Guerreiros da Luz
1 O Primeiro Ataque
Acordo, um pouco de sol entra por uma fresta da cortina, que horas são? Olho meu celular: 08h30min. Meio cedo pra um sábado, mas hoje não é um sábado qualquer, é véspera do meu aniversário, e por não ter aulas hoje, posso sair da academia um pouco. Ah é, estudo num colégio: a Academia de C.E.A.M. — Combate, Esgrima e Artes Místicas. Como deve ter notado, não é uma escola comum, mas quando se estuda nela desde sempre, você se acostuma, aliás, sou um dos poucos alunos internos, a academia é minha casa além da minha escola, estudo aqui desde que me lembro, mas a melhor parte é que me formo esse ano, e minha formatura está próxima: dois meses. Depois disso devo escolher entre ser um caçador, um feiticeiro ou simplesmente seguir uma carreira mundana, pois, além de combate e magia, temos aulas comuns aqui, como matemática, história, filosofia, etc. Para sabermos nos virar entre os mundanos, se bem que desde meus 15 anos, eu desisti de quase todas as matérias “comuns”, fiquei só com historia e filosofia, ou seja: faculdade ou trabalhos comuns estão descartados para mim. Também nunca levaria jeito nessa vida, não depois de saber tanto sobre o mundo místico, sobre as criaturas que nele habitam, sejam elas pacíficas: criaturas da natureza ou da luz: seres como centauros, anões, faunos ou sátiros (depende da região onde vivem: faunos preferem florestas mais densas, escuras, e são nativos da Itália, já os sátiros preferem florestas com clareiras, nunca adentram muito em matas escuras e são originalmente da Grécia) que buscam o equilíbrio, ou os noturnos: licantropos, vampiros, embora conscientes de tudo que fazem, seguem seus instintos e sua sede por sangue, normalmente não extrapolam nem nada, tendo suas áreas, onde quem entrar vira a comida deles, mas quando pegam alguém fora de seus territórios, devem ser julgados e punidos, aliás, o termo “noturno” não significa literalmente que só saem de noite, pois todos os lobisomens podem viver uma vida “diurna” comum, e já li relatos históricos de vampiros conhecidos como “Daywalkers” ou Diurnos capazes de sair mesmo com o sol de verão sobre eles, mas isso há mais de 1000 anos.
Enfim, sendo um fim de semana eu posso sair o dia inteiro e aproveitando que é meu aniversário, comemorar com meus amigos mundanos. Logo vi Ulric, Valerie, Katy e Harmony, estavam lá, bebendo vinho (barato, ninguém ali esbanjava muito dinheiro), rindo, conversando, quando me viram, Valerie veio correndo e pulou em cima de mim gritando:
- Luke! Que saudade!
— Tudo bem com você? — Perguntei rindo e abraçando ela.
— Tudo sim, e você?
— To bem também. – Respondi soltando ela já cumprimentando os outros logo em seguida.
O resto dos dias se passou como sempre, bebemos, comemos, zuamos, sempre com aquela sensação de que o momento poderia ser infinito, que se a vida fosse assim, seria mais fácil, mas eu sabia que chegaria o dia em que eu enfrentaria criaturas noturnas desobedientes, que conheceria alguma mulher também caçadora, que teríamos uma família, pois sempre foi assim, se seguirmos essa vida, só podemos nos casar com os nossos iguais: caçadores, combatentes. Pena que nos últimos quatro anos, desde que eu conheci Valerie, nunca tive a chance de dizer a ela o que eu sinto, e agora, por fim é tarde demais...
De repente, ouvimos um barulho ao longe como uma explosão, dentro do parque onde estávamos.
— O que é isso? – Katy pergunta.
— São... Gritos?! – Ulric disse.
Apurei meus ouvidos e me concentrei no barulho, e notei: sim eram gritos, mas não só gritos de terror humanos, mas também gritos de fúria, e não uma fúria humana, mas de algo mais forte, e frio: Vampiros.
Ah, não...
— Temos que sair daqui agora! – Eu gritei já me levantando e puxando Valerie comigo, ao longe, uma luz verde brilhava e as pessoas gritavam e corriam para a nossa direção.
Enquanto corria eu peguei meu celular e disquei o numero da primeira pessoa que veio na minha cabeça.
- Alô – Disse Dimitri com voz de sono depois de algum tempo.
— Ei, Dimy, posso te pedir uma coisa?
— Você me acordou pra pedir um favor?! Tomara que seja urgente Luke ou eu te mato...
— É urgente sim, pode pegar nossas espadas? Tenho alguns sanguessugas pra você matar aqui.
— Onde você está?
— Ibirapuera.
— Estou a caminho, ponto de encontro A-3, 15 minutos.
Continuamos correndo até próximo de uma das saídas do parque, mas ao invés de ir até o portão, nos conduzi até o Auditório, –Um edifício que mais parecia uma rampa gigante com uma entrada pro subterrâneo em um dos lados- fui em direção à porta pras exposições e abri, fazendo meus amigos entrarem, mas como não tinha mais ninguém por perto, entrei e selei a porta com um feitiço básico, com sorte eles nem teriam nos visto entrando lá.
— E-e ag-gora? – Balbuciou Valerie, quase chorando.
— Agora vamos descer, estamos desarmados e tem coisas lá embaixo que podem nos ajudar a derrotar esses sanguessugas.
Após dizer isso segui caminho para a entrada da exposição, pulei a catraca e eles me seguiram, começamos a descer uma espécie de rampa em espiral, quando chegamos ao primeiro andar simplesmente andei até uma parede, peguei minha varinha (sim, eu tinha uma varinha mágica e a levava para qualquer lugar, é o mínimo de proteção) e tracei um retângulo naquela parede e a porta se revelou, feita de madeira antiga e com alguns detalhes em ferro escuro. Alcancei a maçaneta e entrei fazendo sinal para que me acompanhassem. Como estava escuro peguei uma pedra mágica que estava na estante à minha direita e a apertei, fazendo-a se acender e iluminar um pouco o ambiente, e pude ver as expressões de espanto nos rostos dos meus amigos.
— O que é tudo isso?! – Ulric exclamou ao ver arcos, aljavas carregadas e bestas prontas para uso.
— São de verdade? – Katy usou um tom mais calmo e curioso ao ver espadas, adagas e machados.
— Não só de verdade como muito afiados, mas só isso não será o suficiente contra os vampiros. – Disse isso já me virando e logo achei o que queria, peguei quatro frascos de água benta e me voltei a eles – Peguem alguma arma e despejem isso na lâmina, farão com que sejam mais efetivas.
Depois disso dito Ulric pegou um arco e uma aljava carregada, tirou as flechas e mergulhou a ponta de cada uma no frasco de água benta, Katy pegou uma espada e um escudo e banhou a lâmina da espada com a água, Harmony pegou algumas facas de lançar e um chicote com uma cruz no cabo que eu nem tinha notado, escolha interessante aquela, já Valerie não sabia que arma usar, então peguei duas adagas médias, banhei e entreguei à ela, logo depois peguei mais 3 frascos da água, usei um deles para banhar um machado e prendi os outros ao meu cinto, peguei uma adaga média com uma cruz no cabo, prendi sua bainha ao meu cinto, coloquei minha varinha num coldre de varinha que achei ali, e o prendi ao meu lado direito do cinto, com os frascos atrás próximos da adaga, com o machado em mãos e todos já armados, saímos dali, selei a porta e subimos até a entrada onde Dimitri nos esperava com minha espada em sua bainha e logo que me entregou eu a prendi ao meu lado esquerdo. O cumprimentei, apresentei meus amigos e aí notei que ele já estava com o traje de combate da academia, com camiseta preta lisa, jaqueta de couro, calça de couro escuro, cinto cheio de facas e frascos de água benta, sua espada embainhada no lado esquerdo, botas de combate prontas para chutar qualquer coisa.
Eles que nos aguardem.
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