Após ter lido a reveladora carta, Enzo olha para Krom, olha para a carta...Pensa, suspira, se levanta vagarosamente...

–Esta, de fato é a caligrafia de minha mãe, mas... Isto que diz aqui, custo à acreditar em tal revelação, isso é impossível, diz Enzo que em seguida pensa: "Mas ele tendo o anel de minha mãe... e está é a letra dela, esse cara não deve de ser um impostor, mas porque ele iria me revelar isto? Qual é o interesse dele nisto tudo?"

–Seu pai, Ferreiros o imperador, como diz na carta de sua mãe, era o mais próximo que tive de um amigo, ao encontrar sua mãe praticamente morta, usei minha magia divina para lhe dar forças, infelizmente não foi o suficiente para que Elza sobrevivesse, mas ela pôde fazer seu último pedido, e este era que eu contasse a verdade ao pequeno Enzo, seu filho, você. Krom se vira para Enzo e com uma cara de poucos amigos solta:

–Não tenho nenhum interesse em você. É apenas em memória de seu pai, meu amigo. Logo você é o herdeiro do trono, entretanto, o Conselho Imperial, que tem conhecimento que você é filho de Ferreiros, criou a condição de que "quem encontrar o artefato de Kido, o lendário, será o novo imperador".

–De fato esta é uma condição estúpida, Kido é uma lenda... E seu artefato, pior ainda, tanto é que ninguém sabe dizer o que de fato é, alguns dizem se tratar de uma espada capaz de rasgar o céu em vários pedaços, outros dizem que é um escudo que segura a investida de todos os deuses, alguns dizem ainda que se trata de um livro sagrado, que revela a verdade sobre os deuses, que uma vez revelada os destronará dando inicio ao fim do mundo e inicio de uma era obscura e cheia de sofrimento, tudo besteira.

–Kido e seu artefato são realidade... Não sei como, mas eu sei disso.

–Você é um louco, responde Enzo.

–Qual é seu plano?

–Eu vou até o conselho, exigir meus direitos como herdeiro do trono. Krom larga uma risadinha irônica.

–Você não entendeu a sua situação garoto, o império não quer você como imperador, eles pretendem colocar Claudel rei de Henrico neste cargo, Claudel foi um dia um grande, honrado, homem, mas hoje é uma casca, um ninguém, tendo ele como imperador o Conselho Imperial poderá manipular o império como bem entender, Claudel irá beneficiar de forma absurda seu reino, e onde se encontra o conselho? Exato. No reino de Henrico. Obviamente ele será manipulado pelos cães que formam o conselho. Sabendo disso, todos os reis tentarão conseguir o cargo, todos aqueles que ousarem desafiar os reinos serão perseguidos e eliminados, apenas quem tiver a audácia de enfrentar os sete reinos irá tentar se tornar imperador. Então quero dizer, que agora que sabe que é filho de Ferreiros, você é caçado por toda terra de Limaria.

Enzo sofre um baque.

–Não entendo... resmunga o menino.

–Seu pai era o pilar que mantinha o império estável, sua morte significa o caos total.

–Os sete reinos... O império todo... Não posso vencê-los.

–O império irá trabalhar para o Conselho já que estamos sem imperador, os exércitos para seus devidos reinos, obviamente você não terá chance alguma de triunfar e se consagrar o imperador. Por isso estou aqui, vou ajudá-lo. Comigo ao seu lado suas chances melhoram consideravelmente. Como eu disse antes, não tenho interesse algum em você, é em memória de seu pai que faço isso.

–Certo, responde Enzo mais equilibrado emocionalmente.

–Porém menino Enzo, o império, os sete reinos, e todas todos que tentarem nos eliminar, de todos estes o pior é Lucius, ele é o maior suspeito pelo assassinato de seu pai. Assassinou o imperador na esperança de ser coroado, pois sendo o general imperial, imaginou que seria coroado, só que como eu disse o conselho é formado por cães que negaram o pedido de Lucius, fazendo este desertar e ir atrás do artefato de Kido. Se em algum momento cruzarmos com Lucius, eu o enfrentarei, e você fugirá para o mais longe possível.

Enzo apenas concorda com a cabeça.

–Se o conselho esta fora de questão, o que faremos? Pergunta o menino.

–Bem... Vamos até Atalantis, uma província que fica aqui em Laoo — Krom olha para as nuvens — devemos chegar ao pôr do sol lá. Desertando de Laoo você será procurado com uma grande recompensa, então este será o reino que provavelmente nos dará mais trabalho.

–Certo... Mas por favor, sendo um clérigo, cure meus soldados.

–Tudo bem, responde Krom.

Assim Krom cura os soldados de Enzo, mas estes estão muito fracos, não acordam, ainda assim irão sobreviver. Os dois pegam uma rota de comerciantes para Atalantis, durante o trajeto eles pouco conversam, tendo apenas conversas curtas e grossas, até que em dado momento Enzo olha para o horizonte e diz:

–É... de fato moramos em um lindo lugar, graças ao nosso deus supremo caos.

Krom sorri e responde:

–Deus supremo? O destino é nosso deus supremo. Caos não era um deus, era um estado divino antes da separação dos elementos, Destino sim é um deus, um deus apenas não, o deus supremo.

–Seu idiota. Caos não tinha corpo, era um ser imaterial e sua essência é todo o universo. Ou seja, ele é o criador de tudo, logo, o mais poderoso.

Os dois sorriem, quando surge um homem encapuzado com aspecto de sujo. Enzo e Krom param, olham para o homem. O homem está parado na beira da estrada, imóvel, parece sussurar algo, começa a rir diabolicamente do nada. Krom diz para Enzo que devem ir andando em frente, mas manter atenção no homem, estranho. Os dois andam cautelosamente, devagar, quando passam na frente do estranho, Enzo pode ver por baixo de seu capuz, o homem possuí os olhos brancos, barba suja, é extremamente magro, aparenta seus setenta, oitenta anos. No momento em que os dois passam, o homem, olha para Krom, e diz:

–Você pode me ajudar?

Krom responde que não, alegando estar atrasado.

–Atrasado para que? Pergunta o velho aparentemente interessado.

–São coisas nossas senhor, responde Enzo.

–Você pode me ajudar? Pergunta o velho à Enzo.

–Bem... Não sei, o que exatamente o senhor precisa?

O velho sorri, seus dentes podres chamam a atenção.

–Vamos Enzo, diz Krom.

–Eu preciso, de dois sacrifícios.

Enzo fica surpreso com a frase do velho que se aproxima.

–Fique longe velho. Diz Krom com autoridade.

–Eu preciso de almas, as minhas estão fracas e velhas, já não me servem, em batalha.

Krom e Enzo percebem que se trata de um necromante que quer escravizar suas almas.

–As pessoas nunca querem me ajudar então eu sempre tenho que machucá-las, para que eu tenha minhas almas. O velho se aproxima mais.

–Se der mais um passo, não terei piedade, fala Krom.

–Bem, terei que pegá las a força então, diz o velho que dá mais um passo. No mesmo instante Krom saca sua espada e ataca o velho com toda fúria, mas o velho necromante revela-se um mago ilusionista, o mago surge atrás de Enzo, enquanto Krom destrói sua miragem.

–Pegarei a alma desta criança e depois de você Krom. O velho tenta pegar Enzo por trás, mas é surpreendido pela agilidade e força do menino, que com um salto chuta fortemente o peito do necromante, tocando lhe brutalmente ao chão.

–De onde me conhece velho necromante ilusionista?

–Bem... Você é um mito em Limaria, todos querem a recompensa por sua cabeça... Cinco milhões de moedas de ouro? Incrível não? Mas eu, eu quero muito mais que isso clérigo, eu quero sua alma, quero te tornar meu escravo por toda a eternidade.

–O que faremos Krom? Pergunta Enzo.

–Necromantes, são a pior espécie de todas, usam almas de outras pessoas para fazer seu trabalho sujo, eu os abomino. Se matarmos este velho, todas as almas que ele aprisiona, seram libertadas para o descanso eterno.

–Então vamos fazê-lo logo, diz o empolgado Enzo.

O Necromante está no meio dos dois, em uma distância de aproximadamente cinco metros de cada, ele olha com o canto dos olhos para cada um. Então sorri e usa uma técnica de invocação de alma.