Subterrâneo da mansão McLoud, sala de tecnologia e pesquisa G. D.

Frank chega de outro dia exaustivo de trabalho, aparecendo de pé num círculo de teletransporte da cor azul celeste. Ele carregava uma maleta de couro em sua mão esquerda, enquanto com a direita, desmanchava a gravata mexendo os dedos no colarinho. Abre seus olhos assim que sente a presença.

Ali embaixo Will o esperava já fazia algum tempo, sentado impaciente com a demora de seu tio. O garoto tomava um refrigerante sabor limão, com os pés apoiados na mesa enquanto assistia algo pelo computador de monitoramento.

— Tio. Refri?

— Não. Por favor, tenha modos. Limpei essa mesa hoje cedo.

Após alguns segundos, Will tira os pés da mesa e se senta de maneira normal, fechando o vídeo e apagando a tela. Enquanto isso, Frank coloca a maleta na mesa.

— Você aqui embaixo? Não vem aqui a um bom tempo, Will.

— Vim conversar. Sabe quem perdeu o controle hoje?

— Recebi o recado quando cheguei na empresa. Estava patrulhando o sistema solar. Como foi?

— Ele não parecia ser ele mesmo.

— É, a escola estressa as pessoas. Eu disse que ele poderia faltar.

— Invés disso, deu uma surra no time de futebol da escola, em 50 alunos. Acha isso normal? Todos estão comentando.

Frank coloca a mão direita sobre a testa. Está cansado de tantos problemas. Muitos na empresa, muitos no espaço, e muitos em sua família.

— Realmente não sei mais oque fazer. Tô perdido.

—Também lamento por ter dado bobeira, deixei ele sozinho. Tava apresentando algumas garotas pro Calisto, ele também precisa da minha ajuda.

— Não culpo você, Will. Tem sido mais pai pra ele do que eu, merece se divertir de vez em quando. Meu medo é que nossos segredos sejam revelados pro resto do mundo, tudo desabaria. Esse planeta se tornou nossa casa depois que perdemos a nossa.

— Sabe que isso é inevitável, tio. Um dia vão acabar descobrindo. De qualquer forma, o mundo está em débito com o senhor, mesmo não sabendo disso.

— Não fiz mais do que minha obrigação moral. Quem ama, protege. E eu amo minha casa.

— Ok... Isso tá ficando sentimental demais, melhor me mandar. Recado dado, dever me chama. Tenho um encontro marcado com duas gêmeas loiras que acabaram de chegar de Santa Catarina e precisam de um guia pelos pontos turísticos da cidade. A propósito, gostei do novo uniforme. Não esquece de fazer o meu.

A noite aos poucos caia na cidade de São Paulo. O crime havia caído bastante graças aos esforços de boas pessoas, e agora os criminosos só ousavam sair a noite pra tocar o terror na cidade. Aprenderam a ser silenciosos, a roubar, matar e estuprar apenas no escuro e com a vítima sedada. Seus métodos estavam cada vez mais violentos, porém os cidadãos não estavam desprotegidos. Havia alguém que olhava por eles nas noites sombrias, que os protegia do escuro. Alguém que cuidava de sua segurança e seu bem estar.
Uma garota de 14 anos foi encurralada num beco por marginais, correndo deles faz dois minutos. Eles roubaram todo o pouco dinheiro que ela tinha guardado há dias pra comprar alimentos pros irmãos menores. Os ladrões ficam nervosos e indignados com a pobreza de sua vítima, que caída em prantos implorava para que não a fizessem mal.

— É só isso que você tem? Tá brincando com a nossa cara, só pode. Que merda é essa, saindo com esse pouco de dinheiro? Não tem medo de morrer não, vadiazinha? Ou sua vida só vale míseros trocados?

— Ela deve pensar que somos palhaços. Acho melhor ensinarmos uma lição pra ela. Uma lição que envolva dor, hahaha...

Eles pretendem estuprá-la ali mesmo, a garota percebendo isso se desespera. Eles estão numa área pobre da cidade com pouca iluminação, onde gritos não adiantariam e nenhum dos moradores iria ajudá-la por medo dos criminosos. A garota corre pro fim do beco, ficando sem saída e com seu pequeno coração disparando. O trio de criminosos se aproxima, com sorrisos amarelados doentios e pensamentos nojentos. Antes que pudessem alcançá-la, algo plana no chão, se colocando entre eles.

— Mas que merda é essa? — Fala um deles, apavorado pelo susto que a queda causou.

— O carnaval ainda não chegou, ô imbecil! — Diz outro, zombando.

Era um garoto branco, estatura média, cabelos castanhos quase loiros, penteados pra trás. Os olhos estavam escondidos atrás de uma máscara negra com formato de um morcego. Vestia algo que parecia uma armadura, mas na verdade era um uniforme preto e azul, feito de um tecido resistente.

Os bandidos sacam suas armas, ameaçando o garoto com frases típicas intimidadoras. Ele não dizia uma palavra, apenas encarava os três com ódio no olhar, apertando os pulsos com força. Eles começam a atirar, mas nenhuma bala penetrava aquele espaço, apavorando-os ainda mais. Parecia ter um tipo de campo de força que os impedia de tentar feri-lo. O garoto olha pra trás gentilmente para ela, tentando poupá-la de presenciar a violência.

— Feche os olhos, menina. E tape bem os ouvidos.

A garota faz oque ele manda e logo após a pálpebra cobrir seus pequenos olhos castanhos, o garoto corre em direção aos bandidos e chuta a cara de um por um, lançando todos nas paredes. A surra é tão forte que dentes caem das bocas sujas de cada um, junto com lágrimas de dor.

— Ela é só uma criança! Vermes como vocês merecem sofrer... Vocês não têm o direito de viver!

O garoto aponta sua mão sobre o grupo, aonde gotas de água vão saindo dali direto pra eles, formando uma prisão circular de água que aos poucos os deixava sem ar. Nem mesmo os olhares desesperados e assustados clamando por piedade o faziam libertá-los daquele sofrimento. Em instantes os três morrem afogados, e seus corpos ainda presos são levados ainda na prisão aquática pra um cemitério próximo dali, com o garoto voando até lá e voltando ao beco.

A pequena garota ainda ali, assustada com os gritos, abre os olhos assim que o anti-herói pede. Ele a entrega sua carteira com uma boa quantia dinheiro e tira mais algumas notas do bolso, dando a ela.

— Pronto, tudo vai ficar bem. Onde estão seus pais?

— Em casa...

— Você mora perto daqui?

— Sim... — Ela diz com a voz trêmula e chorosa, aceitando o dinheiro com receio.

— Vamos, eu vou te levar. Confie em mim. Tá tarde e não quero que corra o risco de encontrar outros homens maus.

Ela sobe em suas costas, que aos poucos levita do chão e voa em direção à casa da garota, guiado por ela, não acreditando ser real. Ele a deixa na porta.

— Obrigada, senhor mascarado.

— Pode me chamar de Aquífero. Em retribuição quero que prometa que não vai mais sair sozinha a essa hora, não importa o que digam. Esse lugar é perigoso e nem sempre eu vou poder te salvar. Ah, e não conte sobre mim, podem te internar por isso.

Após deixá-la em segurança em sua casa, Aquífero voa pra longe dali na mesma hora acima das nuvens, sendo observado por outra pessoa em um condomínio.

— Aquífero é um nome ridículo... Não tinha nada melhor não? — pensa ela.

Algo estranho se manifesta nas nuvens. Um pequeno portal se abre do nada, parecendo rasgar aquela parte do céu. Aquífero presenciando aquilo, vê um ser saindo do portal. Deformado, com dentes pontudos, grandes olhos vermelhos, calda, chifres e unhas grandes.

— Demônio...

O demônio soltava um rugido de ódio que estremece o céu e voa pra atacar Aquífero, este em vão lança jatos de água pra tentar pará-lo. Nem mesmo a prisão aquática funcionava com o demônio que por ser grande e poderoso demais, escapando sem esforço. Nem mesmo tinha sucesso em conjurar uma magia no monstro, pois parecia não ter experiência nenhuma nisso. Tudo que conseguia fazer era criar um pequeno campo magnético pra se defender dos ataques da fera, de qual a fúria era tanta que quebrava o campo, deixando Aquífero vulnerável. Sendo atingido pela cauda do mesmo, logo ele é lançado pra longe dali, ferido fisicamente e sentindo o sabor de seu sangue entre os dentes, tendo o golpe danificando sua máscara agora caída no chão.

Era Kevin. Pela primeira vez desde que tinha despertado seus poderes ele sente medo da morte, apanhando do demônio que violentamente fazia o jovem se chocar contra os prédios, decorando a cidade com a cor vermelha.

De repente um feixe de energia azul vindo debaixo das nuvens atinge o monstro, deixando-o imóvel e confuso. E de cima surge uma garota mascarada, vestida num manto vermelho. Ela voa em círculos no demônio formando aos poucos um imenso redemoinho, fraco o bastante pra não atingir a cidade logo abaixo, mas forte o bastante pra causar danos na fera. O vento intenso quebra alguns ossos de seu corpo graças a enorme velocidade, e depois de mais um feixe de energia ele é desintegrado no ar.

Aquela demonstração de poderes deixa Kevin sem palavras.

— Uau...

— Parece que precisa da minha ajuda aqui, não é... Fraquífero? Hahaha.

— E quem seria você?

— É assim que me agradece? Salvei sua vida, inútil.

— Muita hostilidade pra uma pessoa só. Eu te conheço de algum lugar?

— Na verdade não, essa é a primeira vez que perco meu tempo.

— Você podia me dar umas aulas sobre defesa pessoal.

— Você deveria é mudar de profissão. Levar esses criminosos à justiça sem precisar matá-los.

— Você acaba de matar um demônio. Qual a diferença?

— O inferno é a diferença.

— Não respondeu minha pergunta, mas tudo bem... E aquelas aulas de defesa pessoal?

— Não enche! Moleque.

Ela desaparece dali em questões de segundos deixando pra trás seu perfume, um perfume que Kevin conhecia muito bem.


—Quem é a garota por trás da máscara?

Asteróide Negro – 200 anos luz dali

Sala de reuniões

—Muito bem cambada de inúteis, estamos chegando no maldito planeta. Nada de sair matando, temos que mostrar que somos mais civilizados que esses terráqueos... Hahahaha. Na verdade vamos assustá-los primeiro, acabei de mandar um “presentinho de paz” que deve chegar lá pela manhã. Quero testá-los, ver seu potencial e estudá-los. E se resistirem, vamos atacar sem dó. Bom, vamos atacá-los de qualquer jeito...

O discurso de príncipe Meric para seus soldados conseguia ser inspirador e assustador na medida certa, vangloriando sua raça e seu planeta, mas deixando claro que falhas seriam punidas severamente.
Em breve chegariam ao planeta Terra, dada a velocidade da Asteróide.

—Vamos pousar na lua terrestre, quero mandem sondas invisíveis pra checar o recebimento do presente. Queremos que fiquem satisfeitos, não é?

Ninguém responde, deixando Meric zangado com o vácuo desrespeitoso.

—NÃO É? IMBECIS!


—Sim, príncipe Meric! — Respondem os soldados, em coro.

A Asteroide segue sua trajetória rumo à Lua. Meric não tinha ideia do que suas ações desencadeariam.

Mansão McLoud, São Paulo.

Kevin chega, pousando no térreo de sua casa. Seu pai está o esperando com seu olhar fixado nele, pronto pra dar uma bronca.

—Sabe que horas são? Onde estava?

—Na consulta, você não marcou uma pra mim?

—Já faz mais de cinco horas. E que roupa é essa Kevin? Isso é... Sangue?

—Não se preocupe pai, não é meu.

—E de quem é? No que você se meteu dessa vez, outra briga? Já conversamos sobre isso Kevin, você sabe que esse não é o melhor caminho pra se resolver as coisas.

—Provavelmente você queria que eu fugisse. Não é pai?

O olhar dele se enche de angústia. Não perdoaria seu pai tão cedo pelo que havia visto, talvez nunca o perdoasse. Abandonar sua mãe com ou sem motivos era imperdoável pra ele. Desvia o olhar e entra pela porta, estava exausto. Precisava de um banho e de boas horas de sono pra reiniciar a rotina pela manhã.

De volta a sala de tecnologia e pesquisa GD, uma ligação inesperada é recebida. O tom de voz assustador. Era Steve, preocupado com as gravações.

—Steve. Como foi a consulta com o Kevin?

—Preocupante. Ele narrou tudo que aconteceu no dia da fuga, se lembrou de praticamente tudo. Por sorte eu apaguei a memória dele, mas sinceramente? O efeito não vai durar pra sempre. E muito menos o selo. O garoto tem um grande poder dentro dele.

—Vou ter que tomar providências. Não era assim que eu queria que as coisas fossem, prometi a Elektra que cuidaria dos três e falhei...

—Você fez o que pode, dando uma vida normal a ele. A todos eles. Mas nenhum selo é poderoso demais, você mais que ninguém sabe disso. Nada pode conter a verdadeira natureza das pessoas.

—Tenho que desligar, mas agradeço pelo aviso. Mande as gravações no meu e-mail, analisarei mais tarde. Boa Noite Steve.

Ele desliga. Os problemas estavam mais uma vez vindo à tona, a noite seria longa, e o dia, pior ainda. Mas era só o começo.

13 de Fevereiro de 2010. Amanhece. A cidade antes sombria na madrugada, agora se transformava numa radiante metrópole. Pessoas acordando cedo, trabalhando e estudando. Seguindo suas rotinas normais. Mal sabiam elas que dentro de seu mundinho realista e monótono existiam seres extraordinários, escondidos e infiltrados. Protegendo-os das vindouras ameaças.
Um desses seres era Frank McLoud. Antes um guerreiro, agora um empresário. O maior nome em fontes de energia limpa da cidade, dono das multinacionais Empresas McLoud. Graças a ele a poluição causada por automóveis estava quase extinta. Ele havia criado fontes de energia que não poluíam o meio ambiente e isso merecidamente deu a ele uma grande fortuna.

Há quem não gostasse de seu trabalho, como por exemplo, seu maior adversário nos negócios: Robert Mayson, o magnata dono de metade das empresas do estado. Ele não suportava concorrência, e graças a Frank algumas de suas empresas de motores faliram uma após a outra, e seu vasto monopólio de décadas estava ameaçado.
Mas ele ainda possuía outras empresas, estas não iriam falir facilmente. Robert tinha vindo dos Estados Unidos 30 anos atrás com seus pais, que procuravam uma chance de enriquecer à custa de pessoas humildes nos países do 3° mundo. Mas nesse meio tempo o Brasil havia mudado muito. Havia se tornado uma das maiores potências do planeta; a qualidade de vida, saúde, segurança, educação e todo o resto haviam sido melhorados graças a bons homens como Frank McLoud que deram uma chance ao país.

O dia dele começava cedo. Pela manhã ele ficava na empresa resolvendo problemas, cuidando de documentos, fazendo alianças comerciais, às vezes até ajudando os funcionários. Sua sala tinha uma parte secreta feita por ele, impossível de ser descoberta por humanos comuns. Ali ele relaxava e quando preciso, usava o círculo de teletransporte pra ir à sua casa, ou ao satélite que ficava na órbita terrestre, sem ter que usar seus poderes e chamar a atenção das pessoas.

No momento, ele estava na sala de reuniões com os acionistas de sua empresa, discutindo negócios e projetos futuros. Tudo parecia normal, assim como na academia Poseidon.
De repente o relógio de Frank começa a soltar um barulho. Não era um despertador e sim um alerta. Alguma ameaça fora detectada e estava se chegando.

—Desculpem senhores, mas tenho um sério compromisso de última hora. Vejam com minha secretária alguma outra hora pra remarcarmos essa reunião.

Todos se questionam sem entender enquanto Frank sai da sala de reuniões, caminhando para seu escritório. Após confirmar que está sozinho, logo acessa sua sala secreta, acionando o dispositivo que traria seu uniforme G.D. Não havia tempo a perder, já que a ameaça era desconhecida.

Imediatamente se teletransporta para a órbita da Terra onde observa e não vê nada.

—Harry – diz ele pelo comunicador – Acho que o aparelho se enganou, não vejo nada daqui. Harry? Harry?

Um barulho de explosão é ouvida do comunicador, ele olha pra Terra, onde uma pequena parte brilha. Imediatamente aciona o dispositivo de invisibilidade e se teletransporta pro centro da cidade, o local da origem da explosão.
Da cratera, sai o ser que a causara: um alienígena brutamontes, verde, 3 metros de altura, semelhante a um crocodilo, bípede com olhar maligno, uma calda e vários músculos. Era o mesmo alienígena que havia escapado da prisão espacial.

—Esse planeta fede.

O alien flutua da cratera com sua cauda espinhenta balançando. Algumas pessoas morreram e veículos foram destruídos. Toda a parte elétrica do local foi destruída com a força da colisão, inclusive as câmeras. Pessoas perto dali simplesmente fugiam, sirenes da polícia se aproximavam do local. Frank parece não acreditar.

—Talvez não seja o planeta, e sim você. Não quero saber oque veio fazer aqui, e posso até perdoar a maldita cratera que fez e as pessoas que matou, além de prometer não te espancar, mas isso se você se entregar e, sob minha custódia, voltar pra prisão intergaláctica.

—Não foi nada fácil chegar aqui, pra um maldito baixinho ficar me dando ordens. Quem você pensa que é?

—Frank McLoud, filho de Merlim, guardião-defensor desse sistema solar.

—E...? Devo temê-lo por seus títulos?

—Não, me tema por meus feitos. Eu sou aquele que selou Trévor.

O alien ri da apresentação, ele não acredita que o homenzinho ali vestido de azul e vermelho tenha selado o ser mais perigoso do universo e ainda permanecia vivo pra contar a história.
Policiais chegam ao local, apenas condenados estando ali pra fazer seu trabalho, mesmo sendo em vão tentar lutar contra algo dessa magnitude.
Eles atiram de várias armas diferentes criando uma chuva de balas e fogo contra o alien, mas nada faz efeito. Todas as balas ricocheteiam e voltam acertando os policias, deixando apenas um vivo. O sobrevivente obviamente tenta fugir enquanto o alien o persegue, mas o último é acertado com um poderoso soco em sua face, vindo de Frank.

Furioso, ele voa em direção a Frank tentando acertá-lo, mas não consegue acertar um golpe, dados os reflexos do seu alvo. Frank levita, dando um chute, fazendo-o colidir com um caminhão dentro da cratera e explodindo. Mas isso não causa mais do que arranhões no ser extraterrestre.

A cidade está um caos, pessoas fogem correndo dali, abandonando seus veículos com mais de quatro rodas. Na academia Poseidon que era bem próxima ali, os professores estavam evacuando o local, guiando os alunos para os ônibus escolares.

Calisto queria saber o que estava acontecendo, e o que causou a cratera que todos estavam falando. Ele corre em direção ao local.

—Will! -Pergunta Kevin, desesperado — Você viu meu irmão por aí?

—Pensei que ele estivesse com você!

—Acho que sei onde ele foi, vem comigo!

Os dois saem correndo para cima do prédio principal, desviando do caminho dos demais alunos e também dos professores, que não percebem os dois pela multidão. O térreo do prédio tinha uma boa visão do local da cratera.

—Todos saíram, podemos ir pelo jeito mais fácil agora! — Will fala, voando para cima do prédio, seguido por Kevin. Logo chegam ao topo.

—Calisto! O quê você tá fazendo aqui em cima, cara? A gente precisa ir pra casa!

—Olhem — Diz ele apontando — Nosso pai tá lutando.

Os três observam. Era a primeira vez que Calisto e Kevin tinham visto seu pai lutando. Mas não era novidade pro Will.

Frank lança rochas em direção ao alien, tentando atordoá-lo. Uma rocha o acerta em cheio, fazendo-o cair no chão, aparentemente desmaiado. Frank se aproxima pronto pra prender o invasor. Pra se certificar de que ele estava mesmo apagado, Frank prende os braços e pernas dele com rochas inquebráveis. Olhando pra trás, ele vê Will, Calisto e Kevin em cima do prédio, o observando.

—Meric Trévor mandou lembranças — E nesse exato breve momento de distração, é atingido pela cauda do monstro, que libera um veneno em seu corpo. No mesmo instante Frank cai no chão, quase sem forças, tentando usar seus poderes, sem sucesso.

—Paaaaaaaai! — Calisto grita, voando imediatamente para socorrer seu pai.

Caído, no chão, enfraquecido, luta para não se render ao veneno. Os garotos chegam para ajudá-lo. Ele olha pros três, seus olhos se fechando lentamente, já estava rendido ao veneno. Antes de desmaiar ele ainda tenta sussurrar.

—Garotos... Me perdoem.

—Oque você fez com ele? OQUE VOCÊ FEZ?

Calisto tem seus olhos preenchidos por uma intensa luz. Seus poderes de luz se manifestavam pela primeira vez num momento de ira. A luz de seus olhos é disparada nos olhos do alien, que instantaneamente fica cego. Sua cauda, agora sem controle, é destruída quando Wilson conjura um raio elétrico e o lança contra ela. Kevin tenta desesperadamente reacordar seu pai, ver seus batimentos cardíacos.

—Pessoal. Precisamos levar tio Frank até o Harry, agora. — Fala Will, tentando carregar o corpo inconsciente de seu tio, ajudado por Calisto.

—E oque fazer com esse monstro...?

—VOCÊS PESTES ME CEGARAM E DESTRUÍRAM MINHA CAUDA, VÃO ME PAGAR!

—Silencie ele, Kevin. E vamos sair daqui.

Kevin afoga o monstro numa prisão de água, aos poucos a água vai se tornando quente, que corrói e dissolve o corpo. A temperatura era reflexão da raiva que ele estava sentindo no momento. Os três saem dali imediatamente, antes que o exército pudesse chegar. Voam por cima das nuvens pra não gerar alguma suspeita, e vão para casa.
Exército e demais autoridades chegam à cratera, não encontrando nada além de sangue e uma marca de 3 metros no chão.

Os garotos chegam à mansão, apressados para achar Harry.

—Tá louco? O quê o nosso papagaio pode fazer Will?

—Ele não é apenas um papagaio, Calisto.

Os três param em frente a um quadro de Michelangelo na mansão.

—Muitas coisas foram mantidas em segredo de vocês, pessoal. Dada a situação, vou ter que revelar tudo a vocês.

Will coloca sua mão na parede, que era na verdade um reconhecedor de digitais. O quadro, que na verdade era uma porta para o elevador, se abre. Ambos entram e a porta se fecha novamente, após o elevador descer, para o térreo. Em instantes chegam ao local secreto da mansão.

—Temos uma bat-caverna aqui embaixo da nossa casa e nem sabíamos disso.

—Foi por uma boa razão, Calisto. Tio Frank queria dar a vocês uma vida normal, uma vida humana e tranquila.

—Uma vida sem graça, você quer dizer. Se ele nos treinasse, isso não teria acontecido com ele.

—Mas poderia ter acontecido com um de vocês, Kevin, e seria muito pior. Nenhum de nós tem a resistência física que ele tem, morreríamos no primeiro segundo com o veneno.

A porta se abre. Harry, que estava observando o local da cratera através de vários monitores ligados por satélites orbitais.

—Harry, tio Frank precisa de ajuda.

—Coloquem ele naquele leito.

Wilson e Kevin colocam o corpo de Frank num leito que ficava ali, onde as vezes Frank dormia após uma noite cansativa observando a órbita dos planetas.

—Achei que você fosse um papagaio normal... O que é você?

—Um papagaio anormal. — Diz ele, voando para o lado do leito, examinando o corpo com um aparelho, preso no bico.

Kevin e Calisto mesmo preocupados não podem deixar de notar o local onde estavam. Tudo parecia ter saído dos quadrinhos que eles liam.

—Então nosso pai é uma espécie de... Super herói e vocês são os ajudantes dele?

—Frank é o guardião desse sistema solar, título dado pela patrulha espacial. Tudo que acontece aqui é responsabilidade dele. Se um asteróide não for capturado pela gravidade dos demais planetas e entrar em rota de colisão com a Terra, é dever dele destruí-lo.

—E agora que ele está incapacitado, quem é que vai ser o guardião...?

—Acho que a resposta pra isso é óbvia, Calisto.

—Deveriam ficar satisfeitos, galera... Queriam ser heróis, agora vão ser. Harry, você descobriu alguma coisa?

—Uma boa notícia. Ele não vai morrer e pode se recuperar em alguns meses. Mas seus poderes estão... Apagados.

—Oque quer dizer com apagados? — Fala Will.

—Quero dizer que sumiram, não estão mais com ele. Frank está sem seus poderes.

Os três ficaram perplexos com o resultado do exame. Agora que Frank estava sem seus poderes, eles sem escolha e nenhuma experiência nisso deveriam ser os guardiões daquele sistema solar. Todo o peso que Frank carregou por séculos, agora era passado aos três. E recusar não era uma opção.

Base alien — 2500 km acima da lua terrestre

O resultado não poderia deixar Meric mais feliz. Ele acabara de assistir a luta da cratera e a derrota iminente do guardião do sistema solar. Mas o envolvimento dos garotos, e seus poderes, o deixaram intrigado.

—Então o maldito não está sozinho, tem comparsas... E agora, já tenho ideia do potencial deles. Destruí-los vai ser divertido. Não acha, Flama?

Os olhos de sua espada brilham, ele sorri.

—Por outro lado, estou feliz por não precisar mais gastar dinheiro pagando aquele alien grotesco. Esses garotos se mostraram de grande ajuda... Pra compensá-los, o que acham que devo fazer vadias? Matá-los de um jeito rápido e indolor, ou tirar seus poderes como aquele bastardo fez com o líder deles?

—Porque não os dois, meu príncipe? E depois de eliminá-los, o senhor pode escravizar essa raça pra aumentar ainda mais seu império através das estrelas.

—Seu nome será temido, e em breve toda a patrulha galáctica e o resto do universo se ajoelharão perante a sua grandeza, meu senhor.

Elas estavam cometendo um grave erro. Acariciar o ego de Meric assim era como vender a alma a um demônio. Ele sorri maliciosamente, imaginando seu império do tamanho de um universo.

—Vocês vadias tem razão, não são tão burras quanto pensei que fossem. Aquele lagarto velho que comanda as tropas universais, o meu tio babaca... Todos eles, todos vão cair. E o patético líder dos garotos vai ter seu coração retirado por ter matado minha mãe.

Meric olha pelo vidro de sua janela, com uma visão exclusiva do planeta Terra abaixo dele. Ele agora pretendia, além de sua vingança, conquistar esse planeta em honra e glória de sua família, e em memória de seus pais.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.