizado. Grita pançudo para os dois, Krom desfere um golpe de espada ao lado da garganta do dragão que solta um grande grito de dor e sai voando inquieto. Em seguida o clérigo corre em direção a Pançudo e ao portal. Enzo também começa a correr em direção a eles, mas Guster percebe a intenção do mago e usa um vôo rasante na tentativa de interceptá-lo, enquanto olha seu dragão que voa se debatendo enquanto sangra terrivelmente pelo pescoço. Enquanto Enzo corre Guster vem em seu encontro em grande velocidade. Quando o menino está perto do portal Guster puxa uma pequena adaga e ataca o menino. Porém antes que o golpe acerte o mago, Pançudo em uma grande velocidade, digna de um ranger, se atira contra ele derrubando o draconiano ao chão, permitindo assim que o pequeno mago chegue ao portal.
– Vão. Ordena Pançudo depois de dar um grande murro na cara de Guster.
Enzo e Krom entram no portal para que possam sair em Laoo no acampamento rebelde, por outro lado Pançudo tem que enfrentar Guster um dos generais de Lucius.
Fale com o autor